domingo, 10 de março de 2013

BASTA DE DIPLOMACIA SILENCIOSA: QUEREMOS JUSTIÇA NO CASO DO MILDO MACIE.



Um cidadão moçambicano de nome Mido Macie, de 27 anos de idade, residente na África do Sul e que trabalhava como taxista, morreu, na semana passada depois de ter sido algemado, por um grupo de oito polícias sul-africanos, nas traseiras de uma viatura e arrastado, num percurso de 400 metros, causando-lhe ferimentos graves que culminaram com a sua morte.

Este acto macabro foi cometido em plena praça pública, perante o olhar impávido dos cidadãos e tudo por causa de uma eventual transgressão ao código de estrada. O acto foi entretanto filmado por uma testemunha através do seu telemóvel e percorreu o mundo, causando revolta e indignação nas pessoas quer seja em Moçambique como no estrangeiro.

Ora, este tipo de práticas, por parte das autoridades policiais sul-africanas, nos últimos anos, têm sido recorrentes e não obstante os criminosos serem levados a barra dos tribunais, as sentenças nem sempre são as mais acertadas de modo a desencorajar este tipo de situações bem como não tem havido também, por parte das nossas autoridades governamentais, uma acção clara e contundente no sentido de se exigir o estrito respeito pelas convenções e tratados internacionais, em que ambos os estados são signatários, de modo a exigir-se uma punição severa e exemplar bem como a reparação pelos danos morais e materiais à favor das famílias das vítimas.
Na época em que vigorou o regime segregacionista e racista na África do Sul, estávamos todos conscientes das limitações que o nosso estado tinha para fazer uso das disposições internacionais e exigir-se um maior respeito pela vida e pela dignidade dos nossos cidadãos. Mas hoje já não se pode aceitar que depois de se ter sacrificado vidas humanas e hipotecado a nossa economia e a nossa soberania, durante a luta anti – apartheid, tenhamos ainda que tolerar que as nossas vidas e a nossa auto-estima sejam macabramente humilhadas pelas autoridades de um estado que muito deve ao nosso povo.
Devemos todos exigir que as nossas autoridades governamentais façam uso do poder conferido pelos moçambicanos, para exigir um julgamento célere e justo de modo a que os polícias assassinos do nosso concidadão sejam exemplarmente condenados e punidos e que o Estado Sul-africano indemnize de forma justa e adequada a família do jovem Mildo Macie.
E, caso denote-se, por parte das autoridades sul-africanas, a denegação ou o incumprimento da justiça em tempo útil, conforme reza a Carta África dos Direitos dos Homens e dos Povos, que sejam accionados todos os mecanismos legais junto do Tribunal Africano dos Direitos Humanos para que o Estado Sul-africanos seja condenado e punido a proceder a reparação moral e material dos danos causados à família do malogrado pelo crime cometido pelos seus agentes do estado.
Portanto, é tempo de dizermos basta a diplomacia silenciosa.
É importante que o nosso estado perceba de uma vez por todas de que não existem relações de amizade entre os estados e sim relações de interesse.
Portanto, se os nossos interesses estão a ser constantemente postos em causa, cabe então ao nosso estado exigir o respeito dos mesmos no âmbito da reciprocidade que deve caracterizar as relações entre os estados.
A sociedade civil moçambicana, através da Liga dos Direitos Humanos tomou a decisão nobre marchar até a representação diplomática sul-africana e fazer a entrega de uma carta exigindo o fim deste tipo de situações e a condenação exemplar dos polícias envolvidos neste macabro crime bem como a reparação pelos danos morais e materiais à família Macie.
Cabe agora, ao nosso Estado adoptar uma acção firme e contundente perante este caso de modo a desencorajar o surgimento de novos casos no futuro imediato e não ficar acomodado com um simples pedido formal de desculpas por parte das autoridades sul-africanas. A vida e a dignidade dos nossos cidadãos não podem e nem devem ser compensadas por um simples pedido de desculpas mesmo que formal.
É preciso que as autoridades sul-africanas demonstrem de facto e de direito que não compactuam com atitudes assassinas e repugnantes, adoptando medidas punitivas, reparadoras e cautelares que permitam renovar e consolidar as nossas relações bilaterais e de boa vizinhança.
Do mesmo modo que as autoridades sul-africanas lutam por preservar o respeito pelos seus interesses e pela auto-estima do seu povo, devem também as nossas autoridades exigir que a nossa auto-estima e os nossos interesses não sejam hipotecados e nem postos em causa por quem quer que seja.

Somos um estado independente e soberano e delegamos, nas autoridades governamentais, parte do nosso poder para que garanta-nos a justiça, a segurança e o bem-estar social.
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  • Ismael Mussa Permitam-me partilhar convosco o meu artigo para da próxima semana. Abraço cordial e continuação de um bom domingo.
  • Claudio Zunguene Estamos esperancosos que sera feita a justica
  • Antonio A. S. Kawaria Defenitivamente de acordo. Basta com diplomacia silenciosa! O governo mocambicano tem que ser contundente para evitar mais assassinatos de patrícios. Por sinal, nós cidadãos mocambicanos temos que exigir com contundência aos dois governos porque sabemos que os dirscursos de lamentacão podem ser apenas ocasionais e que tudo possa esfumar com o tempo.
  • José de Matos Apoiado, apenas discordo quando escreve " perante o olhar impávido dos cidadãos", as testumumhas deste barbarico acto foram bem vocais nai indignaçao.
    É um facto que governantes foram muito timidos nos protestos e mesmo a reaçao da Oposiçao deixa muito a desejar!
 

