segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Muchanga: "Não sei quem faz os ataques" em Moçambique

Porta-voz da Renamo considera de palhaçada denúncias de estar a treinar homens no Uganda.
António Muchanga.
António Muchanga.
Amancio Miguel
O porta-voz da Renamo disse à VOA desconhecer quem faz os ataques contra veículos no centro e norte de Moçambique que a polícia tem atribuído ao seu partido.
"Eu não sei quem faz os ataques, mas tendo em conta que há conflitos no país é um situação muito complicada e lamentável", garantiu António Muchanga, que diz que o Governo "pode ter informação no terreno, mas também pode ser uma informação perturbada".
Muchanga: "Não sei quem faz os ataques" em Moçambique - 1:43
Quanto à apresentação de um homem alegadamento proveniente do Quénia como sendo combatente da Renamo, Muchanga considerou o facto "uma palhaçada" e disse que o seu partido "não tem homens a treinar no Quénia".
O porta-voz reiterou que o seu partido vai governar as seis províncias em que diz ter ganho nas eleições gerais de Outubro de 2014, lembrando que "o mês de Março vai até o dia 31".
Entretanto, o Presidente moçambicano Filipe Nyusi convocou para esta quarta-feira, 2,  o primeiro Conselho de Estado desde que tomou posse, em Janeiro de 2015, numa altura em que o país atravessa por uma grave crise político-militar e dificuldades económicas.

Em Niassa, membros da Frelimo e da OJM entregam-se em massa ao MDM



Sílvia Soares cria projecto para apoiar crianças desfavorecidas no município de Quelimane

DSC_0231O Gabinete da Esposa do Presidente do Conselho Municipal de Quelimane, esta desde Janeiro ultimo a desenvolver um projecto cujo foco é o apoio à crianças desfavorecidas na vertente escolar. Trata-se de um programa onde cidadãos singulares ou instituições de carácter público ou privado podem adoptar academicamente uma criança e financiar os seus estudos no primeiro ciclo de ensino. A matrona do projecto, Sílvia Soares, refere que até ao momento a receptividade dos empresários, figuras públicas entre outras individualidades no Pais e em Quelimane em particular tem sido favorável, tendo até ao presente momento, sido adoptadas cerca de 28 crianças que passaram a beneficiar apoio em material escolar, uniforme e incentivos de outra natureza através dos padrinhos. 
“O projecto uma criança na escola com o apadrinhamento de pessoas singulares ou empresas, foi um projecto que surgiu a partir do trabalho que tenho desenvolvido nas comunidades, vemos muitas crianças com vontade de ir a escola, mais muitas delas iam a escola sem uniforme, descalças e a carregarem livros em sacos plásticos e isso chocou muito a nossa sensibilidade e tentamos procurar uma forma de alterar este cenário triste”.
O projecto beneficia crianças dos postos administrativos do município de Quelimane

Moçambique: Tensão política está a afectar investimentos

Natural gas
Natural gas
Nos últimos tempos, Moçambique enfrenta algumas restrições que impedem que a sua economia cresça ao ritmo registado nos últimos três ou quatro anos.
Moçambique: Tensão está a afectar investimentos 3:15
Uma dessas limitações prende-se com o abrandamento do investimento directo estrangeiro, que vinha suportando substancialmente esse ritmo de crescimento.
O analista Tomás Rondinho diz que este abrandamento se deve ao facto dos investidores terem perdido a confiança no país, "porque o cenário político-militar nao é favorável, dado que em Moçambique está instalado o medo e a desconfiança".
Rondinho diz ter conhecimento de muitos projectos que não avançaram por causa deste conflito, mas esclarece que além deste factor há questões externas como a queda dos preços das matérias primas nos mercados internacionais.
Para o analista, o arranque do projecto do gás natural liquefeio (GNL), a cargo da companhia americana Anadarko, no norte de Moçambique, está a ser afectado por uma conjuntura económica adversa.
Alguns economistas dizem que se a situação de conflito político e a conjuntura económica mundial adversa continuarem por muito tempo, Moçambique poderá ter uma recessão económica.
Mas para Rondinho o cenário de recessão já é perceptível.
Para não complicar mais o cenário, o economista Ragendra de Sousa adverte que Moçambique deverá reduzir o endividamento.
E no caso de necessidade para a  criação de infraestruturas, o país deverá optar por "um endividamento com crédito concessionado".

Antigo vice-governador Manuel Catraio condenado a mais de seis anos de prisão

Miguel Catraio condenado a seis anos de prisão no “Caso Jindungo”

Luanda - O antigo vice-governador de Luanda, Miguel Catraio, foi condenado a seis anos de prisão, no âmbito do “Caso Jindungo”, cuja sentença foi lida esta manhã no Tribunal Provincial de Luanda. O juiz decidiu ainda aplicar uma pena de quatro anos e três meses de cadeia a Justina Lufumua Lukoki “Jussila”, reduzindo ao pagamento de multas o castigo aplicado às outras rés. Em aberto ficam os pedidos de recurso, que podem ser apresentados nos próximos cinco dias.
Fonte: NJ
O julgamento resultou de uma história de amor, traição e crime que envolve o antigo vice-governador de Luanda e a cidadã Justina Lufumua Lukoki “Jussila”, acusada de ter agredido e introduzido jindungo nos órgãos genitais da amiga Nikilauda Vieira Dias Galiano “Neth”, por esta, alegadamente, a ter traído com o amante Miguel Catraio, de acordo com os factos revelados em Tribunal.

O episódio aconteceu em Abril do ano passado, no quarto de um hotel em Luanda, onde Neth foi supostamente encontrada com o homem que ambas estariam a “partilhar”. Jussila fez-se acompanhar de um grupo de nove raparigas e, juntas, agrediram aquela e gravaram o acto, cujo vídeo foi partilhado nas redes sociais.

De acordo com a acusação, Miguel Catraio é tido como o principal mentor moral do crime.

Além do antigo vice-governador e de “Jussila”, sentaram-se no banco dos réus Maiamba Brígida Fernando, Maria do Céu, Teresa Albano e Rita de Fátima Ferreira, todos acusados de crimes de roubo qualificado, injúria, difamação e ofensas corporais voluntárias.
Na última sessão do julgamento, realizada na segunda-feira, 22, o Ministério Público requereu que os acusados fossem condenados como autores dos crimes de roubo, concorrentes com ofensas corporais, sendo certo que “foram retirados os bens da ofendida, de forma violenta e fraudulenta. A ofendida ficou privada da razão, ainda que de forma temporária, por força das ofensas protagonizadas contra si pelas rés e prófugas. Também deve o Tribunal condená-los pelo crime de difamação e que o réu seja condenado em cúmulo jurídico pelo crime de violência domestica”, pediu a procuradora Isabel Fançony.

Ele e mais quatro mulheres foram condenados por roubo qualificado, ofensas corporais voluntárias e atentado ao pudor
Januário Domingos José
Januário Domingos José
Coque Mukuta
O antigo vice-governador de Luanda para o sector económico, Miguel Ventura Catraio, foi condenado nesta segunda-feira, 29, a seis  anos e três meses de prisão efectiva pelo tribunal provincial da capital.
Catraio e mais quatro mulheres foram condenados no caso conhecido como “jindungo” quando, em 2015, o então vice-governador atraiu uma amiga da ex-amante dele, Niklaúdia Galiano “Neth”, para uma das hospedarias no centro de Luanda, onde a moça foi espancada por oito mulheres.
Ela também teve picante “jindungo” introduzida nas partes íntimas.
O juiz Januário Domingos José condenou também a quatro anos e três meses de prisão a ex-amante do antigo vice-governador Justina Mufuma Lukoque “Jussila”, enquanto  Mayamba Brigida dos Santos, irmã de Jussila, e Rita de Fátima Pegado, receberam a pena de três anos e três meses de prisão efectiva
Os réus foram condenados por roubo qualificado, ofensas corporais voluntárias e atentado ao pudor.
O vídeo da agressão a Neth foi divulgado nas reds sociais.

Milhares de sírios podem ter morrido à fome


ONU prepara-se para aproveitar a trégua para enviar ajuda a 150 mil pessoas nos próximos dias.
“Mais de 450 mil pessoas vivem actualmente sitiadas em várias cidades e aldeias da Síria, em alguns casos há anos” LOUAI BESHARA/AFP



A privação forçada de alimentos pode ter feito milhares de mortos em zonas cercadas da Síria, declarou esta segunda-feira o Alto-Comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein.
“Mais de 450 mil pessoas vivem actualmente sitiadas em várias cidades e aldeias da Síria, em alguns casos há anos”, recordou Zeid na abertura da sessão anual do Conselho dos Direitos Humanos em Genebra.
“A comida, os medicamentos e outros produtos de ajuda humanitária e de emergência são bloqueados repetidamente. Milhares de pessoas podem ter morrido de fome”, continuou o responsável da ONU.  “A privação deliberada de alimentos é proibida enquanto arma de guerra. E, por inerência, também o são os cercos de localidades”.
Aproveitando a trégua de duas semanas que está em vigor desde as primeiras horas de sábado, e que tem sido globalmente respeitada, a ONU vai reforçar as operações humanitárias para dar assistência ao longo dos próximos cinco dias a mais de 150 mil pessoas bloqueadas em localidades sírias que estão cercadas por um ou pelo outro lado dos beligerantes.
O coordenador dos assuntos humanitários da ONU na Síria, Yacoub el-Hillo, anunciou no domingo à noite “o envio de ajuda a partir de segunda-feira e nos dias seguintes à cidade rebelde de Mouadamiyat al-Cham”, nos arredores de Damasco, cercada pelas forças governamentais. No total, a ONU prevê, no conjunto de várias operações em curso, “enviar ajuda a cerca de 154 mil pessoas”.
“A ONU apela a todas as partes para garantirem um acesso incondicional, livre e regular à totalidade dos cerca de 4,6 milhões de pessoas que se encontram em localidades de difícil acesso ou que estão cercadas em todo o território sírio”.
Também a Organização Mundial de Saúde (OMS) pediu esta segunda-feira o acesso a estas zonas para encaminhar ajuda médica. “Acontece que muitos pedidos não são aprovados pelas autoridades sírias”, disse Elizabeth Hoff, representante da OMS na Síria. “Em 2015, a OMS apresentou 102 pedidos: 30 foram aprovados e 72 ficaram sem resposta.
A guerra na Síria já fez 270 mil mortos ao longo de cinco anos e provocou uma vaga inédita de milhões de deslocados e refugiados.

Hillary Clinton com vitória arrasadora nas primárias da Carolina do Sul


Bernie Sanders reconheceu a derrota mas declarou que "a campanha está apenas no início”.
Hillary Clinton conquistou mais de 70% dos votos nestas eleições primárias WIN MCNAMEE/AFP



Depois da derrota significativa no New Hampshire e da vitória modesta no Nevada, Hillary Clinton e os seus apoiantes tiveram verdadeiros motivos para celebrar. Clinton venceu Bernie Sanders nas eleições primárias da Carolina do Sul com uma larga vantagem: com os resultados finais apurados, Hillary Clinton conseguiu 73,5% dos votos, enquanto Sanders ficou-se pelos 26%.
A derrota para o senador do Vermont é ainda maior do que aquela que inflingiu à sua adversária no estado de New Hampshire, onde ganhou com cerca de 60% dos votos. New Hampshire é até agora o único estado onde Sanders venceu.
“Amanhã, esta campanha torna-se nacional!”, exclamou a ex-secretária de Estado de Barack Obama no seu discurso de vitória em Columbia, a capital deste estado. “Vamos bater-nos por cada voto, em cada estado. Não tomamos nada nem ninguém por garantido”, afirmou.
Aproveitando para dirigir-se ao candidato favorito nas eleições primárias republicanas, Donald Trump, Hillary lançou: “Não precisamos de devolver à América a sua grandeza. A América nunca perdeu a sua grandeza.”
Este resultado, mais do que uma vitória desejada pela candidata, traz consigo um ambiente favorável para sua candidatura numa altura em que a “Super Terça-feira” se aproxima. O dia em que 12 estados realizam eleições primárias e que habitualmente é visto como um momento crucial rumo à vitória – e que acontece já a 1 de Março.
Bernie Sanders, que reconheceu de imediato a derrota e até deixou a Carolina do Sul mais cedo para se concentrar na campanha nos estados de Minnesota e Texas, não desanimou e declarou que “esta campanha está apenas a começar”. “Nós conseguimos uma vitória decisiva em New Hampshire. Ela alcançou uma vitória decisiva na Carolina do Sul. Agora estamos a pensar na Super Terça-feira”, afirmou em comunicado.
A assessora de Clinton, Jennifer Palmieri, também refreou os triunfalismos e reconheceu que esta terça-feira “o senador Sanders irá ganhar em muitos estados”.
Votos do eleitorado negro foram decisivos

De acordo com as sondagens, a vitória de Clinton na Carolina do Sul ficou a dever-se, em larga medida, ao eleitorado negro. Este constitui a base do partido democrata no Sul, tendo representado nas eleições primárias deste sábado seis eleitores em cada dez.

Hillary conseguiu inclusivamente ter mais votos de eleitores negros do que Barack Obama em 2008 no mesmo estado. Enquanto que o actual Presidente norte-americano havia conseguido 78%, Clinton chegou aos 86% dos votos.
No passado dia 20 de Fevereiro, nas eleições primárias do partido Republicano no mesmo estado, Donald Trump foi o grande vencedor, numa noite que ficou ainda marcada pela desistência da candidatura de Jeb Bush.