quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Os bebés chorões


Canal de Opinião por Adelino Timóteo
Temos duas aristocracias: uma super-poderosa, outra detentora de mais elementa­res poderes, A primeira dispõe de amplos poderes, É uma aristocra­cia de esquerda, que por vezes se confunde com uma multinacional, pela complexidade da sua origem entre a oligarquia e um partido do­minante, mas é muito mais do que isso, A outra é de direita, A nossa aristocracia dominante é quem de­termina a marca "Made in Mozambique". A todos os níveis de vida: social, económica, cultural e política. E a mesma aristocracia que decide que tipo de embalagem se deve produzir e que tipo de rótulo é adequado, para consumo interno e externo, Decide que consciências compram, que consciências devem ser apagadas dos ficheiros, que consciências devem ser silenciadas,
A nossa aristocracia criou diferen­tes tipos de classes sociais, Há os acomodados sempre, os acomoda­dos incertos, os expurgados eternos e os repescados, Os filhos da nossa aristocracia são os meninos de seda.
Os acomodados sempre são aqueles que, embora não tenham lutado, fizeram algo para merecer honra­rias, pois ajudaram a consolidar a poder da aristocracia com o seu saber, pois estudaram na Europa do Leste, em Cuba ou no Ocidente, Os acomodados incertos são aqueles que, embora tenham feito algo pela super-poderosa aristocracia, ainda não provaram serem suficientemen­te leais para merecerem a confian­ça total da mesma aristocracia, por isso comportam-se como indivíduos da ralé, incluso por meio de insul­tos, estigmas e teorias exclusivistas, para demonstrarem lealdade aos donos da multinacional e levá-los a abrirem os cordoes às bolsas.
Os acomodados incertos vagam pela * mídia*, desdobram-se em entrevis­tas e intrigas, para diabolizarem os bebés chorões, que vivem do outro lado da barricada, brincaram juntos na infância, mas escolheram seguir um curso de vida algo tortuoso, por manifesta convicção nos seus prin­cípios, por isso filiaram-se num e outro partido infame, daí se alimen­tando de pedras, por a opção náo lhes servir para levarem uma vida faustosa. Os acomodados incertos ainda estão nos primeiros passos da escola.
A classe de bebés cho­rões são aqueles que foram bons estudantes na faculdade e acredi­taram demasiadamente nas ideias. Os bebés chorões são aqueles que viveram a ilusão de que podiam fa­zer as coisas por outra via, apesar de terem tido cumplicidades ante­riores com os acomodados sempre e acomodados incertos e até terem contribuído na transição de classe, aos meninos de seda, que se não lhe recordam pela vergonha de vê--los do outro lado da barricada. Os meninos de seda, os acomodados sempre e os acomodados incertos expurgaram-nos de todas as formas de convivência social, após fracas­sarem na repescagem. Os bebés chorões aspiram às benesses, mas, para os amigos, pecam por serem leais aos princípios éticos e cívicos. Pecam por demasiadamente obses­sivos compulsivos, obsessivos famo­sos e obsessivos críticos do sistema. Alguns dos meninos chorões con­seguiram superar a exclusão imposta pelos amigos de infância e da facul­dade, por isso vivem à margem dos demais que cederam à sua lealdade, daí são credíveis, mas recordados como nada de fiar, diferentemente dos outros que conseguiram uma posição relevante, mas aprenderam que o facto de terem sido demasia­damente leais aos seus princípios empobreceu-os.
Aprenderam que a vergonha não conta, mas sim a fim, como ter um iate, oferecer banquetes e ser o centro de atenção na “mídia", nem que isso implique ofe­recer a cabeça de alguém, vilipen­diar Os bebés chorões aprenderam a táctica de usar o verniz por cima. Aprenderam que o mais importan­te é o poleiro, saquear o Estado e comprar as débeis consciências. Por estas alturas, os bebés chorões sentem a conveniência de flutuarem com o vento. Piscam para a direita e depois para a esquerda da direi­ta, porque julgam-se acomodados incertos. Estão ameaçados de cair e vivem piores tormentos do que os acomodados incertos do outro lado. Esta classe de bebés chorões mostra-se agora com certo sentido de oportunismo e é passível de criar terramoto.
A sua lealdade pode ser adquirida pela oligarquia emergen­te e a super-poderosa, consciente de que estas pugnarão por obras de caridades, distribuindo-lhes o queijo como meninos candidatos ao bem-estar, mas desde que renun­ciem aos seus velhos pactos, às suas velhas amizades* (Adelino Timóteo)
CANALMOZ – 15.02.2017

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