segunda-feira, 30 de setembro de 2013

MEMÓRIAS DE UM COMBATENTE e a verdade sobre a fundação da Resistência Nacional Moçambicana, de João Ferro Dias e Rodrigo Carlos Guedes

 


Memorias_combatente_ccapa Memorias_combatente_capa  
O combatente, na primeira pessoa
Concretizo, por fim, ao cabo de longos anos, um sonho
antigo. O sonho de transpor para a escrita as memórias de
tempos difíceis.
Primeiro em Moçambique, onde nasci, passando pela Rodésia, pelo Congo, por Angola e, por último, Portugal.
Anos de luta, de sacrifícios, de medos, de derrotas, vitórias.
Dos amigos que fiz, dos que perdi.
Das   manipulações,    aproveitando   homens   íntegros, inexperientes, idealistas, patriotas.
Das perseguições, dos combates, das lutas desiguais, dos avanços e recuos. Das mortes, das feridas que teimavam em não sarar, dos gritos de dor. Dos pesadelos, de alguns sonhos, da liberdade.
Das famílias que ficaram para trás, dos filhos que não vimos crescer, alguns ainda por nascer.
Este livro reúne todas estas vivências, sustentadas em factos verídicos, e em documentos que tive a sorte e honra de preservar.
Ao materializar esta obra, não poderia deixar de homenagear o Eng° Pires Carvalho, homem de ideais e convicções, como eu, que assumiu papel preponderante no início do movimento de resistência em Angola, contra russos e cubanos.
Em sua memória, dedico-lhe uma mensagem de profundo apreço, pelo homem que foi, pela integridade de que nunca prescindiu, pela amizade e profundo sentido de camaradagem que emprestava à sua maneira de ser, junto daqueles que lhe eram queridos e com quem conviveu nas boas e nas más horas.
Uma outra palavra de sincera gratidão e enorme respeito, igualmente a título póstumo, para o Coronel Gilberto Santos e Castro. Pessoa de rara inteligência, invulgar sentido patriótico e ligado para sempre à história dos Comandos em Portugal, por ter sido o seu fundador. O seu legado vai muito para além dos anos que viveu. Permanecerá junto de nós e de todos aqueles que tiveram o alto privilégio de com ele privar.
Sobre o Orlando Cristina, parceiro de aventuras e desventuras, algarvio de gema e resistente moçambicano, seria impossível nada referir. Bravo como poucos, morto por gente desprovida de coragem. Estarás comigo para sempre, meu grande amigo!
Um voto de merecidíssimo louvor ao antigo secretário-geral da Renamo Evo Fernandes, cobardemente assassinado em Cascais, em 1987, por Alexandre Chagas, um ex-agente da PIDE. Estendo este louvor à viúva, Ivete Fernandes, digna lutadora, corajosa, guerreira.
Ao grande André Matsangaissa, primeiro comandante da Resistência Nacional Moçambicana, morto pela Frelimo a 17 de Outubro de 1979. Um grande homem, um líder, estratega como poucos, um destemido soldado.
Uma palavra de apreço ao antigo inspector da unidade rodesiana de polícia CID, Henry Elliot, que nos prestou - a nós, verdadeiros fundadores da Resistência - um precioso apoio, e nos transmitiu força e ânimo, até nas horas mais difíceis.
Aos bravos mentores da Resistência, camaradas de combate, de cumplicidades, de derrotas e vitórias: João Póvoa, Rui Silva - fuzilado em Maputo -, Zeca Oliveira, Silva, Godinho, Graciano e, por último, o grande amigo - em tudo o que de mais nobre existe quando nos referimos a uma amizade -Pedro Rodrigues, o Brasileiro. Tanto em Angola como em Moçambique, testemunhei a sua coragem, a sua conduta, a sua entrega.
Injusto seria não registar, nestas linhas, uma merecida homenagem a Afonso Dhlakama, actual líder da Renamo, homem profundamente solidário, astuto guerrilheiro, um líder sábio, que prezo como amigo, e que mantém viva a mais nobre causa que levou à criação da Resistência: a implantação da verdadeira democracia em Moçambique.
Referência ainda para o meu pai, a quem a expressão uamigo do seu amigo" assentou que nem uma luva. Sinto falta dos seus conselhos, sei o que me diria ao ler este livro: até que enfim, filho!
A minha ex-mulher, mãe dos meus dois filhos, que em conjunto com eles conseguiu suportar, naquele tempo, as minhas longas ausências. Souberam esperar pelo marido e pai, que tardava em voltar.
A minha companheira Maria José, a quem devo em grande parte a concretização deste projecto, que comigo perdeu muitas horas em pesquisas, recolhas, serões, recordações. Veio dela o grande impulso para finalmente avançar, com ela ganhei a coragem para seguir em frente com esta ideia. Bem hajas, por estares presente ao meu lado!
Por último, a todos os colegas e amigos que comigo lutaram, aos que sobreviveram e, acima de tudo, aos que lá ficaram, tombados no chão de uma pátria que também foi deles.
Portimão, Novembro de 2008 Rodrigo Carlos Guedes
- Nota do Autor sobre esta obra: Download Nota do autor sobre esta obra
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- Prefácio à Obra: Download Prefácio à Obra
NOTAS:
Com 204 páginas, esta obra pode ser encomendada através do email rcarlosguedes@sapo.pt e estará disponível nas principais livrarias a partir da 2ª quinzena de Janeiro corrente. Os Autores procuram o contacto de alguma livraria que queira comercializar esta obra em Moçambique.
Click nas imagens para ampliar.
Fernando Gil
MACUA DE MOÇAMBIQUE
 
