terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Freedom House preocupada pela influência de Angola no jornalismo em Portugal


Relatório aponta o dedo, em particular, aos proprietários da Newshold.
O semanário <i>Sol</i> é directamente visado pelo relatório da Freedom House
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O semanário Sol é directamente visado pelo relatório da Freedom House ENRIC VIVES-RUBIO
O relatório mundial da Freedom House demonstra preocupação sobre a influência de Angola nos meios de comunicação social portugueses atingindo jornalistas e provocando casos de autocensura.
"Observadores expressaram preocupação sobre a influência de Angola nos meios de comunicação social portugueses, realçando que a situação agravou-se nos últimos anos, altura em que os proprietários de empresas jornalísticas investiram na economia angolana", refere o relatório mundial da organização não-governamental norte-americana Freedom House.
O documento mundial que vai ser apresentado nesta terça-feira em Washington classifica Portugal como "país livre" mas além de demonstrar preocupação sobre a corrupção sublinha a "influência" de Angola no jornalismo português.
"Têm-se registado efeitos que atingem os jornalistas que criticam Angola o que provoca casos de autocensura", sublinha o relatório da organização fundada nos Estados Unidos durante a II Guerra Mundial.
O documento diz que "poderosos angolanos" são proprietários da Newshold, o grupo que controla o semanário Sol, "além de outras publicações".
Por outro lado, o relatório refere que a liberdade de imprensa está garantida constitucionalmente mas que os canais públicos portugueses são pouco apoiados financeiramente e enfrentam sérios problemas de concorrência das estações de televisão comerciais.

Os casos de corrupção

O relatório da organização norte-americana sublinha ainda que os portugueses enfrentam escândalos de corrupção como os "casos Sócrates e vistos gold". "Apesar dos esforços para travar a corrupção, Portugal continuou a enfrentar escândalos em 2015, incluindo suspeitas de prevaricação em torno do programa de vistos de residência, os chamados vistos gold, destinados a investidores estrangeiros", refere o documento.
A Freedom House refere que em Abril de 2015 os legisladores portugueses fortaleceram as leis anticorrupção cumprindo as recomendações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) mas, mesmo assim, o país continuou a enfrentar "escândalos de corrupção", estando posicionado na 28.ª posição da lista da Transparency International 2015 Corruption Perceptions Index.
O texto recorda o caso que envolveu as alegadas atribuições das Autorização de Residência para Actividade de Investimento (vistos gold), recordando que o antigo ministro da Administração Interna Miguel Macedo e o ex-responsável do Serviço de Estrangeiros de Fronteiras enfrentam acusações de suposto favorecimento e lavagem de capitais.
Além do caso dos vistos gold, o relatório da Freedom House refere-se ao processo do Banco Espírito Santo que envolve o ex-banqueiro Ricardo Salgado e ao "caso Sócrates", que atinge um primeiro-ministro pela "primeira vez na História de Portugal". "As investigações ao antigo primeiro-ministro José Sócrates, detido em 2014 por suspeita de fuga aos impostos e lavagem de dinheiro, continuavam em 2015", indica o relatório.
A organização Freedom House foi criada em 1941 pele advogado do Partido Republicano norte-americano Wendel Wilkie e por Eleanor Roosevelt, mulher do Presidente dos EUA Franklin D. Roosevelt. O relatório anual sobre Liberdade no Mundo é publicado desde 1972.

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