quinta-feira, 6 de abril de 2017

"Malandros" mentem ao Presidente Filipe Nyusi...




Ocorre que medir magnitudes de coisas é só assunto de físicos. É assim que até o cálculo diferencial e integral foi inventado independentemente por físicos. Os matemáticos pegaram, depois, nas ideias e as deram uma construção abstracta, mais elegante, desenvolvendo os algorítmicos e estabelecendo os critérios de existência de soluções e os limites de sua validade. Até a economia foi inventada por um físico. Portanto, saber física serve melhor à economia do que só saber economia. Não estou a puxar a sardinha para a minha brasa; estou a colocar pontos nos iis! Física é a ciência que estuda TUDO, desde as coisas mais pequenas, como o electrão, até as mais gigantescas, como o próprio Universo de que fazemos parte... Desde este ponto, as leis da economia são também leis da Natureza, razão pela qual são também objecto de estudo da Física!
O crescimento económico de Moçambique não é fictício, é real. O facto de não se reflectir na melhoria das condições de vida das pessoas comuns não torna o crescimento económico fictício. Tal se deve ao défice de produção interna e a malandrices de certas entidades empresariais e públicas. Mas é facto inequívoco que a economia moçambicana tem estado a registar crescimento quantitativo assinalável e sistemático.
Para melhor entender o que estou a dizer, talvez fazer (e responder) a seguinte pergunta:
O que é crescimento económico?
Muito simplesmente, crescimento económico (CE) é a diferença, expressa em percentagem, entre o volume (VH) de produção de bens e serviços e de investimentos realizados num determinado período de actividade económica e o volume (VO) das mesmas coisas (i.e. produção de bens e serviços e investimentos realizados) em igual período anterior, volumes esses medidos em unidade monetária ou em dinheiro, tendo como referência o volume anterior (VO), isto é,
CE = [ ( VH - VO ) / VO ] x 100 = ( VH / VO - 1 ) x 100. (*)
Se esta diferença, expressa em percentagem (daí o factor 100 na fórmula), for positiva (CE > 0), a economia cresceu; se for negativa (CE < 0), a economia regrediu; e se for nula (CE = 0), a economia estagnou.
Por convenção, os economistas tomam o produto interno bruto (PIB) obtido em cada exercício económico no lugar das variáveis VH e VO, na fórmula acima. Também por convenção, o PIB é calculado excluindo as importações (de bens e serviços), o serviço da dívida e os custos ambientais (e.g. serviços municipais de recolha do lixo) decorrentes da actividade económica. Note-se que os itens excluídos do cálculo do PIB representam uma saída líquida de uma fracção da renda nacional.
Em Moçambique, nos últimos 24 anos verificou-se sempre que, em cada ano comparado com o ano anterior, CE > 0; isto é, no período em referência a economia registou um crescimento sistemático, mesmo que algumas vezes tenha sido modesto num ano em relação ao ano anterior. Assim, se se tiver respeito pelas convenções vigentes sobre o crescimento económica, fica evidente que a economia moçambicana registou um crescimento económico numérico real e sistemático nos últimos 24 anos.
Agora, é preciso entender porque este crescimento não está a reflectir-se na melhoria das condições de vidas das pessoas comuns. Mas este já é outro assunto...
O crescimento económico de um país só se pode traduzir na melhoria das condições de vida das pessoas comuns (nesse país) se não houver défice de produção interna de bens e serviços ou se não houver malandrices na gestão da coisa pública. Os moçambicanos têm que produzir bastante para o seu próprio consumo e para aumentar as exportações e diminuir as importações, e acabar com malandrices na gestão da coisa pública. Só assim os agentes económicos poderão render melhor e o Estado poderá arrecadar impostos bastantes para fazer investimentos públicos. São estes investimentos que viabilizam a melhoria das condições de vida das pessoas comuns. Porém, as importações de quase tudo, a mistura com malandrices, tornam Moçambique vulnerável às oscilações de preços no mercado internacional. Mais ainda, exportar matérias-primas e não produtos acabados faz o país render menos.
Portanto, é preciso promovermos o crescimento da indústria transformadora nacional, para acrescentar valor aos nossos recursos naturais e rendermos mais com a sua exploração comercial. É preciso estancarmos a fuga ao fisco, o contrabando, o egoísmo das classes política e empresarial, enfim, é preciso estancar a corrupção, para que o crescimento económico que Moçambique regista possa traduzir-se na melhoria das condições de vida das pessoas comuns.
Não se diga que o crescimento económico de Moçambique é fictício, porque isso é uma mentira. Não se faça o Presidente da República mentir ao seu "patrão"—o povo. Diga-se a verdade. E a verdade é que a renda nacional útil é baixa, porque a maior fracção das receitas do Estado é usada para importação de produtos acabados que poderiam ser produzidos no país. A verdade é, também, que essa pequena fracção da renda nacional sobra para a realização de investimentos públicos é mal distribuída, com as classes empresarial e política moçambicanas a ficar com a maior fasquia, e oferecendo ao cidadão comum serviços de má qualidade. E porque sabem disso—porque sabem que as obras e os serviços que oferecem aos seus concidadãos são de má qualidade—os nossos empresários e "políticos" que gerem recursos do Estado educam os seus filhos no estrangeiro, e não no país, e sustentam famílias de amantes sem sentir peso. Esta é a razão fundamental para que o crescimento económico de Moçambique—que é real—pareça fictício.
Enfim, não se induza o Presidente Filipe Nyusi ao erro de pensar e crer que a economia moçambicana não cresce qual reportado. Tal só pode ser mais uma artimanha dos malandros instalados no aparelho do Estado para continuarem a roubar sem freios. Atenção à chamada, Presidente Nyusi!

