quinta-feira, 1 de março de 2018

Presidente afegão propõe que talibãs deixem de combater e se tornem um partido político

Expresso
O Presidente afegão Ashraf Ghani propôs aos talibãs um acordo de paz nos termos do qual haveria um cessar-fogo e uma libertação de prisioneiros, seguidos de uma possível revisão constitucional. Os talibãs seriam reconhecidos como partido e integrados no processo político do país, com uma possível realização de eleições.
A oferta foi feita esta quarta-feira no início de uma conferência de paz que reúne 25 países na capital afegã, Cabul. Embora em parte os seus termos continuem a refletir uma posição do Governo e do seu aliado norte-americano que os talibãs têm sempre rejeitado - negociações diretas com o Governo afegão, não com os EUA - ela sinaliza uma mudança de tom por parte de Ghani, que até agora costumava referir-se aos talibãs como terroristas.
O Presidente deixou claro que as conversas teriam lugar sem pré-condições e garantiu não fazer "julgamentos prévios" sobre nenhum grupo. "Haveria um cessar-fogo, os talibãs seriam reconhecidos como partido político e um processo de criação de confiança teria início". Pela sua parte, os talibãs teriam de reconhecer o Governo e a Constituição, que Ghani se comprometeu a modificar.
Presidente afegão propõe que talibãs deixem de combater e se tornem um partido político© Dan Kitwood/Getty Images Presidente afegão propõe que talibãs deixem de combater e se tornem um partido político "Agora a decisão é deles", frisou o Presidente. "Aceitem a paz e vamos trazer estabilidade a este país".

Uma carta aberta dos talibãs


Nos últimos meses, em consequência dos bombardeamentos mais agressivos ordenados pela administração Trump, os talibãs encontram-se sob maior pressão e têm respondido de violência acrescida. O mês passado, dois ataques suicidas, um deles no Hotel Intercontinental em Cabul, fizeram 150 vítimas civis. Os talibãs publicaram uma longa carta aberta, dirigida ao povo americano e aos "congressistas amantes da paz", a propor negociações diretas com a administração norte-americana.
Lembrando os milhares de baixas (eles davam um número preciso: 3546) que os EUA e países aliados já sofreram no país, diziam: "Se a política de usar força continuar por mais cem anos, o resultado será o mesmo, como terão visto nos passados seis meses, desde que começou a nova estratégia de Trump. Também diziam que o dinheiro dos contribuintes americanos estava a ser dado a "ladrões e assassinos".
A pressão de países vizinhos, nomeadamente o Paquistão, de onde tradicionalmente vem o principal apoio dos talibãs, poderá ser agora mais um elemento no sentido de terminar a guerra civil que há 16 anos aflige o Afeganistão. De qualquer modo, com a produção de heroína a atingir recordes e o Afeganistão empenhado no lançamento de um gasoduto que ligará o Turquemenistão (na Ásia Central) ao estado indiano no Punjab, passando pelo Afeganistão e o Paquistão, há outras razões fortes para criar a estabilidade de que fala Ghani, caso seja possível.

Sonangol associa-se a empresa que vai assumir reativação de campos petrolíferos no Iraque

Sonangol associa-se a empresa que vai assumir reativação de campos petrolíferos no Iraque


