quinta-feira, 1 de novembro de 2012

aniversário do nascimento de Samora Machel, 1º Presidente de Moçambique independente

(29 de Setembro)

Nacionmoc_capa Da biografia feita em “Nacionalistas de Moçambique” de Sebastião Mabote, transcrevo os parágrafos abaixo, onde Samora Machel é destaque, fazendo pensar no que, na realidade se estaria a passar no seio da FRELIMO, nos dias que antecederam a sua morte. E também na morte anos mais tarde, por afogamento no Bilene, de Sebastião Mabote.
Transcrição:
… … … …
Coronel-General das Forças Armadas de Moçambique, Sebastião Mabote será, no novo país, membro do Bureau Político da FRELIMO, Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas e vice--ministro da Defesa.
Mabote e outros comandantes tinham conduzido admiravelmente a guerra de guerrilhas, obtendo assinaláveis êxitos. Mas, agora, os dirigentes da FRELIMO, parafraseando a escritora Doris Lessing nas suas memórias do Zimbabwé, «tinham de governar um país moderno, num mundo moderno. E isso era outra coisa».
Não bastava trazer algumas ideias de justiça para opor à injustiça do colonialismo. E também não bastava generalizar ao país, como política alternativa à colonial, «a experiência fecunda da organização da vida nas zonas libertadas», isto é, aplicar as condições de uma estrutura guerrilheira e de uma economia primitiva à organização, construção e consolidação de um país moderno.
Os teóricos da revolução davam indicações no sentido de cuidar «como das meninas dos olhos de cada especialista que trabalhe conscientemente, com conhecimento do seu trabalho e amor por ele».
Contudo, Samora Machel achava que o país não tinha «essa necessidade absoluta dos técnicos e quadros administrativos», sublinhando não ter medo de, «numa primeira fase, tornar o aparelho de Estado menos eficaz». E quando o temor não era suficiente para levar ao abandono do país, aí estavam diplomas como a famigerada Lei 24/20 a impô-lo: tinham, então, 24 horas para deixar Moçambique, com 20 quilos de peso. Só que, como ao aparelho de Estado pertencia a quase totalidade dos professores, assim como a maioria esmagadora dos médicos, engenheiros e técnicos qualificados, não era só o Estado, mas toda a economia que se tornava menos eficaz. Referindo-se a uma experiência similar em Angola, onde cumpriu duas missões de serviço, o general soviético Valentim Varennikov sublinhou os enormes problemas criados pelo facto de terem sido «expulsos impensadamente todos os portugueses, que constituíam a principal força na economia, na direcção dos serviços municipais e na organização da gestão do país...».
A este propósito, o coronel Ernesto Melo Antunes, um dos representantes do Estado português nas negociações que levaram ao Acordo de Lusaka com a FRELIMO, reconheceu:
«E claro que a descolonização teve consequências negativas em muitos aspectos, o principal foi a retirada precipitada de centenas de milhares de pessoas, sobretudo de Angola e Moçambique [...],deixando esses países numa situação calamitosa de falta de quadros. Penso que o que vou dizer não será particularmente popular em certos meios progressistas das antigas colónias. Mas, neste caso, penso que a principal responsabilidade coube aos movimentos de libertação. Porque, contrariamente à terra e ao espírito dos acordos, gerou-se um clima de total repúdio da permanência dos portugueses, um clima muitas vezes de perseguição, de insegurança de tal modo intolerável, que culminou num pânico generalizado.»
O novo poder é, com frequência, exercido sem equilíbrio, manifestando-se quer como exercício de puro formalismo quer com desmesurada arrogância e brutalidade. E foram-se acumulando os erros de gestão.
Um deles terá sido a chamada «Operação Produção». «Os improdutivos [isto é, aqueles que não apresentassem o bilhete de identidade, o cartão de residente e o cartão de trabalho] eram agarrados e deportados das cidades, em geral de avião, para o Niassa.» A imprensa da época noticiou casos isolados de abusos: a exigência de documentos que a lei não previa, como a certidão de casamento; a detenção de adolescentes, de idosos, de grávidas ou de mães solteiras acusadas de prostituição. No entanto, como já se sublinhou, «o problema não era os abusos isolados, era todo o conceito em si, do princípio ao fim. Esse, sim, era um enorme abuso do poder».
Outro dos erros, porventura ainda mais grave, foi a experiência das aldeias comunais, inspirada nas comunas rurais chinesas. «O marxismo primário e mimético da elite dirigente assimilara o camponês ao obscurantismo, ao arcaísmo, ao primitivismo. Quando os camponeses manifestavam a sua inquietação e repúdio soavam as palavras de ordem (Abaixo o lobolo! Abaixo a poligamia! Abaixo os curandeiros! Abaixo os régulos!) e as acusações (tribalismo, regionalismo, reacção, fascismo, inimigos do povo).» De modo que «as aldeias comunais adquiriram o perfil de campos de reeducação, impostos por decreto ou por violência paramilitar, sob a orientação burocrática de um Estado todo-poderoso e sob palavras de ordem copiadas de uma qualquer revolução (soviética, chinesa ou cubana).
A aliança operário-camponesa eram palavras ocas. O resultado foi a crise económica, social e política. O processo de socialização rural, pela sua extensão e gravidade, atingiu os contornos de calamidade económica e social».
Os camponeses acabam por engrossar, em muitas regiões, as fileiras da contra-revolução. E a população urbana manifesta em surdina o seu descontentamento.
Obrigados a combater numa guerra civil contra aqueles mesmos camponeses a quem tinham estado ligados e por quem, afinal, tinham lutado, reduz-se o moral das forças armadas e uma «maré de desleixo e corrupção» atinge oficiais superiores. Por outro, ao descontentamento da população urbana vai contrapor-se uma violência desmesurada, uma «carga de horrores» contra pessoas inocentes por parte das forças policiais e de segurança.
Aos problemas internos juntavam-se os externos, suscitados pelo Acordo de Nkomati com a África do Sul. Escreveu um conhecido jornalista moçambicano: «Nunca como nesses dias Samora esteve tão isolado [...] Muitos Chefes de Estado que o admiravam, mesmo na linha da Frente, hesitaram. Outros chegaram ao ponto de repetir acriticamente a interpretação que Pretória dava ao Acordo. Outros ainda, cometeram a injustiça imperdoável de pensar que Samora abandonara a luta contra o "apartheid".»
As dificuldades internas e externas são agravadas pela guerra civil.
Surgem problemas no seio do poder político e militar, acompanhados por periódicos rumores de golpe de Estado. O Presidente da República e da FRELIMO está cada vez mais isolado. O falecido Fernando Ganhão, antigo reitor da Universidade Eduardo Mondlane, retratou assim o clima político-militar e o estado de espírito do seu amigo Samora Moisés Machel:
«[...] Os seus homens, os seus comandantes, não revelavam mais as capacidades e a dedicação desprendida que tinham feito deles heróis da luta de libertação. A crueldade das acções do inimigo, os massacres, as famílias divididas e deslocadas, os refugiados dos países vizinhos, tudo avolumava a amargura que nos últimos anos de vida dele se apoderara. A incapacidade de defender as populações dos ataques bárbaros daqueles que ele assim considerava, a impossibilidade de vencer a guerra, de lutar contra os vizinhos inimigos e contra a incompreensão dos vizinhos amigos, o gradual desencanto com muitos dos seus mais íntimos colaboradores, as suspeitas de traição e o sentimento duma imensa solidão, tal era o Samora dos seus últimos dias. Aqueles que o conheciam bem, notavam a progressiva degradação da personalidade do seu chefe. Longe os dias eufóricos da guerra contra o tabaqueiro da Rodésia, longe os comícios dos dias de Sol e as paradas militares com as medalhas e os atavios chocando e brilhando e os sons das bandas tocando triunfais marchas militares. Longe os dias em que, no mundo, ser moçambicano era uma forma de orgulho e o respeito cercava a actividade do governo. [...] Bebia muito nos últimos meses, perdera a serenidade, exaltava-se sem propósito, levantava a voz, prendia-se a detalhes mesquinhos e tanto mais. [...] A permanência no poder e o isolamento vão-no gradualmente afastando de quase todos os seus fiéis companheiros».
Outros testemunhos confirmam os problemas e o isolamento do Presidente. Luís Bernardo Honwana, escritor, jornalista e membro do governo, afirma que «para o fim da vida, Samora tomava as decisões sozinho». E José Luís Cabaço, antigo ministro e dirigente da FRELIMO, declara: «Era evidente que Samora estava em crise em 1986. Isto conduziu a um comportamento cada vez mais autoritário e a cada vez mais decisões tomadas só por ele».
São substituídos ministros responsáveis pelas forças policiais e pelos serviços de segurança. E mais tarde verificam-se mexidas na cúpula militar, que atingem directamente Sebastião Mabote.
Em 17 de Outubro de 1986, três dias antes do desastre que o vitimaria, o Presidente da República Popular de Moçambique, Samora Moisés Machel, conclui «a remodelação de quase todo o Estado--Maior General das Forças Armadas de Moçambique, designando Armando Panguene para Chefe do Estado-Maior General».
Mabote é, pois, afastado. E vai estudar para Cuba, onde obtém uma Licenciatura em Ciências Militares.
Regressa a Moçambique em 1990. Contudo, apesar das competências acrescidas que adquiriu, não é reintegrado nas Forças Armadas.
Pior do que isso. Em Junho de 1991, Mabote é detido, sob a acusação de tentativa de golpe de Estado, o que afirma ser falso, acusando alguns generais de estarem na origem da trama.
Em Setembro de 1992, o Supremo Tribunal conclui que as acusações não têm fundamento. E um mês antes do acordo de paz celebrado com a RENAMO, Mabote é libertado. Passara, entretanto, 14 meses na prisão.
Eleito em 1994 deputado da FRELIMO, será reeleito em 1999. E também o Chefe do Departamento de Defesa da FRELIMO.
No dia 27 de Janeiro de 2001, morre afogado nas tranquilas águas da praia do Bilene, onde se encontrava de férias.
Sebastião Marcos Mabote foi sepultado no Panteão dos Heróis, na cidade de Maputo, ao lado de Eduardo Mondlane, o fundador da FRELIMO, e de Samora Machel, o primeiro Presidente do país.
Segundo o então Presidente da República, Joaquim Chissano, «os soldados inimigos capturados foram por ele protegidos, os civis sempre respeitados. A sua bravura era lendária. A sua inteligência assegurou as vitórias do "Nó Górdio" e da travessia do Zambeze».
Ele foi, sem dúvida alguma, um dos grandes obreiros da independência de Moçambique.

