terça-feira, 3 de janeiro de 2017

A culpa é toda das redes sociais. E já agora da máquina a vapor


JORNALISMO


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É sempre fácil encontrar bodes expiatórios quando a realidade nos ultrapassa. Agora são as redes sociais, vistas como culpadas de todos os populismos. É no que dá olhar demasiado para o nosso umbigo.
A vitória dos populismos em diferentes partidas deste nosso mundo não tem uma explicação fácil. Sobretudo não tem antídoto seguro. Mas parece que já temos um bode expiatório: as redes sociais e a tecnologia. Se lermos os textos mais recentes de Miguel Sousa Tavares (Expresso), José Pacheco Pereira e Paulo Rangel (ambos no Público) corremos o risco de ficar com a percepção de que Donald Trump ganhou as eleições porque, de repente, se descobriu uma coisa nova a que chamamos “pós-verdade”, ou que estamos a ficar mais ignorantes (ou “novos ignorantes”) porque andamos com um smartphone no bolso e estamos sempre consultá-lo, ou ainda que estes instrumentos corroem o valor da liberdade em democracia.
Peço desculpa, mas acho que seguindo por este caminho estamos de novo a tentar tapar o sol com uma peneira. E que estamos, sobretudo, a ignorar a mensagem que os eleitores enviaram ao votarem “errado” – pelo menos “errado” de acordo com a nossa perspectiva.
Começo recordando uma história que já contei aqui no Observador, a de Lee Mavrakis, o mayor de Monessen, uma pequena cidade da Pensilvânia que, depois de ter sido toda a vida um activo eleitor democrata (e um sindicalista), acabou agora por optar por Trump. E recordo-a por uma razão simples: a primeira coisa que Lee me disse quando entrei no seu gabinete, em Julho do ano passado, foi que mandara retirar o computador da sua secretária – o ecrã estava de resto virado contra uma parede numa estante, abandonado e cheio de pó. O antigo operário siderúrgico não fazia pois ideia do que era uma rede social, só utilizava o telemóvel para fazer chamadas e não creio que tenha sido influenciado por qualquer das mentiras sobre Hillary Clinton difundidas um jovem búlgaro. Ele pura e simplesmente sentia-se esquecido pelas elites de Washington e ignorado por um Presidente Obama a quem enviara sucessivas cartas (não emails).
Esta história vale o que vale, mas é uma entre muitas que a imprensa americana (e de todo o mundo) começou a contar com mais detalhe depois da surpresa das eleições. Se quisermos perceber onde é que os diferentes populismos encontraram audiência temos de perceber quem votou pelo Brexit em vez de diabolizar os ingleses pobres; tal como temos de compreender o sentido profundo da arrogância que está por detrás da referência de Hillary aos “deploráveis” ou da forma como Mateo Renzi quis impor a sua vontade aos italianos; de perceber que há bairros inteiros em França (mas também noutros países europeus) onde os nacionais sentem que não estão já no seu país; e de enfrentar sem dogmas a evidência de que os cidadãos têm, um pouco por todo o lado, a percepção que já nem pelo voto são senhores do seu destino.
As redes sociais e a tecnologia não criaram estas realidades. As redes sociais não passaram de bestiais (no tempo em que ajudaram a eleger Obama ou atraiam multidões para os comícios de Bernie Sanders) a bestas (só porque Trump é um incontinente do Twitter). As ondas geradas pelas redes também não passaram de boas demonstrações de cidadania (quando, por exemplo, procederam ao linchamento de Isabel Jonet) a serem apenas uma “ditadura das massas” (quando estão menos ao nosso gosto).
A “pós-verdade” também não nasceu ontem. Antes dela houve o boato, e sabemos como este provocou motins e até massacres (recordam-se da chacina dos judeus de Lisboa naquela que ficou conhecido como a “matança da Páscoa de 1506”). Ou como levou a corridas aos bancos e ao crash das bolsas. Por vezes boatos mal-intencionados, por vezes inocentes, quase sempre mais difíceis de combater antes deste tempo de informação instantânea. Um pouco de memória é sempre útil para colocarmos a realidade, mesmo que desagradável, no seu contexto. A crueldade e a irracionalidade das multidões são parte da nossa história e nunca deixámos nem deixaremos de as enfrentar. A Marcha sobre Roma de Mussolini não precisou do Twitter (ou da televisão) para acontecer.
Mais: que sentido faz indignarmo-nos com a “pós-verdade” neste tempo em que a política se faz sobretudo de “narrativas” – um conceito introduzido em Portugal por José Sócrates e ainda hoje reclamado pelas luminárias do PS. Ou que sentido faz reclamar que o debate público só se faça de verdades certificadas quando os mesmos factos (os números da dívida, ou do crescimento, ou do desemprego) podem servir copos meio-cheios e copos meio vazios? O caminho tem de ser mais inteligente e mais racional, pois não bastará pensar que tudo se resolverá com um batalhão de “fact checkers” a trabalhar para o Facebook.
E aqui chegamos a um segundo campo de problemas: o da mediação e validação da informação. Ou o da erosão do papel do jornalismo como certificador do que é verdadeiro e do que é falso, ou como definidor do que é importante e do que é dispensável. Mais uma vez é necessário ter uma perspectiva de longo prazo: a crise da imprensa escrita é muito anterior à explosão das redes sociais, começou até antes da vulgarização da Internet (se bem que não possa ser dissociada desta última). A crise da televisão generalista é mais recente, mas também é inelutável: num artigo recente Tony Blair referia com mágoa que, quando foi eleito pela primeira vez, há 20 anos, o principal noticiário da BBC era visto por 10 milhões de britânicos; agora é visto por apenas 2,5 milhões. Podemos encontrar números semelhantes em todos as democracias avançadas: a perda de audiência dos principais serviços noticiosos é uma regra um pouco por todo o lado.
Porque é que isto aconteceu e continua a acontecer? Em parte porque mudou a tecnologia e mudaram os hábitos. O utilizador deixou de ser um espectador passivo, obrigado a seguir o alinhamento escolhido pelos responsáveis dos telejornais – passou a escolher o que quer ver e quando quer ver, ou o que quer ler e quando quer ler. Se já não estamos no tempo em que Ford dizia que os clientes dos seus carros podiam escolher a cor que quisessem desde que fosse preto, também já não estamos no tempo o jornalista comandava sozinho o “trânsito” da informação.
Em princípio esta maior capacidade escolha – e uma maior diversidade da oferta informativa, assim como mais concorrência – deveriam ser notícias positivas. Porque estamos então preocupados? A resposta tem de ser dura e directa: porque quando o público teve possibilidade de escolher, verificou-se que tinha muito menos confiança nos jornalistas do que se pensava. Quando se troca a leitura de jornais pela leitura de uma notícia partilhada no Facebook não se está apenas a poupar o custo e o trabalho da ida à banca – está-se a aceitar a recomendação de alguém das nossas relações, alguém mais próximo de nós, alguém em quem confiamos ou com quem nos identificamos. Mas não só: está-se também a virar as costas a um jornalismo que muitas vezes nos diz muito pouco, um jornalismo que anda demasiado à volta do seu umbigo, um jornalismo onde se desmerece as pessoas comuns pois, na maioria das redações, todos elas não passam realmente de “deploráveis”. Ou então de gente xenófoba. Ou homofóbica. Ou o que nos vier à cabeça.
Muitos órgãos de informação nos Estados Unidos reconheceram, depois de uma derrota que também foi sua – não houve um único grande título que recomendasse o voto em Donald Trump –, que também eles estavam como que “cortados” da realidade. O que se discutia nos círculos de Washington, nos cafés do Soho em Nova Iorque ou nos restaurantes da moda em Los Angeles nada tinha a ver com o que preocupava os munícipes de Lee Mavrakis ou toda essa massa de eleitores a quem chamam “white trash”. Mas não sei se aprenderam a lição e se arrependeram, pelo que continuo a ler nos sites “de referência”.
