domingo, 1 de outubro de 2017

CDU já perdeu sete câmaras para o PS

Passos não exclui sair da liderança do PSD. CDU já perdeu sete câmaras para o PS

Projecções dão vitórias a Fernando Medina em Lisboa e Rui Moreira no Porto. Teresa Leal Coelho pode ficar atrás da CDU em Lisboa. PS lidera no número de câmaras conquistadas.
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Fernando Medina diz que, "como sempre", está aberto a entendimentos.
"O diálogo é necessário, a concertação é necessária, mas ao serviço de uma visão clara ao serviço da nossa cidade da qual não abdicaremos."

PS diz que ganhou 166 câmaras até ao momento

Os socialistas já contam com 166 câmaras, mais 16 do que há quatro anos e mais de metade do total de câmaras do país

Dama de Ferro reforça maioria para a CDU em Setúbal

Embora sem resultados definitivos conhecidos, Maria das Dores Meira, reeleita presidente da Câmara Municipal de Setúbal, fez o discurso da vitória ainda antes da meia-noite, revelando que a CDU reforçou a maioria absoluta no município, obtendo mais um vereador.
Os resultados conhecidos apontavam nessa altura para que a CDU conseguisse sete vereadores, o PS três (perde um) e o PSD um vereador, mas desta vez sozinho, sem coligação com o CDS-PP.
“Esta vitória é fruto do trabalho de todos sem excepção, uma vitória muito grande” gritou Maria das Dores Meira na sede de campanha comunista, em ambiente de festa.
A autarca acrescentou que a votação obtida reforça “a confiança na CDU” e mostra que os jovens também acreditam no projecto que encabeça. “Nós diminuímos a abstenção e isso foi muito bom porque houve muitos, muitos jovens que foram votar pela primeira vez e acreditaram na CDU”, disse.
A autarca concluiu que a autarquia tem agora “tanto trabalho” para fazer que vai recomeçar já a trabalhar. “Tive apenas cinco dias de férias mas acho que vou já a trabalhar”, referiu Dores Meira, destacando entre as diversas obras e projectos para o futuro próximo, empreitadas “já adjudicadas” como a conclusão da reabilitação do Convento de Jesus, o Parque da Várzea e a recuperação do Forte de Albarquel.

CDU perde Almada para o PS por 213 votos

É mais um bastião comunista perdido para o PS: os socialistas ganharam a Câmara de Almada à CDU por 213 votos. Almada era comunista desde 1976.

Momento chave

Marques Mendes: “Esta legislatura não vai chegar ao fim”

O PS conquistou pelo menos sete câmaras comunistas e isso não passa sem uma leitura política num momento em que os socialistas têm maioria parlamentar, em parte, graças ao partido de Jerónimo de Sousa. Estas eleições pode ser um golpe sobre este acordo? Marques Mendes não tem dúvidas: “Hoje foi dado um passo para que a legislatura não chegue ao fim”, afirmou na SIC Notícias.
“O PCP está numa grande encruzilhada”, aponta. “Pode chegar a 2019 de braço dado com PS”, e perder ou criar uma crise política e quebrar a aliança. Se tivesse que apostar, Marques Mendes apostava que o comunistas irão escolher a última opção.
O social-democrata acredita que a “derrota pesada” do PCP, ao perder estar autarquias vai ter consequências na governação. “Acho que esta legislatura não vai chegar ao fim”, antecipou o comentador da SIC. E explicou a sua tese: os comunistas estão a ser penalizados por terem apoiado o governo e não vão “querer chegar às legislativas na mesma situação”. “A seguir à aprovação deste Orçamento do Estado, acho que vamos ter um ano com muito mais greves e um PCP a endurecer muito mais as suas posições”. Mais: depois de dificultarem a vida aos socialistas, “haverá um pretexto para uma crise política” e o PCP romperá o acordo com o Governo, forçando eleições antecipadas.
Num exercício de previsão, Marques Mendes acredita que esta crise política, que permitirá aos comunistas irem a eleições afastados do PS, beneficiará ainda assim António Costa.
Afinal, a “penalização do PCP foi muito mais forte” do que Marques Mendes imaginou.
Sobre as declarações de Pedro Passos Coelho, Marques Mendes concorda que “o resultado de umas autárquicas não apaga o de umas legislativas”. “Mas na prática, António Costa e o PS saíram altamente reforçados destas eleições”, defendeu.
O social-democrata está convicto de que o Primeiro-Ministro e líder do PS é “o grande ganhador destas eleições” e está agora “em condições para cumprir em plenitude o seu programa” de Governo. Como “domina todos os grandes centros urbanos e é nos centros urbanos que se ganham eleições”, as legislativas têm tudo para correr bem ao líder socialista, acredita Marques Mendes.

Fernando Medina celebra vitória

Fala Fernando Medina, eleito presidente da Câmara Municipal de Lisboa pela primeira vez: "Obrigado, Lisboa. Obrigado pela confiança, pela responsabilidade e pelo privilégio. Obtivemos hoje em Lisboa uma grande vitória."