Comments

1
infiltrado said...
Caro Licos, JJ e Nota Moisés.
Estou seguro que qualquer um de vós é mais democrata que eu.
Digo-o pelo que leio vindo de vós, ao longo de todo este tempo, talvez anos.
A minha "relutância" face ao que hoje se assume como "democracia", "liberdade de expressão" e mesmo a "liberdade" em si própria; resulta do facto de ter que aceitar que, como dizia Salazar(aquele ingénuo autocrata a quem chamavam ditador...);..."a liberdade dita de forma abstracta deixa espaço para a libertinagem". Desse modo atribuiu determinadas "liberdades".
Tudo isto para vos dizer que a liberdade de expressão, deveria dar lugar, a meu ver, a "liberdades de expressão", onde o insulto aos vivos e aos injusta e/ou criminosamente mortos não fossem contempladas.
...é que já "fede" de fedor mesmo, os bocejos dos Viriatos, dos Santos Júnior.
São estes restos de qualquer coisa que defendem tudo o que não presta,...abraçam a causa "samorista" e/ou "mugabista"( em minúsculas pois já assim são caras...),...mas estes restos não vivem lá, não trabalham lá, não investem lá(porque inúteis são para tal monta,...)!!
...já diz o ditado,....pimenta no c. dos outros,....
2
JJLABORET said...
Caro Licos Ivar.
Sinta-se desagravado, por que nós, que temos também argumentações sólidas, estamos com você.
Esse tal josé dos santos júnior é sem dúvida um pobre de espírito que não merece ser levado em consideração pelo que diz.
Isso serve para que essa figura não se venha a dizer que aqui não se pratica a democracia e liberdade de opinião.
Lamentamos apenas que esse indivíduo não faça uso do espaço dado para emitir sua opinião, consoante ou contrária, trocando a argumentação válida pelo insulto gratuito, como o fez.
Ignore-o, simplesmente!
Abraço.
3
Francisco Moises said...
"esse bicho chamado Lico Ivar serßa que pensa mesmo ?Gafanhoto."
Posted by: josé dos santos junior | 29/09/2010 at 19:56
Nao sei como começar a falar desta nota que nao é na verdade nenhum comentario ao comentario bem apresentado, bem analisado e bem consequente de Licos Ivar. José dos santos junior parece pensar que ganha alguma coisa em tentar desvalorisar um pensador que tem deixado a sua marca e granjeado o respeito dos leitores aqui no Moçambique para todos pelo seu espirito altamente humanista e corajosamente moçambicano com um ideal de boa vontade para o seu povo que ele gostaria de ver respeitado depois de longamente ter sido oprimido e abusado pela Frelimo e pelos colonialistas portugueses previamente.
Se "a democracia é ouvirmos aquilo que nao queremos ouvir ou nao gostamos de ouvir" segundo uma certa definiçao americana da palavra democracia, José dos santos junior, parece realmente ter combatido o espirito de democracia que muitos vivem no Moçambique para todos e que nao se encontra algures na imprensa em Moçambique.
Portanto, utilisar palavras tais como "bicho" e "gafanhoto" e nao apresentar nenhuma argumentaçao para apoiar o seu uso de palavras desvalorisantes contra Licos Ivar demonstra um espirito de ditadura totalira e de intimidaçao contra alguem que nos apresenta factos que irritam José dos santos junior e o torna tonto. O espirito do senhor José dos santos junior é na verdade frelimista, embora nao esteja acusa-lo de ser frelimista.
Ora vejamos: onde esta o erro do Licos Ivar quando condena Samora Machel com tendo sido um assassino? O que o regime de Machel veio a fazer em Moçambique ja tinha começado durante a guerra depois dele ter arrancado o poder do comandante Filipe Samuel Magaia que ele mandou matar com o apoio de Eduardo Mondlane e outros malandrecos na liderança da Frelimo, para alem deste ditador sanguinario tambem se apoderar da namorada do Magaia, a Josina Mutemba, depois conhecida como Josina Machel. Dos Santos junior nao nos diz onde o erro de Licos Ivar esta quando ele compara Samora Machel e a sua Frelimo com Pol Pot e os seus Khmer rouges de Camboja -- uma comparaçao que eu ja tinha feito por escrito em ingles nos anos de 1970 e fiz circular pelo mundo fora.
Quanto a morte de Samora Machel, foi ela uma coisa a nos entristecer em Moçambique? Talvez agumas pessoas ficaram entristecidas, mas nao a maoria do povo que nao tinha nada a se lamentar sobre a sua morte. Porque nao? Licos Ivar ja explicou clara, lucida e inteligentemente. Porque chorar a morte dum homem que nos trouxe tanta dor, tanta tristeza e tanto luto em tantos lares.
Quando Samora Machel morreu, eu estive algures na Zambezia a gozar as minhas ferias em companhia dos combatentes da Renamo e do povo nas zonas libertadas que me dava tudo: comida e lugar nas suas palhotas para eu dormir e descançar, agua para tomar banho.
Quando regressei a Malawi, foi em Nsanje, no sul daquele pais, onde ouvi que o aviao de Samora Machel se tinha despenhado e que o homem tinha morrido com muitos dos seus colegas. A minha reaçao foi a de escrever no meu caderno de observaçoes: "A rat dead (um rato morto)", imitando assim o que o Sir Winston Churchill, primeiro ministro britanico, dissera depois de ser informado pela BBC quase no fim da Segunda Guerra mondial que o rei da Romania tinha morrido.
Winston Churchill, caracteristico com um charuto na boca, disse: "another rat dead (um outro rato morto)". Nao celebrei a morte deste "rato" de Moçambique como o fizeram refugiados moçambicanos nos campos de refugiados na Africa do Sul, na Suazilandia,no Zimbabwe, na Zambia e na Tanzania.
Com o seu espirito altamente humanista, Licos Ivar desejou que nao se voltasse a termos um outro ditador como Samora Machel. Bem dito. Mas tenho que acrescentar que o Guebuza é um maoista da péssima espécie. Foi somente depois do Machel estar sobre pressao internacional sobre a questao de direitos humanos, em parte, em virtude da minha acçao no exterior que Samora Machel nos principios dos anos 1980, numa reuniao em Maputo, alinhou Guebuza e Mariano Matsinhe e acusou os de estarem a prender pessoas e deixa-las apodrecer nas prisoes.
Como é que estes dois homens podiam estar a fazer o que faziam sem a culpa de Machel? Ele era o chefe e nao podia nos dizer que ele nao tinha culpa. Estes dois criminosos faziam aquilo que o regime dele tinha admitido fazer.
Licos Ivar apresentou os seus factos e dos Santos nao argumentou contra nenhum destes factos. So lançou palavras desvalorisantes contra Ivar com intuito de o humilhar e de desencoraja-lo a exprimir as suas ideias.
Ao Ivar digo: voce nao esta desvalorisado. E o proprio Dos santos junior é que se desvalorisa com os abusos que lançou contra si visto que as suas palavras demonstram o baixo nivel da sua capacidade cogitativa. Nao se sinta desencorajado. Estamos juntos. Que dos Santos Junior nos chame o que quer. Nada altera em nos. Nos nao replicaremos com insultos. Nos o ignoraremos e continuaremos apresentar a historia do holocausto, ou seja, do genocidio da Frelimo de Samora Machel.
Que Dos santos junior aprenda de Voltaire se quizer que disse a Jean-Jacques Rousseau, outro filosofo frances com quem Voltaire andava em contratempos,quando disse: "embora nao goste daquilo qu dizes, lutarei até a morte para que voce tenha o direito de dize-lo." Se dos santos poder tirar uma liçao das palavras de Voltaire, que a ire e ele contribuira para a construçao da liberdade em Moçambique que esta agora ameaçada sob o reinado de Armando Guebuza.
4
JJLABORET said...
Os grandes homens não são medidos pelos assassinatos que lhes pesam. Não devia ser assim!
Os grandes homens são medidos pela capacidade de resolver conflitos ideológicos pela paz e com a paz. Os grandes homens choram e se martirizam com o som dos canhões e das armas sobre sua gente!
Caro Viriato, peço vênia,
Existem várias formas de avaliar-se a grandeza de um homem. Porém deve-se ter um parâmetro para essa avaliação
Mohandas Karamchand Gandhi, o "Mahatma" ou mesmo o Nelson Mandela poderiam ser os parâmetros da grandeza, por um lado de um prisma histórico.
Coloque-se-lhes na frente o seu "grande homem" Samora Machel, e terá visto que este simplesmente "sumiu", numa escala de zero a dez.
Átila, Rei dos Hunos, foi um idealista que viu mais no seu povo do que nele próprio. Ao passo que a felicidade dos hunos residia na pilhagem, nos incêndios, nos massacres étnicos, no genocídio. Foi o último "GRANDE" rei daquele povo errante.
Seria assim também um parâmetro da grandeza por um dos lados desse prisma histórico, por que se não o fosse, não teria subsistido na história até os dias de hoje.
EXISTEM OS GRANDES PELA ALMA e pela paz, E OS GRANDES PELAS ARMAS e pelo ódio e vingança.
Acredito que
Vossa Senhoria, ilustre Viriato, tenha mais para si o parâmetro que um prisma histórico delineia para o grande rei dos hunos, como forma de avaliar como "grande" ao Samora Machel.
E não terá sido incoerência, visto que também idênticamente avalia como "grande" ao Robert Gabriel Mugabe, do Zimbabwe.
E não se pode dizer que, assim como Átila, também não tenham visto mais no seu povo do que em sí próprios.
Só que para mim, o prisma me mostra um lado onde a grandeza se apresenta diferente do que você vê de outro lado.
E o que vejo desse prisma, é um Samora Machel assassino frio, desprovido de honra e moral religiosa, subréptil, manhoso, covarde, vingativo, TIRANO, mesmo tendo amado o seu povo com um amor NOCIVO por ser dominador, possessivo, escravizante.
Com meus respeitos!

