sexta-feira, 7 de abril de 2017

Politica Externa do Presidente Guebuza: Amigos inimigos?

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Politica Externa do Presidente Guebuza: Amigos inimigos?
Introdução
O Presidente Armando Emilio Guebuza Desenvolveu uma politica externa que o levou a varias partes do mundo onde recebeu honras de Estado e ganhou varios prêmios prestigiados pela sua governação de dois mandatos constitucionalmente permissíveis. Em termos politico-diplomáticos e ate no senso comum, este facto constituiu, a primeira vista, um sinal de simpatia, de amizade e de admiração.
Entretanto, no meio politico-diplomático, a simpatia, a amizade e a admiração nunca eh absorvida sem sem a devida analise critica e pragmática. A titulo de exemplo, os diplomatas e os analistas de inteligência sao treinados a saber desconfiar dos elogios. Esta postura critica faz muito sentido, pois, hoje os mesmos paises por onde o Presidente Guebuza recebeu venias, honras de Estado e prêmios prestigiados, estão a mostrar uma hostilidade fulminante.
Assim, ha varias perguntas que emergem para uma analise critica para perceber a postura dos paises em relação de Presidente Guebuza. A primeira de todas, eh: alguém que tem duvidas que alguns paises não gostam/ sao hostis ao Presidente Guebuza? Por que sera que alguns paises não gostam/ sao hostis ao Presidente Guebuza? Sera que essa hostilidade começou somente depois do Presidente Guebuza terminar os seus dois mandatos?
A minha hipótese eh que as respostas a todas a perguntas podem ser, de alguma forma, encontradas na politica externa do Presidente Guebuza, particularmente na seguinte frase: "Moçambique ja não eh um pais de quem se fala. Mocambique eh um pais com quem se fala" Armando Emilio Guebuza
Calton Cadeado
Ps: Em paises onde o debate académico eh vibrante, ha esta altura, ja teríamos um livro sobre a Politica Externa do Presidente Guebuza.... Em paises onde o debate académico eh vibrante, a estas alturas, ja teríamos um paper entitulado "Efeitos do "EMATUMGATE" na Politica Externa de Moçambique"... Em paises onde o debate académico eh vibrante, por estas alturas ja teríamos um paper sobre "A Influencia do SISE na Politica Externa de Moçambique"
Domus Oikos Boa reflexão. De facto. A produção científica em Moçambique é deficitária e minuta.
José Marra
José Marra A minha pergunta aos estimados professores é muito simples e propedêutica, como a do iletrado, pela ingenuidade que denota: será realmente deficitária a investigação em Moçambique ou ela é condicionada? E se é condicionada, por quem com que razões? Vejo muitos e bons pesquisadores que até estudaram na diáspora... todavia, o que sai da boca deles não precisa ciência para compreender.
Sergio Gomes
Sergio Gomes Hehehehehe.... Há um ensaio oficial nesse sentindo que foi engavetado acredito. Pelo que percebi seria algo Laudatório e não analítico. Algo projectado por um grupo faz tudo. Para o qual Especialidade não conta. A seguir a minha contribuição à sua proposta.

Analiticamente a minha sugestão seria a mudança do título para "Política Externa de Moçambique no Período Guebuza." Tem implicações teóricas e metodológicas diferentes. Já me explico de forma sumária.

Considerar Política Externa de Guebuza ou de qualquer outra Pessoa já está em desuso em Análise de Política Externa. Isso incluí a Análise da Política Externa dos Estados Africanos onde a abordagem psicólogica perceptual ganhou campo e consolidação alimentada pelo carácter do Estado Pós Colonial. A personificação da Política Externa remete-nos a uma perspectiva reducionista - a psicológica perceptual - cujo pressuposto assenta no facto do Líder agir, em política Externa, de acordo com o seu livre arbítrio e guiado APENAS pelo seu quadro idiossincrático.

O debate na área de Analise de Politica Externa procura demitir essa noção propondo abordagens que integram a multiplicidade de factores que condicionam e/ou viabilizam o comportamento externo de um ESTADO (como actor soberano de Política Externa).

Uma abordagem integrada vai permitir identificar o Líder não no seu modo Free Willing mas sim como Agência (Agency) que transporta a sua própria estrutura e cuja acção é em nome do Estado que representa. Neste caso, deixamos de nos concentrar unicamente na "Primeira Imagem" para colocar a atenção analítica sobre as condições criadas ou emergentes da interação constitutiva entre as intenções da Agency e a estrutura.

