segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Análise das eleições: Lula e o falso mito de Midas

  
Vaguinaldo Marinheiro | Diretor de redação do Grupo A TARDE
  • Raul Spinassé | Ag. A TARDE
    Lula derrotou José Serra e tirou os tucanos da prefeitura paulistana
Jornais e a internet estarão nesta segunda-feira, 29, repletos de análises sobre o grande "vencedor das eleições municipais deste ano": o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dirão que após eleger a quase desconhecida Dilma Rousseff em 2010, Lula conseguiu agora colocar o "poste" Fernando Haddad à frente da prefeitura da mais rica cidade brasileira.
Será verdade? Se Lula tivesse mesmo o poder de Midas, de transformar em ouro tudo o que toca, como explicar as derrotas petistas em Recife, Belo Horizonte, Fortaleza, Campinas e Salvador, para citar apenas algumas cidades onde se empenhou muito e foi usado como principal cabo eleitoral?
Não há dúvidas de que a eleição em São Paulo é para ser comemorada pelo PT e pelo ex-presidente por dias, meses, anos... Lula derrotou seu arquirrival, José Serra, e tirou os tucanos e seus sócios da prefeitura paulistana depois de oito anos de mandato.
Mas há outros pontos a levar em conta. Primeiro, Haddad está longe de ser um "poste". Segundo, seu triunfo pode ser melhor explicado como uma grande derrota do PSDB que como vitória de um outro partido.
Serra & Cia. acumularam equívocos: da indefinição para lançar a candidatura ao atropelo de outros pré-candidatos, passando pelo desentendimento do que significava Celso Russomanno e finalizando com a ineficiente propaganda eleitoral.
Tudo temperado com muita soberba e o sentimento de que bastava entrar na disputa para ganhar. Acrescente ainda as enormes rejeições de Serra (por ter saído da prefeitura após pouco mais de um ano de mandato, em 2006) e de seu sucessor, Gilberto Kassab, acusado pelos paulistanos de abandonar a cidade em troca do projeto de um novo partido nacional.
A história não permite saber qual seria o desfecho de um evento se os fatos fossem alterados, mas é legítimo supor que Haddad venceria em São Paulo com ou sem Lula. Basta lembrar que o ex-presidente nunca foi uma unanimidade na cidade.
Enquanto esteve na Presidência (2003-2010), amargou duas derrotas em eleições municipais (em 2004, Marta Suplicy perdeu para Serra; em 2008, para Kassab).
Em 2006, quando tentava a reeleição para presidente, Lula também saiu derrotado na cidade, desta vez por Geraldo Alckmin (PSDB). Obteve 45,58% dos votos, contra 54,43% do tucano.
É um cenário bem diferente do visto em Salvador, onde Lula sempre foi muito querido: conseguiu 84,47% dos votos em 2006. Infelizmente para Nelson Pelegrino, o suposto poder do presidente não funcionou.
Qualidades de ACM Neto à parte, de novo talvez seja mais correto dizer que a capital baiana tenha visto uma eleição perdida, não ganha.
As greves de policiais e de professores, além da situação precária da cidade, que muitos eleitores veem como também de responsabilidade do governo do Estado, acabaram sendo fardos muito pesados para o petista carregar. Com ou sem Lula.

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