ATENTADOS DE PARIS Atentados de Paris: o resumo do que já sabemos
Houve três atentados: um perto do Stade de France, outro no Bataclan Café e um na Rua de Charonne. Pelo menos 150 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas. O essencial, para já, da tragédia.
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Às 3h da madrugada de sábado, a contagem das vítimas mortais já tinha superado os 150
Thierry Chesnot/Getty Images
À surpresa e desconhecimento seguiram-se a tragédia e o horror. O relógio não andava longe das 21h em Portugal quando a informação se começou a espalhar — explosões e tiroteios estavam a acontecer em Paris na noite de sexta-feira, 13 de novembro. Eram três atentados a ocorrerem quase simultaneamente no centro da cidade, um deles bem ao lado do Stade de France, que acolhia mais de 81 mil pessoas para verem o jogo de futebol entre as seleções de França e da Alemanha.
O recinto, localizado no bairro de Saint Denis, estava a cerca de nove quilómetros do Bataclan Café, uma das mais famosas salas de espetáculos de Paris, onde decorria um concerto da banda Eagles of Death Metal. Dois locais cheios de gente, com as devidas diferenças, pareciam ser os alvos. Pelo menos três explosões aconteceram numa rua ao lado do estádio, que foram ouvidas no interior do recinto. No Bataclan, centenas de pessoas ficaram retidas no interior do edifício por quatro terroristas. Três suicidaram-se, um foi abatido pela polícia, pelo menos 118 pessoas foram mortas pela violência gratuita. O último atentado registou-se a cerca de quilómetro e meio dali, na Rue de Charonne, onde morreram 18 pessoas.
Existem cidadãos portugueses e brasileiros entre os feridos registados no Bataclan Café, segundo Duarte Levy, jornalistafreelancer português sediado em Paris, a quem a polícia parisiense confirmou esta informação. O Observador está a acompanhar o desenrolar dos acontecimentos desde o primeiro relato, numLiveblog — no qual vamos reunindo toda a informação sobre os atentados.
Aqui fazemos um resumo dos dados essenciais da tragédia. Os atentados foram reclamados ao fim da noite pelo Estado Islâmico, em vingança contra a intervenção de França na Síria. Vários dos terroristas terão gritado “Alá é Grande!”
Números
Reações oficiais
Os três atentados
1. O primeiro aconteceu num bar próximo do Stade de France, no bairro de Saint Denis, onde estava a decorrer a partida de futebol entre a França e a Alemanha. Pelo menos três explosões terão sido vistas e ouvidas por testemunhas.
O Le Monde noticiou que as explosões ocorreram em três restaurantes diferentes. Milhares de pessoas que estavam nas bancadas do estádio — que tem capacidade para acolher mais de 81 mil pessoas — recusaram-se a abandonar o recinto e estiveram durante vários minutos concentradas no relvado. As explosões foram ouvidas no interior do estádio, quando o jogo ainda estava a decorrer. Três terroristas morreram no local, tendo dois deles cometido suicido e um sido abatido a tiro pela polícia.
2. O segundo atentado foi registado na Boulevard Voltaire, perto doBataclan Café, uma das mais famosas salas de espetáculos da capital gaulesa — com capacidade para acolher até 1.500 pessoas na plateia em pé. Três suicidaram-se com coletes de explosivos e um quarto foi abatido a tiro pela polícia, já na rua.
Ocorreram, pelo menos, cinco explosões no interior Bataclan, onde os autores do atentado estiveram mais de uma hora com reféns. As autoridades confirmaram que 118 pessoas morreram no interior da sala de concertos. Uma jornalista do Le Monde, que ouviu um sobrevivente do ataque, noticiou que os terroristas estavam nos camarins quando a polícia entrou no edifício.
3. O terceiro atentado ocorreu na Rue de Charonne, a cerca de quilómetros e meio do local do segundo incidente. A policia confirmou que 18 pessoas morreram neste local. Os dois primeiros atentados aconteceram no 10.º bairro de Paris, enquanto o terceiro já está localizado no 11.º Arrondissement. O Stade de France dista cerca de nove quilómetros da zona onde foram registados os outros dois atentados, que foram registados em locais, por sua vez, separados em quase 1.500 metros.
Os outros três tiroteios
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Terror voltou ao coração de Paris
Hoje às 02:04, atualizado às 02:54
Pelo menos 120 pessoas morreram na sexta-feira em vários ataques em Paris, cerca de cem destas numa sala de espetáculos onde decorria um concerto de uma banda norte-americana. Há centenas de feridos, quase uma centena em estado grave. Sete terroristas mortos.
