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Terminal de gás doméstico na Beira não funciona desde a inauguração
Nyusi fintado
Antigo ministro de Guebuza encurralado nos tribunais
Pág 4
10ª EXTRACÇÃO DA LOTARIA ALUSIVA AO DIA INTERNACIONAL DA MULHER - 2.000.000,00MT
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Tempos difíceis para Zucula Pág. 6
TEMA DA SEMANA 2 Savana 08-03-2019
F
oi uma das bandeiras da governação de Armando Guebuza. Quando foi instituído,
em 2009, o Fundo de Desenvolvimento Distrital (FDD) foi
apresentado como “uma política
visionária” que vinha para transformar, estruturalmente, o que o então presidente chamava de “polos
de desenvolvimento”, os distritos.
Mas dez anos depois, para além de
poucas transformações operadas, o
FDD não é mais do que uma política falhada que prejudicou o Estado em milhões de Meticais.
Também conhecido como “os sete
milhões”, o FDD foi aprovado no
ano em que Armando Guebuza
renovava o seu mandato como presidente da República de Moçambique.
De acordo com o n° 2 do decreto
90/2009, de 31 de Dezembro, que
aprovou o FDD, o Fundo destina-
-se à captação e gestão de recursos
financeiros visando impulsionar o
desenvolvimento e o empreendedorismo na satisfação das necessidades básicas das comunidades
locais, mediante a concessão de
empréstimos reembolsáveis.
No artigo 4 do regulamento do
FDD, constam, dentre outros, o
objectivo de estimular o empreendedorismo, a nível local, de pessoas
pobres, mas economicamente activas, sem acesso ao crédito bancário,
bem como financiar actividades de
produção e comercialização de alimentos, criação de postos de trabalho, permanentes ou sazonais, assegurando a geração de rendimento.
Mas desde o início que a iniciativa esteve envolto em controvérsias,
não fosse ela desnecessária, mas
pela forma pouco transparente na
sua gestão, muitas vezes baseada
em critérios político-partidários e
não na viabilidade dos projectos.
O FDD é gerido pelos Conselhos
Consultivos Distritais, órgãos controlados pela Frelimo. Como tal,
houve sempre relatos de favorecimento aos projectos submetidos
pelos “camaradas”, em detrimento, sobretudo, de pessoas ligadas à
oposição, que sempre se queixaram
de exclusão.
A forma pouco transparente na
gestão do FDD levou a que alguns
sectores o considerassem, desde
logo, um projecto de morte anunciada. Mas Armando Guebuza e a
sua turma bateram-se duro na defesa dos “sete-milhões”, apelidando
os seus críticos de anti-patriotas.
Mas o mais recente relatório do Tribunal Administrativo (TA) sobre a
Conta Geral de Estado (CGGE),
referente a 2017, confirma a grande
farra que foi uma das bandeiras da
governação do presidente Armando Guebuza. Na verdade, mais um
fracasso.
Fundo de Desenvolvimento Distrital
A grande farra
Por Armando Nhantumbo
Os números da fraude
Dados do Governo indicam que,
de 2012 a 2017, foram desembolsados 7 mil milhões de Meticais para
o financiamento de 90 mil projectos, mas apenas 742 milhões, qualquer coisa como 11%, é que foram
reembolsados.
De forma desagregada, de 2012 a
2015, foram desembolsados cerca
de mil milhões/ano e os reembolsos
foram de apenas 26 milhões (2%),
em 2012, 8 milhões (0,6%), em
2013, 96 milhões (7%), em 2014, e
67 milhões (11%), em 2015.
Em 2016, o valor desembolsado
foi de 625 milhões e reembolsados
apenas 65 milhões, 11%.
Em 2017, foram desembolsados
394 milhões e os reembolsos situaram-se em 480 milhões, 122%,
provavelmente o maior desembolso
de sempre.
Já não são apenas os “anti-patriotas” que andam preocupados com
“os sete milhões”. É também o TA.
“O nível de reembolso global situou-se, de 2012 a 2017, em 11,4%,
percentagem relativamente baixa,
limitando o financiamento de outros projectos, nos termos do previsto na alínea b) do nº1 do artigo
13 do regulamento do FDD, aprovado pelo decreto no 90/2009, de
31 de Dezembro, segundo o qual
constituem fonte de financiamento
do FDD os reembolsos dos empréstimos concedidos e respectivos
juros”, refere o TA no seu relatório
e parecer sobre a CGE 2017, que
vai à discussão na presente sessão
do Parlamento.
Para o TA, contribuíram para este
nível de reembolso, entre vários
factores, o deficiente estudo de
viabilidade económica, social e ambiental dos projectos submetidos
para aprovação, a falta de acompanhamento e monitoria dos processos de implementação dos projectos pelos Conselhos Consultivos
Distritais.
O fiscalizador das contas do Estado
destaca ainda que não foram apresentadas evidências de terem sido
levantados mecanismos legais contra os mutuários no que diz respeito à falta de devolução dos fundos
concedidos.
A falta de documentos que fazem
parte dos requisitos para o financiamento nos processos dos contractos
celebrados, a existência de contractos assinados sem a indicação da
data de assinatura relevante para a
contagem do tempo de reembolso,
são outros dos motivos.
Como também o são a não definição das taxas de juros aplicadas nos
empréstimos concedidos pelos Governos dos distritos de Bilene Macia, Chongoene, Chibuto e Dondo,
a não aplicação das medidas estabelecidas no mecanismo de reembolso, no caso de incumprimento
dos planos de reembolso por parte
dos mutuários. Como se não bastasse, a solicitação dos reembolsos é
feita por via de sensibilização oral,
o que, para o TA, propicia que não
haja efetivação dos reembolsos pretendidos.
Compra-se até cabazes e
ÁRUHVFRPR)''
Um dinheiro instituído para impulsionar o desenvolvimento e o empreendedorismo nos distritos, através da concessão de empréstimos
reembolsáveis, está a ser aplicado
para outros fins. Até para comprar
cabazes, flores e refrigerantes.
É o caso do distrito de Nampula,
onde, em 2017, o Governo distrital
efectuou despesas fora do âmbito
do FDD, no valor de 751 mil Meticais, por via do e-SISTAFE (Sistema de Administração Financeira
do Estado).
Doze mil foram usados na compra de bens de consumo, 44 mil na
compra de plasma de 32 polegadas, 110 mil na compra de senhas
de cabazes, 23 mil para na compra
de bens não duradouros, 13 mil na
compra de material de escritório,
3 mil na compra de um ferro de
engomar para a residencial oficial
do administrador, 5 mil na compra de bens de consumo, 2 mil na
compra de um vaso e uma árvore
para a residência do administrador,
61 mil na compra de block fone para
a secretaria do distrito, 50 mil foram para a compra de pneus para
viatura, 2 mil para pagamento de
factura de energia eléctrica, 17
mil para pagamento de facturas de
água, 30 mil na compra de produtos
diversos, 4 mil na aquisição de caixas de refresco para os reclusos da
penitenciaria de Nampula, 21 mil
na compra de géneros alimentícios
para a residência do administrador
e 300 mil na compra de produtos
diversos.
Confrontados pelo TA sobre o desvio de aplicação, os responsáveis
pela gestão referiram ter procedido daquele modo devido à falta de
fundos na componente funcionamento.
“Ora, o argumento apresentado
pela gestão não procede, estando-
-se perante desvio de aplicação,
nos termos do estabelecido no n°
1 do artigo 78 do Título I do Manual de Administração Financeira
e Procedimentos Contabilísticos,
aprovado pelo Diploma Ministerial
no 181/2013, de 14 de Outubro, do
ministro das finanças”, refere o TA.
De acordo com a entidade, a utilização de dinheiros públicos em finalidades diferentes das legalmente
previstas é, nos termos da Lei, uma
infracção financeira.
Por outro lado, há casos em que os
limites de financiamento do FDD
estabelecidos por cada sector de
actividades foram largamente ultrapassados. No distrito de Moma,
em Nampula, por exemplo, o valor
tabelado, em 2017, era de 2 milhões, mas foram financiados 12
TEMA DA SEMANA Savana 08-03-2019 3
A Embaixada do Reino dos Países Baixos em Maputo, pretende contratar um
FDQGLGDWR SDUD RFXSDU D YDJDGH2Àcial de Programa para Assuntos Políticos. O candidato deverá possuir o nível
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ANÚNCIO DE VAGA
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milhões, uma diferença abismal de
10 milhões.
De acordo com o TA, os valores
utilizados à margem das normas
constituem pagamentos indevidos
ou ilegais por causarem dano para
o Estado ou entidade pública.
Financiados projectos não
elegíveis
Outrossim, o TA afirma que, nos
exercícios económicos, de 2012 a
2013, foram aprovados e financiados, pelo FDD, projectos não elegíveis, como aquisição de viaturas,
no montante de 2 milhões, contrariando o manual de procedimentos
do fundo.
Entre os mutuários cujos projectos
não são elegíveis ao FDD, consta a
OJM (Organização da Juventude
Moçambicana, o braço juvenil da
Frelimo), da localidade de Novela.
O relatório do TA não esclarece
onde se situa a localidade de Novela, onde a OJM beneficiou de 300
mil meticais para um projecto de
transporte.
Três beneficiários, todos da família
Chilaule, também beneficiaram de
200, 250 e 450 mil em projectos de
transporte. O TA diz que a situação
também constitui desvio de aplicação.
Mutuários em parte incerta
No distrito de Magude, na província de Maputo, desconhece-se
o paradeiro de 16 mutuários que
beneficiaram de financiamento de
mais de 7 milhões.
Sobre a matéria, o TA nota fragilidades na selecção e monitorização
dos mutuários ou associações beneficiárias destes fundos para a implementação dos seus projectos.
Aliás, no distrito de Dondo, Sofala,
líderes de 4 bairros afirmaram que
desconheciam as circunstâncias em
que 7 mutuários foram incluídos
na lista de projectos financiados no
montante de 1 milhão, o que contraria o manual de procedimentos
do FDD, que define que a primeira
apreciação e aprovação dos projectos deve ser a nível do Conselho
Consultivo Local, antes de transitarem para os Conselhos Consultivos de Posto Administrativo e, por
último, para os Conselhos Consultivos Distritais.
Para o TA, o procedimento adoptado concorre para a não localização
dos mutuários, de que não se tinha
qualquer informação até ao término da auditoria.
P
ara o antigo estadista e mentor do FDD, o
impacto do projecto foi tal que, na periodização da história do desenvolvimento rural, em Moçambique, pode-se falar de duas
eras: antes e pós “sete milhões”.
Numa breve nota de destaque no seu website, com
o título “os 7 bis”, Armando Guebuza começa por
dizer que se interessa por novas dinâmicas em ambientes não-urbanos, sobretudo, nas áreas sociais e
económicas.
Depois é o auto-elogio. “Penso que hoje, na periodização da história do desenvolvimento rural, em
Moçambique, podemos falar das eras, antes, e pós 7
milhões de meticais, tal foi o impacto dessa medida
política visionária, a partir da qual construíram-se
novas narrativas no meio rural, que ganhou mais
consciência de si próprio, dos seus desafios, e de
como os endereçar (num exercício assente nas comunidades, através dos conselhos consultivos, e de
base política mais diversificada, e ampla)”, lê-se no
website de Armando Guebuza, lançado em 2016.
Mas esse não é o entendimento do Fórum de Monitoria de Orçamento (FMO), uma plataforma
que congrega 21 organizações da sociedade civil.
“O FMO exige uma auditoria ao processo de concessão de empréstimos no âmbito dos chamados
Fundos de Desenvolvimento Distrital, ou 7 milhões de meticais, uma vez que o TA notou que
cerca de 90% dos fundos nunca foram reembolsados, e não há registo de ter havido cobrança
coerciva ou alguma sanção aos devedores”, refere
o FMO em nota de Janeiro último, na qual analisa
a CGE de 2017 e o respectivo relatório e parecer
do TA.
Guebuza vangloria-se
mas FMO quer auditoria
T
rês executivos das Águas
da Região de Maputo
(AdeM), empresa responsável pela gestão dos serviços de abastecimento de água
à região do Grande Maputo,
abrangendo as cidades de Maputo, Matola e vila de Boane,
foram exonerados nesta terça-
-feira.
Trata-se do PCA, José Ferrete,
Gildo Timóteo, administrador
de Produção e Suporte Técnico
e Estaline Machoe, administrador comercial. A AdeM possui
sete administradores, dos quais
três são executados e quatro não
executados que, entretanto, continuam nos seus postos. Os três
executivos foram indicados em
Julho de 2016 para um mandato
de três anos, que não chegou ao
fim.
Não estão claras as razões das
exonerações, mas aponta-se
falhanços na necessidade de
melhoria dos serviços de abastecimento de água no Grande
Maputo. Mas alguns sectores indicam que esta responsabilidade
não pode ser imputada ao CA,
recordando os problemas das
fontes de água bruta, sobretudo,
na barragem dos Pequenos Libombos, que actualmente está a
20% de armazenamento.
Os substitutos dos três executados exonerados vieram do Fundo
de Investimentos e Património
do Abastecimento de Água (FIPAG), o acionista maioritário da
AdeM com 73%. Elias Machava
foi indicado para PCA, Henry
Cossa, administrador de Produção e Suporte e Elsa Gumancave, auditora interna do FIPAG,
vai para administradora comercial.
Entretanto, uma fonte ligada ao
Ministério das Obras Públicas,
Habitação e Recursos Hídricos,
argumentou que as mudanças
não tem nada a ver com os problemas de água em Maputo, Matola e Boane.
“Em Novembro termina o contrato de cessão de exploração
para o abastecimento de água
nas cidades de Maputo, Matola
e Vila de Boane, ao abrigo do
Quadro de Gestão Delegada do
Abastecimento de Água, aprovado pelo Decreto n.º 72/98, de
23 de Dezembro. Todo sistema
voltará para a gestão 100% do
FIPAG. O novo CA tem a responsabilidade de liderar esta
transição”, explicou.
Actualmente a Águas da Região de Maputo é o acionista
maioritário com 73%, resultante
da aquisição, em Dezembro de
2010, das acções da Águas de
Portugal Internacional, Serviços Ambientais, SA. Águas da
Região de Maputo, sociedade
anónima, foi constituída em
25 de Outubro de 1999, na sequência de um acordo de cessão
de exploração celebrado entre a
empresa, os seus accionistas e o
FIPAG. Anteriormente, a empresa, denominada Águas de
Moçambique, tinha como accionistas a Saur, uma empresa francesa, Águas de Portugal e Mazi,
um grupo de firmas moçambicanas ligadas, com algumas figuras
ligadas à nomenklatura frelimista.
(Redacção)
Três executivos da
AdeM exonerados
TEMA DA SEMANA 4 Savana 08-03-2019
O
terminal automatizado de
gás doméstico, inaugurado em Maio de 2018 na
cidade da Beira, pelo Presidente da República (PR) Filipe
Nyusi, nunca funcionou desde que
foi aberto. Isto sugere que o PR
inaugurou um elefante branco. O
terminal é considerado o maior e
primeiro terminal oceânico construído de raiz, após a independência nacional e foi apresentando por
Nyusi como um empreendimento
que iria contribuir para elevar a
disponibilidade do GPL (Gás de
Petróleo Liquefeito) para botijas
de cozinha, diminuindo a pressão
sobre a energia de biomassa produzida a partir de lenha e carvão
vegetal, com ganhos ambientais
importantes.
O empreendimento com capacidade para encher cerca de cinco mil
botijas e 12 camiões por dia custou
a estatal Petróleos de Moçambique
(Petromoc) cerca de 31 milhões
de dólares americanos financiados
pelo Banco de Exportação e Importação da Índia.
A infraestrutura foi montada para
responder os problemas de gás doméstico nas regiões Centro e Norte
do país que dependem completamente de Maputo.
O SAVANA sabe que a inoperacionalidade do terminal depois da
inauguração deveu-se a “falhas técnicas graves” detectadas no canal do
transporte do cais para o terminal.
Estes problemas tinham a ver com
as diferenças de padrões entre o
canal de transporte e o armazenamento, o que originava falhas de
pressão no processo de bombeamento de gás. Para tal, foi necessário ajustar a infraestrutura, o que
obrigou o empreiteiro, que tinha
entregado a obra, a voltar ao terreno para refazer a planta.
Contudo, o Presidente do Conselho de Administração da empresa
Petróleos de Moçambique, Hélder
Chambisse, nega os factos e diz que
a inactividade do terminal deveu-se
à demora no processo de negociações com a empresa proprietária do
canal.
Inaugurada com pompa e circunstância, numa cidade bastante hostil
ao partido governamental, Filipe
Nyusi, que também é presidente da
Frelimo, aproveitou o evento para
piscar o olho à população da região
centro dando conta de que a escassez do gás doméstico, que culmina
com a carestia do mesmo, já tinha
sido ultrapassada.
Na ocasião, Nyusi referiu que os
recursos hídricos limitam a construção de centrais hídricas, daí que
o maior desafio do governo é diversificar as fontes de energia.
Por outro lado, o Chefe de Estado falou do aumento, nos últimos
tempos, do uso de gás, que cresceu
em cerca de 40%, atingindo 34 mil
toneladas em 2017.
O gás seria vendido nas regiões
Centro e Norte do país e também
para a exportação.
O sistema foi apresentado como
um dos mais sofisticados onde
uma das características essenciais
é um sistema moderno de combate ao incêndio e uma sala dotada
de equipamentos que permitem o
controlo de todas as operações que
ocorrem dentro do terminal, como
o monitoramento dos níveis de gás
dentro dos três tanques existentes e
sistemas de bombagem para as botijas e para os tanques dos camiões.
Não é a primeira vez que o PR é
levado a inaugurar empreendimentos inoperacionais. Em 2015 inaugurou Complexo Agro-Industrial
de Chókwè (CAIC), empreendimento agro-industrial avaliado em
USD60 milhões, mas que nunca
chegou a funcionar. Financiado
pelo Exim Bank da China, CAIC
foi erguido com objectivo de resolver problemas cíclicos de produção
de comida que se perde ao longo
das campanhas agrícolas naquela
ponto do país e nas zonas circunvizinhas.
Petromoc tranquiliza
Contactado pelo SAVANA na
tarde desta quarta-feira, Hélder
Chambisse explicou que nem todas infraestruturas pertencem a
sua empresa, sendo que, para certas
operações depende de terceiros.
Explicou que no caso concreto da
Beira, a Petromoc possui o terminal, mas o canal de transporte de
gás do porto para o terminal é propriedade de uma outra empresa.