Esta evolução tem um terrível efeito sobre a saúde da democracia, pois a democracia exige que todos possamos falar com todos. Na Grécia antiga isso fazia-se na Ágora, nos tempos modernos isso faz-se nos meios de comunicação de massa. Faz-se ou fazia-se: ao desertarem, muitos eleitores começaram a falar apenas com aqueles que pensam da mesma maneira, e aí sim as redes sociais podem ter o efeito perverso de potenciar a fragmentação e atomização do debate público, num processo de auto-guetização e auto-segregação. Só se fala com quem pensa como nós, fecham-se os ouvidos a todos os outros argumentos.
Mas este é o momento final, não o inicial. As redes sociais, como a televisão por cabo, como o Google, como os smartphones, estão para ficar – como esteve para ficar a máquina a vapor no dia em que começou a substituir o trabalho braçal e a aterrorizar os ludistas. Como o Sol não se tapa com uma peneira, não se pára um mundo em mudança. Usa-se é a nosso favor, como sempre sucedeu no passado com qualquer desenvolvimento tecnológico: o aço com que se construíram os canhões da I Guerra Mundial foi também o que permitiu os carris dos caminhos de ferro e o esqueleto dos arranha-céus.
Algo, no entanto, temos de reter: mais do que as novas ignorâncias dos cidadãos comuns, mais do que os efeitos de manada das redes sociais, quem tem falhado são os que insistem em não ouvir os eleitores. Porque estes há muito que deram sinal de que querem falar, pois estão zangados. E não se iludam: há mais problemas pela frente, pois em 2017, pelo menos na Europa, todos estarão apenas empenhados em esconder o lixo debaixo dos tapetes. O mais difícil ficará para depois, quando for ainda mais difícil. E se formos a tempo.
Nema Godinho
33 m
Mais um belo trabalho! E a pergunta fica... Quando as coisas se complicarem a vários níveis, sobretudo, monetários em relação aos défices ainda haverá forma de remendar os buracos sem fundo? Talvez não! O José Manuel Fernandes ainda deixa a dúvida "se formos a tempo", no entanto, sou muito mais pessimista, talvez pela experiência de vida! 
José Mendes
1 h
A comunicação faz-se sempre, até a total ausência de comunicação é comunicação. A cultura dos povos e das nações constrói-se com a sedimentação de momentos agregadores nas vitórias ou derrotas, na paz e na guerra, na fartura e na privação... A cultura dos povos não muda senão por acréscimo de mais uma camada a sedimentar sobre as demais. A comunicação tem um papel infinitesimal na cultura dos povos e respectivas nações. As mudanças que estão a ocorrer são a afirmação das culturas dos povos e das nações sobre os abusos da fina camada de tecnocratas e "políticos" serventuários de interesse contra o bem-estar dos povos. Toda essa gente tem de ser varrida e a cultura dos povos tem de retomar o poder dos seus Estados e estes têm de condicionar os negócios aos interesses do bem-estar dos povos e das nações. A comunicação atabalhoadamente dará conta do que for capaz de perceber. Só a história registará a limpeza em curso com a cultura dos povos como sujeito.
victor guerra
1 h
Penso que ,infelizmente,em Portugal as massas não têm muito sentido crítico.Por isso,durante quatro anos ,a comunicação vendeu a maldade de Passos Coelho e durante este ano ,o riso alvar do Costa consegue um efeito Prozac.Não tivémos nada da "revolta" do Syriza ,do Podemos,da Frente Nacional ,do Brexit e finalmente do Trumpismo.A verdade virá da realidade exterior,tal como aconteceu com o Sócrates
Manuel RB
2 h
Excelente crónica. Numa semana em que um cronista incómodo foi afastado do DN. 41 anos depois do 25 de Novembro. E ninguém se indigna.
Se os porcos não gostam de pérolas, para quê insistir?
João PorreteManuel RB
2 h
Quem foi? Só por curiosidade. 
victor guerraManuel RB
2 h
Você tem a certeza de que o Alberto Gonçalves foi corrido?Seria um monumental escândalo!