Áudio: Reacção de Valentim Loureiro (candidato independente, Gondomar) aos resultados


Resultados em Faro

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Independentes retiram Câmara de Peniche à CDU

O independente Henrique Bertino, presidente da Junta de Freguesia de Peniche, foi, este domingo, eleito presidente deste município, retirando aos comunistas uma liderança conquistada em 2005, segundo dados da secretaria-geral do Ministério da Administração Interna.
Henrique Bertino foi eleito pelo Grupo de Cidadãos Eleitores por Peniche num concelho onde o actual presidente, António José Correia, não pôde ser novamente candidato por ter atingido o limite de três mandatos consecutivos permitido por lei.
A CDU passou de primeira para quarta força política no concelho. Ainda assim, os independentes agora eleitos não têm a maioria dos mandatos: conseguiram três lugares no executivo, enquanto a oposição (PSD, PS e CDU) soma quatro.

PS à frente com 137 câmaras

Até ao momento, o PS elegeu 137 presidentes de câmara (126 com maioria absoluta), seguido do PPD/PSD com 70 câmaras, da CDU com 19, do Grupo Cidadãos e da coligação PPD/PSD/CDS-PP com 11 cada um. O Nós, Cidadãos! elegeu um presidente de câmara.
Foram apuradas até agora 2902 das freguesias 3092 por apurar.

PS ganha Alcântara, Beato e Santa Maria Maior, em Lisboa

Mais três freguesias apuradas em Lisboa: Alcântara, Beato e Santa Maria Maior, ganhas pelo PS.

Vitórias e derrotas nas Autárquicas

De Norte a Sul do país, os candidatos às câmaras foram reagindo às votações. Alguns celebraram o resultado, como a líder do CDS-PP, Assunção Cristas, manifestamente feliz pela votação em Lisboa; outros, como Valentim Loureiro, que não recuperou Gondomar, ficaram de ombros caídos. Veja a fotogaleria.

PS mantém Câmara de Leiria

O presidente da Câmara de Leiria, Raul Castro, este domingo, reeleito pelo PS para um terceiro mandato, criticou a campanha "demasiado agressiva" levada a cabo pelo candidato do PSD/MPT, Fernando Costa.
"Era a vitória que esperava, até por uma razão acrescida: a campanha foi demasiado agressiva. Não houve debate de ideias, especialmente pela candidatura da oposição, que não soube fazer um debate sério. Não havia criatividade, não havia inovação. Portanto, quando é assim, tudo é difícil para quem está nesse papel", afirmou Raul Castro, depois de assumir a vitória na sede de campanha.
Segundo o autarca, "esse não devia ter sido o caminho perseguido", pelo que, já "esperava que a reposta dos leirienses fosse para defesa daquilo" que tem "vindo a defender".
Raul Castro entendeu que os "leirienses souberam dar a resposta a quem a mereceu" e disse esperar que a oposição perceba, "de uma vez por todas, que não é assim que se deve fazer campanha".
"É pelo debate das ideias e de ideias claras. Não é com mentiras, tentando intoxicar a opinião pública, que se consegue bons resultado. Portanto, a melhor resposta foi dada pelos leirienses".
O candidato do PS afirmou ainda que os munícipes "reforçaram a confiança" que lhe deram há oito anos. "Contam com aquilo que eu sou capaz de fazer e, por isso, o que peço é que haja alguma tolerância, porque vamos tentar fazer mais e melhor, tentar ir ao encontro das expectativas que eles têm. Portanto, com alguma calma, vamos tentar resolver a maioria das coisas."
O presidente considerou que tem pela frente "quatro anos de muito trabalho", assumindo que "será um trabalho que vai dar prazer fazer".
"Esperamos que as pessoas continuem a colaborar connosco, porque estamos aqui a trabalhar para elas. O que nós queremos é (daqui a quatro anos) estar com a consciência tranquila que fizemos mais e melhor do que fizemos até agora. Se assim for, estamos todos de parabéns", sublinhou.
No concelho de Leiria, às 00h05, ainda faltavam apurar algumas localidades da União de Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes.

PCP mantém política independentemente do resultado eleitoral

O resultado eleitoral não muda a vontade do PCP de prosseguir o caminho de recuperação de rendimentos, refere João Oliveira, líder da bancada parlamentar comunista, na RTP.

Isaltino: "O poder não é a cadeira, o poder é a capacidade para ouvir as pessoas"

Candidato independente repete maioria absoluta em Oeiras no regresso às lides políticas depois de cumprir pena de prisão. "Esta é talvez a candidatura mais independente de Portugal porque ela nasceu do povo." Leia mais aqui.

Áudio: André Ventura (candidato PSD a Loures) sobre Passos Coelho


“A aliança com o PS tem custos políticos [para o PCP e o BE] e tem custos autárquicos”, considera Pedro Mota Soares, do CDS-PP.

Candidata independente põem fim a 40 anos de PS em Vila do Conde

A tradição quebrou-se em Vila do Conde. Elisa Ferraz, que se candidatou como independente, garantiu a presidência da Câmara por mais quatro anos, uma vitória conseguida sem o apoio do PS, que, na sequência de divergências com a actual autarca, apresentou um candidato próprio. A reportagem de Rosa Soares.

Momento chave

Braga: Vitória histórica no antigo bastião socialista

Num concelho que foi um bastião do PS até há quatro anos, os números históricos do triunfo eleitoral da coligação PSD-CDS-PPM – acima dos 53% – foram recebidos em euforia. A reportagem de Samuel Silva.

