sábado, 19 de novembro de 2016

Repetição (2008) Divulgados os resultados do inquérito sobre a fuga de Anibalzinho

TERÇA-FEIRA, DEZEMBRO 30, 2008

Comunidade na diáspora pede incentivos para retenção de cérebros

Esta é indicação de um artigo publicado neste blog em Dezembro de 2005 (leia aqui)e que acaba de receber o seguinte comentário da Isabel:

Existem muitas pessoas que têm o desejo e vontade de voltar, de investir e de contribuir para o desenvolvimento de Moçambique, mas existem 4 factores que se destacam negativamente e obrigam as pessoas a recuar:
1 - Corrupção
2 - Insegurança
3 - Falta de Infra-estruturas
4 - Entraves, lentidão e falta de clarificação nos processos.
Sr.Presidente que resposta tem a dar a estas pessoas?

Divulgados os resultados do inquérito sobre a fuga de Anibalzinho

A Rário Mocambique escreveu no seu espaco noticioso de hoje que os resultados do inquérito sobre a fuga de Anibalzinho, Todinho e Samito das celas do Comando da Polícia da Cidade de Maputo foram divulgados esta segunda-feira.

A notícia diz que das averiguações feitas, concluiu-se que a Direcção do Comando da PRM-Cidade negligenciou porque não tomou medidas preventivas e nem emitiu instruções para evitar a fuga dos criminosos, apesar de haver no local sinais prévios da sua evasão.

Na sequência da evasão, o Ministério do Interior decidiu deter sete membros do comando que compunham o turno de guarnição no dia da ocorrência enquanto que quatro membros superiores do comando da PRM da cidade cessaram funções e terão que responder à processos-crime.

Os quadros superiores cessantes são: José Domingos Tomás que na altura da ocorrência era Comandante da PRM da cidade de Maputo, Clemente Nhacula-Chefe de Protecção, William Tivane-Chefe de Operações na Direcção da Ordem e Segurança Pública e Jorge Torrezão, chefe das celas do Comando da PRM-cidade.

Por não se ter provado o envolvimento nos preparativos e na execução da fuga, os seis guardas da Polícia que se encontravam detidos, serão restituídos á liberdade.

FonteRádio Mocambique

SEGUNDA-FEIRA, DEZEMBRO 29, 2008

Em África não basta seguir o líder

Este artigo foi pela primeira vez publicado neste blog em 2005.

Por Simon Robinson(*),

Em termos de brutal honestidade sobre as causas do sofrimento africano, é difícil ir mais além que a obra do escritor Chinua Achebe, “Os problemas da Nigéria”.

Escrito durante a tumultuosa campanha eleitoral do país em 1983, o livro, com apenas 68 páginas, transpira frustração face aos problemas enfrentados pela Nigéria. Ler o seu conteúdo dá para perceber claramente a angústia de Achebe. O autor – bem conhecido pela obra Things Fall Apart, uma poderosa obra de ficção que, quase meio século depois da sua publicação, continua a estar no topo das listas de livros sobre África – usa uma prosa muito sincera para enviar a mensagem em Trouble. Os títulos dos capítulos telegrafam as suas opiniões: “falsa imagem sobre nós próprios”; “injustiça social e o culto da mediocridade”; “indisciplina”; “corrupção”. Achebe coloca o seu ponto de vista logo da primeira frase do livro: “o problema da Nigéria é simples e claramente um falhanço de liderança”.

Muitos nigerianos estão de acordo e africanos por todo o continente chegaram a conclusões similares sobre os seus próprios países. É por isso que, nos meados da década de 90, quando emergiu uma nova geração de líderes, os africanos tiveram a esperança que tudo podia finalmente mudar. Pessoas como Issaias Afewerki na Eritreia, Laurent Kabila na RDC, Paul Kagame no Ruanda, Yoweri Museveni no Uganda e Meles Zenawi na Etiópia prometiam um novo estilo de liderança centrado na construção económica e no desenvolvimento de nações democráticas, ao invés de impor o seu poder pela força e assegurar que os seus amigos se tornassem ricos. Quando o presidente Bill Clinton visitou o continente em 1998, ele referiu-se a esta nova geração como a grande esperança de África.

