Quinta, 12 Novembro 2015
DEZ estabelecimentos do Ensino Primário dos povoados de Chabaene e Monjo, no distrito de Tsangano e norte de Moatize, na província de Tete, estão desde os finais do segundo trimestre do presente ano encerradas devido às ameaças de homens armados da Renamo, uma situação que afecta 10.585 alunos.
O director provincial da Educação e Desenvolvimento Humano, Joaquim Meque, que deu a conhecer o facto ao nosso Jornal, disse que devido ao estado de abandono em que se encontram os referidos estabelecimentos de ensino oportunistas estão a vandalizar as salas de aula, maior parte das quais reconstruídas após a assinatura do Acordo Geral de Paz.
“Estamos a tentar sensibilizar os pais e encarregados de educação para deixarem as crianças em zonas seguras e com escolas para evitar que percam o ano lectivo”, disse o director provincial, que entretanto lamentou o facto de tais apelos não serem acatados pelo grosso dos visados, optando por deixar os petizes ficarem em casa.
O fraco poder financeiro dos pais e encarregados de educação é apontado como sendo um dos factores que também contribui negativamente para a transferência dos alunos para lugares seguros, acabando estes por se envolver no comércio informal, entre outras actividades domésticas.
As ameaças dos homens armados da Renamo, ainda de acordo com Joaquim Meque, também afectam o processo de alfabetização e educação de adultos naqueles pontos da província de Tete devido às movimentações constantes das comunidades à procura de lugares seguros.
CONCLUÍDA CONSTRUÇÃO DE NOVAS SALAS
Entretanto o Governo Provincial vai até ao final do presente ano lectivo concluir a construção de 45 salas de aula que vão em 2016 beneficiar cerca de 75 mil alunos que ainda assistem aulas ao ar livre e em espaços não apropriados disponibilizados por alguns parceiros, nomeadamente igrejas e agentes económicos.
O director provincial da Educação e Desenvolvimento Humano, Joaquim Meque, disse há dias em Chitima, no distrito de Cahora-Bassa, no encerramento do primeiro conselho coordenador do sector, que as salas de aula estão a ser construídas com fundos do Governo e parceiros de cooperação nacionais e internacionais, o que vai contribuir para a redução do número de turmas ao ar livre que funcionam um pouco por toda a província de Tete.
Joaquim Meque apontou ainda que 62 das 185 salas inacabadas no período compreendido entre 2004 e 2009 já foram concluídas e estão em pleno funcionamento, prevendo-se para o próximo ano lectivo a conclusão de outras 20.
A província de Tete planificou para o próximo ano lectivo matricular 699 mil alunos em todas as classes do Sistema Nacional de Educação, incluindo a Alfabetização e Educação de Adultos, que serão de princípio assistidos por 1416 docentes.
“Vamos ter um défice de professores, porque o nosso orçamento de funcionamento foi reduzido e não teremos capacidade para contratar mais docentes, embora aguardamos orientações do ministério sobre este assunto” - disse Meque.
BERNARDO CARLOS
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