Friday, October 23, 2015

19 de Outubro deveria ser feriado

Sexta, 23 Outubro 2015

É VERDADE que muitos estarão contra esta nossa visão. É verdade ainda que Severino Ngoenha teria publicado um livro Machel ícone da Primeira República, um escrito eloquente e agradável aos ouvidos e a mente.

Anteriormente lemos o tal livro em sala de aulas sob orientação do Dr. Amisse, o que nos fez em algum momento ganhar a força de o comprar para melhor o compreender. Não obstante o livro falar de muita coisa sobre Machel, ele deixa ainda espaço para cada um concluir o que Ngoenha pretendia dizer. Uns dizem que o livro denigre a imagem de Machel, outros de que o mesmo exalta a imagem do primeiro presidente de Moçambique independente.

Ora, nós não somos a favor de uns, nem de outros porque, apesar de Ngoenha ter escrito de forma clara e simplificada, ainda estamos a estudar este livro sobre Machel com a finalidade de melhor compreender. De referir que uma vez, em conversa com Ngoenha, procurando saber sobre o que é que um dos seus livros tratava, ele dizia que “o que escreveu faz parte do passado e que estava preocupado com o futuro”. Isto é, naquele exacto momento estava preocupado com o que escrever e não com o que já escreveu.

Bom, não é em volta da obra de Ngoenha (filósofo moçambicano), mas sim da grande e emblemática figura assassinada no dia 19 de Outubro de 1986. E porque alguns de nós nascemos neste período, estamos a compilar uma obra com a finalidade de homenageá-lo quando comemorar os trinta anos da sua morte.

Falar de Samora Machel, é mesmo que falar de um homem que não se deve deixar nunca de lado quando pretendemos falar sobre a história contemporânea de Moçambique. Assim sendo, tudo quanto fez para alcançar a liberdade deste país que estava sob a dominação colonial portuguesa, os seus feitos em prol de outras nações vizinhas e de outras partes da África e do mundo, jamais serão esquecidas pelo povo moçambicano. De referir que este foi o primeiro presidente de Moçambique independente cuja morte, há 29 anos, permanece misteriosa.

Dizia Machel: “A corrupção material, moral e ideológica, o suborno, a busca do conforto, as cunhas, o nepotismo, isto é, os favores na base de amizade e em particular dar preferências no emprego aos seus familiares e amigos ou agente da sua religião, fazem parte do sistema de vida que estamos a combater”. Realidade esta que nos faz perceber ou acreditar que este homem foi e esteve sempre preocupado com todos os moçambicanos, bem como combateu fortemente as injustiças sociais que hoje são o pão-nosso de cada dia.

Machel foi alguém que se preocupou em proporcionar o bem-estar em vários sectores, como se pôde notar nos esforços feitos no sector de Educação, uma das principais prioridades da sua governação. Ora, o que nos faz reconhecer que esta foi uma das prioridades é que, dentre vários motivos, apostou na formação do homem novo. Este homem novo consistia em retirar em suas mentes toda a opressão que passou com o colono e potenciar a construção de uma nova sociedade baseada nos valores de solidariedade e partilha.

Deste modo, segundo o Jornal “Verdade” de 3 de Fevereiro de 2012, a Educação foi concebida tendo em mente que a educação do homem tinha em vista vencer a guerra que podia ser bélica ou não, criando assim uma sociedade nova para desenvolver a pátria. “Por isso que desde cedo Samora compreendeu que a cultura e a educação constituem problemas fundamentais do nosso povo” (JORNAL VERDADE: de 3 de Fevereiro de 2012, pg. 5). Ele defendeu a ideia da necessidade de se tornar homem novo com uma maneira de pensar diferente.

Dentre várias coisas que foram feitas no sistema de educação, uma delas consistiu em apostar na formação de professores, que por sua vez iriam ensinar os outros. Por isso que encontramos alguns compatriotas que nunca tinham sonhado nem tão pouco em ser professores, mas tiveram que abraçar esta nobre missão de docente.

