terça-feira, 29 de novembro de 2016

As histórias de quem morreu no avião

Acidentes de Aviação


Thiaguinho soube há uma semana que ia ser pai. Danilo tinha um filho de 2 anos. Caio Júnior já passou por Portugal. As histórias de quem não sobreviveu ao acidente que vitimou 76 pessoas na Bolívia.
Contabilizam-se 76 vítimas mortais no acidente com o avião que transportava a equipa e a comitiva da Chapecoense para Medellín para a final da Copa Sul-Americana. Mas estas vidas são mais do que números: são jovens em início de carreira, jogadores nos primeiros tempos da paternidade e profissionais que desde o início da história do clube o queriam fazer crescer. Conheça as histórias de quem perdeu a vida no acidente desta madrugada, de acordo com a Globo.

As vítimas mortais

Os jogadores

Ananias Elói Castro Monteiro nasceu em São Luís (Maranhão) a 20 de janeiro de 1989. O seu primeiro golo foi marcado num jogo entre o Palmeiras e o Sport Club do Recife. A sua carreira começou no Bahia em 2008, três anos antes de ser emprestado à Associação Portuguesa de Esportes durante dois anos. A sua prestação foi tão apreciada que passou a ser chamado de Ananiesta — numa alusão a André Iniesta, do Barcelona — e convenceu a Portuguesa a comprar metade dos seus direitos ao Bahia. Em 2013, Ananias passou a jogar pelo Cruzeiro Esporte Clube, chegando depois a ser emprestado ao Sport Recife.
Arthur Brasiliano Maia nasceu em Maceió a 13 de outubro de 1992 e jogou pela Chapecoense depois de ter sido emprestado pelo Esporte Clube Vitória. Quando tinha apenas dez anos foi viver em Salvador (Bahia), onde o Vitória queria apostar na sua qualidade técnica. Começou a treinar entre jogadores profissionais em 2009, com menos de 17 anos, e entrou em campo com eles no ano seguinte. Em 2012 foi eleito melhor jogador da Copa do Brasil Sub-20. Deu sempre nas vistas: emprestado ao Joinville, marcou um golo logo na estreia que garantiu a vitória frente ao Criciúma por 4-3. O regresso ao Vitória não o tinha deixado feliz: “Recebi boas propostas e sondagens de vários clubes e o Vitória nunca me liberava. Diziam que eu teria oportunidade aqui. Mas entrar no finalzinho não vejo como oportunidade. […] Já existe um desgaste com a torcida. Falam que eu sou eterna promessa, mas infelizmente não tive chances”. Saiu então para o América de Natal, onde fez um golo semelhante ao “Golo do Século” de Maradona em 1986, o que lhe valeu a alcunha de “Maiadona”. Depois de jogar no Flamengo, que serviu de montra, passou pelo Kawasaki Frontale, uma equipa da primeira divisão japonesa.
Bruno Rangel Domingues nasceu em Campos dos Goytacazes a 11 de dezembro de 1981 e começou por jogar no Paysandu, onde mostrou especial aptidão para os golos. Quando passou a jogar pelo Joinville fez treze golos em 34 jogos, uma boa estatística confirmada no Metropolitano, quando fez dois golos em sete partidas. Após uma breve passagem pelo Qatar, Bruno chegou à Chapecoense e tornou-se no melhor avançado de uma só edição da Série B do Campeonato Brasileiro: fez 31 golos em 34 jogos. Estes números fizeram dele o melhor marcador do clube.
Natural de Matão, Aílton César Junior Alves da Silva — mais conhecido por Canela — é um atacante de 21 anos nascido a 18 de novembro. Ao longo da sua carreira passou pelo Internacional de Bebedouro-SP, Vitória-ES, Monte Azul-SP, Olímpia-SP e pelo Botafogo-SP. No ano passado, Canela foi campeão da Série D com o Botafogo de Ribeirão Preto.
