quarta-feira, 2 de agosto de 2023

CARTA ABERTA AOS LIBERTADORES DA PÁTRIA (II)

 ALICE MABOTA

CARTA ABERTA AOS LIBERTADORES DA PÁTRIA (II) – Respondam-me a estas inquietações, sem rodeios
Lembrem-se que os que lhe (NR: Armando Guebuza) aconselham a esse tipo de governação vão cair com ele como caiu o Mobuto, que até era o mais rico de África e, nem sequer teve dignidade de ser enterrado no seu solo pátrio. Sorte idêntica teve Idi Amin Dada que até comia carne de gente (canibalismo) para mostrar o seu poder e valentia mas morreu como um desgraçado fora do seu solo pátrio. Já muito recentemente, temos o exemplo do General Kadafi que possuía pistola de ouro e morreu por onde passam fezes. Quem não se lembra ainda hoje de Sadam Hussein que possuía 100 carros e casa cheia de ouro e morreu como um macaco no mato e a barba cheia de piolhos. Este poderoso homem forte do Iraque era tão temido como um Hitler que no seu tempo tinha, Joseph Goebbls, como seu ministro de propaganda, o qual fazia propaganda falsa de como este era querido, mas teve de se suicidar como um ladrão desesperado.
Canalmoz (Maputo) – Alice Mabota, presidente da Liga dos Direitos Humanos produziu uma nova carta aberta, a segunda sobre as suas inquietações a respeito do actual momento politico em que o Presidente da República, Armando Guebuza, volta a ser colocado no centro das atenções. Leia já a seguir, na íntegra, a referida carta:
“Quando alguém assume um compromisso, sobretudo de natureza social, deve rigorosamente cumprí-lo sob pena de defraudar os anseios de quem dele espera lealdade. Um compromisso é um pacto social, com o grupo social que se pretende servir.
Quando comecei a escrever estas linhas mostrando as minhas inquietações, eu tinha a plena consciência de que a capacidade de análise não é propriedade somente minha, mas sim um direito inalienável de pensar de todos e liberdade constitucional de cada um colocar publicamente as suas ideias.
Os meus parabéns a todos aqueles que não comungam comigo o mesmo pensamento, mas aceitam debater ideias e não têm o preconceito de que são ideias de colonialismo em todas as suas dimensões e premissas, nacionalismo, patriotismo, regionalismo, capitalismo, imperialismo, corrupção, esclavagismo e racismo, entre outros, ismos que foram combatidos com vista a trazer a construção de uma sociedade equilibrada diferente da que hoje observo:– Um fosso abismal entre novos ricos e os mesmos pobres de ontem.
E a pergunta que paira em mim é: foi este o sentido de orientação da luta de libertação? Se temos companheiros que tombaram porque tinham ideias de enriquecimento ilícito donde vem esta ideia e, porque é que hoje independentes não nos esforçamos no sentido de se enriquecer honestamente e não à custa do erário público e com comissões de delapidação dos recursos públicos que são de todos?
Setembro passado, iniciei a mostra das minhas inquietações que, afinal são de uma maioria significativa dos cidadãos que, diariamente nas barracas, nos “chapas”, nos mercados em convívios, nos falecimentos não falam de mais nada senão indignarem-se com a pergunta (kasi a huma kwini ye lwe wa nuna a hi disaka a khay khay, a djula yini lepswi a ganyiki), afinal quem é este homem que nos faz comer o pão que o diabo amassou, o que pretende se já está rico?
Senhoras e senhores libertadores da pátria, quando vos pergunto não é porque todos vós estais na lista dos corruptos ou sejam insensíveis. É pelo facto do vosso silêncio que aos olhos de todos significa ou medo de quê, não sei, ou aceitação do que se está a passar no país, ora senão vejamos:
Tal como afirmei anteriormente, o cidadão Joaquim Chissano deixou a Presidência deste país, tendo aceitado transformar a governação do partido único em multipartidarismo, celebrado o acordo geral de paz que devolveu a tranquilidade, irmandade e paz aos moçambicanos.