A realidade raramente iguala a hipérbole. Poucos meses depois da visita de Clinton, o Ruanda e o Uganda invadiram o Congo, a Eritreia e a Etiópia envolveram-se numa guerra entre ambos. Enquanto alguns líderes – nomeadamente Museveni e Zenawi – fizeram o suficiente para continuar a merecer as boas graças dos doadores ocidentais, mesmo eles entraram em derrapagem. Na Etiópia, Zenawi não hesitou em mandar o exército para a rua para enfrentar manifestantes da oposição protestando contra os resultados das eleições gerais realizadas em Maio.

No Uganda, um cada vez mais autoritário Museveni anunciou há duas semanas que vai de novo candidatar-se a eleições, depois do Parlamento ter eliminado as cláusulas que o forçariam a passar à reforma por limite de mandatos. O há muito esperado veredicto chegou dias depois de o seu principal opositor ter sido aprisionado, acusado de traição e violação, acusações que são negadas com veemência. As manifestações foram banidas temporariamente.

Quer isto dizer que os lamentos de Achebe continuam verdadeiros ? Nem por isso. Resolver os problemas africanos nunca foi apenas uma questão de mudança dos seus líderes. E é por isso que o desgaste de Museveni e Zenawi se venha a revelar positivo, mesmo que isso represente sofrimento a curto prazo para os seus próprios países.

É uma chamada de atenção - especialmente para os países ocidentais que tanto investiram nestes novos líderes - que instituições fortes são muito mais importantes que personalidades. Bons líderes podem tornar-se maus se permanecem no poder demasiado tempo: as falhas tornam-se óbvias; desenvolvem-se compromissos simplesmente para reter o poder; os apoiantes ficam frustados com o inevitável abrandar de ritmo das mudanças.

E não é apenas em África. Há muitos apoiantes de Tony Blair que o gostariam de ver pelas costas. O mesmo se passa com os apoiantes de Jacques Chirac e George Bush. Uma diferença fundamental é que as instituições nos países dirigidos por estes homens – o parlamento, o judiciário, a imprensa – são muito maiores que uma só personalidade e são um contra balanço contra os piores excessos. Isto ainda não é um dado adquirido em África.

Tomemos o exemplo do Zimbabwe. Há cinco anos atrás, este país tinha um dos melhores sistemas judiciários do continente. Os eleitores podiam fazer ouvir as suas vozes, como o fizeram em 2000 quando rejeitaram a proposta de Constituição apoiada por Robert Mugabe. A imprensa independente estava entre das mais destemidas de África. Nos últimos anos, contudo, Mugabe e os seus acólitos puseram a oposição de joelhos, falsificaram eleições, fecharam jornais independentes e forçaram a reforma da maioria dos melhores juizes do país. Mugabe, saudado no passado também ele como um exemplo de um grande novo líder africano, mostrou-se mais forte que as instituições do seu país.

Claro que há progresso. Os quenianos por exemplo rejeitaram a semana passada uma nova Constituição apoiada pelo presidente Mwai Kibaki – eleito há apenas três anos no meio de uma onda reformista – e que pretendia exactamente o reforço dos poderes presidenciais. (Kibaki tratou imediatamente de demitir o seu executivo). Eleitores no Gana, no Senegal e na Zâmbia elegeram partidos da oposição na viragem do século. Estas mudanças pacíficas provam que as instituições em alguns países são suficientemente fortes para sobreviver à mudança e não estão meramente dependentes, ou à mercê da personalidade que ocupa o palácio presidencial. A Etiópia e o Uganda estão muito melhor que antes de Zenawi e Museveni chegarem ao poder. A derrapagem não destruiu tudo o que de positivo fizeram estes homens. Mas o seu legado algo manchado é uma lição. “ A reputação e o feitio de um líder poderá induzir um clima favorável, mas para se atingirem mudanças duradouras, tem de haver um programa radical de reorganização social e económica”, escreve Achebe em “Os problemas da Nigéria”.

Por outras palavras, haver bons líderes é bom, mas instituições fortes é ainda melhor.

(*)In revista Time
Título adaptado

DOMINGO, DEZEMBRO 28, 2008

O país em alerta em resultado das chuvas intensas

Segundo a Rádio Moçambique, em resultado das chuvas intermitentes que têm estado a cair no Malawi e Zâmbia o caudal do Zambeze ultrapassa o nível de alerta.

Nas cidades de Inhambane e Maxixe estão a ser fustigadas por chuvas intensas desde a noite de 25 de Dezembro, tendo na primeira, pelo menos mil e quinhentas pessoas ficado desalojadas.

