Estou a acompanhar a evolução dos acontecimentos em Moçambique. Há sensivelmente três meses escrevi uma série de textos para o Jornal Notícias. Reproduzo aqui e agora um desses textos por o considerar pertinente. Toda a decisão a favor da violência é lastimável, sobretudo num contexto em que não está claro se quem devia ter controlo sobre a situação, neste momento o Presidente, de facto tem esse controlo. Os próximos dias o dirão. O que é, contudo, claro para mim é que muita ingenuidade da parte de muitos andou a dar corda à Renamo para fazer o que nunca devia ter feito, nomeadamente questionar o Estado moçambicano da forma como o fez. Quem é sensato vai reconhecer isso, mesmo se achar legítimas as reivindicações feitas por esse partido.
Os hábitos da nossa mente
(5) Queremos a paz
Quem é que não quer a paz? Eu quero a paz, o leitor também, mesmo aquele pessoal que anda aí emboscado nas matas deste País. Todos queremos a paz. Malta Dhlakhama e Guebuza quer a paz. Já nos tempos da guerra dos 16 anos a Frelimo também queria a paz, os chamados “bandidos armados” também a queriam, mesmo os brancos sul africanos queriam-na. Todo o mundo quer a paz, não há nenhuma novidade nesse desiderato. Nenhuma mesmo. Só que no nosso País gritar isto pode parecer um posicionamento que revela princípios, integridade, moral e coragem. Sim, isso mesmo, quando digo que quero a paz estou a dizer que sou uma pessoa cheia de princípios. Estou a dizer que sou diferente dos restantes que preferem a guerra à paz. Mas como esses outros que eu penso que preferem a guerra à paz também são pela paz – e na sua perspectiva eu é que seria pela guerra – tudo fica confuso. Logo, não basta dizer que queremos paz para acharmos que contribuímos de forma útil ao debate de ideias. Temos também que dizer que tipo de paz, sob que condições e o que estamos preparados a sacrificar para a termos. Mas aí as coisas ficam complicadas, e bem.
O braço de ferro entre o governo e a Renamo há muito que deixou de ser sobre a paz ou guerra. Esse braço de ferro é sobre que tipo de comunidade política queremos ser. Queremos ser reféns do conluio de duas formações políticas à deriva, ou queremos ser membros duma comunidade política que respeita o Estado de direito, os orgãos de soberania e, acima de tudo, as regras do jogo democrático? Esta é que é a questão. Quem diz que quer a paz tem que a definir em referência a esta questão. Se não o faz, podia poupar a esfera pública com declarações inúteis. Já li textos com apelos de analistas políticos, religiosos (estes são curiosos porque nem se entendem ao nível do Deus que veneram, mas volta e meia são convocados como grandes mediadores) e militantes da sociedade civil a declararem solenemente que o povo (eles, na verdade, pois o povo não lhes deu nenhum mandato para falarem em seu nome) quer a paz e que, por conseguinte, o governo, acima de tudo, o Presidente, deve falar com a Renamo. Mais: se o líder da Renamo não quer sair da sua touca o Chefe de Estado deve se acocorar e, em nome da paz que o “povo” tanto quer, lá entrar para dialogar.
Há muito que se possa dizer em relação aos méritos das questões que estão a ser discutidas pelo Governo e pela Renamo. Pessoalmente, por exemplo, acho muito estranho que o Governo nunca tenha tentado transformar este assunto num assunto de todos nós através da inclusão de outras formações políticas na discussão ou da criação de comissões independentes para fazerem a revisão de aspectos do funcionamento da máquina política como forma de preservar o Estado de Direito. Ele lá saberá porque procede desta maneira. Igualmente, acho estranho que um partido que procura a sua identidade na ideia de que lutou pela democracia não veja nenhum problema em deixar que os seus militantes ataquem e matem agentes da lei e da ordem dum Estado que, para todos os efeitos, é o seu Estado, cuja sobrevivência vai necessitar muito duma postura cívica que promova o respeito pelos orgãos de soberania. Mas, de novo, esse partido também saberá porque procede dessa forma.
Portanto, há muito que se diga sobre este assunto. Mas não me parece essencial, sobretudo do ponto de vista da discussão na esfera pública. Imaginemos um caso extremo. Suponhamos, por exemplo, que o Governo e a Renamo cheguem a um acordo de partilha do poder, limitação do número de partidos que concorrem para as eleições a dois apenas (como nos EUA), afectação de verba do orçamento do estado aos dois partidos, distribuição de postos de PCA das empresas públicas numa base equitativa apenas aos militantes destes dois partidos, etc. Suponhamos ainda que este acordo seja selado com base no argumento segundo o qual essa seria a única maneira de preservar a paz no País. E aí?
Querer a paz não é suficiente como contribuição para o debate público. É preciso muito mais. Nenhum de nós é observador neutro do que se passa. Há gente que comenta como se fosse neutra. Não é. E para não deixar ninguém na dúvida quanto ao meu posicionamento: sou profundamente contra a chantagem da Renamo. Pode haver mérito nalgumas das suas reinvidicações, mas ao colocar o País inteiro refém da sua própria inépcia política revelou a sua verdadeira natureza. De democracia entende pouco. E mais: só quem tem posicionamento claro em relação a isto é que tem autoridade moral para criticar os excessos da Frelimo.