Entre outras coisas, iniciou a reconstrução do país devastado pela guerra, permitiu a realização de eleições mais ou menos pacíficas e trouxe a liberdade de expressão e de associação e, quando chegou a vez de lhe tirarem saíu e, soubemos anos luz quem o iria suceder.
Sim, houve problemas na governação de Chissano mas não atingiu tamanha dimensão como estamos hoje, por exemplo, com o Presidente Guebuza.
Este, quando iniciou a sua governação começou por ridicularizar o seu antecessor e todos os que com ele governaram de possuírem o espírito do “deixa andar”, mas nenhum de vós se insurgiu, incluindo o próprio Chissano. De quê tinham medo?
Iniciou com o culto de personalidade, mas nenhum de vós se insurgiu, lembrando que na Frelimo os dirigentes são os primeiros no trabalho e últimos nos benefícios.
Quando iniciou com celebração dos seus negócios de uma forma galopante, pegando tudo o que é negócio para si e para a sua filha ninguém se insurgiu de dentro da Frelimo senão os médias a denunciarem e à espera do vosso pronunciamento já que na Frelimo houve pessoas que foram executadas e expulsas porque entendiam de negócios. Será que foram eliminadas para outros entrarem na concorrência?
Então porque nos mentiram dizendo que eram reaccionários?
Quando iniciou a campanha contra a democracia permitindo que jovens incendiassem, perseguissem e espancassem quem não é do partido Frelimo, nenhum de vós se insurgiu, dizendo que a Frelimo é um partido dos moçambicanos. Um partido pacífico, aglutinador e de paz que lutou para que todos nós possamos viver em paz e harmonia. Aplaudiram ou se entristeceram no íntimo, quando isto aconteceu?
E, quando começou a perseguição de todos os que são a favor de Chissano ou mesmo da sua forma de trabalho, o que fizeram? Perguntem ao Frangoulis como se sente com a sua família e quem dele hoje se aproxima? Perguntem ainda ao Manhenje e outros, só para dar alguns exemplos, mas na verdade são muitas as pessoas que nos relatam as suas peripécias de medo e terror e nenhum de vós influentes se indignou e se insurgiu. Será que anuíram? Uma nota: estou a ler um livro interessante de Dalila Cabrita e é tão interessante que no triste e doloroso julgamento que Samora fez aos ex-presos políticos dois grandes homens se posicionaram contra o fuzilamento daqueles em particular ao Matias Mboa marido da falecida Ivete a quem considero Herói vivo e são Joaquim Alberto Chissano e Mariano Matsinhe o que mostra que as suas ideias eram contrárias às de todos e hoje que medo teem? Já nessa altura dizia-se que não se queria imperialistas e exploradores ou entendem que só é explorador quando se tem outra cor se olharmos a dimensão de choros dos trabalhadores das empresas de segurança onde quem são os donos? A exploração dos trabalhadores da Track, e quem são os donos? A exploração dos automobilistas que pagam as portagens e espatifam carros pelas más condições da N4 só e só em Moçambique que vergonha. Os trabalhadores da Mozal, Vales e outros e que até o racismo desenfreado e todos gritam de igualdade qual igualdade racismo com nosso governo é pior que racismo de colono porque o colono é passageiro.
Apesar de eu ter colocado na lista dos questionados, sinto pena quando o Jorge Rebelo é tratado como está sendo tratado, esquecendo-se que ele contribuiu muito para se fazer esta pátria, mesmo com erros mas está limpo de dignidade. Quem de vós terá tanta dignidade como ele, para lhe tratarem assim com desprezo? Pensem no que estão a semear, porque quem semeia ventos colhe tempestades.
