sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Retrospectiva 2016 - Janeiro

Retrospectiva 2016 - Janeiro
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Destaques - Nacional
Escrito por Redação  em 27 Dezembro 2016
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No mês de Janeiro, os estragos decorrentes da época chuvosa se fizeram sentir em alguns pontos do vasto Moçambique. Noventa e quatro casas, ficaram total e parcialmente destruídas, em virtude de chuvas acompanhada por ventos fortes, nos distritos de Mágoe, Cahora Bassa, Zumbo, Mutarara e cidade de Tete, na província com o mesmo nome. Em Nampula, certas famílias faziam contas à vida também por conta do vendaval.
Portácio Palito, técnico de prevenção e mitigação das calamidades, no Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) em Tete, disse à Rádio Moçambique que as chuvas e os ventos fortes provocaram também inundações e destruição de algumas escolas.
Por conseguinte, 365 pessoas passaram a viver em condições de vulnerabilidade, que consistem no agravamento da pobreza a que estão sujeitas, e decorreu medidas de prevenção e sensibilização das comunidades para evitarem frequentar os lugar propensos a ocorrência de calamidades.
Um forte vendaval destruiu, ainda, parcialmente uma esquadra na cidade de Nampula, no populoso bairro de Namicopo. Os blocos de operações e a secretaria foram os mais afectados. Além disso, seis casas de habitação e igual número de escolas e outras infra-estruturas sociais não foram poupados pelo mesmo fenómeno acompanhado pela chuva que caia há mais de uma semana.
O secretário permanente da província de Nampula, Dinis da Costa, disse à mesma estação radiofónica pública que os comités de gestão estavam a distribuir kits de material de construção para as famílias refazerem as suas habitações.
Refira-se que já em Cabo Delgado, a chuva intensa desalojou perto de 140 pessoas em Montepuez e deitaram abaixo 17 casas e deixou parcialmente destruídas pelo menos 25 delas, para além de ruas e algumas das quais intransitáveis.
Adolescente orfã violada pelo marido da irmã em Catandica
Uma adolescente foi violada sexualmente pelo marido da sua irmã, na residência onde vivem há cerca de um ano no município de Catandica, no distrito de Bárue, na província de Manica. O violador, identificado pelo nome de Tarissai Chimera, foi entretanto detido mas porém poderá ficar impune porque só 48 horas após o crime, que tudo indica não ser a primeira vez que acontece, é que a vítima recebeu atendimento médico o que indicia a falta de provas para a instrução do respectivo processo criminal.
Era noite e Aida* dormia no seu quarto quando foi acordada pelo cunhado, um cidadão com mais de 30 anos de idade, empunhando uma faca e obrigo-a a despir-se e a manter relações sexuais. A sua irmã, a esposa de Tarassai, não se encontrava na residência pois fora passar a noite na casa de uma vizinha onde, por sugestão do marido, deveria ficar como guarda nocturna, em mais um dos biscates que realiza para a sua sobrevivência.
Terminada a violação a jovem, que é orfã de mãe e de pai, pediu ao seu violador que a deixasse sair para o exterior, pois pretendia fazer as suas necessidades maiores. Correu para a casa da vizinha, localizada a cerca de 500 metros, e relatou a violação que acabava de sofrer a irmã.
Em vez de conforto e apoio psicológico a adolescente foi intimidada pela irmã, sob ameaça de expulsa-la da sua casa, a não revelar o sucedido.
Indústria do gás não tem beneficiado os "manhambanas”
Desde que a crise económica e financeira, agudizou-se os membros do Governo não se cansam de repetir que Moçambique precisa de aumentar a produção interna, incrementar as exportações e reduzir as importações para que a economia estabilize. Porém, além de não mencionarem o impacto da dívida pública na crise, também não se têm referido à pouca contribuição da indústria extrativa na melhoria da vida dos moçambicanos. Tal como indústria do carvão não melhorou a qualidade de vida dos tetenses e dos beirenses, a indústria do gás também não tem criado riqueza para os cerca de 1,5 milhão de manhambanas que continuam a ser, na sua maioria, camponeses que vivem em habitações de caniço e zinco, sem água canalizada e com latrinas não melhoradas.
O calvário dos manhambanas é a falta de emprego, apesar conviverem com a multinacional Sasol Petroleum Temane que há doze anos explora o gás natural existente em Pande e Temane. O Inquérito sobre o Orçamento Familiar(IOF) 2014/2015 apurou que 67,1% dos moçambicanos na província de Inhambane continua a trabalhar na agricultura, silvicultura e pesca com a despesa mensal de cerca de 6.154, meticais, um aumento de pouco mais de 100% em relação ao IOF de 2008/2009, contudo seis vezes menos do que os rendimentos dos maputenses (residentes na cidade e província de Maputo).
Em mais de uma década poucos manhambanas deixaram de ser camponeses, embora a multinacional sul-africana tenha investido só na fase inicial de 1,2 bilião de dólares norte-americanos. Aproximadamente 10% entraram para um ramo de actividade denominado no inquérito de “outros serviços”, 4,6% passaram a trabalhar no “comércio e finanças” e 3% trabalha na “indústria transformadora”.
Mais de 66% são trabalhadores por conta própria sem empregados, “pessoas que ao exercer a sua profissão o fazem sem empregados e o rendimento do seu trabalho reverte para si. Por exemplo, um camponês que trabalha na sua machamba sem empregados” segundo a definição do Instituto Nacional de Estatística. A indústria extractiva e minas registou um pequeno aumento de trabalhadores moçambicanos em Inhambane, passou de 0,2%, em 2008/2009, para 0,8, em 2014/2015.

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