---

Nota: (*) As equações são tidas como modelos matemáticos descrevendo fenómenos. Assim, a equação acima [Eq.(*)] é o modelo matemático que descreve o crescimento económico.
GostoMostrar mais reações
12 comentários
Comentários
Cledio Aurelio Djeco a escrever...
Gosto19 h
Lourenço Jossias Pode me dar um sinal?823093420
Gosto19 h
Max Panguene a ciência é exata
Gosto19 h
Ilidio Hele PIB = Consumo + Investimento + Gastos governamentais + (Exportações - Importações). Portanto, as exportações e o serviço da dívida estão inclusos no cálculo do PIB.
Gosto118 h
Julião João Cumbane «[...] as exportações e o serviço da dívida estão inclusos no cálculo do PIB.» (sic). Eu não disse o contrário, ó Ilidio Hele! Por acaso disse eu o contrário?! Eu só não quis complicar o fórmula acima com a desagregação das variáveis VH e VO...!
Gosto118 h
Murala Baal Caro Julião João Cumbane, e é aqui onde qualquer ciência nunca podera desfazer se da Matemática. 

Sugiro que rectifique a formula do CE pois o divisor no caso do modelo que apresentou, deve ser o VO e nao o VH. 


Isto porque o CE é medido em relação ao periodo anterior, então, não pode estar a dividir por VH. 

Sausações.
Gosto117 h
Julião João Cumbane Meu caro Murala Baal, fiz a revisão e ensaio da fórmula antes de a lançar aqui. Fazendo a alteração que recomendas, e tomando, por exemplo, VH = 20 e VO = 12, terias um crescimento de 67% (que é errado) em vez de 40% (que é correcto)! Mais argumentos?!... Aceito que correcções, mas quem quiser corrigir tem antes que compreender a ideia de base—crescimento: como se compara o que ganhei ontem (VO) em relação ao que ganhei hoje (VH)? Portanto, a referência é o que ganhei hoje (VH), não o que ganhei ontem (VO)! Podes provar, querendo. Em Física (e em Matemática também), o diferencial (ou delta) forma-se como "valor final menos valor inicial"; o diferencial relativo obtém-se dividindo "valor final menos valor inicial" pelo "valor final". Estamos juntos, ó Murala Baal? Matemática é um instrumento imprescindível à todas as ciências, sim, mas não é matemática que significado aos resultados do cálculo com se faz com as suas operações!
Gosto116 h
Murala Baal Caro Julião João Cumbane, vamos falar terra-a-terra. 

se tinhas 12 e passares para 18 significa que cresceste em 50%. 
...Ver mais
Gosto116 h
Julião João Cumbane Murala Baal, quero aprender contigo... Vamos por partes: 
(1) Qual é a diferença entre 20 e 12? 
(2) Se divides essa diferença por 20, o que obtens? 

(3) Como chamas esta diferença? 
Vamos lá usar números concretos! Admito poder estar errado. Mas preciso que me indiques o erro de raciocínio...!
Gosto16 hEditado
Murala Baal 20 - 12 = 8 

8/12 = 4/6= 2/3 = 0.67 


O que estou a dizer é que nao se deve dividir por 20. Deve se dividir por 12. 

Quando falamos em crescimento achamos o racio do incremento sobre o anterior. 