Samora Machel defendia a criação de uma atitude de solidariedade entre os moçambicanos com a finalidade de desenvolver e promover o trabalho colectivo, colocando de lado a ociosidade e o egoísmo (VERDADE: 3 de Fevereiro de 2012, pg29)

Para tal, era preciso que se desenvolvesse uma moral sã e revolucionária que promovesse o desenvolvimento da mulher e a criação de gerações com um sentido de responsabilidade, afastando tudo que constituía maldade para existência de uma sociedade coesa e harmoniosa.

É verdade que cada homem toma uma e outra decisão de acordo com a época em que vive. Por isso que mesmo Samora Machel, e por causa das circunstâncias em que viveu, tomou algumas decisões que muitos nem tão pouco são a favor tais como o facto de ter considerado a religião ópio do povo. Na altura, ninguém deveria pensar diferente. Bom! Quem melhor pode dizer das razões que levaram Samora moisés machel a pensar e tomar decisões como aquelas do passado é ele mesmo. Mas o que muitos de nós temos como certeza é que tudo quanto realizou, fez porque amava o seu povo e em nenhum momento fez algo por não gostar dos moçambicanos. Que esta nossa reflexão seja um ponto de partida para que se estude uma possibilidade de tornar o dia da morte de Machel feriado nacional, porque dentre várias coisas, ele foi o primeiro presidente de Moçambique independente e tanto fez pelo seu povo. Assim seja!

Albath da Cruz


EQUAÇÃO LABORAL: Estou a vir…
Quinta, 22 Outubro 2015

QUANTAS vezes é que já ouvimos a frase “estou a vir”.


Certamente que a nossa reacção e tolerância será diferente consoante estejamos na posição de empregadores ou de trabalhadores, mas independentemente das posições que ocupamos, a verdade é que a gestão da nossa agenda e tempo é crucial, aliás a expressão “tempo é dinheiro” serve para todos nós.

A Lei de Trabalho (LT), na Secção VII, enuncia sob a epígrafe “Direitos e Deveres Das Partes”, adstritos tanto ao empregador como ao trabalhador.

E a propósito de um desses deveres adstritos ao trabalhador inspirou-me a fazer este pequeno artigo. Trata-se do dever de “comparecerao serviço com pontualidadeeassiduidade” (alínea a, do Art.º 58.º LT).

Nos últimos tempos, muitos empregadores queixam-se da falta de pontualidade por parte de alguns trabalhadores, prática muito recorrente.

Nós sabemos, principalmente aqui em Maputo, a questão dos transportes é um autêntico quebra-cabeças, mas por isso é que temos que gerir e planear o nosso tempo contando com esses constrangimentos. Mas devo-vos dizer que nem sempre a culpa é da falta de transportes ou do trânsito, pode haver outras razões ou simplesmente não haver razão alguma!

E neste sentido quero-vos contar um pequeno episódio que me aconteceu muito recentemente. Tive que dar boleia a um familiar meu que ia trabalhar para Matola, ainda estávamos em Maputo, e esse mesmo familiar recebeu uma chamada da chefe e o que disse foi “estou a vir”... Passada cerca de meia hora, a senhora do outro lado voltou a ligar e nessa altura estavámos a passar a rotunda da Toyota e o meu familiar voltou a responder “estou a chegar”…. Pelo caminho não resisti e questionei-lhe o porquê de ela dizer que “está a vir” quando na verdade estava há mais de uma hora de distância? Ela acabou por responder…”não te preocupes, pois toda gente faz o mesmo”!

Num mundo cada vez mais exigente e competitivo esta é uma atitude inaceitável…e que nos pode custar o posto de trabalho e abalar a nossa credibilidade.

A lição que devemos tirar deste pequeno exemplo que hoje vos trago, impõe-nos uma mudança de atitude e de comportamento, e por mais pequena que esta mudança nos possa parecer, acredito que colheremos no futuro mais e melhores frutos!

BOM TRABALHO!

NÁDIA RAGÚ CARVALHO - Advogada

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