incorrer em multas, interdição do exercício da profissão e deverá sempre e por lei, indemnizar o cliente que tentou enganar.
Acontece que andando pelas nossas lojas compramos um pneu de boa marca, uma bateria de carro, uma peça sobressalente dita de origem e vemo-nos logrados. Venderem-nos gato por lebre. Quem sanciona?
Existem instituições públicas que o deveriam fazer, pois pagas pelos nossos impostos e que por lei, imperativo de mandato e perfil da função, a isso se obrigam. Fazem? O que nos dizem os ministérios e serviços de tutela? Quantas dessas lojas de burladores encerraram? Quantas multas aplicaram?
Com contrato ou cartão pretendemos que a telefonia móvel nos sirva. Pagamos e atempadamente, pois doutro modo nos cortam o serviço. Queremos uma internet que funcione, trabalhamos e ganhamos o pão com ela. Ai de nós se atrasamos no pagamento. Mas, quando os provedores de serviço de telefonia móvel ou internet ficam dias e dias e semanas sem serviço correcto, ficamos com o prejuízo e eles com os proveitos.
Pergunto por que razões não se sancionam esses senhores que nos burlam, porque não se dá uma compensação às vítimas? Já viram o desespero de alguém que na estrada precisa de socorro, de alguém que pretende chamar uma ambulância? Nunca morreu ninguém por falta de assistência? Não valeria mais gastar-se menos em patrocínios e propaganda e mais na melhoria dos serviços? Não se está a cometer um crime de burla? Não vendem gato por lebre?
Em muitos países uma companhia aérea que não respeita o horário, que anula e muda os voos vê-se obrigada a pagar indemnizações ao passageiro. Em Moçambique, não!
Pessoalmente, eu viajo com frequência, pelo menos duas vezes por mês. Durante todo o ano de 2013 e não vou recuar, nem uma só vez a nossa transportadora nacional respeitou o horário.
Que prejuízos sofrem os que devem participar numa reunião, num evento familiar, até um funeral? Até nos mudam de classe, pagamos uma executiva e com um bom OK mudam-nos para uma económica dixit por razões operacionais!
Ah sim, para nos reembolsarem devemos escrever cartas e cartas, correr de Seca para Meca, e no fim fica tudo na mesma. Mas, no aeroporto vemos partir o jacto que nos deveria levar, completamente cheio com passageiros dessas múltiplas transnacionais mineradoras e, aí uma horas depois, um turbo propulsor nos levará ao destino, com sorte. Deixa-se cair o nacional a favor da transnacional que paga em verdes.
Viva a publicidade. Viva a transportadora nacional! Abaixo os moçambicanos que pagam de Maputo para Pemba mais do que custa ir a Paris ou Londres via país vizinhos, claro. Venderem-nos gato por lebre. Quem sanciona?
Mas até os serviços públicos não funcionam com respeito pelo cidadão e utente, sob os pretextos mais diversos. Conhecem?
1. O chefe está em reunião;
2. O chefe está doente;
3. O chefe viajou;
4. O chefe sofreu infelicidade;
5. Ainda não tomei chá.
Com desespero constato que se aumenta o número de instituições públicas, municípios, distritos quando ainda não se atingiu o mínimo satisfatório no já existente. Qual a razão para se aumentar quando não funciona o que por cá anda?
Duas mediocridades acrescentadas desde quando constituem o razoável? Está-se a enganar a quem? Talvez pareça bom nos relatórios para incautos, mas os moçambicanos e utentes em geral que, na pele, sofrem as calamidades, não se deixam levar tão facilmente. Ficam cada vez mais descontentes e vão murmurando, nas barracas, nos cafés, nos chapas, nas canções. As enormes taxas de não participação em eleições e nos votos espelham o descontentamento, constituem um alerta e muito sério para todas as elites do poder económico, social e político. Cuidado com o burro pacato que rebenta a corda!
Parece-me necessário que nos partidos, nas organizações sociais, nas assembleias dos eleitos por nós, nas instituições do Estado se discutissem estes problemas que vitimam o quotidiano das pessoas. Sem gente contente as elites minguam, apodrecem e caiem. Fruto podre não fica em cima da árvore, diz o nosso povo.
Um abraço e forte para o fim das burlas e sancionamento delas,
Sérgio Vieira
P.S. Caiem secretariados após edilidades. Publicamentepouco ou nada se sabe.
Fazem-se eleições nos órgãos próprios, impõem-se candidatos únicos. Caiem os únicos! Voltam a fazer-se eleições e de novo com únicos.
Os que lá estiveram declaram que os únicos receberam menos de 1/3 dos votos e estatutariamente deveriam repetir-se as eleições. Porta-vozes afirmam que se passou rigorosamente o contrário.
Em quem acreditar? Ou mentem os participantes ou mentem os porta- vozes dos únicos.
Só falta cair O secretariado, O piorzinho de todos.
Um abraço ao fim das manipulações idiotas e a quem luta contra elas,
SV
R. P.S. Parece que bastou um espirro do FMI para que os doadores da greve a mandassem parar.
Custa-me escrever, mas um abraço ao FMI,
SV
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