No poder há 38 anos, Teodoro Obiang Nguema iniciou, ontem, a sua primeira visita de Estado a Moçambique. O presidente da Guiné Equatorial chegou à Presidência da República ao cair da tarde, acompanhado por uma vasta equipa de seguranças, e foi recebido com honras de Estado pelo seu homólogo, Filipe Nyusi. As duas delegações seguiram para a sessão de conversações, provavelmente a primeira em que representantes de dois Estados da CPLP comunicam em línguas diferentes.
A Guiné Equatorial entrou para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) há menos de cinco anos e o português, apesar de ser a terceira língua oficial, não é usual entre os equato-guineenses. Os cerca de um milhão de habitantes do pequeno e descontínuo território da África Ocidental usam mais o espanhol, a primeira língua oficial, antes do francês. Aliás, foi em espanhol que Obiang Nguema agradeceu o papel que Moçambique desempenhou para a entrada da Guiné Equatorial na CPLP, contra a forte contestação de Portugal. Como tributo, Obiang Nguema manifestou “total abertura” do seu governo para apoiar Moçambique na exploração e produção de gás natural. Há décadas que a Guiné Equatorial explora hidrocarbonetos e hoje é um dos maiores produtores de petróleo em África.
O ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Oldemiro Balói, sublinhou a abertura de Malabo para cooperar com Maputo em diferentes fases de exploração de hidrocarbonetos, “desde a contratação, passando pela exploração até à comercialização, incluindo os cuidados que se deve ter na negociação dos preços de venda, de modo a garantir maiores benefícios ao país produtor”.
Porém, as décadas de experiência na exploração de hidrocarbonetos que ecoam dos discursos políticos contrastam com a má fama que a Guiné Equatorial ganhou, sobretudo na imprensa ocidental, quando o assunto é a gestão e distribuição dos ganhos do petróleo. Para já, os dois Estados não abordaram, pelo menos publicamente, nenhuma intenção de troca de experiência na gestão dos lucros dos hidrocarbonetos.
No total, foram três instrumentos jurídicos assinados pelos dois países, nomeadamente, acordo geral de cooperação económica, cultural, científica e técnica; acordo para o estabelecimento da comissão conjunta de cooperação entre os dois Estados; e o memorando de entendimento sobre consultas políticas e diplomáticas.
O programa oficial da visita de Estado do presidente da Guiné Equatorial termina hoje, dia em que Obiang vai escalar o porto de Maputo e o Conselho Municipal da capital.
Nyusi convida Obiang a ter representação diplomática em Moçambique
Antigos estadistas, deputados da Assembleia da República e membros do Governo juntaram-se, na noite de ontem, no banquete que o Chefe de Estado ofereceu ao seu homólogo da Guiné Equatorial. Como dono da casa, Filipe Nyusi fez o primeiro discurso e lembrou que as relações entre os dois países duram já há anos, por isso, é tempo de ter em Moçambique uma embaixada da Guiné Equatorial, como forma de cimentar as relações. Nyusi falou, por outro lado, das riquezas em recursos naturais que os dois países têm e afirmou que devem, por isso, saber cooperar, de modo a tirarem ganhos mútuos. “O capital humano e os recursos naturais que os nossos países possuem são os ingredientes de que precisamos para maximizar esses ganhos”, disse o Chefe de Estado. Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, por sua vez, disse que os países africanos precisam de ser auto-suficientes, para evitar a dependência de outros países. E, segundo o estadista, não faltam recursos para essa auto-suficiência. “O desenvolvimento do continente africano está nas mãos dos próprios africanos”, realçou Obiang.
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