Quando sob o vosso olhar impávido e serenos olham para as populações serem despojadas das suas terras pelas empresas onde Guebuza e seus filhos são sócios, o que dizem? Porque eu, como Mabota, apareço e digo não, e defendo sem capacidade o fim do sistema corrupto da nossa justiça. Olhem que quando Chissano deixou o poder os cidadãos confiavam mais no Presidente da República, ONGs e igrejas do que em outras instituições.
Hoje só confiam em ONGs e midias que são entulhados pela propaganda malévola e triunfalista do regime. Senhoras e senhores libertadores, hoje já não se ensina a ler, escrever e interpretar. Cada palavra de qualquer pessoa, até do papa, é alvo de uma análise profunda e de críticas. É, por isso, que tudo o que fazem é alvo de reparos. Se ontem poderíamos dizer a quase tudo sim, senhor, hoje não, porque qualquer passo deve ter o porquê e para quê.
Quando Guebuza começa a chamar para si todos os feitos, então a sociedade chama para ele todos os males. Como é que os dirigentes dele cá fora dizem uma coisa e lá dentro ou calam ou lhe ajudam a entrar na fossa e ninguém diz nada?
Como é que cada frase que tira ou ideia que lança é mal recebida. Quando diz vamos plantar Jatropha, todo o cidadão, pergunta para quê? O que é isso? Vai queimar a terra. Quando fala de revolução Verde, que revolução? Geração da viragem, virar para onde? Já o Padre Couto, quando Reitor da UEM questionava isso. Trata os seus críticos de Apóstolos da desgraça, quantos? Se Cristo só tinha 12...,afinal com quem dialoga?
Em estados normais existem homens grandes de barba branca e cabelos brancos cuja função é estudar e aconselhar o poder e não um grupo de amigos que comem com o chefe de estado. Lembrem-se que os que lhe aconselham a esse tipo de governação vão cair com ele como caiu o Mobuto, que até era o mais rico de África e, nem sequer teve dignidade de ser enterrado no seu solo pátrio. Sorte idêntca teve Idi Amin Dada que até comia carne de gente (canibalismo) para mostrar o seu poder e valentia mas morreu como um desgraçado fora do seu solo pátrio. Já muito recentemente, temos o exemplo do General Kadafi que possuía pistola de ouro e morreu por onde passam fezes. Quem não se lembra ainda hoje de Sadam Hussein que possuía 100 carros e casa cheia de ouro e morreu como um macaco no mato e a barba cheia de piolhos. Este poderoso homem forte do Iraque era tão temido como um Hitler que no seu tempo tinha, Joseph Goebbls, como seu ministro de propaganda, o qual fazia propaganda falsa de como este era querido, mas teve de se suicidar como um ladrão desesperado. Tal foi o fim trágico do homem que o mundo temia.
Sabem, senhoras e senhores libertadores, aprendam de Mandela que lhe retardam a morte pela sua humildade. Ele espera que o digam, Mandela querido, e não apregoa por aí a ninguém que eu sofri na cadeia, por isso, deixem-me ter tudo o que não tive. Certamente, como qualquer outro ser humano, ele, sim, passará da terra mas na mente de gerações não passará jamais. Será como Cristo e Maomé que são filhos de Deus e jamais passarão da boca dos seres vivos a bendizerem-lhes.
O mundo de hoje está no mesmo quintal mas em quartos separados, nada se perpetuará de acordo com o que cada um de nós quer. Isto quer dizer que, temos de fazer algo em prol da comunidade para que seja ela a louvar os nossos feitos e não nos esgrimir em elogios pessoais, ou culto de personalidade para mostrar o que fizemos, as obras devem falar por si.
Sempre com a promessa de um dia voltar, termino questionando como é que o País é dirigido por este homem que tanto sofrimento causa ao povo? Vamos analisar friamente esta questão para me dizerem se tenho ou não razões de me inquietar! Voltarei na III.
Maria Alice Mabota.
