domingo, 31 de dezembro de 2017

Mocimboa da Praia - Último Trimestre de 2017: Algumas especulações/conclusões

Radar Magrebe Lusófono #11: 


Mocímboa da Praia
Desde 05 de Outubro, que Mocímboa da Praia deixou de ser o que sempre foi aos olhos do ocidental que por ali passa e se encanta com a costa de Cabo Delgado. Ou seja, os cerca de 400 km de Pemba à foz do Rovuma, deixaram de ser o potencial destino de lua-de-mel que sempre foram, a par com as insulares Quirimbas, para passarem a ser a mais potencial “no go zone” de 2018.
Há dúvidas, sobre se há realmente terrorismo islâmico organizado e afiliado com o Al-Shabab, no norte de Moçambique, mas a verdade é que o cenário já é de guerra. 308 capturados (208 processados) desde Outubro e um Director Nacional de Reconhecimento da Unidade de Intervenção Rápida assassinado, são os números mais resumidos, mas que ganham outra escala, se mencionarmos que como resposta à morte deste policial e ao fim do prazo dado pela PRM para os insurgentes se entregarem, as Forças de Defesa e Segurança (FDS) ripostaram com bombardeamentos em Mitumbate, um dos redutos jihadistas, utilizando meios aéreos (2 helicópteros) e um navio com fuzileiros. 50 mortos, incluindo mulheres e crianças.
A “Guerra Do Atum”
A “Guerra do Atum”, trata-se de um eufemismo para chamar à problemática jihadista de Mocímboa da Praia ao escândalo EMATUM (EMATUM, Proindicus e MAM são as 3 empresas públicas envolvidas), já estimado em 2 mil milhões de dólares (só a EMATUM). Neste particular, o “Moçambique esclarecido” advoga que os acontecimentos do último trimestre em Cabo Delgado, não mais são que uma cortina de fumo para desviar a atenção da opinião pública sobre este escândalo, ao mesmo tempo que oferece uma solução para o mesmo!
Por partes, A EMATUM (Empresa Moçambicana de Atum), foi criada pelo Governo em 2013 para potenciar a exploração da pesca do atum. Para o efeito o Governo contraiu uma dívida de 850 milhões de dólares para a compra de 24 embarcações. Hoje, já em operação, a EMATUM tem-se revelado insustentável, com parte da frota paralisada. Este caso também conhecido como o da “dívida oculta”, fez com que FMI e doadores internacionais exigissem uma auditoria externa, sob pena de cancelarem a ajuda económica e financeira a Moçambique. Em Setembro de 2016, o PR Filipe Nyusi entendeu-se em Washington com John Kerry, então secretário de estado norte-americano, abrindo caminho para uma auditoria externa a efectuar pela americana Kroll. A vida desta empresa tem sido dificultada pelas autoridades moçambicanas e, por isso mesmo a ajuda externa continua suspensa.
Um “coelho” Chamado Eric Prince
O “coelho” que a Presidência de Filipe Nyusi poderá tirar da cartola em 2018, talvez se chame Eric Prince, o fundador da Blackwater, que já veio a público manifestar interesse em investir nas 3 empresas pesqueiras falidas. E é aqui que tudo se torna ainda mais interessante!
Ora associar um ex-US Navy SEAL, fundador da empresa de segurança privada que mais contratos ganhou no Iraque, do qual não saiu imaculada, a Blackwater é, parece-me, colocar Moçambique a jeito para uma catadupa de consequências, das quais as mais previsíveis poderão ser as seguintes:
- Os americanos da “Era Trump”, que em questões de Política Externa, apenas diferem dos da “Era Obama” por serem mais agressivos, bem patente na recente questão sobre Jerusalém, poderão muito bem forçar Moçambique a aceitar albergar em Cabo Delgado a almejada Base Central de Comando Militar Americano em África, vulgarmente conhecida por AFRICOM, em troca do investimento de Prince no Pacote EMATUM, Proindicus e MAM, segurando a economia moçambicana e, beneficiando também os americanos de uma vasta frota pesqueira pelo mar moçambicano, o que apertaria ainda mais a malha da monitorização de pesca ilegal e migração por via marítima;
- Com a AFRICOM instalada em Cabo Delgado, teremos que acrescentar a esta Província a etiqueta “No Go Zone” e, considerar Moçambique como um potencial alvo de actos terroristas, vindos sobretudo do Iraque, ou com voz de comando nesta origem, como vingança por o país acolher um inimigo declarado, de nome Eric Prince.
Outras razões para a criação de uma “No Go Zone”
Há uma memória colectiva moçambicana muito forte sobre Gungunhana, a sua resistência e, sobretudo a propósito da captura do então “Leão de Gaza” em 1895, pelos portugueses, tendo este feito catapultado para a ribalta o seu captor, o Oficial de Cavalaria Mouzinho de Albuquerque, o mesmo que no ano seguinte chegará a Governador de Moçambique e Comissário Régio e, que ainda hoje tira o sono aos altos responsáveis da FRELIMO! É verdade, é que também faz parte da memória colectiva dos moçambicanos informados um plano gizado por Albuquerque na altura, o qual para tornar a Colónia economicamente mais viável, a partia em 3, tendo nos principais rios as fronteiras desta “Federação antes-da-letra”. Assim e, para além de se ter insurgido contra a mudança da capital da Colónia da Ilha de Moçambique para Lourenço Marques (precisamente porque do Rio Zambeze para norte era onde os portugueses tinham “menos chão”), projectava um Moçambique tripartido, de sul para norte entre os rios Maputo e Save, entre o Save e o Zambeze e entre o Zambeze e o Rovuma.
Ora, segundo o resultado das últimas eleições provinciais moçambicanas, este projecto federativo vai ao encontro das ambições da RENAMO, vencedor no centro e norte do país, mas impedido de governar. À FRELIMO e ao Governo de Moçambique, interessam assim ter uma razão válida para a deslocalização e descentralização do seu aparato militar, tendo em Cabo Delgado, “Província Petroleira”, a conjugação perfeita de factores que a obrigam a ter uma presença musculada.
Veremos ao longo de 2018, a evolução dos acontecimentos, não esquecendo que o ex-PR Guebuza jogou sempre com o fantasma da presença da Al-Qaeda no país, parecendo que o actual PR Nyusi, joga com presença do Al-Shabab!
www.bragapiresraul.pt
Politólogo/Arabista/Colaborador VOA/Radar Magrebe