Guerra do ocidente contra a África (conclusão)

 

Com a NATO a trabalhar para fazer da Líbia um estado falhado, esse sistema local foi destroçado. As milícias salafistas não receberam só equipamento militar ultra moderno, cortesia da NATO; receberam também carta branca para saquear os arsenais do Governo líbio e um paraíso seguro a partir do qual organizaram ataques por toda a região.
Maputo, Sábado, 9 de Março de 2013:: Notícias
As fronteiras entraram em colapso, com a aparente conivência do novo Governo líbio e dos seus patrocinadores na NATO – como regista um trágico relatório da empresa de segurança global Jamestown Foundation.
Segundo esse relatório, “Al-Wigh era importante base estratégica do regime Khaddafi, localizada numa região próxima das fronteiras com Niger, Chade e Argélia. Depois da queda de Gaddafi, a base passou a ser controlada por combatentes da tribo Tubu, sob comando nominal do Exército Líbio, mas sob comando local de um comandante Tubu, Sharafeddine Barka Azaiy, que reclamou que "durante a revolução, controlar essa base era assunto de máxima importância estratégica. Conseguimos ocupar a base. Agora nos sentimos abandonados. Não temos equipamento suficiente, nem viaturas nem armas para proteger a fronteira. Embora sejamos parte do exército nacional, ninguém nos paga soldo.”
O relatório conclui que “o Conselho de Governo Nacional Líbio (GNL) e o que havia antes dele, Conselho Nacional de Transição (TNC), falharam na segurança de importantes instalações militares no sul e permitiram que a segurança de vastas porções de fronteira no sul fossem de facto 'privatizadas' nas mãos de grupos tribais, conhecidos há muito tempo pela prática, ali tradicional, de contrabando. Isso, por sua vez, põe em risco a segurança da infra-estrutura do petróleo líbio e a segurança das regiões vizinhas. Com a venda e o transporte de armas líbias já convertidos em mini-indústria na era pós-Gaddafi, as imensas quantidades de dinheiro com que conta a Al-Qaeda no Maghreb Islâmico conseguem abrir muitas portas, em região empobrecida e subdesenvolvida. Ainda que a invasão francesa no norte do Mali consiga desalojar os militantes islamistas, nem assim haverá o que impeça os mesmos grupos de estabelecer novas bases nas áreas mal controladas do deserto selvagem no sul da Líbia. Enquanto não houver estruturas de segurança controladas por autoridade central na Líbia, o interior desse país continuará a ser ameaça de segurança para todas as demais nações na região”.
A vítima mais óbvia dessa desestabilização foi o Mali. Não há analista sério que não saiba que a tomada do Mali pelos salafistas é consequência directa da acção da NATO na Líbia. Um dos resultados do avanço da desestabilização promovida pela NATO no Mali é que a Argélia – que perdeu 200 mil cidadãos numa guerra civil contra os islamistas nos anos 1990 – está hoje cercada por milícias salafistas pesadamente armadas em duas fronteiras: ao leste (fronteira com a Líbia) e ao sul (fronteira com o Mali). Depois da destruição da Líbia e do derrube de Hosni Mubarak no Egipto, a Argélia é hoje o único estado do norte da África ainda governado pelo partido anti-colonialista que conquistou a independência contra a tirania das forças coloniais europeias.
Essa postura de independência ainda está bem evidente na atitude da Argélia em relação à África e à Europa. No front africano, a Argélia é forte apoiante da União Africana, contribuindo com 15 porcento do orçamento da organização; e tem 16 bilhões de dólares empenhados na constituição do Fundo Monetário Africano, o que faz dela o maior contribuinte do FMA. E nas relações com a Europa, a Argélia tem-se recusado repetidamente a fazer o papel de nação subordinada que a Europa espera dela. Argélia e Síria foram os dois únicos países da Liga Árabe que votaram contra o bombardeamento da NATO contra a Líbia e a Síria. E, como se sabe, a Argélia deu abrigo a membros da família Gaddafi que fugiam de ser massacrados pela NATO.
Mas, do ponto de vista dos estrategistas europeus, muito mais preocupante que tudo isso é, provavelmente, que a Argélia – com o Irão e a Venezuela – constitui o que eles chamam de uma “(Organização dos Países Produtores de Petróleo) OPEP linha dura”, empenhados em vender caro o acesso aos seus recursos nacionais. Como se lia recentemente em furibundo artigo publicado no London Financial Times, “o nacionalismo dos recursos” impera. Resultado disso, “as Grandes do Petróleo padecem de muitas dificuldades na Argélia; as empresas reclamam da burocracia que as esmaga, dos controlos fiscais duríssimos e do comportamento abusivo da Sonatrach, a empresa estatal de energia, que participa em quase todos os contratos de petróleo e gás”. Na sequência, o artigo observa que a Argélia implementou “um controverso imposto monstro” em 2006, e cita um executivo de petroleira ocidental em Argel, que disse que “as empresas de petróleo estão fartas da Argélia”.
É instrutivo observar que o mesmo jornal também acusou a Líbia de “nacionalismo dos recursos” – ao que parece o crime mais hediondo, na avaliação daqueles leitores – apenas um ano antes da invasão da NATO.
Evidentemente, “nacionalismo dos recursos” significa precisamente que os recursos de uma nação sejam usados, em primeiro lugar, para promover o desenvolvimento em benefício da própria nação, não em benefício de empresas estrangeiras e, nesse sentido, a Argélia bem merece a “acusação”. A Argélia exporta mais de cerca de $70 biliões em petróleo por ano, e muito desse dinheiro tem sido usado em investimentos massivos em moradia e saúde pública, além de um financiamento recente de $23 biliões, num programa de estímulo para pequenos comerciantes. De facto, esses altos níveis de investimentos sociais são considerados por muitos como a principal razão pela qual não se viram levantamentos da “Primavera Árabe” na Argélia, em anos recentes.
A mesma tendência de “nacionalismo dos recursos” também aparece anotada em recente material distribuído por STRATFOR, empresa de inteligência global, que escreveu que “a participação estrangeira na Argélia sofreu, em larga medida, por causa das políticas proteccionistas aplicadas pelo governo militar fortemente nacionalista”. Seria evento particularmente preocupante, diz STRATFOR, no momento em que a Europa aproxima-se da situação em que se tornará muito mais dependente do gás argelino, com as reservas no Mar do Norte em processo de esgotamento. “Desenvolver a Argélia como grande exportador de gás natural é imperativo económico e estratégico para os países da União Europeia, no momento em que a produção da commodity entra em declínio terminal na próxima década. A Argélia já é importante fornecedor de energia para o continente, mas a Europa precisará de acesso expandido àquele gás natural, para suprir o declínio das suas reservas indígenas” – diz STRATFOR.

Os planos das Grandes do Petróleo para a África

Maputo, Sábado, 9 de Março de 2013:: Notícias
Prevê-se que as reservas britânicas e holandesas de gás no Mar do Norte estarão esgotadas no final desta década; e que as da Noruega entrarão em acentuado declínio a partir de 2015. Com a Europa temerosa de tornar-se superdependente do gás da Rússia e da Ásia, o relatório anota que a Argélia – com reservas de gás natural estimadas em 4,5 trilhões de metros cúbicos, e reservas de gás de xisto de 17 trilhões de metros cúbicos – tornar-se-á fornecedora essencial. Mas o maior obstáculo para que a Europa controle esses recursos ainda é o Governo da Argélia – com as suas “políticas proteccionistas” e o seu “nacionalismo dos recursos”.
Sem dizê-lo abertamente, o relatório conclui sugerindo que uma Argélia desestabilizada e convertida em “estado falido” seria sempre preferível a uma Argélia sob governo “proteccionista”. E sugere que “o envolvimento que se vê hoje das majors de energia da União Europeia em países de alto risco, como Nigéria, Líbia, Iêmen e Iraque, indica saudável tolerância à instabilidade e a problemas de segurança”.
Por outras palavras: em tempos de segurança privada, o Big Oil já não carece de estabilidade ou da protecção do estado para os seus investimentos. Zonas de desastre são toleráveis. Intoleráveis, só estados fortes e independentes.
Já aparece, portanto, no radar dos interesses estratégicos da segurança energética do ocidente, uma Argélia reduzida a estado falhado, exactamente como o Iraque, o Afeganistão e a Líbia um dia apareceram no mesmo radar.
Com isso em mente, é fácil ver como a política aparentemente contraditória de armar milícias salafistas num primeiro momento (na Líbia) e imediatamente depois passar a bombardeá-las (no Mali) faz, de facto, perfeito sentido. A missão francesa de bombardeamento visa, nas próprias palavras dos franceses, à “total reconquista” do Mali. Na prática, implica empurrar os rebeldes gradualmente para o norte do país. Quer dizer: directamente para a Argélia.
Vê-se afinal que a deliberada destruição do sistema de segurança que a Líbia coordenava em toda a região do Sahel-Sahara trouxe vastos benefícios para os que contam com que a África permaneça presa no papel de fornecedora subdesenvolvida de matéria prima barata. O processo já armou, treinou e assegurou território para milícias que, em seguida, serão usadas na destruição da Argélia – o único grande estado rico em recursos naturais do norte da África ainda empenhado numa genuína unidade africana, com independência. A operação também persuadiu alguns africanos de que – diferente da rejeição unânime contra o AFRICOM, há pouco tempo – eles realmente precisam, hoje, de que o ocidente os “proteja” daquelas milícias.
Como a clássica venda de protecção à moda das máfias, o ocidente cuida de tornar a sua protecção “necessária”: arma e atiça ele mesmo as forças contra as quais, adiante, as pessoas terão de ser protegidas.
Agora, a França está a ocupar o Mali; os EUA estão a montar uma nova base de drones no Níger; e o Primeiro-ministro britânico, David Cameron, fala do seu compromisso com uma nova “guerra ao terror” que se alastrou sobre seis países e durará décadas.
Mas nem tudo caminha bem, no front imperialista. Longe disso, porque o ocidente, sem dúvida alguma, contava com não ter de mobilizar os seus próprios soldados. O objectivo inicial era sugar a Argélia e colhê-la exactamente na mesma armadilha já usada com sucesso contra a União Soviética nos anos 1980 – exemplo anterior de Grã-Bretanha e EUA, patrocinando violenta insurgência sectária nas fronteiras do território inimigo, para atrair o inimigo-alvo para a guerra destrutiva de retaliação. A guerra da URSS no Afeganistão, no final, não apenas fracassou: ela também, no processo, destruiu a moral e a economia do país e foi factor-chave por trás da autodestruição do estado soviético em 1991.
Mas a armadilha para pegar a Argélia não funcionou. A jogada de Clinton e François Hollande, fazendo a cena do 'polícia bonzinho' e 'polícia durão' – uma “pressionando para a acção” em Argel, em outubro; e as ameaças dos franceses, dois meses depois – deu em nada.
Simultaneamente, em vez de se manterem fiéis ao roteiro, os imprevisíveis salafistas, na função de simulacros locais do ocidente, optaram por expandir a sua base no norte do Mali, não na direcção da Argélia, como previsto, mas para o sul, rumo a Bamako, ameaçando desestabilizar um regime aliado do ocidente, ali instalado, por golpe, menos de um ano antes. Os franceses foram obrigados a intervir, para mandar os salafistas de volta para o norte, de volta contra o estado que, desde o início, deveria ter sido o seu alvo real.
Até aqui, essa invasão parece contar com certo nível de apoio entre os africanos que temem os salafistas simulacros do Ocidente, ainda mais do que temem os próprios soldados ocidentais. Mas, à medida que a ocupação se aprofunde, desconstruindo a credibilidade dos salafistas e ultrapassando-os em número de soldados ocupantes, ao mesmo tempo em que se for conhecendo a brutalidade dos ocupantes e dos seus aliados... então, veremos. Veremos quanto tempo durará tudo isso.
  • Dan Glazebrook. “Al-Ahram Weekly”, Cairo

Comments

1
ZACARIA said in reply to Chacha...
Boa tarde .,
Comentar o quê Sr. Chacha ?? Coitados dos Líderes Africanos não têm culpa nenhuma ,a culpa é do Ocidente ...linda conclusão ,Saiba Sr. Chacha que do mesmo modo que há maus líderes Ocidentais também há maus líderes Africanos mas como estamos falando de líderes Africanos sempre lhe digo que o Sr.,sim o Sr.Chacha ,e os outros africanos como o sr. é que elegem os seus líderes por isso no final dos finalmente VOCÊS SÃO OS GRANDES RESPONSÁVEIS por "ESSES CRIMINOSOS " como o Sr. lhes chama Sr.Chacha .Pense bem no que acabei de lhe dizer e verá que estou certo .
2
Muana Otomeia said in reply to Chacha...
SABE PORQUE MEU IRMAO?
ESTES LADORES DE LIDERES AFRICANOS ESTAO MAIS PREOCUPADOS EM ENCHER SEUS SACOS DE DINHEIRO E NAO NAS CAUSAS SOBERANAS DAS SUAS NACOES. RESULTADO:BASTA QUE LHES SEJA GARANTIDO OPODER E ALGUMAS CONDICOES, VENDEM A CAUSA NACIONAL SOB PRETESTO DE FINANCIAMENTOS A ECONOMIA, COMO SE A AFRICA NAO PODESSE DO ZERO REEGUER-SE SEM TAIS DOLARES E EUROS ENVENENADOS
3
Chacha said...
QUE SE LEIA COM PROFUNDIDADE ESTE ARTIGO.
EXATAMENTE O QUE ESTAVAMOS A DISCUTIR NA SEMANA FINDA:
Eu dizia: "ESTES CRIMINOSOS SAO UMA CRIACAO DO OCIDENTE QUE OS CRIA PARA DESESTABILIZAR OS PAISES".
Algumas pessoas contaram muitas versoes suas.
Eu gostaria de ouvir comentarios, especialmente dos srs ZACARIA e MOISES.
NAO EH O OCIDENTE QUE CRIA CRIMINOSOS PARA A REALIZACAO DOS SEUS OBJETIVOS?
Segundo o artigo, a Argelia eh o foco maior neste caso, a desestabilizar. Tornar Argelia num estado falido. Que pena.
Segundo o artigo, se o Mal foi parar no MALI, porque Argelia conseguiu defender-se.
Entendem o jogo que est'a sendo jogado?
Isso deveia ser discutido e analisado muito profundamente pelos paises africanos. Eh grande pena que no meio desses africanos existem os que ja trairam a causa regional. Sera o problema da fraca capacidade de analise dos dirigentes africanos? Com tantas organizacoes regionais, o que realmente dificulta concertar as posicoes?
O que eu referi na semana passada, eh necessafrio congregar a intelectualidade africana para abordar estes problemas muito seriamente. Para chamar atencao aos palhacos dirigentes africanos o caminho tortuoso que estao a seguir, cegamente. Chamar a Franca para intervir antes que as possibilidades internas e regionais sejam esgotadas. O culambismo demais, alta traicao da causa regional.
Uma forma de participar nessas discussoes seria nos eventos em que eles se juntam. Devia haver espaco para que as pessoas que conhecem da materia exponham, chamando-lhes atencao.
Uma situacao delicada.

MEMÓRIAS DE UM REBELDE, de António Disse Zengazenga(7)

 

Capanova2013bDesta obra, a publicar dentro de pouco tempo, com prefácio do Dr. Máximo Dias, transcrevo mais o seguinte texto:
….
Mondlane é o criador da Frelimo
Como o leitor poderá observar nos parágrafos entre aspas, este título, bem como os seguintes e o sexto, são afirmações do Sr. Gabriel Simbine, sendo a nossa missão a de demonstrar o contrário.
Em Maio de 1996, foi reeditado o livro de Eduardo C. Mondlane Lutar por Moçambique. SAVANA, n.° 122, p. 9.
O Sr. Gabriel Simbine, enaltecendo as qualidades e méritos do autor, afirma: «Finalmente, o povo moçambicano, vai poder ler o Lutar por Moçambique, livro da autoria de Mondlane, um dos seus legados... Mondlane não foi o primeiro moçambicano a criar um movimento de libertação de Moçambique. Antes da Frelimo, existiram os movimentos MANU, UNAMI e UDENAMO, só para citar alguns bem conhecidos. Os fundadores dos três movimentos antecessores da Frelimo tinham a limitação de não conhecerem o tamanho de Moçambique como um todo, uma extensão territorial do Rovuma ao Maputo. MANU representava o Norte, região pertencente à Companhia do Niassa. UNAMI representava a região e as populações outrora pertencentes à Companhia da Zambézia, zona Centro - Norte de Moçambique. O centro era pertença da Companhia de Moçambique, províncias de Manica e Sofala.
UDENAMO representava as populações da zona sul do país. Estes e outros movimentos nacionalistas representavam, aproximadamente, a divisão administrativa dos territórios alugados por Portugal às companhias majestáticas depois da Conferência de Berlim de 1884/1885.
Dadas as condições políticas existentes em Portugal, Mondlane compreendeu que a libertação de Moçambique tinha de passar por uma solução político militar para obrigar os portugueses a uma mesa de negociações. Alguém como o Sr. Benedito Muinga poderá argumentar que os fundadores de MANU, UNAMI e UDENAMO não levaram a cabo o seu projecto porque os dirigentes da Frelimo, através do governo tanzaniano, forçaram o exílio de Paulo Gumane, Adelino Guambe e outros. Mas a verdade manda reconhecer que nenhum deles tinha o plano e estratégia de libertar Moçambique. Trabalharam no exterior sem contudo pisar o solo pátrio e sem conhecer a força do inimigo... porque Mondlane conseguiu fazer o que os fundadores de MANU, de UNAMI e de UDENAMO não conseguiram: mobilizar os moçambicanos residentes dentro e fora do país e desencadear a luta de libertação?
a) Mondlane conhecia bem a situação política, económica, social e cultural das populações de um Moçambique colonizado por uma potência como Portugal, sem uma política definida em relação aos territórios ultramarinos.
b) Ele conhecia bem a organização frágil da capacidade e moral das forças armadas portuguesas.
c) Conhecia bem com que apoio poderia contar, tanto do Ocidente como do Oriente e Terceiro Mundo.
d) A sua formação em antropologia e sociologia foi factor importante na mobilização do povo moçambicano e na criação do movimento de libertação.
e) Os anos de serviço na sede da ONU deram-lhe uma valiosa experiência e oportunidade de conhecer e estabelecer contactos com políticos, estadistas, académicos e combatentes revolucionários de quase todos os quadrantes, facto o ajudou a definir correctamente a melhor estratégia de luta.
Quando morreu assassinado em 1969 já tinham sido lançadas as sementes que iriam germinar em 1975.»
O resto não vale a pena citar, visto que não tem nada a ver com a vida de Mondlane.
Para que haja clareza desde o princípio, começo pelos movimentos de libertação de Moçambique que existiram antes e depois dos três citados pelo Sr. Simbine.
1) MAA: Mozambique African Association — Associação Africana de Moçambique.
a) Segundo Fanuel Guideon Mahluza, esta associação foi fundada em 1955 por macuas e macondes de Cabo Delgado e Nampula que viviam no Quénia e Tanganica. A sua apressada formação foi devida à influência do movimento MAU-MAU, onde muitos moçambicanos participaram na guerra de 1947 a 1956. Os seus chefes principais foram Mzee Kibiriti Diwane, Mzee Lázaro Jacob, Mzee Lázaro Nkavandame, Faustino Vanomba, Tiago Muller, Mfaume Nkavandame, Bendito Benedito Mapanje, Tangazi Marapande e a Sr.a Veróníca Namiva.
b) Conforme Jaime Maurício Khamba, esta mesma associação foi fundada por moçambicanos oriundos de Cabo Delgado e Niassa. Os seus líderes são os mesmos de Fanuel Guideon Mahluza.
Provavelmente era formada por gente de mais de duas tribos, vindas de todas as províncias do Norte. Os chefes da MAA eram apoiados nas suas actividades políticas pelo advogado Munia Chokwe e Eriwin Kodhek, que por sua vez eram protegidos de Tom Mboya.
2) MU ou MMU: Maconde Union ou Mozambique Maconde Union — A União dos Macondes ou a União dos Macondes de Moçambique. Foi fundada em 1958 por dirigeantes macondes que tinham saído da MAA, como os Srs. Tiago Muller, Faustino Vanomba, Mzee Kibiriti Diwane, Bendito Benedito Mapanje, Mzee Lázaro Nkavandame, Tangazi Marapande, Mateus Mayole e C. Mahla. Foi ela que consciencializou os macondes que foram massacrados em Mueda em 1960 por exigirem melhores salários, melhores condições de trabalho, bem como mais liberdade.
Veja http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2013/02/mem%C3%B3rias-de-um-rebelde-de-ant%C3%B3nio-disse-zengazenga6.html

Novo bombardeiro russo será desenvolvido pela Tupolev: Voz da Rússia

Mais matérias no tópico: Armas da Rússia (116 artigos)
10.03.2013, 17:41, hora de Moscou
Imprimirenviar por E-mailPostar em blog
Aviação, Exército, Força Aérea da Rússia
Tu-160
RIA Novosti

A questão do desenvolvimento de um novo bombardeiro de longo alcance (PAK DA, na sigla em russo), que entre 2020 e 2030 irá substituir as aeronaves Tu-95MS e Tu-22M3 (os bombardeiros mais modernos Tu-160 permanecerão em operação), volta novamente a ser discutido na imprensa.

Segundo algumas fontes, a Força Aérea já determinou o perfil da nova máquina. Será uma aeronave subsónica de grande raio de ação e quase invisível. De acordo com dados da mídia, a aeronave está sendo desenvolvida pela empresa de construção aeronáutica Tupolev.
Cortina de fumo de secretismo
No entanto, é bem possível que a informação divulgada na imprensa não corresponda totalmente à verdade. Os militares e os serviços secretos russos sabem esconder seus verdadeiros planos de forma profissional. Alguns dados publicados na imprensa suscitam dúvidas entre os especialistas. Antes de mais nada, devido à situação atual da empresa Tupolev, que hoje, na opinião de muitos peritos, não está em condições de realizar por si só um desenvolvimento de tal nível. Portanto, conjetura-se que um dos participantes (e, possivelmente, o principal) da cooperação seja o Gabinete de Projetos Sukhoi. A empresa possui experiência de desenvolvimento de aeronaves pesadas, ainda que bombardeiros de longo alcance desenvolvidos por ela não fossem colocados ao serviço.
Presume-se que o desenvolvimento do PAK DA possa basear-se no jato de quinta geração T-50 no âmbito do projeto PAK FA. Em particular, o bombardeiro pesado poderá ser dotado de quatro motores AL-41 (produto 129), semelhantes aos que serão instalados nos caças T-50 de fabricação em série.
O novo bombardeiro terá uma carga útil de armamento aproximadamente igual à dos aviões Tu-22М (até 20 toneladas). Graças aos motores econômicos de nova geração, seu alcance será próximo do do Tu-160.
Subsônico, supersônico, hipersônico?
Também não se deve tomar por garantido que a velocidade da nova máquina não exceda a velocidade do som.
Deve-se ter em conta que o novo bombardeiro irá substituir não só os Tu-95 estratégicos, mas também os bombardeiros Tu-22M de longo alcance, entre cujos objetivos está o combate antinavio. Para esta missão, a velocidade supersônica é absolutamente indispensável: a nova aeronave deverá ser capaz de vencer a defesa antiaérea dos navios do opositor e esquivar-se a ataques dos caças embarcados.
Ao mesmo tempo, a criação de uma aeronave hipersônica também parece quase inverosímil. A par de problemas tecnológicos no processo de desenvolvimento, tal teria um custo astronômico de fabricação. Devido a isso, sua produção em série (de 120 a 150 aviões) não será viável.
A Rússia herdou da URSS enorme experiência de desenvolvimento e operação de aviões supersônicos de longo alcance na Força Aérea e na aviação embarcada da Marinha. Portanto, tal solução caberia perfeitamente na lógica do desenvolvimento desse tipo de armas. Uma plataforma de longo alcance e velocidade supersônica será útil inclusive para a Marinha russa como aeronave de reconhecimento e determinação de alvos. A Marinha está apostando, como antes, no poder de fogo dos navios de superfície e submarinos porta-mísseis. Para estas embarcações, a existência de um "apontador" externo é um elemento criticamente importante.
Ainda é difícil dizer em que medida esses raciocínios correspondem ao modo de pensar dos chefes do Ministério da Defesa russo e da Corporação Unida de Construção Aeronáutica. No entanto, já há pouco tempo para conjeturas: a nova aeronave deverá decolar antes do fim deste decênio.

Novo bombardeiro russo será desenvolvido pela Tupolev: Voz da Rússia

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Tu-160
RIA Novosti

A questão do desenvolvimento de um novo bombardeiro de longo alcance (PAK DA, na sigla em russo), que entre 2020 e 2030 irá substituir as aeronaves Tu-95MS e Tu-22M3 (os bombardeiros mais modernos Tu-160 permanecerão em operação), volta novamente a ser discutido na imprensa.

Segundo algumas fontes, a Força Aérea já determinou o perfil da nova máquina. Será uma aeronave subsónica de grande raio de ação e quase invisível. De acordo com dados da mídia, a aeronave está sendo desenvolvida pela empresa de construção aeronáutica Tupolev.
Cortina de fumo de secretismo
No entanto, é bem possível que a informação divulgada na imprensa não corresponda totalmente à verdade. Os militares e os serviços secretos russos sabem esconder seus verdadeiros planos de forma profissional. Alguns dados publicados na imprensa suscitam dúvidas entre os especialistas. Antes de mais nada, devido à situação atual da empresa Tupolev, que hoje, na opinião de muitos peritos, não está em condições de realizar por si só um desenvolvimento de tal nível. Portanto, conjetura-se que um dos participantes (e, possivelmente, o principal) da cooperação seja o Gabinete de Projetos Sukhoi. A empresa possui experiência de desenvolvimento de aeronaves pesadas, ainda que bombardeiros de longo alcance desenvolvidos por ela não fossem colocados ao serviço.
Presume-se que o desenvolvimento do PAK DA possa basear-se no jato de quinta geração T-50 no âmbito do projeto PAK FA. Em particular, o bombardeiro pesado poderá ser dotado de quatro motores AL-41 (produto 129), semelhantes aos que serão instalados nos caças T-50 de fabricação em série.
O novo bombardeiro terá uma carga útil de armamento aproximadamente igual à dos aviões Tu-22М (até 20 toneladas). Graças aos motores econômicos de nova geração, seu alcance será próximo do do Tu-160.
Subsônico, supersônico, hipersônico?
Também não se deve tomar por garantido que a velocidade da nova máquina não exceda a velocidade do som.
Deve-se ter em conta que o novo bombardeiro irá substituir não só os Tu-95 estratégicos, mas também os bombardeiros Tu-22M de longo alcance, entre cujos objetivos está o combate antinavio. Para esta missão, a velocidade supersônica é absolutamente indispensável: a nova aeronave deverá ser capaz de vencer a defesa antiaérea dos navios do opositor e esquivar-se a ataques dos caças embarcados.
Ao mesmo tempo, a criação de uma aeronave hipersônica também parece quase inverosímil. A par de problemas tecnológicos no processo de desenvolvimento, tal teria um custo astronômico de fabricação. Devido a isso, sua produção em série (de 120 a 150 aviões) não será viável.
A Rússia herdou da URSS enorme experiência de desenvolvimento e operação de aviões supersônicos de longo alcance na Força Aérea e na aviação embarcada da Marinha. Portanto, tal solução caberia perfeitamente na lógica do desenvolvimento desse tipo de armas. Uma plataforma de longo alcance e velocidade supersônica será útil inclusive para a Marinha russa como aeronave de reconhecimento e determinação de alvos. A Marinha está apostando, como antes, no poder de fogo dos navios de superfície e submarinos porta-mísseis. Para estas embarcações, a existência de um "apontador" externo é um elemento criticamente importante.
Ainda é difícil dizer em que medida esses raciocínios correspondem ao modo de pensar dos chefes do Ministério da Defesa russo e da Corporação Unida de Construção Aeronáutica. No entanto, já há pouco tempo para conjeturas: a nova aeronave deverá decolar antes do fim deste decênio.

Milhares de manifestantes nas ruas em Espanha contra desemprego e corrupção: Voz da Rússia

 

10.03.2013, 23:10, hora de Moscou
Imprimirenviar por E-mailPostar em blog
Espanha, corrupção
EPA

Cerca de 300 mil pessoas sairam hoje à rua em 60 cidades espanholas para protestar contra a alta taxa de desemprego e a austeridade e para pedir uma regeneração democrática para o nível de corrupção, informa a agência noticiosa Efe.

Um porta-voz da Cúpula Social – uma plataforma que congrega 150 organizações sociais e sindicais e que convocou a manifestação de hoje por toda a Espanha –, indicou que terão saído 300 mil pessoas para as ruas em protesto.
Na capital espanhola, Madrid, registaram-se cerca de 50 mil manifestantes nas ruas, na Catalunha 66 mil, na Comunidade Valenciana 30 mil, ou nas Astúrias cerca de 20 mil pessoas.
--Diário Digital/Lusa

Milhares de manifestantes nas ruas em Espanha contra desemprego e corrupção: Voz da Rússia

 

10.03.2013, 23:10, hora de Moscou
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Cerca de 300 mil pessoas sairam hoje à rua em 60 cidades espanholas para protestar contra a alta taxa de desemprego e a austeridade e para pedir uma regeneração democrática para o nível de corrupção, informa a agência noticiosa Efe.

Um porta-voz da Cúpula Social – uma plataforma que congrega 150 organizações sociais e sindicais e que convocou a manifestação de hoje por toda a Espanha –, indicou que terão saído 300 mil pessoas para as ruas em protesto.
Na capital espanhola, Madrid, registaram-se cerca de 50 mil manifestantes nas ruas, na Catalunha 66 mil, na Comunidade Valenciana 30 mil, ou nas Astúrias cerca de 20 mil pessoas.
--Diário Digital/Lusa

Ataque nuclear por parte da Coreia do Norte seria suicídio, diz especialista

NOTÍCIAS/Política

Mundo

 