Nota. Ao respeitado Adelino Buque, devo dizer que tem razão de sobra sobre o que viu na internet sobre o cidadão Armando Emílio Guebuza. O meu interesse não é o local e a data do seu nascimento. Quero, é, saber que antecedentes sobre apetência e ostentação de riqueza tinha este homem durante a luta de libertação nacional. A informação que temos é que a Frelimo era contra a apropriação da riqueza nacional nas mãos de poucos e hoje o seu dirigente máximo faz o contrário. Nas suas mãos e de sua família está acumulada ilicitamente grande parte da riqueza de Moçambique. Que eu saiba, Adelino Buque, que me responde, não é combatente da luta de libertação, mas não é por isso que devo limitar a sua opinião. Todos temos o nosso contributo a dar, mas esta carta é especificamente dirigida aos prestigiados libertadores da pátria moçambicana do jugo colonial português que ontem combatiam isso. Sobre este acalorado debate, que já está a começar, é momento para recordar o falecido jornalista Carlos Cardoso, quando dizia “no ofício da verdade, é proibido pôr algemas nas palavras”. (Alice Mabota)

Muito bom dia Senhora-presidente da Assembleia da República, demais membros da Comissão permanente,

 

Muito bom dia Senhora-presidente da Assembleia da República, demais membros da Comissão permanente,
Senhor Primeiro-ministro e demais governantes,
Caros Deputados, meus pares,
Minhas senhoras e meus senhores,
Amanhã, a capital do meu círculo eleitoral, a província da Zambézia, estará em festa. Celebrará o epitáfio da Frelimo. Infelizmente, essa boa nova vem num momento de luto e pesar. Faleceu Nelson Mandela e por este motivo endereço sentidos pêsames a viúva, Graça Machel por esta perda irreparável. Mandela será sempre exemplo de boa liderança.
Minhas senhoras, meus senhores,
Não resisto, devo aqui e agora dar um esclarecimento inequívoco, de um ponto importante despoletado ontem pelo Senhor Primeiro-ministro e que pelas palmas conseguidas viu-se ser partilhado por alguns graxistas que andam a reboque do Governo.
Senhor Primeiro-ministro,
Na República de Moçambique não existem duas Renamo.
Não existe uma Renamo Parlamentar e outra de Luta.
Não existe uma Renamo urbana e outra rural.
Existe sim um Partido, denominado Resistência Nacional Moçambicana, Renamo, liderado por Sua Excelência Presidente Afonso Macacho Marceta Dhlakama que como líder que é ensina a lutar por um Moçambique plural, onde cada indivíduo tenha os seus direitos salvaguardados desde a nascença até a sua morte.
A Renamo é um sujeito político com tradição, história, valores.
É uma força política nacional que luta pela autonomia civil, social, institucional, que, aliás, são características próprias do pluralismo das sociedades democráticas contemporâneas.
A Renamo são pessoas de todo o país que convergem num espaço concreto de diálogo aberto, um laboratório de ideias, projectos visando um Moçambique menos fragmentado na dotação de infra-estruturas.
A Renamo, a única que existe, luta sim contra a má governação, contra a corrupção, contra a inoperância das instituições jurídicas que deviam julgar, condenar e encarcerar os delapidadores da riqueza nacional.
Se lutar por tudo isso significa belicismo a história julgará.
Senhor Primeiro-ministro,
Ontem, falou muitas vezes, de Sua Excelência Deputado Manuel Bissopo, Secretário-geral da única Renamo que existe. Como era de se esperar parecendo tratar-se de boato, logo surgiu quem lhe copiasse o feito. Não imagina quantos cidadãos ficaram inquietos sem saber se estariam diante de um novo slogan a gravar, de um boato ou num coro de boateiros.
