O PSD e os seus aliados acusaram António Costa e a esquerda de estarem dispostos a tudo para chegar ao poder. Tinham certamente razão, mas entretanto perderam-na. Aquilo que o PSD e os seus aliados têm estado a fazer nos últimos dias mostra que eles próprios estão dispostos a tudo, sem sentido da proporção ou do interesse nacional, para se manterem no poder.
Como se pode levar a sério o ainda primeiro-ministro e outros agentes da direita quando acusam os seus adversários - que procuram explorar, ainda que de forma contestável, os recursos da democracia representativa - de actos tão graves como “golpe de estado”, “usurpação” ou “fraude eleitoral”? O discurso da direita está cada vez mais próximo daquilo que foi noutros tempos o discurso da extrema-esquerda, tanto na virulência como nos tiques anti-parlamentaristas.
Tem sido notado e com razão que a inflexão política do PS o afastou da sua matriz tradicional e que o partido hoje existente é já uma coisa distinta do PS de Mário Soares, ou até de António José Seguro. Mas muitos dos mesmos que se apressaram a notar isso parecem ter dificuldade em reconhecer que o PSD actual também não é já o partido de Sá-Carneiro, nem o de Cavaco Silva, nem o dos outros líderes anteriores ao actual.
O PSD é hoje um partido populista e radical de direita. Tem um discurso anti-parlamentar e demagógico. Faz apelo directo, não mediatizado pela representação política, ao povo, como se tivesse a apoiá-lo alguma maioria popular invisível. Procura, através do seu Governo de gestão, exercer poderes que é duvidoso que a Constituição lhe confira. Tenta a todo o custo salvaguardar os negócios dos amigos. Não hesita em fomentar alarmismos a nível nacional e internacional, apenas por tacticismo política.
A crise do PSD é, portanto, profunda. É uma crise de identidade.
Mas mais estranho do que tudo isto é o facto da nova postura deste partido ser contrária aos seus próprios interesses. Face à radicalização do PS à esquerda, o PSD teria toda a vantagem em recentrar-se. Isso garantir-lhe-ia com certeza, juntamente com os seus aliados, uma maioria absoluta muito em breve. Então por que razão entrou o PSD numa deriva radical?
Creio que isso aconteceu, contra toda a racionalidade política, por puro farisaísmo ideológico. Aliás, esse farisaísmo não vem directamente de Passos Coelho, mas do grupo que o rodeia e é responsável pelos seus discursos. Se o militante médio do PSD soubesse como pensam e falam em privado essas pessoas ficaria seriamente preocupado. No fundo, esse grupo sempre esteve em torno de Passos Coelho desde o início da anterior legislatura. Mas conseguiu disfarçar a sua incivilidade e ódio à democracia. Agora, com o poder a fugir-lhe das mãos, revela a sua essência.
Deixe lá que a CRISE NO PS é muitíssimo maior.
Lamentável! O proverbial "meter Lisboa pelos olhos dentro"! É o PS que está completamente desorientado e sem rumo, a viver um tempo "emprestado". Quanto ao que (alguns) políticos dizem em privado (de TODOS os quadrantes) já não há grande ingenuidade e portanto grandes surpresas a esse respeito, ou o senhor comentador terá a ideia de que o PS (especialmente o actual) é um oásis de virtude?
Que é mesmo este senhor Rosas, que sabe tanto do que as pessoas do PSD dizem em privado? Será ele um infiltrado? Loooooooooooooool
Temos todos direito à nossa opinião e a divulgá-la de viva voz. Mas essas divulgações têm mesmo que ser feitas nos media?
Eu pensava que para se escrever num jornal era necessário ser jornalista, ou, então, cronista, mas, nesse caso, tem que se ter alguma coisa de jeito para dizer, não é?
Que imbecil....
(e que fique claro que não sou, nem nunca fui sequer votante do PSD)
Este tipo quer fazer dos outros parvos,então o p.s.está dividido com A.Costa de um lado e Assis e outros do outro,mas vem dizer que o p.s.d é que está em crise,ele há cada "murcão"

Estou em parte de acordo com João Rosas. É compreensível a indignação do PSD e do seu líder com o golpe baixo de Costa e dos seus acólitos. Mas nada justifica atrasar o desfecho inevitável da nomeação do novo governo. A sua legalidade constitucional é inegável e tudo o que há a fazer é minimizar as perdas para o país com uma oposição lúcida e vigorosa mas não destrutiva. E a tarefa não vai ser fácil. Denunciar o programa socialista que consiste fundamentalmente em reverter todas as reformas estruturais, incluindo as reformas no mercado do produto e do mercado do trabalho, bem com as reversões das privatizações e o aumento do salário mínimo sem ter em conta a produtividade, a eliminação das avaliações de professores e alunos na educação, para além da reposição acelerada de salários e pensões, etc. etc., vão sem dúvida ter consequências nefastas no caminho rigoroso de consolidação das contas públicas e de recuperação económica consistente que começa a dar os seus frutos. A convergência com os países mais avançados da Europa do euro vai ficar mais uma vez adiada. Mas não vai ser por muito tempo. O oportunismo movido por ambições pessoais raramente produz resultados duradoiros.
Excelente artigo de opinião do João Rosas.
Haja alguém que já os tenha topado nos mass media porque a maioria do povo já não se deixa enganar.
NO PSD NAO HA CRISE .....CRISE HA NO PAIS,PORQUE A FOME DO PODER DE ANTONIO COSTA PASSA TODOS OS LIMITES.....NAO GANHOU ELEIÇOES...PERDEU....QUEM TEVE MAIS VOTOS FOI A COLIGAÇAO...GANHOU ....AGORA O GOLPE...A FRALDE....FALTA DE ETICA....SERIADADE...O COSTA NUNCA A TEVE....TRAIU O CAMARADA A SEGURO...TRAIU OS VOTANTES DO PS......PORQUE EU VOTEI NO COSTA PARA GANHAR ELEIÇOES......NAO PARA SE COLIGAR COM QUEM ESTA CONTRA O MEU PAIS....COSTA PERDEU ...O SEU LUGAR ERA OPOSIÇAO
As grandes verdades custam a engolir
Podem estar a defender-se dos seus direitos; como o PS anda a fazer pela vida, não olhando a meios nem ponderando as consequências das atitudes, numa fuga desesperada para a frente. O ridículo é haver pessoas a escreverem teorias com pressupostos errados e, obviamente, conclusões disparatadas. Pensar que toda a gente é desprovida de pensamento é atitude de chico-esperto - alguém pouco inteligente, talvez por isso, pensa consegue enganar toda a gente. No fim sai enganado, como não podia deixar de ser.
Fogo combate se com fogo....o despudor do PS tem de ser combatido com armas semelhantes ! No final, o povo decidirá em consciência nas novas eleições...para que sem truques, manobras de bastidores e joguinhos sujos , se faça justiça e tudo seja transparente. Isto é da máxima seriedade constitucional. Façam lá então as coligações de esquerda de que tanto se orgulham, radical ou não, com posições conjuntas ou não, entre o PS, PEV, PCP e BE para que o povo possa DECIDIR ! com tranquilidade e sem medos.
Caros comentadores, 99% dos sr. que deputam, sim que deputam, "os deputados". Pensam que ali estão para quê? - Tanto para a esquerda como para a direita, acham que vão chegar a algum porto que não lhes dê jeito? Temos de perder menos tempo a ouvi-los, estadista como "Ramalho Enes", homem sério, está para nascer... Meu pai sempre me ensinou, homem que está sempre com a queijeira aberta e os dentes à vista, não serve para este tipo de serviço.
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