Estava desaparecida desde o verão de 2016. Corpo foi recuperado


A polícia espanhola conseguiu encontrar os restos mortais de Diana Quer, depois de o suspeito detido esta semana ter colaborado
A Guardia Civil espanhola encontrou esta madrugada o corpo de Diana Quer, jovem de 18 anos que estava desaparecida há cerca de ano e meio. Ainda falta a confirmação oficial de exames médicos, mas as autoridades acreditam que é o fim do mistério para este caso.
A descoberta dos restos mortais só foi possível graças à colaboração de José Enrique Abuín Gey, mais conhecido por El Chicle, que foi detido esta semana e que além de ter confessado o crime indicou onde estava o corpo: num poço de uma antiga fábrica de Rianxo , na Corunha. O suspeito, de 41 anos e com antecedentes relacionados com tráfico de droga e abusos sexuais, terá começado por alegar que atropelou a jovem por acidente e atirado o corpo ao mar, mas terá acabado por confessar que a estrangulou depois de esta ter resistido a uma violação.
A fábrica onde o corpo se encontrava situa-se a cerca de cinco quilómetros do local onde se detetou pela última vez o sinal de telemóvel de Diana Quer e da terra natal do suspeito.
A mulher do suspeito revelou-se fundamental para resolver o caso. Rosario Rodríguez mudou de discurso e confessou que na noite do desaparecimento de Diana Quer o marido saiu de casa e que ela não o acompanhou.
A jovem estava de férias com a mãe e a a irmã na estância balnear A Pobra do Caraminal, quando desapareceu, a 22 de agosto, sem deixar rasto - e sem levar identificação ou dinheiro. As autoridades espanholas começaram por defender a tese de que esta tinha fugido de casa, já que dias antes houve uma discussão com a mãe.

