segunda-feira, 1 de outubro de 2012

BONIFÁCIO GRUVETA MASSAMBA, 1942-2011: UM LIBERTADOR

 
Filed under: Bonifácio Gruveta Massamba, História Moçambique — ABM @ 12:18 am
Bonifácio Gruveta Massamba, numa foto recente. Faleceu ontem (28 de Setembro de 2011) com 68 anos de idade.
Até esta manhã nunca tinha ouvido falar de Bonifácio Gruveta.
Mas um curto sms de um amigo meu de Moçambique ao fim desta manhã despertou-me a atenção.
A mensagem, quase críptica, dizia apenas “morreu o bonifácio, uma das figuras mais tenebrosas da frelimo, que ordenou os fuzilamentos do campo de futebol de quelimane.”
Fui ver na internet quem era, ou melhor, foi, Bonifácio Gruveta.
Bonifácio Gruveta Massamba, ultimamente general na reserva, deputado com assento na Comissão Permanente do parlamento moçambicano, alto quadro dos históricos da Frelimo, ex-Coordenador da Região do Delta no Gabinete do Plano do Zambeze. membro do Conselho de Estado por efeito do Despacho Presidencial Nº133/2005, de 14 de Dezembro desse ano, e “empresário de sucesso”, terá sido um dos originais, verdadeiros Libertadores moçambicanos.
Tinha 69 anos de idade.
Ele estava lá desde o Início, ou seja de 1964, e nos meandros da guerrilha, ao ponto de parodiar, numa entrevista que concedeu ao Diário da Zambézia de 8 de Setembro de 2010 (entrevista dada no dia anterior na conceituada se algo atribulada Universidade de Mussa Bin Bique, que na altura lhe atribuiu o grau de Doutor Honoris Causa) se de facto teria sido ele e não Alberto Chipande a dar o tal famoso primeiro salvo nas guerra para expelir o vírus lusitano das terras de Moçambique. Ele sugere que não foi Chipande. Não que interesse muito, mas enfim, a versão Chipandiana já fazia parte do folclore nacional e da aura daqueles tempos.
Assunto pelos vistos de interesse nacional, e que fez jorrar rios de tinta nos jornais, a julgar inclusivé pelo texto do oficioso Notícias de Maputo de hoje (28 de Setembro de 2011), onde, não se sabendo ainda que Bonifácio havia falecido (nenhum jornal tendo por isso noticiado a sua morte) Eliseu Machava rosnava contra os detractores da versão chipandiana do Tiro Original e descreve em detalhe o primeiro tiro da guerra pela Independência, que terá sido desferido contra os famigerados colonialistas às 19 horas do dia 25 de Setembro de 1964 na localidade de Chai. Foram onze os libertadores, para além do então jovem Chipande, um tal António Chicapa.
Mas Bonifácio na ocasião da sua investitura com o Honoris Causa foi mais incisivo noutros temas. Referindo-se a recentes livros de “memórias” dos seus colegas da Libertação Sérgio Vieira e o legível “Voo Rasante” de Jacinto Veloso, disse – e cito: ““Tudo aquilo que os meus companheiros escreveram não é verdade, por isso, tenham calma”.
Como? o quê? é tudo mentira?
O Jovem Bonifácio
No que li na internet – essencialmente testemunhos avulsos – parece haver alguma percepção de ter havido “falhas” na chamada Frente da Zambézia na altura do arranque das hostilidades, e cujo responsável seria Bonifácio, então um miúdo com 22 anos de idade.
Que era, consoante a estratégia de penetração da Frente, nascido lá, a 6 de Junho de 42.
Na tese de doutoramento de José Luis Cabaço (475 páginas cuja leitura recomendo e em que Bonifácio é citado cinco vezes no texto em si), lê-se que Gruveta não precisou de grande incentivo para se juntar à guerra contra os portugueses. Nascido perto de Quelimane, em miúdo vira o seu pai ser obrigado a fazer trabalhos forçados na zona do Gurué: “ Numa noite, os sipaios vieram à procura do meu pai. Tiraram-lhe o casaco, amarraram-no e foram. Dois dias depois apercebemo-nos que já estavam preparados e iam partir para o Gurué. Então eu fui-me despedir do meu pai. Entre duas estações havia um pequeno apeadeiro. Eu vi o meu pai a ser levado para o trabalho forçado. Acenei-o e ele também levantou a mão acenando para mim. Todos nós chorámos. Lá no Gurué, aonde ia meu pai, vivia um primo meu. Filho da irmã do meu pai. Então ele tomou conhecimento, tratou lá com os amigos e ele ficou a trabalhar numa carpintaria da empresa, portanto, do Manuel Freitas Junqueiro.”
Citando ainda da tese do José Luis Cabaço, com 19 anos Bonifácio sentia na pele o que era ser “preto do mato” na nomenclatura colonial moçambicana. Nas suas palavras, “Nós sentíamos a dominação colonial porque sem você ser assimilado você não tinha direito a bom emprego, porque mesmo para ser motorista você tinha que ser assimilado. Fui a Gurué para trabalhar na fábrica de chá da Companhia da Zambézia, e lá eu ganhava um escudo por dia, isto em 1958. Tinha ração, farinha e carne seca,, que vinha do mato, dos caçadores.”
Essencialmente, Bonifácio conta a história que foi comum à esmagadora maioria dos habitantes de raça negra que viviam na outrora colónia portuguesa: que eram menos que cidadãos de terceira classe e sem grandes hipóteses ou oportunidades de ultrapassar o paradigma então existente.
Exceptuando nos tempos mais recentes, em que já era afectuosamente apelidado de “velho Gruva”, ele é distinta mas discretamente, quase mudamente caracterizado como uma figura sinistra nos anos logo após 1975. Ele foi Governador da Zambézia entre 1975 e 1977 e depois perdi-lhe o rasto. Tirando a mensagem que recebi, não encontro quase nenhuns registos específicos de em que consistiu a sua actuação para que merecesse o rótulo, para além duma segunda mensagem, em resposta à minha expressão de desconhecimento, que vai mais abaixo, e uma referência numa reportagem de 1994.
Bonifácio o Libertador
Tendo passado os anos da guerra no esquema de protecção pessoal dos líderes da Frente, havendo ainda uma referência a ter coadjuvado Francisco Manyanga, comandante do Campo de Tunduru, na Tanzânia, Bonifácio foi o primeiro governador da Zambézia após a entrega do poder pelo governo português à Frelimo em 1975. Aliás, Bonifácio entrou na cidade de Quelimane (parando brevemente na sua terra natal, Namacata, para abraçar a mãe, que não o via há dez anos) seguido das suas forças da Frelimo em apoteose popular no dia 17 de Setembro de 1974, uns dias após fechada a rendição portuguesa e a transferência formal de poderes para a Frente, tendo, depois de um comício “de ordem”, ficado instalados na casa dos Padres Capuchinhos de Puglia em Quelimane, para total espanto dos mesmos, incluindo os padres Prosperino Gallipoli e Francesco Monticchio, e que não sonhavam ser essa considerada por estes a moradia mais segura da cidade. Isto durante um mês, até a tropa portuguesa vagar o quartel militar da cidade.
Antes disso, Bonifácio fez parte da delegação da Frente que se sentou na State House em Lusaka com os novos líderes portugueses em 1974 para negociar e assinar os termos desa rendição e a entrega do governo do território.
Que, como se sabe, foi coisa rápida. A partir do dia 20 de Setembro de 1974 – uma semana e meia após os acordos assinados em Lusaka, Moçambique efectivamente estava sob o controlo da Frente. A cerimónia em 25 de Junho de 1975, nove meses mais tarde, foi apenas uma formalidade administrativa.
Bonifácio o Governante
Talvez um ténue indício de como terá sido esse período da inaugurada Soberania Popular na Zambézia nas mãos de Bonifácio, então um líder guerrilheiro batido e muito bem relacionado dentro do novo paradigma do poder e com apenas 32 anos de idade, é dado quase inocente, se inadvertidamente, numa entrevista que Manuel Araújo, um político da Zambézia que agora vai concorrer pelo partido MDM para a liderança da municipalidade de Quelimane na eleição intercalar naquela cidade em 7 de Dezembro próximo. Numa entrevista ao País que foi publicada há pouco mais que uma semana, a certo passo Manuel Araújo, que pertence a uma geração que já nada tem que ver com a anterior, disse o seguinte:
“Na história de Moçambique, a Frelimo tinha criado quatro frentes. Eu tive o privilégio de ter tido uma cadeira sobre a história da Frelimo, no Instituto Superior de Relações Internacionais, que nos explicava os contornos da luta armada de libertação nacional. Essas frentes eram: Cabo Delgado, Niassa, Tete e Quelimane. (nota minha: não houve a 5ª frente no Sul?) Duas dessas frentes fracassaram e acabaram por serem encerradas por dificuldades: a de Tete e a de Quelimane. Por isso, houve sempre um mal-estar por parte da Frelimo com a Zambézia. Houve um erro estratégico por parte da Frelimo. Daí que apareceu o ódio visceral em que a parte dura da Frelimo tem e isso nunca conseguimos ultrapassar nestes 35 anos. Quando a Renamo chegou, encontrou um terreno fértil, pois quando a Frelimo chegou em 1975 disse: “vocês não alinharam connosco e agora vamos ver quem é que tem poder”. Se se recorda, a maior parte dos combates durante a guerra civil deu-se no Vale do Rio Zambeze. Nesse processo, houve generais, como Lagos Lidimo, que comandaram essas operações e que cometeram atrocidades gravíssimas: mataram milhares de pessoas utilizando bombas, aviões“mig” e helicópteros, sendo, por isso, que a população de todos os distritos da Zambézia se ressente desse processo.”