Cléber Santana Loureiro nasceu a 27 de junho de 1981 em Abreu e Lima, Pernambuco. Em 2007, Cléber assinou um contrato com o Atlético de Madrid por 6 milhões de euros. Fez 23 jogos no campeonato, tendo sido um dos jogadores que contribuiu para levar a equipa à Liga dos Campeões, 12 anos depois de ter estado sempre afastado do campeonato. A caminhada de Cléber pelo futebol fez-se de regressos: quando saiu do Atlético, vestiu a camisola do Mallorca para depois voltar ao Atlético e logo a largar pelo São Paulo e Atlético Paranaense, onde disputou o Campeonato Brasileiro e a Copa Sul-Americana. Em 2012 foi reforçar o Avaí, clube a que voltaria pouco depois de uma passagem pelo Flamengo. Assinou pela Chapecoense em 2015, depois de o Criciúma o ter conseguido contratar durante uns anos.
Dener Assunção Braz nasceu em Bagé a 28 de junho de 1991 e era lateral-esquerdo da Chapecoense.
Filipe José Machado nasceu em Gravataí a 13 de março de 1984.
Tiago da Rocha Vieira Alves tinha 22 anos. Soube há apenas uma semana que ia ser pai, quando a mulher lhe enviou um embrulho com um bilhete.
José Gildeixon Clemente de Paiva, mais conhecido por Gil, nasceu em Santo António a 3 de setembro de 1987. Começou no União Recreativa dos Trabalhadores em 2005, ano em que jogou também no Santa Cruz. No ano seguinte passou pelo Mogi Mirim, onde ficou até 2008. Nesse ano vestiu a camisola do Guaratinguetá, mas passou para o Vitória em meados de 2009. As coisas não correram bem e, por isso, entrou na equipa do Santo André em 2010. Um ano depois chegou ao Ponte Preta, onde voltou aos tempos áureos da sua carreira. A seguir passou para o Curitiba, onde a prestação voltou a desagradar. Foi então que chegou à Chapecoense.
Guilherme Gimenez de Souza tinha 21 anos, celebrados a 18 de junho. Nasceu em Ribeirão Preto, São Paulo, e vestia a camisola número 2 desde que se estreou no Olé Brasil, um clube que já não existe. Rosana, mãe do lateral, disse que o filho lhe ligou através do WhatsApp para contar como estava feliz. O jogador prometeu ligar à mãe no sábado, dia em que ela celebra o seu aniversário.
Everton Kempes dos Santos Gonçalves m0rreu a 3 de agosto de 1985 em Carpina. Também ele jogou na Associação Portuguesa de Esportes, que o emprestava constantemente a outros clubes. Passou pelo Vitória, mas logo regressou à Portuguesa na sequência de um empréstimo em 2010 vindo do Novo Hamburgo. Em 2010 jogou pelo Ceará e um ano depois chegou ao América Mineiro. Passou pelo Japão em 2012, a serviço do Cerezo Osaka, e regressou à Portuguesa em 2013, mas as coisas não correram bem. Foi então para o JEF United Ichihara Chiba, clube da segunda divisão do Japão e mais tarde para a Chapecoense.
Lucas da Silva Lucas celebrou o seu 26.º aniversário a 25 de novembro. Em 2003, assinou um contrato de 3 anos com o Paulista FC, mas em 2005 vestiu a camisola do Juventude. Entre 2006 e 2009 passou pelo Remo, pelo Sertãozinho, pelo Gama e pelo Paulista FC. Ao fim de um ano entrou na Chapecoense.
Matheus Bitencourt da Silva nasceu em Porto Alegre a 28 de junho de 1995. Foi descoberto com o seu irmão mais novo, Guilherme Biteco. Tinha sete anos quando o olheiro se dirigiu ao pai deles a pedir autorização para fazer um teste num clube infantil. Como os pais dos rapazes não tinham muito dinheiro, o treino das crianças era mantido pelo ex-jogador do Grémio e irmão de Ronaldinho Gaúcho, Assis, assim como por pessoas da terra. O Grémio foi depois a sua catapulta para chegar à Chapecoense. Jogou no Torneio Internacional de Toulon de 2014 como campeão da seleção brasileira de futebol.
Sérgio Manoel Barbosa Santo nasceu em Xique-Xique a 8 de setembro de 1989 e foi contratado em 2012 pelo Curitiba. Daí seguiu para o Atlético, para o Paysandu e para o Água Santa. Só chegou à Chapecoense este ano.

