domingo, 31 de janeiro de 2016

Angola: Relatório Mundial 2016 - Direitos humanos


New York - O governo do presidente José Eduardo dos Santos continua a violar os direitos humanos em Angola, apesar dos vários compromissos assumidos para melhorar o seu historial. Em Março, o governo angolano disse que iria aceitar várias das recomendações resultantes da Revisão Periódica Universal do país, realizada pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas em Outubro de 2014. No entanto, no mesmo mês, aprovou uma lei restritiva que regulamenta o trabalho das organizações não governamentais (ONG). As forças de segurança continuam a reprimir os meios de comunicação independentes, os activistas de direitos humanos e outros críticos do regime através da instauração de processos criminais por difamação, detenções arbitrárias, julgamentos injustos, intimidação, assédio e vigilância. Dois proeminentes activistas de direitos humanos foram condenados a penas de prisão na sequência de julgamentos iníquos, o que envia uma mensagem inequívoca de tolerância zero com as vozes dissidentes.

Fonte: Human Rights Watch

Eventos de 2015
As forças de segurança detiveram arbitrariamente e fizeram uso de força excessiva contra críticos do governo. Além disso, também impediram diversos protestos pacíficos e outros encontros contra o governo. Em Junho, a polícia deteve 15 activistas que se haviam reunido para ler e discutir livros sobre resistência pacífica. Na província do Huambo, em Abril, a polícia matou um número desconhecido de fiéis de uma seita religiosa, durante uma operação que tinha como objectivo prender o líder da seita.


Liberdade de Expressão
A liberdade de expressão em Angola continua sujeita a fortes restrições devido à repressão do governo, censura e autocensura dos meios de comunicação estatais e dos órgãos de comunicação privados, controlados por oficiais do partido no governo. Houve ligeiros avanços em 2015, quando alguns órgãos de comunicação, incluindo a televisão estatal TPA e o canal privado Zimbo, começaram a permitir que a oposição e grupos da sociedade civil participassem nas suas discussões semanais em directo sobre direitos humanos, segurança e activismo juvenil. No entanto, as discussões públicas sobre estes temas de natureza sensível continuam a ser extremamente raras.

O governo continua a servir-se regularmente da legislação em matéria de difamação e de outras leis abusivas para silenciar os jornalistas. Em Março, o ministro da justiça e direitos humanos, Rui Jorge Mangueira, acolheu positivamente as preocupações expressas pelo Conselho de Direitos Humanos relativas ao direito à liberdade de expressão em Angola, mas insistiu que as actuais disposições sobre difamação presentes na constituição do país cumpriam os padrões internacionais. O governo angolano defende as disposições constitucionais sobre difamação, calúnia e delitos semelhantes, afirmando que protegem os interesses do lesado e não violam ou restringem o direito à liberdade de expressão.

Os blogues e as redes sociais continuam a ser os principais canais de debate aberto em Angola. Em Julho, vários indivíduos, incluindo José Gama, que as autoridades acreditam estar ligado ao site de notícias Clube-K, e Rafael Marques, editor do site de notícias Maka Angola, foram interrogados pelos serviços de informação a propósito da origem e do conteúdo de alguns artigos sobre o procurador-geral publicados nos respectivos sites. Os artigos sugeriam que o procurador-geral, João Maria Moreira de Sousa, utilizara o seu gabinete para, de forma deliberada e ilícita, visar uma empresária.

Em Maio, Rafael Marques, um proeminente jornalista angolano e activista de direitos humanos, foi condenado a seis meses de prisão com pena suspensa durante dois anos por difamar criminalmente sete generais de alta patente do exército angolano num livro publicado em Portugal em 2011. O tribunal proibiu Rafael Marques de republicar o livro e de traduzi-lo. O activista havia acusado os queixosos de envolvimento em tortura, violações e assassinatos. Apesar de o prazo legal para apresentar acusações formais ter terminado em Junho de 2014, o processo judicial continuou a decorrer. A procuradoria-geral arquivou uma queixa apresentada por Rafael Marques contra os generais e associados em 2012 e não investigou as alegações.