A persistente tensão entre a Renamo e a Frelimo


O presidente Filipe Nyusi
O presidente Filipe Nyusi e o líder da principal força da oposição negoceiam acordo que ponha fim a ciclo recorrente de conflitos.
A principal força da oposição em Moçambique continua a criticar a Frelimo, partido no governo, por aquilo que considera a lentidão das negociações conduzidas pelo presidente Filipe Nyusi e pelo líder da Renamo, Afonso Dhlakama, para se chegar a um acordo definitivo que ponha fim ao ciclo de confrontos entre os dois partidos após cada processo eleitoral.
Desde o acordo de paz de Roma, assinado em 1992, a cada ciclo eleitoral a Renamo tem afirmado ser vítima de fraude eleitoral por parte da Frelimo. As eleições transformaram-se assim num foco de tensão permanente entre os dois partidos, e as acusações mútuas têm conduzido invariavelmente ao reacender de conflitos armados, especialmente no centro de Moçambique, onde a Renamo dispõe de forte implantação.
Atualmente, Nyusi e Dhlakama discutem questões relativas à eleição dos governadores provinciais (hoje são nomeados pelo governo) e à integração dos elementos do braço armado da Renamo nas forças militares moçambicanas.
A instabilidade decorrente da tensão Frelimo-Renamo tem produzido efeitos negativos na economia do país, prevendo-se que o PIB venha a crescer na ordem dos 5%, abaixo do patamar dos 7% considerado o necessário para corrigir as situações de pobreza e desenvolver a estrutura produtiva. Este é um problema que tem de ser resolvido, pois com a população a crescer a ritmo elevado (a taxa de fertilidade da mulher moçambicana está numa média de quatro a cinco crianças), a não haver criação de riqueza, as desigualdades sociais não deixarão de se intensificar.
A presente crise teve origem nas eleições gerais de outubro de 2014, em que a Frelimo obteve a maioria no Parlamento assim como o seu candidato, Filipe Nyusi, ganhou as presidenciais. Desde então, a Renamo e as forças governamentais têm estado envolvidas num conflito de baixa intensidade que se espera que termine de vez com o acordo entre Nyusi e Dhlakama. Mas nenhum documento chegou ainda ao Parlamento, que os deve ratificar. Sintoma de que as incertezas e a tensão vão permanecer.

Narcos à Pérola do Índico


Elisio Macamo



Recentemente vi a série “Narcos” da Netflix, a história dos cartéis colombianos da droga. Interessaram-me mais as primeiras duas temporadas que retrataram a ascensão e queda de Pablo Escobar. Como é difícil assistir estas coisas sem sucumbir à tentação de fazer sociologia, vi a série com olhos de sociólogo. A arte e a literatura possuem, (in)felizmente, algo que a sociologia não tem: o olho para o detalhe. Como disse uma vez alguém, cujo nome não me ocorre agora, enquanto a sociologia é a fotografia aérea, a literatura é o retrato.

Com efeito, o que empobrece a sociologia é depender de palavras para ver e mostrar. Nenhuma das palavras ao seu dispôr é capaz de retratar a formação das coisas no momento em que se constituem. A sociologia fala do antes e do depois. A arte e a literatura falam da ligação entre o antes e o depois. Elas sabem usar a nossa imaginação para completarem as suas obras. O sociólogo perde-se na procura pela palavra certa.

Fiquei com inveja de quem fez “Narcos”. Mostrou como as circunstâncias fizeram Pablo Escobar, portanto a ligação entre o antes e o depois. Quem lê sobre Escobar hoje pensa (sociologicamente) estar perante uma figura formidável que desde o início foi assim e que implementou meticulosamente um plano de ser o grande barão da droga que ele se tornou. A série mostra, contudo, exactamente o contrário. Escobar foi um desgraçado que por circunstâncias fortuitas se encontrava em determinados momentos em posição de tomar decisões com grandes repercussões. A sua ingenuidade aliada à falta de respeito pela vida humana de quem não lhe fosse próximo levaram-no a tomar decisões que no contexto político e económico da Colômbia fizeram dele um factor incontornável.

Não era melhor bandido do que ninguém, não tinha um sentido estratégico mais apurado do que os outros bandidos. Mas a sua ingenuidade e falta de piedade naquele contexto e naquele momento ajudaram-no a levar a melhor sobre os outros. A sua história não tinha nenhum enredo. Fez-se ao sabor dos acontecimentos. Qualquer momento negocial, por qualquer que fosse a razão, servia para ele trazer tudo o que lhe ocorresse à mesa das negociações. Aquela ideia de Christian Geffray, o falecido antropólogo francês que estudou a guerra da Renamo em Nampula, de “corpo social”, isto é, de algo que cria as condições para a sua própria reprodução, vem aqui a calhar. Isto é, o caos que Escobar criou serviu também para fazer dele parte da solução.

Li esta manhã a entrevista concedida pelo líder da Renamo à STV e não pude resistir aos paralelos. Moçambique, à semelhança da Colômbia, está refém dum desgraçado que se tornou um factor formidável não graças a qualidades excepcionais, mas sim à sua ingenuidade e falta de respeito pela vida humana. Não é um líder nato. Calhou estar num sítio num determinado momento e beneficiando de todo um conjunto de circunstâncias (excessos ideológicos da Frelimo gloriosa, fragilidade dum estado em formação, etc.), incluindo, curiosamente, os próprios erros (a sua incapacidade em transformar a Renamo num partido político constitui, no contexto de Moçambique, um trunfo) foi vendo a sua história a ser construída pelo acaso. Tal como Escobar, é visto por muita gente como uma espécie de Messias. De parte do problema passou a ser parte da solução perante a credulidade de muitos que olham para o seu próprio país como se fossem meros espectadores. Retiram excertos da entrevista onde ele ridiculariza o governo, postam-nas no Facebook e riem-se esquecendo que se estão a rir de si próprios. Não veem o verdadeiro ridículo da situação que consiste em serem reféns dum desgraçado. Pensam que se riem do governo.