 

Comments

1
Matolinha said...
Caro Rodrigo Carlos Guedes dá-me a impressão que o senhor errou o alvo. O Sr. Rafael Shikhani não me pareceu nada racista no seu comentário. Um pouco mais à esquerda e acertava em cheio no verdadeiro alvo (dias monteiro).
A sua obra (a do dias monteiro) é muito vasta e bem conhecida aqui no MPT, só que, distribuída por vários pseudónimos.
A esse, imagino-o com uma mão cheia de sementes de ódio e na outra com um “regador” com que vai semeando e intoxicando as mentes dos cada vez menos desprevenidos.
Sem certezas absolutas não se deve nem pode acusar ninguém. Quando o fazem desconfio sempre dos propósitos e quase sempre tenho razão para o dazer.
É bom termos sempre a mira afinada.
Matolinha.
2
rodrigo carlos guedes said...
Resposta ao Sr, Rafael Shikhani
Pelos visto o Sr, não leu o meu livro, pelo que teria que ter mais cuidado no que diz. Não vou entrar em dialgo com o Sr, pois não o conheço não sei qual é a sua obra nem as suas intenções, pelo que li no seu comentário, o Sr. é um racista.
Fique bem
Carlos Guedes
3
umBhalane said...
Outra vez, ainda outra vez, mais outra vez,..., a trocar de nome.
Eishhhhhhhhhhhhhhhhhhhh.......................
Assim fica difícil fazer os tais de pagamentos da tal de lista.
E sempre a dizer, sem cansar,
Fungula masso iué (abram os olhos)
A LUTA É CONTÍNUA
4
dias monteiro said in reply to Rafael Shikhani...
Simples Correçao:
...Este obra deveria intitular-se:
-Memorias de um Mercenario branco em Africa!
Imagino quantas mulheres negras este criminoso tenha violado...e quantos negros tenha ele liquidado...Individuos como este,deveriao ser presos! Nunca fui um Pro-MPLA mas o Governo de Angola bem fez ele de ter fuzilad os brancos mercenarios capturados...Quem pensa de que pode ir para Africa,violar mulheres e matar negros inocentes deve ser preso e fuzilado -se for
necessario!
Ps...Nos Estados Unidos da America ha pena de morte para casos semenhantes a deste criminoso.Nao tenho tempo e nem quero ler este tipo de "livreto"....É um insulto à raça negra de vanglorizar-se por ter morto tantos negros e ter violado tantas mulheres negras
Ps...Ja ouvi e li algo sobre "mercenario" no passado.
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António Bilal said...

umBhalane, estás a dar maningue matéria. Mas deixa-me somente responder por agora à questão dos impostos.
É um facto que toda a gente paga impostos neste planeta, e de vários tipos. Como tu dizes, "Já o montante é outra coisa – discutível". É isso mesmo.
Por outras palavras, amarrar um desgraçado que por não ter taco e depois alugá-lo às companhias por intermédio de recrutadores é onde reside a imoralidade. Imoralidade depois agravada pelos abusos de certos administrativos – salvo raríssimas excepções – que quanto mais cabeças de gado humano tivessem para apresentar aos recrutadores mais ganhavam em comissões.