Em Junho, um grupo de 15 proeminentes activistas, a maioria dos quais é membro do Movimento Jovens Revolucionários de Angola, foi detido em Luanda, a capital, no seguimento de uma reunião onde leram e discutiram livros sobre métodos não violentos de protesto. Duas outras activistas do sexo feminino foram igualmente interrogadas em Agosto, não tendo sido detidas. Todos os activistas foram acusados de preparação de rebelião e atentado contra o presidente da república e as instituições do Estado. Caso sejam considerados culpados, podem vir a enfrentar penas de prisão pesadas.

Pelo menos quatro dos activistas fizeram greve de fome para protestar contra a sua detenção e encarceramento. Henrique Luaty Beirão pôs fim à sua greve de fome após 36 dias de protesto, em resposta aos pedidos de familiares e amigos. A data do julgamento foi agendada para Novembro. Alguns dos 15 activistas detidos foram mantidos em prisão preventiva mais de 90 dias sem acusação formal, o que ultrapassa os três meses permitidos pela legislação angolana.

Os jornalistas que fizeram a cobertura dos protestos em Luanda e outros lugares, incluindo o enclave de Cabinda, célebre pela sua riqueza petrolífera, foram igualmente assediados e detidos por agentes de segurança do Estado. Em Agosto, Nelson Sul d'Angola da Deutsche Welle foi brevemente detido pela polícia em Luanda, no seguimento de uma visita aos 15 activistas presos. Também em Agosto, Coque Mukuta da VOA foi detido em Luanda, quando familiares e amigos dos 15 activistas detidos tentaram realizar uma marcha pacífica. A polícia apreendeu o seu equipamento.


Direito à Reunião Pacífica
O artigo 47.º da Constituição de Angola permite que os cidadãos protestem sem autorização prévia, desde que informem as autoridades com a devida antecedência. No entanto, o governo continuou a responder a todas as manifestações pacíficas contra o governo com força excessiva e detenções arbitrárias, alegando que alguns dos protestos haviam sido organizados por pessoas que tinham a intenção de desestabilizar o país. Em 2015, não houve registo de nenhuma manifestação ou marcha pacífica contra o governo que tenha sido autorizada pelas autoridades. Todas as tentativas dos apoiantes dos 15 activistas do Movimento Revolucionário detidos de realizar vigílias ou marchas pacíficas foram proibidas.
Muitos dos que tentaram organizar protestos acabaram por ser detidos, encarcerados e julgados em processos judiciais injustos. Em Março, Arão Bula Tempo, advogado especializado em direitos humanos e presidente do Conselho Provincial de Cabinda da Ordem dos Advogados de Angola, foi acusado de rebelião por ter planeado uma manifestação pacífica contra a corrupção. Foi libertado em regime de liberdade condicional e aguarda julgamento. Em Setembro, Marcos Mavungo, um proeminente activista de direitos humanos que fora detido em Março, foi condenado a seis anos de prisão por tentativa de organização de um protesto contra a má governação e as violações de direitos humanos na província de Cabinda. Em Outubro, as autoridades de Cabinda impediram a Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD) de realizar workshops sobre transparência na indústria petrolífera.


Conduta das Forças de Segurança
As forças de segurança continuam a ser implicadas no uso excessivo de força. Em Abril, o partido da oposição, União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), acusou as forças de segurança angolanas do assassinato de centenas de membros de uma seita religiosa cristã, a Igreja do 7.º Dia Luz do Mundo, liderada por José Kalupeteka em Caala, província do Huambo. A polícia disse que nove agentes da polícia e 13 dos guarda-costas de Kalupeteka foram mortos durante o confronto, mas negou a ocorrência de um massacre. As autoridades permitiram que a comunicação social e deputados visitassem a área, mas apenas sob escolta policial. As autoridades recusaram os pedidos de grupos locais de direitos humanos, deputados da oposição do Parlamento e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos para a abertura de uma comissão independente para investigar os acontecimentos. Em Outubro, Kalupeteka foi formalmente acusado de crimes de homicídio, desobediência civil e posse ilegal de armas. Aquando da redacção deste relatório, ainda aguardava julgamento.
Num caso raro de responsabilização de agentes de segurança, sete agentes de polícia e de segurança do Estado foram condenados em Março a entre 14 e 17 anos de prisão pelo assassinato de dois organizadores de um protesto, Isaías Sebastião Cassule e António Alves Kamulingue. Os dois homens foram raptados, torturados e assassinados em 2012 após terem organizado uma manifestação de ex-guardas presidenciais e veteranos de guerra devido a queixas de salários e pensões por pagar.