Foi nesta altura que pelos vistos ocorreu aquilo a que o meu amigo moçambicano se referiu ao fim do dia de hoje num segundo “sms”. Cito-o: “Bonifácio Gruveta Massamba foi um dos matadores da Frelimo, o Khmer Rouge de Moçambique. Foi (ele) que em tempos mandou encerrar as escolas de Quelimane e obrigou a crianças a irem para o estádio, a fim de assistirem aos fuzilamentos.”
A única outra referência aos “fuzilamentos”, que não sei de quem, ou porquê, foi feita em Outubro de 1994 por Afonso Dlakhama, o líder da Renamo, então a concorrer para a eleição desse ano e que se encontrava na Zambézia, vista como um bastião de apoio da Renamo. Um artigo do jornal português Público de dia 5 de Outubro de 1994 refere o que então disse à multidão num comício. «Vocês lembram-se dos fuzilamentos no estádio de Quelimane, dirigidos por este governador da Frelimo, o Bonifácio Gruveta?» A multidão, primeiro tímida, respondeu em coro: «Sim!»
Bonifácio Barão da Política Zambeziana
Mas na mesma entrevista a que acima se aludiu, o Prof. Araújo lamenta o esquecimento a que supostamente estaria sujeito o seu conterrâneo Bonifácio Gruveta.
O que se torna algo desconcertante, se se tiver em conta ser do conhecimento público e sugerir-se que o edil cessante de Quelimane, Pio Matos, eleito pelas listas da Frelimo, viu o seu partido literalmente puxar-lhe o tapete por debaixo dos pés precisamente porque Pio de Matos, entre outras razões – e cito um recente trabalho do magnífico jornal Savana sobre o assunto – “se recusava a prestar vassalagem a algumas figuras históricas da Frelimo que tomam a Zambézia como sua propriedade privada e interferiam em demasia na gestão diária daquela autarquia. Citam o nome de Bonifácio Gruveta, intitulado como o “Dono da Zambézia”.
A peça do Savana vai um bocado mais longe: “Gruveta, apoiante de um outro candidato da Frelimo Lourenço Abubacar (empresário e proprietário do Hotel Milénio), ganhou apoios na cúpula formal da Frelimo nomeadamente da parte do Secretário-Geral, Filipe Paúnde, do controverso secretário Edson Macuácua e da própria ministra Carmelita Namashilua”.
Certamente que se espera que o desaparecimento deste grande “barão” da política zambeziana (como se diz de alguns políticos do norte português) influirá no decorrer dos eventos nos próximos meses pelo menos em Quelimane.
O Major-General e Evo Fernandes
Uns anos atrás, sem razão aparente, Gruveta foi misturado com o assassinato de Evo Fernandes, um líder da Renamo, que na altura se degladiava com a Frelimo numa guerra arrasadora. Uma nota do África Confidencial de 26 de Junho de 1988 especulava que Gruveta estivera em Portugal quando Evo Fernandes, então Secretário-Geral da Renamo, foi assassinado em Cascais, supostamente a mando da SNASP. Num desmentido cuja leitura hoje é quase hilariante, no dia 22 de Abril de 1988, a Agência de Informação de Moçambique, que então se assumia ainda como o braço armado do regime para a área da informação (hum, quem mandava lá na altura? Há que reler o livro de Fauvet & Mosse) emite um comunicado desmentindo vigorosamente a presença de Bonifácio em Portugall, afirmação que fora feita à Agência Lusa em Lisboa pela viúva de Fernandes. “No passado fim de semana estive na Beira a acompanhar uma delegação do Partido Socialista da República Popular Democrática do Iémen” citam o então Major-General. Para fechar o assunto, os jovens da AIM arremataram com um ainda mais inverosímil testemunho, o do…fotógrafo Kok Nam, Conclui o comunicado assim: “a presença de Bonifácio Gruveta em Moçambique foi ainda confirmada pelo fotógrafo da revista Tempo (então outro instrumento ideológico do regime) Kok Nam, que referiu que estivera com Gruveta nos escritórios da Tempo na passada segunda-feira”. Ah bom, se o Kok viu é porque é verdade, presuma-se, terá sido o raciocínio. Porque fotógrafo não mente. Enfim. O que de facto Paulo Oliveira, então um operativo da Pide da Frelimo (mas agora um pacatíssimo cidadão anónimo a viver tranquilamente na Linha do Estoril) escreveu sobre o episódio é que o “isco” que levou Evo a expor-se ao assassino contratado por Sérgio Vieira e a Frelimo (um tal de Alexandre Chagas, que a seguir foi dentro na Tuga) terá sido de facto – ironia das ironias – um putativo encontro com Bonifácio Gruveta, que aparentemente foi-lhe vendido como um elemento de uma suposta “ala liberal” dentro da Frente e que se encontraria em Cascais. Fernandes acreditou e foi assassinado por Chagas e os seus colegas a caminho do “encontro”.
Bonifácio o Empresário de Sucesso
Recentemente, e cito a mensagem da Agência Lusa de hoje, “a imprensa moçambicana associou (o General Gruveta) nos últimos tempos a empresas responsáveis pela pilhagem de madeira exportada de Moçambique para a China, uma imputação que o general rejeitou veementemente.” O algo panfletário mas sempre legível Canal de Moçambique, publicado em Maputo, foi bem mais longe nas acusações. Na sua edição de 2 de Fevereiro de 2007 referiu-se assim ao General: “nas investigações que levou a cabo durante a sua estadia na Zambézia (o jornal) soube que o coro de queixas dos fiscais da área florestal, nessa conferência, foi muito forte. Houve quem di s s e s s e c l a r a e abertamente que mandar travar o saque e fazer cumprir a lei era, o mesmo que assinar a certidão de desemprego. “Quem faz isto são os chefes. Temos medo de ficar desempregados”. Para quem já teve a oportunidade de estar na Zambézia e frequentar os v á r i o s c í r c u l o s s o c i a i s m u i t o rapidamente se terá apercebido que existe um nome temível: Bonifácio Gruveta Massamba. Este general é uma espécie da “lei suprema”. “Até os governadores sabem que ele é quem d e f a c t o m a n d a n a p r o v í n c i a ” . “Parecem bonecos nas mãos dele”. Também lhe chamam o “campeão do saque” e o “protector dos predadores”.
Bonifácio Gruveta era um accionista de referência de uma das principais empresas madeireiras locais.
Há ainda o caso um pouco mirabulante da sua parceria num projecto turístico multi-milionário na pequena Ilha do Fogo em Pebane, que, caracteristicamente, originalmente estava perfeitamente bloqueado e inviabilizado até que, logo após Bonifácio se ter associado a ele, como que por magia, tudo foi viabilizado. Os sócios referidos neste que é o maior investimento turístico da história da Zambézia são os Srs. Torrie Potgieter, Johannes van Heerden, Marius Boer, Bonifácio Gruveta e Belmiro Lampião. Nada mau, para uma ilhota deserta com menos que 44 hectares, a vinte quilómetros da costa zambeziana. Nada mau, para um ex-guerrilheiro sem dinheiro e sem experiência de gestão.
Mas entenda-se que só se não fosse assim é que surpreenderia.
O Velho Gruva
A popularidade do “Velho Gruva” entre as gerações mais jovens e intocadas (e ignorantes na quase totalidade) pelo passado recente do após-Independência, subiu consideravelmente quando, em total contra-corrente com a Frelimo e o governo durante as graves perturbações da ordem pública em 2010, Bonifácio basicamente foi à televisão e disse que as pessoas que se haviam revoltado tinham razão.
Estimo que mais que 90 por cento de quem está vivo na Zambézia (e em Moçambique) hoje não tinha nascido naquele dia em 1974 quando o jovem Bonfácio “marchou” sobre a cidade de Quelimane, sob o olhar atónito dos brancos locais, que em breve aviaram as malas.
Apropriadamente, o Diário da Zambézia já fez as honras ao velho General na sua edição de hoje na internet. “Outra vez luto para Zambézia. Mas porquê tem que ser assim? Morreu mesmo o General Bonifácio Massamba Gruveta? Inacreditável. Mas não há como foi se embora aquele que defendia os interesses do seu povo. O primeiro Governador da província após a independência nacional. Gruveta foi-se e deixa muita coisa numa altura em que a província e a cidade o precisava. O que terá acontecido com o velho pahh? Não havia como salva-lo? Lágrimas não param de chover no seio dos zambezianos porque mais uma vez foi-se mais um. Porquê tem que ser assim? O velho “Gruva” como o tratávamos, era amigo, embora alguns o temiam, mas era simples pessoa. Varios “sms” via celular circulam pela morte do general na reserva. Questiona-se se é verdade ou não. Porque estaria-se a mentir? Nada, será que o velho foi-se mesmo numa altura destas? Não há palavras neste momento e apenas dizer “adeus embondeiro”. Paz a sua alma.”
Uma nota final. Se algo se pode aperceber desta pequena crónica biográfica, é que muito pouco está escrito sobre capítulos inteiros da história de Moçambique. Em que, quer se queira quer não, personalidades como o General Bonifácio Gruveta Massamba nela estão inescapavelmente inscritos. Entendê-las, e o seu percurso, é entender o que foi, quando foi, onde foi e porque foi.
Num discurso proferido no feriado de 7 de Setembro de 2006, o Presidente Armando Guebuza referiu-se a, entre outros, Bonifácio Gruveta, como uma “figura lendária” do firmamento moçambicano.
Gerações futuras – certamente não esta – o decidirão.
Para já, ainda não percebi o que foi aquilo dos fuzilamentos em frente às crianças de escola. Pois nada encontro escrito sobre o assunto.
Mas pelos vistos, na Zambézia, em Quelimane, todos se lembram desses dias.