Amosse Macamo, Chacate Thinker, Egidio Canuma e 60 outras pessoas gostam disto.
Comments
Cristiana Cuamba 2 dias pra ler isto
Tesoura Júlio Tuboy 2 dias mesmo
Viriato Tamele Elísio! eu gosto de ler mas sou da opinião que textos grandes forçam o facebook, então o que achas fazer um resumo da principal ideia do teu texto, numa frase apenas e postar com um link para o texto principal?
Adérito Mazive São 933 palavras apenas.
Rudolfo Cossa Muitas voltas á cabeça ,enqanto o povo está a morrer devido a incompetencia desses homens.
Chacate Joaquim "O povo (...) quer a paz e que, por conseguinte, o governo, acima de tudo, o Presidente, deve falar com a Renamo. Mais: se o líder da Renamo não quer sair da sua touca o Chefe de Estado deve se acocorar e, em nome da paz que o “povo” tanto quer, lá entrar para dialogar.
Ivan Amade Caros, já questionei ao Dr Elisio de textos relativamente longos neste plataforma, e fui mal compreendido por alguns. Insisto, dr, textos longos aqui não "animam" o debate! smile emoticon
Jorge Matine Elisio Macamo, concordamos que "querer a paz" não será suficiente como contribuição para debate politico. Mas o querer manifesta a vontade e principio para um debate publico mais inclusivo. Eu sou neutro, a razão da minha neutralidade esta na falta de conhecimento suficiente sobre o objecto em discussão.
Da Camara Rafael Achas que nao devia ser questionado? Qualquer estado é questionado e deve ser questionado, aina mais o nosso...
Chacate Joaquim Heheheheheh... Elisio Macamo, lembra-me da razão do Samora Machel para não retornar a Lusaka. No entanto, "o povo dos religiosos" foi morrendo em quantidades incalculáveis até o ex-PR Joaquim Chissano ficar a sós com Dlakama numa das salas em Roma, claro porque Santugira não tem pista para pássaros gigantes! Eu sou de opinão que tudo depende dos fins. avida do povo devia ser o compromisso dos políticos incluindo o PR Armando Guebuza so assim se pode prever as consequências de uma intervênção militar e se ser mais prudente...
Chacate Joaquim Da Camara Rafael, o problema não é questionar o ponto é o quê? e Como?
Elisio Macamo caro Jorge Matine, obrigado por interpelares directamente o conteúdo do texto. acho legítima a defesa que fazes da tua neutralidade. por acaso também não conheço tudo quanto se podia saber sobre este assunto. mas sou pelo respeito pelos orgãos do estado e pela ordem constitucional. é por aí que posso questionar o governo que, apesar de tudo, é um governo eleito num sistema democrático. não vejo nas condições actuais de moçambique nenhuma razão para um grupo fazer uso da ameaça militar para lograr os seus intentos políticos. por essa razão, todos os apelos à paz que não se posicionem a este respeito me parecem vazios de sentido.
Almeida Oliveira Gostei do texto. Muito curto (1,3 mnts). Quem o acha longo, não sei quantas páginas lê por dia. Se fosse cerveja ninguem reclamaria.
Da Camara Rafael Qual é a formula, se é que existe de se questionar um governo. É que ninguém questiona, desde Pemba que ninguém te coragem de questionar. Como devia, please, ilucida me...
Almeida Oliveira Eu entendo que o texto está resumido, porquanto foi escrito para publicação em jornal.
Elisio Macamo caro Da Camara Rafael, acho esta última observação mais útil para a discussão do meu texto. há várias fórmulas e todas elas estão a ser ensaiadas. há moçambicanos que estão organizados em partidos e por via disso questionam o governo; há moçambicanos em organizações cívicas e que por via disso questionam o governo; há moçambicanos em associações profissionais; há moçambicanos que reflectem criticamente sobre a acção do governo. etc., etc. o que não me parece suficiente é só dizer "queremos a paz, queremos a paz" sem dizer que tipo de paz a gente quer. no meu texto perguntei se uma paz que implicasse uma partilha do poder entre a renamo e a frelimo e que excluísse todos os outros seria solução? já agora, uma paz que implicasse o poder absoluto da frelimo seria a solução? não vai responder a estas questões repetindo "o povo quer a paz". vai ter que reflectir um pouco mais. penso, neste momento, que o mais importante é que as pessoas do bem interpelem o governo ao nível do respeito da constituição. por exemplo, tem que ficar claro que seria um erro grave - e violação da constituição - assassinar o líder da oposição. o governo tem que saber que a constituição estabelece limites para a defesa da integridade do país. mas só andar a dizer "queremos paz..." não é suficiente.