Centros operativos de emergência já foram activados nas províncias de Sofala, Manica, Tete, Zambézia, Cabo Delgado e Inhambane, assim como o estacionamento de uma pequena equipa operativa da Unidade Nacional de Protecção Civil. Leia +

SÁBADO, DEZEMBRO 27, 2008

Boas Festas ao Povo: O Estado da Nação é Bom!

Defesa de Direitos Humanos

... houve alguém que afirmou categoricamente que estamos todos bem. Isso só pode significar que este país continua com aquelas sub repúblicas de que te falei outra vez, uma sub república de Maputo, outra sub república das cidades capitais, mais outra sub república das sedes dos distritos, alguns agora municípios e por fim a sub república do povo, ou seja, a sub república do mato, das machambas e das aldeias.

Infelizmente, é na sub república das machambas familiares onde tu te encontras e quando se diz que não ha crise ou que tudo está bom, pretende-se usar as pequenas sub repúblicas como referencia ou amostra da realidade em que vives.

Na tua república o tempo não corre, o sino não toca e a folga não chega. Todos os dias te são iguais, Sábado e Domingo, Natal e Ano Novo, porque nada de novo te vai acontecer tirando está carta que continuarás a receber. Fora desta, não esperas decimo terceiro porque nem o primeiro nem o segundo tens, o teu rendimento vem da terra, quando não há cheias ou secas.

Na tua república a emoção é a mesma, não te assustas, não te alegras e nem ficas na expectativa. Tudo te é obvio o que te dá o poder de visualizar o futuro com exactidão. Quando uma lei se aprova não sabes dela, alias, nem és incluso na lista dos a ser consultados, entretanto essa lei vai te vincular e ainda por cima diz o nosso direito que “a ignorância da lei não exime a responsabilidade”.

Tu não recebes presentes e as toleranças de ponto não te servem absolutamente de nada, pelo contrário, as vezes só atrapalham a tua luta pela sobrevivência. Nessa mesma Noite que chamam de Natal, enquanto na primeira república se festejava e se comia o perú, tua filha trabalhava no Luso, para garantir a refeição do dia 25 e forças para a noite voltar a trabalhar e garantir a refeição do dia 26 e assim sucessivamente... Leia +

Renamo saúda a aprovaçao o Estatuto Geral dos Funcionários do Estado

A Bancada parlamentar da Renamo União-Eleitoral saúda o tratamento atribuído ao Estatuto Geral dos Funcionários, que culminou com a respectiva aprovação pela Assembleia da República.

Maria Moreno, Chefe da Bancada da Renamo União-Eleitoral, disse ontem, em Maputo, no encerramento da nona Sessão Ordinária daquele órgão legislativo, esperar que o Estatuto permita aos funcionários, agentes e aos utentes dos serviços do Estado um relacionamento que tem, como por ponto de partida, o serviço público.

No acesso à Função Pública e à progressão nas carreiras, os funcionários não podem, segundo Moreno, ser prejudicados em razão da cor, raça, sexo, religião, origem étnica ou social ou opção político-partidária e obedecem estritamente aos requisitos de mérito e capacidades dos interessados.

No entanto, ela afirmou que os atropelos a este dispositivo são tão frequentes que a maior parte dos concidadãos acreditam estar a cometer um crime de lesa-prática se agirem independentes dos partidos políticos, mais concretamente do partido no poder.

Desta feita, pediu maior urgência e celeridade na sua divulgação, porque, segundo apontou, estão finalmente estabelecidas as condições para a criação de um sindicato ou de sindicatos da Função Pública apartidários, tendo como única bandeira a protecção e o desenvolvimento dos seus membros.

Fonte: Rádio Moçambique

Nota do Reflectindo: O sublinhado é meu; espero que o Estatuto Geral dos Funcionários Públicos sejam rigorosamente velados pelos sindicatos de maneiras a combater-se a discriminação na progressão nas carreiras profissionais por opção político-partidário.

A razão que Bonga tinha!

Por Pedro Nacuo

Em Novembro de 2006 um menino de 16 anos de idade, de nome Bonga Issa Agostinho, levantou-se em pleno comício orientado pelo então governador da província de Cabo Delgado, Lázaro Mathe, na sede do distrito de Macomia e colocou um problema sério. Era por causa dos exames em que dos 86 alunos que haviam frequentado a Escola Comunitária de Macomia-sede, 45, portanto mais de metade, tinham perdido o ano. Chumbaram!

