sábado, 11 de fevereiro de 2017

Governo Maduro adia de novo as eleições regionais venezuelanas


Eleições estavam prevista para junho deste ano

Nicolás Maduro, em Caracas. REUTERS
Não houve uma declaração oficial, mas funciona do mesmo jeito. A presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela, Tania de Amelio, revelou em entrevista à cadeia local Unión Radio aquilo que a oposição temia: as eleições regionais, marcadas para junho deste ano, não serão realizadas na data combinada. A boa ou má notícia, segundo a ótica de quem ouviu essa afirmação, implica que a escolha de novos governadores, que deveria ter sido realizada até o fim de 2016, foi prorrogada mais uma vez, com o detalhe de que não se sabe mais quando isso ocorrerá, se é que ocorrerá.
Embora não tenha falado diretamente sobre as eleições regionais, o presidente Nicolás Maduro, diante do empenho da oposição para convocar em 2016 um referendo revogatório de seu mandato, afirmou que a prioridade do país era recuperar a economia e não a organização de eleições. Esse posicionamento se mantém como norte da atuação do chavismo neste começo de ano.

Múltiplos obstáculos

Os inúmeros obstáculos impostos pelo Governo a fim de evitar que a oposição participe de eleições e conquiste boa parte dos 23 governos regionais do país parecem indicar que ele só aceitará a disputa pelas urnas quando estiver seguro de sua própria vitória. Segundo a pesquisa mais recente do instituto Datanalisis, 95% dos venezuelanos consideram a situação atual do país ruim ou muito ruim.
Amelio procurou enfatizar a ideia de que o CNE é um órgão que garante os direitos dos eleitores apoiando-se em uma decisão do Tribunal Supremo de Justiça, que também segue rigorosamente a linha do Executivo, que determina que haja uma renovação dos partidos que não participaram com sua própria marca nos dois últimos pleitos. Segundo o critério da presidente do órgão, o adiamento das eleições regionais diz respeito a uma questão de igualdade de oportunidades. Esse processo terá início no próximo dia 18 de fevereiro e durará cerca de dois meses e meio, ao que se somarão as semanas destinadas aos recursos. Estima-se que o país esteja com todas as suas formações políticas atualizadas até o fim de junho.
São enormes as semelhanças desse processo com aquele que acabou por eleger Daniel Ortega como presidente da Nicarágua. A MUD, que congrega os partido de oposição, está na dependência de uma sentença do Supremo que poderia torná-la ilegal caso o órgão venha a considerar que ela utilizou assinaturas falsas para tentar convocar o referendo contra Maduro.

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