PSD reconquista Câmara de Porto de Mós

O PSD reconquistou, este domingo, a presidência da autarquia de Porto de Mós, no distrito de Leiria, com o social-democrata Jorge Vala a suceder ao socialista João Salgueiro.
De cinco mandatos conquistados em 2013, o PS baixou nestas eleições para dois, enquanto o PSD conquistou três e o Movimento AJSIM dois, segundo dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna - Administração Eleitoral.

Resultados em Aveiro

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BE sabe que continua a “modesto” nas autarquias e que tem “muito a aprender”

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A coordenadora do BE, Catarina Martins, mostrou não só ter perfeita noção de que o partido tem uma “presença modesta nas autarquias”, como tem também ainda “muito a aprender no trabalho autárquico e muito a fazer”.
Apesar de, à hora em que falou, o BE continuar a aguardar muitos dos resultados finais que determinam os eleitos pelo país, “uma coisa” parecia “certa” a Catarina Martins: o BE “cresceu em número de votos, eleitos e eleitas”, tem “mais mandatos em assembleias de freguesia e assembleias municipais”, e vereadores em câmaras, enumerou. “Pela primeira vez o BE tem eleitos no interior”, acrescentou, referindo-se a Alijó, Mesão Frio, a assembleias municipais e de freguesia. “E pela primeira vez temos um vereador em Abrantes”, enfatizou.
Mas a grande conquista do BE será a eleição de Ricardo Robles em Lisboa: “E tudo indica que o BE tem o seu vereador em Lisboa”, disse, sublinhando que tal é “a garantia de um vereador de esquerda a tempo inteiro na Câmara Municipal de Lisboa”.
Já no Porto, a meta do BE não parece também ter sido cumprida: “Tudo indica que no Porto haverá uma maioria absoluta”, lamentou.
Apesar disto, Catarina Martins preferiu terminar o discurso com confiança, garantindo que o BE continuará a cumprir o seu papel na chamada “geringonça” e defendendo que o partido tem, de qualquer forma, mais responsabilidades depois destas eleições, porque tudo indica que terá “mais votos e mais eleitos”.
Ou seja: segundo Catarina Martins, apesar de “modesto”, o resultado mostra o caminho que o partido está fazer para ter mais força no país. “É um orgulho termos tantos eleitos e assembleias de freguesias rurais deste país”, afirmou.

PSD reforça votação em Viseu

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Almeida Henriques, do PSD, foi reeleito em Viseu e reforçou a votação conquistada há quatro anos. O ex-secretário de Estado da Economia obteve seis mandatos. Na nova equipa do vencedor está Jorge Sobrado que, até agora, foi o adjunto do presidente da Câmara.
“Esta foi uma grande noite para Viseu para o projeto Viseu Primeiro”, realçou o vencedor, destacando três significados da vitória.
“É a prova dos nove de como os vissenes estiveram connosco ao longo destes quatro anos e vão estar nos próximos. Fica também provado a adesão dos viseenses a este projeto que é a estratégia certa para o presente e para a futuro e prova de que esta equipa renovada é um selo de esperança para o futuro”, resumiu Almeida Henriques.
Para o reeleito presidente da Câmara, o reforço da votação, em contraciclo com o que aconteceu a nível nacional, dá “uma voz muito mais forte para voltar a colocar na agenda o que são questões fundamentais para o concelho, para a região e para o país”.
O PSD obteve 51,74 por cento da votação. O PS 26, 46 por cento.
O CDS, que tinha um vereador eleito e que perdeu nestas eleições, não foi além dos 5,10 por cento.

Passos Coelho “está perfeitamente convencido que está no caminho certo”, diz Jorge Coelho

Pedro Passos Coelho “está perfeitamente convencido que está no caminho certo” e “nunca porá a hipótese de mudar de estratégia”, acredita Jorge Coelho. Na emissão da SIC Notícias, o socialista retirou uma mensagem central do discurso do líder social-democrata esta noite: “Se o PSD quiser mudar de estratégia, não é com ele” na liderança.
Já Pacheco Pereira disse que teve “dificuldades em perceber o que Passos Coelho disse”. “Achei uma intervenção muito confusa”, afirmou o social-democrata.
Passos Coelho afirmou que não se demitia, mantendo-se como líder do PSD até às eleições no partido no próximo ano e isso, considerou Pacheco Pereira, “são muitos meses em política”.

Passos tem de ver se “está em condições”, reage Poiares Maduro

Miguel Poiares Maduro, que durante a noite já disse que é Pedro Passos Coelho quem apoia, considera que os candidatos sociais-democratas são quem mais se tem ressentido do crescimento de candidaturas independentes, o que para o ex-ministro quer dizer que “o PSD é um partido que se encerrou muito nele próprio”. Por isso defende que uma das prioridades será desenvolver uma estratégia para o partido se tornar “abrangente”. Cabe a Passos medir “se é a pessoa que consegue apresentar uma estratégia para o PSD”. “Ele próprio tem de ver se considera que está em condições” para isso.