Julio Machava A RENAMO usa a chantagem, mas FRELIMO abusa da força, do poder e da natural simpatia ou até dívida que o povo tem para com ela. A FRELIMO instrumentaliza e maquina todos os orgão que podiam agir de forma autonoma (organizações da Sociedade civil, imprensa e intelectuais) a RENAMO recorre a métodos pouco ortodoxos para o estado de direito todavia que pareciam surtir efeitos até ao desmantelamento de Santugira. Enfim há um défice de princípios e acções conducentes a paz nos 2 lados.
Elisio Macamo caro Julio Machava, com todo o reseptio, não concordo consigo. se a frelimo instrumentaliza e maquina todos os orgãos... como é que você escapa a isso para se posicionar aqui de forma crítica? não precisa de concordar com os métodos adoptados pela frelimo para se manter no poder, mas tem a possibilidade de os combater dentro das balizas democráticas que o país está a construir. o mdm faz isso, é verdade que com muitas dificuldades, mas tenta. o déficit de princípios não é apenas desses dois lados. é de todos nós.
Niz Tambira Com que direito a frelimo mandou que se destrua a aldeia do promotor da democracia agora ja entendo porque que foi necessario lutar-se pela democracia.Qual dialogo de merda, deve ser por isso que aniquiliaram urias simango.Os camaradas sao multiformemente cabecudos e quadrupede.a rename so exigiu paridade e a frelimo reage de forma maquiavelica vendando os mocambicanos.a frelimo consegui desrvirtuar tudo e desvirtuar-se era preciso perceber a renamo, diagnosticando a capacidade belica que se provou nao existir e agora inauguramos uma nova fase historica em mocambique, a fase da incerteza e desconfianca.O acordo geral de paz foi a nossa formula pra mantermos a paz e quem e o primeiro violador desse acordo todos nos sabemos.A frelimo pensa como uma donzela so quer orgasmo.
Julio Machava Dr concordo,aprecio e apoio os que lutam dentro das regras que todos apoiamos (MDM, sociedade civil, impresa independente), todavia são tão contáveis a dedo e na sua maioria excluídos em locais onde eles deviam estar e se fazer ouvir (impresa independente/privada: das presidencias abertas e (in?)cluvisa, sociedade civil do CNE por exemplo, onde aparessem sempre as mesmas caras, poucos conhecidos seus feitos na sociedade civil. O MDM um sobrevivente das sevícias do regime: detenções arbitrárias de seus membros, retirada e queima de suas bandeiras e vandalizações das sedes). é preciso que a Frelimo tenha postura de estado, cumpra com a CR e faça a todos nós cumprirmos.
Estevao Mabjaia Não sei exactamente o que quer dizer com "controlo da situação", Elisio Macamo. Gostava de concordar consigo nessa ideia mas receio que poderia estar menosprezando a situação. Neste momento o presidente tem o controlo das FADM mas não tem o controlo da Renamo e suas forças. Houve ataques e ainda os há. Ainda hoje há relatos de ataques nalgumas partes do país.
Filipe Ribas As recomendações e observações de todos são oportunas num contexto de homens livres e com recursos para pensar o paîs. Perginto ao mestre Elisio Macamo quem são, de facto, Guebuza e Dlakama? De que munições dispöem para fazer face a uma exigencia de mudança? Qual o conteudo das convicções dos arautos da paz, os tais religiosos, quando comunicam com os politicos? Que vozes ha neste país para que ouvidos?
Dinis Miguel Matsinhe Professor Elisio pelas declaracoes do porta voz da renamo a guerra foi declarada.
Dinis Miguel Matsinhe Professor Elisio pelas declaracoes de porta voz da renamo a guerra foi declarada
Chacate Joaquim Pro. Elisio Macamo, a haver negociações já não vão ser na CC Joaquim Chissano muito menos em Santugira. que tal, voltarmos a Roma!
Julio Machava Chacate gostei dessa de regresso a roma mas me paresse fora de questão. já temos estrutura interna paa coordenar isto falta vontade politica de quem está a liderar, talçvez porque sabe que tem de fazer algumas cedencias.
Ivo Dinis Boa tarde professor,e só para me filiar ao seu posicionamento em relação a má interpretação da renamo em relação a democrácia, mas também para dizer que este á um dos textos se não o único que o professor narra com um fechamento explícito, o que não nos acostumou nas suas leituras nos aspectos corriqueiros da nação, agradecia que sempre o fizesse nessa metodologia em relação a todos os aspectos e nivéis, e não só qdo se trata da renamo.
Mambo Boaventura Mahoche Realmente o Pais tem massa cinzenta k sobra pra chamar atencao aos k se dizem nossos dignos representantes! Gostei do seu posicionamento e comungo-o! Precisamos de mentes livres das conviccoes politicas pra melhor analise das coisas.
Eliha Bukeni Quem le o textos do prof. Elisio no jornal, nao tem que se queixar do seu tamanho quando ele previamente declara que o mesmo foi publicado no jornal.