Manuel Vicente © Swipe News, SA Manuel Vicente
A estratégia de recuperação dos investimentos no Iraque, avançou o responsável, assenta na associação a uma empresa, que deverá assumir maior parte dos custos de reativação das operações petrolíferas
A Sonangol, petrolífera estatal angolana, associou-se à empresa Vertex que deverá assumir a maior parte dos custos de reativação das operações petrolíferas em dois campos de produção em Mossul, no Iraque. O anúncio foi esta quarta-feira avançado pelo presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Carlos Saturnino, durante uma conferência de imprensa, realizada no âmbito dos 42 anos de existência do grupo.
A petrolífera angolana anunciou, no início deste mês, que reassumiu a posse dos dois campos, localizados em Najmah e Qayarah, sul de Mossul, com reservas de mil milhões de barris de petróleo, após um longo período sob controlo do grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI), um investimento de quase 300 milhões de euros.
Segundo Carlos Saturnino, as duas concessões ficaram sob influência da guerra e depois foram mesmo ocupadas pelo Estado Islâmico, que “ironicamente pôs em produção os dois campos da Sonangol”, acusou Carlos Saturnino. “E esteve a produzir 10 mil barris por dia, vendendo, fazendo dinheiro, até que a guerra diminuiu e os colegas voltaram ao trabalho, conseguiram ir ao Iraque, negociaram com empresas e voltaram à situação atual”, explicou o presidente da Sonangol.
A estratégia de recuperação dos investimentos no Iraque, avançou o responsável, assenta na associação a uma empresa, que deverá assumir maior parte dos custos de reativação das operações petrolíferas nos dois campos.
“A Sonangol é a detentora dos direitos, enquanto operadora e continuará a ter os seus rendimentos. Estamos a falar de campos que têm ramas pesadas, essencialmente, e ácidas que tem reservas de cerca de um bilião de barris, de maneira que isso é investimento para um longo prazo, desde que se produza a garantia de investimento ao longo de vários anos”, frisou.
É convicção da Sonangol que esta definição estratégica permitirá minimizar o investimento direto, isto é, o fluxo financeiro da petrolífera estatal, já que o parceiro em troca da associação garante o investimento para o desenvolvimento e produção dos dois campos

A “menina bonita” de Donald Trump

A “menina bonita” de Donald Trump

Expresso

Reservada e discreta, a ex-diretora de comunicação da Casa Branca mereceu a absoluta confiança de Donald Trump. Havia quem a considerasse demasiado nova para o cargo, pouco experiente, mas também quem defendesse a sua capacidade de trabalho e ética profissional. Hope Hicks esteve ao lado do Presidente quando este foi candidato. No dia em que apresentou a demissão, republicamos o seu perfil
Hope Hicks, a diretora interina de comunicação da Casa Branca, tem uma beleza digna de qualquer atriz daquelas a que as séries de ficção norte-americanas nos habituaram. Nela sobressaem os olhos verdes e o cabelo escuro, mas não de uma forma ostensiva, que lhe comprometa o perfil sereno e discreto. Irrepreensível na elegância de um guarda-roupa e maquilhagem que por vezes podem parecer demasiado austeros para uma mulher de 28 anos, a imagem de Hope é a de alguém que assume a formalidade do circuito onde se move, preferindo jogar pelo seguro, sem arriscar chamar a si demasiadas atenções, apesar da firmeza que o porte e a aparência favorecem.
Não parece ser muito diferente no seu desempenho profissional. Os colegas elogiam-lhe a competência, mas os jornalistas desde há muito perceberam que prefere a sombra. Há quem tenha constatado, sem surpresa, a sua promoção. Hope Hicks tornou-se a ‘menina bonita’ de Donald Trump e, mesmo antes de tomar o lugar deixado vago por Anthony Scaramucci, ela era já considerada uma das pessoas mais importantes no gabinete de comunicação do atual Presidente dos Estados Unidos. Foi anteriormente a sua diretora estratégica de comunicação.

Quase da família

Impôs-se não tanto pela experiência anterior no universo da política, apontam insistentemente os media, mas pela confiança que conquistou junto da família Trump. Hope é praticamente considerada um membro do clã, presença regular na casa de pai e filha, alguém confiável (e fiel) que - dizem as más línguas - compensa a falta de ‘curriculum’ com o desejo profundo de agradar.
Parece genuína a sua admiração pelo Presidente menos popular do país. Um artigo publicado em julho no website de notícias “Politico” lembrava um episódio passado no fim de semana posterior à eleição de Trump. Num casamento a que assistia, Hope, que fora assessora de imprensa do candidato republicano, não conseguiu evitar meter-se na conversa que decorria na mesa ao lado, entre vários convidados que lamentavam o resultado das presidenciais. “Ele é uma boa pessoa, juro”, terá afirmado a jovem, procurando tranquilizar os mais céticos.
A defesa instintiva de Donald Trump, escrevia então o “Politico”, traduz de alguma forma a mais valia que se pode revelar útil na Casa Branca: Hope Hicks é alguém que compreende profundamente o Presidente, mas que também compreende porque, a seu ver, as pessoas o interpretam tão mal.

