(EN1), a cerca de 80 quilómetros da sede do posto administrativo de Muxungue, distrito de Chibabava, província de Sofala.
Na altura, foram incendiadas duas viaturas, sendo um camião e um veículo ligeiro, para além de outras danificadas.
Uma das vítimas mortais, um motorista, ficou carbonizada num camião cisterna, depois de ter sido ateado fogo pelos bandidos, enquanto a outra, um ajudante da mesma viatura, encontrou a morte, depois de ter sido baleado e queimado.
Em relação aos quatro feridos, dois eram ocupantes duma viatura de carga pertencente à empresa TCO e os restantes eram ocupantes da camioneta incendiada.
Dois dos feridos encontram-se em estado grave e foram transferidos para o Hospital Central da Beira (HCB). Uma continua internada no Hospital Rural de Muxungue e outro recebeu tratamento ambulatório e regressou para casa.
Uma das vítimas de baleamento, Mónica Samuel Malate, em contacto com a nossa Reportagem, no Hospital Rural de Muxungue, contou que seguia viagem num camião que vinha atrás dum machimbombo. Chegados ao local do ataque, os homens armados abriram fogo contra o autocarro de passageiros, tendo danificado a parte das janelas do veículo. Depois, foi a vez da viatura onde ela se encontrava. O motorista saltou e pôs-se em fuga. 
"Quando o motorista saltou, fiquei sozinha. O carro despistou e foi chocar-se contra uma árvore, onde ficou imobilizado. Sai a correr e eles a dispararem. Fui atingida na testa. Cai numa mata e escondi-me. Momentos depois, levantei-me e comecei novamente a correr. Nessa altura, vinha outro terceiro carro, ao invés de continuarem a perseguir-me, voltaram as atenções para a viatura que vinha. Eu continuei a andar pela mata até que ouvi o ruído dum outro carro que ia em direcção ao rio Save, sai até à estrada e abri a minha capulana que já estava ensanguentada. Pararam para me socorrer. Eu disse-lhes que havia bandidos lá em frente. Foi quando o motorista virou o carro e levou-me ao hospital", disse Mónica Malate.
Informações em poder do nosso jornal indicam que os ataques aconteceram de forma sequenciada. O primeiro ocorreu por volta das cinco horas da manhã e o último aconteceu às 8 horas. A partir daquele momento, a circulação rodoviária de Muxungué para Save e vice-versa ficou condicionada. Só é possível durante o dia e acompanhada por escolta policial altamente equipada com viaturas e outro material de guerra. Esta medida visa garantir a segurança rodoviária e tem estado a provocar congestionamento nos dois lados extremos do troço, em Muxungué, e no rio Save.
Na manhã de ontem, cerca de 300 viaturas estavam estacionadas na sede do posto administrativo de Muxungué à espera da primeira escolta até ao rio Save. O mesmo acontecia do rio Save para Muxungué.
Entretanto, por volta das três horas de madrugada de sábado, a Policia da Republica de Moçambique (PRM), deteve um suposto espião da Renamo, enviado para reconhecer o Comando da Policia do posto administrativo de Muxungué. Informações em nosso poder indicam que o indivíduo foi capturado no recinto daquela unidade polícial, quando pretendia colher informações sobre o esquema do funcionamento do comando. A Policia está a trabalhar no sentido de apurar a veracidade dos factos e continuam investigações sobre a proveniência do cidadão.
Doentes abandonam hospital
"Muitos estão a sair. Não informam que vão para casa. Saem um de cada vez. Quando passamos, na hora de medicação, notámos estas ausências. Quando perguntamos aos outros, dizem-nos que fugiram guerra. Lamentamos, porque eles vão sem medicamentos. Ao menos que nos informassem para entregarmos algumas doses para tomarem em casa”, disse o enfermeiro.
Para além do hospital, situação similar regista-se nas escolas. Parte dos alunos já não vão à escola. Uns por conselhos dos próprios pais e encarregados de educação, outros porque simplesmente estão com medo de serem surpreendidos pelos homens armados na sala de aula. Apesar da aparente tranquilidade que se observa em Muxungué e a vontade dos professores continuarem firmes na sua tarefa de educar, as escolas estão vazias, facto que pode contribuir para o fraco aproveitamento pelágico no presente ano lectivo.
Muxungué em estranho silêncio
Muxungué ganhou outrora a fama de ser uma das zonas mais movimentadas. Primeiro, por ser habitada por cidadãos que constantemente emigram para a vizinha República da África de Sul, e segundo, por ser um local de comércio abundante. Os maiores produtores de ananás de primeira qualidade, ali se encontram. A bem pouco tempo, ali era paragem obrigatória para quem passasse pela EN1. O movimento estendia-se até ao período nocturno. Hoje virou um local pouco aprazível. A vida transformou-o num autêntico "inferno". Durante o dia, tudo parece normal, mas a partir das 19 horas, quando cai a noite, cai ali também um silêncio assustador. Cada um tenta estar ao lado da sua família, não vá o diabo tecê-las. Pelas ruas, apenas se vê o movimento de polícias e soldados a patrulhar a área.
Zacarias Joaquim, residente em Muxungué, disse ao nosso jornal que quando anoitece, as pessoas não podem fazer nada, senão ficar em casa atentos ao eventuais ataques dos bandidos. Mesmo o transporte de pessoas e bens de e para Muxungué já não acontece frequentemente. Isto, segundo ele retarda, o desenvolvimento da região.
"Estávamos habituados a viajar a qualquer momento. Hoje tudo mudou. Para se chegar a esta zona, temos de depender da presença militar. Isso não ajuda, porque havemos de regredir, depois de muito tempo de desenvolvimento. O Governo juntamente com a Renamo deve resolver definitivamente o problema. Não podemos deixar que isso continue a acontecer. As nossas crianças querem ir à escola, as pessoas querem trabalhar, mas com esses problemas não e possível", disse Zacarias Joaquim
Outra cidadã, Maria Francisca, comerciante e moradora em Muxungué referiu não ver a razão de o país voltar à guerra, numa altura em que estamos em paz há sensivelmente 21 anos. Na sua opinião, o diálogo é fundamental para ultrapassar o conflito.
"A guerra não ajuda, pelo contrário destrói tudo o que foi construído com muito sacrifício. Estamos a desenvolver, ao invés de pensarmos em guerra, a Renamo deve encontrar outra maneira de acabar com as diferenças. Nós estamos a fazer negócios. Veja que hoje não podemos ir para nenhuma parte à vontade. Durante a noite, as pessoas não podem conviver. É um cenário difícil, pior para os osso filhos que agora estão impossibilitados de frequentarem a escola", disse Maria Francisca.
Estou muito agastado
Domingos Boaventura
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