Sei que Salazar não brincava em serviço, como dizes, quando se tratava de sacar taco ao desgraçado do contribuinte.
Esse "não brincar em serviço" salazarista, ao que tudo indica, ficou impregnado nos políticos pós-25 de Abril.
Não sei se tens sido vítima do gangsterismo organizado que são as Fianças do teu país, sejam elas orientadas por PSD ou PS ou por ambas (em sociedade ou joint venture). Sacar ao contribuinte é a palavra de ordem. Roubar é a norma. Extorquir a "linha correcta" dessa corja que anda a governar o teu país.
Vou dar-te o exemplo de bandidagem organizada no teu país a nível das Finanças.
Aí nos territórios ocupados (Al-garbe) do teu país, há um Concelho chamado Aljezur. Um casal nórdico tinha uma moradia no Concelho. O marido adoeceu e nunca mais regressou a Portugal, acumulando contribuições autárquicas. O dono chegou a acordo com um patrício dele residente no mesmo Concelho em que lhe vendia a casa, e o preço incluía o pagamento das contribuições em atraso. Isto, quando as Finanças do Concelho já haviam publicado os editais a anunciar a venda da casa em hasta pública.

O patrício do nórdico abordou as Finanças do Concelho e informou que queria pagar as contribuições mais juros (vocês aí chamam coimas à prática da usura). Um espertalhaço das Finanças que já tinha a casa em mira, a pagar pelo custo das contribuições (good business, win-win como se diz agora) arranjou maneira de "desencorajar" o patrício do nórdico: sai fora do jogo ou sais tu fora (isto é, saltas de Portugal).
E o espertalhaço das Finanças ficou com a casa. Ao preço das contribuições autárquicas. O espertalhaço era na altura director das Finanças do Concelho. Ele emulou (emulação socialista – conheces?) o exemplo dos gangsters que ocupam o cargo de ministros das finanças.
umBhalane, se vocês, portugueses, não se revoltam e nem pegam em armas como nós moçambicanos fizemos para, entre outras coisas, acabar com este tipo de banditismo organizado, então "problema são suas, você é que sei".
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Rafael Shikhani said...
Interessante contributo para o entendimento da história contemporânea de Moçambique. Factos, dadas registadas para memória actual e futura da sociedade moçambicana. Um marco.
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Zeca said...
Em 1º lugar os meus parabéns pelo dia de hoje.Que se repita por muitos e longos anos se possivel sempre com muita saúde.
Acabei de ler o teu livro há dias mas só hoje me foi possivel aqui vir dar a minha opinião.
Há muito que não começava um livro e o acabava no dia seguinte.Foi o que me aconteceu com o teu livro.
Depois conseguiste que voltasse 35 anos atrás e revivesse uma série de situações que só aqueles que estiveram em Moçambique nessa altura conseguem compreender.
Depois, já cá em Portugal, quando ninguém sabia de ti, andavas a fazer "tropelias" por outras paragens...
Agora, uma série de anos depois, venho a descobrir que uma série de situações que acompanhei pela imprensa escrita e televisão na altura, tinha o teu dedo rebelde por trás. Uma delas foi o massacre de Quifandongo de que tanto ouvi falar e não sabia que por lá tinhas andado.
Quero deixar aqui expressa a minha admiração por tudo o que fizeste e pelo Homem integro que tens sido até hoje.
Já agora se me permites quero dizer-te mais uma coisa. A partir de hoje deixas de ser o meu tio Rodrigo e passas a ser o meu tio...RAMBO
Um grande abraço do teu sobrinho
Zeca
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Rodrigo Carlos Guedes said...
Clique no link abaixo, abrir na página 4.
(Para que a memória não se apague)