Sociedade Civil
Uma nova lei que regulamenta as ONG em Angola, o decreto presidencial n.º 74/15, entrou em vigor em Março e restringe gravemente a independência da sociedade civil. Exige que as organizações da sociedade civil se registem junto de várias autoridades, incluindo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, antes de poderem começar a operar, que obtenham uma «declaração de idoneidade» emitida pelo governo, que realizem actividades que estejam em linha com as políticas do governo, que se sujeitem a supervisão por parte das autoridades, que apresentem contratos de financiamento para aprovação prévia, que permitam que as autoridades determinem os programas e projectos que deverão realizar e o local onde os projectos deverão ser realizados. Durante a 57.ª sessão ordinária da Comissão Africana de Direitos Humanos e dos Povos em Banjul, o secretário de estado angolano das relações exteriores reuniu-se com grupos angolanos e internacionais de direitos humanos e comprometeu-se a resolver as «zonas cinzentas» do decreto.

Em Setembro, o director da Open Society Foundation em Angola, Elias Isaac, foi interrogado pela polícia angolana sobre alegações de que a organização havia financiado o site Club-K, que assume uma postura crítica do governo. Isaac já fora acusado no passado por membros do partido no poder de financiamento de protestos contra o governo. A Open Society Foundation negou todas as acusações.


Actores Internacionais Fundamentais
A riqueza petrolífera e o poder militar de Angola continuam a fazer do país uma potência influente em África. José Eduardo dos Santos continua a desempenhar um papel importante na região, em particular nos conflitos na região dos Grandes Lagos de África. Em 2015, a França aclamou Angola como uma presença estável na região e os Estados Unidos elogiaram a Presidência de Angola na Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (International Conference on the Great Lakes Region, ICGLR). Além disso, ainda mantém o lugar de membro não permanente no Conselho de Segurança da ONU, cujo mandato só terminará em 2016.

O governo angolano não foi receptivo às críticas dos parceiros internacionais. Em Maio, na sequência das denúncias do alegado massacre no Huambo, o gabinete do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) instou o governo angolano a realizar «uma investigação verdadeiramente séria, independente e minuciosa» dos acontecimentos. O governo acusou o ACNUDH de violar os seus próprios procedimentos e exigiu um pedido oficial de desculpas.

Em Setembro, na sequência de uma resolução do Parlamento Europeu sobre os direitos humanos em Angola, que urgiu as autoridades a investigar e pôr termo às detenções e encarceramentos arbitrários e à tortura pela polícia e forças de segurança, o país negou as alegações e disse que a resolução se baseava num relatório parcial e subjectivo realizado por uma deputada europeia em visita privada ao país.

PGR processa Samakuva por crimes de reunião e injúria contra o regime


Luanda - A UNITA insurgiu-se quarta-feira, em Luanda, com os relatórios da Procuradoria-Geral da República (PGR) de 2011, 2012 e 2013 discutidos na Assembleia Nacional, onde consta o nome de Samakuva, para responder pelo processo-crime no 73/2013, pelos crimes de reunião e manifestação ilegal e injúria contra a autoridade pública.
Fonte: NJ
 “O presidente da UNITA, nem tem conhecimento deste processo”
Segundo uma declaração política da UNITA apresentada pelo presidente da bancada parlamentar, Adalberto da costa Júnior durante a III a Reunião Plenária ordinária da 4a sessão legislativa da III legislatura, “o presidente da UNITA, nem tem conhecimento deste processo e nunca foi notificado de tal facto”.
“Aqui vêm os nomes de alguns outros cidadãos, que são expostos no seu bom nome, porque são citados processos- -crime, acusações várias, mas houve pouco cuidado em dar indicações conclusivas do destino destes processos, misturando casos arquivados com processos onde os indiciados nem sequer foram notificados ou ouvidos até ao presente dia”, explica a declaração.