Quanto aumentou em relacao ao anterior. Por isso que acho nao acertado dividir por 20.
Gosto16 h
Murala Baal Por outro lado, a formula que apresentou acima nao é nada mais nada menos que esta:
Gosto16 h
Murala Baal Veja no denominador o que aparece meu irmão.
Gosto16 h
Julião João Cumbane «Quando falamos em crescimento achamos o racio do incremento sobre o anterior.» (sic). Ok! Não disputo o que me dizes, Murala Baal, mas a própria convenção!... 

Por não a rácio do incremento sobre o presente?!...


Não estás a dizer qual é o problema de dividir pelo valor final em vez do inicial. Afinal a escolha do referência deixou de ser arbitrária? Se sim, porquê?

Conheço as referências que me estás a trazer, mas tenho esta pergunta: qual é o problema de usar como referencial o presente (VH)?... 

Não me vais dizer simplesmente que "é assim que faz!" 

O modelo que tu estás a usar é diferente do que eu estou a usar no que respeita o valor de referência...!
Gosto15 hEditado
Murala Baal Não é questão de liberdade na escolha da referência. 

Se o assunto é crescimento economico, tem se sempre como referência o capital/valor inicial. No caso do seu modelo o inicio do crescimento é o VO. Logo, o crescimento vai ser estudando com referênc
ia a VO. 

Se tivermos que usar sua abordagem. Suponha VO = 12 e VH= 18. 

CE = 6/18 = 1/3 

Na minha abordagem esse crescimento seria 

6/12=1/2 = 0.5. 

Por outro lado para assuntos economicos/financeiros (consultando referéncias e varios livros sobre o assunto), ha de facilmente entender que sempre que o assunto é CE a referéncia a usar é o VO.
Gosto15 hEditado
Murala Baal Modelo de crescimento economico é standard. Não penso estarmos a usar modelos diferentes caro Julião João Cumbane.
Gosto115 h
Julião João Cumbane Entendi-te, Murala; E já corrigi a Eq. (*) e fiz os acréscimos correspondentes ao texto, de modo a respeitar a convenção em vigor! 

E o que dizes mais, quanto ao resto...?
Gosto213 hEditado
Murala Baal Concordo de forma muito alinhada com todo o texto. 

Ele incorpora observacões que acho pertinentes. 


Alias, como disse, preocupou se em faze-lo perceptivel. Acho por isso apesar de nao ter mencionado a balança comercial, fala e muito bem dela quando diz que Devemos lutar para exportar mais do que Importamos i.e. vender mais do que compramos (como Pais). 

Mas, como tambem alude o seu post, não basta vender mais do que compramos, é preciso que depois disso, e também nesse processo haja gestão nao malandrosa.
Gosto315 h
Julião João Cumbane Com isso dito, Murala, eu devo também dizer que tenho algum problema pela forma como os modelos económicos calculam o crescimento económico e o desconto do IVA. Nos dois casos, não entendo o "rationale" da escolha dos valores de referência. As leis devem ser independentes da escolha do referencial...!
Gosto15 h
Murala Baal Como colegas que somos, pode crer que teremos espaço para abordar isso.

Eu farei questão de recordar lhe assim que cruzarmos o campus da uem ou outro lugar.
Gosto214 h
Egas Macovela Efetema Macovela Desta vez sim merece palmas por minha parte! Parsbens Prof pela licao
Gosto17 h
Homer Wolf Aleluia!...
PS: E não se esqueça Profe, dos delapidadores dos bens públicos. Esses que o Canal de Moçambique faz manchete nesta ediçáo e outros...
Gosto16 h
Julião João Cumbane Julgas-me teu menino de recados, ó Homer Wolf?!.... Estás bem de juízo?!...
Gosto16 h
Homer Wolf eh eh eh... longe de mim tal ideia. Era mesmo um "reminder", já que o texto náo faz alusáo a esses malandros
Gosto16 h
Carlos Chivambo Esse post sim! Eu concordo plenamente com o prof. Está é a realidade que tem fustigado o nosso país! Produzir mais pra diminuir importações, gerirmos os impostos colectados, pois com o crescimento que o país tem verificado nos últimos 24 anos era suposto a vida dos Moçambicanos estivesse a melhorar
Gosto16 h
Hermes Sueia Professor Cumbane, anda a ver malandros por tudo o que é canto.Que tipo de lentes está a usar?
Gosto314 h
Luciano Cauiane Obrigado professor pela lição de economia explicada por um Físico. Há que, de facto, esclarecer-se o porquê do crescimento económico nacional, dum lado e doutro, tal crescimento não se fazer sentir ou reflectir na vida do comum cidadão.
Gosto5 h
Antolinho André Excelente reflexão quiçá seja vista e entendida a quem de direito.
Gosto4 h

Sem comentários: