"O que se está a assistir agora é que o Presidente não se demarcou dos tais grupos corruptos existentes dentro do partido. Abraçou-os. Os tem acarinhado. Parece que o essencial é recostar-se no opulento cadeirão de chefe de Estado"
EUREKA por Laurindos Macuácua
Cartas ao Presidente da República (124)
Contrariamente ao que dizem os habituais paladinos, eu acho que o Presidente da República fez pouco. Não é isto que prometeu. Eu ainda guardo comigo o seu discurso de tomada de posse.
Tudo não passou de manobra ilusória de boa governação.
Atenção: não estou aqui a dizer que o Presidente não fez nada. Estou a olhar para a fasquia por si desenhada aquando da sua tomada de posse. O resultado ainda é uma decepção e estamos a poucos meses do final do mandato.
Em resumo: fomos enganados! A paz ainda anda no bolso dos uniformes verdes das forças residuais da Renamo. Fazem dela o que bem entenderem. É propriedade sua. As negociações, apesar de no seu início terem sido encorajadoras, parecem-me estagnadas. Esta semana, a imprensa estatal e todos os lambe-botas de ocasião, aplaudiram a orientação presidencial para que o ministro da Defesa empossasse, nos diferentes cargos do exército, militares oriundos da Renamo.
Todavia, ninguém praticamente se lembrou que os tais nomeados interinamente já faziam parte do exército. O que está a acontecer com a lista dos seus homens que a Renamo prometeu entregar? Por que a Renamo está a titubear? Qual é o receio em entregar a famosa lista?
De certeza que o Presidente sabe porquê. Pois é isto: a questão paz ainda é um dilema. Aliás, como são tantos outros dossiers neste País, com destaque para o das dívidas ocultas que deixaram a economia do País de rastos. Nenhum ladrão foi responsabilizado até aqui. O que mais se depreende é um esforço proteccionista aos indivíduos que lesaram a pátria. Recorda-se, Presidente, que o seu “cavalo de batalha” durante a campanha que o elegeu como chefe de Estado foi o combate à corrupção?
Cartas ao Presidente da República (124)
Contrariamente ao que dizem os habituais paladinos, eu acho que o Presidente da República fez pouco. Não é isto que prometeu. Eu ainda guardo comigo o seu discurso de tomada de posse.
Tudo não passou de manobra ilusória de boa governação.
Atenção: não estou aqui a dizer que o Presidente não fez nada. Estou a olhar para a fasquia por si desenhada aquando da sua tomada de posse. O resultado ainda é uma decepção e estamos a poucos meses do final do mandato.
Em resumo: fomos enganados! A paz ainda anda no bolso dos uniformes verdes das forças residuais da Renamo. Fazem dela o que bem entenderem. É propriedade sua. As negociações, apesar de no seu início terem sido encorajadoras, parecem-me estagnadas. Esta semana, a imprensa estatal e todos os lambe-botas de ocasião, aplaudiram a orientação presidencial para que o ministro da Defesa empossasse, nos diferentes cargos do exército, militares oriundos da Renamo.
Todavia, ninguém praticamente se lembrou que os tais nomeados interinamente já faziam parte do exército. O que está a acontecer com a lista dos seus homens que a Renamo prometeu entregar? Por que a Renamo está a titubear? Qual é o receio em entregar a famosa lista?
De certeza que o Presidente sabe porquê. Pois é isto: a questão paz ainda é um dilema. Aliás, como são tantos outros dossiers neste País, com destaque para o das dívidas ocultas que deixaram a economia do País de rastos. Nenhum ladrão foi responsabilizado até aqui. O que mais se depreende é um esforço proteccionista aos indivíduos que lesaram a pátria. Recorda-se, Presidente, que o seu “cavalo de batalha” durante a campanha que o elegeu como chefe de Estado foi o combate à corrupção?
Lá diz o ditado que de boas intenções até o inferno está cheio. A luta contra a corrupção deve ser incisiva e inequívoca. Deve ser abraçada com paixão e perseverança. É uma aposta que lhe trará inimigos, principalmente dentro da sua “gloriosa” Frelimo. O que se está a assistir agora é que o Presidente não se demarcou dos tais grupos corruptos existentes dentro do partido. Abraçou-os. Os tem acarinhado. Parece que o essencial é recostar-se no opulento cadeirão de chefe de Estado.
O resto empurra-se com a barriga! Não é por acaso que mesmo sem dinheiro para financiar o nosso próprio orçamento para o próximo ano- muito menos as eleições gerais; sem remédios nos hospitais; com os “My Love” ainda a reinar na cidade de Maputo; mais do que metade da população activa desempregada; falta de progressões; sem ninguém que nos empreste dinheiro porque somos caloteiros- a nossa credibilidade foi posta em causa por um grupelho filiado ao partido no poder-; todavia, um grupo de indivíduos de toga que exigem a ampliação das suas mordomias e dos seus parentes.
Isto é caso para dizer que se Moçambique não existisse, havia-urgentemente- que inventá-lo. Este País é único! Como é que alguém, num País como este, pede uma vida condigna? Não me diga, Presidente, que os juízes do Conselho Constitucional têm o seu Moçambique. Não é este do povo injustiçado. Não é este coreografado pelos “My Love”. Não pode ser este onde prometeram Tseke que nunca veio. Jamais poderia ser este do frango presidencial de 50 meticais
Isto é um Estado de Direito? Por que há juízes cuja idoneidade ética, moral e profissional levantam celeuma? Em quem acreditar? Na Polícia só porque tem novo uniforme?
A lista de mordomias que o Conselho Constitucional submeteu ao Parlamento, contendo os desejos dos juízes conselheiros, é insultuosa; é indecente. Como é que há-de se dar a um grupo casa condigna, devidamente mobilada, carro de afectação pessoal (além da viatura protocolar), seguro de vida e de incapacidade, subsídio de férias correspondente ao seu salário base, subsídio de instalação no início do mandato, subsídio de exclusividade e de risco, subsídio de compensação quando resida em casa própria.
Cáspite! Vou voltar a fumar soruma. Não estou a ver bem este Moçambique!
DN – 14.12.2018
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