De acordo com a declaração “à PGR “passaram-lhe ao lado inúmeros casos de grande gravidade, sem que tivesse tomado qualquer posição, demonstrando algumas dificuldades de descolar de vínculos político-partidários e assumir uma mais do que necessária independência do executivo”.
Estado não compensa o cidadão Relativamente à proposta de lei de Alteração ao código de Registo Predial, submetida pelo executivo, foi aprovada quarta- -feira, na generalidade, com 158 votos a favor, zero contra e 38 abstenções, tendo a UNITA reclamado que “o cidadão paga taxas e o estado não retribui com serviços que correspondam a uma melhoria da condição de vida das populações.

“ouvimos representantes do executivo apelarem ao paga- mento do imposto predial até 31 Janeiro, mesmo aqueles cidadãos detentores de terrenos não regularizados (...)o que é difícil de se entender”, explica a UNITA.
segundo a declaração da UNI-TA “surgem várias reclamações e pedidos de intervenção de cidadãos desesperados, que pro- curam as administrações para regularizarem terrenos adquiri- dos há muitos anos e encontram todo o tipo de dificuldades, com diferenciados níveis de gasosas cobradas pela “porta do cavalo”, para poderem satisfazer às suas necessidades”.

“o estado deve tratar definitivamente desse “cancro” especulativo que encarece e nega o direito à terra a milhares e milhares de angolanos; que causa imensos conflitos, onde o mais desprotegido sai invariavelmente prejudicado e muitas vezes vítima de despejo, em benefício de determinada elite governativa”, conclui o documento.

Criança morta em acidente nas instalações da Coca-Cola na Funda


Funda - Martins José de 14 de idade foi uma das vítimas mortais ocorrido na última sexta-feira as  quatro horas da manha quando um dos camiões nas instalações da Coca-Cola na comuna da Funda pisou duas crianças que trabalhavam para facilitar amarrar a carga. Cruz Adelino de 12 anos de idade foi  também atropeado pelo camião e encontra-se gravemente ferido internado no Hospital Geral de Cacuaco.

Fonte: Club-k.net
Os menores trabalhavam na arrumação de mercadorias nas instalações da Coca-Cola
Os dados acima transcritos constam num relato feito por um dos vizinhos da vítima que acompanha o assunto  e um dos policias que trabalha na esquadra que esta a ser investigar o caso.

Dos dois relatos o Club-k apurou que o pai da vítima o Sr. José Pedro prestou declarações a polícia no mesmo dia e foi informado que o motorista que atropelou mortalmente o seu filho se chama Manuel Miguel que trabalha na empresa António Jacinto subcontratada pela Coca-Cola.

"Estes miúdos pertencem a famílias muito humildes e não conhecem os seus direitos". Lê-se no relato do vizinho para acrescentar logo a seguir que a Coca-Cola e a transportadora António Jacinto "estão a usar influencias para amenizar os órgãos policiais e o mais grave a tentar dar migalhas aos familiares".

"A Coca-Cola é uma empresa bem estruturada e tem áreas que permitem a resolução de crises desta natureza, infelizmente isto é completamente ignorado pela gestão da Fábrica da Coca-Cola na Funda desabafou o vizinho.

A este respeito o Club-k contactou um advogado especializado em acidentes de trabalho e sintetizou nos seguintes termos legais este incidente na Coca-Cola. "O motorista é de uma empresa contratada ao serviço da Coca-Cola. O incidente teve lugar nas sede da Coca-Cola. Os menores eram trabalhadores "indirectos" ao serviço da Coca-Cola. Por último, há que prestar atenção na hora do incidente e as circunstâncias.