A Renamo mais uma vez falhou no ponto de viragem da estrategia. A teoria da pratica de negociacao aconselha a que nunca se deve encurralar a contraparte, quando o preco a pagar estiver no "ponto do equilibrio". A Renamo deveria ter remetido a sua proposta de legislacao eleitoral na sessao extraoridinaria e obter uma pequena vitoria, que permitesse participar nas autarquias para manter ou melhorar a actual posicao, enquanto isso continuava a negociar convista a 2014. Debalde, optou pela inflexibilidade. As condicoes para sustentar uma guerra prolongada mudaram. Ja nao pode ter o apoio logistico da RSA. Ja nao pode fazer a guerra atravez do massacre as populacoes, pois o lider arriscar-se a um mandado do TPI, que como assistimos ja acusa e julga presidentes em pleno exercicio seu mandato.....
Ernesto Nhanale É interessante o debate que o Prof. Elisio nos faz retornar a ele. Quero antes de lhe questionar, partilhar a ideia de que os métodos usados para manter a paz não sejam os mais adequados. Acrescentaria nisso queria dizer mais: os métodos que os políticos nacionais usam para e manter ou procurar conquistar o poder também não sejam adequados. As coisas nascem da nossa imaturidade para lidar com a democracia e vejo o problema em ambos lados em questão. Pois estamos perante dois extremos: o Presidente (a gozar exageradamente da legitimidade do uso da força do Estado, enquanto seu gestor), por seu turno, a RENAMO (que usa as suas forças para fazer chantagem política). È preciso lembrarmos que a desmilitarização da Renamo foi um assunto mal gerido no âmbito do acordo geral da paz, sendo da responsabilidade dos dois lados resolver essa questão. Nesse sentido, o professor Elisio acha razoável que essa questão fosse resolvida por via da força ou pelo diálogo? Nao acha que seria da responsabilidade dos dois parceiros do acordo geral de paz escolher um método viável e garante da paz ao povo que ambos dizem estar a sacrificar suas vidas por ele? Antes das respostas gostaria de dizer que eu, como cidadão, não quero entrar em muitas filosofias, mas acho que um governante nobre (que o faz em nome do povo), deve respeitar esse povo, mantendo a paz. O Presidente dizia ontem na Beira que temos de ter paz e preserva-la, acha o professor que a paz, em Moçambique, poderá ser mantida a partir daquele ataque de ontem? Não estou aqui a dar razão à Renamo que já nos provou a sua irresponsabilidade, mas sim a mostrar a minha dúvida perante o método usado pelo governo para garantir a paz. É muito triste voltarmos a viver um clima de incerteza, devido a maneira como os políticos se comportam.
Fernando Matavele Nando Ai esta sao excessos da frelimo ou do estado?
Moisés Arlindo Valério Sitoe Mas me ajudem meus ilustres, será que essa coisa de paridade é tão dificil de ultrapassar ate ao ponto de voltarmos a pegar em armas?
Fernando Matavele Nando Democracia so serve para partidos politicos nao para frelimo e renamo que sao outra coisa menos partidos
Clayton Johnam Caríssimo Professor Elisio Macamo, que a Constituição e as Leis são para ser respeitadas e defendidas, todos nós sabemos, este é um exercício de cidadania a que todos devemos estar acometidos independentemente da origem e da natureza das convicções que formam a nossa personalidade. Mas, julgo eu que não se deve ignorar a mutabilidade (violenta ou não) das sociedades e dos membros que a compõem, é por isso que as leis, também elas forjadas pelas mãos do Homem mudam para servir o interesse colectivo, é por isso que houve revoluções pelo mundo, é por isso que a Frelimo mudou e o seu mais directo adversário político, a Renamo, também mudou ao longo da sua história existencial, é por isso que antes havia uma constituição de cariz marxista-leninista, mas que também foi abandonada para dar lugar a duas (que se seguiram uma a outra) mais consentâneas com os valores e princípios de um Estado de Direito Democrático. Não quero com isso dizer que as Leis devem ser criadas ou simplesmente mudadas de forma desenfreada e a qualquer custo para acomodar “caprichos” de grupos, Não! Isso não. Mas elas devem ser repensadas profundamente e contextualizadas quando estão em jogo valores supremos de toda uma nação. O Governo da Frelimo não deve temer e buscar argumentos constitucionais para não alcançar consensos políticos, nem a Renamo deve fazer o uso da força para fazer valer os seus argumentos. Os dois lados devem reconhecer que algo não está bem e procurar humildemente soluções para no máximo minimizar os seus diferendos. Para mim, O Estado Moçambicano, mais do que aceitar ou deixar de aceitar as reivindicações da Renamo, deve procurar assegurar a todos os intervenientes do processo democrático implantado, a transparência necessária para gerar confiança e credibilidade, e deve discutir como fazê-lo sem paixões e sem ter que necessariamente, as soluções provirem de dogmas partidários. Esse exercício é bom até para Frelimo que teria a possibilidade de “legitimar” de forma mais cristalina as suas retumbantes vitórias, pelo abnegado esforço no trabalho realizado em prol do bem-estar do povo que dirige, de que tanto se tem referido no seu manifesto político. Não há nada a temer, nem a Paridade nem a despartidarização da máquina do Estado nem qualquer outra reivindicação, quando, de facto, se trabalha e temos os nossos méritos reconhecidos pelo Povo. Este é o tipo de Paz que eu quero.