O tom misericordioso do seu discurso fê-los pensar que provavelmente o facto de Vossa Excelência ter sido recebido, em Roma, por Sua Santidade Papa Bento XVI, vossa excelência senhor Primeiro-ministro julgue ter ganho direitos divinos.
Senhor Primeiro-ministro não é assim!
O Deputado Manuel Bissopo goza dos normais direitos a que todos os 250 Deputados têm direito nesta Casa Legislativa. Ele não está aqui por graça recebida do seu Governo.
Ele esteve em Sandjunjira sim, última morada conhecida do Presidente da Renamo Afonso Dhlakama, antes do ataque que visava assassiná-lo.
Ao ouvirmos o Primeiro-ministro afirmar de boca cheia que Sandjunjira não era residência do Presidente Dhlakama, mas sim um quartel, os moçambicanos espantaram-se e questionam:
“Como é possível que sabendo de antemão que Sandjunjira era uma Base militar onde homens eram reciclados, treinados e armados, mesmo assim, Armando Guebuza e o seu Governo tenham colocado em risco a vida de Bispos, outros religiosos, Académicos e personalidades ligadas a instituições como o Observatório Eleitoral?”
Custa-me acreditar que Armando Guebuza, Presidente da Frelimo e chefe do Estado tenha, por mero maquiavelismo, usado moçambicanos;
Pessoas que, acreditando nele, agiam em boa-fé na busca de soluções pacíficas para as diferenças políticas reinantes no país.
Ouvir do Primeiro-ministro que aquele lar não era lar faz-nos concluir que, na verdade aqueles religiosos, académicos, representantes de instituições fundamentais neste país foram usados feito emissários do Presidente da República com o fito de entreter o líder da Renamo enquanto um ataque fatal contra este era preparado.
Excelências,
Desmentindo o Primeiro-ministro, queremos dizer aqui e agora de forma indubitável que Sandjunjira era a residência do pai da nossa democracia, por isso permitia que lá entrassem vossos emissários civis, religiosos, académicos. Bastas vezes recebeu jornalistas séniores, editores de órgãos de comunicação social. A título de exemplo, lá esteve o Dr. Rogério Sitoe. Lamentavelmente, pelo simples facto de na qualidade de Director do Jornal Noticias ter ido para Sandjunjira e escrito verdades que muito vos doeram, rancorosos como sois, escorraçaram-no da direcção do Noticias deixando a nú a natureza da Frelimo centralizadora até das consciências dos cidadãos.
Minhas senhoras e meus senhores,
É consensual que, a ser verdade, que foi tudo isso premeditado estamos diante de um Governo irresponsável.
Porém, é hora de ultrapassar tudo isso, e dar um passo em frente!
Sabemos todos que quanto mais se prolongarem as escaramuças que roçam a guerra não declarada, mais difícil será retomar o caminho da paz efectiva.
Não é hora de encomendarem reacções da região Austral para diabolizar a Renamo e o seu líder porque os problemas estão identificados, são claros e a agenda que os pode solucionar foi definida e aprovada pelo Governo da Frelimo e pela Renamo.
De todos os quadrantes jorram mensagens clamando pela PAZ.
Os moçambicanos querem paz, paz, paz. Por isso, os ensaios militares do exército, das Forças de Defesa e Segurança e outras tendo como alvo cidadãos moçambicanos devem cessar.
Ninguém deve desejar o Poder a qualquer preço. Isso sim, senhor Primeiro-ministro é imoral!
Doravante, deve reinar a boa vontade para devolver a paz salvaguardada durante 12 anos por Afonso Dhlakama e Joaquim Alberto Chissano.
Por conseguinte, como jovem moçambicana apelo ao Chefe do Estado Armando Guebuza que nos devolva essa Paz porque a Paz é um direito fundamental.