Vasco Abreuvictor guerra
1 h
A sério? Se for verdade, é preciso uma manifestação nas ruas!!!!
Antonio CarneiroJoão Porrete
1 h
Aqui o tem: "por estas e por outras que, pelo menos em Portugal, boa parte da "direita" só merece aspas e, com frequência, uma marretada na cabeça. Agora certa "direita" deu em criticar o governo por prejudicar os pobres e, assim, ignorar a sua principal "causa" (felizmente as aspas ainda não são taxadas). Segundo a tese, há uma contradição entre a lendária preocupação da esquerda com os desgraçadinhos e as recentes medidas que mandam os desgraçadinhos apanhar bonés, dos impostos indirectos aos salários dos administradores da CGD, da punição das pensões mínimas às tropelias em volta da "sobretaxa" de IRS.Não vale a pena discutir as medidas, mistura de saque a tudo o que se mexe e de benesse aos que se encontram em posição de reclamar. Talvez valha a pena perguntar à "direita" em questão de onde tirou a extraordinária ideia de que a perpetuação e o fomento da pobreza traem os "princípios" da esquerda: nem de propósito, esses são os seus fins. E se o país não se parecesse demasiado a um asilo de lunáticos, o país notaria que a História está repleta de exemplos alusivos de como o "progressismo" ideológico é especialista em fazer progredir a miséria. Não há um único exemplo inverso. E não podia haver, sobretudo quando, grosso modo, um programa político se fundamenta no ressentimento e no parasitismo, e o roubo organizado é "justificado" pela crença de que umas dúzias de fanáticos e oportunistas utilizam melhor o dinheiro do que as pessoas que o ganharam.A lamentável ironia disto é que a esquerda não se limita a criar pobres, mas alimenta-se da respectiva existência. Na oposição, os pobres, reais e imaginários, servem de argumento eleitoral. No poder, servem de criminosa compensação "moral": ainda que a esquerda espatife uma economia, espalhe a desgraça e, nos regimes que consagram os verdadeiros apetites do BE e do PCP, vulgarize a fome, o "facto" é que agiu com as melhores intenções, invariavelmente sabotadas por "interferências" internas e externas. É difícil imaginar patranha tão infantil. Porém, em pleno século XXI (para recorrer a um desagradável cliché), é espantosa a quantidade de gente que a reproduz e, em situações de idiotia terminal, a engole.Lembram-se da "austeridade" de 2011-2015, a qual, receosa ou injusta consoante os dias, respondeu aos delírios do eng. Sócrates e, mal ou bem, esforçou-se por devolver a nação a trilhos civilizados? É impossível esquecer, visto que os "telejornais" andaram quatro anos a oferecer-nos o rol das vítimas do dr. Passos Coelho, da troika e do "neoliberalismo" (?): a "austeridade" forçava as crianças a chegarem subnutridas à escola; a "austeridade" aumentava o número de suicídios; a "austeridade" desmantelava o sistema público de saúde; a "austeridade" propagava os divórcios; a "austeridade" empurrava os jovens para a emigração; a "austeridade" despenteava os pêssegos carecas; etc.Quanto ao assalto em curso, que se esgota em si próprio, que nos aproxima do Terceiro Mundo e que deixará imensas saudades da "austeridade" (e, aposto, dos delírios do eng. Sócrates), passa na "informação" televisiva a título de "crescimento", "redução do défice", "virar de página", o tal "tempo novo". Até um rating sofrível, antes motivo de galhofa, é hoje uma celebrada proeza. Porquê? Porque o assalto em curso é de esquerda, salvo-conduto para que coisas abomináveis sejam encaradas com a devida ternura. Onde havia maldade gratuita, reina uma caríssima bondade.A esquerda, cujo admirável combate à desigualdade apenas se traduz no rendimento (dado que em breve não sobrará nenhum), gosta tanto de pobres que não se satisfaz com os que há. A esquerda precisa de mais pobres. Os pobres de espírito precisam da esquerda. E certa "direita" precisa de juízo." 