Fernando Matavele Nando Gosto de observancao. o problemad da analise do Pro.Elisio tem ver com o facto de ver a rename como culpada, como tem feito outros academicos na nossa tvm e triste.
Armistício Mulande Com todas as intervenções aqui, vejo que é justificável este ataque a Santujira. Não somos capazes de ver o que é que realemente queremos. O ataque a Santujira nunca teria existido se a Renamo não tivesse optado pela via da força para resolver os problemas que tem com a Lei Eleitoral. Em democracia as coisas funcionam assim. Os que têm a maioria no parlamento ditam o que deve acontecer. No dia 1 de Outubro o Partido Republicano "fechou" o governo federal americano pela maioria que tem no congresso. 800.000 foram para o desemprego com prejuízos calculados em 1.5 biliões de dólares por dia. Nem por isso o comandante-em-chefe dos EUA mandou prender os congressistas, não mandou tanques para o intimidar o congresso, etc. Porque cargas de água a Renamo teria que usar homens armados para pressionar o parlamento a aprovar uma lei que agradasse só a ela, e ainda por cima em minoria no Parlamento? Queremos ou não um Estado de Direito em Moçambique? Queremos apenas andar a dizer que não há espaço para a oposição e a sociedade civil? Mas será que isso é verdade? Todos os dias vemos a sociedade civil a influenciar a governação, a imprensa independente a informar sobre tudo e alguma coisa...
A minha conclusão é que não estamos preparados para viver sob regras democráticas. Se é assim, não podemos querer a paz. O respeito pelas instituições e pelas regras é o elemento fulcral de uma paz que se pretenda duradoira. Sem isso, a paz será sempre precária, nunca existirá.
Elisio Macamo caros amigos, estive a dar aulas toda a tarde, por isso não pude reagir a tempo aos comentários que foram fazendo. peço desculpas por isso. vou ter que tratar os assuntos de forma geral sem necessariamente mencionar as pessoas que me interpelaram. o argumento do texto é simples. eu oiço muita gente a dizer que quer a paz, mas essa gente não diz que tipo de paz e em que condições. isso não ajuda o debate. distribuir culpas (à renamo e ao governo) também não ajuda. é preciso definir um ponto de partida. eu defino esse ponto de partida como a constituição democrática que temos. funciona mal, mas é o único que temos. é nessa base que podemos encontrar outras formas de resolver os problemas nacionais. quem põe em causa essa constituição (e a renamo fê-lo, com ou sem razão) quer uma revolução, não necessariamente o diálogo. o líder da renamo é membro do conselho de estado. que diligências fez junto desses outros membros para encontrar uma saída? há partidos como o mdm que poderiam ter sido convidados a fazerem campanhas políticas a favor das reivindicações da renamo. o mdm vai participar nas eleições autárquicas, logo, o problema é só da renamo, ou melhor, ela não consegue reunir os consensos que lhe são necessários. e reunir consensos em democracia é importante. será que com isto estou a dizer que as reivindicações da renamo são ilegítimas? não! será que estou a dizer que a frelimo está a fazer tudo bem? não! só que nesta questão, onde está em causa o estado do direito, não me parece possível ser neutro. não à chantagem armada! sim ao uso dos instrumentos democráticos que existem e são para serem usados. será que a decisão de ocupar o local onde residia o líder da renamo é correcta? não sei. é matéria para os juristas e para discussão no parlamento sobre as circunstâncias em que o exército pode ser ordenado a intervir no interior do país. se calhar devia ter havido um mandato de captura que a polícia devia ter usado para convocar as pessoas que andam a balear inocentes. essa discussão tem que ser feita, é importante que seja feita. isso tudo são coisas que o nosso sistema político teoricamente permite. que ele é dominado por um partido é verdade, mas a política é também isso. um partido político com muito poder não prescinde dele voluntariamente. aí a sociedade é chamada a reagir no respeito pela constituição. eu acho que quem concorda com a chantagem armada contra um estado democrático desqualifica-se completamente para dizer seja o que for em relação a quem não é (aos seus olhos) democrata. não posso pôr em causa a constituição democrática para a defender. é um contra-senso, por isso todos os apelos à paz que não tomem posição em relação a isto me parecem vãos. abraços
Elisio Macamo Estevao Mabjaia, para mim o maior perigo é que o presidente não tenha controlo suficiente sobre o exército. as peripécias dos últimos tempos em que polícias e soldados foram sendo dezimados não inspiram muita confiança. mesmo a forma como esta operação foi conduzida não inspira essa confiança. é previsível que as forças atacadas se reorganizem e procurem, através de acções terroristas, criar maior instabilidade ainda. para mim o mais importante é saber se as forças governamentais têm um plano b e isso depende muito da cadeia de comando. tenho as minhas reticências e não me surpreenderia se tudo isto tivesse sido mais espontaneo do que pensado. não obstante, o receio de consequências piores não me parece o único argumento útil contra uma acção desta natureza. quem quer que seja que tomou esta decisão há-de ter julgado os prós e os cons de deixar que esta situação extremamente desagradável se mantivesse. devemos o julgar politicamente por isso. esse é o jogo democrático.