A entrevista voltou a mostrar a forma irresponsável e desrespeitosa para com os moçambicanos como o Chefe de Estado tem estado a gerir este dossier. Os detalhes que ele não dá ao povo que o elegeu, o líder da oposição dá. Enquanto ele vai ao Parlamento elogiar os esforços do líder da oposição pela paz (que ele violou, diga-se de passagem), este último apresenta o Chefe do Estado como alguém que não tem poder de decisão, é inexperiente e não tem força suficiente para se impor, razão pela qual faz as coisas na calada. Na série “Narcos” Escobar chegou a “negociar” com o presidente colombiano a construcção duma prisão num lugar por ele escolhido e sem guardas prisionais do estado colombiano, local a partir do qual ele viveu à grande e continuou a controlar os seus negócios ilícitos. Isto é, o estado colombiano capitulou. É difícil não ver nos planos revelados pelo líder da Renamo na entrevista da STV a capitulação do Estado moçambicano. De alguém que reagiu à derrota eleitoral com violência (violando a constituição da República), o líder da Renamo passou, com a ajuda do governo moçambicano, para grande obreiro da descentralização e factor de paz.

Nem sempre o país me dá razões para dele me sentir orgulhoso. No governo ainda vejo, apesar de tudo, razões para algum orgulho, ainda que seja mais no estilo daquele aviso que se colocava nos “saloons” do “Wild West” americano: “por favor, não mate o pianista; ele está a fazer o seu melhor”. Mas sempre que vejo o fascínio da nossa imprensa e de alguma massa “(des)intelectual” pelo nosso Escobar fico desesperado. É incrível a nossa falta de auto-estima.

E como sempre, vai aparecer alguém aqui a perguntar por alternativas. Pois, não tenho nenhuma. Creio, contudo, que havia mais opções que não foram exploradas. O processo eleitoral teve irregularidades. Corrigi-las respeitando a Constituição e aqueles que a respeitam é o mínimo que se podia esperar dum governo democraticamente eleito. Isso passava por envolver o maior número possível de moçambicanos na correcção dessas irregularidades mantendo o ônus da violação da constituição por cima da Renamo e do seu líder. Para mim é completamente incoerente ouvir as autoridades a classificarem os atacantes de Mocímboa da Praia de “terroristas” quando ao mesmo tempo demonstram pelos seus actos que o crime compensa.






























































Contra Elisio Macamo

O maior filósofo e epistemológo do século passado Karl Popper escreveu um dos seus mais famosos livros "Contra Marx". Quando estava a ler o texto do Professor Elisio Macamo num dos perfis do José de Matos e do Homer Wolf (Reféns de um desgraçado) recordei-me imediatamente da crítica do Popper a Marx. Mas a maior crítica fê-lo em outro livro ainda mais famoso: "A Sociedade Aberta e seus Inimigos. Platão, Aristóteles, Hegel e Marx falsos Profetas". Pensei se podia usar um destes atributos que Popper usou. "Inimigo"? "Falso profeta"? Penso que podia usar os dois. O de inimigo e do falso profeta.
1. Inimigo porque impede a realização da "Sociedade Aberta" sendo verdadeiros obstáculos de construção de sociedade democrática baseada em consenso produzido pelo diálogo. 2. Falso profeta porque fazendo-se passar pelo intelectual traz receitas erradas de construção de "Sociedade Fechada", intolerante que elimina quem pensa diferente.

Para alem de Popper recordei-me também de outros intelectuais promotores de anti-democracias e defensores do fascismo e nazismo, estou a falar do grande filósofo e intelectual italiano Giovanni Gentile (Castelvetrano, 30 de maio de 1875 — Florença, 15 de abril de 1944) juntamente com Benedetto Croce. Os dois foram dos maiores expoentes do neoidealismo e do fascismo italiano e nazismo. Sem falar do grande Hegel, mestre de Karl Marx e Feuerbach (o ateu e materialista alemão).
O racismo e anti-democracia sempre tiveram defensores intelectuais. Não me admira nada que um destes indivíduos venha aqui a desprezar os esforços do Presidente Nyusi atribuíndo a Dhlakama o adjetivo depreciativo de "Desgraçado" ao nível do narcotraficante Escobar.