Antonio CarneiroVasco Abreu
1 h
Leia abaixo, Vasco, e relembre que fez um comentário muito elucidativo aquando da escrita deste artigo pelo Alberto Gonçalves! É por estas e por outras que, pelo menos em Portugal, boa parte da "direita" só merece aspas e, com frequência, uma marretada na cabeça. Agora certa "direita" deu em criticar o governo por prejudicar os pobres e, assim, ignorar a sua principal "causa" (felizmente as aspas ainda não são taxadas). Segundo a tese, há uma contradição entre a lendária preocupação da esquerda com os desgraçadinhos e as recentes medidas que mandam os desgraçadinhos apanhar bonés, dos impostos indirectos aos salários dos administradores da CGD, da punição das pensões mínimas às tropelias em volta da "sobretaxa" de IRS.Não vale a pena discutir as medidas, mistura de saque a tudo o que se mexe e de benesse aos que se encontram em posição de reclamar. Talvez valha a pena perguntar à "direita" em questão de onde tirou a extraordinária ideia de que a perpetuação e o fomento da pobreza traem os "princípios" da esquerda: nem de propósito, esses são os seus fins. E se o país não se parecesse demasiado a um asilo de lunáticos, o país notaria que a História está repleta de exemplos alusivos de como o "progressismo" ideológico é especialista em fazer progredir a miséria. Não há um único exemplo inverso. E não podia haver, sobretudo quando, grosso modo, um programa político se fundamenta no ressentimento e no parasitismo, e o roubo organizado é "justificado" pela crença de que umas dúzias de fanáticos e oportunistas utilizam melhor o dinheiro do que as pessoas que o ganharam.A lamentável ironia disto é que a esquerda não se limita a criar pobres, mas alimenta-se da respectiva existência. Na oposição, os pobres, reais e imaginários, servem de argumento eleitoral. No poder, servem de criminosa compensação "moral": ainda que a esquerda espatife uma economia, espalhe a desgraça e, nos regimes que consagram os verdadeiros apetites do BE e do PCP, vulgarize a fome, o "facto" é que agiu com as melhores intenções, invariavelmente sabotadas por "interferências" internas e externas. É difícil imaginar patranha tão infantil. Porém, em pleno século XXI (para recorrer a um desagradável cliché), é espantosa a quantidade de gente que a reproduz e, em situações de idiotia terminal, a engole.Lembram-se da "austeridade" de 2011-2015, a qual, receosa ou injusta consoante os dias, respondeu aos delírios do eng. Sócrates e, mal ou bem, esforçou-se por devolver a nação a trilhos civilizados? É impossível esquecer, visto que os "telejornais" andaram quatro anos a oferecer-nos o rol das vítimas do dr. Passos Coelho, da troika e do "neoliberalismo" (?): a "austeridade" forçava as crianças a chegarem subnutridas à escola; a "austeridade" aumentava o número de suicídios; a "austeridade" desmantelava o sistema público de saúde; a "austeridade" propagava os divórcios; a "austeridade" empurrava os jovens para a emigração; a "austeridade" despenteava os pêssegos carecas; etc.Quanto ao assalto em curso, que se esgota em si próprio, que nos aproxima do Terceiro Mundo e que deixará imensas saudades da "austeridade" (e, aposto, dos delírios do eng. Sócrates), passa na "informação" televisiva a título de "crescimento", "redução do défice", "virar de página", o tal "tempo novo". Até um rating sofrível, antes motivo de galhofa, é hoje uma celebrada proeza. Porquê? Porque o assalto em curso é de esquerda, salvo-conduto para que coisas abomináveis sejam encaradas com a devida ternura. Onde havia maldade gratuita, reina uma caríssima bondade.A esquerda, cujo admirável combate à desigualdade apenas se traduz no rendimento (dado que em breve não sobrará nenhum), gosta tanto de pobres que não se satisfaz com os que há. A esquerda precisa de mais pobres. Os pobres de espírito precisam da esquerda. E certa "direita" precisa de juízo" .