As primeiras notícias surgiram pelas 22.20 horas (21.20 em Portugal continental), dando conta de várias explosões perto do Estádio de França, onde decorria um jogo de futebol entre as seleções francesa e alemã, e de um ataque com arma de fogo num restaurante.
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Pela 1.30 horas (00.30 em Portugal continental), o número de mortos ultrapassava já uma centena, tendo a maioria morrido num ataque à sala de espetáculos Bataclan, onde à hora dos ataques estavam cerca de 1500 pessoas a assistir a um concerto dos norte-americanos Eagles of Death Metal. Os quatro atacantes do Bataclan estão mortos. Segundo a polícia, três destes fizeram-se explodir dentro da sala e o outro foi abatido. Mais três terroristas morreram no ataque ao Estádio de França.
Os ataques registados em Paris foram conduzidos em sete pontos diferentes da cidade, segundo fonte próxima do inquérito, citada pela Agência France Presse.
Os sete locais onde se deram os ataques são: Estádio de França, na Gare Du Nord, no restaurante Petit Cambodge, no bar Le Carrilon, no Bataclan Concert Hall, no Belle Equipe Bar, em Les Halle.
O presidente francês, que na altura dos primeiros relatos estava no Estádio de França, anunciou à meia-noite (23 horas em Portugal continental) que decretou o estado de emergência no país e o encerramento das fronteiras na sequência de "ataques terroristas sem precedentes".
Entretanto, o Governo belga decidiu estabelecer o controlo de fronteiras com a França em estradas, aeroportos e estações de comboio. O chefe do Governo belga convocou um centro de crise e criou um comité ministerial para realizar as primeiras avaliações aos atentados de Paris.
Os ataques em Paris fizeram com que a Polícia de Nova Iorqueativasse vários protocolos antiterroristas na cidade como medida de precaução.
Os ataques foram condenados por vários países, entre estes os Estados Unidos da América, a Alemanha, Portugal e o Canadá.
O presidente do Governo de Espanha, Mariano Rajoy, ofereceu "toda a colaboração" dos corpos e forças de segurança espanholas, bem como do executivo a que preside, "na luta sem quartel contra a barbárie terrorista".
Os presidentes do Conselho Europeu, Donald Tusk, da Comissão Europeia, Jean-Claude Junker, e do Parlamento Europeu, Martin Schulz, afirmaram estar profundamente horrorizados com os ataques. Já o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Junker, afirmou estar "profundamente chocado" com os ataques, que o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, considerou "desprezíveis".
O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, condenou os atentados terroristas em Paris e sublinhou que a Aliança está "fortemente unida na luta contra o terrorismo", o qual, garantiu, "nunca derrotará a democracia".
Em Portugal, já vários políticos demonstraram consternação com os ataques em Paris, entre estes, os candidatos presidenciais Sampaio da Nóvoa e Marcelo Rebelo de Sousa, o secretário-geral do PS, António Costa e os partidos LIVRE e Bloco de Esquerda.
O presidente da República Cavaco Silva enviou na sexta-feira à noite um telegrama de Estado ao Presidente francês, François Hollande, expressando a sua "grande consternação" face ao que classificou de "hediondos ataques terroristas" em Paris.
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, expressou as condolências e solidariedade ao presidente francês François Hollande e o repúdio de Portugal "de toda a forma de terrorismo" face aos atentados desta noite.
Também o Governo português lamentou na sexta-feira "profundamente" os ataques e disse desconhecer ainda se há vítimas de nacionalidade portuguesa.
Por seu turno, o cônsul-geral de Portugal em Paris, Paulo Neves Pocinho, explicou à Lusa que "ainda é muito cedo" para saber se há portugueses entre as vítimas dos ataques desta noite, mas declarou que "a Embaixada e o Consulado estão de prevenção" e que já contactaram as autoridades francesas.
Escrito por Agências em 14 Novembro 2015
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Atiradores e homens-bomba atacaram restaurantes, uma casa de espectáculos e um estádio em Paris na noite de sexta-feira, matando pelo menos 120 pessoas no que o abalado presidente da França, François Hollande, chamou de ataque terrorista sem precedentes.
Uma autoridade do município de Paris disse que homens armados assassinaram sistematicamente cerca de 100 pessoas que assistiam a um espectáculo de rock na casa Bataclan. Comandos anti-terrorismo iniciaram uma ofensiva no local, mataram os atiradores e resgataram dezenas de sobreviventes chocados.
Cerca de outras 40 pessoas foram mortas em até cinco outros ataques na região de Paris, afirmou a autoridade municipal, incluindo um aparente duplo atentado suicida no lado de fora do estádio nacional onde Hollande e o ministro das Relações Exteriores alemão assistiam a um amistoso jogo de futebol.
No entanto, o procurador de Paris, François Molins, disse que o número total de mortos era de pelo menos 120 pessoas. Cinco criminosos foram "neutralizados".
O ataque aparentemente coordenado ocorreu no momento em que a França, um dos países fundadores da coligação que tem realizado ataques aéreos liderados pelos Estados Unidos da América contra combatentes do Estado Islâmico na Síria e no Iraque, está em alerta elevado para atentados terroristas antes de uma conferência climática global no fim deste mês.
Depois de ser retirado do estádio, Hollande declarou estado de emergência nacional - o primeiro em décadas - e anunciou o encerramento das fronteiras da França para evitar a fuga dos criminosos.
O sistema de metropolitano de Paris foi fechado e escolas, universidades e edifícios municipais receberam ordens para não abrir no sábado. No entanto, alguns serviços ferroviários e aéreos devem continuar em operação.
"Isso é um horror", disse Hollande, visivelmente abalado, num discurso à nação em rede de televisão, antes de presidir uma reunião de emergência do gabinete. Mais tarde, ele foi ao local do ataque mais sangrento, a casa de espectáculos Bataclan, e prometeu que o governo irá travar uma luta "implacável" contra o terrorismo.
Todos os serviços de emergência foram mobilizados, folgas de policiais foram canceladas, 1.500 soldados do Exército foram convocados para reforçar as operações de segurança na região de Paris e hospitais convocaram as suas equipas para lidar com a situação de emergência.
Não estava claro se algum atirador ainda estava foragido. Emissoras de rádio transmitiram avisos para os parisienses ficarem em casa e não circularem, além de pedir aos moradores para oferecer abrigo a quem estivesse retido nas ruas.
O ataque mais mortífero foi no Bataclan, uma sala de espectáculos populares, onde o grupo de rock californiano Eagles of Death Metal actuava. O local fica a apenas algumas centenas de metros da antiga redacção do jornal satírico Charlie Hebdo, que foi alvo de um ataque mortal de islâmicos armados em Janeiro.
Testemunhas no Bataclan ouviram os atiradores gritar frases islâmicas e condenarem o papel que a França vem desempenhando na Síria. "Sabemos de onde esses ataques vêm", disse Hollande, sem identificar qualquer grupo individual. "Há, na verdade, boas razões para se ter medo."
ALERTA MÁXIMO
A França está em alerta máximo desde que 18 pessoas morreram nos ataques contra o jornal Charlie Hebdo e um supermercado kosher em Paris, em Janeiro. Hollande cancelou os planos de viajar para a Turquia no fim de semana para participar da cúpula do G20, grupo formado pelas principais economias do mundo. Ele convocou uma reunião de emergência do seu conselho de segurança nacional para sábado de manhã.
O presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, lideraram um coro mundial de solidariedade à França, e o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, condenou os "ataques desprezíveis".
O jornalista da rádio Europe 1 Julien Pearce estava dentro da casa de espectáculos quando o tiroteio começou. Num relato publicado no site da emissora, ele disse que vários indivíduos muito jovens, que não estavam a usar máscaras, entraram na sala enquanto o espectáculo decorria acontecia armados com fuzis de assalto Kalashnikov (AK47) e começaram a "atirar cegamente contra a multidão". "Havia corpos por toda parte", disse ele.
Toon, um mensageiro de 22 anos que mora perto do Bataclan, estava a caminho do espectáculo com dois amigos em torno de 22h30 locais quando viu três jovens vestidos de preto e armados com metralhadoras. Ele ficou do lado de fora. Um dos atiradores começou a atirar contra a multidão.
"As pessoas estavam a cair como dominós", contou à Reuters. Ele disse que viu pessoas baleadas na perna, no ombro, nas costas e várias vítimas deitadas no chão, aparentemente sem vida. Não houve reivindicação imediata de responsabilidade, mas apoiantes do grupo militante extremista Estado Islâmico, que actualmente controla faixas de território de Iraque e Síria, disseram em mensagens no Twitter que o grupo havia realizado os ataques.
"O Estado do califado atingiu a casa da cruz", segundo uma das mensagens.
Duas explosões foram ouvidas perto do Stade de France, no subúrbio de Saint-Denis, ao norte de Paris, onde ocorria o jogo entre França e Alemanha. Uma testemunha afirmou que uma das detonações chegou a atirar as pessoas para o ar do lado de fora de um restaurante do McDonald's em frente ao estádio.
