segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Presidente moçambicano volta a falar com o líder da Renamo sobre cessar-fogo

MOÇAMBIQUE


Filipe Nyusi fez um balanço positivo do cessar-fogo temporário, após uma conversa telefónica com o líder da Renamo, e remeteu para Afonso Dhlakama a confirmação de um eventual prolongamento da trégua.
ANTÓNIO SILVA/LUSA
Autor
  • Agência Lusa
O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, fez esta segunda-feira um balanço positivo do cessar-fogo temporário, após uma conversa telefónica com o líder da Renamo, e remeteu para Afonso Dhlakama a confirmação de um eventual prolongamento da trégua.
Ele [Dhlakama] há de dizer, porque o Governo não está a fazer nenhum ataque“, afirmou Filipe Nyusi aos jornalistas em Maputo, no palácio da Ponta Vermelha, residência oficial do chefe de Estado, sobre a possibilidade de a cessação das hostilidades conhecer um alargamento do prazo. O jornal O País e o diário eletrónico Mediafax noticiaram, esta segunda-feira, que o acordo temporário de cessação de hostilidades, que expira na quarta-feira, será prorrogado por mais dois meses.
Contactado pela Lusa, o porta-voz da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), António Muchanga, escusou-se a confirmar as notícias, referindo apenas que está prevista uma declaração à imprensa para a manhã de terça-feira na sede nacional do partido, em Maputo. O Presidente moçambicano destacou por sua vez a confiança “que está a ser criada e construída e vai ser produtiva”, exortando a sociedade “a acreditar e encorajar para que as pessoas possam se falar”.
Filipe Nyusi fez um balanço positivo da semana de trégua acordada entre as partes, na conversa desta segunda-feira com o líder da oposição, e salientou serem “moçambicanos que estão a discutir sobre problemas de Moçambique”, numa perspetiva negociada e sem ultimatos. Segundo O País, a nova trégua deverá durar até à primeira sessão da Assembleia da República, onde deverão ser debatidos e aprovados os eventuais acordos alcançados nas atuais negociações de paz.
O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, anunciou na terça-feira uma trégua de uma semana, com efeito a partir de quarta-feira, como “gesto de boa vontade”, no seguimento de uma conversa telefónica mantida no dia anterior com o Presidente moçambicano. Justificando esta decisão, o líder da Renamo referiu que pretende terminar com o sofrimento da população e facilitar a retoma das negociações de paz.
Se tudo correr bem, sem incidentes, por que não prolongar mais este prazo?”, observou então o líder da oposição, admitindo a possibilidade de um cessar-fogo definitivo.
Dhlakama assinalou que tem mantido conversas com Nyusi, com o objetivo de “cultivar a confiança”, mas não vai ceder na continuação dos mediadores internacionais nas negociações de paz.
No seu discurso do estado da nação, o Presidente moçambicano, disse que propôs à Renamo a criação de um grupo de trabalho especializado, “sem distinção política” nem a presença do atual grupo de mediadores para discutir o pacote de descentralização, um dos temas essenciais das negociações de paz.
Os trabalhos da comissão mista das delegações do Governo e da Renamo pararam em meados de dezembro sem acordo sobre o pacote de descentralização e os mediadores abandonaram Maputo, referindo que só regressarão se forem convocados pelas partes.
O centro e norte de Moçambique estão a ser assolados pela violência militar, na sequência da recusa da Renamo em aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, exigindo governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.
Além do pacote de descentralização e da cessação dos confrontos, a agenda do processo negocial integra a despartidarização das Forças de Defesa e Segurança, e o desarmamento do braço armado da oposição e sua reintegração na vida civil.

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