11 Comentários »

  1. Um bom trabalho de casa.
    Obrigado.
    Os fuzilamentos existiram mesmo.
    Eu estava lá, em Nampula, mas sou natural da Zambézia.
    Maugrado este triste episódio, na Zambézia “vivia-se” melhor que em Nampula, do também barão Américo Mpfumo.
    Comentário por umBhalane — 30/09/2011 @ 6:45 pm
    • Sr 1B, Grato pela sua nota. ABM
      Comentário por Antonio Botelho de Melo — 30/09/2011 @ 6:55 pm
  2. Considero que a História, está por fazer. Não sei se alguma vez se fará. Neste documento, são perceptíveis os hiatos, cuja causa provável foi a rapidez das operações e a incredulidade de muitos, senão a maioria, que algo de muito mau iria acontecer. Dei as minhas aulas na secundária de Lhanguene, até 79…ninguém nunca me fez mal. Daí par a frente…nunca saberei.
    Comentário por ana maria rebelo — 02/10/2011 @ 3:14 pm
    • Obrigado pela nota Ana Maria. As experiências são muitas e variadas e há que recolher essa informação e tentar contextualizar. Para dar uma ideia, já recebi comentários abonatórios sobre Bonifácio Gruveta e também indícios (numa caso específico) que lhe foram mandadas pessoas de outros pontos de Moçambique aparentemente com o único fito de os “fazer desaparecer” e que ele arranjou maneira de não executar. Isto fala tanto sobre o homem como do contexto em que decorreram os primeiros tempos antes e depois da Independência.
      Comentário por ABM — 02/10/2011 @ 3:37 pm
  3. A historia esta sempre por fazer e por refazer.. Uma achega a abertura da Frente da Zambezia foi publicada na Revista Tempo por Bridget O’Laughlin… Eu entrevistei o Bonifacio Gruveta uns dias antes de assumir o cargo de governador da Zambezia em 1974. Esta publicada no Noticias. Joao Paulo Borges Coelho na sua tese de doutoramento trata da Frente da Zambezia. Na Revista Arquivo numero esepcial sobre a Zambezia ha materiais interessantes. A biografia do Padre Prosperino tem elemntos sobre a actuacao da FRELIMO antes e depois da guerrilha. As execucoes em Quelimane aconteceram. Gruveta era um individuo bastante complexo. Entre 74 e 80 muitas pessoas que trablahvam com ele em Quelimane foram perseguidas… Penso que novos historiadores tratarao destes assuntos quando e se conseguirem documentacao que permita explorar os varios temas…
    Comentário por yussuf adam — 04/10/2011 @ 5:18 pm
    • Sr. Yussuf, muito grato pela sua nota e pistas. De facto t�o pouco se sabe e de forma hiperbolizada.
      Comentário por Antonio Botelho de Melo — 04/10/2011 @ 5:24 pm
  4. …longe de libertar acabou por transformar, por iniciativa própria e de seus camaradas todos os moçambicanos em escravos do seu pensamento. Mandava matar todos aqueles que não concordassem com ele e seus camaradas, imputando a esses crimes sem sequer conduzi-los aos tribunais para serem julgados. Nos tempos áureos do seu “bem-estar político e social” a lei era ele e seus camaradas.
    As pessoas resistiram, uns de armas na mão, outros por outras vias, acabando por ganhar a batalha, vencendo-o a ele e a seus camaradas. É este o quadro real que alguns procuram esquecer…
    ler mais em:
    http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2011/10/sobre-a-compaix%C3%A3o-a-bondade-e-a-hero%C3%ADsmo-de-bonif%C3%A1cio-gruveta.html#more
    Comentário por Observador — 06/10/2011 @ 11:52 am
  5. [...] Sobre ele, redigi o texto que pode ser visto premindo AQUI. [...]
    Pingback por BARNABÉ LUCAS NCOMO ESCREVE SOBRE BONIFÁCIO GRUVETA « THE DELAGOA BAY BLOG — 06/10/2011 @ 6:13 pm
  6. Uma curta passagem de quatro meses por Quelimane (de Abril a Maio e de Agosto a Outubro) no ano que findou, suscitou-me uma certa curiosidade sobre a Zambézia e a sua história. Li recentemente algumas coisas de autores como Gavicho de Lacerda, Alexandre Lobato e Júlio Meneses.
    Sobre os tempos mais recentes, posteriores à independência, ainda menos sei.
    A descoberta que fiz agora deste interessante blogue está a ajudar-me a conhecer melhor Moçambique.
    Nas vésperas da minha partida ocorreu em Quelimane o funeral de Bonifácio Gruveta que até à data era para mim um nome desconhecido.
    Apercebi-me de uma invulgar movimentação na cidade no dia do funeral a que acorreu gente não só da Zambézia mas de todo o país.
    Dos comentários que ouvi na altura fiquei com a ideia de se tratar de alguém que adquriu poder na Zambézia graças á sua, de certo modo lendária, actividade na luta pela independência.
    Posteriormente terá tido um percurso quer político quer no mundo dos negócios, cheio de sucessos.
    Notei também que ali a FRELIMO não tem o pêso que de uma maneira geral revela no resto do país, facto confirmado pela recente eleição de um candidato do MDM para o Conselho Municipal de Quelimane.
    Pelo que já li no blogue deduzo ser o seu autor, ABM, é um descendente de açoreanos, neto de Manuel Inácio de Melo (MIM) cuja ironia repassava nos versos, que, na minha juventude, eu lia periodicamente no Correio dos Açores em Ponta Delgada.
    Comentário por Antonio Pracana — 01/02/2012 @ 8:32 am
    • Sou eu mesmo. Na escrita, tenho a veia açoriana do MIM….Um grande abraço para si. ABM
      Comentário por ABM — 15/02/2012 @ 9:13 pm
  7. Geral Gruveta era meu melhor amigo de confiança, eu nunca vou esquecer…..
    Comentário por Mario Potgieter — 05/02/2012 @ 9:28 am

Morreu Camarate

 

> Fui o primeiro jornalista a chegar ao local, em Camarate, onde caíu a avioneta fatídica que transportava Sá Carneiro e Amaro da Costa. A primeira individualidade pública a chegar ao local, cerca de 30 minutos depois, foi Eurico de Melo. Ele viu e ouviu o que parece ter ficado para sempre no segredo dos deuses. Ele fez muitas perguntas no local e lembro-me que a um indivíduo que se apresentou como perito de uma entidade qualquer de minas e explosivos, Eurico de Melo ouviu que "claramente" se tratou de um rebentamento de uma carga explosiva. Eurico de Melo assistiu à rapida e preocupada retirada de alguns destroços do avião, por "alguém" que se anunciou como sendo "do Governo". Não sei se Eurico de Melo alguma vez prestou declarações às muitas comissões que foram criadas para descobrir a mentira. Eu nunca fui ouvido. No local troquei impressões com Eurico de Melo e ele perguntou-me se ia escrever sobre o assunto. Respondi-lhe que trabalhava na RTP e que tudo o que escrevesse dependia do director de informação. A minha opinião nunca foi expressa, mas posso desde já afirmar-vos que não tenho dúvidas de se ter tratado de um atentado. Por quê? Porque eu tinha acabado de cumprir quatro anos de serviço militar e também fiquei a conhecer muito bem o que eram explosivos. E em Camarate, junto aos destroços, o cheiro a explosivos era nauseabundo... Morreu o social-democrata Eurico de Melo, para mim morreu Camarate.







por João Severino às 16:03
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COMO MATARAM SÁ CARNEIRO E AMARO DA COSTA

Assassinato do Primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro, do Ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa e o envolvimento dos americanos



Eu, Fernando Farinha Simões, decidi finalmente, em 2011, contar toda a verdade sobre Camarate.

No passado nunca contei toda a operação de Camarate, pois estando a correr o processo judícial, poderia ser preso e condenado.

Também porque durante 25 anos não podia falar, por estar obrigado ao sígilo por parte da CIA, mas esta situação mudou agora, ao que acresce o facto da CIA me ter abandonado completamente desde 1989.

Finalmente decidi falar por obrigação de consciência.

Fiz o meu primeiro depoimento sobre Camarate, na Comissão de Inquérito Parlamentar, em 1995.

Mais tarde prestei alguns depoimentos em que fui acrescentando factos e informações.

Cheguei a prestar declarações para um programa da SIC, organizado por Emílio Rangel, que não chegou contudo a ir para o ar.

Em todas essas declarações públicas contei factos sobre o atentado de Camarate, que nunca foram desmentidos, apesar dos nomes que citei e da gravidade dos factos que referi.

Em todos esses relatos, eu desmenti a tese oficial do acidente, defendida pela Polícia Judiciária e pela Procuradoria-geral da Republica.

Numa tive dúvidas de que as Comissões de Inquérito Parlamentares estavam no caminho certo, pois Camarate foi um atentado.

Devo também dizer que tendo eu falado de factos sobre Camarate tão graves e do envolvimento de certas pessoas nesses factos, sempre me surpreendeu que essas pessoas tenham preferido o silêncio.

Estão neste caso o Tenente Coronel Lencastre Bernardo ou o Major Canto e Castro.

Se se sentissem ofendidos pelas minhas declarações, teria sido lógico que tivessem reagido.

Quanto a mim, este seu silêncio só pode significar que, tendo noção do que fizeram, consideraram que quanto menos se falar no assunto, melhor.

Nessas declarações que fiz, desde 1995, fui relatando, sucessivamente, apenas parte dos factos ocorridos, sem nunca ter feito a narração completa dos acontecimentos.