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josé dos santos junior said...
esse bicho chamado Lico Ivar serßa que pensa mesmo ?Gafanhoto.
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Onamuly said...
Meu irmao ,nao fica inervo-nos todos temos essa esperaanza de que um dos nossos menbros que estao, um dia possivel expliquen nos-quando for² caso nao nunca.Mas uma coisa nao foi nada mal a Liberdade do Povo Mzambicano,quen sabia quem estava contra? Onde estao os que forao destimunharao a malidade do Machel que fez,porque nao falao? Teem medo de que? Somos, e estamos na Demogracia.Quem fala do Zimbabwe hoje?
Nenhum bom para o nosso Pressente,nao sento voce proprio:Mas saiba aproveitar.Respeitosamente,vi o Machel no Distrido de Ribaue onde ele apos do Aerotromo alecrou o Povo no Distrido,e para os Estudantes da Escola Segundaria Bacamoio,que junto estive tanbem pressente.
Que 86 na Cumunicazao do Cidente estive na Bousada dos Caminhos de ferro de Mozambique Maputo.Aviage que ele nos Ultimos dias,bom resultado para mozambique com o seu Povo.
Obrigado:Kanimambo.
ONAMULY
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licos ivar said...
EM relação ao Aniversario de Samora Machel
....Caros Moçambicanos e leitores:
É importante que sejamos realistas e menos pragmatistas.Vejamos os factos e procuremos de esquecer as percepções.OS factos dizem que quando Samora Machel era Presidente de Moçambique,muitos moçmbicanos foram fuzilados.Os factos dizem,que não queria que Moçambique tivesse um sistema de multipartidismo- só a Frelimo deveria ser o Partido Unico.Os factos dizem que na altura de Samora não havia a liberdade de expressão...e se um moçmbicano tivesse a coragem de dizer que não gostava como ele ( Samora) dirigia o País o tal individuo seria preso ou provavelmente morto. Os factos dizem que quando Samora era Presidente a SNASP cometeu os piores crimes.Os factos dizem que quando Samora era Presidente era necessário fazer uma fila (bicha)para comprar leite ou arroz ( se houvesse). Os factos dizem que quando Samora era Presidente,nenhum moçambicano deveria viajar duma provincia à outra sem a guia de marcha. Na altura eramos 12 ou 14 millhoes de habitanttes...os factos dizem que todos nós teriamos que pensar como a Freimo pensava, caso contrario eramos inimigos do povo. Na altura as prisoes estavam cheias de individuos acusados de serem inimigos do povo. Samora liderava um grupo de individuos que cometeu crimes contra a humanidade...Um grupo identico ao de Khmer Rouge em Cambodja.Um grupo identico ao de PoL Pot. Mas os sentimentalistas dirão: Ah! mas Samora não sabia o que a SNASP e outras instituiçoes do estado faziam !!! A Esses sentimentalistas eu perguntaria: Será possivel????!!!!...Hoje,no aniversário dele posso dizer que não concordo como o País está a ser dirigido e não vou preso.Hoje, no aniversario dele posso dizer que não concordo com o Presidente (Guebuza)e não vou preso.Posso dizer tudo isto porque ele não está mais connosco.Não gosto de desejar à morte a ninguem mas a morte de Samora foi o melhor presente que o Povo Moçambicano ofereceu a Frelimo...Nunca deveriamos ter tido um lider como Samora neste País e rezo a Deus que nunca e nunca ( never and never)um dia tenhamos um outro Samora.
Ps. mas alguem tem o numero exacto dos moçambicanos fuzilados, mortos durante o periodo em que Samora dirigiu este nosso Moçambique??...parece que não! A Frelimo deve (deveria) saber! Que nos diga por favor!
Licos Ivar
8
V. Dias said...
Foi um grande homem.
Tem o meu respeito
Zicomo

“Mia Couto em combate”

 

“Mia Couto em combate”
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– Por Schneider Carpeggiani –
Meu primeiro – e único – encontro com Mia Couto aconteceu numa sala minúscula, totalmente despida de qualquer exagero: apenas duas cadeiras, uma mesa e, se não me engano, uma garrafa de água mineral. Ele vestia uma camisa polo branca e parecia, ainda mais, o médico que um dia fora. Isso foi há 8 ou 7 anos, durante um evento literário em Fortaleza. Depois de passar quase três dias perseguindo assessores em busca de uma entrevista com o escritor, consegui 10 minutos no cubículo que o quatro estrelas cearense apelidava de sala de imprensa.
Eu preciso começar falando da “nudez” excessiva dessa sala, porque Mia Couto para mim sempre havia sido riqueza de linguagem, profusão de elementos em contrastes e uma prosa tão rica em seus labirintos que, por pouco, não nos tirava o ar por completo. Nunca o imaginara tendo apenas como pano de fundo uma parede bege e um litro de água mineral. O enorme contraste entre o que estava à minha frente e o que havia lido era quase uma obra de ficção por si só. Naquele momento estava ainda sob o efeito da leitura de Terra sonâmbula, sua obra em potência, o livro em plena ruína, o livro-sonho, o livro-desespero, o livro-pesadelo desperto sobre o horror moçambicano perante uma guerra que, de certa forma, preencheu parte da sua identidade.
Terra sonâmbula é uma declaração sobre perdas, danos e (novas) caminhadas e também uma boa síntese do que entendemos por literatura: a linguagem como elemento de entendimento e apreensão da vida. O escritor precisa encontrar sua linguagem; o escritor de uma Nação em ruínas precisa assassinar a linguagem antes de começar algum admirável novo mundo. Terra sonâmbula não é pacífico: suas palavras estão em guerrilha.
“Mas guerrilha seria a função do escritor africano, após décadas de guerra marcando a história recente do continente?” – Foi mais ou menos assim minha primeira pergunta para Mia Couto, primeira pergunta e também um primeiro engano movido pelas generalizações típicas do jornalismo. “Não gosto da expressão ‘escritor africano’. Não existe uma África apenas, existem várias, vários países, várias culturas… Meu continente está criando ainda uma identidade, são nações recentes. Como escritor moçambicano, e esse é o lugar de onde posso falar, minha função é também escrever a história do meu país”, respondeu, demarcando a função da sua escrita.
Naqueles 10 minutos e naquele cubículo bege, Mia Couto elaborou melhor lição sobre o que implica essa gasta contradição ambulante que é a expressão “realismo mágico”. Ele se sentiria próximo do universo mítico criado por nomes como o colombiano Gabriel García Márquez? “Mágico não é uma palavra de literatura para mim; mas é a forma como o meu povo muitas vezes vê a realidade ao seu redor. O sobrenatural faz parte do nosso cotidiano, não é estranho”.
O sobrenatural como parte do dia a dia – Essa sua perspectiva nos faz entender o porquê da linguagem de Terra sonâmbula, apesar dos neologismos e do forte teor poético para nomear cada coisa, nos assombrar pouco (nos maravilhar seria o termo mais adequado aqui). Aquela história não podia ser contada de outra forma. O caos só é compreendido a partir dos seus elementos próprios. O genocídio típico de uma guerra é sobrenatural para quem está no campo de batalha, seja em combate ou em fuga. Todos estão igualmente expatriados. São refugiados da vida, vivem em condição sobrenatural sobre um solo (pátrio) que não consegue se definir. A batalha, seja lá qual for, é um realismo mágico por excelência.
Mia Couto chega à Fliporto 2012 num momento especial: seu último livro lançado no Brasil, os contos de Estórias abensonhadas (Companhia das Letras) é uma espécie de continuação fragmentária (e não poderia ser de outra forma) de Terra sonâmbula. Seus textos são o “depois”, a etapa de reconstrução após 16 anos de uma guerra civil que só teve fim em 1992, com a assinatura de um acordo de paz. Mas a palavra “fim” aqui merece aspas, porque nenhuma reconstrução é pacífica. Não há reconstrução sem algum trauma em perspectiva. O escritor define essa obra como um apanhado de textos que querem se “fingir de verdade”. Ele sabe que a literatura, assim como a vida, é encenação.
Continuamente encenamos uma necessidade de prosseguir, apesar da força destrutiva que nos fez ir até àquele ponto, como se essa força não existisse mais, como se houvesse sido extinta por um acordo de paz burocrático, pela “mágica” de um acordo de paz burocrático. Mas é justamente por conta de um “apesar” que prosseguimos. Encenamos a paz, porque reconstruir é uma estratégia de guerrilha. A paz é a ficção por excelência.
Cada palavra em cada um dos textos de Estórias abensonhadas é inserida para encenar uma etapa de reconstrução, negando o passado, mas dependendo dele como uma muleta, a “terceira perna” de que nos fala Clarice Lispector em A paixão segundo G.H., que nos mantém em pé, mas nos aprisiona. Lembro em particular de uma frase do conto “O cachimbo de Felizbento”, espécie de síntese “teórica” do que Mia Couto procura em sua literatura: “Toda a verdade aspira ser estória. Os factos sonham ser palavra, perfumes fugindo do mundo. Se verá neste caso que só na mentira do encantamento a verdade se casa à estória. O que aqui vou relatar se passou em terra sossegada, dessa que recebe mais domingos que dias de semana”. É nessa terra (artificialmente) sossegada que o escritor arma seu campo de batalha.
Leia um trecho de Estórias abensonhadas. Clique aqui!

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Poderiam mísseis sudaneses danificar reator nuclear israelense?

 



Boris Pavlischev, Vitali Padnaev
1.11.2012, 16:29
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israel dimona reator nuclear dimona israel sudão
EPA

A explosão na fábrica no Sudão recebeu uma inesperada e estranha continuação. O incêndio na fábrica de armamentos ocorreu na semana passada, na sequência de uma sabotagem ou um ataque aéreo.


