Tuesday, October 20, 2015

Croniqueta d’umas pequenas gaffes em Nova Iorque

O Presidente Nyusi irrompe de sua suite num daqueles hoteis de  Manhattan que dão de caras com o Central Park, em pleno pulmão  nova-iorquino, e pretende dirigir-se para uma sala onde tera  finalmente a conversa com os jornalistas que o acompanham, a maioria  deles escolhidos a dedo para aquela viagem. Era vespera de sua  comuicação ordinária naquela sua inauguracão na ONU. Lá fora, a  cidade dos encantos respira o sumo pontíifice. Limusinas perfilam-se  num vaivem constante, despejando e carregando políticos das mais  variadas estirpes. Mais para a cima, perto da Columbus Circle, ha um  Branford Marsails em cartaz permanente. Nyusi esta com disposição  quanto baste. O protocolo aponta-lhe um caminho por entre corredores  alcatifados, paredes forradas de veludado e tectos envidraçados. E  depois uma porta resplandecente de traços palacianos e maçanetas  luzidias. A sala eh esta senhor Presidente, aponta-lhe um dos  assessores, escancarando esse acesso.
No fundo do corredor, dois garçons desfazem-se de um room service. A sala eh esta senhor  Presidente, repetem-lhe. Atras de Nyusi, repórteres se acotovelam com  suas câmaras. Mas quando, finalmente, essa porta eh aberta, dentro  dela o cenário estonteia. Ao invés de poltronas e tripes, Nyusi da de  caras com a suite de um dignitario oriundo das arábias!!! Não houve  risada comum. Houve um silencio em tons escarlates, umas tezes  franzidas e, nalguns, o sacudir da gaffe. O Presidente de Moçambique  tinha sido induzido em erro. Em sua jornada inaugural na ONU, Nyusi se  irritou mais do que uma vez.
Que o diga um altiíssimo representante da  nossa diplomacia em NYC (e o ministro Baloi mostrava a evidencia  empírica da desconexão de sua cadeia de comando). A pior foi quando o  PR quis aferir sobre o numero de empresarios que havia embarcado. Os  dados se contradiziam. A embaixada com os seus. A CTA com os seus. O  CPI com os seus. Nyusi engolindo em seco. Mas as gaffes se repetem quase sempre. O PR esta rodeado de  muita mediocridade. De profissionais do improviso. O serviço de apoio  ao PR ja foi melhor. Para voltar a se-lo alguem tera de exigi-lo, de  impor sua autoridade e abandonar a facilidade com que debita sorrisos  para todo o lado. Não basta ter poder; eh preciso ter autoridade.
 2.Harakiri ou kamikaze?
 Se Filipe Nyusi navega numa maré de inconsequências, nessa sua pretensão pacificadora, Afonso  Dhakama é camaleónico e contraditório. O Comandante em Chefe acena  com dialogo mas sua elite castrense invade o DHL no seu derradeiro  refúgio no Chiveve. Ao mesmo tempo que Nyusi discursava na ONU, suas  tropas tentavam a savimbinizacao em Moçambique. As três armas  recuperadas na casa de DHL na Beira derrubaram a mascara. Mas o teatro  macabro da política destes dias mostrou mais uma cena tragicómica> o Muchanga a exigir protecção estatal para DHL. Como disse? Sim, protecção dessas para altas individualidades. Bizarro. A mesma Renamo que rejeita a legitimidade do Governo e se transmuda ela própria em  Governo do Centro e do Norte, esta a exigir que o Governo de Maputo  proteja o seu líder. Parece o cúmulo do contra-senso. Sobretudo quando nos últimos meses a  mesma Renamo tem exibido, com retórica, uma tal musculatura palaciana.  Alias, sua propaganda não se cansa de acenar o espantalho do Pais  ingovernável, caso o Governo da Frelimo não ceda as pretensões do  líder. Numas vezes eh o povo que se vai vingar, noutras são os  comilões que sairão da toca. Espremendo a sujeira geral, ressalta me a  imagem de um DHL cada vez mais impotente, cansado e, mais dia menos  dia, encurralado e, pior,…perdendo credito nalgumas franjas da opinião  publica urbana cansada de viver refém de uma estratégia de permanente  vitimizacao.
E do outro lado, um Presidente da Republica sem controlo pleno das  forcas armadas, completamente amarrado a intransigência de Chipande.  No impasse que se reproduz a cada dia que passa, a economia vai se  afogando. Os investidores estão retraídos, outros reduzem custos e o turismo vai sentir outro  grande abanão neste verão. Nyusi inaugura um empreendimento turístico  mas sua inacção no plano da estabilidade politica vai justamente  contra o turismo. O sol de Junho não brilha e nossos sonhos murcham. O  Pátria Amada esta numa encruzilhada. Uma vez, meu antigo editor,  Carlos Cardoso, titulou um editorial assim mesmo: harakiri ou  kamikaze! Será que vivemos essa condição suicida?
 Marcelo Mosse

No comments:

Post a Comment

MTQ