http://www.algarvepress.com/
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Joao Carlos Santos said...
Muitos parabens por esta magnifica obra, que só peca por escassa, pelo que espero uma continuação para breve, enquanto se degusta esta primeira "garfada".
Se mais homens assim existissem , o mundo nao era de certeza tao mau.UM GRANDE BEM HAJA, AMIGO CARLOS GUEDES.
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Brito Felgueiras said...
Acabo de ler o livro “Memorias de Um Combatente”. È tão fascinante que o li num dia e de seguida. Trata-se da biografia de um herói que lutou voluntariamente, em dois teatros de guerra, Angola e Moçambique, em defesa das suas convicções, abdicando do conforto e da vida estável. Só uma personalidade muito forte é que pode mover um Moçambicano a desloca-se voluntariamente para um teatro de guerra Angola para defeder valores que acredita. È verdadeiramente impressionante como nos relata diversos episódios da sua luta em Angola, em locais que bem conheço aquando da prestação militar integrado no Exercito Português.
Foi pena que o resumisse tanto. Tem conteúdo que daria para três livros. Deve ter milhares de episódios que seriam muito interessantes que os pudesse relatar. Tem aqui um excelente argumento para um filme. Quantas vezes vemos argumentos na nossa TV filmes portugueses que não têm grande substrato.
Como tenho experiência militar sei bem avaliar o conteúdo do livro e o heroísmo que representa os factos relatados.
Espero que continue com novas publicações para bem do conhecimento dum período da nossa história recente, para a clarificação de muitos episódios que só quem os viveu é que sabe e os poderá relatar.
Parabéns Carlos Guedes. Esperamos pelo Segundo Livro
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Alberto Sadavac Ferreira said...
Sei bem quem és embora nunca tenha tido contactos pessoais com a tua pessoa.Há muitos anos que sei que foste realmente quem esteve origem à RNM com estas iniciais pois estive no actual Zimbabwe nessa época,só é pena que o tenhas dado a conhecer agora. Fiquei admirado com a tua prestação em Angola. Quem luta por um ideal deve dar a conhecê-lo.Foste imenso assim como todos os outros que estiveram contigo.Várias histórias se poderiam contar do mesmo lugar, pois não estiveram sempre todos juntos. É pena que haja muita gente que vai desaparecer sem deixar nada escrito. Gostei de ler o livro que me emprestaram.Espero poder comprar o mesmo quando o encontrar à venda.Tenho procurado, mas deve estar esgotado.Se é esse o caso uma 2º edição não seria má ideia.
Morei em Untáli e conheci bem Angola e os locais por onde passaste.Saí de Luanda em Março de 74.
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Rodrigo Carlos Guedes said...
Seria agradável para mim, como autor do livro, que fossem feitas críticas sobre o mesmo, pois só assim é que poderão dar-me ânimo para um segundo volume.
Sempre que necessitarem de adquirir o livro, este encontra-se á venda na papelaria Teorema e papelaria Algarve em Portimão.
Estou em negociações com algumas distribuidoras, para que o livro possa ser vendido a nível nacional.
Se porventura, alguem da Ilha da Madeira ou dos Açores, ler este comentário, e caso estejam interessados, é favor contactar para o seguinte mail: rcarlosguedes@sapo.pt
Rodrigo Carlos Guedes
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António B. said...
Caro senhor:
Tenho a leitura como um hábito consumista.
Tive a oportunidade de adquirir e ler o seu livro, o qual muito me agradou.

