domingo, 26 de maio de 2019

Partido de Le Pen vence em França: “Lição de humildade para Macron”


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A União Nacional voltou a vencer as europeias francesas. "O povo castigou e deu uma lição de humildade ao Presidente da República", disse cabeça de lista. Centro colapsa, verdes em terceiro.
BERTRAND GUAY/AFP/Getty Images
A União Nacional (UN, antiga Frente Nacional) ganhou pela segunda vez as eleições europeias em França, deixando para trás as aspirações de Emmanuel Macron e do seu Renascença, que ficou em segundo.
No seu discurso de vitória, Marine Le Pen disse que estas eleições demonstram a “opinião real do país” e em consequência exigiu a Emmanuel Macron que dissolvesse a Assembleia Nacional, onde o República Em Marcha (REM, aliada do Presidente da República, tem maioria absoluta.
“Cabe ao Presidente da República tirar as consequências, ao fazer destas eleições um referendo à sua política e até à sua pessoa. Não há outra alternativa além de, no mínimo, dissolver a Assembleia Nacional e levar a cabo um modo de escrutínio mais democrático e representativo da opinião real do país”, disse Marine Le Pen.
Antes de Marine Le Pen discursou o cabeça de lista da UN, Jordan Bardella. A mensagem mais forte do seu discurso foi também dirigida a Emmanuel Macron. “O povo francês aplicou esta noite um castigo claro e deu uma lição de humildade ao Presidente da República”, disse. “O Presidente da República transformou este escrutínio num plebiscito. E assim foi: esta noite, foi ele e a sua política que foram rejeitados.”

Primeiro-ministro admite “humildade”, mas evoca “maioria” contra Le Pen

Uma hora depois de serem conhecidos os resultados, falou o primeiro-ministro, Édouard Philippe, aliado político de Emmanuel Macron. Num discurso à nação, Édouard Philippe deu uma no cravo e outra na ferradura — por um lado, reconheceu a “humildade” que lhe confere o facto de ter ficado em segundo lugar; por outro, insistiu que mantém uma “maioria” contra Le Pen
“O resultado desta noite confirma a dinâmica da primeira volta das eleições presidenciais de 2017”, disse. “Os dois partidos que governaram a França durante mais de 50 anos têm cada um menos de 10%. A renovação da vida política francesa, iniciada pela eleição de Emmanuel Macron, é uma realidade duradoura e incontestável no país. As antigas clivagens já não existem e as novas estão presentes. É por isso que temos de fazer avançar a Europa, a ecologia, a proteção social”, disse o primeiro-ministro francês.
“Não vou banalizar este resultado da extrema-direita, que eleição após eleição ganha raízes na paisagem política francesa”, disse. “Todos os responsáveis políticos têm de ouvir o que estes resultados querem dizer.”
Por isso, reconheceu aquilo que o cabeça de lista da UN lhe exigiu: “Humildade”. “Quando terminamos em segundo numas eleições, não podemos dizer que as ganhamos. Continuamos com humildade mas também determinação para fazer avançar as forças do progresso no nosso país”, disse. E concluiu a dizer que amanhã continuará a trabalhar para “pôr na prática o projeto do Presidente e da maioria”.

Na queda do centro, o veredito não é consensual

Nestas eleições, que, de acordo com as projeções do Elabe, tiveram 52% de participação, bem por cima dos 42,4% das europeias de 2014, ficou também mais que confirmada a queda dos dois partidos do centro e outrora as duas grandes forças políticas da alternância no poder em França. Isto é, o Partido Socialista e os Republicanos (ex-UMP).
Esta era já uma queda anunciada pelas sondagens e que os resultados das eleições presidenciais e legislativas de 2017 já tinha feito adivinhar. Porém, os número ajudam a dar dimensão a esta queda vertiginosa: segundo o Elabe, o Partido Socialista (PS) ficou com 6,2% e os Republicanos tiveram 8,5%.
mindset no PS já não é da grandeza de outrora — tanto que, logo a seguir à queda de 2017, aquele partido vendeu até a sua histórica sede, no centro de Paris. Desta forma, à espera de um resultado ainda pior, o cabeça de lista do PS nestas eleições, Raphaël Glucksmann, disse no seu discurso que “a esquerda não está morta”.
“Desta noite sai uma mensagem extremamente clara: a esquerda não está morta. Existe uma esperança. Mas a fragmentação impedem-na de ser uma alternativa credível”, disse o socialista.
Do lado dos Republicanos, o tom era bem mais negativo. O presidente, Laurent Wauquiez, lamentou que o seu partido não tenha conseguido “fazer a sua voz ser ouvida” entre a campanha do Renascença e da União Nacional.
E olhou para trás para olhar para a frente — mais propriamente três anos para a frente, ano para o qual estão marcadas as próximas legislativas e presidenciais. “Sabíamos bem que, depois de 2017, a reconstrução seria longa e exigente”, disse, referindo aquele ano em que, pela primeira vez, o seu partido não passou à segunda volta das presidenciais. “Temos três anos para merecermos o voto dos franceses”, concluiu.

Verdes surpreendem e sobem para o terceiro lugar

Outro facto a reter destas eleições em França é a subida dos Verdes para terceiro lugar, com uma projeção de 12,7% dos votos. No seu discurso, feito em tom de vitória, o cabeça de lista dos Verdes, Yannick Jadot, falou do voto dos jovens.
“Não está fora de hipótese que sejamos a primeira força política entre os jovens, o que é uma mensagem magnífica para o futuro”, disse. “Esta mensagem compromete-nos. Já não se trata de votar a Europa a cada cinco anos com deputados que não prestam contas. Esta noite, cada um de nós compromete-se solenemente perante vós a levar ar a frente nos dias que se seguem um comité cidadão de vigilância para a Europa.”
Sobre a vitória da União Nacional, Yannick Jadot disse ainda que “para fazer recuar a extrema-direita é preciso ter coragem para agir”.
Resultados totais (segundo a projeção da Elabe)
União nacional – 24,2%
Renascença (República em Marcha) – 22,4%
Verdes – 12,7%
Republicanos – 8,5%
França Insubmissa — 6,2%
Partido Socialista – 6,2%
Debout La France – 3,6%
Génération(s) – 3,2%
Partido Comunista – 2,6%
UDI – 2,4%
Partido Animalista – 2,4%
UPR – 1,1%
Oiça as melhores histórias destas eleições europeias no podcast do Observador Eurovisões, publicado de segunda a sexta-feira até ao dia do voto.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

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