Essas condições informam as possibilidades e impossibilidade de actuação externa bem como a natureza dos resultados (sucesso ou fracasso). ..... Ishhhhhhh estou a falar muito..... (risos). Mas fica a dica e a minha disponibilidade para acompanhar o debate nesta perspectiva integrada e não na perspetiva reducionista.
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Raul Chambote
Raul Chambote Sergio Gomes....assim está criticamente/analiticamente coloco um scope aceitável do estudo
Elisio Macamo
Elisio Macamo a produção de livro no nosso país é muito cara. há mais dinheiro para publicações da indústria do desenvolvimento do que para publicações académicas. as produções académicas teriam que ser compradas para serem viáveis, mas mesmo um livro com uma tiragem de 500 exemplares leva anos para se esgotar mesmo sabendo que há muitos universitários que precisam dos conteúdos. para esgotar o livro você precisa de levar 500 pessoas ao lançamento... mas há uma saída: são os trabalhos de fim de curso. existem sobre essas temáticas? os docentes encorajam os seus estudantes a trabalhar sobre esses temas?
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Calton Cadeado
Calton Cadeado A produção de um livro esta, de facto, cara em Moçambique. Mas, Prof. Elisio Macamo, existe a opção dos artigos que não sao caros. Eu acho que o problema eh que nos não estamos a viver DA academia, NA academia e PARA a academia. So para ter um exemplo, ha um tempo atras, alguns pesquisadores reclamaram a inexistências de revistas cientificas para publicação. Em resposta, foi criada uma janela para publicação, mas, logo a seguir, veio o argumento de que falta dinheiro para fazer pesquisa de campo, o que eh verdade. No entanto, isso não significa que a eliminação de pesquisas como revisão literária, por exemplo, que ja eh um bom ponta pe de saída. Nem isso, não estamos a fazer. Escrever artigos e publicar no academia. edu para os académicos se envolverem no debate e, acima de tudo, para os estudantes poderem engajar em debates criticas com os docentes e pesquisadores.
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Calton Cadeado
Calton Cadeado Quanto aos livros, Prof. Elisio Macamo, eu acho que o livro so vai ter mercado e ficar mais barato quando nos engajarmos verdadeiramente no debate académico. Eu explico-me. Muitos dos grandes livros nas grandes academias começaram como artigos/ papers publicados em revistas cientificas e foram criticados. Em função da repercussão do debate e a relevância percebida, surgiram os livros. Essa eh a trajetória que nos não estamos a seguir. Muitos de nos estamos a correr para os livros e no final do dia, so começamos e nunca terminamos os livros.
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Calton Cadeado
Calton Cadeado Eu sugiro um novo modelo de fazer as coisas ligadas a produção e publicação de artigos e livros académicos/ científicos. Por exemplo, as cerimonias de lançamento de livros não deviam ser pura e simplesmente simbólicas para apresentar o livro e dizer comprem. Essas cerimonias deviam ser um primeiro momento de debate critico, por exemplo num formato de painel. O lançamento de livro não deve se resumir somente a aquele momento formal de apresentação do livro. O autor ou os autores dos livros DEVEM ter no seu roteiro de lançamento, discussões das obras nas televisões, nas radios e nas universidades. Isto significa dizer, por exemplo, a cerimonia de lançamento de um livro tem que durar, no mínimo um mês... A isto, o meu colega Paulo Wache considera estrategia de marketing que deve ser bem desenvolvida no sistema de produção e difusão de obras cientificas ou qualquer outro tipo de outras.
Juma Aiuba
Juma Aiuba Há como fazer um trabalho com esses temas e terminar sem uma bala na testa? No meu trabalho de licenciatura tentei escrever sobre "A comunicação social e o poder político em Moçambique". Preciso dizer que desisti?
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Elisio Macamo
Elisio Macamo há. indo até ao fim.
Calton Cadeado