Foi pensando nos direitos dos moçambicanos que decidi trazer questões que me foram colocadas por nossos concidadãos. Lamentam que o Governo tenha voltado a velhas tácticas por todos conhecidas de auto-vitimização. Atacar e atribuir a autoria do ataque a outrem. Acusar a Renamo de assalto a postos de saúde e não ter cara para trazer os culpados do escândalo financeiro do órgão que superintende todas as contas do Estado, o Tribunal Administrativo.
Que fique bem claro:
A Renamo é um Partido Político, não é uma organização mafiosa.
O povo sabe quem rapta para extorquir dinheiro as famílias dos visados. O povo não tem ilusões, e já nem cai nas cantigas governamentais.
No lugar de se preocupar em sujar a Renamo, atribuindo autoria de crimes planificados em recintos como Comando da Policia da República, o Governo, e seus acérrimos apoiantes, visivelmente instrumentalizados deviam preocupar-se com a paz e reflectirem sobre que acções poderão desencadear como filhos desta pátria.
Excelências,
É motivo de grande preocupação o recrudescimento da criminalidade, os escândalos financeiros que ontem o Governo tentou explicar, os casos não solucionados de corrupção, os sequestros planificados na BO e no Comando da Polícia da República de Moçambique como denunciou o Digníssimo Procurador-Geral envolvendo somas financeiras avultadas de dinheiro.
É motivo de grande inquietação que o crime organizado se tenha institucionalizado, criado tentáculos nas fileiras do sistema judiciário, com tal força que criminosos fazem tábua rasa à existência de um governo nesta República, de tribunais, da lei e da ordem.
E porque com este governo reina na sociedade a convicção de que quase tudo está mal o jovem Edgar Barroso vos questiona: quando é que se demitirão?
Não ficaria bem chegarmos ao ponto do governo ser visto como cleptocrata. A palavra “cleptocracia” significa “Estado governado por ladrões”, literalmente. Este termo se refere a um tipo de governo no qual as decisões são tomadas com extrema parcialidade, indo totalmente ao encontro de interesses pessoais dos detentores do poder político.
Na cleptocracia, excelências, a riqueza é extraída de toda a população e destinada a um grupo específico de indivíduos detentores de poder.
Muitas vezes são criados programas, leis e projetos sem nenhuma lógica ou viabilidade, que no fundo, possuem a função de beneficiar certos indivíduos ou simplesmente desviar a verba pública para os bolsos dos governantes.
Qualquer coincidência com a realidade moçambicana é propositada.
Maputo, aos 06 de Dezembro de 2013./ Muito obrigada / Maria Ivone Soares /Deputada da Assembleia da República pela Bancada Parlamentar da Renamo/ smariaivone@gmail.com
Todas as reações:
Ariel Sonto, Joaquim da Costa e 12 outras pessoas

Partidarização do Estado (Subsídios para discussão)

 

Partidarização do Estado
(Subsídios para discussão)
Em Moçambique a nível do debate político e até académico é recorrente a tese de uma “enorme partidarização do Estado”, para descrever uma situação de suposto “assalto” às instituições do Estado a todos níveis pelo partido Frelimo. Considerando diferentes situações descritas pode-se chegar a conclusões: a 1.ª de que politicamente a Frelimo estendeu-se às instituições do Estado; 2.ª Aumentou o controle político do Estado e das suas instituições.
A situação descrita acima deriva, a meu ver, da acumulação de poderes político e constitucionais numa figura que é simultaneamente Presidente do partido e Presidente da República. Analogicamente estamos perante uma situação em que o vermelho e o encarnado estão próximos e à distância confundimos o vermelho com o encarnado e o encarnado com o vermelho.
Em termos práticos tal confusão tem consequências a diferentes níveis, por exemplo: diminuição do espaço democrático: é difícil realizar com sucesso e a imparcialidade constitucional que se pede ao Presidente da República um diálogo político com outras forças políticas se é simultaneamente o Presidente de um partido. O diálogo pode ser preparado e até iniciar, mas em algum momento o Presidente do Partido sobrepor-se-á ao Presidente da República, numa espécie de conflito de interesses, e provavelmente recuar o debate democrático a níveis anteriores ao do encontro.