Meus parabens!
Um abraço
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JJLABORET said...
Frase do autor:
" - Injusto seria não registar, nestas linhas, uma merecida homenagem a Afonso Dhlakama, actual líder da Renamo, homem profundamente solidário, astuto guerrilheiro, um líder sábio, que prezo como amigo, e que mantém viva a mais nobre causa que levou à criação da Resistência: a implantação da verdadeira democracia em Moçambique."...
DEMOCRACIA em Moçambique!
VERDADEIRA!
Haja vista essa verdadeira democracia!
Enquanto isso a NASA achou água em marte!
Quanto a Dhalakama:
- Tenha-se como sábio;
- Tenha-se como astuto;
- Tenha-se como solidário.
Daviz Simando deverá depositar esses créditos.
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Maria de Fátima Custodio said...
Tive a felicidade de estar presente na cerimónia do lançamento deste livro, na Biblioteca Municipal de Portimão. Foi emotiva, assim como o livro o é.
Tive o prazer de ler o livro; não conheço Moçambique, mas a sua leitura transportou-me a cenários reais, e ás lutas guerreiras de um homem e seus companheiros, os quais lutaram por causas em que acreditavam.
Gostei sobretudo da parte humana do livro, ou não fosse essa humanidade, parte integrante do carácter deste homem, escrito com H grande.
Tenho a felicidade de ter o Carlos Guedes como amigo, há muitos anos, amizade que se estende a ambas as famílias.
Parabéns Carlos Guedes, e parabéns também a João Ferro Dias.
Trancrevo dois parágrafos do final do livro:
"Nunca pretendi tirar qualquer proveito próprio de todas estas missões. Fi-lo, porque sou daqueles homens que ainda acredita na necessidade de defendermos os ideais em que acreditmos, sem esperar retorno ou reconhecimento. Felizmente, conheci muitos como eu. mas também outros, que enfim...
Quero acreditar que desse pouco rezará a História, salvo se para apontar maus exemplos da condição humana. A mesma que tantas vezes opôe irmão de sangue, transformando-os em inimigos mortais"
Bem hajas Carlos Guedes
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FM said...
Faziam falta livros assim sobre Portugal e algumas "verdades" da nossa revolução, nomeadamente sobre o Gonçalvismo, as FP25 e a morte de Sá Carneiro.
Este livro em particular ainda não li, mas tenciono ler.
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nuno alves said...
Um grande livro ,de um grande homem.
Recomemdo a todos que nao leram ke o façam,pois mostra o lado ke muitos nao quiseram ver ou nao interessava ver.
Felicidades para o exito do livro ke já o é,esperamos pelo 2 ediçao.
Abraço deste seu amigo e colaborador.

Governo deve intervir para que mercado de celulares no Brasil não piore

celular, telefone

Não se pode dizer que uma negociação exclusivamente europeia seja exclusiva quando afeta, diretamente, 161 milhões de consumidores do outro lado do oceano. Assim, a ampliação do controle acionário da espanhola Telefônica, dona da brasileira Vivo, pela Telecom Itália, que atua no país com o nome de Tim Brasil, preocupa os usuários de telefones celulares e coloca um desafio nas mãos do governo e das agências locais de regulação setorial e de defesa econômica.

0O Brasil tem 267 milhões de aparelhos celulares em funcionamento, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Isso dá o equivalente a 1,3 aparelho para cada brasileiro. Um segmento dos mais rentáveis, da mesma forma que problemático. As operadoras responsáveis pelo serviço são alvos preferenciais das queixas de usuários, insatisfeitos com a qualidade técnica.
0É justamente aí que reside o problema. Concretizada, a transação entre as duas companhias criaria no Brasil uma gigante dona de 55,84% do mercado (a Vivo é a atual líder de mercado e a Tim, a vice-líder). Uma concentração que reduz drasticamente o ambiente competitivo do setor, justamente o que não se espera de um mercado que cobra alto por um serviço considerado de baixa qualidade em quase todos os aspetos.
0"Claramente, o que a gente vê de forma muito objetiva, é que uma empresa não pode controlar a outra", disse o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, logo após a história da aquisição chegar ao Brasil. "Isso significaria uma concentração muito grande na mão de um grupo, de mais de 50%, e a diminuição de um concorrente no mercado, o que para nós também seria uma coisa muito negativa", confessou.
0Para o ministro e boa parte dos especialistas no assunto, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deve intervir nessa operação no Brasil. Paulo Bernardo está visivelmente incomodado com a situação, preocupação que não desponta à toa.
0Apesar dos lucros contabilizados, o segmento de telefonia celular no Brasil é extremamente deficitário em sua infraestrutura. O Brasil sofre de uma falta generalizada de antenas, o que impacta negativamente na qualidade do sinal e em serviço de redes 3G, que opera com muita lentidão.
0O país tem uma média de 4,6 mil linhas de telefones móveis para cada antena de celular instalada, de acordo com levantamento realizado no ano passado pela Anatel, volume que avança muito lentamente, visto que há dez anos, a média nacional era de 2.418. Para efeito de comparação, são quase 10 vezes mais linhas por antena que no Japão e na Espanha e quatro vezes mais que nos Estados Unidos.
0É bem verdade que, motivadas sobretudo pela enxurrada de reclamações e a pressão da mídia, as operadoras investiram no primeiro semestre deste ano R$ 11,2 bilhões, uma alta de 8,7% sobre o mesmo período de 2012. Os aportes foram destinados especialmente para expansão de redes, ampliação de cobertura e melhoria da qualidade dos serviços. Mas, na avaliação dos consultores, as cifras ainda são modestas, principalmente quando se leva em conta que, de janeiro a junho deste ano, o setor gerou impressionantes R$ 111,1 bilhões em receita operacional bruta.
0Por essas e por outras, uma quase fusão entre os dois principais players de tamanha envergadura, pode e deve colocar ainda mais obstáculos nesse segmento importante. Um mercado relativamente novo da economia, mas que, por aqui, avança deixando pelo caminho uma trilha de falhas por toda sua extensão.
0 Os fatos citados e as opiniões expressos são da responsabilidade do autor.

Há 75 anos, foi dado o primeiro passo para a Segunda Guerra Mundial - Notícias - Sociedade - Voz da Rússia

Segunda Guerra Mundial, hitlerismo, conluio de Munique, conspiração de Munique

A "Conspiração de Munique",- foi assim que os historiadores chamaram à reunião realizada há 75 anos na Alemanha. Nos dias 29 e 30 de setembro de 1938, na capital da Baviera encontraram-se os chefes de governos da Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália. Os representantes da Checoslováquia, cujo destino era resolvido nas conversações, e da União Soviética, não foram convidados para Munique. Esta conferência virou, na realidade, um dos primeiros passos rumo à Segunda Guerra Mundial.

0Nas últimas décadas, o número de interpretações dos eventos históricos, especialmente dos que precederam a Segunda Guerra Mundial, multiplica-se a um ritmo vertiginoso. Um dos temas mais populares entre os cientistas ocidentais e alguns russos é a do "pacto Molotov-Ribbentrop", isto é, o tratado de não-agressão entre a Alemanha e a União Soviética, assinado em 1939. A popularidade deste tema é facilmente explicável: a responsabilidade pelo desencadeamento da guerra é atribuída à União Soviética. O Parlamento Europeu chegou a ponto de proclamar 23 de agosto, - dia de assinatura do tratado, - "dia da memória das vítimas do stalinismo e do nazismo".
0Esta teoria, muito cômoda para os russófobos modernos, passa em silêncio o fato de que, para Moscou, este passo foi forçado. Ou, mais exatamente, foi uma resposta aos acordos que os chefes dos governos da Grã-Bretanha, França e Itália tinham firmado com Berlim. A Europa conseguiu avaliar a ameaça que vinha da Alemanha e quis canalizar a agressão de Hitler para o leste. Todavia, o jogo resultou complicado demais mesmo para políticos tão experientes.
0Como se sabe, Hitler deu início à sua marcha rumo "ao domínio mundial", anexando em 1938 a Áustria. Realizou esta operação com facilidade e ele fixou imediatamente um outro objetivo. Depois do desmoronamento do Império Austro-Húngaro, a Checoslováquia virou um dos países mais prósperos da parte central da Europa. As mais importantes empresas industriais estavam situadas precisamente no seu território. Além disso, 3 do total de 14 milhões dos seus habitantes eram alemães étnicos, que povoavam a região de Sudetes.
0Em princípios de 1938, Hitler concentrou as tropas alemãs junto da fronteira com a Checoslováquia. A União Soviética e a França advertiram a Alemanha que iriam cumprir os seus compromissos em relação a Praga. Mas Londres declarou que não podia garantir o apoio da Grã-Bretanha no caso da agressão alemã contra a Checoslováquia. Inspirado pela indecisão do governo britânico, Hitler resolveu basear os seus planos na chamada "quinta coluna", isto é, nos alemães da região de Sudetes e no Partido Alemão de Sudestes, de orientação pró-nazista. Atuando de acordo com as suas instruções, o líder deste partido, Konrad Henlein apresentou em 24 de abril várias exigências que acarretavam praticamente a renúncia da Checoslováquia à soberania sobre a região de Sudetes. Em 30 de maio, Hitler baixou a ordem secreta em que se dizia que a operação "Grün" devia ser levada a cabo no máximo até ao dia 1 de outubro de 1938.
0Falando a propósito, Paris renunciou bastante rápido ao seu papel de pacificador. Os diplomatas franceses deram início juntamente com os seus colegas britânicos a uma atividade fervorosa a fim de preparar a opinião pública para o próximo ajuste com Hitler. Em 18 de setembro, veio o ultimato britânico-francês a Praga, que exigia entregar à Alemanha parte do território checoslovaco. Hitler asseverou a Chamberlain que se o problema dos alemães de Sudestes fosse resolvido, ele renunciaria a ulteriores exigências territoriais na Europa. Chamberlain, Daladier e Mussolini, - lideres dos três Estados europeus, - encontraram-se com o "fuhrer" em 29 de setembro e já a 30 de setembro assinaram um acordo, - convictos de que tinham garantido a paz aos seus países, - diz o cientistas israelense Yisrael Roberto John Aumann, laureado do prêmio Nobel.
0"As guerras começam muito frequentemente por causa da falta da clareza nas intenções. A Segunda Guerra Mundial começou porque as partes criavam estímulos falsos umas às outras. Esta atitude era especialmente característica da Grã-Bretanha nas suas relações com Hitler. Quando a Grã-Bretanha concordou com a partição da Checoslováquia e, na primavera de 1938, admitiu a possibilidade de entrega de toda a Checoslováquia a Hitler, estimulou-o desta maneira a continuar a encarnação dos seus planos agressivos. Londres como que dizia a ele: basta exercer pressão forte e ameaçar e nós vamos render-nos."
0Ao retornar a Londres depois da conferência de Munique, o premiê britânico Chamberlain declarou na Câmara dos Comuns: "Senhores, eu trouxe a paz para a nossa geração". Mas o que ele trouxe não era a paz – era, pelo contrário, a guerra. A "Conspiração de Munique" desatou as mãos de Hitler. A União Soviética não tinha aliados naquela época e ficaria à beira da derrota caso a Alemanha tivesse atacado em 1939 ou em princípios de 1940. Portanto, o pacto Molotov-Ribbentrop e a incorporação dos países bálticos na União Soviética foram medidas forçadas. A União Soviética afastava a sua "linha de segurança" para o Ocidente.

