quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Teixeira dos Santos: Armando Vara “foi meu colega, o que me dava algum conforto”

CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS

Em direto/

Antigo ministro das Finanças diz que não foi pressionado por Sócrates para nomear gestores para a Caixa e assume escolhas de Santos Ferreira e de Armando Vara, seu antigo colega de Governo.
Jo
Atualizações em direto
  • Escolha de Vara sinaliza que quadros da Caixa podiam chegar à administração

    O socialista João Galamba volta ao tema das razões por trás da escolha da equipa de administração da Caixa Geral de Depósitos. 
    Porque escolheu Santos Ferreira? Teixeira dos Santos responde que o gestor esteve no Grupo Champalimaud, que tina sido vendido aos espanhóis do Santander e ao BCP. E tinha liderado a Mundial Confiança, destacando conhecimentos na área dos seguros.
    E porque convidou Armando Vara, um antigo político socialista que João Galamba descreve como “especialista em segurança”.
    Teixeira dos Santos justifica: “Fez carreira na Caixa, era diretor. tinha conhecimento dos cargos de direção da Caixa e capacidade de liderança. Fazia a ligação entre a administração e a Caixa e sinalizava que os quadros da Caixa poderiam chegar à administração”.
  • Hugo Soares do PSD volta ao tema da demissão da administração de Vítor Martins em 2005, uma das primeiras decisões de Teixeira dos Santos quando assumiu a pasta. O ex-ministro diz que a Caixa não foi abordada na reunião que teve com Campos e Cunha para passagem da pasta.
    Mas se não era o assunto prioritário, porque demorou apenas uma semana a substituir a administração da Caixa? — Insiste Hugo Soares.
    Teixeira dos Santos volta a responder: “nunca recebi qualquer pressão ou sugestão de nome para a Caixa Geral de Depósitos”. E admite que será uma coincidência o facto de o seu antecessor, Campos e Cunha, ter testemunhado nesta comissão de inquérito que Sócrates lhe indicou os nomes de Santos Ferreira e Armando Vara para a nova administração da Caixa. Não foram sugeridos pelo primeiro-ministro (José Sócrates), reafirma Teixeira dos Santos.
    O deputado volta a insistir. Mas os nomes foram uma escolha sua? Teixeira dos Santos admite que falou com algumas pessoas e amigos sobre os nomes de Armando Vara e Santos Ferreira. E se não são uma escolha sua, “são da minha responsabilidade. Foram uma decisão minha que transmiti ao primeiro-ministro”.
    “Há muitas maneiras de matar pulgas”, assinala Hugo Soares que deixa a pergunta, lembrando a Teixeira dos Santos que está numa comissão de inquérito. Que pessoas sugeriram esses nome?
    Teixeira dos Santos diz que falou com pessoas da Caixa, “não sei dizer nomes.” Mas acaba por referir Francisco Bandeira, que então já era quadro da Caixa, tendo subido à administração com a nomeação de Santos Ferreira. Bandeira foi administrador do Aicep durante o Governo de António Guterres quando Teixeira dos Santos era secretário de Estado do Tesouro.
  • Hugo Soares do PSD volta ao tema da demissão da administração de Vítor Martins em 2005, uma das primeiras decisões de Teixeira dos Santos quando assumiu a pasta. O ex-ministro diz que a Caixa não foi abordada na reunião que teve com Campos e Cunha para passagem da pasta.
    Mas se não era o assunto prioritário, porque demorou apenas uma semana a substituir a administração da Caixa? — Insiste Hugo Soares.
    Teixeira dos Santos volta a responder: “nunca recebi qualquer pressão ou sugestão de nome para a Caixa Geral de Depósitos”. E admite que será uma coincidência o facto de o seu antecessor, Campos e Cunha, ter testemunhado nesta comissão de inquérito que Sócrates lhe indicou os nomes de Santos Ferreira e Armando Vara para a nova administração da Caixa. Não foram sugeridos pelo primeiro-ministro (José Sócrates), reafirma Teixeira dos Santos.
    O deputado volta a insistir. Mas os nomes foram uma escolha sua? Teixeira dos Santos admite que falou com algumas pessoas e amigos sobre os nomes de Armando Vara e Santos Ferreira. E se não são uma escolha sua, “são da minha responsabilidade. Foram uma decisão minha que transmiti ao primeiro-ministro”.
    “Há muitas maneiras de matar pulgas”, assinala Hugo Soares que deixa a pergunta, lembrando a Teixeira dos Santos que está numa comissão de inquérito. Que pessoas sugeriram esses nome?
    Teixeira dos Santos diz que falou com pessoas da Caixa, “não sei dizer nomes.” Mas acaba por referir Francisco Bandeira, que então já era quadro da Caixa, tendo subido à administração com a nomeação de Santos Ferreira. Bandeira foi administrador do Aicep durante o Governo de António Guterres quando Teixeira dos Santos era secretário de Estado do Tesouro.
  • Miguel Tiago do PCP questiona Teixeira dos Santos sobre o quadro de funcionamento da Caixa.
    O acionista, neste caso o Governo, acompanha como acionista, “estando atento a sinais de alarme que possam indiciar situações de fragilidade, o que não aconteceu”. Questionado sobre a concentração de créditos Teixeira dos Santos responde que não houve qualquer sinal de alerta dos supervisores sobre a concessão de crédito pela Caixa.
  • Miguel Tiago do PCP questiona Teixeira dos Santos sobre o quadro de funcionamento da Caixa.
    O acionista, neste caso o Governo, acompanha como acionista, “estando atento a sinais de alarme que possam indiciar situações de fragilidade, o que não aconteceu”. Questionado sobre a concentração de créditos Teixeira dos Santos responde que não houve qualquer sinal de alerta dos supervisores sobre a concessão de crédito pela Caixa.
  • Teixeira dos Santos recusa ideia de que Caixa entrou na guerra do BCP