Zeiss Lacerda Eu só faria algumas perguntas ao Professor para poder perceber melhor a sua posição:
(1) Considera infundados ou sem substancia os gritos de paz que se ouvem um pouco por todo o país? Haverá mesmo necessidade de trazer provas da necessidade de PAZ?
(2) Que opiniões tem acerca das reivindicações da Renamo? São elas pertinentes ou não?
(3) Com toda a sinceridade, julga mesmo que o Governo está interessado em resolver as reclamações da Renamo? Pelo menos às que considerar que fazem sentido? Se sim porque que não o fez até agora uma vez que o mesmo governo tem sido tão pronto na resposta a supostos ataques armados da Renamo? Ou será mais fácil responder por armas do que pela negociação que há muito vem acontecendo?
(5) a Renamo está a usar dois métodos para chegar ao que pretendem, a pressão armada (método que condeno) e a negociação por palavras (método que aprovo), qual deles ja conseguiu resolver as questões em desacordo?
(6) Que apreciação faz a invasão das forças armadas ontem à "casa" do Dlakhama, não do ponto de vista de soberania do Estado mas do ponto de vista de estabilidade política do país e de um desfecho desejável do embróglio?
Notas adicionais: não concordo com os argumentos que traz a volta do papel dos religiosos na pacificação do país, eles foram importantes até nos acordos gerais de paz e não são dispensáveis agora.
Discordo também que não existam posições imparciais, existem sim, existem sim pessoas que apreciam, reconhecem e exaltam os aspectos positivos de qualquer que seja o partido político e repudiam o negativo. O grande problema é a tal miséria de democracia que temos, que nos impede de falarmos a vontade e de mostrar que nalguns momentos aprovamos as posições de um ou de outro partido. Na nossa democracia não se exige apenas fidelidade partidária mas fé, como se de religião se tratasse: Deus e Deus, por favor não questione nem se contraponha.
Clayton Johnam Caro Professor Elisio Macamo ainda bem que reconhece que a Constituição funciona mal, e pode ser esse motivo que se leva a contorná-la por métodos inapropriados, talvez por isso se reconheça a sua ineficácia para traduzir na prática a democracia que todos pretendemos. Por isso, reitero que em tempos de convulsões sociais e políticas, mais do que chamar a colação a Lei formal, o que é sempre necessário, é preciso igualmente reflectir profundamente sobre o móbil da eclosão destes conflitos e mudar a estratégia na abordagem que temos em face deles, se fizemos a mais de 20 anos atrás, podemos fazer hoje. Para mim o ponto de partida passa pela busca incondicional de mecanismos para credibilização do jogo democrático sem medo, reservas e dogmas partidários. Quando isso acontecer pode ser que haja menos “apetites” para agir contra os preceitos constitucionais. É uma questão de consciência.
Inocêncio Albino Li e gostei. Por isso, posso reafirmar: “sou profundamente contra a chantagem da Renamo”, se, efectivamente, se tratar de chantagem.
Alcídes André de Amaral "Igualmente, acho estranho que um partido que procura a sua identidade na ideia de que lutou pela democracia não veja nenhum problema em deixar que os seus militantes ataquem e matem agentes da lei e da ordem dum Estado". Mas prof. Elisio Macamo não acha que "Ele lá saberá porque procede desta maneira"?
Milagre Macaringue A preguiça na leitura e o gosto pelo simples esta mais que claro nas reclamações sobre textos longos. Eu pergunto quantos livros por ano poderão estar a ler etas pessoas para poderem nao confundirem uma arvore com uma floresta? Avante Macamo com as suas ricas reflexões. Quem tem preguiça de leitura que leia banda desenhada. Se quer entrar no debate que rebata as teses que defendes ou que as secunde e as aprofunde. Caso nao, que faca como eu que me delicio com elas.
Antonio A. S. Kawaria Elisio Macamo, será que desconhece que este é o plano de Guebuza desde que se tornou presidente? QUem por exemplo acredita que nuitos dos ataques atribuidos à Renamo são da Renamo?
Joao Teodosio Tique E porque nao sao da Renamo?
Abudala Canana O que está a acontecer em Mocambique é e so falta de civismo. Bandidagem e mais E MAIS E MAIS, MAS TUDO OQUE É MAu, Nao querem de Guebuza? vao a rua. Mas por favor a renamo nada está fazer merecido. deixem de ignorantismo, nao sejam isso, por favor nao.
Pedro Tiago Professor Elisio Macamo já ouvi uma vez alguem dizer, num debate na STV, que "maldizer" é máximo que certos políticos podem fazer. Este analista, que até lhe reconheço a simpantia por certo partido da oposição, revelou que ao levantar e capitalizar os erros da Frelimo é apenas uma necessidade de sobrevivência política. Esta sociedade civil, que até em meu nome (como moçambicano) se apresenta sem me consultar, tem tb interesses inconfessáveis e julgo-a mais perigosa do que certos partidos, pois estes pelo menos dizem para que lado rumam... Mas o estado de guerra a que chegamos agora resulta em parte de muita propaganda negativa da certa imprensa....
