segunda-feira, 27 de maio de 2013

Há parlamentares que envergonham Moçambique

Canal de Opinião
Por: Noé Nhantumbo
 
… E são demasiado dispendiosos…
Beira (Canalmoz) - O OE, Orçamento do Estado, tem limitações de natureza financeira. Os recursos são escassos e algumas vozes clamam por uma austeridade inteligente. É preciso apertar o cinto quanto ao que se gasta. Não se pode continuar a planificar despesas com o supérfluo.
E um dos depósitos do supérfluo é o parlamento moçambicano.
Parlamentar não é avançar discursos elogiosos repetitivos. O povo moçambicano está farto de ouvir de carismáticos, brilhantes semi-deuses líderes.
Não é “lambendo” o chefe que se desenvolve o país.
Maquilhagens e capulanas embrulhando deputadas não dignificam a questão do género se de suas cabeças não saírem ideias que postas em prática desenvolvam o país.
As manobras de substituição de candidaturas viciadas por outras também igualmente viciadas foi arquitectada algures e viabilizada por um parlamento vergonhoso.
É uma vergonha ver centenas de pessoas alinhando por vias incontestavelmente lesivas aos mais altos interesses dos moçambicanos.
Há que reagir vigorosamente a este estado de coisas. Quem diz que não há dinheiro para pagar melhores salários aos médicos grevistas não pode inventar fundos para remunerar deputados improdutivos. É tão simples como isso.
Alimentar gente que não produz e ainda por cima outorgar regalias e mordomias dispendiosas não é sustentável.
Bater palmas, elogiar, disparatar, não pode continuar a ser financiando pelo OGE.
Todo o espectáculo que se assiste, a crise viva em que o país está mergulhado resulta de termos um parlamento irrelevante.
A falta de confiança que muitos moçambicanos sentem em relação ao parlamento leva a que assuntos de importância crucial para o país sejam discutidos fora dele.
Sustentar uma pesada máquina que não produz leis relevantes por iniciativa própria é como que cavar a sepultura das finanças públicas.
No essencial, quando se fala do Parlamento fica a impressão de que este não passa de uma forma de acomodação encontrada para a maioria de seus integrantes.
Uma combinação de interesses entre o executivo e a liderança de seu partido de suporte tornaram o parlamento num campo minado para a democracia nacional.
Delibera-se em consciência no sentido de travar as pretensões legítimas dos moçambicanos.
Os moçambicanos não querem igualdade absoluta nem algo que se pareça.
Trabalho justamente remunerado, emprego para os filhos, saúde pública de qualidade, segurança é que pedem. Não querem esmolas nem promessas de distribuição da riqueza nacional daqui a duas décadas.
Não querem esperar por um futuro cada vez mais incerto ao mesmo tempo que observam sinais inequívocos de que a elite nacional abocanha tudo o que é oportunidade para enriquecer. Não podemos ser todos filhos da nomenclatura.
Quando se diz que negoceiam com a Renamo, atendendo as reclamações e contestações apresentadas, no lugar de vermos uma postura conducente a resolução dos problemas é apresentado um quadro completamente diferente. Não é transparência e justiça que se pode ver no presente figurino da CNE. Foi no parlamento que e decidiu aceitar candidaturas viciadas da sociedade civil como forma de defender os interesses e agenda eleitoral de um partido que não se sente seguro quando o jogo acontece com regras iguais para todos.
“Armadilhar” a CNE e as CPE tem em vista perpetuar a dominação política exercida pelo partido no poder. Inserir ou instalar elementos servis e completamente controlados, tanto no STAE como na CNE, é vital para a estratégia dos que temem a alternância democrática no poder.
Não haja ilusões pois esta é a verdade nua e crua. Aqueles que foram levados a aprovar uma CNE, ao gosto do partido Frelimo, estão conscientes de que sem isso sua posição de deputados estaria em risco e as mordomias e reformas chorudas desapareciam. Não votar na linha definida “superiormente” é um sacrilégio indesculpável severamente punido.
Encetar “negociações” com este pano de fundo é desgastar uma parte em benefício político da outra e nesse sentido a ditadura do voto parlamentar carimba as pretensões dos adversários da democracia.
O parlamento não produz nem satisfaz as necessidades dos moçambicanos e sendo assim há que interromper este ciclo danoso.
A saída é votar punindo quem não serve os cidadãos votantes. Exige-se clareza na hora do voto para colocar gente comprometida com a causa dos cidadãos.
As candidaturas avançadas pelos partidos políticos acabam por alavancar medíocres que souberam manipular as estruturas de base de seus partidos.
Os jogos de cintura, o brilhantismo falso, o protagonismo verbal substituem a qualidade, a integridade, o desempenho real num organismo de extrema importância para a vida de milhões de pessoas.
Avançar neste Moçambique tem d ser visto como uma questão que é possível mas só concretizável na medida em que houver crescimento do entendimento político dos cidadãos. Com analfabetos políticos não se desenvolve um país. Com deputados sofríveis cuja agenda raramente ultrapassa a satisfação de suas necessidades e ambições materiais tudo será mais difícil.
Na há tempo ara hesitações. Requer-se a punição exemplar da mediocridade e do servilismo.
Ninguém se pode alhear dos desafios políticos de hoje. É responsabilidade de todos contribuirmos para que as eleições programadas sejam livres, justas e transparentes.
Não se pode perder a oportunidade histórica de contribuir para o desenvolvimento deste nosso Moçambique… (Noé Nhantubo)
 

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