Notícias / Moçambique
Actualizado em: 12.10.2015 18:18
Analistas dizem que o desarmamento do líder da Renamo será insuficiente para a pacificação do país, se não houver um compromisso sério e um diálogo político que envolva todas as forças vivas da sociedade.
Na passada sexta-feira, Afonso Dhlakama entregou ao Governo as armas da sua guarda pessoal, no que em meios politizados foi visto como um bom sinal de reconciliação, sublinhando-se, no entanto, que ele deve manter a voz de comando, para garantir a coesão do movimento.
O analista político Tomás Rondinho, sugere que os passos subsequentes ao acto poderão ser um encontro entre o líder da Renamo e o Presidente da República e o reatar do diálogo.
Este analista acha que o líder da Renamo vai às conversações numa situação fragilizada, pelo que é fundamental tornar o debate político mais abrangente e avançar-se para um processo de integração social dos homens armados da Renamo. Alguns deles começam a ficar agastados com a falta de solução para os seus problemas.
"Apesar de, neste momento, o líder da Renamo se encontrar enfraquecido, o seu orgulho não lhe vai permitir ceder tanto, porque não convém fazê-lo, para não perder a legitimidade da sua liderança no partido," disse Rondinho.
Rondinho considera fundamental que a Renamo se fortaleça como partido, de modo a que mantenha o seu peso na Assembleia da República, onde já submeteu alguns projectos de lei.
Entretanto, o padre católico Ézio Bono, considera que ainda há um longo caminho a percorrer no capítulo da pacificação e que o desarmamento de Afonso Dhlakama não pode por em causa a democracia em Moçambique.
Bono entende que numa República é necessário que haja uma oposição, "porque é ela que garante a democracia, pois, se não houver oposição haverá totalitarismo".
Notícias / Moçambique
Analistas dizem que Dhlakama corre risco sem protecção governamental
Actualizado em: 28.09.2015 18:14
O ataque, na passada sexta-feira, 25, na província de Manica, Moçambique, à escolta do líder da Renamo, era uma das hipóteses previsíveis depois de Afonso Dhlakama ter abdicado da protecção das forças governamentais.
Descartando protecção governamental Dhlakama corre risco acrescido, dizem analistas
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Com esta postura, ele assumiu por conta própria e risco a situação, e num ambiente de instabilidade político-militar no qual ele está associado, o líder da Renamo corre muitos riscos, referem muitos analistas moçambicanos.
O académico Calton Cadeado, especialista em relações internacionais e questões de conflito no Instituto de Relações Internacionais de Moçambique(ISRI), considera que Afonso Dhlakama fez erros estratégicos, alguns dos quais estão a produzir danos colaterais.
De acordo com o académico, "o líder da Renamo, ao afirmar que já não precisava da protecção das forças governamentais, fez um cálculo estratégico para criar uma situação de medo que lhe pudesse conferir alguma força política mas, sem se aperceber, ele colocou a si próprio e as suas forças numa situação de risco".
Cadeado destacou que o líder da Renamo perdeu o controlo da situação e isso adensou ainda mais a falta de confiança, acrescentando que, "neste momento, todos podem ser potenciais atiradores contra a integridade física de Afonso Dhlakama".
Na opinião do analista, neste momento, Afonso Dhlakama está numa situação de fragilidade emocional e do ponto de vista estratégico, "e para recuperá-lo é preciso que ele corrija os erros de cálculo".
"Quer-me parecer que quem tem que salvar o líder da Renamo são as forças governamentais, tal como o fizeram pela primeira vez quando ele foi para parte incerta; foram lá embaixadores e algumas pessoas interessadas na estabilidade política de Moçambique que agiram nos bastidores, mas em última instancia foram as forças governamentais que garantiram que ele aparecesse", esclareceu.
Refira-se que na sequência do ataque das forças governamentais à antiga base central da Renamo em Santundjira, na província central de Sofala, Afonso Dhlakama permaneceu durante muito tempo em "parte incerta", tendo regressado a Maputo, com a protecção de alguns embaixadores, quando faltavam dias para a realização das eleições gerais.
A escolta de Dhlakama foi atacada quando o líder da Renamo se dirigia à província nortenha de Nampula, uma daquelas onde o movimento pretende instalar o seu governo.
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