As outras vítimas na delegação do clube

Caio Júnior nasceu em Cascavel a 8 de março de 1965 e era considerado um treinador em ascensão que já tinha no currículo clubes brasileiros como o Paraná Clube, Palmeiras, Bahia, Goiás, Flamengo, Botafogo, Grémio, Vitória e Criciúma; mas também clubes estrangeiros como o Vissel Kobe, do Japão, Al-Gharafa, do Qatar, e Al Jazira, dos Emirados Árabes. Era conhecido em Portugal: enquanto jogador de futebol, passou pelo Vitória de Guimarães, o Estrela da Amadora e o Belenenses.
Mauro Stumpf era o vice-presidente de futebol da Chapecoense. Mauro Bello era membro da diretoria do clube, assim como Edir De Marco e Ricardo Porto. Daví Barela Dávi era um empresário que viajava como convidado da direção do clube. Delfim Pádua Peixoto Filho era presidente da Federação Catarinense de Futebol. Anderson Martins era o treinador especial dos guarda-redes. Eduardo de Castro Filho era auxiliar técnico. Marcio Koury era o médico da equipa. Anderson Paixão tinha 37 anos e era o preparador fisico dos jogadores — integrou a comissão técnica do Brasil que conquistou o Mundial de 2002. Luiz Grohs era o analista de desempenho da equipa e Rafael Gobbato era o fisioterapeuta.

A imprensa

Guilherme Marques era produtor da Globo. Ari de Araújo Jr. e Guilherme Laars eram ambos repórteres cinematográficos da Globo. Giovane Klein Victória e Bruno Mauri da Silva eram técnicos da RBS, uma filiada da TV Globo, de Florianópolis. Desse canal veio também Djalma Araújo Neto. André Podiacki era repórter do jornal “Diário Catarinense”. No avião seguia também o repórter do Globo Esporte Laion Espíndola e o repórter dos canais Fox Sports, Victorino Chermont, que ia acompanhado por um repórter cinematográfico, Rodrigo Santana Gonçalves, por um narrador, Devair Paschoalon, pelo coordenador de emissões externas, Lilacio Pereira Jr., por um jornalista, Mário Sérgio, e pelo comentador e ex-jogador de futebol Paulo Clement. A bordo estava também Renan Agnolin, repórter da rádio Oeste Capital, de Chapecó, Gelson Galiotto e Ivan Agnoletto, da rádio Super Condá, e Douglas Dorneles, repórter esportivo da Rádio Chapecó.

Tripulação

Miguel Quiroga era o piloto da aeronave e o proprietário do avião. Romel Vacaflores era assistente de voo.

Outras vítimas mortais

William Thiego de Jesus, Tiago da Rocha, Josimar, Marcelo Augusto, Mateus Lucena dos Santos, Luiz Cunha, Sérgio de Jesus, Anderson Donizette, Andriano Bitencourt, Cleberson Fernando da Silva, Emersson Domenico, Eduardo Preuss, Sandro Pallaoro, Nilson Jr., Decio Filho, Jandir Bordignon, Gilberto Thomaz, Fernando Schardong, Edson Ebeliny, Jacir Biavatti, Ovar Goytia, Sisy Arias, Alex Quispe, Gustavo Encina, Angel Lugo.

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