    E foram dadas orientações políticas sobre projetos e investimentos?
    Sobre a concessão de empréstimos pela Caixa a projetos de investimento classificados pelo Governo de então como PIN (projetos de interesse nacional), Teixeira dos Santos lembra que essas operações que envolveram a Aicep, numa política de apoio ao investimento estrangeiro.
    Sobre a guerra do BCP, Teixeira dos Santos diz que Santos Ferreira apenas lhe comunicou quando foi convidado para liderar o Millennium BCP e recusa a ideia de que a Caixa tenha interferido na guerra de poder no banco privado que aconteceu em 2007. No final desse ano, três administradores da Caixa, incluindo Santos Ferreira e Armando Vara, foram para o conselho de administração do BCP, com o apoio de acionistas que tinham sido financiados pelo banco público.
  • Teixeira dos Santos recusa ideia de que Caixa entrou na guerra do BCP

    E foram dadas orientações políticas sobre projetos e investimentos?
    Sobre a concessão de empréstimos pela Caixa a projetos de investimento classificados pelo Governo de então como PIN (projetos de interesse nacional), Teixeira dos Santos lembra que essas operações que envolveram a Aicep, numa política de apoio ao investimento estrangeiro.
    Sobre a guerra do BCP, Teixeira dos Santos diz que Santos Ferreira apenas lhe comunicou quando foi convidado para liderar o Millennium BCP e recusa a ideia de que a Caixa tenha interferido na guerra de poder no banco privado que aconteceu em 2007. No final desse ano, três administradores da Caixa, incluindo Santos Ferreira e Armando Vara, foram para o conselho de administração do BCP, com o apoio de acionistas que tinham sido financiados pelo banco público.
  • Teixeira dos Santos assegura ainda que o “governo nunca deu instruções sobre um setor particular”. E refere que não tem dados concretos para avaliar a justeza das decisões de concessão de crédito tomadas na altura em que foi ministro das Finanças. Mas sublinha que grande parte das imparidades tem a ver com o período prolongado de crise da economia e de uma economia que cresceu durante décadas exposto a setor de atividade que foram as mais profundamente afetadas, como a construção e o imobiliário.
    O ex-ministro nega que a incidência de sinistros de crédito seja mais forte na Caixa do que no resto na banca portuguesa. “Não é uma característica da Caixa que atravessou o setor e a Caixa também sofreu”. E as decisões mal tomadas? “Nunca fui chamado a pronunciar-me, nunca interferi e não tenho elementos para me pronunciar.
    João Almeida fala em “créditos sinistros” e elenca operações grandes com imparidades, como a La Seda, a Pescanova, BCP.
    Teixeira dos Santos assume que houve orientações da política económica. “A banca e a Caixa ajustam-se a essas orientações”. E assinala que houve imparidades em outros bancos em operações decididas na mesma altura.
  • Teixeira dos Santos assegura ainda que o “governo nunca deu instruções sobre um setor particular”. E refere que não tem dados concretos para avaliar a justeza das decisões de concessão de crédito tomadas na altura em que foi ministro das Finanças. Mas sublinha que grande parte das imparidades tem a ver com o período prolongado de crise da economia e de uma economia que cresceu durante décadas exposto a setor de atividade que foram as mais profundamente afetadas, como a construção e o imobiliário.
    O ex-ministro nega que a incidência de sinistros de crédito seja mais forte na Caixa do que no resto na banca portuguesa. “Não é uma característica da Caixa que atravessou o setor e a Caixa também sofreu”. E as decisões mal tomadas? “Nunca fui chamado a pronunciar-me, nunca interferi e não tenho elementos para me pronunciar.
    João Almeida fala em “créditos sinistros” e elenca operações grandes com imparidades, como a La Seda, a Pescanova, BCP.
    Teixeira dos Santos assume que houve orientações da política económica. “A banca e a Caixa ajustam-se a essas orientações”. E assinala que houve imparidades em outros bancos em operações decididas na mesma altura.
  • Armando Vara "foi meu colega no Governo , o que me dava algum conforto"

