quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Obama não perdoa Snowden porque há "diferenças" entre o seu caso e o de Manning

Perdão de Obama vai libertar Chelsea Manning em Maio

Pena da militar responsável por fuga de informação confidencial para a WikiLeaks foi reduzida.
Chelsea Manning, outrora conhecida como Bradley Manning, passou documentos à WikiLeaks
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Chelsea Manning, outrora conhecida como Bradley Manning, passou documentos à WikiLeaks REUTERS
Chelsea Manning, a militar norte-americana que foi condenada a 35 anos de prisão por transmitir documentos confidenciais à WikiLeaks, vai ser libertada em Maio deste ano, depois de o Presidente, Barack Obama, lhe ter reduzido a pena, numa das últimas decisões antes de deixar a Casa Branca.
Chelsea Manning nasceu como homem e com o nome Bradley Edward Manning e foi condenada a 35 anos de prisão por transmitir, no total, 700 mil documentos confidenciais àWikiLeaks, naquela que foi a maior fuga de informação de sempre nos EUA.
Chelsea só deveria deixar a prisão em 2045, mas será libertada a 17 de Maio deste ano, segundo os termos da comutação de pena concedida por Barack Obama, citada pelo New York Times.
Presa há sete anos, Chelsea Manning já tentou suicidar-se duas vezes na cadeia. Os advogados consideraram no ano passado que os maus tratos que sofreu, desde a detenção em 2010, e a pena de prisão de 35 anos, estavam “a desmoralizar e a desestabilizar a sua saúde e humanidade”, segundo a Associated Press.
As reacções à decisão da administração Obama dividem-se entre críticas duras e elogios. O líder republicano da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, considerou a medida “ultrajante” e um “precedente perigoso”: “A traição de Chelsea Manning colocou vidas americanas em risco e expôs alguns dos segredos mais sensíveis da nação”, afirmou citado pela Reuters.
O líder do WikiLeaks, Julian Assange, também reagiu, através do Twitter do grupo: “Obrigado a toda a gente que fez campanha pela clemência de Chelsea Manning. A vossa coragem e determinação tornou o impossível possível”.
A directora da Amnistia Internacional dos EUA, Margaret Huang, defendeu também Manning: “Chelsea Manning expôs abusos sérios, e como resultado os seus próprios direitos humanos foram violados pelo Governo dos EUA durante anos”.
A comutação de pena de Chelsea Manning foi uma das mais de 200 decididas nesta terça-feira por Barack Obama.
Bradley Manning era um analista de informações secretas de baixo escalão em Bagdad quando forneceu cerca de 700 mil documentos classificados pelo Governo americano à WikiLeaks de Julian Assange. Esse material incluiu um vídeo feito em 2007 durante um ataque de um helicóptero militar americano na capital iraquiana que resultou na morte de uma dúzia de civis, incluindo dois jornalistas; relatórios militares mostrando que o número de vítimas civis na guerra do Iraque era maior do que as estimativas oficiais; e, entre outros, correspondência de diplomatas americanos em todo o mundo, contendo impressões pessoais sobre os governos e países onde estavam colocados.
Manning foi detido em Maio de 2010, depois de ter confidenciado com um ex-pirata informático, Adrian Lamo, que estava a colaborar com a WikiLeaks. Lamo denunciou-o às autoridades militares.

Obama não perdoa Snowden porque há "diferenças" entre o seu caso e o de Manning

“Snowden fugiu para os braços do adversário", diz a Casa Branca, e cometeu crimes mais graves. O ex-analista informático deu os parabéns a Manning e agradeceu "de bom coração" a Obama.
Edward Snowden
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Edward Snowden BRENDAN MCDERMID/REUTERS
Horas depois da decisão do Presidente dos EUA de perdoar e reduzir a pena de Chelsea Manning, condenada a 35 anos de prisão por passar documentos confidenciais à WikiLeaks, a Rússia prolongou “por mais um par de anos” a “residência de Snowden”. Há vários apelos para que Edward Snowden, outro denunciante de práticas ilícitas dos EUA, seja também perdoado nas últimas horas de presidência de Barack Obama, mas a Casa Branca diz que há “uma diferença bastante forte” entre os dois casos.
Na sexta-feira, no encontro com a imprensa na Casa Branca, o porta-voz da Administração Obama, Josh Earnest, respondeu aos jornalistas que o questionavam sobre se também Snowden seria alvo de um perdão que embora os crimes cometidos por ambos sejam similares, “há algumas diferenças importantes”.
“Chelsea Manning é alguém que passou pelo processo de justiça militar criminal, foi exposta ao devido processo legal, foi considerada culpada, foi sentenciada pelos seus crimes e reconheceu a sua infracção”, frisou Earnest. Que prosseguiu, citado pelo New York Times, que “Snowden fugiu para os braços do adversário, procurou refúgio num país que recentemente fez um esforço concertado para minar a nossa confiança na nossa democracia”.
Edward Snowden, ex-analista informático que trabalhou para a Agência Nacional de Segurança norte-americana (NSA na sigla original), tornou pública documentação que revelou programas de vigilância maciça e ilegal a cidadãos em todo o mundo por parte de agências de serviços secretos norte-americanas. Está exilado na Rússia desde 2013, onde agora poderá ficar mais anos segundo a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russos, Maria Zakharova, que o disse nesta quarta-feira através do Facebook. Os documentos que Manning passou ao WikiLeaks “danificaram a segurança nacional” norte-americana, classificou Josh Earnest, mas “os divulgados por Snowden eram muito mais graves e muito mais perigosos”.
O norte-americano reagiu já à redução de pena de Chelsea Manning, agradecendo-lhe no Twitter. “Daqui a cinco meses, estarás livre. Obrigada pelo que fizeste por todos, Chelsea. Mantém-te forte mais um pouco!... Diga-se honestamente e com bom coração: obrigada, Obama… A todos os que fizeram campanha pelo perdão a Manning nestes últimos duros anos, obrigada. Vocês fizeram isto acontecer.” 
Entretanto, a Amnistia Internacional, a American Civil Liberties Union, Human Rights Watch, Demand Progress e CREDO Action uniram-se numa petição para pedir a Obama que perdoe Snowden. A Amnistia Internacional Portugal vai entregar a sua petição, com 60 mil assinaturas de portugueses, a uma delegação da embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, composta pelo conselheiro político Gregory Macris e pela assessora para os assuntos políticos Georgina Félix, às 11h.
A Reuters lembra também que 15 antigos integrantes da comissão Church, que nos anos 1970 liderou uma investigação do Congresso dos EUA às actividades ilegais da CIA e de outras agências de serviços secretos norte-americanos, pediram já a Barack Obama que termine o “exílio insustentável” de Snowden na Rússia. Barack Obama deixa a presidência esta sexta-feira, dia 20 de Janeiro.

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