quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Banco de Moçambique vai criar indexante para transparência nas taxas de juros dos créditos comerciais



PDF
Versão para impressão
Enviar por E-mail
Destaques - Nacional
Escrito por Adérito Caldeira  em 22 Dezembro 2016
Share/Save/Bookmark
Foto de Adérito CaldeiraO Banco de Moçambique(BM), que através das suas decisões contribuiu para o aumento das taxas de juros dos créditos da banca comercial, que rondam os 30%, pretende estabelecer um indexante através do qual “os bancos formarão as suas taxas das operações de crédito” com o intuito de oferecer aos clientes “instrumentos transparentes de negociação da taxa final de cada empréstimo”, revelou Rogério Zandamela nesta segunda-feira(19).
Discursando por ocasião do encerramento do ano económico, numa cerimónia onde não estiveram presentes os antigos Governadores do banco central, Zandamela disse que como medida para “reforçar a transparência no mecanismo de formação das taxas de juro que os bancos praticam com a sua clientela, o Banco de Moçambique está a negociar, com a Associação Moçambicana de Bancos, o estabelecimento de um indexante, que deverá ser único para todo o sistema bancário e que reflicta as condições de mercado”.
“Será com base neste indexante que os bancos formarão as suas taxas das operações de crédito para as diversas operações com os seus clientes, devendo os respectivos spreads ser amplamente divulgados, permitindo deste modo oferecer aos clientes do sistema bancário instrumentos transparentes de negociação da taxa final de cada empréstimo a contratar”, explicou o Governador do BM.
Depois recordar como 2016 foi um ano difícil Rogério Zandamela declarou ter “fortes razões para acreditar que a inflação iniciou um ciclo de abrandamento apontando as nossas previsões que a mesma situe ao redor dos 27% em finais de Dezembro, numa tendência decrescente que prosseguirá em 2017”.
Foto de Adérito CaldeiraO Governador reafirmou que o sistema financeiro está sólido, “com o rácio de solvabilidade médio a situar-se em 14,6%, bem acima dos 8% regulamentares” mas apelou “aos bancos comerciais e sociedades financeiras que operam no nosso mercado a continuarem a observar os mais altos padrões de rigor e profissionalismo na ponderação de riscos que a actividade financeira acarreta”.
No cargo há cerca de quatro meses, Zandamela tem perspectivas optimistas para o ano de 2017, todavia apontou como desafios “resgatar a reputação e a credibilidade do país e das suas instituições, nos planos internacional e doméstico”, assim como a “paz e a livre circulação de pessoas e bens por todo o território nacional”.
Embora Moçambique seja um dos mais vulneráveis às calamidades naturais, que acontecem todos os anos, o Governador do banco central disse que a sua instituição, assim como o Governo, não levam em conta os factores climáticos nas suas previsões e planos futuros, quiçá já a espera de uma seca ou cheias como desculpa as suas políticas ineficazes.

Pai da australiana morta no sul de Moçambique insiste em “descredibilizar” resultados da autópsia