Logo, em direção do reator nuclear israelense na cidade de Dimona, da Faixa de Gaza foram lançados mísseis. Eles não alcançaram seu objetivo. Mas tal missão eles, muito provavelmente, nem tinham, acreditam analistas.
A fronteira sul da Faixa de Gaza está a uns meros 40 quilômetros de um reator em Israel. Portanto, foram usados mísseis do tipo Grad. Os próprios Qassam palestinos são capazes de superar apenas metade dessa distância. Ao mesmo tempo, o bombardeio foi de caráter exemplar, acredita o diretor do Centro de pesquisas sócio-políticas Vladimir Evseiev:
"O reator está bem protegido de mísseis por um sistema multinível e uma cúpula de ferro. Esse bombardeio não poderia ter causado qualquer dano, mas o próprio fato do ataque é uma demonstração. Talvez isto seja uma reação aos acontecimentos no Sudão. Pois Israel tem repetidamente atacado o Sudão, destruindo trens com armas que se destinávam para a Faixa de Gaza. O fato de que entre o Sudão e a Faixa de Gaza há uma certa ligação não levanta dúvidas."
Segundo dados citados pela imprensa israelense, a fábrica de armamentos ,em Cartum, produzia mísseis balísticos de um dos modelos Shahab, desenvolvido pelo Irã. Estava sendo criada lá uma reserva para Teerã em caso de guerra. Pouco depois da explosão da fábrica, supostamente, foram lá militares iranianos. Nesse caso, o lançamento de mísseis contra Dimona pode ser visto como uma vingança do Irã. No entanto, há uma contradição: o reator foi atacado a partir da Faixa de Gaza, que é controlada pelo movimento Hamas. Suas relações com o Irã não têm sido as melhores ultimamente. Hamas encontrou para si outro patrocinador, na pessoa do Emir do Catar, que recentemente visitou Gaza. Vladimir Ievseiev tem certeza de que o Hamas não está envolvido no incidente:
"Em Gaza há um número de organizações radicais que não são controlados pelo Hamas. Há o Jihad Islâmico, existem outras estruturas também. É bem evidente que esta ação não é benéfica para o Hamas. Especialmente depois da visita a Gaza do Emir do Catar. Atacar instalações nucleares israelenses não é está nos interesses nem do Catar, nem do Hamas."
Os “vingadores desconhecidos” que dispararam mísseis contra o reator poderiam ser qualquer grupo islâmico de Gaza. Os produtos da fábrica de armamentos no Sudão caiam nas mãos de uma variedade de forças na região, acredita o presidente do Instituto do Oriente Médio, Evgueni Satanovski:
"Sem dúvida, Israel decidiu destruir a fábrica. O contrabando de armas, inclusive através do Sudão para o Sinai e outros lugares da África – do Sahel, da África subsariana, do Saara, – existia. Especialmente tendo em conta que a liderança sudanesa tinha más relações com Muammar Kadhafi. Agora já não há mais Kadhafi, e os grupos islamâmicos podem facilmente se armar através das fábricas sudanesas."
Especialistas notam que a produção da fábrica sudanesa, era enviada, entre outros, aos aliados do Irã – o grupo libanês Hezbollah e o exército de Bashar al-Assad. Eles interessam ao Irã muito mais do que a Faixa de Gaza. Assim, um rastro direto de Irã nos eventos em torno de Dimona é pouco provável. No entanto, não se pode excluir a possibilidade de que um certo grupo de radicais com mísseis de Gaza utilizaram os eventos no Sudão para atrair a atenção de potenciais patrocinadores. Que tipo de radicais são esses, se tornará claro quando alguém morder sua isca e passar a visitar Gaza com frequência.

MiG-21, um avião eterno

 



1.11.2012, 13:18
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China, Aviação, Rússia, caça
© Flickr.com/AereiMilitari.org/cc-by-nc

A julgar pelas fotos publicadas na internet, a China produziu os primeiros caças J-7BGI para o Bangladesh ao abrigo do contrato assinado em 2010. Os caças chinese J-7BGI são a mais recente modificação do avião soviético MiG-21 que se tornou um dos símbolos da Guerra Fria.


O cumprimento do contrato com o Bangladesh significa que o caça, lançado em produção em série na União Soviética ainda em 1959, 53 anos depois nem pensa em deixar o palco. Nenhum avião de combate do mundo se pode gabar de tão longo prazo de produção em série.
A União Soviética começou a transferir para a China documentação técnica sobre o caça MiG-21-F-13 pouco antes da ruptura Sino-Soviética no início da década de 1960. Até o momento da cessação completa da cooperação em 1962, os chineses conseguiram obter algumas unidades do caça, um conjunto incompleto de documentação técnica e vários conjuntos para a montagem do avião na fábrica de aviões de Shenyang.
O estabelecimento da produção desse avião em condições de completa ruptura com a União Soviética necessitou um esforço considerável. Na sequência disso, as primeiras versões do J-7 apresentaram diferenças significativas em relação ao original soviético, perdendo em relação a ele em várias características. O J-7 chinês fez seu primeiro voo em 1966, posteriormente os trabalhos de construção do avão desaceleraram por causa da revolução cultural.
A produção sustentável do caça J-7 na China foi estabelecida apenas nos anos 1980. Naquele tempo, a China conseguiu obter acesso a tecnologias ocidentais, o que permitiu melhorar o projeto do avião e começar a vendê-lo para o exterior. Componentes estrangeiros instalados em versões de exportação do J-7, em seguida eram adotadas pela indústria chinesa e transferidas para os caças da Força Aérea chinesa.
Na segunda metade da década de 2000 os caças J-7 começaram a ser gradualmente substituídos por aviões mais modernos de 4a geração: J-10 e J-11. No entanto, o MiG-21 chinês em suas várias versões continua sendo o tipo mais numeroso de aviões de combate da Força Aérea chinesa. Ele também continua a ser exportado: nos últimos anos foram celebrados contratos de exportação com a Nigéria, Tanzânia e Bangladesh.
O J-7 parece uma escolha bastante razoável para as Forças Aéreas de países em desenvolvimento. O Bangladesh, com descontos, obteve os seus J-7 por 5,85 milhões de dólares cada. Isto é duas a três vezes mais barato do que o custo de um avião a jato ocidental de treinamento de combate, e quase uma ordem de magnitude mais barato do que um caça moderno ocidental ou russo.

China propõe novas iniciativas para evitar violência na Síria

 

1/11/2012 11:06, Por Redação, com Reuters - de Pequim 0
A revolta de 19 meses contra o presidente sírio, Bashar al-Assad, causou pelo menos mais 28 mortos
A China disse nesta quinta-feira que propôs uma nova iniciativa para evitar uma escalada da violência na Síria, incluindo um cessar-fogo gradual, de região por região, e a criação de um órgão para a transição de governo.
O plano, proposto na quarta-feira a Lakhdar Brahimi, o enviado de paz das ONU e da Liga Árabe para a Síria que está de visita na China, é “uma extensão do esforço da China para pressionar por uma resolução política da questão síria”, disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês.
A revolta de 19 meses contra o presidente sírio, Bashar al-Assad, causou pelo menos mais 28 mortos nesta quinta-feira, quando rebeldes atacaram três postos militares no norte do país, segundo ativistas que monitoram a violência.
Na quarta-feira, seis pessoas morreram na explosão de uma bomba, informaram a mídia estatal e ativistas.
As novas mortes acontecem após o colapso da proposta mais recente de cessar-fogo, intermediada por Brahimi, em um esforço para encerrar as lutas durante o feriado muçulmano de Eid al-Adha. O conflito já deixou estimados 32.000 mortos.
O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês Hong Lei disse em entrevista coletiva que, sob a nova proposta de Pequim, “há novas sugestões construtivas, como um cessar-fogo de região por região e fase por fase, e a criação de um órgão de transição do governo”.
Brahimi reuniu-se na quarta-feira com o chanceler chinês, Yang Jiechi, que afirmou que o mundo deve agir com a maior urgência para apoiar os esforços de mediação de Brahimi.
- Mais e mais países têm percebido que a opção militar não oferece nenhuma saída, e um acordo político tornou-se uma aspiração cada vez mais compartilhada – disse Hong.
- A nova proposta da China tem como objetivo construir um consenso internacional e apoiar os esforços de mediação de Brahimi e pressionar para que as partes envolvidas na Síria cheguem a um cessar-fogo e ao fim da violência, e lançar um processo de transição política liderada pelo povo sírio em uma data próxima.
China e Rússia, ambos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, vetaram três projetos de resolução da ONU apoiados pelo Ocidente condenando o governo de Assad pela violência.
Mas a China está interessada em mostrar que não está tomando partido no conflito sírio e pediu ao governo Assad para conversar com a oposição e tomar medidas para atender às demandas por uma transferência política.

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Pesquisadores poloneses descobrem meteorito de 300 quilos

 

1/11/2012 11:17, Por Redação, com Vermelho - de Poznan, Polônia 0
Eles usaram um detector eletromagnético e "trata-se da descoberta mais importante deste tipo nesta parte da Europa
Geólogos poloneses confirmaram a notícia do maior meteorito já encontrado no Leste europeu, e esperam que a descoberta ajude a entender a composição da camada interior do córtex terrestre.
- Sabemos que o córtex terrestre é composto por ferro, mas não podemos estudá-lo. Aqui temos um ‘convidado’ do espaço exterior que é similar em sua estrutura e podemos examiná-lo facilmente – declarou o professor Andrzej Miszynski à imprensa em Poznan, no oeste da Polônia.
O exame do meteorito “pode ampliar nossos conhecimentos sobre a origem do Universo”, declarou o professor Mizynski, citado pela agência polonesa PAP.
Dois caçadores de meteoritos encontraram o objeto de 300 quilos, em forma de cone, no final de setembro, a dois metros de profundidade na reserva de meteoritos de Morasko, ao norte da cidade de Poznan.
Eles usaram um detector eletromagnético e “trata-se da descoberta mais importante deste tipo nesta parte da Europa”, explicou Miszynski.
Os cientistas que examinam o meteorito na Universidade de Poznan pensam que ele caiu sobre a Terra há 5 mil anos e é composto principalmente de ferro, com rastros de níquel. Até agora, cerca de 1.500 quilos de meteoritos (menores) foram descobertos na reserva de Morasko.