Mais abaixo na estrutura estatal, a dinâmica política pode interferir negativamente na dinâmica funcional do Estado, tornando a máquina e os processos burocráticos mais pesados e reféns de um escrutínio político em detrimento do cidadão e do mercado que por sua vez dependem de tais processos para poderem em seu espaço desencadearem ou dar continuidade às suas dinâmicas e processos.
Ora, considerando a evolução das instituições políticas e estatais em Moçambique, e concentrando na evolução da Frelimo em particular, é de esperar um processo evolutivo conducente à destrinça entre a direcção política e a direcção do Estado, considerando principalmente os elementos que decorrem da concentração das mesmas numa só pessoa.
Num fórum internacional sobre as Dinâmicas Políticas em Moçambique e Angola no contexto da Primavera Árabe e como sequela lusófona dos seminários sobre os acontecimentos na Swazilândia e no Malawi em 2011 questionado se os eleitores em Moçambique votavam na Frelimo pelos seus feitos ou pelo seu papel histórico, respondi que votavam pelos dois motivos, mas tanto a Frelimo como outros movimentos de libertação deveriam se reinventar como partidos (renovar-se) como partidos e realizar acções mais direccionadas ao eleitorado, pondo as questões ideológicas em segundo plano. Realizar acções mais efectivas e visíveis de combate à pobreza (bread & butter policies) e a nível moral atacar frontal e eficazmente questões social e eticamente sensíveis como a corrupção.
Nesta “reinvenção”, há tarefas para a oposição, em especial a Renamo, que deve abandonar a sua estratégia de conflito e conflitualidade e engajar-se num debate à volta dos principais pontos e desafios do país: combate à pobreza, a corrupção, infra-estruturas e desenvolvimento. À oposição no geral por via do processo da descentralização/autarcização, iniciar um processo democrático de difusão e implementação das suas estratégias a nível local.
Nesta perspectiva, considerando o estágio dos desafios do país, cabe á Frelimo iniciar um processo de descentralização interna por forma a se adaptar às dinâmicas que protagoniza como gestor do país desde 1975 e caminhar para a modernização. Neste contexto, estrutural e estrategicamente, a direcção do Partido deve ser diferente da direcção do Estado, permitindo uma visão mais constitucional, republicana e imparcial do Estado sem qualquer conotação de cariz político.

Jogos perigosos


12 de Novembro, 2012 [Editorial “Jornal de Angola”]
Camões, faminto de tudo, até de pão, na hora da partida desta vida, descontente, ainda foi capaz de um último grito de amor. Morreu sem nada, mas com a sua ditosa e amada pátria no coração. Ele que sofreu as agruras do exílio e foi emigrante nas sete partidas, escorraçado pelos que se enfeitavam com a glória de mandar e a vã cobiça, morreu no seu país.
O mais universal dos poetas de língua portuguesa deixou-nos uma obra que é o orgulho de todos os que falam a doce e bem-amada língua de Camões. Mas também deixou, seguramente por querer, a marca das elites nacionais que o desprezaram e atiraram para a mais humilhante pobreza. O seu poema épico acaba com a palavra Inveja. Desde então, mais do que uma palavra, esse é o estado de espírito das elites portuguesas que não são capazes de compreender a grandeza do seu povo e muito menos a dimensão da sua História.
Nós em Angola aprendemos, desde sempre, o que quer dizer a palavra que fecha o poema épico, com chave de chumbo sobre a masmorra que guarda ciosamente a baixeza humana. A inveja moveu os primeiros portugueses que chegaram à foz do Rio Zaire e encontraram gente feliz, em comunhão com a natureza. Seres humanos que apenas se moviam para honrar a sua dimensão humana e nunca atrás de riquezas e honrarias.