PDF
Versão para impressão
Enviar por E-mail
Destaques - Nacional
Escrito por Redação  em 22 Dezembro 2016
Share/Save/Bookmark
O pai da jovem australiana encontrada sem vida numa praia no sul de Moçambique, a 09 de Novembro deste ano, continua a mover céu e terra na expectativa de encontrar possíveis explicações sobre o que terá originado a morte da filha, e não crê que ela perdeu a vida por asfixia ao cair de cara, segundo os exames de autópsia realizados em Moçambique e na África do Sul.
Apesar de estar à espera dos resultados de uma terceira autópsia, que só estarão disponíveis em Janeiro próximo, conforme avança a imprensa australiana, Paul Warren, parece já ter tido acesso ao processo, que dá conta de que Elly Warren, de 20 anos de idade, foi assassinada.
"Qualquer médico qualificado sabe que não foi uma morte acidental. Ela foi assassinada”, disse o pai da vítima ao jornal “Herald Sun”.
As autópsias efectuadas em Moçambique e na África do Sul afastaram a violência como causa de morte da jovem, e indicaram que ela caiu de frente e perdeu a vida asfixiada pela areia da praia.
Mas Paul Warren acredita no contrário. Para ele, quantidade de areia encontrada nos brônquios esquerdo e direito da filha são sinais de que ela foi violentada.
Cintando uma proeminente patologista em Joanesburgo, com mais de 40 anos de experiência no ramo, Paul declarou, de acordo com aquele jornal, que a patologista também ficou “muito surpresa ao ver quantidade de areia ainda na na boca de Elly, através de dois tubos de brônquios que levavam aos pulmões".
A turista Elly morreu na praia do Tofo, na província de Inhambane, na semana em que devia partir de Moçambique para o seu país. Warren afirmou ainda estar muito preocupado com o perigo em Moçambique, especialmente para as mulheres jovens que viajam sozinhas.
"Eu acho que é muito perigoso, muita gente local está dizendo que tem havido um aumento de estupros", disse ele, citado pelo “Herald Sun”.
"Sinto que a polícia moçambicana está a encobrir as coisas para salvar o seu turismo".
O @Verdade perguntou a Inácio Dina, porta-voz do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), em que ponto o assunto se encontrava. “Em relação à informação proveniente da Austrália não temos domínio”, disse na terça-feira (20) o agente da Lei e Ordem, numa conferência de imprensa sobre o balanço das actividades policiais.
Dina reiterou que se constou não ter havido violência na morte da cidadã em causa. Os exames de autópsia demonstraram se tratou de uma “morte natural. Poderia ter havido uma possível paragem cardíaca”, mas em nenhum momento houve violação sexual ou outro tipo de sevícia, ao contrário de informações postas a circular.