Elisio Macamo obrigado Milagre, essas reclamações como me irritam. a constituição de moçambique não obriga ninguém a pedir-me amizade e a ler o que escrevo. não sei porque algumas pessoas insistem sempre em me querer dar instrucções sobre como devo comunicar as minhas ideias no meu próprio mural. há gente que apresenta pornografia, ideias mal pensadas, coisas estúpidas, etc. e eu não vou lá dizer para mudarem. se não gosto não leio. se me irrita abandono a amizade. enfim. irrita mesmo. quanto aoClayton Johnam e ao Zeiss Lacerda só lhes peço para relerem com atenção o que escrevi. a o último, zeiss lacerda, digo mais: acho estranho que uma democracia que lhe impede de falar tenha espaço para a sua intervenção. parece-me um contra-senso para além de não ser o tipo de atitude que vai realmente fortalecer a democracia. democracia é luta democrática! é também o que escreve Abudala Canana. ao Antonio A.SAntonio A. S. Kawaria repito o que Joao Teodosio Tique perguntou e acrescento isto: não gosto de especular nem de tomar as minhas especulações por verdade. a pergunta é interessante, mas não é do meu pelouro, pior ainda quando se trata duma questão de crença. não há dúvidas, Pedro Tiago, que se criou um certo ambiente na esfera pública que não ajudou muito. o meu texto é uma tentativa de analisar isso, daí a questão que coloco sobre que tipo de paz cada um de nós tem em mente quando diz que quer a paz. porque só dizer isso não basta. essa é a discussão que estou a levantar. acho que ela ajudaria um pouco a clarificar algumas coisas.
Mario Fiosse rrrrrssss, pegou pesado Dr. rsrrs
Elisio Macamo tudo bem, Mario? saudades.
Zeiss Lacerda Bom, minha intenção não em nenhum momento colocar em descredito o que o Professor escreveu, não concordei com alguns pontos e que participar porque achei que de alguma forma pudesse enriquecer a discussão. Se temos que estar todos de acordo, de acordo estamos e não há debate acho eu. Mas falando com toda a sinceridade, a intenção era participar com os meus pontos de vista. Eu fiz a intervenção que fiz não porque a nossa Democracia permite, confesso.lhe que para mim têm sido actos de coragem, conheço gente que sim que teve problemas sérios por contestar frontalmente posições do partido no poder. E se saí do rumo da discussão, peço imensas desculpas.
Mario Fiosse Muito bem, saudades tambem. Fico satisfeito em saber que mesmo que esteja bem longe da patria amada, tem vivenciado e discutido com muita intensidade e profundidade os grandes assuntos do país, ajudando a iluminar a os nossos dirigentes a pautar por uma postura que esteja de acordo com os interesses mais nobres da nação. Continue assim! A frente é o caminho. Abraços.
Elisio Macamo caro Zeiss Lacerda, tenho a impressão de que há um equívoco. a primeira parte dos meus comentários referia-se aos que estão sempre a falar do tamanho dos textos e que milagre macaringue comentou. a si apenas respondi que precisava de reler o meu texto, pois todas as perguntas que coloca estão lá respondidas ou não são relevantes. a questão dos religiosos não é essencial para o argumento central do texto, por isso não me parece absolutamente necessário entrar nessa discussão. quanto à questão da imparcialidade, essa está a ser levantada por si. eu falei da imposiibilidade de ser neutro quando se trata de defender a constituição. expliquei isso num dos comentários. tem todo o direito de não concordar comigo. tem razão quando diz que debate é também isso. concordo consigo. abraços
Elisio Macamo obrigado, Mario. o importante é levantar questões e não permitir que os assuntos sejam apenas discutidos numa perspectiva. penso que nesse sentido há muita gente a contribuir bem. abraços
Abudala Canana Para mim, há uma doença nos mocçambicanos, ou dizer são emocionadod. Ora essa deixar o parlamento para ir ao mato meus senhores. Que fariam os madgermans que perderam ou não foram devolvidos os seus valores? Dinheiro para que trabalharam? Os senhores djakamas devem ser combatidos e até o governo deveria procurar quem está por detras desses djakamas q pais é que está lhes a financiar. E mais para mudar a situação o q pode também ajudar é a media e ou orvanizações não governamentais, orrganizem o povo para se apurar quantos querem ser governados por senhor djakama e a renamo. O povo deve fazer a marcha explicando o que e a quem querem.
Armistício Mulande Para muitos a Constituição não passa de um papel (higiénico) qualquer. É por isso que vêm para aqui dizer que se pode passar por cima dela em prol de um bem maior, a paz. Como se a paz fosse alguma coisa que se tem por decreto. Já disse aqui que a paz é resultado de uma série de aspectos conjugados, à cima dos quais estão a Constituição que define que tipo de sociedade queremos ser.
Alex Paulo Dos Anjos Tudo bem escrito e facilmente defendido, de facto basta de inconstitucionalidades praticadas pela Renamo... Cansa Isso! Basta!