Modelo para a Ralph Lauren

Mas de onde veio “Hopster”, como carinhosamente lhe chama Trump? A jovem especializada em Relações Públicas é a terceira a seguir uma vocação que corre na família há três gerações. O avô esteve ligado à Texaco como figura de topo e o pai, após uma passagem pelo gabinete do congressista republicano Stewart McKinney, optou também pelo sector privado, tendo sido diretor regional de relações públicas da Ogilvy - desempenha agora um cargo diretivo no Glover Park Group.
Por via familiar, os corredores da política também não lhe são estranhos. A mãe, Caye Hicks, foi auxiliar legislativa de um congressista democrata, além de o avô materno ter trabalhado no Departamento de Agricultura durante as administrações dos Presidentes Lyndon B. Johnson e Richard Nixon.
Apesar disso, podia ter sido outro o caminho da jovem nascida no Connecticut. Hope chegou a fazer planos para seguir a carreira da representação e, ainda adolescente, posou como modelo para a Ralph Lauren, tendo aparecido também na capa do livro “The It Girl”. Com a irmã Mary Grace, fez aliás vários trabalhos na área da moda, o que não a entusiasmou o suficiente para continuar, preferindo dedicar-se posteriormente ao desporto.
Entre a prática da natação e de golfe, modalidades da sua preferência, foi também campeã de lacrosse na altura em que estudava na Universidade Metodista, onde ficou conhecida por ser contra o consumo de bebidas alcoólicas.
Em 2011, já licenciada e depois de conhecer Matthew Hiltzik, um tubarão das Relações Públicas em Nova Iorque, conseguiu o seu primeiro emprego de relevo. Foi aqui que Ivanka Trump se cruzou no seu caminho... o que, por arrastamento, lhe valeu conquistar a atenção do pai.
Ao trabalhar no desenvolvimento da imagem da linha de roupa e artigos de luxo de Ivanka, a jovem impressionou Donald Trump. “Achei-a excelente”, disse Trump, ao recordar a decisão de pedir a Hiltzik que a deixasse ir trabalhar diretamente consigo.

Da Trump Tower para a Casa Branca

Assim chegou à Trump Tower, em outubro de 2014, sem imaginar que pouco tempo depois acabaria envolvida na campanha do candidato republicano, como porta-voz, e a um passo da Casa Branca.
Como dizia a “GQ”, Hope Hicks não é um produto de Washington, mas da organização Trump, “um universo de paredes de mármore onde a capacidade de ser agradável e a inquestionável fidelidade valem mais do que a experiência convencional”. Mas será injusto não lhe reconhecer mérito. Afinal, trabalhar com alguém como Trump, habituado a fazer e a dizer o que bem entende, não deve ser tarefa fácil. Moderar-lhe as declarações impulsivas e polémicas exige velocidade de reação e alta capacidade para minimizar os danos colaterais. A ver vamos como lhe vai correr a missão.
Quem com ela trabalha elogia-lhe frequentemente a capacidade de trabalho, a dedicação, “a ética profissional”. Vive para o trabalho, garante também a família, não passando um minuto sem estar ao telemóvel a tratar do que for preciso.
Gere também com inteligência e resguardo a sua vida privada. Não se lhe conhecem namorados - consta que terminou uma relação de seis anos quando decorria a campanha presidencial -; recusa falar com os media e mantém-se assumidamente afastada das redes sociais (sem contas criadas ou sem abdicar de manter o seu perfil privado naquelas que criou).
Talvez a atitude traduza cautela. Das raríssimas declarações públicas que se lhe conhecem, uma custou-lhe ser ridicularizada na imprensa. “O Presidente Trump tem uma personalidade magnética e exala energia positiva, que contagia quem o rodeia. Tem uma capacidade incomparável para comunicar com as pessoas ... Ele construiu grandes relacionamentos ao longo da sua vida e trata todos com respeito. É brilhante, com um grande sentido de humor, e uma incrível habilidade para fazer as pessoas sentirem-se especiais.”
A “menina bonita” de Donald Trump © Foto Carlo Allegri/ Reuters A “menina bonita” de Donald Trump
A afirmação não foi levada a sério, mesmo por quem estava disposto a acreditar na honestidade da sua convicção. Mas, quem sabe? Talvez Donald seja melhor patrão do que Presidente e Hope consiga sobreviver no posto mais que os dez dias somados pelo seu antecessor.
Texto originalmente publicado a 18 de agosto de 2017

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