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Dhlakama cercado do lado norte e do lado sul

 

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- Num verdadeiro cenário que recorda os momentos áureos de guerra civil no país, o cruzamento do Inchope (lado sul) e Nhamapadza (lado norte), na N1, estão fortemente guarnecidos por unidades policiais especiais e qualquer passagem só é possível depois de uma minuciosa vasculha
Um eminente dirigente de um grupo religioso nacional já publicamente veio dizer que se os dirigentes e as populações deste país amam a paz não podem continuar a fingir que nada está a acontecer, em torno da instalação, já vão 3 semanas, de Afonso Dhlakama nas matas da Gorongosa, quase no exacto local onde há tempos albergou o primeiro quartel general do então movimento armado. Efectivamente, o SAVANA/media mediaFAX pôde ver no terreno que a partir do cruzamento do Inchope, a cerca de 70 quilómetros a sul da vila sede do distrito da Gorongosa e em Nhamapadza, a 130 quilómetros a norte da vila sede do mesmo distrito, unidades especiais e especializadas em na repreensão de motins populares está estacionada, devidamente equipada e em posição de guerra. Já na vila sede de Gorongosa, também se pôde observar movimentações constantes das forças especializadas da polícia moçambicana, assim como de agentes à paisana, muito provavelmente fazendo parte dos Serviços de Informação e Segurança do Estado (SISE).
Enquanto isso, exactamente no posto administrativo de Vunduzi, local onde Dhlakama está instalado, o território está dividido em dois.
Na estrada que liga Vunduzi da sede distrital, a patrulhada da polícia é reforçada e os blindados da polícia estão escondidos no meio de tendas montadas pouco depois do mercado daquele posto administrativo.
Um pequeno rio separa o território de Vunduzi. Uma parte controlada pelas forças policiais e a outra parte do território controlada por Afonso Dhlakama e seus homens, cujo número actualmente se pode estimar em cerca de 3 mil, segundo relatos de pessoas que tem acesso ao actual quartel general.
Há informações de que o número de homens que se juntam a Afonso Dhlakama está a aumentar diariamente.
Os jovens estão em maioria no grupo dos “voluntários”.
Os jornalistas não tem acesso ao território depois do rio, para quem segue a norte do posto administrativo de Vunduzi.
O repórter do SAVANA/media mediaFAX tentou negociar, por todas as vias, esta quarta, para ter acesso ao actual quartel general, pedido que lhe foi prontamente negado pelos Homens da Renamo. Foram horas de negociação mas debalde porque os homens da Renamo com quem o repórter do SAVANA/mediaFAX tentou negociar sempre justificaram a inoportunidade de seguir até ao “quartel general”de Afonso Dhlakama.
Lamentação e meditação
Desde a entrada da FIR, quarta feira da semana passada no Inchope, implantou-se uma disciplina no cruzamento, mas a cada dia que passa ficam evidentes verdadeiros cenários de guerra.
“A guerra esta para voltar mesmo?” indagou Gimo Macuanja, um vendedor ambulante no posto administrativo de Inchope, que estranha a presença de muita gente nova no local, que “fareja” bares, quiosques, mercados e outros lugares de aglomerado.
A partir das 19 horas, as viaturas passam a pente fino em Nhamapadza, patrulhadas pela FIR, segundo soube o SAVANA/media mediaFAX dos utentes da via.
“Há vezes que mandam arrumar o carro com passageiros, e se conseguires passar com sorte”, disse Cândido Bento, um transportador público.(André Catueira)
MEDIAFAX– 01.11.2012

DESABAFO DE MANUEL DE ARAUJO


Preciso desabafar! Simplesmente triste! Sabia que o caminho que tinhamos que percorrer seria duro e arduo! o que nao sabia era de quao baixo tinhamos de partir! Acordei esta manha, como sempre as 05.00 horas, disposto a dar o meu maximo, alias como tenho feito! esta a chover em Quelimane e isso e motivo para cada um ficar em casa!
 
Para comecar o motorista nao apareceu! nada mal alias foi para isso que tirei a carta de conducao! Preparei a miuda e levei-a a creche! Qual nao foi o meu espanto: As titias ainda nao chegaram! ok, entendi! Fui ao servico! Senhor Presidente< nas area da Contabilidade e Financas nao ha condicoes para se trabalhar! verifiquei e constatei in loco que, de facto, nao ha condicoes!
 
A ultima reabilitacao do tecto do edificio do CMCQ feita a dois ou tres anos pela reputada Empresa Mondego Construcoes esta uma lastima, apesar de alegarem que a edilidade lhes deve 500 mil dolares americanos pelo trabalho efectuado! Chove e infiltra-se agua por tudo o que e canto molhando documentos e criando curto-circuitos!
 
Pela cidade, os sectores publicos estao as moscas: s mercados as moscas, os escritorios as moscas! Dou uma volta a cidade e esta tudo ou quase tudo na soneca! O mundo nao esta a andar, esta a galgar a correr e nos apesar do atraso em que estamos damo-nos ao luxo de perder um, dois, tres, quatro cinco dias por mes: ora porque choveu, ora porque vem a Primeira Dama, ora, ora, ora!
 
Alias, ontem quando trazia uma equipa uma equipa de investidores britanicos e franceses a Quelimane anunciei que chegariamos no aviao deles cerca das 09.3o e queria la tres vereadores e dois chefes de posto que eram as pessoas que iriam trabalhar com eles: para minha surpresa estava la no aeroporto o eleno todo: todos vereadores e todos os directores, todos os chefes de posto!
 
A primeira pergunta que fiz ante o espetaculo foi: nao trabalham? Imaginema resposta; cade cultura de trabalho irmaos Quelimanensis? Este cenario fez-me recordar os cerca de 100 vietnamitas que vi no aeroporto de johanneburgo a caminho de Angola: sera que teremos que importar vietnamitas como fazem os nossos brothers mangoles? Quelimane, ergue-te et ambula! um abraco patriotico, MA
 


     

Operação das Forças Armadas levará atendimento médico aos índios da região amazônica

 

1/11/2012 8:36, Por Redação, com ABr - de Brasília 0
Os militares da FAB vão atuar no Alto Rio Negro e Alto Solimões
A partir da próxima segunda-feira, a Operação Curumim 2 começará a prestar atendimento médico aos índios da região amazônica. As ações, coordenadas pelas Forças Armadas e com o apoio do Ministério da Defesa, têm como foco as crianças e gestantes, para reduzir os números de mortalidade infantil e materna, assim como a vacinação dos índios e a distribuição de medicamentos e cestas de alimentos.
De acordo com o Ministério da Defesa, as tropas do Exército e da Força Aérea Brasileira (FAB) darão apoio logístico durante 30 dias para que as equipes do Ministério da Saúde possam atender a 17.294 índios de 14 aldeias. As equipes de saúde serão deslocadas para os pontos de atendimento a partir de Manaus, capital amazonense, e utilizarão as instalações dos pelotões especiais de Fronteiras (PEFs) do Exército.
Os militares da FAB vão atuar no Alto Rio Negro e Alto Solimões. Já o Exército terá maior participação na região do Alto Solimões. Nesta edição, o apoio da Marinha foi descartado devido ao baixo leito dos rios nessas áreas. Além disso, os técnicos de saúde contarão com bases nas cidades de São Gabriel da Cachoeira e Tabatinga, onde o Comando Militar da Amazônia dispõe de unidades hospitalares.
As condições de saneamento básico e o abastecimento de água nas aldeias são outras preocupações da Operação Curumim 2. Também vão ser analisadas as necessidades de melhoria nas casas de apoio ao índio.
Iniciada a partir da mobilização de comunidades indígenas antes da realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, a primeira fase foi marcada por uma ação de emergência, determinada pelo governo, nos atendimentos de saúde, que chegaram a tribos do estado do Acre. Foram realizados, durante a ação, 2.379 atendimentos médicos, 1.050 odontológicos e 2.201 de enfermagem.

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O fenómeno “desespero” no discurso de Guebuza


by Matias De Jesus Júnior on Monday, 5 March 2012 at 12:11 ·


O Presidente da República Armando Guebuza esteve no chamado III Comité Central da Organização da Juventude Moçambicana (OJM- o braço juvenil do partido que tem estado no poder há mais de 37 anos, a Frelimo), onde proferiu um discurso quanto a nós desfasado se tivermos em conta a audiência – jovens. Tal como sabemos, não é o PR quem faz os discursos que são lidos pelo país a fora. São os assessores que trazem a sua visão que é reproduzida pelo PR. Raras vezes o PR fala em voz própria. Já tivemos oportunidade de ouvir o PR em várias circunstâncias, sendo nas presidências abertas um dos poucos fóruns onde Guebuza é o sujeito enunciador do seu próprio discurso. Isso porque neste fórum são levantadas questões de reacção imediatas, não existindo espaço para os assessores trazerem, a sua quanto a nós, estática e reprodutiva visão. A prova disso é que nas poucas vezes em que o PR falou em voz própria criou polémica porque disse o que pensava. Vamos a exemplos mais recente. Mas antes convém esclarecer que é convicção nossa de que o actual PR já deu provas mais do que suficientes da sua aversão à crítica.

No ano passado, na província de Tete Guebuza criou um discurso pessoal e resvalou em insultos. De lá saíram termos como “preguiçosos”, “tagarelas” para adjectivar aos que criticam a sua Governação. Neste ano em plena comemoração dos 50 anos do Movimento de libertação de Moçambique, Guebuza voltou a improvisar e regra geral entrou em insultos. Chamou até de “marginais” e desprovidos de “auto-estima” aos que criticam a sua Governação.

O pequeno exercício que acima fizemos vai nos ajudar a compreender o último discurso de Guebuza, sob as perspectivas de Michel Foucault (será o nosso principal ponto de referência) de condições de emergência do próprio discurso, o Campo de Memória e da presença, e lógica da diferença e a lógica da equivalência. Vamos cingir-nos a estes três itens que achamos suficientes para concluir se o discurso de Guebuza foi bom ou mau. Para tal vamos aqui colocar alguns excertos do discurso de Guebuza. Alguns excertos por uma questão de racionalização do espaço.