A partida continuou até o fim, mas houve pânico no meio da multidão devido aos rumores sobre os ataques, e adeptos permaneceram no estádio, alguns se reuniram no relvado de forma espontânea.
Helicópteros da polícia sobrevoaram o estádio enquanto Hollande era levado às pressas de volta ao Ministério do Interior para lidar com a situação.
No centro de Paris, um tiroteio começou fora de um restaurante cambojano, no 10º distrito da capital francesa. Dezoito pessoas foram mortas quando um atirador abriu fogo contra pessoas que jantavam em terraços ao ar livre na popular área de Charonne, nas proximidades do 11º distrito.
A polícia ainda parecia estar à procura de suspeitos. Também houve relatos não confirmados de tiroteios em outros locais, incluindo o shopping central Les Halles.
A carnificina em Paris ocorreu dias depois que militantes islâmicos reivindicaram ataques contra um distrito muçulmano sunita do sul de Beirute, no Líbano, e uma aeronave de turismo russa que caiu na península do Sinai, no Egipto.
Mais cedo nesta sexta-feira, os Estados Unidos da América e a Grã-Bretanha disseram que lançaram um ataque na cidade síria de Rakka contra um militante britânico do Estado Islâmico conhecido como "Jihadista John", mas não tinham certeza se ele foi morto.
Pelo menos 120 mortos na noite em que o terror voltou a Paris
Vários ataques coordenados na capital francesa no maior atentado da última década na Europa. Só na histórica sala de concertos Le Bataclan há cerca de 100 mortos confirmados. Todos os oito atacantes foram mortos. França fecha fronteiras e declara o estado de emergência.
Pelo menos 120 pessoas morreram esta sexta-feira na sequência de uma série de atentados lançados em Paris, à porta de cafés, restaurantes e no Le Bataclan, conhecida sala de espectáculos da capital francesa onde no momento do ataque decorria um concerto e onde várias centenas de pessoas foram feitas reféns.
Depois do assalto policial ao Bataclan, lançado perto das 23h30, fontes policiais avançaram com o número de cerca de entre os 70 e os 100 mortos só nesse local, onde três atacantes se terão feito explodir depois de dispararem contra a multidão. Ao todo foram mortos oito terroristas envolvidos nos vários ataques e a polícia procura agora eventuais cúmplices que possam ter ajudado nos atentados.
A Presidência francesa decretou o estado de emergência, reinstaurou o controlo das fronteiras e anunciou a mobilização de 1500 soldados para a região de Paris. Por seu lado, a polícia aconselhou os habitantes da capital a não saírem à rua, enquanto muitas pessoas disponibilizavam as suas casaspara receber os que andavam na rua e não tinham forma de regressar aos locais onde habitam.
Hollande: “Seremos implacáveis”
O Presidente François Hollande dirigiu-se ao início da madrugada para o Bataclan, onde declarou: “Seremos implacáveis neste combate.”
Os ataques, que terão decorrido em simultâneo, exibiram o mesmo padrão: um ou mais homens, de cara destapada, saíram de viaturas que pararam à porta do restaurante “Le Belle Equipe”, na Rue de Charonne (próximo do canal Saint Martin), no 11.º bairro; do restaurante “Petit Cambodge” e bar “Le Carillon”; e junto à conhecida sala de espectáculos Le Bataclan, no Boulevard Voltaire, no 10.º bairro, e abriram fogo.
Testemunhas citadas pelos jornais franceses davam conta da aleatoriedade e violência dos atentados, que atingiram pelo menos seis pontos distintos da capital francesa, dizendo que os atiradores disparavam para o ar ou varriam o espaço com tiros de metralhadora. Nalguns casos a barragem de fogo durou cinco minutos. Na sala de espectáculos, mais de uma centena de pessoas que assistiam a um concerto da banda rock norte-americana Eagles of Death Metal foram feitas refém.
Ao mesmo tempo, num dos sectores do Stade de France, onde decorria um jogo de preparação entre as selecções nacionais de futebol de França e da Alemanha, foram ouvidas três explosões 25 minutos depois do início da partida, que provocaram três mortos — um deles seria o bombista. A confirmar-se esta informação, será a primeira vez que acontece um atentado suicida em França. François Hollande, que assistia ao jogo, foi imediatamente transportado do local, que sob intensa vigilância policial foi mais tarde evacuado sem mais incidentes.
Além dos cerca de 120 mortos, as autoridades estimam em perto de 200 o total de feridos, 80 dos quais permaneciam em estado grave às primeiras horas da madrugada deste sábado.
Ataques por reivindicar
Hollande reuniu um gabinete de crise no Ministério do Interior e juntou todo o Governo num Conselho de Ministros extraordinário, cancelando uma viagem à Turquia para o G20 e convocando uma reunião do Conselho de Defesa para sábado de manhã. Numa curta declaração, ainda antes de se deslocar ao Bataclan, o Presidente pediu calma à população de Paris e garantiu que foram accionados todos os meios para garantir a segurança.
Descrevendo a situação como “um horror”, o Presidente voltou a pedir aos franceses “compaixão, solidariedade e união”. “Face ao terror, a França deve ser forte e deve ser grande. Estes terroristas querem assustar-nos, mas vamos enfrentar o medo e mostrar que a nação sabe defender-se”, afirmou.
Os ataques, que aconteceram em simultâneo, não foram reivindicados — e as autoridades francesas não fizeram qualquer declaração durante a noite sobre a sua possível autoria. A cidade de Paris foi palco de violentos ataques em Janeiro, quando militantes islamistas atingiram o jornal satírico Charlie Hebdo, e um supermercado judaico, fazendo 17 mortos. De então para cá, já se registaram outros incidentes, o mais recente dos quais a 21 de Agosto a bordo do comboio rápido Thalys, que viajava entre Bruxelas e Paris.
Os relatos de testemunhas nos jornais franceses sugeriam uma ligação islamista para os atentados desta sexta-feira, dizendo que os atiradores gritaram “Allah akbar” (Deus é grande, em árabe) enquanto disparavam. Nas zonas dos ataques, vários moradores abriram as portas das suas casas para abrigar turistas e clientes de restaurantes e bares que ficaram perdidos nas ruas, depois de a circulação dos transportes públicos ter sido suspensa, e ofereceram apoio ao pessoal de emergência e forças de polícia.
O cenário no movimentado centro de Paris era “apocalíptico” para uma sexta-feira à noite, descreviam os jornais. Perante as luzes das ambulâncias e carros da polícia, tentava fazer-se a triagem dos feridos na rua, e dar assistência a centenas de pessoas em choque.
“Começámos a ouvir o barulho de tiros, era um ruído interminável, como se fosse fogo-de-artifício”, contou Pierre Montfort, um morador vizinho do bar “Le Carillon”, à AFP. “Havia sangue por todo o lado. Vi muita gente deitada ensanguentada, não sei se estavam feridos, se estavam mortos”, descreveu um dos clientes do restaurante “Petit Cambojan” em frente.
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, manifestou a sua solidariedade com a França e, tal como o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse sentir-se “profundamente chocada com as imagens que chegam de Paris”. Pelo seu lado, o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que “o ataque em Paris é um ataque contra toda a humanidade e os nossos valores universais”. Numa breve declaração na Casa Branca, Obama disse que os EUA estavam preparados para auxiliar as autoridades francesas “no que for preciso para levar os terroristas à justiça”.
Às vezes, me permito dominar pela desesperança. Ao pensar nos ataques ocorridos em Paris esta noite, visualizo o desespero das vítimas, o pânico enquanto terroristas executavam friamente reféns indefesos na casa de shows e, claro, o sofrimento das famílias que perderam seus amores.
E, chocado, vejo como perfis reacionários aqui no Brasil imediatamente foram ao Twitter espalhar ódio dizendo coisas como "Que pena que o Chico Buarque não estava dando show em Paris" ou "'Brasil está de braços abertos para refugiados'. DE BRAÇOS ABERTOS PRA LEVAR UM TIRO NO PEITO SÓ SE FOR." - dois exemplos horrendos que expus em minha conta no outro site. (Uma posição que, inclusive, demonstra imenso desconhecimento político, ignorando - como apontei em um RT - que é justamente destes monstros que os refugiados estão tentando escapar quando buscam asilo em outros países.)
Porém, quando o pessimismo completo começa a me tomar, lembro-me de que taxistas parisienses se ofereceram para transportar pessoas de graça; que centenas ofereceram seus lares como abrigo; e que manifestações de solidariedade dominaram a Internet. Sim, ataques como o de hoje podem ter grupos de malucos odiosos por trás, mas a solidariedade humana é algo que me mantém esperançoso: para cada sociopata incapaz de expressar algo além do ódio, há 500 postando pensamentos amorosos.
(E não, não sou um grande fã de religião, mas é importante lembrar que se fundamentalistas estiverem mesmo por trás disso, são minoria.)
Sei que é difícil ser otimista com relação à Humanidade em dias como hoje, mas não permitam que o valor dos gestos generosos seja ignorado.
Fiquem bem. E se forem publicar algo hoje em redes sociais, tentem exercer a empatia e a compaixão.
Já há ódio demais por aí.
Texto de Pablo Villaça, escritor
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