Cipião Numantinovictor guerra
1 h
Caro vGuerra, recuso-me a acreditar, mas já nada me surpreende no DN. O cantinho de liberdade que ambos frequentámos desde há uns anos onde, entre outros cronistas, pontificava o Alberto Gonçalves está a ficar irreconhecível. Atual coito de comunistas, geringoncistas e politicamente corretos, está paulatinamente a transformar-se numa espécie de Avante 2. Já não bastava terem corrido com a maioria dos comentadores anti status quo, como eu próprio, só faltava mesmo agora correrem com o AG, simplesmente o articulista que fazia em fanicos os politicamente corretos e metia a ridículo as alarvidades da geringonça. Lamentável!...
victor guerraCipião Numantino
1 h
Calma,eu só perguntei ao Manuel RB se se tratava do AG.Mas,ele foi para o ó-ó
Joaquim Moreira
2 h
Pior que a culpa das redes sociais e da "máquina a vapor" é a culpa da maioria dos jornalistas. O recente caso da Caixa prova-o bem. Tudo fazem para conseguir proteger o verdadeiro culpado por este imbróglio, ao mesmo tempo que criam na opinião pública dos "velhos ignorantes" a ideia de que António Domingues é o responsável pelas decisões tomadas pelo Patrão. Talvez por este não estar habituado a tamanha responsabilidade ou apenas para não descer nas sondagens. Viva a "velha ignorância"! 
Vasco Abreu
2 h
Ainda hoje debati este tema com colegas meus, referindo-me a Miguel Sousa Tavares, a Pacheco Pereira, a Paulo Rangel, a Paulo Baldaia e até a Jean-Claude Junker. A conclusão foi: os jornalistas parecem os taxistas contra a Uber... Como vê, as conclusões foram semelhantes, os argumentos é que estiveram bem longe dos seus... 

Parabéns, José Miguel Fernandes

PS.: Por que razão o óbvio é  visto por tão poucos?!
Antonio CarneiroVasco Abreu
2 h
Porque o óbvio não paga. O contrário, esse, paga e bem. Veja o caso da TVI que colapsou financeiramente imergida nas dividas do grupo a que pertence! Lembre-se de que um cão que morde num Humano, não é notícia. Mas o seu contrário, abre noticiários..... Abraço Vasco, e continue a fazer o seu trabalho, por aqui. Eu e muitos outros, ficamos agradecidos.
victor guerraVasco Abreu
2 h
Tem toda a razão .Neste âmbito de aldeia e de compadres,que se vive em Portugal,a última coisa que me interessa é o que escrevem aquelas e outras luminárias
Cipião Numantino
2 h
Decididamente. A maioria dos jornalistas e outros intervenientes nos media ainda não percebeu bem o que está a acontecer. Os feitores das verdades absolutas e convenientes tentam agora adaptar-se ao que eu designaria de quadrado redondo. E numa espécie de procura insana, pululam estultamente entre o alfa e o ómega da questão, sem sequer vislumbrarem uma verdade tão simples e comezinha que até dói. As pessoas começam a ficar fartas dos diktats e komsomols, numa espécie de reedição serôdia ocidentalizada do que se passou na extinta URSS. Os politicamente corretos e seus sequazes esquerdistas tornaram-se de tal forma omnipresentes e invasivos, que as pessoas começam a dizer, basta. Os jornalistas, numa grande parte discípulos diletos de tudo o que é esquerdista e politicamente correto acabam, assim, por apanhar por tabela e já ninguém lhes liga importância. Entre tantos outros casos que poderia por aqui relatar, vou exemplificar um, incidindo sobre o nosso estimado Brasil. O colégio público Pedro II, no Rio de Janeiro, não é bem um colégio qualquer. Ele existe desde 1837, portanto, praticamente desde a independência da grande nação-irmã. Não se pense que se trata aliás de um caso isolado no Brasil, pois há exemplos mais que muitos de semelhantes aleivosias. A educação eminentemente marxista do Brasil adotou a ideia