segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Sobre a violência na sociedade


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CARTA A MUITOS AMIGOS
Nos últimos dias muito se falou e especulou sobre o assassinato com quatro tiros de pistola de Valentina Guebuza pelo seu cônjuge. Casados há pouco mais de dois anos, uma menina com ano e meio. O que dizer?
O presumível assassino encontra-se detido e aguarda julgamento. A arma usada e outras encontradas em sua posse, todas ilegais, não registadas e alegadamente compradas fora do país.
A família Muiuane todos sabem composta por gente proba, o pai do Zófimo fez parte dos patriotas presos pela PIDE e a sua família e a dos seus compadres de há muito se relacionavam com amizade.
Este assassinato recente leva-nos a várias interrogações.
Faz dias Josina Machel, filha do malogrado Presidente Samora e da Graça, voltou ao tribunal onde apresentara queixa contra uma agressão do marido que determinou a perda de uma vista.
De novo e desobedecendo à convocatória do Tribunal o presumível agressor não compareceu. Faz mais de um ano que o processo marca passo, quem protege o agressor, como ousa ele não se apresentar à Justiça, quando convocado?
Estes dois casos fazem parte da grande difusão do crime pela comunicação nacional e estrangeira.
Há que nos interrogarmos sobre o que está a acontecer no nosso país e no mundo, a banalização total da violência e especialmente conjugal.
Faz anos a UNESCO convidou-me para uma colóquio sobre a cultura de violência em África e sobretudo na juventude e crianças.
Escutei com atenção e não reagia. Instado a falar disse, nas nossas terras os contos e lendas que contamos a filhos e netos, não transmitem violência, os jogos das crianças fazem parte do normal sem agressões.
Os filmes, vídeo jogos que consumimos fazem parte dos produtos importados. Quem os cria não vivem no continente, nem os produzem cá. Perguntem a eles. Se o Estado proibir haverá gritos contra a censura em Moçambique e no continente. Atingimos interesses importantes e bem estrangeiros.
Interroguemo-nos sobre o que se passa, se hoje há mais violência que no passado e os porquês.
1.   Até ao surgimento da rádio e dos jornais as notícias corriam via estafetas a cavalo. Só passadas semanas ou meses se descobria que até havia uma rebelião ou guerra no país.
2.   As perseguições e mortandade de pessoas sempre existiram, no tempo dos faraós, da Roma imperial, no império de Constantino, a perseguição contra os judeus e ditos hereges, as fogueiras da não tão santa Inquisição.
3.   Mortes cônjuges, violações de crianças, mulheres, homens, jovens, adultos e gente idosa não começaram nem no século XX nem no actual.
4.   Simplesmente hoje uma violência em Los Angeles torna-se na hora conhecida em Tóquio, Maputo, Londres, Cairo, etc…
5.   Interesses de empresas forçam guerras, assim se destruiu o Afeganistão, o Iraque, a Síria, a Líbia nunca se tomaram medidas contra os autores dos massacres em Moçambique, Angola, Guiné (B), os assassinos de Lumumba, os ditadores e déspotas na África, América Latina e Central. Eles serviam interesses superiores de quem manda no dinheiro.
6.   Há países, como os Estados Unidos onde nada controla o comércio de armas. Agora até se recomenda nas escolas que os professores e guardas se encontrem armados, inventaram-se mochilas blindadas para as criancinhas que frequentam o primário!
Deixemos o que se passa lá fora e examinemos como vivemos aqui, que medidas preventivas se tomam para assegurar a vida das gentes, os seus bens, as suas casas, as ruas em que vivem.
Partamos de duas questões essenciais:
1.   Não compete especialmente ao Estado e como obrigação moral e constitucional a nossa protecção? Em que ruas circula a polícia, mesmo na capital, pela noite, quando chove ou bate o sol, nos Domingos e feriados?
2.     A responsabilidade de educar as crianças e jovens cabe às escolas, ou aos pais? Como cumprem eles este dever perante os filhos? Como olham para o quotidiano deles, em especial nos fins-de-semana? Como verificam a que horas saiam para as farras, discotecas e quando e como voltam, etc?
3.     São as escolas que devem cumprir estas tarefas, ou os progenitores e acrescento, que exemplos dão esses pais aos filhos? O que significa Dia dos HomensDia das Mulheres?
Claro que desejamos segurança para as nossas vidas e bens. Óbvio que nenhum progenitor sério e digno deseje que os seus descendentes enveredem pelas vias do crime.
Repito, não basta a acção do Estado e da escola, a educação começa sempre em casa.
Pais analfabetos criam filhos trabalhadores e honestos, porventura sem como eles saberem ler e escrever, falar português ou outras línguas além da natal.
Vivemos, queiramos ou não num mundo em que correm as notícias, sobretudo más, em que as televisões e vídeo jogos propagam uma cultura de violência e matanças, se banaliza o valor da vida de outrem, que se torna em mero alvo para abater.
A Alemanha, país que ninguém contesta que faça parte das democracias e com o apoio dos principais partidos estuda como penalizar as calúnias, difamações, insultos e ameaças difundidas via facebook.
Censura ou defesa das gentes honestas? Mesmo se alguém comete um erro há que o difundir e na hora urbi et orbe?
Se ousarmos seguir o modelo alemão não nos vão acusar de oprimir a liberdade de expressão? Existe um direito à calúnia, difamação, insulto, ameaças? Ignora-se o direito à privacidade que todos possuem?
Interrogo-me e a todos onde lançamos o direito à privacidade? No caixote do lixo mais próximo?
Saudações aos que combatem a violência mesmo verbal.
Sérgio Vieira
  
P.S. Quando um tribunal francês reconhece que a Directora-Geral do FMI, enquanto ministra das finanças em França cometeu irregularidades sérias por negligência, como nos devemos sentir, sobretudo quando a instituição que dirige declara não haverem razões para retirarem a confiança na Sr.ª Lagarde.
Negligente? Ela manda em nós!
Obrigado pela confiança!
SV

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