Eis a seguir:
  1. 1. Hoje, a esmagadora maioria dos integrantes da Geração da Viragem, a geração que, com o seu talento e mãos dextras, demonstra que a pobreza pode, está e vai ser vencida em Moçambique é também constituída por jovens, como os que estão filiados nesta organização da nossa gloriosa FRELIMO. São jovens que, inspirando-se nas vitórias do passado, se empenham em construir o bem-estar para o nosso maravilhoso Povo e para si próprios.
  2. 2. Desde a sua fundação, e ao longo destes anos todos, a OJM tem sido uma importante forja e fonte de quadros para a nossa gloriosa FRELIMO e para o Estado Moçambicano. Tem, sobretudo, sido o palco de preparação ideológica dos herdeiros da Geração do 25 de Setembro.
  3. 3. Os nossos jovens têm dado uma valiosa contribuição na organização, realização e participação em eventos de celebração destas cinco décadas de uma história de muitas honras e glórias. Estas celebrações estão a ter lugar em paralelo e como parte integrante da preparação do Décimo Congresso, evento a ter lugar em Pemba, de 23 a 28 de Setembro deste ano. Trata-se de uma preparação que comporta duas vertentes. Por um lado, temos o estudo das teses e, por outro, as eleições internas.
  4. 4. A juventude moçambicana enfrenta novos desafios e a OJM tem um papel de relevo a desempenhar, com serenidade, responsabilidade, maturidade e criatividade, para a sua superação. Vamos fazer referência a alguns desses desafios.

Os jovens que nasceram depois do hastear da nossa bandeira de liberdade, em 1975, não sentiram na carne a opressão que a dominação estrangeira infligia aos moçambicanos. Com a distância do tempo, alguns podem assumir que a independência chegaria a Moçambique, mais dia, menos dia, correndo, deste modo, o risco de desvalorizarem os indescritíveis sacrifícios consentidos pelo nosso Povo para a sua conquista. Podem até transformar-se em terreno fértil para o discurso que procura culpabilizar os libertadores da Pátria por terem ousado lutar e, sobretudo, por terem ousado derrotar uma formidável máquina de guerra colonial.
Os jovens que nasceram depois dos Acordos de Roma, de 1992, têm estado a desfrutar da Paz e reconciliação na Nação Moçambicana há 20 anos. Neste ambiente, podem assumir a paz como um dado adquirido e não darem o seu melhor para a consolidar, em cada palavra, em cada acto do seu dia-a-dia.
Em terceiro lugar, alguns dos jovens que se beneficiam dos avanços sociais e económicos na Nação Moçambicana podem não se recordar de olhar para traz para, com orgulho e sentimento de realização, identificarem as carências do passado que vencemos. Podem assim correr o risco de se concentrarem apenas nas dificuldades do presente e, pior ainda, ficarem à espera apenas de soluções de terceiros.
Com efeito, graças a esta nova realidade temos jovens que prosperam na área de consultoria e de recrutamento de mão-de-obra, bem assim como provedores de outros serviços sendo o fornecimento de alimentos, a recreação e lazer e a alfaiataria, higiene e limpeza exemplos dignos de realce.
  1. 5. Por exemplo, da entrega dos obreiros da nossa nacionalidade tiramos a lição de que ninguém empreende apenas a pensar em si. O Presidente Eduardo Mondlane não se engajou na luta apenas para libertar a sua aldeia de Nwajahane. Ele estava consciente de que libertando Moçambique libertaria a sua aldeia natal.

  1. 6. Reconhecemos os avanços que alcançamos na busca de soluções para a habitação e casa condigna, para o emprego e ocupação para os jovens e outras faixas etárias da sociedade moçambicana.
  2. 7. A OJM, a maior e mais antiga organização juvenil moçambicana, tem a nobre missão de mobilizar, enquadrar e orientar os jovens nesta missão de luta contra a pobreza.
  3. 8. Não é por acaso que em cada um de vós vemos a Seiva da Nação, como diria o saudoso Presidente Samora Machel. A seiva alimenta a planta. A seiva faz crescer e desenvolver a planta. É graças aos processos que a seiva induz que a planta dá flores e frutos”.
Van Dijk (2002) esclarece que mais do que qualquer outro, o discurso político incorpora a história e a estrutura do campo em que se inscreve. Discurso de acção, que tem por objectivo agir sobre a realidade social, ele é um elemento central nas lutas que os agentes políticos desenvolvem para manterem ou acederem a posições de poder. Ao mesmo tempo, porque a eficácia do discurso político depende em grande medida da legitimidade que lhe é reconhecida, é também discurso de legitimação. Foucault acrescenta afirmando que não basta discursar: é preciso que a audiência lhe leve a sério. E para tal, é preciso que o discurso não de convicções persuasivas, mas sim ideal (o que não trata de alucinações e inverdades).
A primeira parte do discurso refere-se a Geração da Viragem como talentosa e que acredita que a pobreza será vencida. Mas a geração da viragem é antes, a dos reprodutores do discurso dos progenitores da própria viragem. Nenhum jovem é da Geração da Viragem sem necessariamente ser da Frelimo (partimos do pressupostos de que esta nomenclatura passou de uma explicação dentro do partido e veio cá fora). Em que espaço poderemos colocar os que não se identificam com a viragem sendo eles talentosos e “acérrimos combatentes da pobreza”? Na verdade pretende-se aqui retirar a qualidade de talentoso e combatente da pobreza aos que não se viraram perante a viragem.
O segundo parágrafo faz referência à OJM como fonte IMPORTANTE de quadros para o Estado Moçambicano. Interessante! Sem necessariamente entrar para o debate da partidarização ou não das oportunidades que o Estado de todos Nós oferece, o excerto é por si elucidativo. Ou seja numa questão de carência a OJM é fonte primária. O discurso sairia com belo efeito se o cidadão Armando Guebuza fosse apenas presidente do partido. Mas é o Presidente da República. Presidente da juventude da Renamo, do MDM, do PIMO, do PT e por aí fora. O que dirão os outros jovens que não são do OJM e que aspiram entrar no Estado, em relação a si senhor Presidente? Aqui o Presidente revela-se a fonte da exclusão.
O terceiro parágrafo é mais elucidativo em relação ao verdadeiro papel a que o partido Frelimo relegou a juventude: a de organizadores e mobilizadores para eventos de natureza estranha à agenda real da juventude. Aliás não fique surpreendido senhor presidente com a proliferação de jovens “promotores de espectáculos e organizadores de Festas de Cervejas”. São resultado da concepção da juventude como angariadores de clientes e mobilizadores. Fica logo claro que a juventude não participou e nem participa na elaboração de política alguma.
Alongamos o quarto parágrafo propositadamente por uma questão de sequência e corpo discursivo. Vamos analisa-lo assim longo como está, para podermos entender o fenómeno Foucaultiano de lógica da diferença e da equivalência. Trata-se da lógica da sofisticação da construção de sentidos através da diferenciação para depois estabelecer possíveis equivalências. Ora vejamos: no quarto parágrafo (o longo), Guebuza de forma interessante divide os críticos ao seu regime em três gerações: a primeira é a dos que nasceram no período pós independência (esta geração tem como característica, segundo Guebuza, desvalorização do esforço dos combatentes). A segunda geração é a dos nasceram depois da guerra civil (esta geração, segundo Guebuza nada faz para manter o espírito da paz). A terceira e última é geração que segundo o discurso nasceu no período dos avanços sociais. Esta geração para Guebuza só reclama e quer soluções vindas de terceiros. Nota-se pois que Guebuza divide aqui para depois juntar todos num único saco de ingratos e críticos, criando assim um denominador comum ou equivalente, ou seja todos não respeitam a história feita pelos antigos combatentes (ele incluso). Só que Foucault fala de sofisticação das diferenças. É esta que trai Guebuza na sua perigosa generalização. A sofisticação tem a ver com elementos que visam melhorar a apreciação ou análise. Vamos recorrer a um exemplo clássico de explicação deste fenómeno: no processo da aprendizagem uma criança conhece o livro como um aglomerado de folhas agrafadas (com escrita ou não). Durante a sua convivência a criança vai aprendendo que nem tudo agrafado é livro. Existe o caderno, o bloco, uma ficha e por aí fora. Mas todos são folhas agrafadas. Ora Guebuza convencionou que os apóstolos da desgraça (marginais, tagarelas, intriguistas, desprovidos de auto-estima) são aqueles que o não querem ver no poder. Guebuza não foi diferenciando com o andar do tempo. Ou seja não compreendeu que os críticos podem ser até aqueles que não têm sede de poder, mas aqueles que querem ver as coisas a andar, o País a melhorar mesmo estando ele no poder. Não entendeu que há académicos que se estão nas tintas para os cargos ou tachos políticos, mas querem contribuir para o desenvolvimento do País. Para Guebuza todos eles são livros não havendo cadernos, blocos nem fichas.
Ainda no mesmo parágrafo, o longo, pode-se notar que a única marca que existe em termos de discurso político é a procura de legitimação e consolidação do poder, ao trazer insígnias de libertadores para criar medo e respeito. Termos como INDESCRITÍVEIS SACRIFÍCIOS, LIBERTADORES DA PÁTRIA, OUSADO LUTAR, OUSADO DERROTAR UMA FORMIDÁVEL MÁQUINA DE GUERRA COLONIAL são chamados a colação como tocha se legitimação de um direito para os que actualmente estão no poder. Nada mais clássico que o chamado acoplamento de acontecimentos. Na obra “Em defesa da sociedade”, Foucault (2000) descreve o seu método de “genealogia do poder”, como um acoplamento de acontecimentos eruditos e das memórias, permitindo a constituição de um saber histórico de luta com interpretação unitária e coerciva. Ou seja Guebuza e outros combatentes têm o direito de estar no poder e que qualquer exercício mental contrário a esta concepção será tido como de ingratidão e de perturbação mental e consequentemente digno de isolamento. Aliás o mesmo Foucault deixa isso muito claro quando diz que a “fabricação” de delinquentes ocorre com o aparente fracasso da inculcação de verdades contestadas. Trata-se de uma forma de punir o “infractor”.

No parágrafo cinco e oito estão presentes dos campos de memória e presença conjugados na intertextualidade. É nada mais nada menos que buscar citações e exemplos memoriais para legitimar o que se está a dizer. Samora e Mondlane constituem-se em presença e memória. Mas numa altura de dificuldades que também têm memórias por serem antigas a este chamamento a memória pode ser de “entretenimento” ou seja recorrentemente repetido para não falar do que a audiêncoa gostaria de ouvir. Os jovens (incluindo os da viragem da Frelimo) querem saber do emprego, da habitação e de oportunidades e não da história, pois já ouviram o suficiente sobre a história e de forma uníssona. Corre-se aqui o risco de um dia questionar-se a cansativa repetição.