Esclareceu que, o que se verificou
foi que depois de inauguração do
terminal de manuseamento e enchimento de gás doméstico foi
necessário fechar contrato com a
firma dona do canal que é a Tecnoshore, uma empresa moçambicana, mas com accionistas estrangeiros.
“Depois da inauguração iniciámos
com as negociações. Essas discussões infelizmente levaram muito
tempo. Primeiro foi uma motivação
técnica onde se dizia que era preciso fazer ajustamentos e testes na
linha de transporte, só mais tarde
é que nos apercebemos que havia
motivações comerciais, porque a
Tecnoshore é detida por uma concorrente nossa no negócio de gás e
tem também um terminal similar”,
esclareceu.
Para o gestor máximo da Petromoc,
uma empresa altamente deficitária,
depois de alguns meses de negociações, a empresa chegou a conclusão
de que era mais viável negociar com
o empreiteiro, a empresa indiana
responsável pela construção do terminal.
O empreiteiro foi chamado em
Outubro para iniciar os trabalhos
de ajustamento da linha e só terminou no passado mês de Janeiro.
Referiu que só depois de ajustamento do canal é que se fechou o
contrato com a Tecnoshore.
Contudo, recordou que o fornecimento de gás ao país é feito por
via de contratos materializados
em cada seis meses e, quando são
fechados com o fornecedor, se estabelece o ponto de descarga.
“Portanto, na assinatura do contrato com o fornecedor tem de se
indicar os pontos onde deverão ser
feitas descargas. Ora, se estávamos
a negociar com o dono da linha
não podíamos dizer ao fornecedor
para mandar o navio ao porto da
Beira. O contrato fechado em Julho/Agosto de 2018 não contemplou Beira. Nessa senda, tivemos
de esperar o contrato seguinte e o
mesmo só foi fechado no mês de
Janeiro e esse contempla o porto
da Beira. Agora, estamos em condições de armazenar gás no porto
da Beira e, nos próximos dias, o terminal vai entrar em funcionamento e os enchimentos vai arrancar”,
garantiu.
Hélder Chambisse negou que a
inoperacionalidade da infraestrutura resultava de falhas técnicas
ou incapacidade de gestão ou que
a mesma era um elefante branco.
Havia muito trabalho por fazer depois da inauguração, sobretudo, na
linha de transporte.
Acrescentou que se aproveitou o
tempo da inoperacionalidade para
formar recursos humanos em termos de manuseamento, descargas
e enchimentos, pelo que, já não é
preciso movimentar técnicos de
Maputo para Beira.
Garantiu que o recurso ao empreiteiro não acarretou custos à
empresa, porque estava dentro das
margens dos ajustamentos dos contratos.
De acordo com Chambisse, a Petromoc deverá pagar 13 dólares por
metro cúbico a Tecnoshore pelo
uso do canal.
Chambisse contou que os 10 meses
em que o terminal esteve inoperacional não teve implicações para a
empresa porque, para erguer a infraestrutura, a Petromoc recorreu
a um empréstimo e este tinha um
período de graça e nos cálculos já
se tinha em conta possíveis imprevistos.
(PSUHVDGHÀFLWiULD
Em Fevereiro passado, o Governo
disse que iria emitir dois termos
de garantia no valor global de 4.2
biliões de meticais, referente a importação de combustível pela Petromoc, empresa detida em 80%
pelo Estado.
O Governo moçambicano apresentou aos credores internacionais,
em 2016, a Petromoc como uma
das quatro empresas estatais que
“enfrentam importantes desafios
financeiros” e que representam “potenciais encargos contingenciais”
para o Estado.
A petrolífera tem sido assolada por
má-gestão, funcionando muitas vezes como saco azul da elite política
frelimista, e não tem sido capaz de
tirar benefício da isenção de que
goza na importação de produtos
petrolíferos.
Essa isenção colocam a empresa
numa situação de vantagem em
comparação com outras petrolíferas
que actuam no mercado moçambicano.
Em 2016, a empresa acumulou 3, 6
biliões de meticais em prejuízos e
dívidas bancárias no valor de 14,3
biliões de meticais.
As contas da Petromoc mostram
que a empresa está tecnicamente
insolvente à luz do Código Comercial moçambicano, com os seus
accionistas a realizarem menos de
metade do capital subscrito.
No entanto, o SAVANA questionou Chambisse sobre as dívidas
das Linhas Aéreas de Moçambique
(LAM), Chambisse precisou que a
LAM deve cerca de 2.5 biliões de
meticais e, neste momento, não está
receber combustíveis da empresa.
“Estamos a negociar com a LAM e
ela também está à procura de formas para dentro das suas limitações
e dinâmicas de gestão encontrar
formas de superar a situação.
O que nos agrada é que a própria
LAM está a procura de soluções
a vários níveis, quer internamente,
quer com accionistas, para ver se
resolve o problema”, disse.
Recentemente, o governo anunciou
que irá assumir as dívidas da LAM.
Inaugurado em Maio de 2018 por Filipe Nyusi na cidade da Beira
Terminal de gás doméstico inoperacional
“Estávamos reféns do contrato com o dono do canal de transporte”, Hélder Chambisse
Terminal de gás doméstico não funciona desde a sua inauguração em Maio de 2018
Por Raul Senda
Hélder Chambisse, PCA da Petromoc
TEMA DA SEMANA Savana 08-03-2019 5
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SOCIEDADE 6 Savana 08-03-2019
O
antigo ministro dos Transportes e Comunicações,
Paulo Zucula, esteve, nesta quarta-feira, 06, sentado no banco dos réus por cinco
horas para responder pela prática
de crimes de pagamento de remunerações indevidas no valor de
2.250.202 meticais aos membros do
Conselho de Administração (CA)
do Instituto Nacional de Aviação
de Moçambique (IACM).
Junto com Zucula esteve Lucrécia
Ndeve, Teresa Jeremias e Amélia
Delane, diretora-geral, administradora não-executiva e ex-chefe de
Administração e Finanças.
O julgamento decorreu na II sessão do Tribunal Judicial do distrito
de Ka-Nhlamankulo, no bairro de
Aeroporto e a juíza da causa, Vika
Cossa, marcou a leitura da sentença
para o próximo dia 25 de Março. O
Ministério Público (MP) pediu o
ressarcimento do Estado pelos danos causados.
Paulo Zucula apresentou-se ao Tribunal de calças caquis de cor creme,
camisa branca e casaco azul. Com
um semblante frio, Zucula mostrava sinais de desgaste e um estado
de saúde, aparentemente, débil e
mais magro e envelhecido. Fazia-se
acompanhar pelo advogado, Julião
Cumbana, e de alguns familiares.
O antigo ministro deverá ser chamado, nos próximos dias, para
responder outro processo, onde é
acusado de crimes de participação
económica em negócios e branqueamento de capitais na aquisição
de duas aeronaves de tipo Embraer
no Brasil. Nesse processo, Zucula tem como co-arguidos o antigo
presidente do Conselho de Administração das Linhas Aéreas de
Moçambique (LAM), José Viegas,
e Mateus Zimba ex-director da Sasol Moçambique.
Esta quarta-feira, Zucula foi o primeiro réu a ser interrogado pela juíza e recusou o seu envolvimento na
prática dos crimes de que é acusado.
Zucula respondeu as perguntas sentado num banco sem encosto, por
um período de uma hora. Exerceu
o cargo de ministro dos Transportes
e Comunicações, de Março de 2008
até Setembro de 2013, na altura que
o Presidente da República era Armando Guebuza.
Relatou que, quando chegou ao ministério, encontrou um ambiente
de descontentamento e desânimo
no seio dos membros do CA do
IACM, o que tinha implicações no
desempenho. Procurou se inteirar
das razões e soube que a revolta se
devia à interrupção dos subsídios.
Tratando-se duma instituição que
desempenha um papel fundamental
na garantia de segurança aérea, Zucula entendeu que a situação devia
ser rapidamente resolvida a fim de
não se colocar em causa a navegação
aérea.
Sublinhou que os referidos subsídios tinham sido aprovados pelo seu
antecessor, António Munguambe e
eram canalizados pela empresa Aeroportos de Moçambique (ADM).
Neste sentido, Zucula diz ter recebido do IACM uma proposta de
alteração dos mesmos, já que estavam completamente desactualizados quando comparados com outras
instituições tuteladas.
Perante o cenário, Zucula diz que
solicitou auditorias da Organização Internacional de Aviação Civil
(ICAO) e do Tribunal Administrativo e não fizeram nenhum reparo
desabonatório.
O ex-governante referiu que o
IACM, sendo uma instituição autónoma administrativa e financeiramente e que possui conselho fiscal,
assessoria jurídica e especialistas altamente qualificados, entendeu que
estes tenham um domínio de como
o processo devia ser tramitado. Foi
com base nesse entendimento que
autorizou a proposta do CA do
IACM.
Questionado sobre a falta de remissão do expediente ao ministro das
finanças para dar o seu parecer no
processo, Zucula diz que cabia ao
IACM remeter o mesmo, porque
a sua assinatura não era condição
suficiente para o início dos pagamentos, mas um dos requisitos para
o expediente continuar.
“Meritíssima, a minha intenção não
era fazer nenhum pagamento indevido. Era de resolver um problema
institucional que estava a afectar as
actividades da instituição”, justificou-se.
Zucula disse ainda que em nenhum
momento se apercebeu que estava
agir erradamente e só teve consciência do assunto quatro anos depois de deixar a pasta de ministro,
quando foi notificado pelo Gabinete Central de Combate à Corrupção
(GCCC).
Sublinhou que estava convencido
de que, devido ao estatuto autónomo do IACM, como ministro não
tinha obrigação de controlar a rigidez do cumprimento dos estatutos
da instituição, visto que a mesma
tem o conselho fiscal que verifica o
cumprimento dos estatutos e o gabinete jurídico que se encarrega de
verificar a legalidade desses actos.
Isto é, o seu entendimento é de que
o CA tinha obrigação de conhecer
os procedimentos e o seu papel era
meramente formal.
Referiu que era do seu conhecimento que o ministério das Finanças devia dizer alguma coisa sobre
esses processos, mas que não exigiu
porque, estava convencido de que
o CA do IACM na qualidade de
requerente, submetia os mesmos
expedientes àquele ministério visto
que é um dever legal.
“A mim incumbia exercer as minhas
competências e isso não impedia
que o requerente fosse a outras instituições. A minha assinatura não
era suficiente para que se fizessem
pagamentos. Devia também ter o
parecer do ministério das Finanças.
Isso é de lei. Sempre que todos requerimentos das instituições de tutela viessem ao meu gabinete, estava
confiante de que estavam devidamente clarificados e nunca me passou pela cabeça que pudesse existir
anomalias desse género”, frisou.
De acordo com Zucula, era responsabilidade do CA saber se seguiu ou
não os procedimentos porque tem
equipas para tal.
Acrescenta que a assessoria jurídica do seu Ministério estava concentrada nas instituições internas
e subordinadas, visto que, pela sua
natureza e pelo poder financeiro,
as instituições de tutela tinham recursos humanos mais qualificados e
especializados.
Ex-PCA desmente
A defesa de Zucula, segundo a qual
era obrigação do CA do IACM
canalizar os expedientes ao Ministério das Finanças, foi rebatida por
Aníbal Samuel, PCA do IACM, na
altura dos factos.
Aníbal Samuel, que falou na qualidade de declarante, referiu que o
INCM é uma instituição tutelada
pelo ministro dos Transportes e Comunicações e, por essa razão, todos
expedientes eram tratados por essa
entidade.
No caso dos subsídios dos membros
do CA do IACM, todo processo foi
submetido ao ministro de tutela,
neste caso, Paulo Zucula, e cabia a
esta entidade contactar o outro ministério.
Sublinhou que, na altura, os membros do CA, que não eram executivos, tinham o subsídio mensal de
2000 dólares para o PCA e 1500
dólares para os administradores
juntando às viaturas protocolares,
comunicações, combustível e despesas de representação.
Com novos reajustes, os subsídios
passaram para 4000 dólares para
PCA e 3000 para os administradores.
Segundo o antigo PCA do IACM,
todos requerimentos acerca destes
processos eram submetidos ao ministro de tutela e não ao Ministério
das Finanças.
“Os nossos subsídios eram aprovados pelo ministério dos Transportes
e Comunicações ouvido o ministério das Finanças. A nossa relação era
com o nosso ministro e não com as
finanças”, rematou.
O Tribunal também interrogou as
rés Lucrécia Ndeve, Teresa Jeremias
e Amélia Delane e ambas negaram
a prática de ilegalidades.
Lucrécia Ndeve disse que foi transferida da empresa ADM para o
IACM, em Abril de 2008, e permaneceu até 2012. Contou que ficou
11 meses sem auferir os devidos
subsídios. Em Julho de 2009, passou
por dificuldades financeiras e precisava de pagar mensalidades do filho
que estudava na África do Sul. Foi
nessa linha que solicitou o adiantamento do salário para responder a
despesa. Tratando-se de directora-
-geral, pediu autorização ao PCA
e este aceitou. Com o pedido aceite, ordenou o sector de Administração e Finanças para efectuar o
pagamento, recorrendo a fundos
internos. O pedido foi satisfeito e o
reembolso foi feito no mês seguinte.
Contudo, o processo não obedeceu
os procedimentos administrativos.
Por seu turno, Teresa Jeremias referiu que, em Abril de 2012, perdeu
um sobrinho no Niassa e precisava
de se deslocar àquela província para
acompanhar as cerimónias fúnebres
na companhia da irmã e do sobrinho.
Não possuindo o valor, ligou para
a directora-geral, pedindo adiantamento do valor para aquisição de
passagens. Por seu turno, a directora-geral contactou o então PCA
e este autorizou. Imediatamente,
Lucrécia Ndeve ordenou a direcção
das finanças para que adquirisse as
passagens na condição desta reembolsar o valor, dias depois.
Segundo Jeremias, tal como se comprometera, fez o reembolso do valor em alusão na quantia de 36 mil
meticais, pelo que, admira que esteja
sentada no Tribunal como ré.
As rés referiram que tramitaram o
expediente via telefone, porque era
um assunto urgente e que na primeira oportunidade iriam regularizar. Ademais, o processo teve aval
do PCA.
Contudo, quando confrontado com
a situação, Aníbal Samuel recusou
as acusações referindo que, como
PCA, não tinha competências para
autorizar pagamentos adiantados
aos membros do CA e nunca autorizou nenhum processo via telefone.
Recordar que os quatro réus respondem ao processo com o número
85/GCCC/13-IP, remetido ao Tribunal Judicial do Distrito Ka Nhlamankulu, em 2017.
Conforme consta dos autos, em
2009, no exercício das suas funções,
Paulo Zucula autorizou, de forma
indevida, remunerações a membros
do CA do IACM.
Na altura, o estatuto desta instituição impunha que tal devia ser
mediante despacho conjunto dos
ministros dos Transportes e das Finanças, o que não foi o caso.
Os três arguidos foram assinando
cheques de montantes equivalentes aos seus salários, sob alegação
de que se tratava de adiantamento
de vencimentos sem que, contudo, posteriormente repusessem tais
quantias. O valor retirado através
deste esquema totalizou 2.250.202
meticais.
A ex-administradora Teresa Jeremias é ainda acusada de ter efectuado pagamento de passagens aéreas
a favor de familiares, com recurso a
fundos do IACM, sem que tivessem
direito a tal regalia.
Ex-ministro dos Transportes e Comunicações encurralado pela justiça
Tempos difíceis para Paulo Zucula
- antigo governante também é arguido no “caso Embraer”
Por Raul Senda
Paulo Zucula encurralado pela justiça
TEMA DA SEMANA Savana 08-03-2019 7
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SOCIEDADE 8 Savana 08-03-2019 DIVULGAÇÃO
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Savana 08-03-2019
9
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10 Savana 08-03-2019 PUBLICIDADE SOCIEDADE
O
Governo moçambicano deve atacar os factores sociais, religiosos
e políticos usados pela
insurreição que está a protagonizar a violência na província de
Cabo Delgado e focar-se menos
na ideia de que os ataques fazem
parte de uma conspiração interna
ou externa contra o país, defende
Eric Mourier-Genoud, docente
de História Africana na Universidade de Queen, em Belfast, Irlanda do Norte.
A opinião do académico está vertida no texto: “A província de Cabo
Delgado fornece terreno para o
extremismo”.
“Uma vez que o ´al-Shabaab` em
Moçambique não é resultado de
uma conspiração interna ou externa, o Estado precisa de se focar nas
dinâmicas social, religiosa e política para controlar e combater a insurgência”, diz o estudioso.
Assinalando que as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas
conseguiram conter a dispersão
geográfica da violência, Eric Mourier-Genoud defende que Governo precisa de atender às preocupações das comunidades locais, uma
vez que são usadas pelos insurgentes para alimentar a sua causa.
Genoud aponta a ideia lançada
pelo académico moçambicano
Youssuf Adam de que o Governo
deve trabalhar com assembleias
distritais para a identificação dos
problemas locais e soluções da
base ao topo.
Raiz da insurreição
Eric Mourier-Genoud assinala
que a população local se refere ao
grupo por detrás dos ataques como
“al-Shabaab”, o que significa “jovem” em árabe em alusão ao grupo
terrorista somali.
Faz notar que os insurgentes moçambicanos não têm nenhuma ligação formal com o “al-Shabaab”
somali.
Em Moçambique, a origem do
grupo remonta a 2000, quando
alguns jovens do Conselho Islâmico de Moçambique começaram a
praticar nova formas de islão.
Em Cabo Delgado, criaram uma
sub-organização dentro do Conselho chamada “Ansaru-Sunna”,
que é legalmente reconhecida pelo
Estado.
Essa organização construiu novas
mesquitas e começou a defender
uma versão mais estrita do islão na
província.
Cedo, um grupo mais radical formado dentro da sub-organização
transformou-se em seita, passando
a ser conhecida localmente como
“al-Shabaab”.
No início, o grupo estava preocupado com questões religiosas e a
defesa de práticas e oposição ao
Estado secular.
Em 2010, comunidades de Nhacole, no distrito de Balama, decidiram expulsar o grupo e destruíram
a sua mesquita. Os membros da
seita fugiram para a vila de Mucojo, no distrito de Macomia. Lá,
registaram-se tensões com a população e as autoridades.
A polícia teve de intervir por duas
vezes em Mucojo. Em 2015, a polícia foi chamada, porque o grupo
tentou impor à força o banimento
do consumo de álcool na vila.
Um membro da seita esfaqueou
mortalmente um polícia, provocando uma reacção violenta das
autoridades.
Recurso às armas
Organizações islâmicas influentes
e singulares, incluindo o Conselho
Islâmico, mostraram-se incomodados com a actuação da seita. Pediram repetidamente ao Governo
para intervir.