peregrina de incentivar os adolescentes que lá estudam a usarem saias!!! Leram bem, rapazes a usarem saias!!! Explicação avançada é que, perante a igualdade de género, isso faria todo o sentido. Não contentes com isso, está por lá a desenrolar-se um processo de modo a terem casas de banho (eles dizem banheiros) unissexo servindo, assim, todos os rapazes e raparigas que, como nas Escolas Secundárias daqui, poderão chegar aos 18 anos ou até mais se entretanto chumbarem. Que lindo, não acham??? Pois é, e por lá, em terras de Vera Cruz, começa a institucionalizar-se na prática a igualdade do género como por aqui ainda há pouco o BE afanosamente pretendia com a rábula do cartão de cidadão, lembram-se? Por cá a coisa só borregou, porque o nosso povão pôs cara feia, e a trupe rebaldeira do BE acovardou-se e deu de frosques. No Brasil, entre muitos outros exemplos, agora começa em algumas escolas a não se escrever aluno ou aluna, mas sim ALUNX. Ou seja, em todas as designações, em substituição da vogal O ou A para determinar o masculino/feminino, passa a escrever-se X configurando, assim, a igualdade de género. A juntar a tantas outras coisas que por lá se passam, como o projeto de se ensinar a homossexualidade nas escolas com distribuição de Kits Gay a crianças a partir dos 6 !!!! anos de idade ou, por aqui, com o movimento que se forma para se exigir o ensino do aborto nas escolas públicas a crianças a partir dos 10 anos, diz-nos bem ao estado calamitoso a que nos confinaram. E do aprisionamento de tradições e vontades a que permanentemente nos sujeitam. Ora é contra este estado de coisas que as pessoas se começam a rebelar. Que os jornalistas esquerdistas e politicamente corretos, que são a grande maioria, e demais acólitos dos media ainda não o tenham percebido, só por si, diz bem da torre de vidro em que se auto-isolaram. Vão-se habituando que, assim, dói menos!...
Aprende-se sempre consigo... Bom Ano de 2017 para si!
Cipião NumantinoVasco Abreu
2 h
Tal elogio, vindo de si, trata-se de uma grande honra. Um bom ano também para si e para todos os seus.
Victor BatistaCipião Numantino
1 h
O Sr e uma fonte de sabedoria e inspiracao .
Leio com muita atencao o que escreve, e o Sr faz isso por "parabolas "muito bem delineado, mostrando o antes o actual e o depois, 
Simplesmente fantastico! Nunca perco a oportunidade de ler. 
Cipião NumantinoVictor Batista
1 h
Mais uma grande honra. Vcs estragam-me com elogios hehehehe. Mais a sério, trata-se de um grande incentivo que me convida a prosseguir. Obrigado.
Hugo Nunes
3 h
Excelente análise.
Rui Pedro Matos
4 h
Muito bem.
João Amaro
4 h
Para mim a vitória de Trump não foi grande surpresa 
Com pérolas destas, manipulação e mentiras a torto e a direito por parte da imprensa mau era se a Hillary ganhasse.

https://www.youtube.com/watch?v=tydRQuzedy0

Agora a nova missão dos Mass Média é o Impeachment do Trump, ele ainda nem é presidente mas "O processo já começou"

http://www.huffingtonpost.com/entry/impeaching-trump_us_5869b806e4b0eb586489f3a4
Artur Costa
4 h
Já sabemos que JMF está com Pacheco Pereira e com Sousa Tavares na luta pelo espectador, pela percepção e pela perspectiva. E pela "mágua", também?
Helder Vaz Pereira
4 h
E verdade, só não entendo como os gestores de TVs e  jornais pagam principescamente a comentadores e pseudo-jornalistas ditos "independentes" já que estes estão sempre a aldrabar  o público, e as empresas onde trabalham a somar défices ano após ano. Nos dias de hoje já não vamos na conversa dessa gente e as empresas bem podiam poupar nessas avenças  afim de diminuir os prejuízos.

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