O sistema de defesa americo é constituido por 3 elementos:
1. Sistema de aviso prévio, com capacidade de detectar a ameaça a 5 mil km, que se localiza no Qatar;
2. Sistema que fornece as coordenadas da ameaça, bem como a sua trajectória. Este sistema fornece toda a informação para um ataque preciso e isento de qualquer erro. O sistema localiza-se nos Emirados Árabes Unidos;
3. O hardware propriamente dito, que é a parte fìsica dos equipamentos de ataque. Esta componente depende das duas iniciais. Se aquelas não funcionam, tudo deixa de ser operacional.
O que o Irão fez?
Com apoio de aliados, China e Rússia, estudou o sistema com recurso a uma técnica de espionagem denominada "engenharia reversa". Em termos simples, a engenharia reversa consiste em pegar num objecto, sistema ou mecanismo totalmente funcional, estudar toda a sua cadeia atraves de técnicas de desconstrução para se compreender o seu funcionamento. A China usou esta tècnica para replicar produtos de vários países. Alias, o Irão usou esta técnica para estudar o armamento de ponta que os americanos forneciam à Ucránia e que entretanto foi apreendido pelos russos e enviado para o Irão.
Abrindo parenteses, uma das razões pelas quais o Irão deve ser eliminado, na perspectiva americana, é justamente o enfraquecimento dos apoios à Rússia na guerra com a Ucrância. E é este elemento que a Ucrânia entrou na equação da guerra do Irão: conhece minimamente os equipamentos de guerra iranianos.
Voltando à questão do que o Irão fez, e explicando a facilidade com que os alvos americanos foram atingos ontem na Arábia Saudita, basicamente este país começou por atacar sequencialmente o sistema:
1. Inutilizou o sistema de aviso prévia, impossibilitando a detecção de misseis iranianos;
2. Destruiu, de seguida, a capacidade de controlar a trajectória dos misseis e as suas coordenadas em tempo real; e
3. Destruiu os equipamentos de ataque propriamente ditos.
Os equipamentos destruidos, para alem de custar biliões de doʻlares, levam anos a serem desenvolvidos.
Quais são as consequências disto tudo?
1. A guerra tecnológica, na dimensão defensiva foi seriamente comprometida;
2. Há necessidade de se recorrer à guerra convencional, tal como a conhecemos TRADICIONALMENTE. Isto equivale a dizer que é preciso enviar-se tropas para o Irão. Não é por acaso que se fala de 2000, 10 000 ou 5000 homens. A verdade é que, fora da "guerra tecnológica" os americanos não conhecem outra forma de fazer a guerra: no Iraque perderam quase 5 mil homens e os feridos estiveram na casa dos 35 mil.
O que se pode prever para os próximos dias?
1. Agora, como cenário 1, a via negocial ganha peso, pois os riscos e os danos são enormes para os EUA. O Irão já perdeu as suas lideranças, não tem muito a perder;
2. Como cenário 2, os americanos vão usar tudo que têm. Agora é preciso salvar a cara e o estatuto de superpoténcia. É preciso evitar-se um novo Vietname ou uma nova Somália.
3. A China, sem grandes esforços, percebeu as fragilidades americanas. E se decidir atacar e ocupar o Taiwan, estarão os americanos preparados para apoiar?
O Taiwan é o maior produtor de semi-condutores usados na indústria armamentista, espacial e tecnológico de uma forma geral. Quem controlar o Taiwan ganha uma vantagem estratégica em todas as grandes áreas da actualidade tecnológica.
4. O mito da invencibilidade tecnológica americana pode cair por terra. Se isso suceder, os país do Golfo Persico e do Médio Oriente podem questionar a relevância da aliança com os EUA. Isto pode ter implicações no sistema de "petro-dólares" que é usado para manter a preponderância (artificial) da decadente economia americana. Por outras palavras, o desfecho desta guerra pode marcar o inicio da decadência americana: hoje por hoje, a aliança atlântica está de rastos e numa crise sem precedentes.
E com Israel, o que acontece?
Se os americanos perderem a sua preponderância, Israel corre perigo existêncial. Sem os ilimitados recurosos americanos, Israel não se poderá defender.
E nós, África, o que fazemos?
Olhemos para as nossas crises internas e nada mais.
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