No final de 2016, o Governo respondeu e prendeu vários membros
do grupo, levando-os a tribunal.
Eram acusados de desinformação,
rejeição da autoridade do Estado
e recusa em permitir que os filhos
estudassem. Eram também acusados de usar facas para se protegerem.
Não está claro quando é que os
membros do “al-Shabaab” começaram a ter treino militar, mas as
acções do Estado contra o grupo
podem ter sido o ponto de viragem
para que recorressem a acções armadas.
O primeiro ataque deu-se em
Outubro de 2017 na vila da Mocímboa da Praia e comunidades
circundantes.
A partir daí, os membros da seita
refugiaram-se nas matas, de onde
lançam ataques contra aldeias
isoladas. O número de ataques e
a brutalidade aumentaram exponencialmente em 2018.
A insurreição parece ter-se tornado mais organizada. Os ataques
têm incidido sobre uma área de
150 quilómetros da costa, entre a
capital provincial e a fronteira com
a Tanzânia.
O que é claro, refere Eric Mourier-Genoud, é que os insurgentes
têm a sua raiz em algumas tensões
sociais, religiosas e políticas locais.
Cabo Delgado é a província mais
pobre de Moçambique e o desemprego é particularmente elevado
O
aumento da frequência
de ataques armados na
província de Cabo Delgado poderá provocar
uma situação de crise humanitária, devido ao corte das ligações
por estrada, assinala Sam Ratner, comentador do portal Zitamar para assuntos de segurança.
Sam Ratner defende que a deterioração das condições de vida
das populações pobres dos distritos afectados pela violência dos
grupos armados será o preço mais
alto a pagar, porque os interesses
das multinacionais petrolíferas
não estão ameaçados.
Ratner lembra que, a Anadarko
fez saber que o ataque à sua caravana no dia 21 de Fevereiro foi
uma mera coincidência de tempo
e lugar.
A companhia já adiantou que
espera continuar o projecto em
direcção à Decisão Final de Investimento (DFI), de acordo com
o calendário já definido”, afastando especulações de que o ataque
podia atrasar o DFI para depois
de Junho.
A excessiva concentração do
impacto do ataque nos investimentos de gás esconde a crise
humanitária que está a afectar
a província e a degradação da
situação, caso o Governo não
encontre uma forma de travar a
insurgência.
A crise humanitária, prossegue
o comentador do Zitamar, é invisível aos olhos da comunicação
social.
A fraca densidade populacional
dos distritos atingidos pela violência e a escassa rede de estradas
em Cabo Delgado impede a população de desenvolver normalmente as actividades de sustento.
O comentador observa que as estradas têm sido um campo de batalha desde o início dos ataques
armados em Cabo Delgado, em
Outubro de 2017.
Os insurgentes, anota, têm emboscado carros da Unidade de
Intervenção Rápida (UIR) na
principal estrada entre os distritos de Palma e Mocímboa da
Praia.
Agora, os insurgentes colocam
postos de controlo em Palma e
Macomia em pleno dia, matando civis obrigados a descer dos
carros.
No dia 06 de Janeiro, os insurgentes mataram sete passageiros
num camião que fazia o trajecto
Palma -Pundanhar.
Os atacantes disseram aos sobreviventes que Pundanhar era
já uma zona libertada, depois de
em Agosto as Forças de Defesa
e Segurança terem afirmado que
tinham registado progressos.
“A situação alimentar em Cabo
Delgado já é precária”, enfatiza
Sam Ratner, citando a Famine
Early Warning System Network
(FEWS NET), organização que
mede a insegurança alimentar no
mundo.
De acordo com FEWS NET,
Pemba tem os preços mais altos
de cereais entre todas as cidades
moçambicanas, atribuindo a escalada à procura provocada pelas
populações que fugiram da violência.
Para uma família que já não produzia o suficiente para sobreviver,
o conflito já está a causar um sacrifício doloroso.
O controlo das vias de acesso
pelos insurgentes torna a situação mais grave. As estradas são
importantes para a subsistência
nas zonas rurais, porque impulsionam o comércio que permite
aos camponeses diversificarem a
sua dieta e a venda de excedentes.
Com as vias de acesso cortadas, a
saúde dos camponeses vai sofrer,
tal como a resiliência a futuros
choques económicos.
A situação vai piorar, à medida
que o norte se aproxima da maturação dos alimentos, altura em
que estão a crescer, mas ainda não
estão prontos para a colheita.
Nesse período, entre Dezembro e
Março, os camponeses dependem
de produtos vindos de fora dos
seus distritos e a continuação dos
ataques vai inviabilizar o comércio e provocar uma alta de preços.
“A insegurança alimentar podia
espalhar-se e os deslocamentos
da população podem agravar-se”,
refere Sam Ratner.
Num conflito caracterizado por
fogo posto em massa em residências, deslocações forçadas devido
à fome, podemos ter um custo
humanitário grave.
entre os jovens e é amplamente
rural.
Por outro lado, os serviços públicos
são escassos.
A descoberta de gás na região gerou muitas expectativas, mas as comunidades viram muito poucos, se
não nenhum benefício.
Por outro lado, o facto de a comunidade muçulmana sentir-se
particularmente marginalizada em
Cabo Delgado, onde a comunidade étnica vizinha tem tido acesso privilegiado ao poder político
nacional desde a independência,
ajuda a explicar o quão o discurso
islâmico anti-estado ganhou atracção.
Um outro aspecto são as ligações
internacionais do grupo. Muito
tem sido dito sobre ligações com
Somália, República Democrática
do Congo e Uganda, mas os vínculos mais importantes são com a
Tanzânia.
Líderes islâmicos moçambicanos
tiveram formação na Tanzânia,
desde há mais de um século e os
vínculos entre as comunidades religiosas dos dois países com Moçambique são seculares.
Por isso, não é surpreende que o
“al-Shabaab” moçambicano tenha
ligações com organizações similares da Tanzânia, desde 2010.
Depois de radicais na Tanzânia
tornarem-se violentos e serem
também combatidos com violência pelas autoridades do país,
depois de 2015 e 2017, alguns
se refugiaram em Moçambique,
Violência em Cabo Delgado
Governo deve atacar carências locais
Uma crise humanitária na sombra
misturando-se com o “al-Shabaab”
moçambicano.
Esse evento fortaleceu e internacionalizou a insurreição do lado
moçambicano.
O académico da Universidade de
Queen enfatiza que Cabo Delgado está refém da rebelião, há 17
meses. Ataques armados, decapitações e destruição de propriedade
tornaram-se comuns.
Muitos estão horrorizados com o
risco de escalada e desestabilizada
da economia.
Um dos maiores problemas é que
ninguém sabe quem são os atacantes. Não fazem declarações públicas, pelo que a sua causa não é
clara.
O Governo oferece poucas explicações – e contraditórias. Já disse
que a violência é cometida por
malfeitores locais desempregados
e que os ataques são o resultado de
jihadistas internacionais que tentam desestabilizar Moçambique.
A falta de informação e explicações têm levado à confusão em
relação ao que se passa no norte de
Moçambique e o que deve ser feito
para reverter a situação.
Insurgentes continuam a semear luto em Cabo Delgado
Savana 08-03-2019 11 PUBLICIDADE
12 Savana 08-03-2019 SOCIEDADE
“
Aguardamos por uma comunicação oficial, mas algo não está
bem”. Foi desta forma que o
Arcebispo da Diocese de Maputo, Dom Francisco Chimoio, reagiu, esta terça-feira, as informações
que dão conta de uma possível visita
do Papa Francisco à Moçambique.
Numa breve conversa telefónica com
o SAVANA/medíaFAX, na tarde
desta quarta-feira e manifestando
algum desconforto e embaraço com
a situação, Dom Chimoio, disse que
não havia sido, pelo menos até ao
momento, comunicado formalmente
sobre uma possível visita do chefe da
Igreja Católica a Moçambique.
Ao que o jornal apurou, o Clero
(constituído por párocos das paróquias da Diocese de Maputo) reuniu-
-se nesta quinta-feira em Maputo,
mas até ao fecho da presente edição
ainda não eram conhecidos os detalhes da reunião.
A informação dando conta de uma
pretensa visita da mais alta estrutura
da Igreja Católica ao país foi “segredada”, durante uma missa dominical,
pelo pároco da Catedral de Maputo,
Giorgio Ferreti.
“Vou contar-vos um segredo. Este
ano vamos receber uma visita muito
especial. O papa Francisco vai estar
aqui connosco este ano”, disse Giorgio Ferreti, aos fiéis que se encontravam na Catedral.
O Presidente, Filipe Nyusi, convidou
o papa Francisco a visitar Moçambique durante uma deslocação ao Vaticano, em Setembro do ano passado,
e acabou por quebrar as regras do
protocolo ao anunciar aos jornalistas
a possível visita.
Apesar de não haver ainda uma data
para a visita do líder da Igreja Católica, apurámos que Setembro foi sugerido como um “mês plausível” e que
a deslocação deverá incluir também
Madagáscar.
A última visita do chefe máximo da
Igreja Católica remonta a 1988, ano
em que o Papa João Paulo II (já falecido) veio à Moçambique, numa
altura em que o país estava em guerra
entre o Governo/Frelimo e o antigo
movimento rebelde, Renamo, então
dirigido por Afonso Dhlakama.
Conselho Cristão
Um comunicado distribuído a 26 de
Fevereiro passado, momentos após o
fim de mais uma sessão do Conselho
de Ministros, fazia notar que o Governo “apreciou as informações sobre a preparação da visita de Estado
e Pastoral de Sua Santidade o Papa
Francisco a Moçambique”. O comunicado não forneceu pormenores sobre a visita, não indicando quando é
que a mesma irá acontecer.
Porém, na conferência de imprensa
que antecedeu a distribuição do comunicado, a porta-voz do Conselho
de Ministros, Ana Comoana, não fez
nenhuma referência à visita do Papa.
Aliás, ainda no dia de ontem, o Presidente da República, Filipe Nyusi,
recebeu no seu gabinete de trabalho
membros do Conselho Cristão de
Moçambique (CCM). Apelou ao
CCM a envolver-se nos preparativos da visita do Papa à Moçambique.
A Igreja Católica não faz parte do
CCM.
Apesar do forte lobby que vem sendo
feito por instituições governamentais,
fontes próximas do assunto avançam
ser diminutas as chances de o chefe
máximo da Igreja Católica visitar o
país no presente ano.
Dentre as várias razões pontifica,
relatam as nossas fontes, o facto de
o Estado do Vaticano não visitar os
países/Estados em anos eleitorais,
por se temer que se possa fazer “aproveitamentos políticos”.
A 15 de Outubro próximo, recorde-
-se, o país vai realizar as sextas eleições gerais, onde serão eleitos, pela
primeira vez, os governadores provinciais.
Importa fazer menção que, as vistas
papais, em regra, são anunciadas em
cerimónias conjuntas encabeçadas
pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação e pela Conferência Episcopal de Moçambique.
Visita do Papa à Moçambique
´$JXDUGRSRUXPDFRPXQLFDomRRÀFLDO
PDVDOJRQmRHVWiEHPµ 'RP&KLPRLR
&OHURGD'LRFHVHGH0DSXWRUH~QH VHHP0DSXWR
Por Ilódio Bata
Bispos moçambicanos trocando impressões com Papa Francisco durante a visita ao vaticano
Savana 08-03-2019 13 DIVULGAÇÃO
Contextualização
No âmbito de esforços para o estabelecimento da paz definitiva
e a consolidação da democracia em Moçambique, em 2018 o
Presidente da República e o líder do partido Renamo firmaram
um acordo político, que incluía a introdução de alterações no
processo de descentralização aos níveis provincial, distrital e
municipal.
A fim de assegurar a operacionalização do acordo feito, a Assembleia da República procedeu à revisão pontual da Constituição da República integrando novos elementos no quadro da
descentralização que vinha sendo implementado. Esta revisão
constitucional remeteu à necessidade de inclusão de alterações
na lei 2/97, o que contribuiu para a existência de um quadro legal favorável para a realização das quintas eleições autárquicas
em Outubro de 2018.
No decurso de Fevereiro de 2019, visando garantir a realização das primeiras eleições provinciais no país, a decorrerem em
Outubro do ano em curso, além da proposta de lei de organização e funcionamento das assembleias provinciais, o Conselho
de Ministros aprovou a proposta de lei que estabelece os princípios e as normas de organização, competências e funcionamento para orientar a descentralização do Governo provincial.
Dentre outras, constam como principais aspectos desta proposta de lei, nomeadamente:
t " BMUFSBÎÍP EB EFTJHOBÎÍP EF HPWFSOP QSPWJODJBM QBSB $POTFlho Executivo Provincial;
t 0 HPWFSOP QSPWJODJBM EFJYB EF TFS VNB SFQSFTFOUBÎÍP EP HPverno central passando a ser um órgão descentralizado com
autonomia administrativa, financeira e patrimonial.
t 0 HPWFSOBEPS QSPWÏN EB "TTFNCMFJB QSPWJODJBM
TVCPSEJOB-
-se à mesma assembleia e toma posse perante o Chefe do
Estado.
Com a finalidade de avaliar as potenciais implicações que a
nova legislação trará na relação entre o cidadão e os órgãos
de governação descentralizada ao nível provincial, bem como
propor recomendações a serem consideradas no processo de
aprovação da nova legislação, a Sociedade Aberta e as oito (8)
plataformas distritais da sociedade civil da província de Maputo realizaram discussões baseadas em evidências, tendo em
vista a identificação dos principais elementos que deveriam ser
considerados na revisão legal.
O foco do exercício técnico consistiu em com base na experiência de funcionamento dos órgãos Locais do Estado identificar os elementos que reforçam a governação participativa, a
prestação de contas e a capacidade de resposta dos órgãos de
governação descentralizada ao nível provincial.
Principais recomendações
1. Incluir nas competências do Órgão Executivo de Governação Descentralizada Provincial a capacitação dos cidadãos
como forma de assegurar o estímulo da iniciativa e capacidade destes e a sua actuação (dos cidadãos) em estreita
colaboração com as instituições públicas;
Recomendações
Processo de revisão da legislação sobre a Organização e Funcionamento
do Órgão Executivo de Governação Descentralizada Provincial
2. Incluir o principio da Supervisão da Administração Pública
pelo cidadão espelhado na lei 7/2012 (Lei de Base de Organização e Funcionamento da Administração Pública), incluindo
os termos e as condições da referida supervisão previstas neste
instrumento legal;
3. Incluir o Observatório de Desenvolvimento da Província como
espaço de diálogo e articulação entre as instituições públicas e
os cidadãos sobre as políticas locais de desenvolvimento;
4. Incluir a obrigatoriedade de da Administração Pública garantir a participação do cidadão nos processos de planificação,
orçamentação, implementação, monitoria e avaliação de políticas públicas, salvaguardando o alinhamento destes processos
às suas necessidades prioritárias e interesses;
5. Incluir a obrigatoriedade da Administração Pública usar meios
de comunicação social mais adequados para de forma regular e
permanente
informar o público sobre a execução orçamental.
6. Melhorar a definição dos termos e condições de coordenação
territorial e sectorial, tomando em consideração a divisão administrativa segundo a qual a província é composta por distritos, posto administrativos, localidades e povoações;
7. Clarificar se as autarquias se situam ao nível da província ou
distrito;
8. Analisar e rever os poderes de facto a serem concedidos ao Governador de Província, de modo a que esta figura tenha espaço
de acção que não fique restringido pelo poder de demissão
conferido ao Presidente da República e à Assembleia Provincial;
9. Rever as competências do Governador de Província, de modo
que sejam mais direccionadas e adequadas às principais questões que requerem a sua intervenção a este nível, tendo como
referência a actual experiência dos governos provinciais. Por
exemplo, a aprovação do DUAT (Direito de Uso e Aproveitamento de Terra) constitui uma competência adequada para o
Governador, segundo os termos estabelecidos na lei de terras.
10. Incluir e assegurar a articulação apropriada entre o Órgão
Executivo de Governação Descentralizada Provincial e as autoridades comunitárias.
A Sociedade Aberta (SA) é uma Organização de Sociedade Civil
Moçambicana, que se dedica à pesquisa e promoção de modelos
de desenvolvimento local, tendo como áreas de enfoque a Governação Local e Renda comunitária.
Matola B, Av. Kofi Annan/Capuz Paulo nº12133,Casa nº 50
Cell: +258 826437391.
Email: s_aberta@yahoo.com.br
Parceiros
14 Savana 08-03-2019 Savana 08-03-2019 15
NO CENTRO DO FURACÃO
Opacote legislativo de
descentralização já
em poder da Assembleia da República
está longe de colher consensos
nos vários quadrantes da sociedade moçambicana.
O académico e político Teodoro
Waty entende que os governadores
e administradores devem aperceber-se de que têm uma mão cheia
de nenhum poder, enquanto que a
figura do Secretário do Estado e
a respectiva Secretaria constituem
uma verdadeira ilusão ou um espantalho de Estado.
Por sua vez, o Instituto Eleitoral
para Democracia Sustentável em
África (EISA) recomendou a clarificação das competências de cada
um dos novos titulares de poder
sob pena de se gerar um caos governativo.
Duas apresentações sobre a descentralização, uma do EISA e outra do académico Teodoro Waty,
marcaram a mesa-redonda organizada, nesta segunda-feira em Maputo, pelo EISA e ADS, uma organização da sociedade civil, dirigida
pelo académico Adriano Nuvunga,
antigo director do Centro de Integridade Pública (CIP).
O semanário SAVANA, que completou 25 anos em Janeiro passado,
foi o parceiro de Media do evento.
Na mesa-redonda, o EISA, cujo
director residente em Moçambique é o jurista e jornalista Ericino
de Salema, apresentou um artigo
de análise intitulado “Princípios
para a Regulamentação do Novo
Modelo da Descentralização em Moçambique: Uma contribuição”.
O EISA considera que o poder
do Secretário do Estado não se
pode sobrepor ao daquele que foi
incumbido a missão de governar
através do voto popular. Entende
também que tal situação pode criar
caos na governação.
Porém, caso a proposta do pacote
legislativo sobre a descentralização
submetido pelo Conselho de Ministros ao Parlamento passe sem
grandes alterações, os órgãos de
governação descentralizada provinciais e das autarquias locais irão
continuar fortemente condicionados na sua actuação, sujeitando-
-se a um rigoroso regime de tutela
administrativa do Estado. Trata-
-se da Proposta de Lei da Tutela
do Estado sobre os Órgãos de
Governação Descentralizada Provinciais e das Autarquias Locais;
Proposta de Lei de Organização
e Funcionamento da Assembleia-
-Provincial; Proposta de Lei para
eleição dos membros da Assembleia Provincial; Proposta de Lei
dos serviços de representação do
Estado na Província e por fim a
Proposta de Lei de organização e
funcionamento do Órgão Executivo de governação descentralizada
Provincial.