Rui Chong Saw aposta na água para mais um mandato em Nacala

PDF
Versão para impressão
Enviar por E-mail
Tema de Fundo - Tema de Fundo
Escrito por Adérito Caldeira  em 22 Dezembro 2016
Share/Save/Bookmark
Foto de Adérito CaldeiraHá cerca de 3 anos Rui Chong Saw foi eleito presidente do município de Nacala com a promessa de resolver o eterno problema de acesso a água potável canalizada que, em 2013, chegava a apenas 18% dos mais de 250 mil munícipes.“Estamos em 25% fornecimento de água para a população e vamos subir para 70% até ao próximo ano”, revelou o edil ao @Verdade e ainda manifestou a sua vontade de ficar pelo menos mais um mandato no cargo. Entretanto, uma reflexão de académicos do IESE concluiu que na cidade portuária, “a negociação e a captura das acções dos actores privados permitiram ao partido-Estado não só expandir os serviços de água às populações dos diferentes bairros da cidade de Nacala mas também expandir a sua dominação sobre uma população que lhe é historicamente hostil”.
O drama da falta de água em Nacala data dos primórdios da sua existência, nos anos 50. A chegada ao poder de Manuel dos Santos, do partido Renamo em 2003, levou o partido Frelimo a usar o acesso a água como “arma” política.
“As acções de «caridade» dos empresários locais ligados à Frelimo, nomeadamente Gulamo Moti e Gulamo Rassul, que ofereciam água às populações de Nacala, sobretudo nas vésperas dos períodos eleitorais, intensificaram-se em 2008 e atingiram o seu apogeu em 2012 com a entrada em cena política do empresário local de sucesso Rui Chong Saw, proprietário de uma frota de camiões, que desde 2011 possui um contrato permanente com o Corredor de Desenvolvimento do Norte (CDN). Este empresário viria a tornar-se candidato da Frelimo nas eleições locais de 2013. Durante a campanha eleitoral, Rui Chong Saw havia prometido que, caso fosse eleito, uma das prioridades seria a solução da problemática da escassez de água de que enfermam os bairros de Nacala Porto”, constata a reflexão do Instituto de Estudos Sociais e Económicos(IESE) inserida na publicação “Desafios para Moçambique 2015”.
“Ao distribuir água à população em nome do partido Estado-Frelimo, os empresários Gulamo Moti, Gulamo Ussene e Rui Saw contribuíam não só para ajudar este partido a chegar e a consolidar o seu poder de dominação sobre a população local como usavam também essas alianças políticas com as elites da Frelimo, local e centralmente estabelecidas, para penetrarem em áreas estratégicas e assegurar o controlo do porto de Nacala, umas das instituições mais fortes do Estado ao nível regional. O privilégio oferecido a estes empresários na utilização do porto permitiu- lhes fazer contrabando de mercadorias importantes”, acrescenta o artigo assinado Domingos M. Rosário e Egídio P. Guambe, pelos investigadores do IESE.
Foto de Adérito CaldeiraOs académicos moçambicanos concluíram que, “No caso específico de Nacala Porto, vimos como é que numa era de neoliberalismo, caracterizada por uma pluralidade e complexidade de actores, e numa situação de falta de separação clara entre partido e Estado, a negociação e a captura das acções dos actores privados permitiram ao partido-Estado não só expandir os serviços de água às populações dos diferentes bairros da cidade de Nacala Porto mas também expandir a sua dominação sobre uma população que lhe é historicamente hostil”.
Entretanto, alguns meses após Rui Chong Saw chegar ao poder, foi reinaugurada a barragem de Nacala, reconstruída com fundos norte-americanos, mas passados 3 anos, continua a não fornecer água potável a todos os munícipes. “Da barragem nova falta a tubagem de transportes e a maquinaria, a água recebemos com deficiência através da tubagem antiga” explicou ao @Verdade o edil.
Todavia Chong Saw considera que “a situação melhorou um pouco, mas vai melhorar mais a partir do próximo ano porque estamos a substituir a tubagem obsoleta, cerca de 80 quilómetros, e a incrementar 30 quilómetros de tubagem nova. Estamos em 25% fornecimento de água para a população vamos subir para 70% até o próximo ano”.
Actualmente existem cerca de 10 mil ligações domésticas de água canalizada num município onde residem mais de 250 mil moçambicanos. “Para os bairros mais carenciados, onde não passa a tubagem estamos a pôr fontanários móveis, levamos com camião duas vezes por semana e isso tem ajudado a diminuir o sofrimento da nossa população”, ajuntou o presidente do município de Nacala Porto.
“Estou bem aqui, o mandato deveria ser de dez anos”
ArquivoMas o maior drama deste município da província de Nampula, situado a 150 metros do nível do mar, é a erosão. “(...) Se a cidade desaparecer vai mexer com a economia nacional e mundial porque é aqui onde entram e saem as mercadorias, somos a 21ª cidade no mundo com problemas de erosão”, declarou o edil que no entanto reconheceu que o seu município não tem os mais de 36 milhões de dólares norte-americanos orçamentados no plano de combate a Erosão que deveria ter arrancado em 2015.
De acordo com o plano a erosão em Nacala mantém-se constante devido a “disposição do relevo/orografia declivoso, o que permite o escoamento das águas fluviais com maior velocidade afectando deste modo a superfície dos solos; tipo de solo, que são caracterizados por alta sensibilidade para erosão (areia fina) com grandes inclinações; assentamentos informais que deixam a nu a cobertura vegetal o que influencia na velocidade das águas das chuvas provocando deste modo ravinas e erosão no geral”.
O Orçamento de Estado para 2017 também não prevê fundos para o combate a erosão e nem mesmo está incluído nos projectos prioritários do recém aprovado Projecto das Estratégias de Desenvolvimento Económico do Corredor(PEDEC) de Nacala.
“Estou quase a dois anos e meio na governação, o tempo não foi suficiente para fazer tudo mas já estou a entrar nos carris”, declarou Rui Chong Saw que revelou estar em curso um processo para mudar a categoria do município de C para B, o que permitirá receber mais fundos do Governo, e ainda afirmou estar disponível para um segundo mandato, “(...)estou bem aqui, o mandato deveria ser de dez anos, mas depende do meu partido”.

Umbeluzi está seco

PDF
Versão para impressão
Enviar por E-mail
Destaques - Nacional
Escrito por Adérito Caldeira  em 22 Dezembro 2016
Share/Save/Bookmark
A bacia hidrográfica do Umbeluzi está sem água devido a situação de seca hidrológica que a Região Sul de Moçambique enfrenta desde 2015. Na semana passada as autoridades do sector de Águas suspenderam o uso do precioso líquido proveniente desta bacia por parte dos agricultores como forma de garantir o normal abastecimento às cidades de Maputo, Matola e Boane.
As 7 horas desta quarta-feira(21) o leito do Umbeluzi estava seco na zona de Goba, de acordo com boletim hidrológico nacional, produzido diariamente pela Direcção Nacional de Gestão dos Recursos Hídricos, que no entanto revela que a barragem dos Pequenos Libombos, que nele se situa, mantém a cota acima dos 33 metros o que representa um nível de enchimento de 14,79% o que permite manter as descargas de pouco mais de 3 metros cúbicos, embora o caudal afluente esteja seco.
A previsão para a época chuvosa, que iniciou em Outubro, indicava chuvas normais para a Região Sul e a consequente subida do volume de de água disponível na bacia do Umbeluzi, um cenário que não está a acontecer.

De acordo com a ARA Sul, a bacia do Umbeluzi nasce na Swazilândia e entra em Moçambique pela vila fronteiriça de Goba. Os principais afluentes em Moçambique são os rios Calichane e Movene, respectivamente a montante e a jusante. Esta Bacia é internacional e possui uma área total de cerca de 5.460 quilómetros quadrados, dos quais 3.140 quilómetros quadrados correm na Swazilândia, 80 quilómetros quadrados na RSA e os restantes 2.240 quilómetros quadrados em Moçambique.
No passado dia 15, quando o leito registava 1,5 metros o Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos e a ARA Sul decidiram suspender o uso de água desta bacia hidrográfica por parte dos agricultores.
Na altura a empresa Águas da Região de Maputo explicou ao @Verdade o fornecimento de água potável às cidades de Maputo, Matola e Boane estava a acontecer normalmente

Jovem detido em Manica por causar cegueira ao primo após arrancár-lhe os olhos

PDF
Versão para impressão
Enviar por E-mail
Destaques - Newsflash
Escrito por Emildo Sambo  em 22 Dezembro 2016
Share/Save/Bookmark
Um jovem identificado pelo nome de João Luís, de 28 anos de idade, encontra-se privado de liberdade nas celas da 1ª esquadra da Polícia da República de (PRM), na província de Manica, acusado de aliciar o seu primo para um local previamente escolhido, onde lhe foi retirado os olhos, facto que causou cegueira irreversível na vítima.
O crime aconteceu numa noite, em Novembro deste ano, na cidade de Chimoio, mas o suspeito caiu nas mãos das autoridades policiais há menos de 72 horas, no distrito de Muxúngwè, província de Sofala, onde supostamente estava foragido.
O ofendido, que responde pelo nome de Júlio Vasco, de 22 anos de idade, não sofre de nenhum problema de pigmentação da pele e frequentava a 12ª classe.
Em contacto telefónico com o @Verdade, nesta quarta-feira (21), Elsídia Filipe, porta-voz da PRM em Manica, condenou a atitude do familiar da vítima e qualificou o caso como sendo tráfico de órgãos humanos.
A agente da Lei e Ordem explicou ainda que, na altura do crime, o acusado, que frequentava o ensino superior, não estava sozinho. “Estamos a trabalhar para neutralizar os outros dois criminosos” a monte.
No dia em que Júlio Vasco perdeu a visão, foi convidado pelo primo para uma bebedeira. Mas foi conduzido para um outro lugar isolado onde João Luís e os seus dois amigos arrancaram-lhe, violentamente, um dos olhos.
Sentindo-se ameaçada e a sua vida em perigo, a vítima ofereceu resistência e teve o segundo olho desfeito de tal sorte que não houve possibilidade de os médicos devolvê-los a visão.
Elsídia Filipe disse que a situação resultou do facto de os indivíduos acusados acreditarem que os olhos de Júlio continham mercúrio e, por via disso, podiam obter dinheiro.
A nossa interlocutora sublinhou que este caso não envolve cidadãos com problemas da pigmentação da pele, mas a sociedade deve continuar a denunciar todos os actos que atentem contra a vida ou integridade física das pessoas.
“As comunidades estão a colaborar e estamos satisfeitos, mas se puderem fazer mais, o crime pode reduzir drasticamente em Manica, pese embora esteja controlado", rematou a policial.

Sem comentários:

Windows Live Messenger + Facebook