quarta-feira, 29 de maio de 2013

Docentes da UEM rejeitam salário em contestação à direcção


  Mau ambiente na Faculdade de Educação  
 
 

 
Maputo (Canalmoz) - Desde que o reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Orlando Quilambo, foi visitar a Faculdade de Educação da Universidade Eduardo Mondlane no passado dia 11 de Abril e o corpo técnico administrativo apresentou, em carta, os problemas que enfermam a faculdade, o ambiente de trabalho ficou deteriorado.
A situação chegou ao extremo que um grupo de docentes recusou-se a receber sua remuneração do mês de Abril, alegando cortes sem explicação clara nem escrita, conforme mandam os procedimentos administrativos. O Canalmoz pediu esclarecimentos à Professora Eugénia Cossa, a directora da faculdade, que nos recebeu mas negou falar do assunto alegando que “pretende resolver os problemas internamente sem recorrer à Imprensa”.
Na verdade, os problemas da Faculdade de Educação da UEM vão para além dos cortes de salários dos docentes. Fontes da faculdade que falaram ao Canalmoz explicaram que a arrogância por parte da direcção na forma como tratam os docentes e elementos do corpo técnico é a principal preocupação dos funcionários e docentes da faculdade.
Neste momento, por exemplo, directores de cursos e chefes de departamentos estão a colocar seus lugares à disposição devido ao meu ambiente que se vive na faculdade.
 
2013 05 29 001Sobre os cortes de salários
 
Os docentes da faculdade que leccionam à noite, nas turmas de pós-laboral, vinham sendo pago seus salários por cada turma que leccionam, mas em Abril passado, a direcção decidiu unilateralmente que independentemente do número de turmas, os docentes passariam a auferir salário de uma só turma. Esta informação foi comunicada no final do mês, no momento em que os docentes iam receber seus cheques. Chegados à administração para receber o cheque foram informados que sua remuneração havia sido reduzida. Esta situação indignou os professores que todos optaram em rejeitar o pagamento. Até à altura do fecho desta edição havia docentes ainda sem salário de Abril por se recusar a receber salário com descontos sem justificação clara e por escrito, de modo a que pudessem apresentar recurso.
 
Atraso no pagamento de salário
 
 Para além do corte do salário, a cada mês o salário dos docentes do pós-laboral, que é pago pela faculdade e não pela universidade, só sai depois do dia 10 de cada mês, o que faz com que os docentes reclamem exigido tratamento igual a todos os demais funcionários e agentes do Estado que geralmente auferem suas remunerações até dia 25 de cada mês.
Humilhações e insultos aos funcionários
Os docentes da Faculdade de Educação da UEM reclamam tratamento digno por parte da direcção. “Na reunião havia sarcasmos. Humilhações, acusações”, disse um docente referindo-se ao encontro onde os docentes foram informados dos cortes salariais.
Este, na verdade, é um dos principais problemas na faculdade. Na carta do corpo técnico e administrativo apresentada ao Reitor da universidade, Orlando Quilambo, no dia 11 de Abril de 2013, quando visitou a faculdade, os funcionários queixavam-se grandemente de tratamento humilhante pela direcção da faculdade.
“Há falta de boas formas de comunicação entre os colegas da direcção e o corpo técnico administrativo. Problemas de termos e vocábulos usados pelos nossos chefes da direcção tais como: incompetentes ignorantes, irracionais e burros, para adjectivar pessoal do corpo técnico e administrativo”, esta é a primeira denúncia que consta da carta apresentada ao reitor Quilambo.
“O corpo técnico administrativo quando apresenta seus problemas é ameaçado alegando a posterior expulsão porque alegadamente a senhora directora da faculdade, Eugénia Cossa, ser amiga do Reitor e que a qualquer momento pode ligar para o magnífico como forma de expulsar-nos a todos”, esta é outra queixa apresentada ao reitor, para além de falta de contratos com os funcionários do pós-laboral, e a não revisão de salários desde há três anos.
Esta é a informação que irritou a direcção da faculdade e começou a perseguir os funcionários e docentes com medidas tais como o corte de remuneração aos docentes e o ambiente de cortar à faca instalado na instituição.
Os docentes alegam que o director adjunto para graduação, da Faculdade de Educação, Jorge Fringe, também tem duas turmas de pós-laboral e continua a receber pelas duas turmas sem cortes tal como sucedeu com os demais docentes.
 
Viagens constantes da directora
 
Dizem ainda os docentes que a directora passa a vida a viajar para o exterior com direito a ajudas de custos elevadíssimas, mas na faculdade alega-se não existir dinheiro para resolver problemas básicos dos docentes e funcionários do corpo técnico.
A título de exemplo, neste exacto momento a directora da faculdade encontra-se fora do país para participar numa reunião. De acordo com documentos na posse do Canalmoz, entre os dias 22 e 26 de Janeiro a directora da faculdade, Eugénia Cossa, viajou para Nairobi, Kenya, para participar na “Reunião do Projecto Tuning Africa”.
Poucos dias depois, no dia 25 de Janeiro a 04 de Fevereiro Eugénia Cossa tornou a viajar para Holanda “em visita de trabalho”, conforme elucidam os documentos.
A directora da Faculdade de Educação da UEM, Eugénia Cossa, recebeu a equipa de Reportagem do Canalmoz mas não aceitou gravar a entrevista com alegações de que “quer resolver os problemas da faculdade internamente e não na Imprensa” e assim não pode dar esclarecimentos ou a sua versão dos factos. (Borges Nhamirre)

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