quinta-feira, 6 de abril de 2017

Trump e as meninas, raparigas e mulheres deixadas para trás

NAÇÕES UNIDAS

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Não se esquece nunca mais na vida, quando se assiste a uma morte de uma mulher saudável no momento em que está a dar à luz. Uma morte evitável. Eu, pelo menos não esqueço. É desumano.
A mais recente decisão da Administração Norte-Americana vai provocar milhares de mortes de mulheres, crianças e meninas em mais de 150 países, onde habita mais de 80% da população mundial. E nós, Estados membro da ONU, que nos regemos por um mundo mais justo, não podemos ficar impávidos e serenos.
Mortes maternas e neonatais que seriam evitáveis se o financiamento acordado de 32,5 milhões de dólares para o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) não tivesse sido cortado pelo Presidente Trump, com alegações erróneas baseadas nas políticas de planeamento familiar da China que ainda envolvem o recurso a abortos forçados e a esterilização involuntária.
Sou Embaixadora de Boa Vontade do UNFPA há 17 anos. Uma missão voluntária que me tem feito viajar por muitos países em desenvolvimento onde este organismo da ONU faz um trabalho extraordinário ( e reportei, inclusivamente para o meu programa de televisão “Príncipes do Nada “) para evitar que nenhuma mulher perca a vida durante a gravidez ou o parto, ajudando a impedir gravidezes não desejadas e abortos sem condições nem segurança com recurso a anticontraceptivos. Nunca em nenhuma ocasião assisti, no terreno, a funcionários do UNFPA a promoverem o aborto. O que vi ao longo destes anos, foi mulheres a ser apoiadas por técnicos de saúde, recuperando a sua dignidade, através da assistência a equipamentos de saúde materna, sexual e reprodutiva. Vi o antes e o depois. Vi as mulheres a morrerem antes da implementação de programas do UNFPA e vi depois, mulheres a ser evacuadas por ambulâncias, a chegarem a uma maternidade ( ou centro de saúde) apetrechados com o financiamento do UNFPA com aparelhos, medicamentos e kits para grávidas, mães e bebés, ao serviço dos direitos humanos. Vi gabinetes de aconselhamento a funcionarem com agentes de saúde formados pelo UNFPA, para jovens e para raparigas, garantindo-lhes o seu potencial; vi a implementação de programas que promovem a maternidade segura; que tentam combater a gravidez infantil e adolescente; que lutam contra os casamentos forçados; que salvam vidas de mulheres que sofrem a dramática consequência de uma fístula obstétrica; vi parcerias que apoiam outras associações locais na diminuição da prática nefasta da mutilação genital feminina; vi projectos que melhoram a qualidade de vida de pessoas com HIV Sida. Vi, em acção, a promoção dos direitos humanos de indivíduos e casais para que tomem decisões próprias, livres de coerção e discriminação.
O que eu vi, que me comoveu, que me faz continuar a trabalhar a acreditar que, apesar de conhecermos os números da desigualdade, ainda é possível fazer a diferença, não me deixa calar perante esta noticia terrível. Sei, com conhecimento de causa, que se trata de uma decisão ignorante perante a verdadeira realidade do trabalho do UNFPA.
