
MANUEL DE ALMEIDA / LUSA
Negociações estão prestes a subir para o patamar político de topo. E é quase certo que PCP e BE não vão para o governo
As negociações da esquerda estão prestes a subir para o seu nível político de topo, envolvendo pessoalmente os principais responsáveis de todos os partidos: António Costa (PS), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), Jerónimo de Sousa (PCP) e Heloísa Apolónia ("Verdes").
Indicando tudo - a começar por aquilo que ontem António Costa e Catarina Martins disseram - que um acordo de governação à esquerda já estará muito perto de poder ser subscrito por todas as partes, a verdade, porém, é que quanto ao respetivo conteúdo de políticas concretas, todas as partes se fecharam em copas. Para já, não é claro o que ficou acordado - ou está ainda por acordar - em termos, por exemplo, de descontos dos trabalhadores e das empresas para a Segurança Social (TSU, Taxa Social Única). O programa do PS propunha descidas nestes descontos mas o BE e o PCP opunham-se, argumentando que isso põe em causa a sustentabilidade financeira da Segurança Social e ainda o valor futuro das pensões de reforma. Tudo se poderá encaminhar para uma solução de meio termo, que aumente o rendimento disponível dos contribuintes mais pobres - como aliás o DN já tinha avançado.
As discussões passaram também por assuntos fiscais (diminuições do IVA e eliminação da sobretaxa do IRS) e ainda por matérias laborais. Bloquistas e comunistas afirmaram-se desde muito cedo contra a intenção socialista - personificada no economista Mário Centeno - de instituir nas regras legais dos despedimentos um mecanismo de "flexisegurança" (flexibilizar os despedimentos mas possibilitanto a acumulação das indemnizações com o recebimento dos subsídios de desemprego). Aparentemente, a ideia não avançará, por oposição dos partidos à esquerda do PS. Catarina Martins e Jerónimo de Sousa desde cedo assinalaram isso como uma linha vermelha inultrapassável.
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