sábado, 7 de janeiro de 2017

“A diversidade não é uma ameaça”



Michelle Obama em sua despedida:

Primeira-dama faz último ato público na Casa Branca pedindo que os norte-americanos defendam direitos

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CRISTINA F. PEREDA

TwitterCorresponsal en Estados Unidos
Washington 7 JAN 2017 - 04:34 CET


Michelle Obama se despediu nesta sexta-feira dos norte-americanos com uma mensagem dirigida aos jovens em que os exortou a não terem medo do futuro e defendeu os valores da diversidade num discurso dedicado à educação. “Essa é a mensagem de esperança que os políticos deveriam compartilhar”, disse a primeira-dama, visivelmente emocionada. Pouco antes de deixar a sala, com lágrimas nos olhos, agradeceu por ter tido “a maior honra” em servir os cidadãos nestes últimos oito anos.





“A diversidade não é uma ameaça, é o que somos”, disse a primeira-dama na Casa Branca numa mensagem dirigida especialmente aos jovens. “Se seus pais ou vocês são imigrantes, saibam que fazem parte da mesma tradição que fez este país tão grande”. Michelle Obama disse o mesmo para aqueles que tentam desafiar o destino vindos da pobreza ou pertencem a minorias raciais e religiosas. “Nunca deixem que ninguém os faça acreditar que vocês não têm um lugar na nossa história”.

Obama comemorou em Washington as conquistas de seus programas para aumentar o número de estudantes que entram na universidade assim como as taxas de conclusão de curso nas escolas de todo o país. Como de costume, temperou sua mensagem com alguns conselhos para um futuro marcado pela incerteza da presidência de Donald Trump. “Não tenham medo, continuem concentrados, determinados, tenham esperança”, disse. “Lembrem que nenhum dos vossos direitos veio do nada, vocês devem fazer todo o possível para proteger o que herdaram”.

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Michelle Obama não parou de repetir durante seus oito anos como primeira-dama que “a educação é a chave do sucesso” e reiterou mais uma vez nesta sexta-feira, durante seu último evento público em Washington, antes que seu marido deixe a presidência. Poucas horas antes, a primeira-dama havia surpreendido um grupo de estudantes da capital que desejam entrar na universidade. Michelle distribuiu abraços e conselhos carregados de uma boa dose de honestidade, duas de suas características que voltou a manifestar ao se despedir dos norte-americanos.

Em 20 de janeiro, depois de Trump se tornar o 45º presidente dos EUA, um helicóptero levará a família Obama para sua nova residência, em Washington. Então também começará uma nova etapa para Michelle, que nestes últimos oito anos demonstrou seu caráter e personalidade, criando a versão mais moderna, ativa e dinâmica de uma primeira-dama até hoje.

Michelle Obama alternou sua versão de “mamãe-em-chefe” na Casa Branca com aparições em programas de humor e várias campanhas a favor de uma alimentação saudável nas escolas, da igualdade de oportunidades para todos os jovens e de cuidados médicos de qualidade para veteranos de guerra. Nestes últimos gestos, cumpriu seu papel tradicional de primeira-dama. Nos primeiros, mostrou-se como uma profissional disposta a construir uma imagem autêntica, sem precedentes nos EUA.

O resultado mais claro desse trabalho foi visto em outubro. Michelle Obama tinha feito poucos discursos durante as duas campanhas presidenciais do marido. No ano passado foi diferente. A publicação de um vídeo com uma conversa sexista do candidato republicano acabou inspirando-a a fazer campanha para Hillary Clinton. “Não posso deixar de pensar nisso”, disse ao público. A primeira-dama não escondeu que se sentia afetada pelas palavras de Trump e seu discurso marcou um antes e um depois na corrida eleitoral.



Nunca deixem que ninguém os faça acreditar que vocês não têm um lugar na nossa história

Durante os primeiros anos da carreira política do marido, Michelle nunca escondera a sua opinião sobre a política, mas assim que chegou à Casa Branca adotou uma postura mais contida. Estava ciente de que sua posição estava a serviço de todos os norte-americanos, mas ao longo dos anos foi dando-lhe uma forma pessoal. Duas semanas atrás, falou abertamente que o casal nem sempre teve grande apoio em Washington e do racismo que os dois enfrentaram desde a histórica vitória de Obama em 2008.

“Quando vocês estiverem em dificuldades e pensarem em desistir, lembrem-se de algo que ajudou Barack e eu durante todos esses anos”, disse uma Michelle Obama visivelmente emocionada nos últimos momentos de seu discurso. “Acreditem no poder da esperança”, disse, lembrando o lema Hope, que inspirou a campanha do democrata. “Isso é o que nos ajudou a superar todas as palavras de divisão, raiva e medo que enfrentamos em nossas próprias vidas”.

Os norte-americanos terão de esperar para saber qual Michelle Obama surgirá de seus anos fora da Casa Branca. Talvez siga a tradição de suas antecessoras e publique suas memórias. Talvez dê prosseguimento à sua faceta mais ativista dos últimos meses. Seu círculo mais próximo nega que, apesar das pressões, ela esteja disposta a apostar na presidência. A única garantia, se o passado serve de pista, é que a versão cidadã de Michelle Obama será construída por ela, e à sua maneira.

Nesta sexta-feira ela prometeu que continuará a defender os interesses das futuras gerações de norte-americanos. “Vou continuar ao lado de vocês”, disse. Obama também pede que os jovens busquem “a melhor educação possível para que possam pensar criticamente e se expressar com clareza. Assim poderão se transformar na força mais positiva que dê impulso às suas comunidades”, disse cercada pelos vencedores do prêmio nacional e estadual do melhor assessor educacional do ano. Foi também um bom resumo do seu legado. Com lágrimas nos olhos, Michelle Obama disse adeus à Casa Branca com um “obrigado” e um desejo: “Espero que vocês estejam orgulhosos de mim”

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