quarta-feira, 31 de maio de 2017

Edward Snowden aplaudido de pé no Estoril


Exilado na Rússia, o americano que denunciou as práticas ilícitas dos espiões da NSA emocionou-se ao ver entusiasmo da plateia, que instou à resistência face aos ataques dos governos à privacidade dos cidadãos.
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Edward Snowden foi aplaudido de pé nesta terça-feira nas Conferências do Estoril, depois de ter defendido que não são os terroristas que ameaçam os direitos fundamentais dos cidadãos. “Os terroristas sempre existiram e não nos odeiam por sermos livres. São incapazes de destruir os nossos direitos. Os direitos perdem-se quando os políticos tomam decisões em cima do joelho para sobreviverem mais um mandato”, declarou, numa intervenção por videoconferência, a partir da Rússia. O analista de sistemas de 33 anos foi declarado inimigo público pelos EUA depois de ter revelado os abusos cometidos pela Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla norte-americana) ao nível da vigilância dos cidadãos. 
“Não podemos ficar à espera de um político que nos salve. Somos nós, enquanto sociedade, que temos de resolver os problemas. É preciso metermos mãos à obra, agirmos e mudarmos o mundo. Passo a passo”, disse Snowden, que se emocionou quando as centenas de pessoas presentes no centro de congressos do Estoril o aplaudiram.
Numa intervenção centrada no direito à privacidade, o analista de sistemas explicou como os governos “constroem monopólios para ter acesso aos detalhes mais íntimos da nossa vida privada” – como ele próprio fez, quando trabalhava para agência de espionagem norte-americana NSA.
"A lei não nos defende, nós é que defendemos a lei. E, quando a lei trabalha contra nós, cada um de nós tem a incumbência de a deitar abaixo. Não lutámos em revoluções nos nossos países pelo acesso a políticas secretas ou regulamentação, lutámos para estabelecer direitos universais e esses direitos estão ameaçados", avisou. "Os direitos perdem-se com leis cobardes, que são aprovadas em momentos de pânico." E porque a verdadeira democracia passa também por os cidadãos estarem bem informados, Edward Snowden deixou mais um apelo: “Devemos resistir por todos os meios possíveis para garantir a liberdade de imprensa.”

FMI pretende negociar com Moçambique um programa “estrutural” e de “longo prazo”

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL


O Fundo Monetário Internacional pretende negociar com Moçambique um programa estrutural e de longo prazo, disse esta quarta-feira o representante da instituição em Maputo.
JIM LO SCALZO/EPA
O Fundo Monetário Internacional (FMI) pretende negociar com Moçambique um programa estrutural e de longo prazo, disse esta quarta-feira o representante da instituição em Maputo.
“Se conseguirmos chegar a um acordo com Moçambique, e tenho otimismo em como vamos conseguir chegar a esse acordo, estamos realmente pensando num programa que seja mais estrutural” do que de apoio pontual, referiu esta quarta-feira Ari Aisen numa conferência sobre perspetivas económicas. O FMI entende que o problema do país não é “um problema transitório de balanço de pagamento” que se resolva com um auxílio pontual do FMI, como acontece noutros Estados.
Na nossa visão e diagnóstico, Moçambique precisaria de um programa de mais longo prazo e que realmente tivesse um foco bastante relevante sobre temas estruturais, principalmente aqueles que tocam as finanças públicas”, referiu.
O reordenamento das finanças públicas, o seu redesenho com outro tipo de administração, bem como a temática da gestão da divida são “dossiers essenciais que precisam de ser colocados na mesa” e onde são necessárias reformas.
O FMI e doadores internacionais congelaram os apoios ao orçamento de Estado em 2016 depois de reveladas dívidas ocultas de 2,2 mil milhões de dólares contraídas entre 2013 e 2014 por três empresas estatais junto de bancos estrangeiros com garantias do Governo que não foram aprovadas no parlamento nem inscritas nas contas públicas.
Todos condicionaram a retoma de programas de apoio à realização de uma auditoria às dívidas cujo relatório foi entregue a 12 de maio à Procuradoria-Geral da República (PGR) de Moçambique, mas que ainda não foi divulgado. “Vamos aguardar”, concluiu Ari Aisen.