A inveja fez mover os invasores estrangeiros nesta imensa terra angolana. Inveja foi o combustível que alimentou os beneficiários da guerra colonial. Inveja foi o estado de alma de Mário Soares quando entrou na reunião do Conselho da Revolução, que discutia o reconhecimento do novo país chamado Angola, na madrugada de 10 para 11 de Novembro de 1975. Roído de inveja e de cabeça perdida porque a CIA não conseguiu fazer com êxito o seu trabalho sujo contra Angola, disse aos conselheiros, Capitães de Abril: não vale a pena reconhecerem o regime de Agostinho Neto porque Holden Roberto e as suas tropas já entraram em Luanda. Uma mentira ditada pela inveja e a vã cobiça.
A inveja alimentou em Portugal o ódio contra Angola todos estes anos de Independência Nacional. E já lá vão 37! Os invejosos e ingratos para com quem os quer ajudar estão gastos de tanto odiar. Que o diga a chanceler Ângela Merkel, que ajudou a salvar Portugal da bancarrota, mas é todos os dias insultada. Recusam aceitar que foram derrotados depois de alimentarem décadas de rebelião em Angola, de braço dado com as forças do “apartheid” de uma África do Sul zelosa guardiã da humilhação de África.
As elites políticas portuguesas odeiam Angola e são a inveja em figura de gente. Vivem rodeadas de matilhas que atacam cegamente os políticos angolanos democraticamente eleitos, com maiorias qualificadas. Esse banditismo político tem banca em jornais que são referência apenas por fazerem manchetes de notícias falsas ou simplesmente inventadas. E Mário Soares, Pinto Balsemão, Belmiro de Azevedo e outros amplificam o palavreado criminoso de um qualquer Rafael Marques, herdeiro do estilo de Savimbi.
Os angolanos estão em festa pela Independência Nacional. Em Portugal, a nova Procuradora-Geral da República foi a Belém onde deve ter explicado a Cavaco Silva as informações que no mesmo dia saíram na SIC Notícias e no “Expresso”, jornal oficial do PSD, que fizeram manchetes insultuosas e difamatórias visando o Vice-Presidente da República, Manuel Vicente, que acaba de ser eleito com mais de 72 por cento dos votos dos angolanos. Militares angolanos com o estatuto de Heróis Nacionais e ministros democraticamente eleitos foram igualmente vítimas da inveja e do ódio do banditismo político que impera em Portugal, neste 11 de Novembro, o Dia da Independência Nacional. A PGR portuguesa é amplamente citada como a fonte da notícia. A campanha contra Angola partiu do poder ao mais alto nível. Mas como a PGR até agora ficou calada, consente o crime. As relações entre Angola e Portugal são prejudicadas quando se age com tamanha deslealdade. A cooperação é torpedeada quando um ramo mafioso da Maçonaria em Portugal, que amamentou Savimbi e acalenta o lixo político que existe entre nós, hoje determina publicamente o sentido das nossas relações, destilando ódio e inveja contra os angolanos de bem. Da boca para fora, são sempre amigos de Angola e dos angolanos, da Alemanha e dos alemães. Enchem os bornais de dinheiro, à custa de Angola, comem à custa da Alemanha.
Sobrevivem à miséria, usando como último refúgio a antiga “jóia da coroa”, feliz expressão do capitão de Abril Pezarat Correia. Mas na hora da verdade, conspiram e ofendem angolanos e alemães, usando a sua máquina mediática.
“De sorte que Alexandre em nós se veja,/ sem à dita de Aquiles ter inveja.” Estes são os dois últimos versos de Camões no seu poema épico. Os restos do império, que estrebucham na miséria moral, na corrupção e no embuste, deviam render-se à evidência. Angola não é um joguete! Nós somos Aquiles! Tão grandes e vulneráveis como ele. Mas não tenham Inveja do nosso êxito, porque fazemos tudo para merecê-lo.