Já foram afastadas 6 figuras centrais da equipa de Trump. Motivo:
vingança contra Chris Christie, que há uns anos mandou para a cadeia o
pai do genro do novo Presidente.

Há líderes mundiais a telefonar para a Trump Tower, para tentar contactar o próximo presidente dos Estados Unidos
Getty Images
Os jornais americanos falam em pelo menos mais quatro afastamentos dentro da equipa de Trump. De acordo com fontes ouvidas pelo Washington Post, nos últimos dias saíram da equipa Richard H. Bagger (diretor-executivo da equipa de transição), William J. Palatucci (do conselho-geral da equipa de transição) e Kevin O’Connor (responsável pela transição no Departamento de Justiça). O New York Times acrescenta que Matthew Freedman, que estava responsável pela transição no Conselho de Segurança Nacional, também foi afastado.

Mike
Pence esteve esta terça-feira na Trump Tower para reunir com o
Presidente eleito e discutir os detalhes do processo de transição.
(Imagem: TIMOTHY A. CLARY/AFP/Getty Images)
A novela familiar que Jared Kushner não perdoou
A onda de saídas de elementos da equipa de Trump foi descrita por fontes ouvidas pelo New York Times como uma “purga orquestrada por Jared Kushner”, genro de Donald Trump e um dos homens fortes do próximo presidente dos EUA. Segundo o jornal, Kushner está a afastar da equipa do sogro todas as pessoas com relações a Chris Christie, o primeiro a ser retirado.
Jared
Kushner (à esquerda) é o marido de Ivanka Trump (segunda a contar da
esquerda), filha do primeiro casamento de Donald Trump, com a modelo
checoslovaca Ivana Trump. (Imagem: Brendan Hoffman/Getty Images)

Chris
Christie tem sido um dos apoiantes de maior relevo de Trump, e dirigia,
até à semana passada, a equipa de transição. (Imagem: Tom
Pennington/Getty Images)
Está sim, é da Trump Tower?
Entretanto, enquanto a equipa de Trump vai sofrendo baixas e acumulando polémicas, há líderes internacionais a tentar perceber como vão ser as relações entre os EUA e o resto do mundo. Mas, com um processo tumultuoso em curso, há dificuldades em falar com o próximo Presidente norte-americano. Segundo o New York Times, há líderes a improvisar e a telefonar para a Trump Tower, para tentar contactar diretamente Donald Trump. Fonte diplomática ouvida pelo jornal nova-iorquino conta que o presidente egípcio, Abdel Fattah el-Sisi, foi o primeiro a conseguir chegar a Trump por esta via secundária. Depois, foi o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e ainda a primeira-ministra britânica, Theresa May.Dentro do Partido Republicano, multiplicam-se as vozes em desacordo com Trump. A mais recente foi a de John McCain, senador pelo estado do Arizona que se candidatou à presidência em 2008, perdendo contra Barack Obama. O republicano veio dizer que a proximidade de Trump ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, significa uma “cumplicidade com a carnificina contra o povo sírio”. Apesar do processo aparentemente desorganizado, e de ter uma equipa em permanente reestruturação, Donald Trump permanece confiante. Num tweet publicado na noite de terça-feira, após um encontro com Mike Pence na Trump Tower para discutir o processo de transição, o Presidente eleito sublinhou que está em curso “um processo muito organizado”. Trump acrescentou ainda: “Só eu sei quem serão os finalistas!”.
Enquanto muitos vão sendo afastados da equipa, Trump vai continuando a escolher a sua administração. Por agora, há dois nomes apontados para o mais alto cargo diplomático do país, o de Secretário de Estado: Rudolph Giuliani, antigo mayor de Nova Iorque, e John Bolton, ex-embaixador dos EUA nas Nações Unidas. Com as dificuldades sentidas em manter uma equipa estável, Trump tem confiado sobretudo no seu pequeno círculo de confiança. A imprensa americana destaca que estas dificuldades refletem a falta de experiência de Trump na política. Além disso, como Trump preferiu assumir-se como anti-sistema, e não tem o apoio generalizado do Partido Republicano, não pode contar com alguns políticos republicanos de administrações anteriores, como a de Bush.
Trump também já reagiu à publicação, esta quarta-feira, de reportagens na imprensa americana sobre as confusões na sua equipa de transição:
