segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Quadra festiva segura

Editorial

Quadra festiva segura

Estamos já na época festiva de Natal e Final do Ano. Este 2016 foi de muito aperto económico, muitos cortes nas despesas domésticas, muitas lamúrias, mas apesar de tudo continuamos vivos. 
Pairam no horizonte sinais que nos ajudam a acreditar que 2017, ainda que comece titubeante, será melhor, desde logo pelo ambiente construtivo nas discussões com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para retoma da ajuda ao país, a estabilização do câmbio, a subida do preço do carvão no mercado internacional, e, não menos importante, os contínuos esforços para o fim da tensão político-militar em alguns pontos do país.
Insuflado de esperança de 2017 melhor, os nossos concidadãos imigrantes e não só estão de volta ao solo pátrio para retemperar os ânimos e matar saudades da terra. Estima-se que mais de 900 mil pessoas poderão cruzar as fronteiras nacionais através de Ressano-Garcia e Goba e pelos postos marítimos de Pemba, Nacala e Beira.
Como se pode depreender, as autoridades não terão mãos a medir para que tudo corra de feição. Aliás não foi de todo despropositado o lançamento na passada quarta-feira (14) do comando conjunto operacional envolvendo a PRM, a INATTER e a Direcção Geral das Alfandegas, como também não foi mera circunstancia o lançamento no Centro de Instrução Paramilitar da Autoridade Tributária em Boane, da Operação Salama (PAZ), concebida para garantir ordem e tranquilidades públicas nas fronteiras e estradas nacionais durante a quadra festiva. Aliás, desde a passada quarta-feira e até ao próximo dia 8 de Janeiro de 2017 os cinco postos fronteiriços passam a operar 24 horas por dia.
A Polícia de Trânsito (PT), cuja missão primária é educar o automobilista, e quiçá o peão, pede-se e espera-se que esteja à altura de responder, com ética e deontologia, os numerosos desafios que lhes surgirão pela frente, como automobilistas visivelmente fatigados por causa de horas a fio ao volante, porém, teimosos em continuar com o fito de chegar cedo aos respectivos destinos.
 A nossa expectativa é que a PT não pactue com este tipo de comportamento a troco de parcos meticais, vulgo refresco, nem seja primeiro a pedir, para mais quilómetro menos quilómetros se ficar a saber que o automobilista enfiou-se debaixo de um camião, caiu de uma ponte, de uma ravina, embateu num poste de iluminação, atropelou mortalmente uns quantos transeuntes e ele próprio… obitou.  
A PT que não se deixe corromper. Se tiver que passar multa que o faça em consciência e não por artimanhas para extorquir. Se tiver que enveredar pela chamadatolerância zero que assim seja, porque antes isso do que todo um país lacrimejante em resultado de acidentes de viação que mutilam e matam.
Entretanto, acreditamos que este ano, em cada quilómetro, os automobilistas com chapa de inscrição estrangeira, sobretudo mineiros não serão constantemente importunados, primeiro para conferir a documentação da viatura, depois serem inquiridos sob o conteúdo que transportam, o que tem originado muita zanga entre as partes.
Aos concidadãos que moram e trabalham no país, mas que também vão se deslocar às suas zonas de origem, o apelo é que não decidam viajar, por exemplo, no dia 24 de Dezembro ou 31 de Dezembro porque, de repente, decidiram que melhor mesmo é passar a festa com os pais, avôs, tios, irmãos, netos , sobrinhos…
Particular atenção colocamos na juventude pois experiências anteriores nos mostram que é mesmo sobre o dia D que a maioria decide ir curtir o fim-de-ano nas paradisíacas praias de Inhambane ou Bilene, no caso da zona Sul, e Angoche, Ilha de Moçambique ou na baía de Pemba, na zona Norte, e aceleram até a exaustão ao que se segue a tragédia.
A estrada é feita de cuidados e perigos. A estatística que periodicamente nos é facultada mostra que jorra, gratuitamente, muito sangue nas nossas rodovias por libertinagem e imprudência. Até há quem diga que nelas está em marcha uma autêntica guerra civil.
Este ano torcemos também para que a responsabilidade com que os nossos irmãos conduzem do lado sul-africano seja a mesma do lado de cá. Trocando por miúdos, que não se ponham a emborcar álcool, com avidez, uma vez atravessada a fronteira, primeiro porque álcool e volante não combinam, segundo porque é indigestível a velha desculpa de que “cá em casa faz muito calor”.
Escrevemos desta forma quase alegre porque como diz o velho ditado a brincar, a brincar também se aprende. Este é assunto sério e tem de nos mobilizar o suficiente. Pretendemos uma quadra festiva do natal e do fim do ano segura!

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