Estavamos ainda relativamente proximos dos acontecimentos e não quis portanto revelar todos os pormenores, nem todas as pessoas envolvidas nesta operação.

Contudo, após terem passado mais de 30 anos sobre os factos, entendi que todos os portugueses tinham o direito de conhecer o que verdadeiramente sucedeu em Camarate.

Não quero contudo deixar de referir que hoje estou profundamente arrependido de ter participado nesta operação, não apenas pelas pessoas que aí morreram, e cuja qualidade humana só mais tarde tive ocasião de conhecer, como do prejuízo que constituiu, para o futuro do país, o desaparecimento dessas pessoas.

Naquela altura contudo, Camarate era apenas mais uma operação em que participava, pelo que não medi as consequências.

Peço por isso desculpa aos familiares das vítimas, e aos Portugueses em geral, pelas consequências da operação em que participei.

Gostaria assim de voltar atrás no tempo, para explicar como acabei por me envolver nesta operação.

Em 1974 conheci, na África do Sul, a agente dupla alemã, Uta Gerveck, que trabalhava para a BND (Bundesnachristendienst) - Serviços de Inteligência Alemães Ocidentais, e ao mesmo tempo para a Stassi.

A cobertura legal de Uta Gerveck é feita através do conselho mundial das Igrejas (uma espécie de ONG), e é através dessa fachada que viaja praticamente pelo Mundo todo, trabalhando ao mesmo tempo para a BND e para a Stassi.

Fez um livro em alemão que me dedicou, e que ainda tenho, sobre a luta de liberdade do PAIGC na Guiné Bissau.

O meu trabalho com a Stassi veio contudo a verificar-se posteriormente, quando estava já a trabalhar para a CIA.

A minha infiltração na Stassi dá-se por convite da Uta Gerveck, em 1976, com a concordância da CIA, pois isso interessava-lhes muito.

Úta Gerveck apresenta-me, em 1978, em Berlim Leste, a Marcus Wolf, então Director da Stassi.

Fui para esse efeito então clandestinamente a Berlim Leste, com um passaporte espanhol, que me foi fornecido por Úta Gerveck.

0 meu trabalho de infiltração na Stassi consistiu na elaboração de relatórios pormenorizados acerta das “toupeiras" infiltradas na Alemanha Ocidental pela Stassi.

Que actuavam nomeadamente junto de Helmut Khol, Helmut Schmidt e de Hans Jurgen Wischewski.

Hans Jurgen Wischewski era o raponsável pelas relações e contactos entre a Alemanha Ocidental e de Leste, sendo Presidente da Associação Alemã de Coopenção e Desenvolvimento (ajuda ao terceiro Mundo), e também ia às reuniões do Grupo Bilderberg.

Viabilizou também muitas operações clandestinas, nos anos 70 e 80, de ajuda a gupos de libertação, a partir da Alemanha Ocidental.

Estive também na Academia da Stassi, várias vezes, em Postdan - Eiche.

Relativamente ao relato dos factos, gostaria de começar por referir que tenho contactos, desde 1970, em Angola, com um agente da CIA, que é o jornalista e apresentador de televisão Paulo Cardoso (já falecido).

Conheci Paulo Cardoso em Angola com quem trabalhei na TVA - Televisão de Angola na altura.

Em 1975, formei em Portugal, os CODECO com José Esteves, Vasco Montez, Carlos Miranda e Jorge Gago (já falecido).

Esta organização pretendia, defender, em Portugal, se necessário por via de guerrilha, os valores do Mundo Ocidental.

Através de Paulo Cardoso sou apresentado, em 1975, no Hotel Sheraton, em Lisboa, a um agente da CIA, antena, (recolha de informações), chamado Philip Snell.

Falei então durante algum tempo com Philip Snell.

O Paulo Cardoso estava então a viver no Hotel Sheraton.

Passados poucos dias, Philip Snell, diz-me para ir levantar, gratuitamente, um bilhete de avião, de Lisboa para Londres, a uma agência de viagens na Av. De Ceuta, que trabalhava para a embaixada dos EUA.

Fui então a uma reunião em Londres, onde encontrei um amigo antigo, Gary Van Dyk, da África do Sul, que colaborava com a CIA.

Fui então entrevistado pelo chefe da estação da CIA para a Europa, que se chamava John Logan.

Gary Van Dyk, defendeu nessa reunião, a minha entrada para a CIA, dizendo que me conhecia bem de Angola, e que eu trabalhava com eficiência.

Comecei então a trabalhar para a CIA, tendo também para esse efeito pesado o facto de ter anteriormente colaborado com a NISS - National Intelligence Security Service ( Agência Sul Africana de Informações).

Gary Van Dyk era o antena, em Londres, do DONS - Department Operational of National Security (Sul Africana).

Regressando a Lisboa, trabalhei para a Embaixada dos EUA, em Lisboa entre 1975 e 1988, a tempo inteiro.

Entre 1976 e 1977, durante cerca de um ano e meio vivi numa suite no Hotel Sheraton, o que pode ser comprovado, tudo pago pela Embaixada dos EUA.

Conduzia então um carro com matrícula diplomática, um Ford, que estacionava na garagem do Hotel.

Nesta suite viveu também a minha mulher, Elsa, já grávida da minha filha Eliana.

O meu trabalho incluia recolha de informações /contra informações, informações sobre tráfico de armas, de operações de combate ao tráfico de droga, informações sobre terrorismo, recrutamento de informadores, etc.

Estas actividades incluem contactos com serviços secretos de outros países, como a Stassi, a Mossad, e a "Boss" (Sul Africana), depois NISS - National Information Secret Service, depois DONS e actualmete SASS.

Era pago em Portugal, recebendo cerca de USD 5.000 por mês.

Nestas actividades facilita o facto de eu falar seis línguas.

Actuei utilizando vários nomes diferente, com passaportes fornecidos pela Embaixada dos EUA em Lisboa.

Facilitava também o facto de eu falar um dialecto angolano, o kimbundo.

A Embaixada dos EUA tinha também uma casa de recuo na Quinta da Marinha, que me estava entregue, e onde ficavam frequentemente agentes e militares americanos, que passavam por Portugal.

Era a vivenda "Alpendrada".

A partir de 1975, como referi, passei a trabalhar directamente para a CIA.

Contudo a partir de l978, passei a trabalhar como agente encoberto, no chamado "Office of Special Operations".

A que se chamava serviços clandestinos, e que visavam observar um alvo, incluindo perseguir, conhecer e eliminar o alvo, em qualquer país do mundo, excepto nos EUA.

Por pertencermos a este Office, éramos obrigados a assinar uma clausula que se chamava "plausible denial" que significa que se fossemos apanhados nestas operações com documentos de identificação falsos, a situação seria por nossa conta e risco, e a CIA nada teria a ver com a situação.

Nessa circunstância tinhamos o discurso preparado para explicar o que estavamos a fazer, incluindo estarmos preparados para aguentar a tortura.

Trabalhei para o "Office of Special Operations ” até 1989, ano em que saí da CIA.

Para fazer face a estes trabalhos e operações, as minhas contas dos cartões de crédito do VISA, American Express e Dinners Club, tinham, cada uma, um planfond de 10.000 USD, que podiam ser movimentados em caso de necessidade.

Estes cartões eram emitidos no Brasil, em bancos estrangeiros sedeados no Brasil, como o Citibank, o Bank of Boston ou o Bank of America.

Entre 1975 e 1989, portanto durante cerca de 14 anos, gastei com estes cartões cerca de 10 milhões de USD, em operações em diversos paises, nomeadamente pagando a informadores, politicos, militares, homens de negócios, e também traficantes de armas e de drogas, em ligação com a DEA (Drug Enforcement Agency).

Existiram outros valores movimentados à parte, a partir de um saco azul, “em cash”, valores esses postos á disposição pelo chefe da estação da CIA, no local onde as operações eram realizadas.

Este saco azul servia para pagar despesas como viagens, compras necessárias, etc.

Posso referir que a operação de Camarate, que a seguir irei transcrever custou a preços de 1980 entre 750.000 e 1 milhão de USD.

Só o Sr. José António dos Santos Esteves recebeu 200.000 USD.

Estas despesas relacionadas com a operação de Camarate, incluiram os pagamentos a diversas pessoas e participantes, como o Sr. Lee Rodrigues, como seguidamente irei descrever.

Entre 1975 e 1988, participei em vários cursos e seminários em Langley, Virginia e Quantico, pago pela CIA, sobre informação, desinformação, contra-informação. terrorismo, contra-terrorismo, infiltrações encobertas, etc., etc.

Trabalhei em serviços de infiltração pela CIA e pela DEA (Drug Enforcement Agency), em diferentes países, como Portugal, El Salvador, Bolívia, Colômbia,Venezuela, Peru, Guatemala, Nicarágua, Panamá, Chile, Líbano, Síria, Egipto, Argélia, Marrocos, Filipinas.

A minha colaboração com a DEA, iniciou-se em 1981, através de Richard Lee Armitage.

Em 1980, Richard Armitage viria também a estar comigo e com o Henry Kissinger em Paris, Richard Lee Armitage era membro do CFR (Counceil for Foreign Affairs and Relations) e da Organização e Cooperação para a Segurança da Europa (OSCE), criada pela CIA, Richard Armitage era também membro, na altura, do Grupo Carlyle, do qual o CEO era Frank Carlucci.

O Grupo Carlyle dedica-se à construcção civil, imobiliário e é uma dos maiores grupos de tráfico de armas no Mundo, junto com o Grupo Haliburton, chefiado por Richard "Dick" Cheney.

O Grupo Carlyle pertence a vários investidores privados dos EUA, por regra do Partido Republicano.

Este grupo promove nomeadamente vendas de armas, petróleo e cimento para países como o Iraque, Afeganistão e agora para os países da primavera árabe.

A lavagem do dinheiro do tráfico de armas e da droga, era feito, na altura, pelo Banco BCCI, ligado à CIA e à NSA - National Security Agency.

O BCCI foi fundado em 1972 e fechado no princípio dos anos 90, devido aos diversos escândalos em que esteve envolvido.

Oliver North pertencia ao Conselho Nacional de Segurança, às ordens de william walker, ex-embaixador dos EUA em El Salvador.

Oliver North seguiu e segue sempre as ordens da CIA, dependente de William Casey.

Oliver North está hoje retirado da CIA , e é CEO de vários grupos privados americanos, tal como Frank Carlucci.

Da DEA conheci Celerino Castilho e Mike Levine.

Anabelle Grimm e Brad Ayers, tendo trabalhado para a DEA entre 1975 até 1989.

Da CIA trabalhei também com Tosh Plumbey, Ralph Megehee - tenente coronel da NSA, actualmente reformado.

Da CIA trabalhei ainda com Bo Gritz e Tatum.

Estes dois agentes tinham a sua base de operações em El Salvador, (onde eu também estive durante os anos 80, durante o tráfico Irão - Contras), desenvolvendo nomeadamente actividades com tráfico de armas.

Uma das suas operações consistiu no transporte de armas dos EUA para El-Salvador, que eram depois transportadas para o Irão e a Nicarágua.

Os aviões, normalmente panamianos e colombianos regressavam depois para os EUA com droga, nomeadamente cocaina, proveniente de países como a Colômbia, Bolivia e El Salvador, que serviam para financiar a compra de armas.

Esta actividade desenvolveu-se essencialmente desde os finais dos anos 70 até 1988.

A cocaina vinha nomeadamente da Ilha Normans Cay, nas Bahamas, de que era
proprietário Carlos Lheder Rivas.

Carlos Rivas era um dos chefes do Cartel de Medellin, trabalhando para este cartel e para ele próprio.

Carlos Rivas era, neste contexto um personagem importante, sendo o braço direito de Roberto Vesco, que trabalhava para a CIA e para a NSA.

Roberto Vesco era proprietário de Bancos nas Bahamas, nomeadamente o Colombus Trust.

Carlos rivas fazia toda a logística de Roberto Vesco e forneciam armas a troco de cocaina, nomeadamente ao movimento de guerrilha Colombiano M19.

Roberto Vesco está hoje refugiado em Cuba.

O dinheiro das operações de armas e de droga são lavadas no Banco BCCI e noutros bancos, com o nome de código "Amadeus".

Há no entanto contas activas nas Bahamas e em Norman's Cay, nas Ilhas Jersey, que gerem contas bancárias, nomeadamente para o tráfico de armas para os “Contras” da Nicarágua, e para o Irão.

Como acima referi, muito desse dinheiro foi para bancos americanos e franceses, o que em parte explicará porquê é que Manuel Noriega foi condenado a 60 anos de prisão, tendo primeiro estado preso nos EUA, depois em França, e actualmente no Panamá.

Foi preso porque era conveniente que estivesse calado, não referindo nomeadamente que partilhava com a CIA, o dinheiro proveniente da venda de armas e da venda de drogas.

Noriega movimentava contas bancárias em mais de 120 bancos, com conhecimento da CIA.

Noriega fazia também parte da operação "Black Eagle", dedicada ao tráfico de armas e de droga, que em 1982 se transformou numa empresa chamada Enterprise, com a colaboração de Oliver North e de Donald Gregg da CIA.

Em face do grau de informações e de conhecimento que tinha, é fácil de perceber porquê se verificou o derrube e a prisão de Noriega.

Devo dizer que estou pessoalmente admirado que não o tenham até agora “suicidado", pois deve ter muitos documentos ainda guardados.

Noriega tinha a intenção de contar tudo o que sabia sobre este tráfico, nomeadamente sobre os serviços prestados à CIA e a Bush Pai, tendo por isso sido preso.

Washington e a CIA são assim veículos importantes do tráfico de armas e de droga, utilizando nomeadamente os pontos de apoio de South Flórida e do Panamá.

No início dos anos 80 conheci um traficante do cartel de Cali, de nome Ramon Milian Rodriguez, que depois mais tarde perante uma comissão do Senado Americano, onde falou do tráfico de armas e de droga, do branqueamento de dinheiro, bem como das cumplicidades de Oliver North neste tráfico às ordens de Bush Pai e do Donald Gregg.

Muito do dinheiro gerado nessas vendas foi para bancos americanos e franceses.

Este dinheiro servia também para compras de propriedades imobiliárias.

Por estar ligado a estas operações, Noriega foi preso pelos EUA.

Foi numa operação de droga que realizei na Colômbia e nas Bahamas, em 1984, onde se deu a prisão de Carlos Lheder Rivas, do Cartel de Medallin, em que eu não concordei com os agentes da DEA da estação de Miami, pois eles queriam ficar com 10 milhões de dólars e com o avião "lear-jet" provenientes do tráfico de droga.

Não concordando, participei desses agentes ao chefe da estação da DEA de Maiami.

Este chefe mandou-lhes então levantar um inquerito, tendo sido presos pela própria DEA.

A partir de aí a minha vida tornou-se num verdadeiro inferno, nomeadamente com a realização de armadilhas, e detenções, tendo acabado por sair da CIA em 1989, a conselho de Frank Carlucci.

O principal culpado da minha saida da CIA e da DEA foi John C. Lawn, director da estação da DEA e amigo de Noriega e de outros traficantes.

John Lawn encobriu, ou tentou encobrir, todos os agentes da DEA que denunciei aquando da prisão de Carlos Rivas.

Após a minha saida da CIA, Frank carlucci continuou contudo a ajudar-me com dinheiro, com conselhos e com apoio logístico, sempre que eu precisei até 1994.

Regressando contudo à minha actividade em Portugal, anteriormente a Camarate e ao serviço da CIA, devo referir que conheci Frank Carlucci, em 1975, através de duas pessoas: um jornalista Português da RTP, já falecido, chamado Paulo Cardoso de Oliveira, que conhecera em Angola, e que era agente da CIA, e Gary Van Dyk, agente da BOSS (Sul Africana) que conheci também em Angola.

Mantive contatos directos flequentes com Frank Carlucci, sobretudo entre 1975 e 1982, de quem recebi instruções para varios trabalhos e operações.

Os meus contactos com Frank Carlucci mantêm-se até hoje, com quem falo ainda ocasionalmente pelo telefone.

A última vez que estive com ele foi em Madrid, em 2008, na escala de uma viagem que Frank Carlucci realizou à Turquia.

Em Lisboa, também lidei e recebi ordens de William Hasselberg - antena da CIA em Lisboa, que além de recolher informacões em Lisboa actua como elo de ligação entre porugueses e americanos.

Tive inclusivamente uma vida social com William Hasselberg, que inclui uma vida nocturna em Lisboa, em diferentes bares, restaurantes, e locais públicos.

William Hasselberg gostava bastante da vida nocturna, onde tinha muito gosto em aparecer com as suas diversas “conquistas” femininas.

Trabalhei também com outros agentes da CIA, nomeadamente Philip Agee.

Neste ambito, trabalhei em operações de tráfico de armas, e em infiltrações em organizações com o objectivo de obter informações políticas e militares, “Billie” Hasselberg fala bem português, e era grande amigo de Artur Albarran.

Hasselberg e Albarran conheceram-se numa festa da embaixada da Colômbia ou Venezuela, tendo Albarran casado nessa altura, nos anos 80, com a filha do embaixador, que foi a sua primeira mulher.

Das reuniões que tive com a embaixada americana em Lisboa, a partir de 1978, conheci vários agentes da CIA.

O Chefe da estação da CIA em Portugal, John Logan, oferece-me um livro seu autografado.

Conheci também o segundo chefe da CIA, Sr. Philip Snell, Sr. James Lowell, e o Sr. Arredondo.

Da parte militar da CIA conheci o Coronel Wilkinson, a partir de quem conheci o coronel Oliver North e o Coronel Peter Bleckley.

O coronel Oliver North, militar mas também agente da CIA e o coronel Peter Bleckley, são os principais estrategas nos contactos internacionais, com vista ao tráfico e venda de armas, nomeadamente com países como Irão, Iraque, Nicarágua, e o El Salvador.

Na sequência do conhecimento que fiz com Oliver North, tendo várias reuniões com ele e com agentes da CIA, por causa do tráfico e negócio de armas.

Estas reuniões têm lugar em vários países, como os EUA, o México, a Nicarágua, a Venezuela, o Panamá.

Neste último país contacto com dois dos principais adjuntos de Noriega, José Bladon, chefe dos serviços secretos do Panamá, que me disse que práticamente todos os embaixadores do Panamá em todo o Mundo estavam ao serviço de Noriega.

Blandon pediu-me na altura se eu arranjava um Rolls Royce Silver Spirits, para o embaixador do Panamá em Lisboa, o que acabei por conseguir.

Em meados de 1980, Frank Carlucci refere-me, por alto, e pela primeira vez, que eu iria ser encarregue de fazer um "trabalho" de importância máxima e prioritária em Portugal, com a ajuda dele, da CIA, e da Embaixada dos EUA em Portugal, sendo-me dado, para esse efeito, todo o apoio necessário.

Tenho depois reuniões em Lisboa, com o agente da CIA, Frank Sturgies, que conheço pela primeira vez.

Frank Sturgies é uma pessoa de aspecto sinistro e com grande frieza, e é organizador das forças anti-castristas, sediadas em Miami, e é elo de ligação com os "contra" da Nicarágua.

