quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Depois de alinharem com os escamoteadores da verdade agora?

Canal de Opinião por Noé Nhantumbo
Fazem avaliações de desempenho do PR, dos ministros e dos governadores com que fim?
Alguém deve es­tar pagando bem por este serviço de ocasião. Alguém deve ter contratado o que de "melhor" existe na praça para o efeito. Mas também é de considerar que alguns "voluntários" se tenham dado ao serviço de tecer e cozinhar "feijoadas com todos" para o agrado dos visados nas análises e comentários que abun­dam desde os últimos dias de 2016.
Quando fica difícil contorcerem-se mais, estes nossos analistas optam por fazer "arroz plástico" a que não adicionam sal nem açúcar.
E este tipo de posicionamento que tem atrasado Moçambique.
Não há que optarmos todos pela crítica negativista ou dizermos que tudo está bem. O Governo precisa de ajuda para descobrir o que está sen­do mal feito. O PR e os seus ministros são afinal humanos e, como tal, em princípio cometem erros, como os ou­tros humanos. Antes de serem ministros, eram pessoas normalíssimas, ou será   que  estamos  esquecidos  disso?
Fazer de conta que estamos caminhan­do bem, quando, na verdade, estamos numa crise profunda devido a agendas delineadas pelos nossos intocáveis, é a via mais segura para o desastre final.
Compreende-se a dificuldade de alguns analistas olharem com olhos de ver aquilo que é a nossa realida­de. O estomacalismo existe e pro­gride a olhos vistos. A esperança de algum cargo de vulto não morre.
Se alguns dos acima citados "espe­cialistas" são produtos de um longo processo de lavagem cerebral e doutrinamento, isso é por demais evidente.
Agora o que não cola é que gover­nantes tidos como competentes e sérios dediquem seu tempo "encomendando elogios".
O problema ou uma parte do pro­blema neste país é a irredutibilidade de muito boa gente, ao ponto de hi­potecarem o futuro do país por causa das suas contas bancárias e mansões.
Faz-se folclore político e acusa-se a na­tureza quando não há produção agrícola.
Com avisos fundamentados de gente informada, passou-se o tempo dizendo que não havia corte abusi­vo das florestas, e agora, que pouco resta, lançam-se a legislar sobre flo­restas que já  não conseguimos ver.
E a lista poderia estender-se a outros pelouros, porque, um pouco por todos eles, verifica-se uma incapacidade de en­contrar soluções para os problemas que os moçambicanos sentem todos os dias.
A governação está sofrendo de fal­ta de ideias, ou elas existem, mas os que as têm estão de mãos atadas.
Ninguém esperava que tudo fos­se linear e que corresse tudo às mil maravilhas. Isso não aconte­ce em nenhum país do mundo.
Mas os moçambicanos merecem muito mais do que está sendo feito pelo Governo.
Quando um "bando de cor­vos" se lança na praça tecendo elo­gios sobre o que não existe, esta­mos perante um grande problema...
Quando se dá espaço nobre a pessoas que andam destilando ódios, e outros que embarcaram, há já muito tempo, numa campanha de inferiorizar moçambica­nos que não rezam na mesma igreja dos detentores do poder, não se pode igno­rar porque esse tipo de coisas acontece.
Há os que jamais desarmaram e que não conseguem dar espaço para que ou­tros moçambicanos surjam e respirem.
Essa sua tentativa de terem primazia choca contra os interesses genuínos dos moçambicanos. Agitam bandeiras de exclusividade quanto ao conheci­mento e tudo o que se refira ao país e das suas cadeiras de especialistas até a real história de Moçambique é detur­pada a favor das suas agendas pessoais.
E neste confronto de ideias o que sai ganhando são aqueles que con­trolam o debate público, que co­mandam os órgãos de comunicação públicos, que determinam agendas e linhas editoriais. A censura foi subs­tituída pela autocensura, que conde­na milhões de moçambicanos a não tomarem conhecimento  da  verdade.
E urgente acabar ou eliminar o ni­nho víboras em que se transformaram certos órgãos de comunicação so­cial, pois, de maneira activa, minam o ambiente  sociopolítico nacional.
Compactuar com quem delibe­radamente mente e esconde o que os moçambicanos deveriam saber para poderem decidir de forma in­formada sobre o seu presente e futu­ro, é cumplicidade com algo que se deve considerar crime de ocultação.
E, como sabemos, a técnica da oculta­ção foi aprimorada ao longo dos tempos até chegarmos ao nível das dívidas ocul­tas bilionárias.
Conluios especializados em delinquir passeiam a sua classe sem en­contrar oposição activa por parte da PGR e de outros órgãos de soberania.
Sabemos e sentimos que o PR funcio­na num ambiente polarizado, em que forças poderosas dentro do seu partido de suporte se degladiam em defesa do que consideram serem os seus interesses particulares.
Se o PR já foi aceite por todos, a des­peito de todo o quadro nebuloso em que foi eleito, seria lógico que ele também entregasse alguma coisa aos outros que se esforçaram por reconhecê-lo. Sem guerra nem problemas de maior isso, é o que se espera de políticos adultos.
Mas a Comissão Política da Frelimo tem sido um travão activo aos "pro­nunciamentos" do PR, no que se re­fere ao processo negocial em curso.
Os que se dizem analistas especia­lizados em assuntos moçambicanos coíbem-se de tocar no assunto, porque isso ofenderia os poderosos e intocáveis.
O colonial-fascismo era intocá­vel e não queria ouvir a palavra do povo sofredor de Moçambique. Ago­ra, são moçambicanos que se ba­teram contra o colonialismo que se negam a aceitar ouvir os seus compa­triotas e de atender aos seus direitos.
Estamos assassinando-nos só porque não nos toleramos e não conseguimos estabelecer as condições mínimas para que a concórdia cubra o solo pátrio.
Precisamos todos de compreender que a adulação e o falso elogio indu­zem os políticos a erros muito graves.
A grave situação de hoje é o resul­tado de uma bajulação que já dura há várias décadas. (Noé Nhantumbo)
CANALMOZ – 25.01.2017

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