E mais uma vez, são as meninas, raparigas e mulheres que são deixadas para trás, ignorando os seus direitos, não querendo ver o quanto sofrem nestes contextos de pobreza extrema. O UNFPA orienta o seu trabalho com base na certeza de que apoiando uma mulher, se está a apoiar uma família, uma comunidade, um país. Só no ano de 2016, com o suporte financeiro dos EUA, o UNFPA salvou a vida a 2,340 mulheres de morrerem durante a gravidez ou o parto; realizou 1,251 cirurgias a fístulas obstétricas; preveniu 295,000 abortos inseguros e 947,000 gravidezes involuntárias.
O Secretário Geral da ONU, António Guterres, já fez saber que acredita que a decisão dos EUA de suspender o financiamento a programas de saúde reprodutiva se baseou numa “percepção falsa sobre a natureza e a importância do UNFPA” e que este corte irá ter “efeitos arrasadores na saúde de mulheres e meninas vulneráveis no mundo”.
Depois de nos congratularmos com a indicação de uma portuguesa para estar à frente do escritório do UNFPA em Genebra, Mónica Ferro, chega-nos esta “bomba” que nos remete para o universo da mentira e sobretudo para um horizonte drástico de mortes evitáveis, a que não vamos poder fazer frente.
A nossa indignação não é suficiente, por isso deixo um apelo aos Estados membro da ONU, ao SG António Guterres e a todos os doadores, para que seja possível reforçar o apoio aos programas e ao trabalho do UNFPA.
Portugal e muitos outros países têm uma dívida de gratidão pelo passado no que diz respeito à qualidade da nossa saúde materna, sexual e reprodutiva. Este é o momento de actuar em conformidade. De dizer que sim, que estamos juntos. Que só podemos estar juntos.
Não se esquece nunca mais na vida, quando se assiste a uma morte de uma mulher saudável no momento em que está a dar à luz. Uma morte evitável. Eu, pelo menos não esqueço. É desumano. Dói muito e do coração passa para a razão. E acredito que não estou sozinha, mesmo que para muitos, seja apenas um exercício de imaginação, distante dos olhos, não pode ser nunca aceitável.
Embaixadora de Boa Vontade do UNFPA, presidente da Associação Corações com Coroa
Joao Godunha
5 h
Essa embaixadora de boa vontade (uma de não sei quantas mil, tudo o que é "famoso" defende "causas" com o dinheiro alheio) devia saber que o presidente Trump não tem por obrigação sustentar os programas materno-infantis, de planeamento familiar, seja lá do que for, de outros países. Se calhar não seria má ideia pedir a verba necessária ao cleptocrata de Angola, ou da Guiné-Equatorial, ao camarada Mugabe ou a tantos outros que levam África para a frente, bem na linha dos seus antecessores desde as independências. Mas é mais fácil bater no malvado Trump do que no bando de ladrões que fingem governar os países por onde esta senhora embaixadora (vénia) andou.
josé maria
5 h
Catarina Furtado, uma bela mulher e uma grande bordoada no broeiro do cowboy.
Gonçalo Matos
7 h
É triste ler a maioria dos comentários feitos neste artigo... Estamos mesmo num mundo de Trumps... 😕
Arte RebeloGonçalo Matos
7 h
Eu já estou naquela, mais vale um mundo de Trumps que de Maduros e Morales.
Zacarias da Fonseca
8 h
Falar mal do Trump é fácil, pois ele é inofensivo. Quando muito responde no Twitter.