O mesmo advogado sobre as premissas legais de subcontrato clarificou que não é prematuro concluir que "as regras da Coca-Cola dizem que qualquer veículo subcontratado ou que transporte os produtos da Coca-Cola ou tenha a logomarca Coca-Cola é de responsabilidade da Coca-Cola principalmente se acontecer um incidente num espaço que pertençe na Coca-Cola".

O Fim da Idade do Petróleo - Carlos Kandanda


Luanda - Sem precisão, o petróleo dominou o mercado internacional, como mineral estratégico, desde o fim da II Guerra Mundial, em 1945. Seguida da Guerra Fria que dividira o Mundo em dois Blocos antagónicos, preconizando a supremacia mundial, a partilha do Mundo em duas esferas de influência, o controlo dos minerais estratégicos, e, a dominação cultural.

* Foto de Picarro
Fonte: Club-k.net

A Cultura, bem entendida, é um sistema complexo de códigos e padrões partilhados por uma sociedade ou um grupo social; e que, se manifesta nas normas, crenças, valores, criações e instituições, que fazem parte da vida individual e colectiva dessa sociedade ou grupo de Nações.

Ou seja, a Cultura é um conjunto de civilizações humanas, traduzidas num conjunto de conhecimentos e realizações das sociedades evoluídas, marcadas pelo desenvolvimento intelectual, económico, científico e tecnológico. 
 
A Idade do Petróleo, da época contemporânea, situou-se neste contexto civilizacional, marcada pela industrialização do Mundo, sustentada pelo petróleo, como motor de desenvolvimento e do crescimento económico. A dependência da economia mundial sobre o petróleo fez com que esta matéria assumisse a posição cimeira nas relações internacionais; servindo-se de instrumento diplomático dos países produtores, exportadores e dos multinacionais petrolíferos.

Por força do petróleo, no domínio do mercado internacional, o multilateralismo, veiculado pelas Nações Unidas, vinha sujeitar-se ao poderoso lobby (pressão e trafico de influencias) dos multinacionais petrolíferos, ao serviço dos países exportadores do petróleo, com maior realce, a Organização dos Países Exportadores do Petróleo (OPEP), dominada pelos Países Árabes, do Golfo da Pérsia, no Médio Oriente. O lobby petrolífero, acima referido, tinha o propósito principal de influenciar o Direito Internacional, através do Conselho de Segurança das Nações Unidas, das potências mundiais e das organizações regionais e intercontinentais, nos processos da formulação das políticas sobre o Mundo e na tomada de decisões de relevo, que afectam a Humanidade.

O Direito Internacional, no ponto de vista jurisdicional, tem sido manipulado pelas potências económicas do Mundo, pressionadas constantemente pelos lobies petrolíferos, dos multinacionais; tornando-se, deste modo, vulnerável o Direito Internacional, com implicações directas sobre a objectividade e a credibilidade do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O Mundo ficara assim à mercê dos interesses petrolíferos, com consequências enormes sobre os direitos individuais e dos Povos do Mundo, no que concerne a liberdade, a igualdade, a justiça e a distribuição justa da riqueza.

O surgimento das economias emergentes (BRICS), no rescaldo da Guerra Fria, dava a expectativa do estabelecimento de um certo grau de «equilíbrio mundial», superando gradualmente a bipolarização do Mundo, em duas esferas de influências. Infelizmente, esta realidade, do equilíbrio mundial, não se fez sentir na prática, como esperava. 
No entanto, a China entrara na cena, tanto como líder dos BRICS, quanto como contendor principal à supremacia mundial, diante os Estados Unidos da América. No entretanto, surgiram no Mundo, diversas conjunturas, que alteraram bruscamente a «Nova Ordem Mundial», do rescaldo do desmoronamento do Império Soviético, que deixara um vácuo enorme, no que dizem respeito os equilíbrios e contrapesos – na arena internacional.