Calton Cadeado Juma Aiuba, meu caro amigo! Moçambique eh um pais livre. Eu escrevi um trabalho sobre etnicidade em Moçambique. Esse assunto ainda eh muito quente no nosso jovem processo de construção e consolidação do Estado. Mas, constatei que os chefes no topo da liderança do Estado estão mais dispostos a falar do assunto, hoje, do que os pequeninos. esses, os pequeninos, eh que criam fantasmas que impedem o debate académico. Se estas a fazer um trabalho para propósitos académicos, meu caro amigo, foca no trabalho académico e a liberdade permite pensar criticamente...! Nos casos em que o discurso eh de glorificação de narrativas, não custa nada dizer isso na sua analise critica e depois colocar o seu sentido critico. O Livro sobre Urias Simango eh prova de que, mesmo com toda a tentativa de banir o livro, o livro esta ai. Estamos num pais livre, meu caro! Pelo menos eu sinto que estou num pais livre para pensar criticamente ate para criticar o governo, mas nunca por em causa o ESTADO!
Fernando Mazanga
Fernando Mazanga Nao sera porque esses paises nao "viam" Armando Guebuza mas Moçambuque representado por este? Nao sera porque nao ha amigos e inimigos permanentes? Nao seria porque nesses elogios e premiaçoes ainda nao haviam sido"desveladas" algumas zonas de penumbra calafetadas pelo respeito ao principio de nao ingerencia nos assuntos internos? Escrever livros, fazer debates sobre figuras, sera e é importante. Acredito que AEM nao seria o unico a ser objecto de estudo...Afonso Dhlakama estaria a liderar a lista dos que mereceriam esse estudo, senao vejamos:
- fez parte do 3 exercitos havidos em Moçambique, nomeadamente, Portugues, da FRENTE DA LIBERTAÇAO DE MOÇAMBIQUE e por fim, da RENAMO.
-Com espirito altruista e em prol do bem colectivo, aceitou e aceita sacrificios. Nesta sua forma de fazer, de ser e estar, atraiu inimigos que o combateram e ainda o combatem tenazmente com palavras e accoes. Curioso ê que depois é compreendido, "acarinhado" e glorificado. Avacalhado por defender suas conviccoes e ovacionado quando consegue "convencer" os seus detractores, nao é, Dr. Cadeado?
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Calton Cadeado
Calton Cadeado Amigo Fernando Mazanga! Eu concordo plenamente com a sua observação. As perguntas que coloca sao pertinentes para explorar todos os ângulos de analise. Assim se faz o conhecimento. Quanto a Dhlakama, meu caro amigo, eu ja convidei algumas pessoas da recamo para irem a minha sala de aulas para falar criticamente da Renato e ate de liderá-lo. Mas, curiosamente, muitos contaram inúmeras historias. Ate hoje, so consegui levar um único membro da RENAMO, no caso o ilustre Jeremias Pondeca. Essa foi uma aula fantástica, pois os estudantes ouviram uma narrativa que ja ouviram no espaço publico, mas nunca tiveram oportunidade de confrontar criticamente. Jeremias Pondeca recebeu criticas de jovens estudantes que estão com a adrenalina no alto, mas também disse a sua versão.
Calton Cadeado
Calton Cadeado Amigo Fernando Mazanga! Eu ja propus muitas vezes que os intelectuais da Renato e os que não sao intelectuais da recamo escrevessem livro sobre Dhlakama. Mas, curiosamente, ninguém aparece a envolver-se nesse exercício! Por que sera?! Dhlakama pode muito bem escrever as suas memórias e colocar a discussão. Por que sera que não esta a escrever?
Rajabo Macuede
Rajabo Macuede Prof Calton! A sua visão é muito boa, as academias devem promover estes debates de modo a imortalizar os feitos do Presidente Guebuza, quanto aos elogios quando são demasiados temos que desconfiar......
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Calton Cadeado
Calton Cadeado Rajabo Macuede, meu caro amigo! Imortalizar alguém pode ser com elogios, mas também com criticas negativas. O Sentido eh pegar todos ângulos de analise. Hoje, meu caro amigo, ha autores que estão a elevar o Presidente Zamora Machel aa um patamar que antes era impensável, as vezes, por pessoas que diabolizaran-no. Não posso falar muito na dimensão de politica externa, pois ainda não tenho autoridade para o efeito e não existem estudos sistemáticos de critica e contra critica. Saddam Hussein foi elogiado pelo seu ativismo na politica externa contra Irao, mas hoje existe uma monte de livros que mostram o líder campeão de miscalculations espetaculares que um principiante de politica não cometeria (estou a exagerar). Aqui, por exemplo, Sergio Gomes, o nível de analise individual joga um papel fundamental - fear factor...!

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