Agentes russos dizem que têm informação “humilhante” sobre Donald Trump


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Os agentes de informação russos afirmam ter informação potencialmente "humilhante" sobre o presidente norte-americano. Serviços dos EUA alertam para o "exagero" das declarações.
OLIVIER HOSLET/EPA
Os agentes de informação russos afirmam ter informação potencialmente “humilhante” sobre o presidente norte-americano, intercetada durante a campanha eleitoral para as legislativas de 2016, avançou a CNN na terça-feira.
As conversas foram captadas pelos serviços de inteligência norte-americanos de espiões russos, que afirmavam “ter capacidade para influenciar o governo dos [Estados Unidos] através de informação humilhante”, referindo-se a questões financeiras.
Os serviços de inteligência norte-americanos alertam para o facto de estas afirmações serem “exageradas ou até inventadas” e que resultem de uma campanha russa de descredibilização das eleições legislativas norte-americanas. A Casa Branca contestou a notícia, dizendo que se trata de uma “nova ronda de declarações falsas de fontes anónimas, que não foram verificadas, para difamar o presidente”.
“Parece que os opositores políticos de Trump não têm limites para perpetuar esta narrativa falsa”, lia-se no comunicado. A notícia surge depois de a CNN ter avançado que os serviços de inteligência norte-americanos tinham ouvido os agentes russo gabarem-se de terem construído relações com Paul Manafort e Michael Flynn assessores do ainda candidato Donald Trump, durante a campanha eleitoral para as legislativas de 2016.
Jared Kushner, genro de Donald Trump, foi o último alvo da investigação do FBI no caso da influência russa nas eleições presidenciais norte-americanas, por causa de uma série de reuniões que teve com um embaixador e um banqueiro russo, em Nova Iorque. Logo depois, Donald Trump reagiu no Twitter, afirmando que as acusações da ligação do genro aos oficiais russos eram “fabricadas”.

Principal mesquita de Manchester recusa fazer funeral do bombista Salman Abedi


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A mesquita principal de Manchester recusou fazer o funeral de Salman Abedi, o bombista que matou 22 pessoas no concerto de Ariana Grande. Corpo ainda estará na morgue.
Salman Abedi nasceu em 1994, na cidade de Manchester, no seio de uma família de origem líbia
A mesquita principal de Manchester recusou fazer o funeral de Salman Abedi, o bombista suicida de 22 anos que a 22 de maio matou 22 pessoas, incluindo crianças e adolescentes, e feriu outras 64 num concerto da artista norte-americana Ariana Grande. O corpo estará desde a semana passada numa morgue fora da cidade de Manchester, segundo o Daily Mail. E nenhuma das mesquitas ou agências funerárias da cidade quer ficar responsável por ele.
De acordo com um jornal local, as autoridades municipais estarão a fazer “tudo o que está em seu poder” para impedir que o corpo do terrorista seja cremado ou enterrado na zona de Manchester. De qualquer forma, quem vai decidir sobre o destino a dar ao corpo — que nunca terá estado no mesmo sítio onde estão os corpos das vítimas, garantiu uma fonte ao Manchester Evening News — será o médico legista.
Salman Abedi nasceu em 1994, na cidade de Manchester, no seio de uma família de origem líbia. É o terceiro de quatro filhos e a 22 de maio entrou na Manchester Arena vestido com um casaco preto, um boné e a mochila, na qual transportava a bomba que fez explodir. A polícia acredita que Salman construiu a bomba num apartamento que arrendou através da plataforma Airbnb, em Granby Row, no centro da cidade.
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Ex-ministro da Justiça julgado por usar mais de um milhão de MT de fundos públicos


Abduremane Lino de Almeida usou valor para pagar uma viagem a Meca

Abduremane Lino de Almeida chegou à quarta sessão do Tribunal Judicial de KaMpfumo por volta das 10 horas para, no banco dos réus, responder pela acusação de abuso de funções e pagamento de remunerações indevidas.
O caso data de Setembro de 2015, quando o então Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos viajou à Meca, cidade da Arábia Saudita considerada a mais sagrada no mundo para os muçulmanos, na companhia de três líderes religiosos, sem vínculo com o Estado, com todas as despesas pegas, num valor total de um milhão, cento e cinquenta e seis mil e oitocentos e onze meticais.
Perante o juiz João Guilherme, Abduremane Lino de Almeia reconheceu os factos mas disse de forma insistente que a viagem aconteceu em cumprimento de uma decisão do Presidente da República, Filipe Nyusi.
“Em 2015, no fim do Ramadão, fui chamado pelo Presidente que disse que era normal que líderes religiosos viajassem em peregrinação a Meca e que naquele ano não seria diferente. Mandatou-me seleccionar seis pessoas para viajarem comigo, estando conscientes que viajavam em nome do Presidente da República. (Eu) disse que a viagem não estava planificada no orçamento, mas ele disse que criou o ministério dos Assuntos Religiosos para tratar também desses assuntos”, explicou Almeida.
E por falta de experiência sobre os critérios de selecção das pessoas e fundos do orçamento para custear as despesas, o ex-ministro diz que solicitou apoio.
“Decidi dividir o mal pelas aldeias. Remeti a selecção dos líderes religiosos à chefe da bancada parlamentar da Frelimo. Pedi assessoria à comunidade islâmica e porque a viagem não estava orçamentada fui ao terreno para pedir patrocínio. O MBS disse que poderia assegurar uma pessoa e o Hotel Afrin garantiu apoio para duas pessoas para viajarem de Maputo a Meca. Mas as pessoas vinham de Nampula e o ministério teve de cobrir a despesa da sua viagem”, explicou.
Abduremane Lino de Almeia é acusado ainda de ter ordenado o pagamento para si de 100 por cento das ajudas de custo, mais de 7 mil dólares quando devia ter recebido apenas três.
A audiência foi suspensa e continua no dia 14 de Junho, data em que serão ouvidas três testemunhas de defesa, entre elas, a Ministra da Presidência para Assuntos da Casa Civil e um membro da Comunidade Islâmica.
A defesa diz que só vai reagir no fim do julgamento.