Áudio: Reacção de Catarina Martins (BE) aos resultados


Resultados em Portalegre

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António Costa reitera vontade de continuar políticas com PCP

Já a caminho do Altis, onde vai cumprimentar Fernando Medina, Costa foi respondendo a perguntas sobre a relação com o PCP. "Acho que os partidos que contruíram em conjunto esta solução parlamentar que permitiu mudança de governo e de políticas e que têm trabalhado com muita lealdade só têm boas razões para verem confirmada que há vontade política no país para dar força e continuidade e estas políticas", disse.

Líder do PSD-Madeira admite que "o partido não atingiu os objectivos"

Miguel Albuquerque admitiu, este domingo, que o partido não atingiu os objectivos que delineou para as eleições autárquicas e que vai tirar as devidas ilações deste resultado.
"O PSD não atingiu os objectivos a que se tinha proposto, que era ganhar a maioria dos municípios na Região Autónoma da Madeira", declarou o presidente dos sociais-democratas madeirenses.
Miguel Albuquerque disse que "o PSD ganhou as câmaras de Câmara de Lobos, Calheta e Porto Santo e em S.Vicente venceu o candidato apoiado pelo partido", considerando que continua a governar o mesmo número de autarquias que em 2013.
"Tínhamos quatro câmaras, continuamos com quatro câmaras, não é nada de novo", reforçou o líder do PSD-Madeira.
Miguel Albuquerque declarou que o partido vai "analisar os resultados", argumentando que "as escolhas nas autárquicas são muito personalizadas" e que o partido apresentou "candidatos que lutaram democraticamente bem e não obtiveram o sucesso e receptividade junto dos eleitores", apostando em pessoas "credíveis, com capacidades".
Sustentou ser "constatável por todos que há escolhas nesta eleição muito diferenciadas dentro dos mesmos municípios", o que considerou ser "um sinal positivo da maturidade democrática e da lucidez da escolha que é feita pelos eleitores".
Miguel Albuquerque assegurou ser "ponto de honra" do seu governo apoiar e ter uma "colaboração institucional com todos os municípios da região".
"Para nós, o que é importante é o bem-estar do nosso povo", referiu.
O responsável social-democrata insular e também presidente do executivo madeirense insistiu que faz uma diferenciação entre a "esfera partidária" e a "institucional da governação".
"Obviamente mantemos uma relação institucional normal com todos os presidentes de câmara porque a nossa ideia é o governo governar e investir em todos os concelhos, e colaborar com as câmaras, independentemente de disputas partidárias, o que interessa é o bem-estar da população", sublinhou.
Albuquerque ainda rejeitou que a falta de experiência dos candidatos apresentados pelo partido tenha tido influência neste resultado eleitoral, sublinhando que o PSD sempre teve a "tendência para conciliar a experiência com a juventude".
"Também é bom estas apostas que fizemos em equipas novas, revitalizar as equipas e incutir novas ideias nos concelhos, penso que isso foi algo positivo", opinou.
Sobre o futuro, indicou que vai "continuar a governação e o PSD vai preparar-se porque dentro de dois anos" há eleições regionais.

Rangel: "Há aqui uma ponderação do equivalente a uma demissão"

“Se li bem as coisas, há aqui uma ponderação do equivalente a uma demissão”, disse o eurodeputado do PSD, relativamente às declarações desta noite do líder social-democrata.
“Há uma assunção da responsabilidade”, considerou Rangel, explicando que Passos Coelho está a fazer um “compasso de espera”. “ Não acho é que haja muito tempo”, atirou o social-democrata. “Se há uma crítica que posso fazer é essa. Há um período de indefinição que penso que devia ser claro. Se isso for para se prolongar no tempo acho que será mau para o partido”, considerou.

Passos Coelho: PSD teve "um dos piores resultados de sempre"

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Passos Coelho começou a declaração aos jornalistas por cumprimentar o PS “pela vitória expressiva” que terá atingido em termos globais e reconheceu que o PSD teve “um dos piores resultados de sempre”.
“O objectivo não só ficou longe, como o PSD terá tido um resultado pior do que em 2013”, afirmou, acrescentando mais tarde que foi um resultado "pesado".
O líder do PSD anunciou que fará uma “reflexão” sobre as condições da próxima disputa eleitoral interna para “o próximo mandato”, com vista a ser candidato às legislativas. Será uma reflexão com a “minha comissão política e outras pessoas, mas também será uma reflexão pessoal”, disse, sem se comprometer com uma data para comunicar a sua decisão.
Em resposta aos jornalistas, Passos Coelho admitiu a “hipótese” de não se candidatar à liderança do PSD. Mas disse manter que não se demitia. “Não me demito nem esta noite, nem amanhã nem depois de amanhã. Disse que iria avaliar se politicamente "faz sentido candidatar-me a um mandato", afirmou em resposta aos jornalistas que perguntavam se era teimosia não abandonar a liderança do partido. Sem revelar muito o que estará em causa nessa avaliação, Passos Coelho referiu que é necessário aferir “o tempo” que o PSD precisará de “gastar a discutir sua vida interna se é uma vantagem ou desvantagem".
A decisão é comunicada “oportunamente”. “Eu não demoro muito tempo”, disse, sem revelar se será já nesta terça-feira, dia em que está marcado o Conselho Nacional do partido. S.R.

Áudio: Reacção de António Costa (PS) aos resultados


Jerónimo recusa "ligação directa" entre resultados negativos da CDU e acordos à esquerda

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O secretário-geral do PCP recusou qualquer relação entre os resultados negativos da CDU, que perde câmaras históricas como o Barreiro ou Beja, e o acordo que assinou com o PS e o Governo. "Não, não fazemos essa ligação directa. Na comparação da percentagem eleitoral, estivemos ao nível de 2009, baixando cerca de 1% em relação a 2013. Não fazemos transporte mecânico", respondeu Jerónimo de Sousa quando questionado sobre isso.
O secretário-geral do PCP lembrou que em alguns casos foram câmaras perdidas por "diferenças muito pequenas" – da mesma forma, aliás, que a CDU tinha ganho algumas. "Qualquer oscilação levava a que se perdesse a presidência."
"A nossa leitura é que autárquicas são autárquicas", vincou, recusando grandes leituras nacionais. Mas também havia dito, minutos antes, ser necessário "não iludir que este resultado constitui um factor negativo" para dar força ao caminho de "desenvolvimento econónimo e social do país".

Catarina Martins admite resultado “modesto”: “Teremos de trabalhar mais”

Sem admitir derrotas, a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, admitiu no entanto que nem tudo correu bem e que alguns dos principais objectivos não foram atingidos. O BE não ganhou nenhuma câmara, não reconquistou a Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, nem conquistou Torres Novas. E sobretudo: não conseguiu parar as maiorias absolutas. Conclusão: “Teremos de trabalhar mais.”

Áudio: Reacção de Passos Coelho (PSD) aos resultados


Resultados no concelho da Guarda

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O dia em que Espanha perdeu a Catalunha

                 

Puigdemont abre a porta à declaração unilateral de independência já nos próximos dias. “Votámos, votámos”, é o grito mais ouvido agora entre os catalães. “Independência, independência”, repetem. Rajoy não está a ouvir.


Celebração do referendo na praça da Catalunha, em Barcelona
FotoCelebração do referendo na praça da Catalunha, em Barcelona SANTI DONAIRE/EPA
O primeiro-ministro espanhol parece não ter-se dado conta, mas este domingo a Catalunha ficou mais longe do que nunca da Espanha pós-guerra civil e pós-franquismo. “Fizemos o que tínhamos de fazer e cumprimos a nossa obrigação, actuando dentro da lei e sempre dentro da lei”, afirmou, ao início da noite. Da boca de Mariano Rajoy não saiu uma palavra sobre os 847 feridos, alguns em estado grave, nem dele se ouviu a expressão carga policial.
Já se sabia que a distância política entre Barcelona e Madrid é cada vez maior do que a geográfica. Mas este domingo bastava a Rajoy ter saído à rua, talvez bastasse ir à janela, e teria ouvido os manifestantes que se juntaram nas Portas do Sol de Madrid para condenar a repressão com que a Polícia Nacional e Guarda Civil desalojaram assembleias de voto por toda a Catalunha. “Madrid está com o povo catalão”, cantou-se.
As imagens, essas já nunca vão desaparecer. Foram vistas em Espanha e no resto do mundo. Terão de passar anos até começarem a ficar menos nítidas nas mentes de muitos catalães. Agentes a lançarem civis de diferentes idades escadas abaixo, a arrastarem gente pelos cabelos, a deixarem senhoras de cabelo branco de rosto ensanguentado, a espancarem jovens e menos jovens ou a arrancar urnas de voto da mão de voluntários e eleitores.
Marta Torrecilla fazia parte de uma mesa de voto na escola Pau Claris, de Barcelona. Há um vídeo onde se vê a ser arrastada pelo chão e depois por umas escadas, às mãos de membros da Polícia Nacional. “Só estava a tentar defender as pessoas mais velhas”, explicou depois, ouvida por diferentes jornais e rádios. “Nas escadas mexeram-me, com a roupa levantada, e depois partiram-me todos os dedos da mão, um a um. É muita maldade.”
“Viste os vídeos da violência? Eu já não consigo ver mais. No fim, entraram em poucas escolas, mas onde foram portaram-se como bárbaros.” Albert acordou domingo já muito nervoso, mal dormiu na verdade. “Fui eu que trouxe as urnas”, conta, sentado na sala de aulas que foi assembleia de volta e quando a contagem está mesmo a terminar na escola Joan Miró, no bairro residencial de Eixample.
“Dei voltas e voltas antes de entrar. Tinha as urnas em casa, mas só quiseram entregá-las de véspera. Nem imaginas os nervos com que andada. Nem nos deixavam levar os telemóveis para as reuniões”, descreve. Albert aguentou até aqui mas não pode mais. Baixa a cabeça e começa a chorar, é o momento de descompressão que adiou até poder.

“Rajoy faz o que quer”

Albert recompõe-se mas não consegue esquecer as imagens de catalães espancados nem as palavras do primeiro-ministro. “Se fosse outro, isto mudaria tudo. É o Rajoy, ele faz o que quer, não ouve ninguém.”
Horas antes, outro catalão que votou numa assembleia ali ao lado, no Liceu Ernest Lluch (o socialista catalão assassinado pela ETA em 2000), olhava incrédulo para o ecrã do seu telemóvel, vídeo após vídeo, imagens de outras escolas, algumas tão perto, e um cenário assustadoramente diferente. “Já viste isto?”, pergunta Carles, sentado num café. “Depois disto, como é que esperam que continuemos no país desta polícia, no país que dá estas ordens?”.
Carles tem outras dúvidas. Por exemplo: “Eles não diziam que isto não valia nada, que era uma brincadeira sem valor? Então, para quê tudo isso?”, pergunta. Depois de uns momentos em silêncio, parece ter chegado a algum tipo de conclusão. “Assim, foram eles que tornaram o nosso referendo importante, não é?”