A LINHA DA FRENTE

Alguns países vitais para a nossa retaguarda logística ainda não estavam independentes ou mal acabavam de aceder à independência, quando se formou a FRELIMO e se desencadeou a luta armada. A Zâmbia embora houvesse acedido ao estatuto de colónia com governo próprio, continuava com a Polícia, as Forças Armadas e a Segurança sob o controlo britânico, até que a UDI em 1965, forçou o Governo a afastar os elementos próximos da rebelião rodesiana.

O Malawi com Banda jamais procurou alienar-se das tutelas colonialistas e racistas. Moçambique existia como uma ilha no meio da anglofonia e tudo se direccionava para lá, emigração, relações, formações políticas, inspirações. Angola e Luanda estavam mais viradas para o Norte, os dois Congos e a francofonia. Esta situação levou à implantação inicial do MPLA no Congo e Zaire. 
Basicamente, em 1969-1970, três Presidentes dos países fronteiriços com o colonialismo e os regimes racistas, Julius Nyerere da Tanzânia, Keneth Kaunda da Zâmbia e Sir Seretse Khama, do Botsuana iniciaram um processo de consultas informais, sobre as estratégias e tácticas para enfrentarem os inimigos da África.
Daí nasceu a chamada Declaração de Lusaca para a III Cimeira dos Não-Alinhados, em Setembro de 1970, que insistia no imperativo de negociações e brandamente afirmava que, face a um fracasso de um processo negocial, apoiar-se-ia a luta armada. Para a FRELIMO e outros movimentos de libertação, como o PAIGC e o MPLA, a SWAPO, a ZAPU e a ZANU, o ANC empenhados na via da luta armada, a Declaração surgiu como um balde de água fria, pois, ignorava que já estávamos em guerra há nove anos, no caso angolano e do PAIGC, e no moçambicano seis anos. Enfrentávamos, nesse momento, a ofensiva dita Nó Górdio. Alvitrar-se que a recusa de negociação levaria ao apoio da luta armada não fazia sentido, quando ela se desenvolvia e com o apoio de vários dos signatários.
A Declaração de Lusaca,preparada pela Zâmbia, resultava dos contactos e da estratégia diplomática que ela levara a cabo com Portugal de Marcello Caetano e a África do Sul de Vorster, em busca do desanuviamento.
Não existe propriamente uma data do nascimento da Linha da Frente, não há um documento normando e estruturando, apenas comunicados após as cimeiras. Reuniam-se os Chefes de Estado, isso não significava que existisse uma organização como tal. A partir de finais de 1974 integraram Samora. A partir de 1976 Angola já fazia parte da OUA, então o Presidente Neto juntou-se à Linha da Frente. A OUA, desde basicamente 1976, começou a responsabilizar os Estados da Linha da Frente, para as questões pertinentes à libertação da Namíbia, Zimbabué e África do Sul.
Havia apenas reuniões entre os Chefes de Estado, sublinho. Mesmo os ministros não participavam, como regra. Não se secretariavam as reuniões. Quando havia pontos a que se devia dar seguimento, Nyerere chamava os ministros e sumarizava o que haviam concertado, para que organizassem a implementação.