Estes instrumentos serão debatidos e aprovados no decurso da IX
Sessão da AR, que arrancou semana passada e deverá prolongar-se
até Maio.
Segundo a Proposta de Lei de Organização e Funcionamento do
Órgão Executivo de Governação
Descentralizada, a tutela administrativa do Estado consistirá na
verificação da legalidade dos actos
administrativos através de inspeção, inquérito, sindicância e auditoria.
No âmbito da proposta, os governos provinciais não vão gerir os
recursos minerais que tiverem nas
suas províncias.
/HLVVXSHUÀFLDLV (,6$
A recepção das contribuições pela
AR para o enriquecimento das
propostas de lei termina esta sexta-
-feira.
O processo foi antecedido por uma
jornada de seminários de auscultação que decorreu à escala nacional.
O EISA deu o seu contributo com
o debate público do artigo “Os
princípios para regulamentação do
novo modelo de descentralização
em Moçambique” que depois foi
entregue aos deputados presentes
para o enriquecimento das análises.
Para o oficial de programas do
EISA, Zefanias Matsimbe, que
apresentou o artigo, o pacote ledesporto, entre outros.
Prosseguindo, fez notar que não
basta pôr a tutela administrativa
como mecanismo de controlo da
legalidade (excepcionalmente, do
mérito) da actividade dos órgãos
de governação descentralizada. É
necessário garantir a existência de
normas que expressam a unidade
de acção e dos poderes de direcção
do Governo.
Zefanias Matsimbe manifestou
preocupação com o facto de a presente proposta não fazer menção
às formas de participação das populações na concepção e execução
de políticas para desenvolvimento
dos seus territórios, o que pode
resultar em frustração para as populações caso não seja tomada em
consideração.
8PDPmRFKHLDGHQDGD
²:DW\
O docente universitário e político,
Teodoro Waty, entende que a descentralização concentrou-se na administração, esquecendo a planificação financeira, que tem a ver com
a capacidade de divisão por muitos
de tão pouco ou quase nada.
Criticou a revisão da Constituição
que introduz a descentralização,
porque, na sua óptica, destruiu o
Estado, com o risco de nada sobrar
para construir um melhor.
Considerou que o novo pacote legislativo sofre de piores mazelas.
Apontou erros ortográficos, gramaticais, de sequência lógica, assinalando que o documento contraria, a legística moçambicana.
Preocupa ainda, prosseguiu, o facto de as leis do pacote não constituírem um fio condutor lógico e
coerente, enfermando de escusadas
repetições que tornam ininteligíveis os comandos.
Para o docente universitário, os ór-
'HVFHQWUDOL]DomR
legislador não analise com profundidade o nível das matérias a regular, corre-se o risco de a governação
descentralizada gerar inércia e paralisia institucional, justamente por
falta ou ambiguidade na definição
clara das competências dos órgãos
centrais e de governação descentralizada ao nível local.
Avança que a consagração e atribuição de competências ao Secretário do Estado na província, que
é um órgão local do Estado, não
substitui os poderes que os órgãos
governativos centrais devem ter
sobre assuntos nacionais.
Mas também coloca a possibilidade de os órgãos de governação
descentralizada exercerem poderes
que devem caber aos órgãos centrais, porque a autonomia a que
estão sujeitos é tentadora para isso,
o que pode ser pior se a lei da governação descentralizada não indicar claramente quais as matérias
que são da competência dos órgãos
centrais.
(OHPHQWRVPDWHULDLV
Entende ainda que não basta indicar os limites materiais da descentralização, tal como vem expresso
na lei, mas sim, é preciso apontar
claramente quais os assuntos que,
embora sejam localizados na província, são originariamente da
competência dos órgãos centrais
do Estado e não de qualquer outro
órgão. Esta observação alerta para
o facto de que o pacote legislativo
sobre a descentralização deveria
ser aprovado em paralelo com a
revisão da Lei de Bases da Organização e Funcionamento da Administração Pública, a Lei n.º 7/2012,
de 8 de Fevereiro.
A proposta de lei de organização
e funcionamento do órgão executivo de governação descentralizada
estabelece como limites da governação descentralizada, ou seja,
matérias da exclusiva competência
dos órgãos centrais do Estado: as
funções de soberania; a normação de matérias de âmbito da lei;
a realização da política unitária
do Estado, os recursos minerais e
energia; os recursos naturais situados no solo e no subsolo, nas águas
interiores, no mar territorial, zona
contígua ao mar territorial, na plataforma continental e na zona económica exclusiva.
Enquanto isso, ao governador
provincial caberá exercer funções
em áreas como agricultura, pesca,
pecuária, silvicultura, segurança
alimentar e nutricional, gestão de
terra, na medida a determinar por
lei; transportes públicos, na área
não atribuída as autarquias; gestão e protecção do meio ambiente;
florestas, fauna bravia e áreas de
conservação; habitação, cultura e
gãos de governação descentralizada passam a ter território e população, antes pertencentes ao Estado e
às autarquias.
No entanto, em 2024, os órgãos
de governação descentralizada
provinciais vão dar-se conta de que
não dispõem de território nem população e que não têm autoridade
sobre os administradores que estarão vinculados a programas sufragados pelos seus eleitores.
“Os governadores e os administradores devem aperceber-se de que
têm uma mão cheia de nenhum
poder real.(...) O Secretário do
Estado e a sua Secretaria de Estado provincial são uma ilusão ou
um espantalho de Estado, situação
muito perigosa dadas as suas múltiplas e complexas responsabilidades administrativas e políticas”,
disse.
Tendo de seguida avançado que
o pacote legislativo não demonstra o conhecimento, a capacidade
e a vontade de um poder central
cúmplice de uma verdadeira e séria
descentralização.
1mRKiGUDPD &RPRDQD
Por seu turno, Paulo Comoana,
docente e juiz-conselheiro do Tribunal Administrativo, desdramatizou os receios em relação ao conflito entre órgãos do poder local e
a autoridade central do Estado, defendendo que a Constituição “delimita claramente as competências”.
“Eu não vejo esse risco, desde que
cada órgão cumpra o que está na
Constituição, que é clara em relação às competências de cada órgão.
Falando à margem da mesa-redonda, o académico Adriano Nuvunga, alertou que a eleição de governadores só por si será insuficiente
para garantir a paz, se continuarem
as irregularidades nas eleições.
“A legislação, tal como está, parece
empurrar os problemas da paz, que
residem nas eleições”, disse Nuvunga,
As irregularidades verificadas nas
eleições autárquicas de Outubro de
2018 demonstram que os conflitos
políticos e militares que o país tem
registado derivam de fraudes eleitorais, que levam à contestação dos
resultados, acrescentou Nuvunga.
Como exemplo, apontou a deturpação dos resultados finais da
segunda volta das eleições autárquicas de Marromeu, município
da província de Sofala, em que a
Frelimo venceu, mas sob contestação, que chegou até ao meio diplomático.
Secretário do Estado divide opiniões
3RU$UJXQDOGR1KDPSRVVD
gislativo aprovado pelo governo e
remetido à Assembleia da República peca por ser superficial e estar
alheio à complexidade da governação descentralizada, que resulta da
necessidade de regular exaustivamente a autonomia organizacional,
funcional e relacional dos órgãos
de governação descentralizada face
aos órgãos centrais.
Explica que, em sentido técnico-
-jurídico, a governação descentralizada não é descentralização,
mas, antes, uma forma de relacionamento entre competências centrais e locais, na qual os órgãos de
governação descentralizada gozam
de autonomia funcional.
Essa autonomia situa-se no plano
da organização do poder político e
não propriamente no plano da descentralização em sentido jurídico.
Considera que, para clarificar essa
situação, a lei deve indicar em que
consiste e como se materializa
esta autonomia funcional a que a
Constituição chama de autonomia
administrativa, funcional e patrimonial, dos órgãos de governação
descentralizada.
Sublinhou que o sentido político
do documento vincou mais em
detrimento do jurídico, que pode
ter como base os consensos entre o
governo e a Renamo.
De acordo com Matsinhe, caso o
Painelistas preocupados com a falta de mecanismos de participação nos processos governativos na governação descentralizada
Zefanias Matsimbe Adriano Nuvunga Teodoro Waty Paulo Comoana
16 Savana 08-03-2019 PUBLICIDADE DESPORTO
Tornando-se necessário a criação de uma entidade responsável pela coordenação e realização das acções para o
desenvolvimento do Projecto Hidroeléctrico de Mphanda
Nkuwa e do sistema de transporte de energia eléctrica e
outras infra-estruturas associadas, o Governo estabeleceu
o Gabinete de Implementação do Projecto Hidroeléctrico
de Mphanda Nkuwa (GMNK), subordinando-se ao Ministro dos Recursos Minerais e Energia.
O GMNK tem como funções a realização e acompanhamento dos estudos técnicos e desenvolvimento do Projecto, conferindo credibilidade ao processo e aumentando a
FRQÀDQoDGHSRWHQFLDLVLQYHVWLGRUHVHÀQDQFLDGRUHV
Responsabilidades do Director
O Director do Projecto reporta ao Comité de Coordenação
e será responsável pela supervisão de uma equipa de gesWmRHÀFD]HTXHDVVHJXUDDSURVVHFXomRGRVREMHFWLYRVHVtratégicos de desenvolvimento do Projecto, coordenando
as actividades do Gabinete de Implementação do Projecto
Hidroeléctrico de Mpanda Nkuwa e tendo como atribuições:
&RQVWLWXLU DV HTXLSDV HQFDUUHJXHV GH FRQFUHWL]DU FDGD
parcela da implementação do Projecto, designando,
quando tal se mostrar necessário, os respectivos gestores.
6XSHUYLVLRQDUDVDFWLYLGDGHVGR3URMHFWR HVWDEHOHFHQGR
acompanhando e avaliando o cumprimento dos objectivos e procedendo ao controlo de qualidade da documentação produzida para as várias actividades
(ODERUDUHVXEPHWHUjDSUHFLDomRGR&RPLWpGH&RRUGHnação o calendário e o orçamento das acções previstas
para cada uma das actividades;
3UHSDUDUUHODWyULRVGHSURJUHVVRSHULyGLFRVVREUHDVYirias actividades que compõem o desenvolvimento do
Projecto e manter o Ministro informado do seu andamento;
$SRLDUQDSUHSDUDomRGRV7HUPRVGH5HIHUrQFLD IHFKR
e posterior gestão contratual das empresas e consultores
GHÀQLGRVFRPRFUtWLFRVSDUDR3URMHFWR
&RRUGHQDURSURFHVVRGHFRQWUDWDomRGRSDUFHLURHVWUDWpJLFRSDUDR3URMHFWR FRPH[SHULrQFLDLQWHUQDFLRQDOQD
estruturação e operação de projectos similares e comSURYDGDUREXVWH]ÀQDQFHLUD
$VVHVVRUDUR0LQLVWURGRV5HFXUVRV0LQHUDLVH(QHUJLD
e demais entidades relevantes sobre as decisões a tomar
Nome do Projecto: Projecto Hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa
Anúncio de Vaga para Director do Projecto Hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa
Número de Referência do Projecto: 01/ MNK/2019
'LUHFFLRQDGRD3URÀVVLRQDLV6pQLRUHVFRPYDVWDH[SHULHQFLDQRVHFWRUHOpFWULFRHHVWUXWXUDomR
OHJDOHÀQDQFHLUDGHLQIUDHVWUXWXUDVH*HVWmRGH3URMHFWR
que se mostrem necessárias para o correcto desenvolvimento do Projecto.
Para a prossecução das suas actividades, o Director tem o
DSRLR IXQFLRQDO GDV iUHDV 7pFQLFD )LQDQFHLUD H -XUtGLFD jV
quais compete desenvolver todas as acções necessárias a que,
QRV UHVSHFWLYRV GRPtQLRV VHMDP HQFRQWUDGDV DV VROXo}HV
mais adequadas a uma correcta implementação do Projecto.
Requisitos Mínimos
3ULPHLUR*UDXGH0HVWUDGRHP(FRQRPLDH*HVWmR (QJHnharia Civil, Electrotecnia ou Mecânica;
0tQLPR GH DQRV GH H[SHULHQFLD SURÀVVLRQDO QR VHFWRU
eléctrico, incluindo a coordenação de pelo menos um projecto da mesma natureza e complexidade.
9DVWDH[SHULHQFLDHP´SURMHFWÀQDQFHµ
9DVWD H[SHULrQFLD QD VHOHFomR GH FRQVXOWRUHV H UHVSHFWLYD
gestão de contratos
'HSUHIHUrQFLDVHUÁXHQWHHP,QJOrVH3RUWXJXrV
Elegibilidade
3DUDHVWHFRQFXUVRVmRHOHJtYHLV&RQVXOWRUHV,QGHSHQGHQWHV
ou Consultores associados a uma empresa de Consultoria da
área
'XUDomR
$GXUDomRGDDFWLYLGDGHpGH PHVHV SRGHQGRVHUH[WHQGLdo conforme a evolução e a necessidade do projecto
Remuneração
Os candidatos devem apresentar na sua proposta o pacote de
remunerações e condições.
6XEPLVVmRGDVFDQGLGDWXUDV
Os interessados deverão concorrer através do endereço
https://mireme.talentos.co.mz TXHHVWiVREJHVWmRGR6HFUHtário Permanente do Ministério de Recursos Minerais e EnerJLDDWpDRGLD GH0DUoRGH
Pedidos de esclarecimentos deverão ser remetidos para:
suporte@talentos.co.mz
0DSXWR GH0DUoRGH
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE
0,1,67e5,2'265(&856260,1(5$,6((1(5*,$
Savana 08-03-2019 17 PUBLICIDADE
Being necessary to create an entity responsible for ensuring the coordination and undertaking of development
actions of the Mphanda Nkuwa Hydro Power Project
and of the power transmission system and other associated infrastructures, the Government established the
2IÀFHIRUWKH,PSOHPHQWDWLRQRIWKH0SKDQGD1NXZD
Hydro Power Project (GMNK), accountable to the Minister of Mineral Resources and Energy.
The GMNK is responsible for undertaking and monitoring technical studies and for Project development, conferring credibility to the process and increasing the trust
RISRWHQWLDOLQYHVWRUVDQGÀQDQFLHUV
Director’s Responsibilities
The Project Director reports to the Coordination ComPLWWHHDQGZLOOEHUHVSRQVLEOHIRUWKHFUHDWLRQRIDQHIÀcient management team to ensure the attainment of the
strategic objectives of the project development, coordiQDWLQJWKHDFWLYLWLHVRIWKH2IÀFHIRUWKH,PSOHPHQWDWLRQ
of the Mpanda Nkuwa Hydro Power Project and with
the following responsibilities:
(VWDEOLVK WHDPV UHVSRQVLEOH IRU PDWHULDOLVLQJ HDFK
part of the Project implementation, appointing, when
deemed necessary, the respective managers.
6XSHUYLVHWKH3URMHFWDFWLYLWLHV HVWDEOLVKLQJ PRQLWRring and evaluating the compliance of the objectives
and controlling the quality of the documentation produced for the various activities.
(ODERUDWHDQGVXEPLWIRUWKHDSSUHFLDWLRQRIWKH&RRUdination Committee the schedule and budget of the
actions foreseen for each of the activities;
3UHSDUH SHULRGLFDO SURJUHVV UHSRUWV RQ WKH YDULRXV
activities that comprise the Project development and
keep the Minister informed about their progress;
+HOSLQWKHSUHSDUDWLRQRIWKH7HUPVRI5HIHUHQFH FORsing and later contractual management of the compaQLHVDQGFRQVXOWDQWVGHÀQHGDVFULWLFDOIRUWKH3URMHFW
Coordinate the contracting process of the Project strategic partner, with international experience in the structuring and operation of similar projects and with docuPHQWHGÀQDQFLDOHYLGHQFH
$GYLVH WKH0LQLVWHU RI0LQHUDO5HVRXUFHV DQG(QHUJ\
and other relevant entities about the decisions to be
REPUBLIC OF MOZAMBIQUE
MINISTRY OF MINERAL RESOURCES AND ENERGY
Project Name: Mphanda Nkuwa Hydro Power Project
$GYHUWLVHPHQWIRUWKHSRVLWLRQRIWKH0SKDQGD1NXZD+\GUR3RZHU3URMHFW'LUHFWRU
Project Reference Number: 01/ MNK/2019
'LUHFWHGWR6HQLRU3URIHVVLRQDOVZLWKODUJHH[SHULHQFHLQWKHSRZHUVHFWRUDQGOHJDODQGÀQDQFLDO
structuring of infrastructures and Project Management,
taken and deemed necessary for the correct project development.
For undertaking his or her activities, the Director has the
functional support of the Technical, Financial and Legal
areas that he or she is responsible for undertaking all the
necessary actions that, in the respective domains, the most
adequate solutions are found for the correct Project implementation.
Minimum Requirements
'HJUHHRU0DVWHU'HJUHHLQ(FRQRPLFVDQG0DQDJHPHQW
Civil Engineering or Electricity or Mechanics;
$PLQLPXPRI \HDUVRISURIHVVLRQDOH[SHULHQFHLQWKH
energy sector, including the coordination of at least a project
of similar nature and complexity;
/DUJHH[SHULHQFHLQSURMHFWÀQDQFH
/DUJH H[SHULHQFHLQ WKH VHOHFWLRQ RI FRQVXOWDQWV DQG WKH
respective management of contracts; and
3UHIHUDEO\ EHÁXHQWLQ(QJOLVKDQG3RUWXJXHVH
Eligibility
Eligibility is open to Independent Consultants or ConsulWDQWVDVVRFLDWHGZLWKFRQVXOWDQF\ÀUPVLQWKHDUHD
Duration
7KHGXUDWLRQRIWKHDFWLYLW\LVRI PRQWKV DQGLWPD\EH
extended in conformity with the evolution and the needs of
the project
Remuneration
The candidates must submit their package proposal of remunerations and conditions.
6XEPLVVLRQRIDSSOLFDWLRQV
Interested candidates must submit their applications through the following website https://mireme.talentos.co.mz,
ZKLFKLVPDQDJHGE\WKH3HUPDQHQW6HFUHWDU\RIWKH0LQLVWU\ RI0LQHUDO5HVRXUFHV DQG(QHUJ\ E\ WK0DUFK
$GGLWLRQDOLQIRUPDWLRQLVWREHVXEPLWWHGWR
suporte@talentos.co.mz.
0DSXWR th0DUFK
18 Savana 08-03-2019 OPINIÃO
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Cartoon EDITORIAL
N
o dia de todas as mulheres, há uma, que por estes
dias anda de cara levantada, depois de anos ser a
Geni, a anti-heroína de um notável poema de Chico
Buarque que muitos conhecem.
Claro que falamos de Beatriz Buchili, uma improvável heroína de um sistema que coloca o Procurador da República, como mais uma peça de engrenagem, num regime, que
apesar de recauchutado por uma Constituição modernaça,
com loas a Montesquieu, mas que não disfarça a tendência
de partido dominante como gostam de caracterizar o regime
os politólogos de pendor africano.
Não é possível exigir a Buchili o que ela não pode dar e,
onde outros, com muitos mais galardões, enquanto notáveis
estudantes de Direito, soçobraram miseravelmente, quando
lhes passaram para a mão o martelo da Procuradoria. A começar pelo seu antecessor, um juiz que ganhou o estatuto de
herói popular pelo seu papel no julgamento dos assassinos do
jornalista Carlos Cardoso. O juiz Paulino entrou pela porta grande e saiu praticamente pelas traseiras, num mandato
com muito pouco brilho e com as úlceras da manipulação
política corroendo-lhe o âmago. Pode-se sonhar com Di Pietro ou Baltazar Gárzon, mas em Moçambique ainda está por
vir o dia em que um procurador seja candidato ao panteão
dos heróis. Pelo contributo às causas populares, à justiça de
olhos vendados, à democracia que não pode sobreviver sem
um sistema judiciário que ponha em sentido os criminosos e
a bandidagem de colarinho branco.
Buchili é também produto de um percurso histórico em que
os excessos revolucionários encerraram a única faculdade de
Direito do país nos anos 70, em que as faculdades são hoje
aviários de produção de nulidades e em que o próprio centro de formação judiciária foi obstinadamente destruído pela
mesquinhez, a visão curta e amorfa de vários titulares da Justiça, eles próprios segundas e terceiras escolhas de executivos
em que o sector nunca foi prioridade.
Buchili, hoje, põe em sentido um naipe de alegados burlões
e comissionistas, fruto de circunstâncias de conjuntura onde,
ironicamente, se luta para trazer a Moçambique um dos protagonistas principais de um escândalo que tornou em desgraça o quotidiano de milhões de moçambicanos.
Quando Nyimpine Chissano nunca chegou a cheirar a creolina dos calabouços, Buchili, de uma assentada, mandou para
trás das grades um filho de presidente e uns tantos poderosos
que serviram o pai, à custa de uma dívida que tornou o país
mais conhecido internacionalmente. Pelos piores motivos.
Mesmo que o tic-tac da rotação de mandato dite o seu afastamento, porque há um amo a servir que está longe de personificar o príncipe florentino de Nicolau Maquiavel, Beatriz
Buchili, heroína improvável de uma procuradoria mais ou
menos ineficaz, terá memórias de sobra para se recordar na
última etapa do seu presente mandato.
Geni, a outra heroína improvável de Buarque salvou a cidade
da voragem do monstro do Zeppelin.
Não se sabe ainda se a história do seu amo terá um final feliz,
depois de, encostado às cordas, ter mandado para o purgatório uma parte dos seus camaradas. Buchili faz a sua parte.
Apesar da ocasião parecer o que não é.
Apesar da democracia e a separação de poderes serem apenas
capítulos de manual de escola.
Por oposição às rosas vermelhas que também se oferecem às
procuradoras. Porque mais fácil.
Porque hoje é 8 de Março!
Buchili
A
ssim como há mínimos olímpicos, um mínimo de valores
morais deve reger a actividade política para que esta não
signifique o triunfo do cínico, i.é, o
triunfo dos porcos, até porque se deve
temer o contágio.
Como mostrou Nietzsche a característica das forças reactivas está em
opor-se primeiro ao que elas não são,
em limitar o outro: nelas, a negação
está primeiro. É o que acontece com
o racismo ou o ódio. Foquemo-nos
hoje em sinais de ódio. Eduardo Bolsonaro escreveu um tweet lastimável
em que prescreveu dois juízos definitivos: Lula da Silva não sofre como
avô à morte do neto e devem-lhe ser
sonegados direitos que são de todos.
Eduardo reagiu boçalmente, quando
devia ser magnânime. Aviltou-se.
Tudo o que avilta o homem deve ser
desconsiderado, mesmo quando é
jogado de forma inconsciente para a
praça pública.
Por exemplo, o homem avilta-se
quando já não tendo necessidade de
uma instância superior se proíbe a si
mesmo o que lhe proibiam, e carrega
espontaneamente os fardos de medo
que interiorizou - é o caso da auto-
-censura.
E igualmente o homem avilta-se
quando é colocado num cargo de representação pública e isso, em vez de
lhe dar humildade e o desejo imperioso de aprender (para melhor servir),
lhe dá a soberba, passando a visar os
outros segundo o que julga ser a sua
nova relação de forças. E aí divide a
massa em fiéis e em inimigos, e à razão
prefere o ódio.
É o que manifestou Eduardo Bolsonaro: face à trágica morte do neto do
Lula, revelou toda a educação que não
teve. Quando até o pai teve a decência
de calar, o filho, um advogado que demonstrou desconhecer as leis do seu
país, foi o rosto da ignomínia.
A falta de empatia de Eduardo, ao
ponto de escrever que Lula iria aproTambém tu, Brutus?
veitar para “posar de coitado” no enterro do neto, é uma marca de cristalização do ódio e expõe, além disso, dois
sintomas preocupantes.
O primeiro sinaliza que que Eduardo concebe o palco político como um
teatro cínico onde só cabe o valor do
cálculo, da aparência e da premeditação - que nem o absoluto inesperado
da morte de uma criança desmancham -, o que o torna insusceptível de
vir a ser um legislador capaz de agir
desinteressadamente.
E estou próximo de sugerir que os
homens da política não devam ter
filhos - ou abstinência ou fora da
política! -, pelos exemplos conhecidos em quase todos os quadrantes a
extrema ocupação dos pais impede-
-os de acompanharem de forma satisfatória a educação dos filhos. Enfim,
não é só na política, na arte também.
O cineasta Ingmar Bergman, um genial criador, como pai foi um desastre
e o mesmo diga-se de Bertolt Brecht,
outro contumaz negligente dos deveres paternos. Mas enfim, os artistas só
estragam a sua casa, uma má educação sobre um filho de um político tem
efeitos muito mais nefastos e amplos.
Portanto, eu que sou contra o celibato
na igreja acho que ele deve vingar na
esfera política.
O segundo sintoma quiçá nos antecipe uma tragédia shakespeariana, posto
que um personagem sem um grama
de escrúpulos está esboçado. A falta
de empatia de Eduardo foi claramente
bebida em casa - e daí a insensibilidade com que os manos Bolsonaro
têm sido, devido a uma desmesurada
vontade de mostrar poder, os primeiros inimigos do pai. A uma evidente
falta de coordenação do governo alia-
-se o ruído destes “irmãos Metralha”,
que não aligeiram as preocupações
paternas.
Ficou claro nesta situação que a falta
de empatia é o natural em Eduardo.
Todo ele foi impulso, na borrada. Nenhuns sinais de mediação, equilíbrio,
distanciamento. Correu logo ao pote,
a incitar o ódio. Nenhum político de
mediana sensatez trataria assim o seu
inimigo num momento realmente
trágico da vida - suspenderia por um
instante os golpes de humilhação,
solidarizava-se nesse território transfronteiriço que é a morte.
Se aliarmos a este carácter os sinais
de paranóia que o clã Bolsonaro e os
seus seguidores começam a reflectir,
a situação ganha proporções de uma
dramaticidade incontrolável que pode
reverter num conflito digno do teatro
épico.
Constatando a “falta de pulso” do pai,
irá o triunvirato manter-se arredado
de mais escândalos e interferências -
torturando apenas o pobre progenitor no foro doméstico ou em tweets
intimoratos – ou, galvanizados pela
ambição para que foram visivelmente educados, provocarão um golpe de
bastidores, cego às lealdades filiais?
Também tu, Brutus, perguntou o perplexo Júlio César quando sentiu nas
costas a punhalada do filho. Também
Brutus fora educado para rechaçar a
emoção e a empatia.
Como homem do teatro, atraem-me
os guiões conspiratórios, extremos,
onde se condensem todos os conflitos
do espectro humano. Embora, se fosse brasileiro, estaria muito triste; pior:
como ser humano estou atónito - que
espectáculo degradante!
Não há dúvida que Eduardo Bolsonaro quer o poder e dominar – de outro
modo o ódio não seria nele a febril
arma de arremesso que desvela a miséria do seu carácter. Não importa o
preço e os valores - desde que o povo
obedeça, julgará ele.
Prevenia Nietzsche há mais de um
século, que os chefes e os poderosos
levam a melhor devido à sua baixeza,
ao contágio dessa baixeza e da consequente truanice. Pois.
À sombra, Sérgio Moro espreita a sua
vez e os punhais de nada valem contra
a capacidade de dissimulação de uma
sombra.
Savana 08-03-2019 19
necessidades fundamentais dos
povos. A troca de experiências
nesta área particular tem de ocorrer com o respaldo das pesquisas
científicas e a partilha de resultados e boas práticas.
Finalmente, as tecnologias de informação e comunicação seguem
um roteiro irreversível, pelo que
o seu desenvolvimento precisa
de facilitar a vida dos cidadãos e
melhorar o seu estado de saúde,
bem-estar social e de prosperidade. Portanto, o desenvolvimento
de novos softwares e hardwares
será, igualmente, imprescindível.
Uma Faixa, Uma Rota, pode ser
um programa económico e de desenvolvimento de infra estruturas
com resultados bem estabelecidos em muitos dos nossos países, porém, na cadeia ainda deu
passos tímidos. Resumem-se na
troca de programas linguísticos.
Em abono da verdade, a China
tinha cerca de 600 estudantes de
língua portuguesa há cerca de 10
anos. Estes estavam baseados em
três universidades, incluindo a
Universidade de Macau. Actualmente, existem mas de 40 mil
estudantes de língua portuguesa,
em pelo menos 30 universidades
chinesas. Estes números ocorrem
em escalas que não podem ser
ignoradas e que podem ser incrementadas com a participação das
nossas universidades.
*Reitor da Universidade Pedagógica. Excertos editados pelo jornal
de uma intervenção em Macau, em
Outubro de 2018. As opiniões no
texto reflectem apenas os pontos de
vista do autor.
OPINIÃO
622
Email: diariodeumsociologo@gmail.com
Portal: https://oficinadesociologia.blogspot.com
A
China desenvolveu o
conceito “One Belt, One
Road” que, numa tradução livre significaria
“Uma Faixa, Uma Rota” e que faz
alusão a um plano de desenvolvimento tecnológico, comercial e
político que envolverá diferentes
regiões da China, em particular, a
região de Guangdung e diferentes países dos continentes Africano e Asiático. Na essência, seria a
retoma das rotas da Seda que, no
passado, se associaram à presença
da China em outras regiões geográficas.
Estes planos de desenvolvimento
suscitam, regra geral, questionamentos de ordem política, económica e científica. Existe, por
um lado, a preocupação com os
Trade-Offs e, analogamente, com
os ganhos directos dos países participantes. Por outro lado, estas
preocupações se estendem também aos países que, não fazendo
parte destas rotas, antecipam uma
redução das suas influências políticas e económicas nas regiões
eleitas.
No ano passado, em Outubro, a
Universidade de Macau convidou
os reitores das maiores universidades de língua portuguesa para
iniciarem um debate sobre qual
seria o papel das universidades na
discussão deste plano, na sua implementação e como as universidades poderiam tirar proveito dos
investimentos que serão feitos no
desenvolvimento de infraestruturas, apoio tecnológico, transferência de know-how e, mais importante, a formação de técnicos
para dar apoio a este plano que se
prevê seja de mais de 30 anos.
A Universidade Pedagógica foi
convidada a proceder à Abertura Oficial da Conferência que se
denominou “Fórum dos Reitores
das Instituições do Ensino Superior da China e dos países de
Língua Portuguesa” em representação do grupo das Universidades da AULP – Associação de
Universidade de Língua Portuguesa. Na semana de 04 a 08 de
Março de 2019, a Universidade
de Macau está em Moçambique
para um encontro explicativo dos
principais contornos do “One
Belt, One Road” e para aprofundar os laços de cooperação com a
Academia Moçambicana.
Macau tem sido, ao longo de
anos, um espaço privilegiado, não
apenas por causa dos seus casinos,
mas por ser a cidade do Oriente
que mais semelhanças conserva em relação às nossas próprias
cidades. Macau é, igualmente,
um local de referência, pois, desta cidade e região partiram, no
século XIX e, posteriormente,
cantoneses, que trabalharam e
viveram em Moçambique e, lá
A mamba e o dragão
se miscigenaram com os locais e
partilharam a sua cultura e vontade de fazer um mundo melhor
para todos.
Por conseguinte, as relações que
mantemos com a China não se
circunscrevem apenas aos actuais
laços políticos ou económicos,
mas assentam em uma relação de
consanguinidade. Este convívio
secular estabeleceu novas famílias, com novos contornos sociais
e culturais. Os Ataka, Chang, Ho,
Han, Hyon, Nam, Shew, Wing e
tantos outros, são apelidos que,
também aqui, ocorrem, mas, certamente, os jovens podem não
fazer ideia do percurso histórico.
Ao longo de milhões de anos a
humanidade estabeleceu rotas.
A primeira e maior foi a rota da
própria humanidade. Desde os
povos africanos que emigraram
para o norte do continente e
atravessaram para a Ásia e chegaram ao resto do mundo. Posteriormente, outras rotas, mais ou
menos significativas, foram constituídas e suportam a história da
humanidade. Rota do ouro, rota
do ferro, do marfim, da seda, etc.
Esta conferência tem por base
Uma Faixa, Uma Rota. Um novo
conceito, porém, uma experiência que já ocorre com resultados
positivos no campo económico e
social. Mas, na área científica e de
cooperação no ensino superior,
ainda é incipiente.
A China tem realizado importantes investimentos em infraestruturas em Moçambique. Estes
investimentos ocorrem, sobretudo, depois do ano 2000 ou 2003,
quando o mundo começou a dar
sinais de alguma crise económica
e energética. A retração de investimentos permitiu que China
substituísse os tradicionais investimentos.
O investimento chinês em Moçambique tem vindo a crescer a
ritmo muito acelerado e aproxima-se já, em termos acumulados,
de 7.000 milhões de dólares. Estão presentes no mercado moçambicano cerca de 100 empresas
chinesas, em áreas diversificadas
como sejam a energia, agricultura, pesca, imobiliário, materiais de
construção, turismo, transportes,
telecomunicações, infraestruturas e comércio. O objectivo tem
sido o de ajudar Moçambique e
os países africanos na sua auto-
-suficiência.
O comércio entre Moçambique e a China atingiu perto de
690 milhões de dólares. As importações vindas da China para
Moçambique atingiram 496 milhões de dólares e as exportações
em direção a China chegaram a
210 milhões de dólares, no último ano. A China não é a única
a negociar com países africanos,
directamente ou através grandes
empresas. Portanto, existe uma
relação geoestratégica, e a China
transformou-se no maior credor
das economias africanas. Os hidrocarbonetos representam 72%
e os metais 14% do total das importações da China provenientes
da África.
A contemporaneidade tem sido
caracterizada por profundas mudanças estruturais. O neoliberalismo e o pós-modernismo geraram
uma nova revolução em praticamente todas as áreas do saber. As
novas tecnologias, a inteligência
artificial, a robótica, impõem uma
nova forma de estar. Os jovens,
sobretudo, estão expostos a muita informação e tecnologia, de tal
sorte que os seus docentes, nem
sempre, conseguem acompanhar
o ritmo. Portanto, esta parceria
e cooperação passará, por usar os
resultados da inovação tecnológica em benefício dos nossos povos
e países.
Esta região da Baía de Guangdung tem sido referenciada como
uma das mais avançadas tecnologicamente. A Universidade de
Macau em pouco mais de 37 anos
de existência, se converteu numa
das mais credenciadas no desenvolvimento de chips e softwares,
enquanto a cidade de Shenzhen
surgiu para o mundo, como referência obrigatória na inovação
tecnológica. Aqui foi desenvolvido um software que facilita o
pagamento de transações comerciais.
Moçambique tem uma população
jovem que não ficou indiferente
aos desenvolvimentos tecnológicos e sobretudo ao uso e recurso
aos celulares. Assim, os softwares
IZI, M-Pesa, e outros, têm por
base os operadores de telecomunicações. Deste modo, elas se servem dos telefones celulares para
realizar operações comerciais
como transferência de valores,
pagamentos e outras operações.
O grupo de pessoas que usa estas aplicações já ultrapassa os dez
milhões, número superior ao de
subscritores de contas bancárias,
nos bancos comerciais. Portanto, colocar a disposição destes
usuários um novo aplicativo para
pagamento directo, aumentaria,
ainda mais, a eficiência e fiabilidade das operações.
Por conseguinte, existe uma
grande expectativa em torno
do programa Uma Faixa, Uma
Rota, pois, para além do desenvolvimento tecnológico, beneficiaríamos, todos, da mobilidade
entre as universidades dos países
de expressão oficial portuguesa. Incrementar esta mobilidade
transformou-se num imperativo e
na própria rota que as nossas universidades deverão seguir. Esta
mobilidade, uma vez mais, beneficiará os discentes e os docentes, a transferência de tecnologia
e know-how e, em definitivo, as
relações entre os nossos povos e
países.
A China e alguns dos países de
língua oficial portuguesa enfrentam desafios comuns. Os mais
importantes seriam as questões
relacionadas com a demografia
e o rápido crescimento populacional, as mudanças climáticas e,
finalmente, o uso das tecnologias
de comunicação e informação.
Como podem ser resolvidas estas
questões e que experiências podem interessar a uns e outros.
Em relação demografia a questão assenta na população jovem.
Moçambique, apenas para exemplificar, mais de 60% da população tem menos de 24 anos e,
consequentemente, vive na expectativa de realizar seus sonhos
e aspirações. Esta população tem
tido acesso a um grande volume
de informação, eventualmente,
mais informação e tecnologias,
que alguma vez outro moçambicano teve. Portanto, responder às
demandas destes jovens é, igualmente, fundamental.
O mesmo ocorre com as mudanças climáticas. A China tem
uma grande experiência na forma como lida com as adversidades climatéricas. Estas mudanças
climáticas têm sido responsáveis
pela mudança brusca dos padrões
agrícolas, destruição de escolas e
residências e de outras infraestruturas económicas, que frustram
os investimentos realizados e as
Por Jorge Ferrão*
A
ndamento e corrida são parte integrante da procura
de saúde em certas estradas da cidade de Maputo. São
centenas de pessoas, manhã cedo, fim de tarde, todos
os dias, jovens, idosos e meia-idade, homens e mulheres, magros e gordos, na convicção de que estão a produzir
saúde. A produção simbólica de saúde também tem a ver com
a busca de um determinado estatuto social. Quando se corre ou simplesmente se anda, cruza-se com outros buscadores
de saúde. Sente-se, então, pela interface visual, eventualmente
pelo cumprimento amistoso e alegre, que se forma uma espécie
empática de clube, de gente da alta, de gente fina. Talvez não
seja, afinal, uma má hipótese sustentar que este andar e este
correr têm um vincado estatuto de classe, que este andar e este
correr pertencem a uma elite, nacional e estrangeira.
Produção simbólica
de saúde
20 Savana 08-03-2019 OPINIÃO
SACO AZUL Por Luís Guevane
As detenções que continuam a ocorrer
no âmbito das dívidas ilegais não param
de apimentar conversas, fortalecendo amizades e dando conteúdo àquilo
que pode ser visto como indicador de
“unidade nacional”. Fora da capital, no
Norte do País, Cabo Delgado continua
a ser cartaz de uma (agora) longa-metragem em que não se sabe muito bem
quem são os verdadeiros protagonistas.
Muita acção de arrepiar. Casas incendiadas. Aldeias abandonadas. Nesse
cartaz parece não haver espaço algum
para o jornalista detido, já lá vão dois
meses. Pouco se sabe se onde se encontra detido tem ar condicionado ou lhe
levam algum salgadinho. Pouco se sabe
se ele acompanha Moçambique pela televisão ou pela imprensa escrita.
O Jornalista e os caloteiros
Pede-se a libertação do jornalista que quis
trazer alguma informação cá para fora. O
“segredo de Estado” funcionou ou está a
funcionar como um travão, um bloco impeditivo que não deixa levantar um mínimo
do véu “Cabo Delgado” para começarmos a
perceber parte do problema. O que é que o
jornalista descobriu de tão importante para
ficar privado dos seus direitos? Mas, como
se tem dito, o jornalismo é um desafio permanente; tanto é quando se trata de jornalismo investigativo num país enervado pelo
enjoo de dívidas ilegais.
Enquanto vamos pedindo a libertação do
jornalista e as respectivas razões da sua
detenção, na capital, em silêncio, vamos
acompanhando as detenções dos conotados com as dívidas ocultas. Os barquitos
não param de enferrujar. Reclamam um
novo destino. Dizem que por engano um
atum foi lá ter. Os seus supostos donos já
nem se lembram deles. Muitos questionaram as razões de termos um super PCA
para três empresas numa altura em que temos muitos quadros formados, bons gestores e com experiência reconhecida. Hoje já
se percebem as razões. Demorou pegá-los.
O jornalista lá do outro lado deve estar a
reclamar. Com ele não houve conversa, não
houve tentativa de protecção e nem de arrastamento de tempo à espera que o “New
York Time” o denunciasse ou que o FMI
chamasse o menino. Com ele foi uma espécie de “decisão tomada, decisão cumprida”.
Nem olharam para a contribuição que terá
dado ao desenvolvimento do país por meio
da sua profissão. Terá sido uma questão de
intolerância ou de um prolongado excesso
de zelo?
Os deputados já pedem a cabeça do
tubarão das dívidas ilegais. Ninguém
pronunciou o seu nome. Nos debates
televisivos entendemos indirectamente que se está a falar do tal tubarão.
Diz-se o seu nome em voz tão baixa
que ninguém consegue ouvir, mas todos percebem que se está a falar do tal
tubarão. Peixe-miúdo para cá, peixe-
-miúdo para lá. Só um jovem deputado destemido disse alto e em bom som
o nome do temível tubarão solicitando
abertamente a sua prisão. Libertem o
jornalista e prendam todos envolvidos
nas dívidas ilegais. Em ano de eleições
é um bom trunfo. Não andem aqui
com paninhos quentes para caloteiros
e aspereza para com o jornalista.
A
regra mais simples do direito penal é que o criminoso responde
pelos seus crimes no tribunal do
sítio onde os cometeu. O suspeito
de actos de terrorismo em Cabo Delgado,
mesmo se for um branco com passaporte
da África do Sul, é (ou nesse caso deveria ter sido) julgado no tribunal de Pemba.
Igualmente, e por exemplo, o violador de
crianças residente como francês em Paris,
que vendia a sua pornografia via internet
a compradores em Londres, vai responder pela sua infâmia ao “Central Criminal
Court”, nessa mesma capital britânica.
Assim, estranham-se os comentadores que
insistem que o ex-ministro Chang não deveria responder perante o tribunal penal
competente em Nova Iorque pelos crimes
que cometeu contra nacionais dos Estados
Unidos e nos Estados Unidos, nomeadamente a lesão de indivíduos e empresas
americanas por umas largas centenas de
milhões de dólares, por meio de burla e
fraude.
A mais grosseira parte dos crimes do ex-
-ministro Chang foi a instrução formal ao
banco suíço, na sua capacidade de Ministro
das Finanças, para que o empréstimo, na altura ainda “secreto”, deveria ser transferido
não para a conta do Banco de Moçambique,
mas para a conta do intermediário Iskander Safa, no paraíso dos segredos bancários,
nos Emirados, onde, claro, se perderam as
pistas dos voluminosos fundos. O facto
de este intermediário ter sido introduzido
aos moçambicanos pelo então presidente
da França Hollande (que o trata de amigo
íntimo), revela o papel sujo da França na
aventura marítima de Moçambique.
Lá se utilizou o nono menos desenvolvido
país do mundo (pela numeração do PNUD
/ UNDP) para salvar por um tempo os empregos dos trabalhadores franceses num
estaleiro naval, na altura já falido.
E depois dos franceses foi a vez dos alemães, onde o mesmo intermediário, aparece cheio de liquidez e compra o controlo
dos estaleiros navais alemães, com a sua
nova empresa “German Naval Yards”, sediada em Kiel, a antiga “capital” dos submarinos alemães durante a segunda Guerra
Mundial.
Podemos assim adivinhar que uma grande
parte dos empréstimos moçambicanos serviu para reabilitar estaleiros navais franceses e alemães, ficando a banca suíça com os
prejuízos. Será que a Procuradora Buchili
poderá enfrentar esta monstruosidade?
Diplomada em 2006 pela Universidade
do Rio Grande do Sul no Brasil com uma
tese de 43491 palavras sobre “O Pluralismo Jurídico e a Realidade Sociocultural
de Moçambique”, Buchili é especialista
daquilo que no tempo colonial se chamava
o “direito indígena”. Sugere que “Tribunais
Comunitários” deveriam ser introduzidos,
mas não quis saber do perigo do tribalismo
e das práticas repressivas oriundas no “indigenato”. Estranha metamorfose daquilo
que conhecíamos como “tribunais populares de base”, depois da independência.
Com a sua afinidade ao novo afro-autoritarismo, Buchili embarcou numa estratégia
despertada para proteger o ex-ministro
Chang e os seus associados e “camaradas”
do poder judicial americano. Apresentou
às autoridades da África do Sul a 15 de
Janeiro 2019 uma carta em que exige a extradição de Chang para Moçambique para
responder num processo-crime relacionado com subornos que ele teria recebido a
partir da empresa brasileira Odebrecht.
Na altura ainda não tinha sido constituída
uma arguição e o pedido de 15 de Janeiro
não satisfaz nem minimamente os requerimentos legais de um pedido de extradição.
Em contraste, o pedido anterior americano, apresentado a 22 de Dezembro 2018,
é fundamentado com um documento de
acusação formal de 47 páginas.
Embora não havendo clareza sobre o
fundamento legal invocado, parece que a
Procuradoria em Moçambique invoca o
Protocolo SADC Relativo a Mútua Cooperação em Matéria Criminal e Extradição de 2002. Contudo, embora o Protocolo
tenha sido aprovado e ractificado pelos
países membros da SADC, carece da conformação da sua entrada em vigor pelo Secretariado da SADC, conforme o exige o
artigo 31 do Protocolo. Deste modo, pelo
menos da parte da África do Sul, não se
considera estar em vigor. O que significa
que o pedido de Moçambique terá que ser
resolvido por decisão do executivo (Presidente) da África do Sul sem base num
acordo de extradição e essa decisão, nos
termos da Lei da Extradição da África do
Sul, estará sujeita ao recurso nos tribunais.
A decisão que os tribunais na África do Sul
terão que eventualmente tomar, em última
instância (o que poderá demorar muitos
mais meses), deverá ser formalmente executada pelo Ministro da Justiça da África
do Sul. Mas o executivo da África do Sul
estará sempre vinculado aos termos da Lei
da Extradição e aos termos do seu Acordo de Extradição com os EUA, em vigor
desde 2001. A única excepção do dever de
extraditar uma pessoa arguida consta do
artigo 4 do Acordo que determina que não
pode ser exigida a extradição duma pessoa
na base da perseguição por “crime político”.
Obviamente, o furto, a fraude e os crimes
associados não constituem “crimes políticos”. As burlas do ex-ministro Chang são
crimes vulgares e ordinários motivados
pela ganância pessoal. Atribuir-lhes uma
dimensão política ou comparar Chang
com Bashir ou Kadafi, é insultuoso.
O Acordo de Extradição com os EUA
contém no seu artigo 15 as regras a aplicar
no caso de pedidos de extradição “concorrentes”. Este dispositivo será relevante para
o caso Chang, caso os tribunais da África
do Sul fiquem satisfeitos que venha a existir um pedido de extradição válido e sincero da parte moçambicana.
Segundo o artigo 15, os tribunais devem
fazer a sua escolha entre pedidos de extradição concorrentes dando preferência às
obrigações resultantes de uma acordo de
extradição, orientando-se pela seriedade
dos crimes pelos quais a extradição é procurada, considerando as datas de recepção
(anterioridade) dos pedidos, os interesses
dos Estados concorrentes, as nacionalidades das vítimas dos crimes, bem como
a eventualidade de pedidos de extradição
subsequentes entre os Estados a pedir uma
extradição, em concorrência de um com o
outro.
Por outras palavras, Moçambique eventualmente terá que pedir a extradição do
ex-ministro Chang aos Estados Unidos,
depois do seu julgamento nesse país. É
bem possível que depois desse julgamento,
o pedido de extradição possa ser concedido, tal como aconteceu no caso do almirante narcotraficante Bubo NaTchuto, da
Guiné-Bissau.
* Professor Catedrático Emérito em Direito
Internacional da University of South Africa
e ex-Conselheiro Especial do Representante
do Secretário Geral das Nações Unidas na
operação UNOMOZ
A propósito de Manuel Chang
Por André Thomashausen*
Os crimes são Julgados onde foram cometidos
Savana 08-03-2019 21 DESPORTO
No dia 27 de Fevereiro de 2019, a Sociedade Cooperativa Kulima Kunapedza Gorongosa (KKG) organizou a sua Assembleia Extraordinária com a participação de 43
Membros da Cooperativa, representantes (2) do Governo Distrital de Gorongosa e
representantes (6) da Gapi; com 2 pontos fundamentais na agenda, nomeadamente:
1. Avaliação do funcionamento dos órgãos sociais e a assistência da Gapi SI na gestão
da KKG durante os anos 2012-2018.
2. Destituir e nomeação dos membros em regime interino dos órgãos sociais
Os delegados constataram que, durante o período em avaliação a Gapi fundou a empresa Agro-Gorongosa com acionistas a Cooperativa e a Gapi em que a Gapi ficou
como acionista maioritário e nomearam o Presidente do Conselho da Direção da Cooperativa como Director da nova empresa sobre o controlo da Gapi. Alem disso a
Gapi fundou uma instituição de micro credito onde também nomearam o Presidente
do Conselho da Direção da Cooperativa como Coordenador desta instituição. Constataram ainda que esta acumulação das funções e a falta de controlo e transparência
criaram uma situação de caos e corrupção no meio rural no Distrito. Apesar desta
situação FDA vendeu 5 tractores a Cooperativa não tomando e consideração a falta a
capacidade de gestão deste equipamento agrícola. Concluíram que a cooperativa encontra se uma crise profunda.
Os delegados decidiram:
R5 (-. & ,5/'5 )'#.ï5#(+/ï,#.)5* , 5#(0 -.#! ,5)-5*, $/ù4)-5 5 ))* , .#0 8
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R5 -.#./#,5' ' ,)-5 )-5Á,!ã)-5 ) # #-5 5 ))* , .#0 5&#! )-5 5'á5! -.ã)5 5-/ -.#./#,5
lhes em regime interino
Gorongosa, 28 de Fevereiro de 2019.
Pela KKG
Comunicado de Imprensa
R
eal Madrid foi eliminado
da Liga dos Campeões
com estrondo. Os merengues receberam o Ajax na
noite de terça-feira, em jogo da
2.ª mão dos oitavos de final, e foram humilhados com uma goleada
histórica (1-4). Este foi também o
ponto final nas aspirações para a
presente temporada dos blancos,
uma vez que neste momento estão
já afastados da Taça do Rei e praticamente fora da luta pelo título de
campeão espanhol.
Mas, afinal de contas, como se explica a época desastrosa do Real
Madrid? São seis os motivos que
mostram aquilo que falhou ao longo de 2018/2019.
Sem sucessor para CR7
Cristiano Ronaldo deixou o Real
Madrid no verão e é impossível
não relacionar o craque português
com a crise vivida pelos merengues.
Ronaldo deixou um legado no Santiago Bernabéu. Era uma máquina
de fazer golos que se destacava, sobretudo, pela forma como brilhava
na Liga dos Campeões. Ronaldo
decidiu mudar-se para Turim e o
Real Madrid falhou na tarefa de
encontrar alguém que, pelo menos,
fizesse a diferença na ausência do
português.
Falou-se no interesse do Real em
$)! ), -5 )')5 3&# (5
**ï5
)/5 3' ,85 )5 (. (.)65 . &5(/( 5
foi além dos rumores. A verdade é
que a responsabilidade de substituir
Ronaldo foi, por diversas razões,
atribuída a Gareth Bale. Porém, o
internacional galês nunca conseguiu verdadeiramente assumir a tal
responsabilidade e esta temporada
apenas apontou 13 golos, menos
sete que Karim Benzema, o melhor
marcador da equipa. Bale está sim
sob a constante mira dos adeptos
+/ 5$á5 --) # '5)5! &ð-5- '*, 5+/ 5
-. 50 #5 5$)!)85
Contratações falhadas
As contratações feitas pelo Real
Madrid esta temporada não foram,
de facto, as mais acertadas. Se por
um lado há um grande mérito em
-- !/, ,5 /'5 $)! ),5 5 (),' 5
valia como Vinícius Jr, por outro há
$)! ), -5+/ 5 ), '5 )(., . )-5 5
que nada estão a acrescentar.
É o caso de Mariano Díaz. Foi formado no clube e acabou ‘repescado’
)5 3)(5 '5 .,) 5 5 hf5 '#&"ċ -5
de euros, mas tarda em convencer
os adeptos do Real Madrid. Jogou
'5 * ( -5gj5$)!)-5 5(ã)5 )#5 &ï'5
dos dois golos marcados, números
que estão longe daquilo que fez em
França.
Ainda há o caso de Courtois. O
guardião belga foi contratado ao
Chelsea a ‘peso de ouro’ para re-
),é ,5/' 5*)-#éã)5 '5+/ 5 3&),5
Navas era dono e senhor. Tal como
Mariano, o internacional belga
também está longe de ser um nome
consensual entre os adeptos merengues que, em muitos casos, continuam a preferir o guarda-redes
Os seis erros fatais que explicam a época
desastrosa do Real Madrid
costa-riquenho.
Sai Lopetegui, entre Solari
A contratação de Julen Lopetegui
nas vésperas do início do Mundial
2018 gerou muita controvérsia em
Espanha, o que resultou no afastamento prematuro do técnico espanhol da seleção. Lopetegui teve
assim de assumir o comando técnico dos merengues mais cedo do
que o previsto. No entanto, a tarefa de dirigir o Real Madrid durou
pouco tempo. Os maus resultados,
que culminaram na goleada sofrida perante o rival Barcelona, foram
os argumentos de Florentino Pérez
para despedir Lopetegui.
De imediato, Santiago Solari assumiu o lugar deixado vago pelo
espanhol. Numa primeira fase na
condição de técnico interino e,
semanas depois, passou a técnico
definitivo e os primeiros resultados até pareciam dar indicadores
positivos. Porém, tudo não passou
de mais um passo em falso. O Real
Madrid tentou fazer com Solari
aquilo que fez com Zidane, ao ir
buscá-lo aos escalões da formação
merengue, mas o técnico argentino
não se conseguiu impor da mesma
forma que o francês.
O peso do balneário
Há muito por contar, e revelar, na
era de Santiago Solari no Real Madrid e o balneário é uma das grandes questões. Solari decidiu sentar
Isco no banco de suplentes e mais
tarde fez o mesmo com Marcelo.
Duas das grandes figuras do clube
foram afastadas da equipa titular,
&!)5 +/ 5 (ã)5 #/5 '5 $/(.)5 )-5
adeptos.
Para além das capacidades futebolísticas por todos reconhecidas,
Isco e Marcelo são duas peças fundamentais no balneário do Real
,# 85 65 ()5 /. )&65 $á5 - 5 - 95
quando se perde o balneário, perde-
-se a equipa.
Sem força para o rival Barcelona
O Real Madrid não venceu, e nem
tem mais possibilidades de vencer,
o Barcelona esta temporada. Em
+/ .,)5$)!)-5 # (. 5 )50 &")5 ,#0 &65
os merengues acumulam um saldo
negativo de três derrotas e um empate e ainda de dois golos marcados
e dez sofridos.
Na primeira volta do campeonato,
ainda sob o leme de Lopetegui,
os merengues foram humilhados
em Camp Nou com a chapa cinco
(5-1) e voltaram a ser derrotados
na segunda volta por um resultado
tangencial (0-1) no Santiago Bernabéu.
Na Taça do Rei, o Real Madrid
chegou às meias finais, mas, mais
uma vez, não teve qualidade para
levar a melhor sobre o Barça. Na
1.ª mão não foram além de um empate (1-1) e na 2.ª mão os blancos
averbaram uma pesada derrota no
Bernabéu (0-3).
O menosprezo pelos adversários
Esta temporada, o Real Madrid
consentiu no total 15 derrotas.