Ainda gostava de ver esta dondoca tão corajosa, que vive à custa dos meus impostos, levantar cabelo contra o Nicolau Maduro ou contra o José Eduardo dos Santos. Ou contra o Costa, o Jerónimo ou a Kathy, para não ir mais longe. 
José Mendes
8 h
Tem também o meu apoio para a sua responsável iniciativa de mobilizar pessoas de bem e a comunidade nacional e internacional para a condenação da decisão impensada e irrealista de Trump. 
A questão não se resume à satisfação do ego narcisista de um narcisista. A UNFPA pugna pela causa da vida, da dignidade humana, das civilizações, dos sonhos e esperanças dos seres humanos. 
Trump já recuou noutras decisões também recuará nesta desde que a mobilização das pessoas de bem se faça por todo o mundo a todos os níveis. 
Não está só Cara Catarina Furtado, o seu apelo será seguido. Não desista nunca. 
Arte RebeloJosé Mendes
7 h
Ego Narcisista? Apenas porque defende o dinheiro dos seus contribuintes? Os EUA ao longo de decadas contribuia com uma fatia enorme 22% do orçamento da ONU é dinheiro americano (muito superior a percentagem dos seus cidadãos) para a ONU e similares. Quando o Trump concorreu prometeu cortes.

Disse mesmo mais valia canalizar metade desse dinheiro (cerca de 5.000 Milhões de U$Dolls) para cuidar dos americanos que não tinham subsidios e estavam desempregados. Ele está a fazer é muito bem ao defender o seu povo e vai cortar metade das verbas para a ONU.

Anunciou isto mesmo no dia 17 de Março como prometeu em campanha. 

Tenho pena que seres humanos vão sofrer com esta medida, mas os EUA não podem ser sempre os que dão tudo. Porque a Russia e a China e a UE não compensam com mais verbas. Os EUA nem 4% da população  mundial tem. Vai passar de 22% do orçamento da ONU para 11%. Mesmo assim continua a ajudar acima do que era justo. 
Filipe Costa
8 h
Não se esqueça de Portugal.

Esse paleio é de Miss Universo, oco.

Mude.
victor guerra
9 h
Faltava a "poupée" da televisão,a dar lições de moral ao Trump.Quanto dará ela dos seus salários obscenos?
Carvalho Frank
9 h
Os Estados Unidos da América são a vaca leiteira da ONU e da NATO e de muitas outras organizações mondialistas!
Compreendesse o porquê dos ataques a Trump pelos interesses instalados dos que recebem o leitinho grátis. 
90% do dinheiro das ONGs é gasto em se manter a ela mesma e 10%  na causa em si
Mas o leitinho ta a acabar

Carvalho Frank
9 h
Mas são os Estados Unidos e os seus contribuintes que tem que pagar esses serviços nos outros países subdesenvolvidos?
Que tal lutar pelo fim da corrupção política desses mesmos paises em questão pois os seus políticos são os principais culpados das mortes do propio povo
Zacarias da FonsecaCarvalho Frank
9 h
Nem mais.
Bruno SantosCarvalho Frank
8 h
Os EUA não têm soberania sobre esses países.

Isso faz com que, da mesma forma que o resto do mundo tem que aceitar uma presidência Trump nos EUA, pois trata-se de assuntos internos do país, os EUA têm que aceitar um José Eduardo dos Santos em Angola, por exemplo. A não ser que você seja imperialista e esteja a defender uma invasão americana desses países.

Portanto, essas ajudas monetárias são importantes, sim, pois na maioria dos casos são a única ajuda possível, ainda que não resolvam o problema de raíz, pois efetivamente o problema está nos líderes políticos.
Arte RebeloBruno Santos
7 h
Pois é como o Trump é agora o Presidente dos americanos pode cortar as verbas, foi mandatado pelo povo para fazer isso mesmo, como tinha prometido na sua campanha cortar muito dinheiro para a ONU e similares.
Afinal os americanos só semeavam guerras e o caos onde metessem o bedelho, e faziam isto e aquilo e no fundo faziam mais pelo mundo com as suas principescas contribuições, que muitos regimes comuna-socialistas que da boca para fora dizem que fazem muito pelo seu povo, mas depois na realidade morrem os seus concidadãos com doenças crónicas como a diabetes e similares por falta de medicamentos.
Agora cojmo Trump tinha dito acabou-se a mama, porque não pedem mais dinheiro à China, o país com crescimentos anuais de dois digitos e que só pensa em comprar tudo e todos? 

Eu se fosse americano só apoiava quem defendesse o dinheiro dos contribuintes americanos. Não admira que as sondagens estejam cada vez mais altas para o lado republicano. 
Zacarias da Fonseca
9 h
(Pole position!)

Só faltava esta. Receber liçõezinhas de moral desta chupista regiamente paga com o dinheiro dos meus impostos e que não faz nada que se veja.




Carvalho FrankZacarias da Fonseca
9 h
"Embaixadora da boa vontade"
de viver bem com o dinheiro dos outros

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