Por vezes chamavam-me a mim e ao Fernando Honwana para interpretarmos. Noutras sessões, e porque se queria um comunicado público, os Presidentes instruíam a alguns ministros e a um grupo de colaboradores, de que eu fazia normalmente parte, para redigirem. Muito excepcionalmente, os ministros preparavam, em comum, alguns tópicos para os encontros.
A Tanzânia desempenhou, neste período, o papel de país determinante para a causa da libertação de Moçambique, do mesmo modo que para o reconhecimento e triunfo do governo angolano.
A escolha deliberada de Lusaca, por Samora, para palco das conversações com Portugal, visava garantir prestígio para a Zâmbia e Kaunda e, de algum modo, comprometê-los com o nosso roteiro. A Zâmbia sempre praticou uma política de hesitação, com a COREMO, com os planos de Jorge Jardim e outras manobras. Houve sucesso no travar-se as inconstâncias zambianas em relação a Moçambique. A partir das primeiras conversações com o governo português, em Lusaca, em Junho de 1974, estabilizaram-se as relações bilaterais entre a FRELIMO e a UNIP, e entre o nosso Estado, que nascia, e a Zâmbia, embora surgissem tensões sobre Angola e o Zimbabué.
Durante as vicissitudes que atravessou a luta de libertação do Zimbabué, e o combate pelo reconhecimento do governo angolano do MPLA, novas crises surgiriam com a Zâmbia e entre esta e a Tanzânia.
Enquanto a Tanzânia com Nyerere prosseguia uma linha política clara e não hesitava no apoio à causa da libertação do Zimbabué, quer a Zâmbia quer o Botsuana, estavam condicionados pela dependência económica em relação aos estados racistas. Mesmo depois de construída pela China a via-férrea que ligava a Zâmbia à Tanzânia, interesses de vários grupos internos e de elites do poder continuavam a pressionar a manutenção da dependência zambiana às ligações ferro-portuárias com Moçambique e a África do Sul. Por absurdo o Botsuana embora encravado mas onde não existiam elites ligadas aos sistemas racistas mostrava-se mais flexível e livre.
Se divergíamos nas preocupações imediatas não se criaram antagonismos e, a tempo, superávamos qualquer desacordo surgido.
Criaram-se entre os Estados e os homens que os serviam ligações que muito contribuíram para a harmonia que até hoje existe. Um abraço a isso,
Sérgio Vieira
P.S. O Estado sancionou e bem uma empresa por vender produtos alimentares fora de prazo ou com falsificação da data de expiração.
A imprensa independente ou dependente não deu grande destaque ao evento e muito menos se esforçou por indagar o que acontece com essa multidão de empresas que entendem que o nosso país não passa dum anexo de bantustão ou dependenciazinha das transnacionais.
Até os representantes de diversas marcas de veículos vivem das peças que importam da metrópole do antigo apartheid. Os produtos alimentares de lá vêm. Como é?
Talvez a imprensa dependa das publicidades e para garantir o bónus, bico calado!
Um abraço à independência que muitos apregoam e queremos real,
SV
R.P.S. Que as nossas meninas do basquete cubram Moçambique de ouro e que em Luanda os nossos jovens do hóquei subam ao pódio.
Um abraço ao sucesso para a Pátria,
SV
JORNAL DOMINGO – 29.09.2013