Para além dos desaires diante de
, &)( 5 5 $ 265 (). 5 #( 5 * , 5
as derrotas que, em teoria, seriam
inesperadas. Girona, Eibar, Leganés, CSKA Moscovo e Levante
são adversários claramente inferiores àquilo que vale o Real Madrid,
mas que foram melhores dentro de
campo.
Um outro dado que mostra algum
menosprezo pelos adversários é
o facto de, numa só época, o Real
Madrid conseguir arrecadar os dois
piores resultados caseiros na Liga
dos Campeões. Na mesma época,
sofreu duas derrotas por números elevados. Primeiro diante do
CSKA (0-3) e depois perante o
$ 25 Bg7jC85 '5 , !#-.)5 +/ 5 . '5
tanto de inédito, como de negativo.
Outro sinal claro do pouco respeito
pelo adversário reside numa atitude
de Sergio Ramos que teve consequência direta na época do Real. O
capitão merengue decidiu forçar o
+/#(.)5 ' , &)5 ()5 $)!)5 #-*/. )5
na Holanda, em que os espanhóis
venceram (2-1), para poder limpar
)5, !#-.)5$á5 5* (- ,88885()-5\+/ ,.)-]85
No final da partida admitiu que
pensou nessa possibilidade e pouco depois recorreu às redes sociais
para contar... outra versão. Ainda
assim, a UEFA não foi na ‘cantiga’
de Sergio Ramos e puniu o defesa
-* (")&5 )'5 )#-5$)!)-5 5 -.#!)65
. &5 )')5$á5.#(" 5 -.#! )5),)( 5
do FC Porto. O Real Madrid sen-
.#/5 &. 5 5 ')-5()5$)!)5)(. '>5
Obviamente que sim. Ramos teve
de sofrer na tribuna do Santiago
Bernabéu e certamente estará arrependido de ter forçado o cartão
amarelo.
E agora, o que se segue?
Perante tamanha desilusão, fica por
conhecer o desfecho desta temporada do Real Madrid. A derrota
# (. 5 )5 $ 25 )&) )/5 )& ,#5 ( 5
), 5 ' 5 5$á5"á5+/ '5 , #-
te que o argentino não vai acabar a
época no comando técnico merengue. Uma coisa parece certa: Florentino Pérez está a ser contestado
e será assim obrigado a tomar uma
medida drástica. Os próximos dias
prometem trazer novidades.
www.noticiasaominuto.com
22 Savana 08-03-2019 PUBLICIDADE DESPORTO
1. DESENVOLVIMENTO DO PROJECTO
O Governo de Moçambique (GdM) tem seguido uma estratégia visando promover o desenvolvimento da capacidade de produção e
transmissão de energia não apenas para satisfazer a crescente procura interna associada aos consumos quer doméstico quer industrial de
electricidade, mas também para a exportação para o mercado regional.
Neste âmbito, o Governo de Moçambique aprovou recentemente o
Plano Director Integrado de Infraestruturas Eléctricas 2018-2043, que
contempla o plano nacional de investimentos nas áreas de Produção,
Transporte e Distribuição de energia eléctrica. Espera-se que o conjunto de investimentos programados sejam capazes de responder as projecções de crescimento de procura de electricidade no país e na região
Austral de África.
O Governo de Moçambique (GdM), actuando através do Ministério
dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), representado pelo Gabinete de Implementação do Projecto Hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa (GMNK), pretende desenvolver uma central hidroeléctrica, em
Mphanda Nkuwa, no rio Zambeze, a jusante da Barragem de Cahora
Bassa, incluindo os Sistemas de Transporte de Energia eléctrica e outras
infraestruturas associadas. Este empreendimento será desenvolvido
pelas empresas Electricidade de Moçambique (EDM) e a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e um Parceiro Estratégico a ser seleccionado,
numa base de “Project Finance” limitada, através do estabelecimento
GHXPRXPDLVYHtFXORVGHÀQDOLGDGHHVSHFLDLV 639·V FRQIRUPHUHquerido para a viabilização do Projecto.
O MIREME pretende contratar um Consultor de Transacções (TA),
uma pessoa colectiva que irá prestar assessoria ao Governo de MooDPELTXHQDHVWUXWXUDomRFRPHUFLDO OHJDOHÀQDQFHLUDGR3URMHFWR
Os requisitos relativos à selecção do Consultor de Transacções estão
GHÀQLGRVHP7HUPRVGH5HIHUrQFLD ´7R5µ LQWLWXODGRV3URJUDPDGH
Desenvolvimento e Transmissão Regional de Moçambique (Projecto
+01. ²7HUPRVGH5HIHUrQFLDSDUDR&RQVXOWRUGH7UDQVDFo}HVGR
3URMHFWR+01.TXH VHUmRHQYLDGRV DVÀUPDVSUp TXDOLÀFDGDVQHVWH
processo.
1.1. Sistema de Produção
O Projecto HMNK, localizado a 60 kms a jusante da HCB, será um empreendimento que terá uma capacidade instalada não inferior a 1300
0: GRVTXDLVFHUFDGH 0:VmRGHFDSDFLGDGHÀUPH 2LQYHVWLPHQWRWRWDOHVWLPDGRpGH86 PLOPLOK}HV 3UHYr VHTXHRVLVWHPD
seja operado em estreita coordenação com a central de Cahora Bassa,
operada pela HCB.
1.2. Sistema de Transporte
2 3URMHFWR+01. HVWiORFDOL]DGR D FHUFD GH NP GH 9LODQFXORV
prevendo-se a construção de uma linha de transporte de energia de
DOWDWHQVmR +LJK9ROWDJH$OWHUQDWH&XUUHQW +9$& GH N9FRP
650 km de extensão e duas subestações de alta tensão para ligar a Cataxa (Marara) e 550 km de extensão.
Será igualmente necessária uma linha de transmissão em corrente conWtQXD N9 +LJK9ROWDJH'LUHFW&XUUHQW +9'& FRP NP
para ligar à Subestação de Maputo e à Rede da África-do-Sul. O investimento total indicativo do projecto de infraestrutura de transporte de
energia é da ordem de US$ 1,6 mil milhões.
2. ÂMBITO DO TRABALHO
2.1. Os serviços de assessoria de transacções previstos estão divididos
HPWUrVIDVHV
Nome do Projecto: Projecto Hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa (“MNK”)
Pedido de Manifestação de Interesse (REOI) para a contratação de um Assessor de Transacções
Número de Referência do Projecto: 02/ MNK/2019
1.1.2. Fase I: Apoiar o GMNK na preparação dos TdRs para os estudos
WpFQLFRVLGHQWLÀFDGRVFRPRFUtWLFRVSDUDR3URMHFWRHQDUHVROXomRGRVDVpectos relacionados com a actual concessão;
1.1.3. Fase II: Apoiar o GMNK na selecção de um Parceiro/Investidor Estratégico privado para integrar a sociedade empresarial responsável pela
operação do empreendimento de Mphanda Nkuwa, que assumirá a forma de produtor independente de energia (Independent Power Producer
- IPP);
1.1.4. Fase III $SyV D VHOHFomR GH XP 3DUFHLUR ,QYHVWLGRU (VWUDWpJLFR
DSRLDUR0,5(0( D('0HR+&%QDSUHSDUDomR QHJRFLDo}HVHÀQDOLzação do Acordo-quadro (Framework Agreement), do Acordo de Desenvolvimento Conjunto (Joint Developement Agreement - JDA) e de quaisquer outros documentos (Acordos, Contratos, disposições legais) a serem
formalizados com o MIREME, EDM e HCB no âmbito do(s) veículo(s) de
ÀQDOLGDGHHVSHFLDLV 639·V HVWDEHOHFLGRVSDUDR3URMHFWR
2.2. Requer-se que o TA forneça serviços de consultoria comercial, legal e
ÀQDQFHLUD 2VVHUYLoRVMXUtGLFRVGHYHUmRVHUGHXPHVFULWyULRGHDGYRFDFLD
com perícia e prática jurídica multinacional e especialização relevante no
sector de energia.
2.3.O TA coordenará as suas actividades com outros consultores para
R 3URMHFWR FRQIRUPH DV H[LJrQFLDV SDUD FRPSOHWDU R WUDEDOKR SURSRVWR
Espera-se que o TA planeie a sua disponibilidade em Moçambique, em
termos de pessoal e plano de trabalho de consultoria, para cumprir as exSHFWDWLYDVGR&URQRJUDPDLQGLFDGRQRV7HUPRVGH5HIHUrQFLD
3. O Governo de Moçambique convida os consultores elegíveis a manifestarem interesse na prestação dos serviços acima descritos.
4. Os consultores interessados deverão apresentar informações que eviGHQFLDPTXHVmRTXDOLÀFDGRVHSRVVXHPYDVWDH[SHULrQFLDSDUDUHDOL]DU
VHUYLoRVFRPDOJXPDFRPSOH[LGDGH 3DUDHVVHSURSyVLWR DHYLGrQFLDGRcumentada de serviços recentes e similares deverá ser submetida.
$GHWHUPLQDomRGD VLPLODULGDGHGDVH[SHULrQFLDV VHUiEDVHDGDQR VHJXLQWH
ï'LPHQVmRHQ~PHURGRVFRQWUDFWRV
ï$QDWXUH]DGRVVHUYLoRV $VVHVVRUGH7UDQVDFo}HVSDUDDVHOHFomRFRPSHtitiva de um Parceiro/Investidor)
ï$SHUtFLDWpFQLFD WpFQLFD OHJDOHÀQDQFHLUD
6. Submissão das candidaturas
6.1. As Manifestações de Interesse deverão ser submetidas em envelopes
selados para o endereço a baixo indicado até ao dia 22 de Março de 2019
([HPSODUHVItVLFRVGHYHUmRVHUVXEPHWLGRV XP RULJLQDOHTXDWUR
FySLDV GHYHQGRLJXDOPHQWHVHUVXEPHWLGRXPH[HPSODUHPIRUPDWR
HOHFWUyQLFR
Departamento de aquisições
Ministério de Recursos Minerais e Energia
Av. Fernão de Magalhães nr 34, 8º andar
Caixa Postal 2904
Maputo - Moçambique
7.Pedidos de Esclarecimento
2V3HGLGRVGHHVFODUHFLPHQWRVGHYHUmRVHUUHPHWLGRVSDUD
suporte@talentos.co.mz.
8. Do total das candidaturas submetidas serão pré-seleccionadas um máximo de 6, às quais será enviado um pedido de proposta (RFP).
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE
MINISTÉRIO DOS RECURSOS MINERAIS E ENERGIA
Savana 08-03-2019 23 PUBLICIDADE DESPORTO
352-(&7'(9(/230(17
The Government of Mozambique (GoM) has been pursuing a strategy to promote the development of generation and transmission
capacity not only to satisfy the internal, growing, domestic and industrial demand of electricity but also to export power to the regional market.
Thus, the Government of Mozambique has recently approved a
Master Plan for Electricity Infrastructure for the period 2018-2043,
comprising a national investment plan in the areas of Generation,
Transmission and Distribution of energy. It is envisaged that a set of
scheduled investments are able to respond to the expected growing
demand of energy in the country and in the region of Southern Africa.
The Government of Mozambique (GoM) acting through the Ministry of Mineral Resources and Energy (MIREME) represented by the
Gabinete de Implementação do Projecto Hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa (GMNK), intends to develop a Hydropower Plant in
Mphanda Nkuwa in the Zambezi River downstream of Cahora
Bassa Dam, including the Power Transmission Systems and other
associated infrastructures. This undertaking will be developed by
Electricidade de Moçambique (EDM) and Hidroeléctrica de Cahora
Bassa (HCB) and a Strategic Partner to be selected on a limited recourse Project Finance basis through the establishment of one or two
6SHFLDO3XUSRVH9HKLFOHV 639 DVUHTXLUHGE\WKH3URMHFWYLDELOLW\
MIREME intends to engage a Transaction Advisor (TA), a corporate
body whose scope is to provide advice to the Government of Mo-
]DPELTXHLQ WKHFRPPHUFLDO OHJDODQGÀQDQFLDOVWUXFWXULQJRI WKH
project.
The requirements relating to the selection of a Transaction ConsulWDQWDUHGHÀQHGLQWKH7HUPVRI5HIHUHQFH 7R5 WLWOHG0R]DPELTXH
Regional Transmission and Generation Development Programme
+01.3URMHFW 7HUPVRI5HIHUHQFHIRU7UDQVDFWLRQ&RQVXOWDQWRI
WKH+01.3URMHFWZKLFKZLOOEHVHQWWRWKHVKRUW OLVWHGÀUPVLQWKLV
process.
1.1. Generation Scheme
The HMNK project, located 60 km downstream from HCB, is a scheme which will have an installed capacity of not less than 1300 MW
RIZKLFKDQHVWLPDWHG 0:DUHÀUPFDSDFLW\ 7KHWRWDOHVWLPDWHG
investment is in order of USD 2 billion. It is anticipated that the scheme will be operated in close coordination with HCB.
1.2. Transmission Scheme
7KH01. 3URMHFWLVORFDWHG DSSUR[LPDWHO\ NP IURP 9LODQFXlos, and foresees the construction of a high voltage transmission line
+LJK9ROWDJH$OWHUQDWH&XUUHQW²+9$& RI N9ZLWK NP-
-long and two high-voltage substations to connect to Cataxa (Marara) and 550 km long. A continuous current transmission line of apSUR[LPDWHO\ N9 +LJK9ROWDJH'LUHFW&XUUHQW²+9'& ZLWK
1,300 km long to connect to Maputo Substation and South Africa
Grid will be required. The total indicative investment of the power
transmission infrastructure is in order of USD 1.6 billion.
2. SCOPE OF WORK
2.1. The transaction advisory services to be provided are divided
LQWRWKUHHSKDVHV
2.1.1. Phase I 6XSSRUW*01.WRSUHSDUHWKH725VIRUWKHWHFKQLFDO
VWXGLHVLGHQWLÀHGFULWLFDOIRUWKHSURMHFWDQGLQWKHUHVROXWLRQRIDVpects relating to the current concession.
2.1.2.Phase II 6XSSRUW*01.LQWKHVHOHFWLRQRIDSULYDWH6WUDWHJLF
3DUWQHU ,QYHVWRUWRLQWHJUDWHWKHÀUPUHVSRQVLEOHIRUWKHRSHUDWLRQ
of the Mphanda Nkuwa facility which will assume the form of an
Independent Power Producer (IPP); and
2.1.3. Phase III )ROORZLQJ WKH VHOHFWLRQ RI D 6WUDWHJLF 3DUWQHU ,Qvestor, support MIREME, EDM and HCB in the preparation, negoWLDWLRQVDQGÀQDOL]DWLRQRIWKH)UDPHZRUNDJUHHPHQW -RLQW'HYHORpment Agreement (JDA) and any ancillary documents (agreements,
contracts, legal provisions) to be entered with MIREME, EDM and
+&%LQWRIRUWKH639HVWDEOLVKHGIRUWKH3URMHFW
2.2. It is expected that the TA will provide commercial and legal adYLVRU\VHUYLFHV 7KHOHJDOVHUYLFHVZLOOEHIURPDODZÀUPZLWKPXOti-national legal practice and relevant power sector expertise.
2.3. The TA will coordinate its activities with other consultants for
the Project as required to complete the proposed assignment. The
Transaction Advisor will be expected to plan its availability in Mo-
]DPELTXH VWDIÀQJDQGDGYLVRU\ZRUNSODQ WRPHHW WKH WLPLQJH[-
pectations indicated in the Terms of Reference.
3. The Government of Mozambique hereby invites the eligible consultants to show their interest in delivering the services described
above.
4. The Interested consultants shall provide information evidencing
WKDW WKH\ DUH TXDOLÀHG DQG H[SHULHQFHG WR SHUIRUP WKHVH VHUYLFHV
with the same complexity. For that purpose, documented evidence
of recent and similar services shall be submitted.
5. Determination of the similarity of the experiences will be based
RQ
ï6L]HDQGQXPEHURIFRQWUDFWV
ïWKHQDWXUHRIVHUYLFHV 7UDQVDFWLRQ$GYLVRUIRUDFRPSHWLWLYHVHOHFtion of a Partner / Investor);
ïWKHWHFKQLFDOH[SHUWLVH WHFKQLFDO OHJDODQGÀQDQFLDO
6. Submission of applications
6.1. The expressions of interest shall be submitted in sealed envelopes to the address shown below by Friday 22nd March 2019.
6.2. Hardcopies must be submitted, as follows, one (1) original and
four (4) copies, and a copy must also be submitted in electronic format.
Departamento de Aquisições
Ministério de Recursos Minerais e Energia
Av. Fernão de Magalhães No. 34, 8º andar
Caixa Postal 2904
Maputo - Moçambique
7. Additional information
Interested consultant may obtain further information at the following
address suporte@talentos.co.mz.
8. Of the total submitted applications a maximum of six (6) eligible
ÀUPVZLOOEHVKRUWOLVWHGWRZKLFKLWZLOOEHVHQWD5HTXHVWIRU3URSRsals (RfP) to carry out the services.
Project Name: Mphanda Nkuwa Hydro Power Project (“MNK”)
Request for Expression of Interest (REOI) for hiring a Transaction Advisor
Project Reference Number 02/ MNK/2019
5(38%/,&2)02=$0%,48(
0,1,675<2)0,1(5$/5(6285&(6$1'(1(5*<
24 Savana 08-03-2019 CULTURA
E
stamos em Março, mês
da Poesia e do Teatro,
duas velhas artes, tão
antigas quanto a humanidade e os seus dilemas existências. Em Moçambique, o
que não falta é “Matéria para
um grito”, mas quem tem coragem de denunciar a barbárie que tomou conta do nosso
quotidiano, que como uma
praga, infestou tudo e todos?
Os escândalos de corrupção
e as ditas dívidas ocultas, por
exemplo, criaram um debate,
talvez o mais inclusivo da história do país, onde todos cidadãos têm algo a dizer; é só ver,
os comentários nas redes sociais, nos mercados e no outro
mercado, agora o da televisão,
em que especialistas ou pseudo-especialistas defendem com
todos argumentos do mundo
as causas e possíveis soluções
para este caos social, político e
financeiro que vivemos. Mas, e
os artistas, o que é que a arte
nos tem a dizer sobre isso tudo?
Foi sob o pretexto “A missão
do Artista” que o Centro Cultural Moçambicano Alemão
(CCMA) realizou a primeira
noite de poesia do ano, no dia
22 de Fevereiro, um evento que
juntou Paulina Chiziane, Luka
Mucavele, Álvaro Taruma e
Severino Ngoenha, renomadas
figuras das artes e da academia
moçambicana, com o intuito
de pôr em discussão o papel do
artista na construção de uma
sociedade. E o evento teve a
moderação do poeta e jornalista Eduardo Quive.