Frank Sturgies refere-me então, que está em marcha um plano para afastar, definitivamente, (entenda-se eliminar) uma pessoa importante, ligada ao Governo Português de então, sem dizer contudo ainda nomes.

Algum tempo depois, possívelmente em Setembro ou Outubro de 1980, jogo ténis com Frank Carlucci quase toda a tarde, na antiga residência do embaixador dos EUA, na Lapa.

Janto depois com ele, onde Frank Cartucci refere novamente que existem problemas em Portugal para a venda e transporte de armas, e que Francisco Sá Carneiro não era uma pessoa querida dos EUA.

Depois já na sobremesa, juntam-se a nós o Gen. Diogo Neto, o Cor. Vinhas, o Cor. Robocho Vaz e Paulo Cardoso, onde se refere novamente a necessidade de se afastarem alguns obstáculos existentes ao negócio de armas.

Todos estes elementos referem a Frank Caducci que eu sou a pessoa indicada para a preparação e implementação desta operação.

Em Outubro de 1980, num juntar no Hotel Sharaton onde participo eu, Frank Sturgies (CIA), Vilfred Navarro (CIA), o General Diogo Neto e o Coronel Vinhas (já falecidos), onde se refere que há entraves ao tráfico de armas que têm de ser removidos.

Depois há um outro jantar também no Hotel Sharaton, onde participam, entre outros, eu e o Cor. Oliver North, onde este diz claramentete que "é preciso limar algumas arestas" e "se houver necessidade de se tirar aguém do caminho, tira-se", dando portanto a entender que haverá que eliminar pessoas que criam problemas aos negócios de venda de armas.

Oliver North diz-me também que está a ter problemas com a sua própria organização, e que teme que o possam querer afastar e "deixar cair", o que acabou por acontecer.

Há também Portugueses que estavam a beneficiar com o tráfico de armas, como o Major Canto e Castro, o Gen. Pezarat Correia, Franco Charais e o empresário Zoio.

Sabe-se também já nessa altura que Adelino Amaro da Costa estava a tentar acabar com o tráfico de armas, a investigar o fundo de desenvolvimento do Ultramar, e a tentar acabar acabar com lobbies instalados.

Afastar essas duas pessoas pela via política era impossível, pois a AD tinha ganho as eleições.

Restava portanto a via de um atentado.

Passados alguns dias, recebo um telefonema do Major Canto e Castro (pertencente ao conselho da revolução), que eu já conhecia de Angola, pedindo para eu me encontrar com ele no Hotel Altis.

Nessa reunião está também Frank Sturgies, e fala-se pela primeira vez em "atentado", sem se referirem ainda quem é o alvo.

Referem que contam comigo para esta operação.

O Major Canto e Castro diz que é preciso recrutar alguém capaz de realizar esta operação.

Tenho depois uma segunda reunião no Hotel Altis com Frank Sturgies e Philip Snell, onde Frank Sturgies me encarrega de preparar e arranjar alguns operacionais para uma possível operação dentro de pouco tempo, possívelmente dentro de 2 ou 3 meses.

Perguntam-me se já recrutei a pessoa certa para realizar este atentado, e se eu conheço algum perito na fabricação de bombas e em armas de fogo.

Respondo que em Espanha arranjaria alguém da ETA para vir cá fazer o atentado, se tal fosse necessário.

Quem paga a operação e a preparação do atentado é a CIA e o Major Canto e Castro.

Canto e Castro colabora na altura com os serviços Secretos Franceses, para onde entrou através do sogro na época.

O sogro era de nacionalidade Belga, que trabalhava para a SDEC, os serviços de inteligência franceses, em 1979 e 1980.

Canto e Castro casou com uma das suas filhas, quando estava em Luanda, em Angola, ao serviço da Força Aérea Portuguesa.

Em Luanda, Canto e Castro vivia perto de mim.

Tendo que organizar esta operação, falo então com José Esteves e mais tarde com Lee Rodrigues (que na altura ainda não conhecia).

O elo de ligação de Lee Rodrigues em Lisboa era Evo Fernandes, que estava ligado à resistância moçambicana, a Renamo.

Falo nessa altura também com duas pessoas ligadas à ETA militar, para caso do atentado ser realizado através de armas de fogo.

Depois, noutro jantar em casa de Frank Carlucci, na Lapa, na mansarda, no último andar, onde jantamos os dois sozinhos, Frank Carlucci diz abertamente e pela primeira vez, o que eu tinha de fazer, qual era a operação em curso e que esta visava Adelino Amaro da Costa, que estava a dificultar o transporte e venda de armas a partir de Portugal ou que passavam em Portugal, e que havia luz verde dada por Henry Kissinger e Oliver North.

Cumprimento ambos, referindo que sou "o homem deles em Lisboa".

Três semanas antes dos atentado, Canto e Castro e Frank Sturgies, referem pela primeira vez, que o alvo do atentado é Adelino Amaro da Costa.

O Major Canto e Castro afirma que irá viajar para Londres.

Frank Sturgies pede-me que obtenha um cartão de acesso ao aeroporto para um tal Lee Rodrigues, que é referido como sendo a pessoa que levará e colocará a bomba no avião.

Recebo depois um telefonema de Canto e Castro, referindo que está em Londres e para eu ir ter lá com ele.

Refere-me que o meu bilhete está numa agência de viagens situada na Av. da Republica , junto à pastelaria Ceuta.

Chegado a Londres fico no Hotel Grosvenor, ao pé de Victoria Station.

Canto e Castro vai buscar-me e leva-me a uma casa perto do Hotel, onde me mostra pela primeira vez, o material, incluindo explosivos, que servirão para confeccionar a "bomba" nesta operação.

Essa casa em Londres, era ao mesmo tempo residência e consultório de um dentista indiano, amigo de Canto e Castro, Canto e Castro refere-me que esse material será levado para Portugal pela sua companheira Juanita Valderrama.

O Major Canto e Castro pede-me então que vá ao Hotel Altis recolher o material.

Vou então ao Hotel acompanhado de José esteves, e recebemos uma mala e uma carta da senhora Juanita, José Esteves prepara então uma bomba destinada a um avião, com esses materiais, com a ajuda de Carlos Miranda.

O Major Canto e Castro volta depois de Londres, encontra-se comigo, e digo-lhe que a bomba está montada.

Lee Rodrigues é-me apresentado pelo Major Canto e Castro.

Alguns dias depois Lee Rodrigues telefona-me e encontramo-nos para jantar no restaurante Galeto, junto ao Saldanha, juntamente com Canto e Castro, onde aparece também Evo Fernandes, que era o contacto de Lee Rodrigues em Lisboa.

Fora Evo Fernandes que apresentara Lee Rodrigues a Canto e Castro.

Lee Rodrigues era moçambicano e tinha ligações à Renamo.

Nesse jantar alinham-se pormenores sobre o atentado.

Canto e Castro refere contudo nesse jantar que o atentado será realizado em Angola.

Perante esta afirmação, pergunto se ele está a falar a sério ou a brincar, e se me acha com “cara de palhaço"- fazendo intenção de me levantar.

Refiro que, através de Frank Carlucci, já estava a par de tudo.

Lee Rodrigues pede calma, referindo depois Canto e Castro que desconhecia que eu já estava a par de tudo, mas que sendo assim nada mais havia a esconder.

Possivelmente em Novembro, é-me solicitado por Philip Snell que participe numa reunião em Cascais, num iate junto á antiga marina (na altura não existia a actual marina).

Vou e levo comigo José Esteves.

Essa reunião tem lugar entre as 20 e as 23 horas, nela participando Philips Snell, Oliver North, Frank Sturgies, Sydral e Lee Rodrigues e mais cerca de 2 ou 3 estrangeiros, que julgo serem americanos.

Nesta reunião é referido que há que preparar com cuidado a operação que será para breve, e falam-se de pormenores a ter em atenção.

É referido também os cuidados que devem ser realizados depois da operação, e o que fazer se algo correr mal.

A língua utilizada na reunião é o inglês.

José Esteves recebeu então USD 200.000 pelo seu futuro trabalho.

Eu não recebi nada pois já era pago normalmente pela CIA.

Eu nessa altura recebia da CIA o equivalente a cinco mil US Dólares, dispondo também de dois cartões de crédito Diner's Club e Visa Gold, ambos com plafonds de 10.000 US Dólares.

Lee Rodrigues pede-me então que arranje um cartão para José Esteves entrar no aeroporto.

Para este efeito, obtenho um cartão forjado, na Mouraria, em Lisboa, numa tipografia que hoje já não existe.

Lee Rodrigues diz-me também que irá obter uma farda de piloto numa loja ao pé do Coliseu, na Rua das Portas de Santo Antão.

A meu pedido, João Pedro Dias, que era carteirista, arranja também um cartão para Lee Rodrigues.

Este cartão foi obtido por João Pedro Dias, roubando o cartão de Miguel Wahnon, que era funcionário da TAP.

Apenas foi necessário mudar-se a fotografia desse cartão, colocando a fotografia de Lee Rodrigues.

José Esteves prepara então na sua casa no Cacém, um engenho para o atentado.

Conta com a colaboração de outro operacional chamado Carlos Miranda, especialista em explosivos, que é recrutado por mim, e que eu já conhecia de Angola, quando Carlos Miranda era comandante da FNLA e depois CODECO em Portugal.

José Esteves foi também um dos principais comandantes da FNLA, indo muitas vezes a Kinshasa.

Depois do artefacto estar pronto, vou novamente a Paris.