Não só as anti-democracias tiveram grandes defensores intelectuais como também o racismo. O racismo "cientifico" quis afirmar-se como ciência autônoma. Primeiro chamado de etnologia deluindo-se agora em antropologia cultural.

De entre aqueles que elevaram o racismo ao estatuto de ciência se afiguram grandes personalidades como Aristóteles, o alemão Immanuel Kant, o francês Jean Jacques Rousseau. Este último comparou o negro com um ser inocente (criança), tambem fez o mesmo o Levy-Bruhl que considerou o negro de pre-lógico. Já Hegel viu no negro uma criança num corpo de um adulto.

Na construção de consensos que caracteriza a "Sociedade Aberta" encontram-se muitos inimigos na óptica de Popper. Elisio Macamo é um destes inimigos.
Os maiores inimigos da sociedade aberta são os intolerantes, exactamente aqueles que se fazem passar por grandes intelectuais e encontram mentes tão ingênuas pra os crer.
Popper apontou como grandes inimigos os intelectuais de grandeza não de Elisio mas de Platão, Aristóteles, Hegel e Marx aqueles que fizeram a história intelectual da humanidade. Estes aparecem como profetas usando estatutos intelectuais pra destruir a construção de consensos, a democracia e sociedade aberta pra no seu lugar construir "Sociedade Fechada", ditatorial e intolerante. Objectivos? muitas vezes obscuros.

Professor Elisio foi comparar Dhlakama (oposição política admitida em todos países civilizados) com um dos maiores, senão o maior narcotraficante de todos os tempos o senhor Escobar pra tornar credível a sua argumentação confundindo as pessoas que quem pega a arma pela droga tem o mesmo estatuto com o de quem luta pelas mudanças sociais muitas vezes não perceptíveis naquele momento.
O senhor Macamo não sabe ou deveria saber porque são questões elementares de que não existe a democracia sem as diferenças ideológicas, diferenças de visão e diferenças de pensamentos. Estas diferenças podem extremar-se passando da convivência pacífica à beligerância. As grandes mudanças sociais infelizmente foram feitas beligerantemente. Incluindo a nossa independência. Mas a racionalidade humana e o bom senso faz apelo pra ultrapassar diferendos através do diálogo, o que implica o abandono da solução pela violência. Isso é o que o Presidente Nyusi tem vindo incansavelmente a fazer.

É normal a existência de diferendos numa sociedade plural e democrática onde as soluções devem passar pelo diálogo. A construção de consensos pra citar o grande professor Mazula exige inteligência e equilíbrios dos envolvidos.

Na óptica de Macamo Moçambique está refém de Dhlakama tanto seria útil como foi pra Colômbia assassina-lo a maneira de Escobar, ou seja eliminar os focos de diálogo e qualquer esforço tendente à solução através do diálogo.

O professor Macamo sugeriu fazendo um paralelismo com Escobar justamente pra ver uma medida cirúrgica a colombiana que passaria por não perder o tempo com o "Desgraçado" do senhor Dhlakama pra usar as suas palavras, o análogo de Escobar mas caça-lo e assassina-lo justamente como um narcotraficante.
Como trouxe Colômbia pra sustentar os seus argumentos, a própria Colômbia mostra ao Professor Macamo e ao povo moçambicano que ele (Macamo) não lê a história. Quando FARC foi criada em 1964 com seu líder Manuel Marulanda Velez o governo colombiano apostou em armas pra eliminar a farc, o tempo foi passando, o povo a sofrer por 10, 20, 30, 40, 50 anos até hoje que apareceu o presidente Juan Santos que apostou no diálogo.

A visão belicista e intolerante do Professor Macamo não tem enquadramento possível nas ciências modernas e nas sociedades abertas modernas. Nem na antropologia política onde acção de um político não pode ser comparada com a de um narcotraficante, nem na filosofia política contemporânea que respeita a oposição política, promove a tolerância e o diálogo pra ultrapassar os diferendos, nem pode ser enquadrada nas ciências políticas contemporâneas onde as diferenças ideológicas que geram adversários não devem gerar inimigos.
Único inimigo da sociedade aberta segundo Popper é o intolerante e este intolerante será o Professor Macamo.
Vamos apoiar os esforços de pacificação de Moçambique. Bem haja Presidente Nyusi e Dhlakama. O partido Frelimo apoiou o presidente Nyusi encorajando-o a continuar.
Se o presidente Nyusi respondesse com fogo e mais o fogo da Renamo teríamos o país a arder. A economia seria aquela dos anos 80 quando a guerra destruiu tudo e queríamos resolver tudo pelas armas. Perdemos 16 anos da nossa história (comendo repolho e sal) e com os falsos profetas podemos voltar ao retrocesso sem igual.