Um país “livre”

Haverá certamente muitos catalães que não esperam continuar em Espanha, e é para o presidente da Generalitat que olham agora. “Ganhámos o direito a ter um Estado independente que se vai constituir em forma de república”, disse Carles Puigdemont, já a noite ia longa, numa intervenção transmitida pela televisão catalã e recebida na Praça da Catalunha aos gritos de “Independência, independência”.
“Tudo aconteceu de acordo com a Lei do Referendo e terá consequências”, garante o líder catalão, falando da lei aprovada pelo parlamento autonómico, suspensa pelo Tribunal Constitucional e considerada ilegal por Madrid. “Os catalães ganharam o direito a serem respeitados na Europa”, afirmou, antes de descrever Espanha como “este Estado que se comporta de forma autoritária”.
Rajoy falou em reunir com os partidos com representação no Congresso a partir de segunda-feira. Puigdemont em cumprir com o que foi aprovado pela maioria independentista no parlamento autonómico. “Temos direito a decidir o nosso futuro. Temos direito a viver em liberdade e em paz”, disse. Esse novo país, descreve, será “livre, digno e democrático”.

Greve geral

As milhares de pessoas que se juntaram na praça mais central de Barcelona para seguirem a noite gostaram do que ouviram. Logo depois da intervenção de Puigdemont cantou-se o hino catalão, Els Segadors. Depois, houve mais gritos de “Independência” seguidos da palavra de ordem que se ouve pela cidade desde as 20h: “Votámos, votámos”.
Antes do líder catalão falar já membros de alguns dos partidos que integram a coligação que o apoia, Juntos pelo Sim, tinham defendido uma greve geral a partir de dia 3, como já tinham antecipado algumas centrais sindicais antes do referendo. O mesmo fez a CUP (Candidatura de Unidade Popular), o partido à esquerda da coligação cujos votos são essenciais para assegurar a maioria que sustenta a actual Generalitat. “As ruas serão sempre nossas”, é outras das frases que mais se diz por Barcelona.
Da parte das formações que Rajoy voltou a insistir ter a seu lado, o Cidadãos (partido que nasceu na Catalunha para combater o independentismo) e o PSOE, ouviu-se o apoio do primeiro e as críticas do segundo. O líder socialista, Pedro Sánchez, condenou as cargas policiais e a repressão e pediu a Rajoy que inicie uma negociação com o governo catalão. Pablo Iglesias, do Podemos, defendeu aquilo que se esperava, a realização de um referendo negociado e vinculativo.
Os catalães chegaram a este dia com uma certeza: acontecesse o que acontecesse, este não seria mais um 9-N, como ficou conhecida a consulta de 2014. Agora, muitos não querem ouvir falar de negociações nem muito menos de outra ida às urnas. Em Madrid não se ouviu ainda, mas o que agora se grita em Barcelona é mesmo “Votámos, votámos”.

Roque Silva é o novo Secretário-geral da Frelimo

   


Roque Silva substitui Eliseu Machava no cargo de Secretário-geral da Frelimo
Roque Silva Samuel acaba de ser eleito Secretário-geral da Frelimo, pelo Comité Central do partido.
Roque Silva, que é vice-ministro da Administração Estatal e Função Pública, substitui Eliseu Machava, que foi eleito em Março de 2014.
Já o actual governador da província de Maputo, Raimundo Diomba, foi eleito Secretário do Comité de Verificação, em substituição de José Pacheco
Participaram do processo de votação, 195 membros do Comité Central. O nove Secretário-geral foi teve 188 votos, correspondentes a 96.41% e sete votos em branco. Enquanto que Diomba chega ao secretariado do Comité Central de Verificação com 194 votos, correspondentes a 99.49% e um voto em branco.

Homícidio do irmão do líder coreano. Mulheres acusadas arriscam pena de morte na Malásia


Julgamento das duas acusadas pelo assassínio de Kim Jong-nam, irmão do líder da Coreia do Norte, começa segunda-feira. Arriscam pena de morte. Mulheres dizem ter sido enganadas por norte-coreanos.
FAZRY ISMAIL/EPA

Autor
  • Agência Lusa
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As duas acusadas pelo assassínio de Kim Jong-nam, irmão do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, apresentam-se na segunda-feira num tribunal superior na periferia de Kuala Lumpur, capital da Malásia, para começar o julgamento contra si.
Se forem consideradas culpadas, as mulheres, que vão apresentar-se ao juiz pela primeira vez esta segunda-feira, arriscam-se à pena de morte por enforcamento. Durante 23 dias, o tribunal vai chamar 40 pessoas entre testemunhas e especialistas para apoiar a acusação durante o julgamento, cuja conclusão está prevista para 23 de novembro.
As duas suspeitas, a indonésia Siti Aisyah, de 25 anos, e a vietnamita Don Thi Houng, de 29, são as únicas detidas pelo roubo e envenenamento de Kim a 13 de fevereiro num terminal de partidas do aeroporto da capital da Malásia. Alegadamente quando uma delas distraía a vítima enquanto a vítima imprimia o bilhete de embarque, a outra aproximou-se pelas costas e tapou o rosto do norte-coreano com um pano ensopado num produto tóxico potente.
Depois disto, as mulheres puseram-se em fuga mas foram captadas pelas câmaras do circuito fechado do recinto e o norte-coreano foi chamar assistência médica junto das autoridades antes de desmaiar e cair com uma paragem cardíaca enquanto era transportado para o hospital.
Após terem sido detidas nos dias depois do incidente, as duas mulheres garantiram ser vítimas de um engano, disseram que pensavam estar a participar num programa de apanhados para a televisão e que pensavam que o veneno era óleo para bebé.
Os médicos legistas da Malásia que fizeram a autópsia concluíram que a substância afinal era um agente nervoso conhecido como VX e considerado pelas Nações Unidas como uma arma de destruição massiva.
As acusadas disseram às autoridades que toda a situação tinha sido orquestrada por um grupo de quatro homens que lhes pagou 80 dólares a cada uma. A polícia identificou estes homens como cidadãos norte-coreanos que embarcaram depois num avião com destino a Pyongyang e pediu informações a outras três pessoas que foram ao aeroporto despedir-se deles, incluindo o segundo secretário da embaixada da Coreia do Norte em Kuala Lumper, Hyong Kwang.
Entre estas três pessoas estão também Kim Uk Il, funcionário da companhia aérea estatal da Coreira do Norte, e outra pessoa identificada como Ri Ji U, que se refugiou nas instalações diplomáticas durante dias para evitar as autoridades.
Desde o primeiro momento que os serviços de inteligência da Coreia do Sul e dos Estados Unidos atribuem o crime a agentes norte-coreanos, mas Pyongyang argumenta que a morte foi provocada por um ataque cardíaco e acusou as autoridades da Malásia de conspirarem com os seus inimigos.
Kim Jong-nam, que viajava com um passaporte com o nome de Kim Chol, ia viajar para Macau, onde vivia exilado.

Condutor atropela mortalmente e foge em Quelimane.

Foto de Muzungu Ndini.


. A jovem na imagem foi atropelada mortalmente na madrugada de ontem, sexta-feira (30) . Fontes dizem que o atropelamento mortal da jovem que era agente das FADM aconteceu na zona conhecida como Sagrada, bem ao do bar Chita, arredores da cidade capital da Zambézia, Quelimane. Avançam ainda que após o sinistro, o condutor tratou de fugir deixando a sua vítima à mercê. De salientar que a vítima também participou das efemérides do Dia das Forças Armadas de Moçambique que também passa a ser conhecido como Dia de Afonso Dhlakama, assinalado na passada segunda-feira 25/09/2017. Paz à sua alma.
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Comentários
José Chambuca Paz a sua alma
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Maria Manjate RIP. Grande desgraça.
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Victorino Manuel Jaime Paz a sua alma
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Carlos Gue Discansa em paz na gloria do deus minha irma sou por nao ter dado socoro ele tem aconceincia pessada

Modelo de descentralização em curso dificilmente poderá trazer estabilidade política a Moçambique

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Tema de Fundo - Tema de Fundo
Escrito por Adérito Caldeira  em 28 Setembro 2017
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Foto do partido Frelimo“Um dos assuntos cruciais da nossa jovem democracia tem a ver com a descentralização” reconheceu Filipe Nyusi no discurso inaugural do Congresso do partido Frelimo que decorre na Matola. Porém o académico Salvador Forquilha argumenta que “o modelo de descentralização em curso (...) num contexto marcado por uma forte tradição centralizadora e por uma ideologia de unidade nacional, que olha para a descentralização como uma ameaça ao Estado unitário, dificilmente pode jogar um papel relevante na gestão do conflito e trazer estabilidade política ao País”.
Muito antes do Congresso iniciar, o cientista político moçambicano Salvador Forquilha alertava que um dos maiores desafios da construção do Estado em Moçambique tem a ver com a associação de “reformas de descentralização à gestão de conflito e à estabilidade política” pois “requer a desconstrução e reinterpretação da ideologia da unidade nacional, que olha para a descentralização, particularmente a devolução, como uma ameaça ao Estado unitário.”
“(...) Moçambique precisa não só de um outro modelo de descentralização, diferente do que está em curso, como também de reformas profundas do próprio sistema político, visando uma maior partilha do poder a diferentes níveis da organização político-administrativa do Estado, ou seja, um modelo de descentralização que permita que a diversidade e a heterogeneidade social, económica e política do País se reflitam nos processos de tomada de decisões e de construção das instituições. Isso seria possível através de um modelo de descentralização com um elevado grau de devolução para as províncias e para os governos locais(urbanos e rurais)” sugere Forquilha num artigo publicado no livro “Desafios para Moçambique 2017” do Instituto de Estudos Sociais e Económicos(IESE).
Democracia baseada no princípio o vencedor leva tudo propicia a partidarização do Estado e exclusão política
Foto do IESEEmbora Filipe Nyusi tenha dito no seu discurso que o partido Frelimo deve orgulhar-se de ter iniciado a descentralização de Moçambique mesmo antes da Independência, e tenha recordado que foi o Congresso de 1968 que “aprovou um modelo de gestão descentralizada das zonas libertadas”, Salvador Forquilha retrocede no seu artigo até os primórdios do surgimento da Frente de Libertação de Moçambique(FRELIMO) para compreender as clivagens estruturantes do conflito político recorrente no nosso País.
“(...) Desde os primeiros anos da sua existência, a FRELIMO estava longe de representar a síntese de interesses das diferentes formações políticas que tinham aderido à Frente”, constata o pesquisador de processos de democratização, descentralização e governação local.
O académico recorda ainda no seu artigo que “embora a referência à luta contra o tribalismo, o regionalismo e o racismo fosse uma constante nos discursos políticos das elites dirigentes da Frelimo, desde os primórdios da luta anticolonial, o processo de construção do Estado revelou, mais tarde, a relevância de questões étnicas no contexto da reivindicação do acesso ao poder político por parte de determinados grupos de fora e de dentro da Frelimo.”
Forquilha constatou também que numa sociedade tão dividida e heterogénea como Moçambique, “o modelo de democracia baseado no princípio o vencedor leva tudo propicia a partidarização do Estado e a consequente exclusão política, fenómenos que, em Moçambique, atingiram níveis importantes.”
Descentralização gradual originou o surgimento de dois grupos de moçambicanos
Como que antecipando a explanação do presidente do partido Frelimo, que no seu discurso deixou claro que “não deve existir conflito entre descentralização e preservação da nossa maior conquista que é a unidade nacional”, o pesquisador do IESE volta aos primeiros passos de reformas para uma administração pública menos centralizada, dados na década de 90, e entre outras aspectos refere a sempre presente “cultura política cristalizada na ideologia da unidade nacional, que olha para a descentralização como uma ameaça, em vez de uma oportunidade”.
Foto de Adérito CaldeiraPara Salvador Forquilha a opção do partido Frelimo por uma descentralização gradual originou o surgimento de dois grupos de moçambicanos “os que têm o direito de ser governados localmente por autoridades eleitas a cada cinco ano(uma minoria – os moçambicanos que vivem nas 53 cidades e vilas autarcizadas) e os que não têm esse direito(uma maioria – os moçambicanos que vivem no resto dos distritos do País) e, por isso mesmo, são governados localmente por autoridades indicadas pelo Estado central.”
O académico moçambicano não tem dúvidas que “o modelo de descentralização em curso, que combina, ao mesmo tempo, uma desconcentração para as províncias e para os distritos e uma devolução para as 53 autarquias locais, num contexto marcado por uma forte tradição centralizadora e por uma ideologia de unidade nacional, que olha para a descentralização como uma ameaça ao Estado unitário, dificilmente pode jogar um papel relevante na gestão do conflito e trazer estabilidade política ao País”.

Ana Rita Sithole defende maior vigilância na Frelimo

   


Ana Rita Sithole diz que cresceu vontade dos camaradas em entrar nos órgãos de direcção do partido
A deputada da Frelimo, Ana Rita Sithole, fez uma radiografia do partido, no penúltimo dia do Congresso. Sithole começou por abordar a eleição de Filipe Nyusi para presidente do partido. Para a deputada, os resultados já eram de se esperar, devido a popularidade que ele ganhou no seio da Frelimo.
Relativamente aos cinco votos em branco, a deputada diz ser normal, sobretudo pelas circunstâncias em que decorreu. “O grande problema que previa, dado o cansaço e altura em a votação aconteceu, poderiam até ser votos brancos. E há pessoas de todas idades. A verificação de mandato fez-nos ver que a percentagem de delegados com mais de 60 anos é muito grande”, referiu.
E sobre o apoio referido por Joaquim Chissano, Sithole também defende que haja alinhamento entre os membros do partido. Na percepção da deputada, Chissano procedeu a passagem de liderança para uma nova geração, que não participou na luta de libertação nacional.
Em relação aos militantes implicados em actos de corrupção, Sithole diz que o partido pauta pela ética, integridade e prestação de contas. “Proclamamo-nos partido do povo e não é possível continuarmos a ter uma postura que pode pôr em causa a nossa actuação. Temos que combater males que não têm nada a ver com a linha política que nosso partido abraça”, acrescentando que é preciso, em primeiro lugar, ter em consideração à presunção de inocência.
Ana Rita Sithole refere que a questão de mudança é sempre tida em conta. “Nós somos um partido que assenta sua acção em mudanças periódicas. E essas mudanças corporizam a maneira de ser e estar democrática na Frelimo”.
Sithole, que é militante do partido há muito tempo e participou dos últimos quatro congressos da Frelimo conta que a vontade de fazer parte do partido está a crescer. “Com a abertura do multipartidarismo, a tendência de querer integrar os órgãos é imparável. Sinto um pouco a necessidade de a Frelimo cerrar um pouco as suas fileiras, porque pode correr o risco de no seio dos órgãos, ter militantes que não conheçam a génese do partido”.
Esta situação, defende a deputada, é gerada pelo seguinte pressuposto: “O que move é a experiência antiga de se pensar que quando se é membro dos órgãos do partido têm acesso aos meios económicos”.
Se por um lado a apetência para integrar os órgãos é grande, a deputada refere que que a vigilância é maior.