No Hotel Ritz, à tarde, tenho um encontro com Oliver North, o cor. Wilkison e Philip Snell, onde se refere que o alvo a abater era Adelino Amaro da Costa, Ministro da Defesa.

Volto a Portugal, cerca de 5 ou 6 dias antes do atentado.

É marcado por Oliver North um jantar no hotel Sheraton.

Nesse jantar aparece e participa um indivíduo que não conhecia e que me é apresentado por Oliver North , chamado Penaguião.

Penaguião afirma ser segurança pessoal de Sá Carneiro.

Oliver North refere que Penaguião faz parte da segurança pessoal de Sá Carneiro e que é o homem que conseguirá meter Sá Carneiro no Avião.

Penaguião afirma, de forma fria e directa que Sá Carneiro também iria no avião, "pois dessa forma matavam dois coelhos de uma cajadada!"

Afirma que a sua eliminação era necessária, uma vez que Sá Carneiro era anti-americano, e apoiava incondicionalmente Adelino Amaro da Costa na denúncia do tráfico de armas, e na descoberta do chamado saco azul do Fundo de Defesa do Ultramar, pelo que tudo estava, desde o início, preparado para incluir as duas pessoas.

Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa.

Fico muito receoso, pois só nesse momento fiquei a conhecer a inclusão de Sá Carneiro no atentado.

Pergunto a Penaguião como é que ele pode ter a certeza de que Sá Carneiro irá no avião, ao que Penaguião responde de que eu não me preocupasse pois que ele, com mais alguém, se encarregaria de colocar Sá Carneiro naquele avião naquele dia e naquela hora, pois ele coordenava a segurança e a sua palavra era sempre escutada.

No final do jantar, juntam-se a nós três o Gen. Diogo Neto e o Cor. Vinhas.

Fico estarrecido com esta nova informação sobre Sá Carneiro, e decido ir, nessa mesma noite, à residência do embaixador dos EUA, na Lapa, onde estava Frank Carlucci, a quem conto o que ouvi.

Frank Carlucci responde que não me preocupasse, pois este plano já estava determinado há muito tempo.

Disse-me que o homem dos EUA era Mário Soares, e que Sá Carneiro, devido à sua maneira de ser, teimoso e anti-americano, não servia os interesses estratégicos dos EUA.

Mário Soares seria o futuro apoio da política americana em Portugal, junto com outros lideres do PSD e do PS.

Aceito então esta situação, uma vez que Frank Carlucci já me havia dito antes que tudo estava assegurado, inclusivamente se algo corresse mal, como a minha saída de Portugal, a cobertura total para mim e para mais alguém que eu indicasse, e que pudesse vir a estar em perigo.

Isto e a usual “realpolitik" dos Estados Unidos, e suspeito que sempre será.

Três dias antes do atentado há uma nova reunião, na Rua das Pretas no Palácio Roquete, onde participam Canto e Castro, Farinha Simões, Lee Rodrigues, José Esteves e Carlos Miranda

Carlos Miranda colaborou na montagem do engenho explosivo com José Esteves, tendo ido várias vezes a casa de José Esteves.

Nessa reunião são acertados os últimos pormenores do atentado.

Nessa reunião, Lee Rodrigues diz que ele está preparado para a operação e Canto e Castro diz que o atentado será a 3 ou 4 de Dezembro.

Nessa reunião é dito que o alvo é Adelino Amaro da Costa.

No dia seguinte encontramo-nos com Canto e Castro no Hotel Sheraton, e vamos jantar ao restaurante " O Polícia".

No dia 4 de Dezembro, telefono de um telefone no Areeiro, para o Sr. William Hasselberg, na Embaixada dos EUA, para confirmar que o atentado é para realizar, tendo-me este referido que sim.

Desse modo, à tarde, José Esteves traz uma mala a minha casa, e vamos os dois para o aeroporto.

Conduzo José Esteves ao aeroporto, num BMW do José Esteves.

Já no aeroporto, José Esteves e eu entramos no aeroporto, por uma porta lateral, junto a um posto da Guarda Fiscal, utilizando o cartão forjado, anteriormente referido.

Depois José Esteves desloca-se e entrega a mala, com o engenho, a Lee Rodrigues, que aparece com uma farda de piloto e é também visto por mim.

Depois de cerca de 15 minutos, sai já sem a mala, e sai comigo do aeroporto.

Separamo-nos, mas mais tarde José esteves encontra-se novamente comigo no cabeleireiro Bacta, no centro comercial Alvalade.

Depois José esteves aparece em minha casa com a companheira da época, de nome Gina, e com um saco de roupa para lá ficar por precaução.

Ouvimos depois o noticiário das 20 horas na televisão, e José Esteves fica muito surpreendido, pois não sabia que Sá Carneiro também ia no avião.


4º PARTE


Afirma que fomos enganados!

Telefona então para Lencastre Bernardo, que tinha grandes ligações à PJ e à PJ Militar, e uma Ligação ao General Eanes, Lencastre Bernardo tem também ligações a Canto e Castro, Pezarat Correia, Charais, ao empresário Zoio a José António Avelar que era ex-braço direito de Canto e Castro.

José Esteves telefona-lhe, e pede para se encontrar com ele.

Este aceita, pelo que, pelas 23 horas, José Esteves, eu, e a minha mulher Elza, dirigimo-nos para a Rua GomesFreire, na PJ, para falar com ele.

Esteves sobe para falar com Lencastre Bernardo que lhe tinha dito que não se preocupasse, pois nada lhe sucederia.

Passámos contudo por casa de José Esteves pois este temia que aí houvesse já um conjunto de polícias à sua procura, devido a considerarem que ele estava associado à queda do avião em camarate.

José Esteves ficou assim aliviado por verificar que não existia aparato policial à porta de sua casa.


Vem contudo dormir para minha casa.

Alguns dias depois falei novamente com Frank Carlucci.

A quem manifestei o meu desconhecimento e ter ficado chocado por ter sabido, depois de o avião ter caído, que acompanhantes e familiares do Primeiro Ministro e do Ministro da Defesa também tinham ido no Avião.

Frank Carlucci respondeu-me que compreendia a minha posição, mas que também ele desconhecia que iriam outras pessoas no avião, mas que agora já nada se podia fazer.

Em 1981, encontro-me com Victor Pereira, na altura agente da Polícia Judiciaria, no restaurante Galeto, em Lisboa.

Conto a Victor Pereira que alguns dos atentados estão atribuidos às Brigadas Revolucionárias, relacionados com a colocação de bombas, foram porém efectuadas pelo José Esteves, como foram os casos dos atentados à bomba na Embaixada de Angola, de Cuba (esta última com conhecimento de Ramiro Moreira), na casa de Torres Couto, na casa do prof. Diogo Freitas do Amaral, na casa do Eng. Lopes Cardoso, e na casa de Vasco Montez, a pedido deste, junto ao Jumbo em Cascais, para obter "sensacionalismo" á época, tendo José Esteves espalhado panfletos iguais aos da FP25.

Não falei então com Victor Pereira Com camarate.

Tomei conhecimento no entanto que Victor Pereira, no dia 4 de Dezembro de 1980, tendo ido nessa noite ao Aeroporto da Portela, como agente da PJ, encontrou a mala que era transportada pelo Eng. Adelino Amaro da Costa.

Nessa mala estavam documentos referentes ao tráfico de armas e de pessoas envolvidas com o Fundo de Defesa do Ultramar.

Salvo erro, Victor Pereira entregou essa mala ao inspector da PJ Pedro Amaral, que por sua vez a entregou na PJ.

Disse-me então Victor Pereira que essa mala, de maior importância no caso de Camarate, pelas informações que continha, e que podiam explicar os motivos e as pessoas por detrás deste atentado, nunca mais voltou a aparecer.

Esta informação foi-me transmitida por Victor Pereira, quando esteve preso comigo na prisão de Sintra, em 1986.

Não referi então a Victor Pereira que, como descrevo a seguir, eu tinha já tido contacto com essa mala, em finais de 1982, pelo facto de trabalhar com os serviços secretos na Embaixada dos EUA.

Também em 1981, uns meses depois do atentado, eu e o José Esteves fomos ter com o Major Lencastre Bernardo, na Polícia Judiciária, na Rua Gomes Freire.


Com efeito, tanto o José Esteves como eu, andávamos com medo do que nos podia suceder por cusa do nosso envolvimento no atentado de Camarate, e queriamos saber o que se passava com a nossa protecção por causa de Camarate.

Eu não participo na reunião, fico à porta.

Contudo José Esteves diz-me depois que nessa conversa Lencastre Bernardo lhe referiu que, numa anterior conversa com Francisco Pinto Balsemão, este lhe havia dito ter tido conhecimento prévio do atentado de Camarate, pois em Outubro de 1980, Kissinger o informou de que essa operação ia ocorrer.

Disse-lhe também que ele próprio tinha tido conhecimento prévio do atentado de Camarate.

Disse-lhe ainda que podíamos estar sossegados quanto a Camarate, pois não ia haver problemas connosco, pois a investigação deste caso ia morrer sem consequências.

*** A este respeito gostaria de acrescentar que numa reunião que tive, a sós, em 1986, com Lencastre Bernardo, num restaurante ao pé do ediflcio da PJ na Rua Gomes Freire, ele garantiu-me que Pinto Balsemão estava a par do que se ia passar em 4 de Dezembro.***

No restaurante Fouchet's, em Paris, Kissinger tinha-me dito, “por alto”, que o futuro Primeiro Ministro de Portugal seria Pinto Balsemão.

É importante referir que tanto Henry Kissinger como Pinto Balsemão eram já, em 1980, membros destacados do grupo Bilderberg, sendo certo que estas duas pessoas levavam convidados às reuniões anuais desta organização.