Nestas lutas a guerrilha sempre sobrevive, o povo sofre e o país empobrece.

Voltando a Colômbia o pais de eleição do Professor Macamo ele (Macamo) teria aprendido da lição dada pelo Presidente pacifista da Colômbia, Juan Manuel Santos que eliminou a guerra com a FARC que durava há mais de 50 anos através do diálogo. Santos como Nyusi se empenhou pessoalmente nas negociações que trouxeram a paz aos colombianos. Juan Santos ganhou prêmio Nobel de paz. Hoje a farc está desarmada e a integração uma realidade.
Atentos aos falsos profetas.

Seguidores de Amurane indignados com demora no esclarecimento do assassinato


Seguidores de Amurane indignados com demora no esclarecimento do assassinato
“Amurane vive em cada um de nós”, foi o lema lançado por ocasião dos três meses sem esclarecimento do assassinato do edil da cidade de Nampula, Mahamudo Amurane.
A comissão central do projecto político do assassinato do edil da cidade de Nampula encerrou o seu ano, esta sexta-feira, considerando que o mesmo foi negro. O grupo contesta o comportamento de  algumas organizações políticas sedeadas nesta autarquia que  alegadamente usam o nome de Mahamudo Amurane para ganharem popularidade.
O grupo ainda mostra-se indignado pelo silêncio e demora no esclarecimento do caso, passados  três meses após a morte do seu líder.
As actividades alusivas ao encerramento do ano do projecto político de Mahamudo Amurane, iniciaram com  uma limpeza ao cemitério onde jazem os restos mortais do edil, seguindo se uma marcha a pé, numa distância  de mais de seis quilómetros, até a  residência particular do falecido presidente do conselho municipal da cidade de Nampula.

sábado, 30 de dezembro de 2017

“Podemos terminar na dependência de um só produto de exportação”


“Podemos terminar na dependência de um só produto de exportação”
Salvador Namburete, economista e antigo ministro da Energia, lançou, na quarta-feira, o seu terceiro livro onde faz um olhar para as exportações no país e sugere medidas para melhorar e aumentar o volume das exportações, diversificando os produtos de exportação
“A Exportação em primeiro: valorizando o papel da exportação no país” é o título do terceiro livro. Esta obra faz uma retrospectiva da área das exportações no país nos últimos anos. Como se comporta o sector e qual foi a sua evolução?
Nos últimos 30 anos, a exportação aumentou em termos absolutos, mas houve uma deslocação dos produtos que contribuem para a receita de exportação. Nos anos 80 à 90, cerca de 80 por cento das exportações do país eram constituídas por produtos de origem agrícola, nomeadamente: o caju, o algodão, o sisal, o chá, madeiras, citrinos; e do sector de pescas, particularmente o camarão. Este era o grupo de produtos que fazia o grupo de 80 por cento das exportações, na altura. Hoje, este grupo apenas representa 8 por cento e alguns dos produtos até desapareceram, o sisal, o chá. E o que tomou o lugar destes produtos são produtos da área mineira, nomeadamente: o carvão mineral, as áreas pesadas, o alumínio, o gás e a electricidade. E estes cinco produtos actualmente representam 80 por cento das exportações. A nossa produção nacional, particularmente da áreas que mencionei anteriormente, cujo impacto vai até aos camponeses, está a perder o seu peso. Havia também na época uma pequena indústria que se estava a desenvolver e que tinha também seu espaço no mercado internacional. Este país já produziu vagões, material rolante, já exportou candeeiros, embalagens de vidro, rádios, entre outros produtos da pequena indústria e que hoje desapareceram.

Quais foram os motivos para este desaparecimento?
O principal motivo, na minha óptica, é que não foram amparados quando foi iniciado o ajustamento estrutural, por se tratar de produtos cujo processamento requeria, em grande parte, materiais importados. Quando se iniciou o ajustamento, os componentes importados tornaram-se mais caros e as empresas não podiam continuar a importar, a não ser que tivessem uma almofada no âmbito de um hipotético fundo de promoção das exportações que havia sido pensado na altura e não foi implementado.

Fez referência que 80 por cento das exportações são provenientes de produtos de origem mineira, que impacto este facto tem para as exportações?
Estamos num cenário em que destes 80 por cento de produtos de exportação, ou melhor, que contribuem para 80 por cento das receitas de exportação do país, quatro dos cinco produtos são propriedade de investidores estrangeiros. As areias pesadas, o alumínio, o gás natural e o carvão mineral são todos de investidores estrangeiros e isso tem efeito sob ponto de vista das estratégias de exportação. Para aquilo que o país exporta, registamos um crescimento do ponto de vista de volumes de exportação, mas em termos de receitas para aquilo que fica no país, o impacto é pequeno, porque não são investidores nacionais que produzem. 