Se trata, neste caso, da primavera árabe; do sectarismo islâmico; da guerra do Médio Oriente; do recrudescimento do conflito Israel-Palestino; dos conflitos armados e dos actos terroristas em Africa e na Europa; da migração massiva árabe e africana à Europa; da anexação da Cremea e da desestabilização do leste da Ucrânia; da aplicação de sanções contra a Rússia; da proliferação de armas nucleares; da queda brusca do preço do petróleo; da entrada dos EUA no mercado internacional, como terceiro maior exportador do petróleo; da retracção da economia chinesa; seguida da desvalorização acentuada do Yuan; afectando negativamente o mercado internacional.

Desta conjuntura internacional, destaca-se a poluição atmosférica e o aquecimento global da camada de ozono, que suscitou a celebração recente do Tratado Internacional de Paris, com vista a reduzir drasticamente a poluição ambiental. O Tratado Internacional de Paris, no seu cumprimento escrupuloso por Estados Membros, implicará a viragem acentuada do petróleo para as tecnologias renováveis. Sendo assim, e, analisando bem o know-how, os Estados Unidos da América tem maior capacidade tecnológica, capaz de manter e sustentar a sua superioridade económica no Mundo, durante o Século XXI. Com efeito, o domínio das tecnologias de ponta é uma condição sine qua non, que determinará o curso dos acontecimentos no estabelecimento da Nova Ordem Mundial, Pós-Petróleo.
 
Sem ignorar, de facto, a robustez da economia chinesa que mante-se em crescimento e expansão contínua no mercado internacional, sobretudo na Asia, em Africa e na América Latina. Neste xadrez, a Rússia é uma potência em declínio; com dificuldades de se adaptar a nova realidade do contexto mundial; isolada da Europa; dependente da economia chinesa; que busca expandir-se para a Europa do Leste, a Região Báltica e o Médio Oriente; apoiando-se no Irão e na Síria, como Estados Satélites. A presença militar da Rússia no Médio Oriente visa desestabilizar a Europa Ocidental, afastar a OTAN da Europa do Leste e implantar-se no Mar Mediterrâneo e na Africa do Norte.

Implicitamente, esta estratégia, acima referida, tornara evidente na palestra do Nikolai Federov, Primeiro Vice-Presidente do Conselho da Federação da Assembleia Federal da Rússia, no Parlamento Angolano, no dia 21 de Janeiro de 2016.
 
O retracto feito da conjuntura internacional, no contexto do conflito do Médio Oriente, tivera sido de uma colisão directa entre a Rússia e a Coligação Ocidental e Árabe, liderada pelos Estados Unidos da América. Esta conjuntura regional, envolve as três potências regionais (antagónicas) do Médio Oriente, isto é, Arabia Saudita, Irão e Israel; que disputam o controlo e o domínio desta Região complexa e estratégica do Mundo. Assim como na Guerra Fria, a China tem mantida uma postura equidistante; priorizando os factores económicos, como instrumentos políticos, para a sustentação da sua expansão mundial; sem tal, entrar em confrontação directa com as potências ocidentais. 
Pois, a política chinesa, assente nos factores económicos, de créditos avultados e de investimentos maciços (sem pré-condições) aos países em desenvolvimento, tem o cordão politico, bem ocultado, que lhe permite implantar-se e consolidar a sua presença no Mundo, no contexto da geoestratégia e geoeconomia.
 
A Rússia, por sua vez, apercebeu-se da estratégia chinesa; em função disso, procura recuperar as antigas alianças em Africa, em que o Regime Angolano apresenta-se como «aliado ideológico, histórico e fiel; e, maior parceiro estratégico» no Continente. O que, a médio prazo, transformará Angola numa arena de confrontações de interesses entre a Rússia, a China e os Estados Unidos da América. Pois que, o partido no poder, MPLA, tende para inviabilizar o processo da democratização real do país; o que, decerto, resultará numa resistência forte do Povo Angolano.