Angelo Tivane Eu, penso que toda essa lufalufa e so para destrair o povo, nos sabemos qual o proposito do Mandinho que e GUERRA mas ninguem quer Guerra nos queremos a PAZ PAZ PAZ PAZ PAZ algo tao doce que alguns nem conseguem ate hoje, devemos preserva-lo tenho ditto OBRIGADO
Adolfo Lourenco Tembe O meu entendimento nesta materia e k esta dificil tomar uma posicao tanto contra como a favor, pois primeiro devo confessar k achei estranho o comportamento da Renamo de comecar os ataques aqui e acola, como se tivesse forca suficiente para desafiar um estado, forca essa k julgo k nao tem. mas por outro lado nao achei aconselhavel desalojar Afonso Dlhakama no seu quartel, base, residencia ou seja qual for o nome daquele lugar na medida em k tudo indicava k Tanto o Governo como a sociedade civil, enviava para la os seus elementos para dialogar com a Dlakama. Na situacao actual vai ser dificil, a todos, se encontrar com Dlakama, pois a confianca foi quebrada.
Zelia Wamba Cansei de matutar minha cabeca com afonsinho e armandinho pois no final estarao juntinhos a comer camarao da primeira classe. Mas elisio macamo continue assim pois o povo pcisa de jovens pa envergar a paz e democracia
Télio Chamuço Prof. Elisio Macamo, no seu último parágrafo do texto, precisamente nos dois últimos períodos tacteia aquilo que para mim é essencial: a Renamo há muito que apenas deixou de ser opositora da Frelimo, apenas. É opositora do povo, pois não aceita vergar-se ao jogo democrático, enveredando por inaceitáveis chantagens mortíferas para fazer valer as suas mais que ilegítimas pretensões. Vou mais longe: o que a Renamo faz, não está muito longe do terrorismo!!
Clayton Johnam Quando um grupo de Moçambicanos decidiu se unir e criar a Renamo e com a ajuda do governo sul-africano sob o regime do Apartheid desestabilizar o seu próprio País, nessa altura havia uma Constituição, com as suas imperfeições, mas lá estava ela, toda imponente, e antes mesmo de acabar a guerra, foi adoptada uma outra, mais democrática. Ora, nesse tempo, a Renamo (dos bandidos armados) que nós conhecemos estava a agir contra a Constituição, mesmo durante o processo de diálogo de Roma. São para todos nós, de triste memória as consequências provocadas por essa guerra fratricida. Mas, para a pacificação do País foi preciso abertura e visão estratégica do Governo, o que muito louvo. Mas, podíamos continuar a combater a Renamo, por assumidamente lhe reconhecermos como bandidos armados e assassinos e não cedermos a nenhum tipo de acordo com àqueles marginais que atentavam contra a unidade nacional dos moçambicanos, porque teríamos sempre a Constituição do nosso lado para justificar todo tipo de intervenção para defender a territorialidade e soberania do País. Mas a táctica não foi essa, sentamos com os bandidos armados, falamos com eles e chegamos a consensos, os incorporamos na sociedade, no exército, na vida Política, etc. O que ditou na altura essa abordagem que nos trouxe a Paz, mesmo quando bandidos armados fustigavam o País contra todos os comandos normativos vigentes? Julgo eu que foi o bom senso, que hoje está a faltar.
Jose Alexandre Faia Pessoalmente, por exemplo, acho muito estranho que o Governo nunca tenha tentado transformar este assunto num assunto de todos nós através da inclusão de outras formações políticas na discussão ou da criação de comissões independentes para fazerem a revisão de aspectos do funcionamento da máquina política como forma de preservar o Estado de Direito. Ele lá saberá porque procede desta maneira. Igualmente, acho estranho que um partido que procura a sua identidade na ideia de que lutou pela democracia não veja nenhum problema em deixar que os seus militantes ataquem e matem agentes da lei e da ordem dum Estado que, para todos os efeitos, é o seu Estado, cuja sobrevivência vai necessitar muito duma postura cívica que promova o respeito pelos orgãos de soberania. CONCORDO EM ABSOLUTO ...
Raul Junior para mim o governo est'a mais certo no que faz e defende. todos os governantes sao sabios. em mocambique existe um governo legitimo. queremos ouvir apenas este governo. se pretendem criar dois, entao este assunto deve ser discutido, votado e aprovado. ninguem neste momento ta contra isso. Mas no jogo politico do qual nada percebo, nao entendo como se canta Vitoria quando se alcanca um santunjira sem pessoas terroristas! algo para dizer caso cheguem a minha casa na minha ausencia dirao que conquistaram? uff.Ver tradução
Raul Junior mas como afonso dlakhama preferiu abondonar o local por livre? e espontanea? vontade? o governo deve ter preocupacao menor sobre o seu paradeiro. so se existirem indicios de ter sido raptado/sequestrado podemos nos preocupar.
Tiago Tendai Chingore este pais esta entregue prof, no way, e so resarmos que nao aconteca o pior, forte abraco
Luisa Ngano O mais abismante da minha patria,moçambique é o facto das vozes capazes de iuminarem ecoarrem um grito silencioso. Elisio, na realidade, tudo que diz respeito à patria amada é 'comentado' nos bastidores.












































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