No parágrafo sexto acontece o que vamos chamar de “cúmulo do não domínio da elaboração do discurso”. Acontece a auto-elevação do sujeito enunciante do discurso numa altura em os jovens questionam o que se está a ser feito em prol destes. Longe de se identificar com as dificuldades o Presidente eleva o “nada”. Vamos clarificar: está claro que não há obra digna do nome em prol da juventude, pelo que o recomendável seria é o “assujeitamento” defendido por Foucault, como a identificação do sujeito enunciante com o problema em análise. Longe disso, o Presidente fala de obra feita que na verdade é questionável.

No parágrafo sete é mesmo uma questão de inverdade e falta de conhecimento. A OJM não é a maior organização Juvenil de Moçambique. A organização com este título chama-se Conselho Nacional da Juventude onde a própria OJM está filiada e controla. A maior organização juvenil chama-se CNJ porque congrega teoricamente os jovens da Frelimo, Renamo, MDM, outros partidos e até apartidários.
Concluímos o presente “paper” com sérias dificuldades de encontrar as condições de emergência em que é produzido o discurso lido pelo PR. Isso porque entendemos as condições de emergência de discurso tal como define Céli Jardim Pinto em “elementos para uma análise de discurso político” como os fenómenos que permitem a existência de um determinado, ou seja o que faz com que um discurso tenha sentido e seja aplaudido num determinado fórum, tal como foi aplaudido o discurso de Guebuza. Há talvez hipóteses a serem levados em conta, como a instrução dos jovens da OJM, a forte carga ideológica e o seguidismo, a falta de cultura contestatária e por aí fora. Nesta desorganização discursiva toda, quem tem estado a ganhar espaço é o fenómeno desespero! Um desespero de descontrolo da situação política, explicado pelos recorrentes insultos e adjectivações e ameaças de isolamento. Sendo o PR o garante da estabilidade questionamos o que será de nós se o PR e seus assessores mostram desespero? Se Faucault diz que não basta apenas discursar, é preciso ser lavado a sério gostaríamos de alertar a assessoria do PR que há muitos que não levam a sério os discursos do Chefe do Estado, por razões que referimos anteriormente. É hora de mudança!

O caso Bashir e o Patriotismo de sobrevivência

 

by Matias De Jesus Júnior on Friday, 9 September 2011 at 13:13 ·
O caso Bashir e o Patriotismo de sobrevivência
A última palavra da Procuradoria Geral da República que vem num comunicado tornado público na sexta-feira da semana passada está a encher os jornais e a dar lugar a títulos para vários gostos. Sabemos que a catalogação de empresário como Barão de Droga foi que nem um sismo de alta magnitude que abalou famílias e até redacções. Há os que com má fé estão, repugnantemente, a usar da opurtunidade para atacar o cidadão e sua família. Outros não poupam esforços para criar tanta comoção no próprio Bashir. Jornais há que entram em togas de juízes violentos de Direito que saem ás pauladas na cabeça dos americanos. É do tipo: não se preocupe Patrão o nosso jornal está contigo, mesmo que chovam canivetes, acertarão em cheio, primeiro as nossas cabeças. Até aqui tudo bem, porque os jornais servem para defender interesses (mas claro socialmente aceites).
Mas o que a nós inquieta é a forma como as partes interessadas do nosso Estado, estão a lidar com o caso. Mas há para nós uma relação de causa efeito que não pode ser ignorada e que nos faz desembocar na hierarquia das necessidades que um dia Maslow teorizou e provou. Com uma pseodo reconstrução dos factos, a seguir nos explicamos.
Imaginemos que hoje é um período anterior a 01 de Junho de 2010 – o factídico dia que “desmoronou” o império MBS. Imaginemos que está tudo bem. Com os contentores a entrarem numa boa e o resto da cadeia de negócios fluir como sangue num rapaz saudável de 20 anos.
Agora imaginemos que estamos no período da campanha eleitoral que vai eleger Guebuza como Presidente da República e a Frelimo no Parlamento. Estamos na sala de reuniões da Escola do Partido na Matola, naquele encontro de angariação de fundos para suportar a pomposa campanha. Aí o cidadão Momad Bashir decide fazer aquelas gracinhas que a arte e o engenho apenas nele residem (compra uma caneta a um milhão depois oferece ao outro) mas tudo desemboca num financimanto avultado ao partido. Pelo que foi tornado público, o cidadão Bashir foi o melhor pagador da campanha. Claro que na altura o Procurador Geral da República, o Ministro do Interior, a Ministria da Justiça gostaram de ver um indivíduo a suportar o seu partido rumo a esmagadora vitória. Claro que sim! E mais: pelo que a propaganda nos mostrou essas figuras não participaram da brincadeira de compra e venda de presentes. Logo por inferência, sendo ou não admiradores de Bashir devem nutrir simpatias por ele, por ser uma das personalidades que em última instência contribuiu significativamente para os poleiros aonde se encontram.
Deixemos de imaginação e inferências e vamos a realidade: Quando no dia 01 de Junho a bomba de Washington detonou na pátria de heróis, nos recordamos e bem, que o ministro Interior desvalorizou tudo com tanta naturalidade (não queremos com isso dizer que tinha que desatar em prisões) mas no mínimo houve um exagero na “presunção de inocência”. A Lei diz que todo cidadão é inocente até prova em contrário. E não diz que todo o cidadão acusado desde que o conheçamos (na noite da angariação de fundos para a campanha) não necessita de investigação para apurar a sua inocência (o convívio cinrcunstancial em si serve de passaporte ao reino dos inocentes). Aqui entra em acção a teoria do patriotismo de sobrevivência. E para completar a teoria citamos José Pacheco: “Conhecemos o cidadaão M. Bashir é um empresário moçambicano e tem ficha limpa”. Pacheco fez tais pronunciamentos à Rádio Pública Nacional no dia 04 Junho. A ministra da Justiça fez também um discurso patrioticamente polido à “altura” da bomba. E tudo foi sendo gerido a moda nossa justiça e das nossas seculares instituições. E claro nos esquecemos que o empresário moçambicano teria sido acusado e catalogado “Barão da Droga”.
Quis a Procuradoria Geral da República mostrar serviço e vestindo a indumentária de uma instituição patriota com orgulho ferido foi “investigar”. Com a teoria da neutralidade axiológica já cortada ao meio mais nada podia se esperar: “não se conseguiu apurar indícios suficientes da prática de actos que consubstanciem o tráfico de estupefacientes ou substâncias psicotrópicas pelo MBS” disse o Gabinete de Augusto Paulino em comunicado.
Ora, se mantivermos constante todas outras variáveis, e tomarmos em conta a memorável noite de angariação de fundos, obviamente que o comunicado nada tem, de obsceno. Até porque Pacheco já nos tinha dado sinais de que a investigação era irrelevante, se considerarmos que o “o nosso empresário tinha ficha limpa”.
Mas longe de pensar em criar uma obra de “patriotismo”, os intelectuais da PGR vieram mostrar uma (in)competência do tamanho do mundo. Ou seja primeiro “investigou” e concluíu que não há indícios de que o cidadão Bashir é traficante de droga, tal como dizem os americanos, e depois também investigaram apuraram, tal como diz o comunicado “indícios suficientes de factos que tornam necessária a acção do Ministério Público nos termos da lei, na sua função de controlo da legalidade, nomeadamente: violação dos procedimentos relativos ao desembaraço aduaneiro; reiterada violação da legislação cambial; prática de infracções aduaneiras; e prática de infracções fiscais”. Em que ficámos doutor Paulino? É ou não é?
Porque quanto a nós nem precisamos de estudar o Direito Aduaneiro ou mesmo Fiscal para perceber que as infracções aduaneiras e fiscais dizem muita coisa quando conjugada com a legalidade que vossa Excelência jurou defender.
Para nós temos a infração aduaneira como qualquer violação ou tentativa de violação da legislação aduaneira. Sem muito exercício mental chegamos a conclusão de que por exemplo, meter contentores (com ou sem droga) à margem de todos os procedimentos legais é uma infracção aduaneira. Cabe nos perguntar a que tipo de infracções os intelectuais da PGR se referem?
Ou preferiram cuspir o comunicado e a cabe ao público tirar as conclusões que achar conveniente? Se a hipótese for válida a PGR acabou de prestar um mau serviço primeiro aos moçambicanos e depois ao próprio empresário, porque vem mais uma vez colocar o seu nome a debate e sem fundamentos. Se os americanos não nos deram provas da sua acusação, a PGR também não deu provas da sua inocência. Portanto tudo na mesma, e com o nome do cidadão Momad Bashir e seus negócios mais uma vez na lama e com procedimentos prenhes de garotices. É nisso que dá o patriotismo de sobrevivência!
Matias Guente

