sábado, 17 de dezembro de 2016

Joseph Kabila e família controlam pelo menos 70 empresas da RD Congo

16.12.2016 • 12h19

Documentos tornados públicos mostram império montado pelo presidente congolês. Investigadores falam em “sistema perverso”.
Por REDE ANGOLA.
Joseph Kabila e a mulher durante as celebrações da independência da RD Congo, em Junho [REUTERS/Kenny Katombe]
Desde o fim da guerra-civil na RD Congo, em 2003, o presidente Joseph Kabila e a sua família assumiram o controlo de pelo menos 70 empresas no país.
A dimensão do império dos Kabila tornou-se conhecida depois das entidades reguladoras daqueles país terem informatizado e tornado públicos os registos das empresas e do governo congolês.
A Bloomberg News, juntamente com o Pulitzer Center on Crisis Reporting, uma organização norte-americana que apoia trabalhos de investigação jornalística, compilaram centenas de milhares de páginas que mostram como “a mulher do presidente, dois dos seus filhos e oito dos seus sobrinhos controlam mais de 120 licenças de minas de ouro, diamantes, cobre, cobalto e outros minerais”, pode ler-se no relatório, citado pelo portal Africa News.
A indústria mineira é, aliás, a que melhor traduz a influência do presidente na economia do país: “Duas das empresas da família detêm, só por si, licenças para a exploração de diamantes numa zona que se estende por 720 km ao longo da fronteira sudoeste do Congo com Angola”, refere o documento.
Além disso, a família tem dezenas de participações conjuntas em empresas fantasma, através das quais detém acções em praticamente todos as indústrias do país.
“Isto cria um sistema tão perverso que até um pagamento aparentemente inócuo – como uma renda paga pela ONU a uma estação da polícia – acaba por encontrar o seu caminho até à família Kabila”, conclui o relatório.
A Bloomberg tentou chegar à fala com os visados, mas um porta-voz do governo fez saber que nem o presidente nem os seus familiares vão comentar uma matéria que consideram privada.
Joseph Kabila está em fim de mandato e impedido pela constituição de candidatar-se novamente. A RD Congo deveria ter escolhido um novo chefe de Estado no mês passado, mas problemas logísticos obrigaram ao adiamento do voto. O presidente mantém-se em funções até pelo menos Abril de 2018, data das próximas eleições.
Desde que o adiamento foi conhecido, em Setembro, que mais de 50 pessoas morreram em protestos anti-governamentais.
  • António Justo
    A escola Kadafiana,e de muitos outros Africanos é a masma,rebentam com o continente ,aumentando a pobreza,fazendo fugir os seus povos que ao aravessarem o mar mediterraneo ,morrem que nem gatos.
    É triste,quanta desumanidade.!!!!!!
    Como diz Trump são hienas que comem o seu próprio povo……
    A ONU deve ser mais activa para com estes regimes que infernizam a vida da populaça por serem contra a democracia que não enche a barriga.
  • EG
    Pelo menos, não deixou por mãos alheias os ensinamentos que recebeu do “padrinho” (de todas vezes que cá veio)…

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