Mesmo assim, especialista ouvido pela DW diz que Coreia do Norte não ficará só na retórica e vai, de alguma forma, atacar a Coreia do Sul. A China tem papel fundamental na aplicação de sanções contra os norte-coreanos.
Depois de várias ameaças, a Coreia do Norte deverá colocar em prática, de alguma forma, as suas intimidações contra a Coreia do Sul. Isso poderia ser em forma de disparos de artilharia ao longo da zona desmilitarizada entre os dois países, por exemplo.
Isso é o que afirma Christoph Pohlmann, diretor do escritório da Fundação Friedrich Ebert na capital sul-coreana, Seul. Em entrevista exclusiva à DW, ele disse ainda que, caso a Coreia do Norte realize um ataque nuclear, certamente haverá retaliação por parte dos Estados Unidos – o que seria, na opinião dele, "basicamente um suicídio".
Ao mesmo tempo, Pohlmann frisou que a China tem um papel fundamental na aplicação de sanções contra a Coreia do Norte, já que os norte-coreanos realizam 70% de seu comércio com o gigante chinês. Ao mesmo tempo, a China estaria "muito irritada com o comportamento da Coreia do Norte".
Leia a entrevista completa:
Deutsche Welle Há várias semanas, de forma incansável, a Coreia do Norte vem fazendo ameaças. Primeiro, anunciou que vai realizar mais testes nucleares neste ano e, depois, ameaçou uma guerra nuclear contra os Estados Unidos. Agora, anulou o acordo de não agressão com a Coreia do Sul. Em que medida, com esses acontecimentos recentes, o conflito escalou para um nível novo e mais perigoso?
Christoph Pohlmann acredita que Coreia do Norte irá agir de alguma forma
Christoph Pohlmann – Poderíamos dizer que o conflito chegou a um novo nível, que também pode ser verificado em termos de incidentes militares. Isso porque a Coreia do Norte não pode continuar ameaçando sem que essas ameaças sejam seguidas de atos. Isto é, nós realmente podemos supor que a Coreia do Norte vai agir militarmente de alguma forma.
Como isso poderia acontecer?
Pode ser o que já sabemos e vimos apenas nas últimas semanas e meses: mais testes de mísseis, possivelmente também com outros tipos de foguetes, ou mais testes nucleares. Podem-se incluir aí provocações militares sobre terra ou mar, por exemplo, na forma de disparos de artilharia contra uma ilha sul-coreana ou ao longo da zona desmilitarizada entre o Norte e o Sul.
A agência de notícias norte-coreana KCNA anunciou, em sua retórica de guerra, que as relações entre o Norte e o Sul teriam cruzado a linha de perigo de tal forma que a situação não poderia ser mais consertada, e que a situação na península coreana é agora tão perigosa que poderia acontecer uma guerra nuclear. Como você avalia isso?
Isto é, naturalmente, uma retórica inaceitável e causa grande incompreensão e também preocupação à Coreia do Sul. Ao mesmo tempo, a Coreia do Norte tem que saber que, no caso de um ataque nuclear, haverá retaliação nuclear pelo lado dos Estados Unidos. O governo sul-coreano enfatizou isso mais de uma vez. Isso é algo que realmente se deve levar em conta. Isso significa, basicamente, um suicídio – do que todos os observadores estão convencidos. E isso não seria do interesse do regime norte-coreano.
Então quer dizer que o "fundo do poço" ainda não foi atingido?
Não. Mesmo que não haja mais diálogo entre os dois lados, é mais provável que a tensa situação ainda seja agravada, por exemplo, devido a grandes manobras militares por ambos os lados na semana que vem. Mas eu não vejo isso. Não acho provável que a Coreia do Norte vá praticamente acabar a Coreia do Sul com um ataque nuclear, ou pelo menos atingir um ponto muito sensível, por exemplo, bombardeando Seul com armas nucleares.
A Coreia do Sul realizou manobras militares depois que a Coreia do Norte fez seu terceiro teste nuclear em fevereiro
Quanto ao "atingir um ponto sensível": essa é precisamente a intenção do endurecimento das sanções que o Conselho de Segurança impôs na quinta-feira (07/03) contra a Coreia do Norte. Essas foram as sanções mais duras na história recente do órgão mais poderoso da Organização das Nações Unidas (ONU). Qual é a eficácia deste pacote de sanções? Até que ponto essas medidas atingem o regime de Pyongyang?
O significado simbólico, por si só, já faz com que essas sanções sejam significativas. É um pacote de sanções que consiste em limitações financeiras, mas também o monitoramento das rotas de transporte. E isso também afeta diretamente os empresários que realizam negócios para a Coreia do Norte. Por um lado, estas sanções são importantes. Caso contrário, a Coreia do Norte não responderia de forma tão agressiva a elas. Por outro lado, a sua implementação depende crucialmente da China.
A China apoiou essas sanções – da mesma forma como as outras, contra testes de mísseis – para desgosto da Coreia do Norte. Até agora, porém, Pequim tem sido – formulando de forma diplomática – um pouco relutante na aplicação dessas sanções. Como vizinho da Coreia do Norte e como um país que realiza mais de 70% do comércio exterior da Coreia do Norte, a China tem, claro, um papel fundamental.
Este recente endurecimento de sanções apoiado pela China seria um indício para uma mudança de atitude por parte de Pequim?
Eu ainda não vejo uma mudança de atitude em que a China estaria disposta, eventualmente, a abandonar a Coreia do Norte. Mas, tanto a paciência da liderança chinesa como também dos especialistas científicos, bem como a do público em geral, está lentamente se esgotando. Embora existam diferentes facções – incluindo os que não desejam ameaçar a estabilidade do regime norte-coreano e que querem, por exemplo, manter definitivamente a Coreia do Norte engajada como um amortecedor contra os Estados Unidos –, a China está muito irritada com o comportamento da Coreia do Norte.
Enquanto isso, há preocupações de que o comportamento da Coreia do Norte já não seja mais previsível e parece estar se tornando mais extremo, de modo de a China quer sinalizar ao jovem líder norte-coreano Kim Jong Un que este comportamento agora simplesmente foi longe demais. E, ao mesmo tempo, a China quer apresentar-se mais forte do que no passado recente como um membro responsável da comunidade internacional.
Com apoio de Rússia e China, EUA e aliados acirraram as restrições econômicas e políticas à Coreia do Norte
Você vê no momento maneiras de quebrar o ciclo cada vez mais agressivo de ação e reação – e, se sim, onde?
No meu ponto de vista há possibilidades. O problema é que nenhum dos lados parece estar disposto a dar esse passo até agora. Atualmente, a lógica político-militar que prevalece parece sinalizar uma maior escalada e nenhum dos lados quer ceder, pois isso poderia ser avaliado como um sinal de fraqueza. Assim, por exemplo, os Estados Unidos estão conduzindo seus grandes exercícios militares esta semana e na próxima. E a Coreia do Norte deverá responder com outras manobras.
Uma possibilidade seria a de que os Estados Unidos, se possível junto com a China, pudessem apresentar uma espécie de proposta de negociação para sair desta espiral: uma proposta que também ofereça incentivos à Coreia do Norte, o que seria difícil na atual situação de provocação incessante da Coreia do Norte.
Mas, ao mesmo tempo, na minha opinião, não há outra maneira, porque o perigo de que possam haver erros de cálculo de ambos os lados é muito grande, resultando em uma escalada incontrolável da situação. Isso significa que é imperativo que um dos lados – e no momento preferencialmente os lados mais fortes, ou seja, Estados Unidos e China – de preferência juntos, se aproximem dos norte-coreanos e tentem dissuadi-los deste curso. seja de forma aberta ou através de canais informais.
Autora: Esther Felden (fc)
Revisão: Roselaine Wandscheer

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