    E quem indicou Armando Vara para a administração da Caixa? Pergunta de João Almeida,
    “Foi uma escolha minha. Era uma pessoa conhecida e cumpria o critério de ser alguém com carreira na Caixa. Foi meu colega no governo de Guterres que eu conhecia o que me dava algum conforto”, assume Teixeira dos Santos. O ex-ministro não estranha que tenham sido atribuídos pelouros ao antigo político socialista.
    E que opinião tem agora sobre o a performance da Caixa sob essa gestão? Teixeira dos Santos recusa considerações pessoais, mas faz apreciação positiva, tendo em conta a performance económica e financeira da Caixa. “Demonstrou o dinamismo que se esperava” e lembra o fraco crescimento de então da economia portuguesa.
  • Sócrates "nunca me pressionou para nomear alguém para a Caixa"

    Foi uma decisão política, confirma Teixeira dos Santos. Na altura, diz, desconhecia a existência de pressões sobre o anterior ministro, Campos e Cunha, para substituir a administração da Caixa. É certo que o prolongar da situação não ajudou a preservar a situação.
    João Almeida quer conhecer os critérios de escolha da equipa:
    O ex-ministro das Finanças diz que queria reduzir a dimensão da equipa e ter alguma renovação interna, o que passava por nomear algumas pessoas que já estavam na Caixa. E quais foram os critérios de perfil de liderança?
    Uma pessoa com experiência no setor financeiro, como era o caso de Carlos Santos Ferreira. Foi uma escolha minha. Falei com o primeiro-ministro por minha iniciativa. O primeiro ministro — José Sócrates — nunca me pressionou no sentido de fazer qualquer mudança ou nomear alguém para a administração da Caixa”.
    E quando confrontado com o facto do nome de Santos Ferreira ter sido referido pelo seu antecessor como uma preferência do Governo para a liderança da Caixa, Teixeira dos Santos admite que será uma coincidência.
  • Teixeira dos Santos já está na sala e não quer fazer intervenção inicial. Teixeira dos Santos não faz intervenção inicial. 
    Arranca João Almeida do CDS: Quem e quando foi demitido o conselho liderado por Vítor Martins?
    A decisão foi tomada em final de julho de 20o5, Foi uma decisão do ministro das Finanças que tinha tomado posse há uma semana e meia, responde Teixeira dos Santos que era o ministro.
    E os motivos? Nos meses, três a quatro meses que antecederam a tomada de posse houve várias noticias sobre a intenção de que o novo Governo teria de mudar a gestão na Caixa e que nunca se concretizou. Esse facto gerou uma situação de alguma instabilidade na liderança e direção da Caixa. São noticias que destabilizam as equipas.
    A assembleia geral tardia não formulou voto de louvor à administração, o que no meu entender enfraqueceu a administração. Entendi que havia uma objetiva fragilização da administração da Caixa que justificada uma mudança. O arrastar da situação não foi benéfica para a Caixa, conclui Teixeira dos Santos.
  • Teixeira dos Santos já está na sala e não quer fazer intervenção inicial. Teixeira dos Santos não faz intervenção inicial. 
    Arranca João Almeida do CDS: Quem e quando foi demitido o conselho liderado por Vítor Martins?
    A decisão foi tomada em final de julho de 20o5, Foi uma decisão do ministro das Finanças que tinha tomado posse há uma semana e meia, responde Teixeira dos Santos que era o ministro.
    E os motivos? Nos meses, três a quatro meses que antecederam a tomada de posse houve várias noticias sobre a intenção de que o novo Governo teria de mudar a gestão na Caixa e que nunca se concretizou. Esse facto gerou uma situação de alguma instabilidade na liderança e direção da Caixa. São noticias que destabilizam as equipas.
    A assembleia geral tardia não formulou voto de louvor à administração, o que no meu entender enfraqueceu a administração. Entendi que havia uma objetiva fragilização da administração da Caixa que justificada uma mudança. O arrastar da situação não foi benéfica para a Caixa, conclui Teixeira dos Santos.

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