Governo perde controlo sobre preço de cimento

Crise de cimento está de volta
 
- Em menos de dois mês o cimento passou dos 215 para 260 nos armazéns da cidade de Maputo
Maputo (Canalmoz) – A crise de cimento está de volta e são invariavelmente os consumidores que estão a pagar a factura.
Se até finais do primeiro semestre o preço de cimento andava a 215 meticais a cada unidade de 50 quilogramas, hoje a mesma quantidade é vendida a 260 meticais nos armazéns da cidade de Maputo. Uma subida que corresponde a 20.9 por cento. E com o “boom” no sector da construção civil, pelo menos na cidade de Maputo, a procura de cimento disparou e a especulação também. Há zonas da cidade de Maputo e Matola onde o preço chega aos 280 meticais.
Ao Canalmoz, o ministro da Indústria e Comércio disse que “o agravamento se deve a uma avaria registada em Agosto último na Cimentos de Moçambique, a maior fábrica de produção de cimento”, e que o preço de cimento poderá estabilizar-se até Dezembro próximo, com a normalização da produção nacional. Certezas não há, facto é que desde a referida avaria o preço não pára de subir.
Em algumas províncias do país, nomeadamente Sofala (centro), Nampula, Cabo Delgado e Niassa (norte), os preços chegam a atingir 400 meticais e na província de Manica e Tete, cerca de 500 meticais.
Inroga diz para além da avaria registada em Agosto último na Cimentos de Moçambique, a maior fábrica de produção, o agravamento deve-se também à redução das importações deste produto, devido ao aumento do preço de cimento no mercado internacional.
“Nós acreditamos que a partir de Novembro ou Dezembro, mesmo com o aumento do volume de procura de cimento para responder à quantidade de infra-estruturas desenvolvidas pelo Governo e pelo sector privado, havemos de retornar a uma situação de relativa estabilidade de preço de cimento”, é a convicção do titular da pasta da Indústria e Comércio.
Dados oficiais indicam que normalmente a produção nacional de cimento ronda as 170 a 200 mil toneladas/mês. Segundo o ministro, com os problemas registados em Agosto e Setembro, o volume de cimento disponível no mercado baixou para entre 130 e 97 mil toneladas.
Às fábricas que não entra(ra)m em funcionamento
ainda em Julho deste ano o mesmo ministro da Indústria e Comércio, Armando Inroga, informou à comunicação social que a capacidade de produção de cimento iria aumentar “significativamente a partir deste ano (2012)” ao passar dos actuais 200 mil toneladas/mês, para sete milhões de toneladas por ano, na sequência da entrada em funcionamento de novas fábricas de cimento, uma em Matutuine, em Maputo, e outra em Sofala. Estamos praticamente em Novembro mas nenhumas delas está a funcionar, contrariamente às promessas do ministro. Agora, o ministro diz que só poderão entrar em funcionamento no próximo ano porque “os projectos se atrasaram”. Caso as referidas fábricas entrem em funcionamento, segundo Inroga, o preço de cimento será fixado num preço não superior a 200 meticais. (Matias Guente)

Deputado da Renamo acusa FIR de assassinar garimpeiros ilegais

Na província de Cabo Delgado
 
Maputo (Canalmoz) – O deputado da Assembleia da República pelo círculo eleitoral de Cabo Delgado, Mussitabigo Átimo, acusou a Força de Intervenção Rápida (FIR) de estar a semear terror nas minas de Namanhumbir, distrito de Montepuez, província de Cabo Delgado.
Átimo, que fez esta denúncia a partir do parlamento, disse que já foram reportados casos de cinco cidadãos nacionais e um estrangeiro que foram mortos pela FIR.
A estes, juntam-se centenas de feridos graves, segundo disse o parlamentar, que foram baleados pelos agentes, a mando do Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique em Cabo Delgado.
“Em plena realização do 10º Congresso da Frelimo, a FIR baleou mortalmente 5 cidadãos nacionais, um estrangeiro e 7 garimpeiros que foram enterrados vivos com recurso a uma máquina caterpillar”, disse.
Segundo o deputado, a FIR assassina sob pretexto de estar a combater-se o garimpo ilegal.
“Diante dessas acções bárbaras, a população de Namanhumbir viu-se obrigada a revoltar-se. Em consequência disso, foi parcialmente destruída a Escola Primária Completa e o edifício onde funciona a administração do posto”, disse o parlamentar que segundo ele, tudo aconteceu longe da Imprensa e as autoridades locais tentaram ocultar os factos. (Cláudio Saúte)

Para quê morrer para conhecer o inferno?

Canal de Opinião
Por: Matias Guente
 
Maputo (Canalmoz) – Mahatma Ghandi já dizia que “aquele que não é capaz de se governar a si mesmo, não será capaz de governar os outros”.
A sessão de informações ao Governo (na semana passada) veio mais uma vez mostrar que a mentira anda de mãos dadas com a Frelimo e a sua implicação na forma como vamos construindo este País, que se diz albergar um povo que na língua de uns teima em ser “maravilhoso”, muito em função da sua generosidade em proporcionar aos políticos, principalmente aos que estão no poder, uma vida muito folgada sem precisarem de trabalhar. Mas cá por mim é um exercício de pura demagogia da nossa parte esperar um debate político de qualidade com gente, regra geral, de má qualidade.
A seguir me explico:
Quando o primeiro-ministro, Alberto Vaquina, foi estrear-se no parlamento aquando das informações do Governo, solicitadas pelas bancadas parlamentares, houve uma tremenda coincidência. Enquanto Vaquina falava de Cateme, eu estava em Cateme e escutava o debate em directo.
Escutei o ministro a dizer – o que aliás acabou por ser reproduzido por todos os órgãos de comunicação social – que a vida da população de Cateme não tem comparação com qualquer outro povoado de Tete; Em Cateme há casas melhoradas; Em Cateme vive-se bem; Que em suma a população de Cateme anda feliz da vida porque o Governo de que Vaquina é primeiro-ministro e ex-governador salvou-o.
Ouvi isso enquanto conversava com um casal com três filhos que lamentava para mim o “inferno” que vivem naquele deserto chamado Cateme. Lamentavam que não tinham nada para comer porque em Cateme nada se produz e o terreno é composto por rochas e pedras. Lamentavam que quando foram obrigadas a abandonar as suas terras nem tiveram tempo de levar o gado que tinham. Lamentavam que em Cateme nada fazem, se não sentir calor e dormir, de resto, únicas actividades possíveis, naquele deserto propositadamente edificado.
Pessoalmente sempre quis ter uma noção muito aproximada daquilo que a bíblia tem descrito como inferno, em contraposição ao paraíso. Gostaria de saber como é que era o tal de inferno para onde, segundo a sagrada escritura, é enviado quem é dado todas as oportunidades de arrependimento pelas suas transgressões, mas não o faz por mera negligência. Não precisei de morrer. Tive apenas de ir a Cateme.
Confesso que de Cateme só tinha ouvido falar e visto fotografias horripilantes de cidadãos indefesos torturados pela Polícia Política, a FIR. Mas desta vez já não era um texto que eu tinha de editar ou dar-lhe enquadramento. Era a fotocópia do inferno que me era dada para fiscalizar e confirmar-lhe a autenticidade. E a honestidade empurrou-me ao óbvio: Era verdadeiro. Era a triste realidade de Cateme que estava diante dos meus olhos.
Assim como nos contos infernais não se trata do núcleo das chamas ardentes sem caracterizar-lhes o percurso até lá, nesta crónica não cometeremos o erro de redacção básica, de falar do fim sem tratar o percurso. A ida a Cateme, aliás, a descida ao inferno, tem o seu aviso à navegação na rica vila (município) de Moatize. São certinhos 50 quilómetros até lá. Faltando 15 minutos para lá chegar um incomum posto policial de controlo chama a atenção. Dois agentes da Força de Intervenção Rápida (a polícia política), um agente da Polícia de Trânsito, e dois agentes da Polícia de Protecção. Mude de raciocínio se estiver a pensar que te vão pedir a carta de condução, a ficha de inspecção, o comprovativo da taxa de radiodifusão, BI ou qualquer outra burocracia que só a corrupção institucionalizada da polícia pode explicar. Nada disso. Querem, mais é, saber se vais a Cateme e o que lá vais fazer e a mando de quem?
Como eu estava com um alto funcionário do Estado a nível provincial, deixaram-me seguir a viagem. Pelo caminho só via pedras, numa zona praticamente sem condições de habitabilidade.
A entrada para Cateme tem uma placa que anuncia o reassentamento. Foi aí que comecei a perceber afinal porquê é que os governantes fazem das tripas o coração, para defender a “invejável” qualidade das obras em Cateme. É que quem construiu as precárias casas de Cateme é a Empresa de Construção Civil Ceta, uma firma ligada ao presidente da República e do partido Frelimo. Dizer que as casas de Cateme foram mal construídas é passar certificado de incompetência ao “Todo o Poderoso”, o que na Frelimo tem o estatuto de “Blasfémia ao Santo”. Aliás, o bolo do escovismo não podia ter, no topo, cereja melhor. A escola ali construída leva o nome do chefe…Armando Guebuza.
Mas facto é que as casas de Cateme, construídas pela Ceta, não são casas, algumas são guaritas onde vivem até cinco pessoas. Para quem conhece Tete é só imaginar como é que pode um indivíduo viver numa guarita coberta de chapas de zinco com a temperatura a atingir os 45 graus. O casal com que falei pondera a possibilidade de deixar aquele deserto à procura de terras de cultivo onde podem erguer uma cabana melhor que as casas construídas pela empresa do chefe.
Em Cateme não há transporte. Foi-me informado que o único meio de transporte que lá existia pertencia a Vale que o retirou logo que o Governo começou a aplaudir o reassentamento.
O hospital, a escola e o posto policial construídos em Cateme não substituem o deserto que aquilo é. Não substitui a comida que a população quer. Não substitui o gado que a população criava e vendia para o seu sustento. Não lhes substitui a autonomia e dignidade humana.
Portanto, entendo quando o primeiro-ministro diz que Cateme vai às mil maravilhas. Sei que nem o senhor acredita nisso. O mandaram assim dizer, porque é proibido dizer o contrário no partido. Se é que o primeiro-ministro foi governador de Tete e já foi a Cateme, sei que sabe que tudo o que disse no parlamento é mentira. Mentiu porque o instruíram a mentir para não continuar a ser um simples médico num desses distritos, onde quem tem água potável é o administrador e o primeiro secretário do partido. Sei que conhece o inferno que a população de Cateme vive, muito por culpa da aliança Frelimo/Vale. Aquele que não é capaz de se governar a si mesmo (ser honesto, falar verdade, discordar com o errado), não será capaz de levar a verdade aos outros.
Quanto aos deputados principalmente da oposição – porque os da Frelimo o contrário não se podia esperar – não fizeram o trabalho de casa. Se calhar nem conhecem Cateme. Quando se fala de trabalho de círculo eleitoral os deputados vão às barracas beber ou preferem levar os filhos às praias num daqueles famosos Nissan Navara que o povo, incluindo a população de Cateme, pagou. E quando assim é, só vão ao parlamento levantar o cartão de voto e esperar pelo salário no fim do mês, atitude que no fundo em nada difere da dos que levaram a homens, mulheres e crianças, sem direito à escolha e foram jogar num inferno chamado Cateme. A diferença é que uns estão no poder e outros na oposição. (Matias Guente)