Deste modo, aquando da conversa com Lencastre Bernardo, em 1986, relacionei o que ele me disse sobre Pinto Balsemão, com o que tinha ouvido em Paris, em l980.

Tive também esta informação, mais tarde, em 1993, numa conversa que tive com William Hasselberg, em Lisboa,quando este me confirmou de que Pinto Balsemão estava a par de tudo.

Em finais de 1982, pelas informações que vou obtendo na Embaixada dos EUA, em Lisboa, verifico que se fala de nomes concretos de personalidades americanas como tendo estado envolvidas em tráfico de armas que passava por Portugal.

Pergunto então a William Hasselberg como sabem destes nomes. Ao fim de muitas insistências minhas, William Hasselberg acaba por me dizer que a Pj entregou, na embaixada dos EUA, uma mala com os documentos transportados por Adelino Amaro da Costa, em 4 de Dezembro de 1980, e que ficou junto aos destroços do avião, embora não me tenha dito quem foi a pessoa da PJ que entregou esses documentos.


Peço então a William Hasselberg que me deixe consultar essa mala, uma vez que faço também parte da equipa da CIA em Portugal.

Ele aceita, e pude assim consultar os documentos aí existentes. que consistiam em cerca de 200 páginas.

Pude assim consultar este Dossier durante cerca de uma semana, tendo-o lido várias vezes, e resumido, à mão, as principais partes, uma vez que não tinha como fotografá-lo ou copiá-lo.

Vejo então, que apesar do desastre do avião, e da pasta de Avelino Amaro da Costa ter ficado queimada, e ter sido substituida por outra, os documentos estavam intactos.

Estes documentos continham uma lista de compra de armas, que incluia nomeadamente RPG-7, RPG-27, G3, lança granadas, dilagramas, munições, granadas, minas, rádios, explosivos de plástico, fardas, kalashiskovs AK-47 e obuses.

Referia-se também nesses documentos que para se iludir as pistas, as vendas ilegais de armas eram feitas através de empresas de fachada, com os caixotes a referir que a carga se tratava de equipamentos técnicos, e peças sobresselentes para maquinas agrículas e para a construção civil.

Esta forma de transportar armas foi-me confirmada várias vezes por Oliver North, no decorrer da década de 80, até 1988, e quando estive em Ilopango, em El Salvador, também na década de 80, verifiquei que era verdade.

Nestes documentos lembro-me de ver que algumas armas vinham da empresa portuguesa Braço de Prata, bem como referências de vendas de armas de Portugal e de paises de Leste, como a Polónia e a Bulgária, com destino para a Nicarágua, Irão, El Salvador, Colombia, Panamá, bem como para alguns países Africanos que estavam em guerra, como Angola, ANC da África do Sul, Nigéria, Mali, Zimbawe, Quénia, Somália, Líbia, etc.

Está também claramente referido nesses documentos que a venda de armas é feita atraves da empresa criada em Portugal chamada "Supermarket" (que operava através da empresa mãe "Black - Eagle").


PAU COMMENTS


De Carmindo Mascarenhas Bordalo a 30 de Abril de 2012 às 21:31
Uma pequena, mas importante, parte deste depoimento é corroborado por Freitas do Amaral, no 2º volume das suas memórias. O então Ministro dos Negócios Estrangeiros afirma que recebeu um telegrama vindo por canal diplomático de Londres, no qual a Scotland Yard avisa que um especialista em engenhos explosivos, Lee Rodrigues, foi visto perto do avião no dia do atentado.
Freitas afiança que mandou o telegrama para a Polícia Judiciária mas que, quando consultou o processo anos mais tarde, não havia rasto dele.






por João Severino às 16:57
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pauladas:
De Carmindo Mascarenhas Bordalo a 30 de Abril de 2012 às 21:31
Uma pequena, mas importante, parte deste depoimento é corroborado por Freitas do Amaral, no 2º volume das suas memórias. O então Ministro dos Negócios Estrangeiros afirma que recebeu um telegrama vindo por canal diplomático de Londres, no qual a Scotland Yard avisa que um especialista em engenhos explosivos, Lee Rodrigues, foi visto perto do avião no dia do atentado.
Freitas afiança que mandou o telegrama para a Polícia Judiciária mas que, quando consultou o processo anos mais tarde, não havia rasto dele.

Sarkozy slams claims ex-Libyan leader Kadhafi funded 2007 electoral campaign

    
President Nicolas Sarkozy meets Libyan leader Moamer Kadhafi in Paris
Reuters

By RFI
French President Nicolas Sarkozy has described as "grotesque" accusations in a document published by a left-wing investigative French website that his 2007 presidential campaign allegedly received funds from deposed Libyan strongman Moamer Kadhafi.

"If he had financed it, I wasn't very grateful," Sarkozy said sarcastically, in an apparent reference to the active role that France played in the Nato campaign that led to the strongman's ouster.
On Monday the Mediapart site, a respected source seen as opposed to Sarkozy's right-wing government, published the report which is based on testimony by a former doctor of a French arms dealer who is alleged to have arranged the campaign donation of up to 50 million euros.
The report has revived long-running allegations that French political camps have benefited financially from kickbacks on arms deals with foreign regimes.
THE BATTLE FOR LIBYA
It was written by private operative Jean-Charles Brisard - a French arms dealer who is already under investigation and who allegedly arranged the campaign donation with Saif.
In his report he alleges "the modalities of the financing of the campaign" of "NS" were "settled during the visit to Libya of NS + BH" on October 6, 2005.
The initials 'NS' are alleged to refer to Sarkozy, while 'BH' to Brice Hortefeux, the former interior minister and longtime Sarkozy ally who is currently a close adviser to the French leader's current re-election bid.
Kadhafi's son and heir apparent Saif al-Islam last year claimed that Libya financed Sarkozy's campaign, after Paris abandoned its improving ties with Libya and threw its weight behind the rebellion that eventually deposed and killed the dictator.
"Sarkozy must first give back the money he took from Libya to finance his electoral campaign. We funded it and we have all the details and are ready to reveal everything," Saif told the Euronews network.
When asked about Saif's comments during an interview on one of France’s main TV channels on Monday evening, Sarkozy replied: "It's grotesque and I am sorry that I am being interrogated about declarations of Kadhafi or his son on an important channel like TF1.
tags: Brice Hortefeux - France - Libya - Moamer Kadhafi - Nicolas Sarkozy - Presidential election

French spy killed Kadhafi on Sarkozy's orders, papers claim

    
Nicolas Sarkozy with Moamer Kadhafi when he visited Paris in 2007
AP/Francois Mori

By RFI
French secret services organised the capture of former Libyan ruler Moamer Kadhafi and may have killed him on then-president Nicolas Sarkozy’s orders, British and Italian papers claimed Sunday. And Kadhafi was located thanks to information provided by Syria’s President Bashar al-Assad, reports say.

Sarkozy wanted Kadhafi dead after the Libyan leader publicly threatened to publish proof of his claim to have secretly financed Sarkozy’s 2007 presidential election campaign, Britain’s Daily Mail and Daily Telegraph claim.
Kadhafi was found hiding in a pipe near Sirte by rebel fighters on 20 October last year. He was beaten by his captors and killed, as recorded on gruesome mobile phone footage that was broadcast round the world.
Whether Sarkozy played a personal role, I think that’s very possible. When intelligence is sensitive, it may have gone straight to his desk ... What is less plausible and more questionable are some of the allegations concerning Sarkozy’s motives for doing so.
Shashank Joshi, Royal United Services Institute

Now the Mail claims that a French spy infiltrated the group and shot the deposed strongman in the head.
And the Telegraph says that French spies operating in Sirte were able to lead the rebels to him because Assad had given them his telephone number in exchange for France easing pressure on his regime.
As Kadhafi’s forces lost Tripoli, Western attention turned to the violent repression of protests in Syria.
But, although Sarkozy had proposed humanitarian zones and intervention, Assad persuaded France to ease off in return for Kadhafi’s Iridium satellite phone number, according to Rami el Obeidi, the former head of foreign intelligence for the rebels.
The French pinpointed Kadhafi after he phoned one of his supporters, Yusuf Shakir, and Palestinian left-wing leader Ahmed Jibril in Syria. They then directed militia fighters to a point where they could ambush Kadhafi, he said.
The ambush was “an exclusive French operation”, although Turkish and British military intelligence in Sirte were informed, Obeidi said.
THE BATTLE FOR LIBYA

"I think it’s plausible that that intelligence was supplied by the Assad regime, as is alleged," comments Shashank Joshi, a research fellow at the Royal United Services Institute in London. "And I think there would be reason for Assad to give that concession in order to protect himself."
Also this weekend, Mahmoud Jibril, who was interim prime minister after Kadhafi’s fall, told Egyptian television that Kadhafi was killed by “a foreign agent who mixed with the revolutionary brigades”.
And Western diplomats told Italy’s Corriere della Sera that the killer was “almost certainly French” and that “Sarkozy had every reason to want to get rid of the colonel as quickly as possible”.
“The view is supported by information gathered by investigators in Benghazi, Libya's second city and the place where the 'Arab Spring' revolution against Gaddafi started in early 2011,” comments the Daily Mail.
The French foreign ministry has refused to confirm or deny the claims.
Ben Omran Shaaban, a 22-year-old rebel fighter who was among the group who attacked Kadhafi and frequently brandished the gun said to have killed him, died in a Paris hospital on Monday.
He was reported to have been beaten up and shot by Kadhafi supporters and have been flown to France for treatment.

tags: Arab Spring - Bashar al-Assad - Death - Gaddafi - Killing - Libya - Moamer Kadhafi - Nicolas Sarkozy - Syria