Que consequências este facto terá no futuro?
A tendência que se verifica de sairmos dos produtos que eu mencionei anteriormente para os produtos de origem mineira é corrermos o risco de um dia começarmos a exploração em grande escala de gás natural do Rovuma e termos o problema de todos esses outros produtos serem abandonados e passarmos a depender de um só produto, que para todos os efeitos é um produto primário e que está sujeito aos constrangimentos ou a instabilidade dos mercados internacionais. Inclusivamente, podemos terminar numa situação em que muitos países que terminaram, na dependência de um só produto, quando o preço desse mesmo produto cai no mercado internacional.

E quais são as medidas que devem ser tomadas para revitalizar as exportações dos produtos agrícolas ou de investidores nacionais?
Há semelhança do que vemos nos outros países, Moçambique deveria eleger e priorizar alguns produtos que acha que tem vantagem comparativas, promover e posicionar-se com força no mercado internacional. No nosso caso, eu proponho que se comece por dois produtos da área tradicional, nomeadamente o caju e o algodão. Este país já foi o maior produtor de caju nos anos 70. Perdeu esses espaço, mas pode recupera-lo, a terra esta aí, mas tem que ser na óptica do desenvolvimento de toda a cadeia de valor, porque não é produzirmos caju para continuarmos a exportar em bruto, não processado, ou simplesmente descascar e exportar. Se seguirmos toda óptica do desenvolvimento da cadeia do sector, o valor da exportação do caju irá aumentar. O outro produto da área tradicional é o algodão. Olhando só para a popularidade da capulana neste país e saber que a capulana que é usada é importada num país que tem um potencial enorme de produção de algodão e desenvolvimento da cadeia de valor, dói um pouco. Na área não tradicional, proponho a exportação de flores, as de corte e plantas ornamentais. Há muitos países, inclusive os da nossa região, que produzem e exportam flores, este negócio é exigente, mas quando se consegue cumprir com todas as exigências do mercado, é altamente lucrativo. O meu estudo concluiu que a relação entre o Produto Interno Bruto (PIB) e as exportações é positiva, estatisticamente significativa, e a direcção causal é da exportação para o PIB. Por exemplo, o crescimento de um por cento na exportação provoca um crescimento de 0.52 por cento no PIB, o que é uma contribuição significativa.

Referiu anteriormente que no seu livro propõe algumas políticas, quais são?
A primeira sugestão de política é o reforço técnico e financeiro da Função de Promoção de Exportações, para permitir que haja uma entidade, neste caso a Agência de Promoção de Investimentos e Exportação (APIEX) que é criada na sequência da extinção das três agências que tínhamos aqui o CPI, o IPEX e o GAZEDA. Então, a nível da APIEX que se reforce financeira e tecnicamente a função de promoção de exportações, para garantir o seu maior impacto. A segunda proposta é que haja uma campanha de educação cívica dirigida aos cidadãos, de preferência que se inicie nas idades mais tenras, porque à medida que as pessoas vão crescendo, saibam que existe uma coisa chamada exportação, sem a qual nenhum país sobrevive. Nós precisamos exportar para podermos sobreviver. E por último, reforçar as medidas de incentivos para os exportadores. Existem incentivos que podem ser melhorados, que podem ser reforçados, para que tenham impacto. Os nossos exportadores não tem recursos para fazer estudo de mercado e para fazer prospecção do mercado, para promover os seus produtos.

Em algumas regiões do país, os camponeses têm produzido grandes quantidades de produtos agrícolas, mas não conseguem encontrar mercado para o seu escoamento, em alguns casos os agricultores são obrigados a vender os seus produtos a um preço muito inferior, não rentável. Temos o exemplo da campanha agrária 2016/2017 em que os agricultores produziram muito feijão bóer, mas tiveram muitas dificuldades para encontrar compradores. Para provar que impulsionar a produção não é suficiente, que medidas devem ser tomadas para que este tipo de cenário não se repita?
É preciso equipar as instituições que têm a missão de promover as exportações dos meios necessários, para que possam actuar. Eu acredito que se essa situação ocorreu porque as entidades intervenientes foram confrontadas com problemas inicialmente não identificados que deveriam ter sido descobertos e resolvidos a tempo. Não me pareça que seja um problema de falta de clareza sobre a necessidade de actuar, mas sim de meios. É preciso estar em cima do acontecimento como se costuma dizer, mas para isso são necessários recursos. E insisto que a APIEX deve ser reforçada tecnicamente e financeiramente para poder realizar melhor o seu papel, para que possa ajudar a minimizar problemas como esse. O reforço das instituições não precisam ser apenas com recursos nacionais. O país pode firmar também parcerias com outras nações que podem ajudar no apetrechamento destas instituições. Há uma grande disponibilidade dos parceiros em colaborar nesta área. Quando o programa ou projecto é muito bem formulado, os parceiros não têm medo de ajudar.