Foi nesta ocasião que o filósofo
Qual é a missão do artista?
Por Venâncio Calisto
e reitor da Universidade Técnica de Moçambique (UDM),
Severino Nguenha, nos lembrou de que o artista é um criador, alguém que cria coisas novas, mundos, realidades, vidas,
por isso para ele o espaço do
artista “é não ter espaço, a sua
missão é não ter missão, porque
o lugar do artista é aquele lugar que ainda não é”, pois este
é um ser eternamente insatisfeito e inconformado (até com
as coisas novas que criou). E
acrescenta, “por isso as sociedades, e a nossa também, não
conseguem contentar pessoas
naturalmente descontentes”, os
artistas.
A resposta de Ngoenha nos
remete, indubitavelmente, ao
protótipo “já e ainda não” presente em “A (Im)possibilidade
do Momento Moçambicano:
Notas Estéticas” (2016), um livro em que se dedica a rastrear,
no tempo, o momento em que
podemos considerar representativo para o movimento artístico moçambicano. Embora,
Ngoenha, revestido da modéstia que o caracteriza, considere
que reflectir sobre arte é pisar
um campo desconhecido e talvez movediço, traz nesta obra
uma significativa reflexão sobre
a arte em Moçambique de 1975
até aos nossos dias. E tudo isso
com o intuito de nos fazer pensar no momento moçambicano,
como um eterno processo, uma
construção de gerações e gerações de artistas.
E o mesmo passa-se com o país.
Não será Moçambique uma
utopia cuja construção depende
da contribuição de todos nós?
Mas os artistas, qual deverá ser
a sua contribuição? É a propósito do tempo politicamente e
financeiramente conturbado
que o nosso país atravessa que
emerge esta questão, a do papel
do artista. Pois se repararmos,
nos recorrentes debates sobre
os problemas da nação, promovidos tanto pela televisão, rádio
e mesmo em artigos de jornal,
raras são as vezes em que temos
no leque dos intervenientes o
discurso do artista, ou mesmo,
uma interpretação de como a
arte poderia servir para pensar
o país e os seus dilemas.
Essa exclusão aparente da arte
enquanto um espaço de produção e difusão do pensamento
não será reveladora de uma pobreza de espírito, talvez ainda
pior que a da bolsa, que nos faz
conceber a arte apenas como
um produto de entretenimento,
com a exclusiva tarefa de animar casamentos e campanhas
eleitorais?
Brecht, em pleno auge do nazismo, disse, com a voz mais
alta e mais forte do que o ódio
de Adolfo Hitler, que era inadmissível que o teatro falasse de
“árvore”, enquanto lá fora havia gente a morrer, porque isso
seria calar muitas coisas. Ao
dizer isso, o grande dramaturgo e poeta alemão, nos chama
atenção para uma das grandes
funções da arte, a de pensar e
fazer pensar. De que fala a nossa arte hoje, será que nela está
presente a denúncia da barbárie
que vivemos?
A pergunta não é retórica,
aguarda a resposta do caro leitor e não se cansará de ecoar,
enquanto não for respondida.
É talvez para responder a essa
questão que o poeta Álvaro
Taruma escreve “Matéria Para
Um Grito”, um livro de poesia que acaba de se consagrar
vencedor do prémio BCI de
literatura para o ano 2018. Este
livro, que podemos considerá-
-lo, um dos mais subversivos e
insubmissos já publicados no
país, nos últimos anos, aborda
dentre outros temas, a questão
da corrupção e da opressão social num tom de denúncia, mas
com a beleza que a poesia exige.
São poemas que têm o brilho e
o fascínio de um diamante, mas
fatais como a lâmina de uma
navalha. São poemas que vêm
reafirmar o papel da arte e do
artista no combate em prol de
um mundo mais junto e menos
caótico. E acima de tudo deixar
sempre acesa e fresca a questão
da missão do artista.
Féling Capela
Féling Capela
$UWLVWDVUHÁHFWHPHPWRUQRGRVHXSDSHO
Savana 08-03-2019 25 PUBLICIDADE
Dobra por aqui
SUPLEMENTO HUMORÍSTICO DO SAVANA Nº 13138 DE MARÇO DE 2019
Agora a diferença é que o Perignon Rosé vem
num frapé feito com garrafão de 5 litros....
Savana 08-03-2019 27 OPINIÃO Venâncio Calisto (Texto) Ilec Vilanculo (Fotos) E
nquanto o Presidente da República, Filipe Nyusi, e o recémeleito líder da Renamo, Ossufo Momade, fazem o “Update”
da lista do Grupo Técnico Conjunto para o Desarmamento,
Desmobilização e Reintegração, simplificando (GTCDDR),
fruto do memorando de entendimento de Agosto de 2018, a Procuradoria-geral da República tem o expediente de Tanveer Ahmed,
paquistanês acusado de estar envolvido com o tráfico de drogas,
despachado e pronto para ser enviado, a qualquer momento, para
o Estados Unidos da América, onde a justiça o reclama, caso a sua
defesa não consiga empreender um milagre dentro dos quatro ou
cinco dias que lhe restam.
Enquanto as coisas vão assim e assado no país, os semblantes dos
ministros e deputados da Assembleia da República andam corados,
fechados e sem ânimo, como o céu costuma ser quando nos quer
avisar que vem aí uma tempestade. Mas calma, que não haja desespero, a bonança é o que de certeza nunca falha, por isso, nem tudo
está perdido. Pelo visto o consolo não surtiu efeito. Carlos Agostinho de Rosário, Primeiro-Ministro, com o olhar, talvez preso na
nuvem que não pára de se agigantar e escurecer, ouve atento a teoria
de Atanásio Mtumuke, Ministro da Defesa, que diz, provavelmente,
não percamos fé que tudo vai se encaixar no seu devido lugar. E o
nosso Ministro de Ciência, Tecnologia, Ensino Superior e Técnico
Profissional, Jorge Nhambiu, não duvida, conhece bem a Ciência e
a Tecnologia da chuva, só cai se há precipitação então porque não
adoptar a calma para evitar a tal temida descarga atmosférica?
Mas como parece que no informal desta semana o diálogo se passa em pares, mesmo ao estilo da velha fofoca soprada ao ouvido,
não nos parece que haja quem não ouviu a gargalhada da deputada
da Frelimo, Ana Rita Sithole, bem na cara indignada de Lutero
Simango, Chefe da Bancada do MDM, que de certeza murmura
qualquer coisa. E porque esta atmosfera morna e quase trágica que
tomou conta das faces do nosso executivo pode ser uma epidemia
grave e que pede a pronta intervenção do MISAU, a Ministra da
Saúde, Nazira Abdula, não se fez de rogada e pôs-se logo a ditar o
prognóstico à sua par Vitória Diogo, Ministra do Trabalho, Emprego e Segurança Social, que ouve atenta e quase que desolada.
E, por fim, temos Verónica Macamo, Presidente da Assembleia da
República a dizer em alto e bom-tom ao seu primeiro vice, António
José Amélia, que há dias em que a casa do povo fica carregada de um
ar tão sério que só dá para chorar.
Por só dá para chorar
À HORA DO FECHO
www.savana.co.mz EF .BSÎP EF t "/0 997* t /o
1313 Diz-se... Diz-se
IMAGEM DA SEMANA
A
s coutadas na zona tampão
da Reserva Especial de
Marromeu contam com
novos habitantes nas últimas semanas, depois das leoas trazidas da África do Sul, em Junho
de 2018, terem começado a “exibir”
as suas crias.
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KVOUP BP SJP ;BNNovos felinos em Marromeu
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BQBOIBEP OVNB BSNBEJMIB NFDÉOJDB
QFMP RVF UFWF RVF TFS BCBUJEP
QFMP WFUFSJOÈSJP RVF BDPNQBOIPV B
PQFSBÎÍP EF USBOTMBEBÎÍP EPT GFMJOPT
%FWJEP Ë QFTBEB IFSBOÎB EP QFSÓPEP EB HVFSSB
IÈ VN QFTBEP EFTFRVJMÓCSJP OBT FTQÏDJFT GBVOÓTUJDBT EB
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OPNFBEBNFOUF B RVBTF JOFYJTUÐODJB EF QSFEBEPSFT DBSOÓWPSPT
DPNP P MFÍP
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Em voz baixa
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Uma das novas crias fotografada na C11
Rio Licungo em fúria nesta quarta-feira. Na via Bive-Maganja
da Costa, o trânsito está interrompido. Ponte submersa
Savana 08-03-2019
EVENTOS
1
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EVENTOS
A
Incubadora de Negócios do Standard
Bank, em parceria
com a ideiaLab, formou, em Maputo, através do
programa #ideate Bootcamp,
nas suas quatro edições, um
total de 165 empreendedores
a nível nacional.
Esta informação foi revelada
por Sasha Vieira, responsável
pela incubadora, no decorrer
da quarta edição da formação,
realizada recentemente.
Sasha Vieira acrescentou que
o programa #Ideate Bootcamp está a registar um crescimento em termos de participação de mulheres. Este facto
é comprovado pelo enorme
crescimento verificado desde
Incubadora do SB formou
165 empreendedores
a primeira edição, tendo passado de 29 para 57 por cento.
“Em termos de sucesso, muito recentemente, tive o privilégio de testemunhar o facto
de uma das participantes da
segunda edição da formação,
Marta Uetela, do projecto
Minimal LivingBox, ter-se
sagrado vencedora de um importante concurso de startups,
a nível nacional”, disse a responsável pela incubadora.
Para Sasha Viera, a presente
edição destaca-se por ter havido 138 candidaturas (projectos), o que significa um
acréscimo de 16%, quando
comparado com as inscrições
anteriores.
Por sua vez, Adelina Nhanala, gestora do projecto #Ideate
Bootcamp e colaboradora da
ideiaLab, fazendo uma retrospectiva, disse que só no ano
passado em três edições foram
formados 126 empreendedores, que agora se encontram
mais capacitados para alcançarem os seus sonhos.
Em jeito de balanço da quarta
edição, Adelina Nhanala, disse
que durante o bootcamp surgiram muitas ideias “fora da
caixa”, o que motiva a equipa
da IdeiaLab e do Standard
Bank a seguir em frente com
este projecto. Outro aspecto
de salientar, foi o facto de os
participantes terem negócios
em diferentes áreas e diferentes idades, o que possibilita
uma maior troca de experiências, networking e parcerias.
Flora Pedro, participante do
#ideatebootcam, disse ter tido
conhecimento desta iniciativa
através de um amigo e as expectativas que tinha foram superadas, porque foram alcançados os objectivos de fazer
acontecer as coisas, isto é, sair
com teoria e ferramentas para
aplicar na prática.
“É de louvar a iniciativa do
Standard Bank e da IdeiaLab,
porque eles conseguiram fazer
de nós pessoas diferentes e não
saberíamos expressar o nosso
agradecimento”, frisou a participante.
Alfiado Ngana, também participante, programador de software, disse que, apesar da pequena experiência que trazia,
aprendeu ainda mais com esta
imersão de três dias na incubadora.
Importa realçar que, a próxima edição do programa
#Ideate Bootcamp terá lugar
no mês de Julho, em 2019, e
serão realizadas no total quatro edições. O programa tem
por objectivo apoiar os jovens
aspirantes a empreendedores.
Durante o Bootcamp os participantes utilizam o processo de Lean Startup e Design
Thinking para entender desafios da comunidade e validar
os seus pressupostos, elaboração de um Produto Mínimo
Viável (MVP), desenho do
Modelo de Negócio, respectiva apresentação e interacção
com empreendedores já estabelecidos.
Savana 08-03-2019 EVENTOS
2
PUBLICIDADE
No âmbito da responsabilidade social, o Casino Polana financiou em
parceria com a Fundação Riswana a cerca de 300 pacientes da cidade
de Maputo ao tratamento da catarata, a pacientes com problemas de
visão.
Danilo Mussa, director de Marketig do Casino, procedeu na segunda-
-feira última ao lançamento do projecto no Hospital de Mavalene, em
Casino Polana financia 300 operações
de catarata em Maputo
colaboração com o Ministério da Saúde.
O projecto prevê abranger só para Maputo 300 pacientes. Em 3 anos
conseguiu alcancar a cerca de 1500 pacientes e para 2019 pretende
atingir a 700 pacientes, em três fases.
De salientar que estas cirurgias estão a serem acompanhadas ou assistidas por médicos moçambicanos.
Savana 08-03-2019
EVENTOS
3
Agenda Cultural
Cine-Gilberto Mendes
Sextas, Sábados, Domingos e Feriados 18h30
Apresenta“Mae Coragem”
Maputo Waterfront
Todas Sextas, 19h
Jantar Dancante com Alexandre Mazuze
Todos Sábados, 19h
Música com Zé Barata ou Fernando Luís
Todos Domingos, das 13/18h
Animacao com DJ
Chefs Restaurante
Todas Sextas, 19h
Música ao vivo
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A
Cimentos de Moçambique (CM), a maior
cimenteira do país,
completou recentemente dois anos de laboração sem
acidentes de trabalho, correspondente a 1.752 horas de actividade, nas quatro unidades que
opera no território nacional.
Representantes da CM assinalaram o feito “Zero Acidentes”,
durante um encontro com sindicalistas de cinco países, que
visitaram recentemente a fábrica
da Matola, uma das unidades de
produção da cimenteira.
No encontro que decorreu na
Matola, os sindicalistas dos cinco
países ouviram explicações sobre
os factores por detrás dos avanços que a companhia registou na
prevenção de acidentes laborais
e sobre o processo de fabrico de
cimento.
Na óptica da CM, do Grupo
InterCement, o sucesso na prevenção de acidentes de trabalho
deve-se a um maior envolvimento e comprometimento de
todos, especialmente a liderança
da empresa, foco nas ferramentas de SSMA ART/APT/PTE/
RCD/Direito de recusa/Gestão
Cimentos de Moçambique faz dois anos sem acidentes
de consequências e a presença no
terreno da equipa de Segurança
no Trabalho.
Por outro lado, as acções passaram a ser feitas de forma integrada pelas equipas de Segurança do
Trabalho, gestores e colaboradores, em busca de resultados mais
efectivos e um ambiente de trabalho livre de acidentes.
Edney Vieira, o Diretor Geral da
CM lembra que Segurança exige
atenção constante de todos. “Trabalhar dois anos sem acidente é
digno de nota, mas isso não significa que o trabalho está completo
e realizado”, diz Vieira.
“Entendemos que estamos sujeitos à ocorrência de acidentes. Mas
a InterCement vem trabalhando
exaustivamente para os evitar” sublinha o DG da CM. Mas mais
do que isso, aponta Vieira, a empresa pretende criar uma cultura
de segurança que consciencialize
e envolva a todos os colaboradores, directos e indirectos. “Para
nós, a segurança dos colaboradores é um valor”, remata.
O momento serviu igualmente
para a troca de informações e conhecimento das formas de resolução de conflitos laborais.
Ângelo Chilaule, do secretariado
nacional do Sindicato Nacional
dos Trabalhadores da Indústria
de Construção Civil, Madeiras
e Minas de Moçambique (SINTICIM), afirmou que a visita
permitiu verificar que os desafios
laborais naquele tipo de indústria
são comuns a todas as empresas
no mundo. “As actividades dos
sindicatos não só são praticadas
em Moçambique, são também
exercidas noutros países em moldes semelhantes, nomeadamente
na resolução dos vários problemas
que afectam os trabalhadores”,
frisou Chilaule.
Além dos representantes da SINTICIM, estiveram presentes na
visita sindicalistas congêneres da
África do Sul, Finlândia, Namíbia, Suíça.
A CM é detida pelo grupo brasileiro InterCement, que opera
igualmente uma fábrica em Dondo, província de Sofala, e duas na
província de Nampula.
Savana 08-03-2019 EVENTOS
4
A
Águas da Região de Maputo (AdeM) está a levar
a cabo acções de sensibilização, através do teatro, para o uso racional da água
e promoção de boas práticas com
vista à gestão eficiente do líquido
precioso.
Trata-se de uma medida que visa
mitigar a falta de água, derivada
da escassez da chuva, que afecta,
especificamente, a região sul do
país nos últimos anos, o que tem
levado a AdeM a apelar para uma
melhor gestão no fornecimento e
consumo da água a todos os níveis.
A sensibilização, que consiste
na encenação de uma curta peça
teatral com três personagens, é
promovida nas lojas e balcões de
atendimento da AdeM, nas cidades de Maputo, Matola e no
distrito de Boane, tendo como
Peças de teatro sensibilizam sobre uso racional da água
público-alvo clientes, consumidores e a sociedade no geral.
Através desta iniciativa, conforme explicou Afonso Mahumane,
porta-voz da Águas da Região de
Maputo, espera-se que as pessoas
se consciencializem sobre a necessidade de fazer o uso racional
da água.
Mais do que o uso racional,
acrescentou, “é necessário que se
faça, sempre que possível, o uso
repetido da água disponível. Por
exemplo, a água que resta depois
de lavarmos a roupa pode servir
para limpar o chão ou para pôr no
autoclismo”, sublinhou o porta-
-voz, que apontou, igualmente, a
conservação e reaproveitamento
da água da chuva como uma forma de evitar o desperdício deste
importante recurso.
Para além do teatro, a Águas da
Região de Maputo está a disseminar, através de diversas actividades e meios (panfletos, meios
de comunicação social, entre
outros), informações com vista a
criar de uma nova mentalidade na
utilização e poupança de água.
De realçar que o fornecimento de
água da rede pública está a ser feito em regime de restrições desde
2017, na sequência da seca prolongada que se regista na bacia do
Umbelúzi, que abastece as cidades de Maputo e Matola e ainda
o distrito de Boane.
Esta acção prolongar-se-á por um
período de 30 dias e vai abranger
as 22 lojas de atendimento espalhadas pelos três municípios anteriormente mencionados.
Os políticos sempre a nos fazerem sofrer, prometem e não conseguem cumprir
ResponderEliminarAgradeço à empresa de empréstimos Elegant por me ajudar a garantir um empréstimo de US $ 1.000.000,00 para estabelecer meu supermercado Foodstuff em diferentes lugares. Há quatro anos que procuro ajuda financeira. Mas agora, estou completamente estressado, livre de toda a ajuda do agente de crédito Sr. Russ Harry. Portanto, aconselho qualquer pessoa que busque fundos para melhorar seu negócio a entrar em contato com esta grande empresa para obter ajuda, e ela é real e testada. Você pode contatá-los por meio de - E-mail --Elegantloanfirm@Hotmail.com- ou Whats-app +393511617486.
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