A luz desta realidade, exposta nesta reflexão, se projecta um horizonte temporal de um clima de instabilidade crescente no Mundo. A democracia, na sua implementação em Africa, tem uma perspectiva incerta, com a probabilidade de sofrer recuos significativos. O modelo chinês, assente na abertura económica, sob sistema político totalitário, atrai alguns regimes corruptos e autocráticos dos Países Africanos, sob a cobertura do multipartidarismo.
 
Enfim, o declínio gradual do petróleo reduz a acutilância e a eficácia do lobbying (trafico de influencias) dos Regimes Africanos, dos países produtores do petróleo, em poder instrumentalizar as potências ocidentais contra as forças democráticas internas. Acima disso, esta conjuntura, da baixa das receitas da indústria petrolífera, no caso de Angola, representa uma oportunidade enorme para criar mecanismos eficazes e eficientes para a boa governação; a fiscalização efectiva; a responsabilidade (accountability); a democratização; a decentralização e a desconcentração; a diversificação da economia; e, a distribuição justa da riqueza do País.
 
Como ponto assente, as tecnologias renováveis, dominadas pelas potências industrializadas, se transformarão, não só, na alavanca do desenvolvimento mundial; mas sim, realçará o monopólio e a concentração de riqueza nos países avançados da Europa e da América do Norte; alargando, cada vez mais, o fosso entre países ricos e países pobres. Logo, a diversificação da economia dos Países Africanos, sem fundos de reserva e altamente corruptos, como Angola, será feita com muito sacrifício, e à custa de hipotecas enormes e duradoiras aos credores internacionais, como a China.

O último ano do PS?

OPINIÃO


António Costa não jogou simplesmente o seu futuro político, jogou também o futuro do PS e, muito provavelmente, da democracia.
O PS foi fundado em 1973 com a Maçonaria e uns restos do velho e quase extinto partido de Afonso Costa. O programa era uma mistura do programa do socialismo europeu com algumas reivindicações primárias, que a existência da Ditadura impunha. Nunca inspirou qualquer entusiasmo ou confiança no clima de radicalismo que se vivia antes do “25 de Abril”. Só se tornou uma força política com a resistência à tentativa de Álvaro Cunhal e alguns militares de estabelecer em Portugal uma espécie atenuada de “democracia popular”. Internamente, como se viu logo nos primeiros governos, nunca teve consistência ou propósito. Entre 1975 e 1980, juntou alguns grupos da esquerda moderada, que desde o princípio se começaram a guerrear com ardor.  
Quando Soares passou para Belém, ficaram duas dúzias de quadros, que não valiam muito. A maioria acabou por se instalar na máquina do partido, no Estado ou nos negócios. Como seria de esperar, as divisões continuaram. Com ou sem a intervenção de Soares (que de Belém comandava as tropas), o PS mudou de Secretário-Geral sem razão, nem objectivo. Entretanto crescia o vácuo ideológico. Ninguém sabia ao certo o que representava e para onde ia aquela máquina eleitoral, barulhenta mas desnorteada. E cada um dos sucessivos “chefes” acabava sempre bloqueado pelas tribos da casa. Constâncio, Sampaio, Ferro e por aí fora. No fim, só Sócrates (com a generosa ajuda de Santana Lopes) conseguiu impor um módico de autoridade ao vespeiro do Rato. Infelizmente, Sócrates não tinha nada na cabeça e o PS não melhorou.
Depois da crise ou da “austeridade”, como preferirem, António Costa aproveitou a moleza substancial do suposto socialismo português para se aliar ao PC e ao Bloco, que eram inimigos tradicionais do partido: o PC gostaria de o liquidar e o Bloco de o substituir. Por enquanto, tanto um como o outro, por medo da direita, ainda se esforçam por segurar as coisas. Mas tudo depende do sucesso ou fracasso da política económica do governo Costa. Se ela não aliviar visível e seguramente as pessoas, a frente que sustenta o PS cairá e o PS ele próprio acabará por desaparecer como instituição indispensável ao “funcionamento regular” do regime. António Costa não jogou simplesmente o seu futuro político, jogou também o futuro do PS e, muito provavelmente, da democracia.