Moçambique é um dos países abrangidos pela Lei de Crescimento e Oportunidade para África (AGOA), que é uma iniciativa que prevê que produtos provenientes de certos países entrem para o mercado norte-americano livres de pagamentos de direitos e restrições quantitativas. Segundo dados recentemente revelados pela Embaixada dos EUA no país, em 2016, as exportações para os EUA situaram-se pouco acima de 100 milhões de dólares, sendo que no âmbito do programa AGOA foram pouco mais de um milhão de dólares. Comparativamente aos outros países, esta cifra é reduzida. Como ou o que se deve fazer para que Moçambique possa tirar maior proveito deste programa?
Quando uma moeda de um determinado país se deprecia ou é desvalorizada, a sua produção torna-se mais barata, mais competitiva e em melhores condições competitivas de ser colocada no mercado internacional. É o mesmo com oportunidades que nem a AGOA ou o programa criado pela União Europeia que o país não tem sido capaz de aproveitar, porque faltam apoios, intervenções fundamentais no sector produtivo e produção para exportação. Portanto, este papel de promoção da exportação precisa mesmo de ser retomado e reforçado. Estas oportunidades passam ao lado, porque quando o metical se deprecia, por exemplo, havendo produtos com qualidade para exportação, automaticamente as portas do mercado internacional ficam abertas para a sua entrada. Nós vimos, nos dois, três últimos anos, que o metical depreciou-se de forma significativa, mas tanto quanto eu sei, a exportação não aumentou muito, porque não havia produção em quantidade e qualidade para se poder aproveitar o facto da depreciação da moeda. Temos a AGOA, o Programa Comunitário de Assistência às Empresas dos Países da África Caraíbas e Pacífico e outros bilaterais há vários anos, mas o nosso grande problema é na produção. O facto é que se nós não actuarmos para diversificar a exportação, podemos terminar numa situação muito difícil de dependência de um ou dois produtos sujeitos a grandes oscilações do mercado internacional.

Quais foram as motivações para escrever sobre exportações em Moçambique?
As motivações são várias. Em primeiro lugar, o facto de trabalhar na exportação há vários anos, quase toda a minha carreira trabalhei no comércio externo, envolvi-me muito no país em termos de formulação de políticas e criação de algumas instituições ligadas as exportações. Segundo, a minha formação académica, já fiz duas teses, uma para o trabalho de licenciatura em Economia na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em 1999, em que o tema era: O Impacto da Desvalorização Sobre a Exportação no Contexto do Ajustamento Estrutural em Moçambique. Em 1994, desenvolvi um tema parecido como tese de mestrado na Universidade de Lancaster, na Inglaterra, com o tema: A Promoção da Diversificação das Exportações Sobre o Ajustamento Estrutural em Moçambique”, em que efectivamente o principal objectivo era avaliar se as políticas de ajustamento estrutural, nomeadamente com recurso à desvalorização da moeda, tinham ou não impacto no caso da realidade de Moçambique. A outra motivação é ajudar na formação de políticas. O objectivo do meu livro não é dar nenhum tipo de recado a quem quer que seja. O objectivo é colocar o resultado de uma análise baseada em métodos científicos e técnicos correctos geralmente utilizados em outras realidades para avaliar Moçambique. Tudo o que eu digo em jeito de proposta são apenas ideias e sugestões que podem ser vistas de forma positiva ou simplesmente como mais uma referência, e quem deve tomar as decisões irá as tomar através dos seus melhores critérios.  Esta obra pode também servir de bibliografia para os estudantes na elaboração dos seus trabalhos de fim de curso ou de pesquisa.

Mais sete corpos encontrados em Sofala


Mais sete corpos encontrados em Sofala
Mais sete corpos foram encontrados, na manhã de hoje, nas matas do distrito de Cheringoma, em Sofala.
Os corpos foram achados por camponeses, a cerca de 35 quilómetros do local onde foram encontrados os primeiros 13. A Procuradoria acredita, por isso, que os estes pertenciam ao mesmo grupo.
De acordo com a Procuradoria Provincial de Sofala, os corpos estavam em alto estado de decomposição e os resultados da perícia indicam que as vítimas morreram por asfixia.
Com estes corpos, totalizam-se 24 encontrados na província de Sofala nos últimos sete dias.