Bonga que nem sequer fazia parte do grupo de colegas reprovados, pois havia passado para a décima classe, disse que não gostaria de deixar de apresentar o problema que ninguém do distrito queria levantar. Disse que havia indícios suficientes para duvidar, se bem que, por exemplo, três mulheres de professores e um sobrinho de um deles que, na sua opinião, haviam sido péssimos. Apresentou os nomes dos professores.

Contou a história com um domínio espectacular. O governador, em resposta, pediu que um professor presente explicasse publicamente o que havia acontecido. Explicou assim-assim. O aluno voltou a falar em termos convincentes. O director distrital dos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia, chamado a explicar o facto na mesma reunião, disse que o problema se encontrava na direcção provincial do sector. O representante daquele pelouro, que fazia parte da delegação do governador, igualmente chamado a esclarecer deixou muitas penumbras, recorrendo àquilo que se achava como solução, nomeadamente a orientação de que aqueles estudantes deveriam, excepcionalmente, ter o direito de participar nos exames da segunda época.

Bonga insistiu pedindo que a questão não terminasse com o simples recurso aos exames da segunda época, pois havia razões mais que suficientes para duvidar seriamente e estancar o mal pela raiz. Optou-se pelo mais prudente.

Na verdade, era preciso que imediatamente se formasse uma comissão que em pouco tempo desse a resposta a tudo o que Bonga havia posto publicamente em jeito de denúncia. O estudante por ordens do governador foi nomeado membro integrante da referida comissão, mais um popular, para além daqueles que faziam parte do sector acusado.

Bonga parecia um jovem “doutro tempo” principalmente quando disse que sentia que se estava numa clara situação que, querendo, se poderia pensar em corrupção e daí a necessidade de investigar para se saber se há ou não essa prática na Educação. Fê-lo sereno, respeitoso na sua explanação, sem chocar a quem quer que fosse, mas muito contundente. Na altura, sem exagero, consideramo-lo um líder em miniatura.

A atitude de Bonga, infelizmente considerada ingénua por uma boa parte, sobretudo entre os dirigentes do distrito que não gostaram da apresentação pública do problema, porque lhes punha numa situação de coniventes, hoje é vista como precisamente a que falta entre os cidadãos, dirigentes aos diferentes níveis, para que um dia termine o ciclo de mentiras que vem em relatórios, intervenções públicas de quem fá-lo para defender o seu pão. Mentindo! E afinal, Bonga tinha razão, a comissão concluiu o seu trabalho e descobriu-se que os professores, exactamente aqueles apontados pelo menino, eram culpados.

Fizeram-se os competentes processos disciplinares, as respectivas defesas e interpretações, mas chegou-se a uma conclusão muito evidente: houve pelo menos duas palavras que Bonga havia usado na reunião que não faltaram na atitude dos professores: corrupção e nepotismo. Agora estamos a saber, por via do informe da administração do distrito, que foram expulsos dos quadros da Educação. Eram, na verdade, daninhos!

P.S. Está a ser difícil trabalhar com os directores provinciais de Eliseu Machava. Combinei com seis deles, entre 7 e 10 de Dezembro, que fizéssemos a avaliação do seu desempenho em 2008. Ninguém negou, mas até hoje ninguém no dia indicado se dispôs a aceder à entrevista prometida. Razões? Muitas, mas que não explicam a ausência do dever de prestação de contas ao público a quem se diz servir!

Fonte: Jornal Notícias online (27-12-08)

QUARTA-FEIRA, DEZEMBRO 24, 2008

Sobre o Crime Organizado em Moçambique

O Dr. Carlos Serra, indica num dos posts no Diário de um sociólogo, discutindo sobre a criminalidade em Moçambique e a fuga do Anibalzinho, o artigo do Procurador Geral da República, Augusto Raúl Paulino, retratando a criminalidade global e insegurança local. O texto foi apresentando num colóquio internacional sobre direito e justiça no século XXI que teve lugar em Maio de 2003, em Coimbra, Portugal.

Segundo a minha apreciação, o texto é excelente ao fazer o historial do crime organizado em Moçambique, descrever as áreas e métodos de actuação, revelar alguns dos crimes consumados, seus agentes colaboradores, entre outras definições importantes para percepção da problemática.

Paulino fez também excelentes propostas de estratégia para o combate ao crime organizado, embora possamos nos perguntar se passados muitos anos, depois da percepção da problemática, se há acções e bons resultados no seu combate. Leia o texto aqui.

SÁBADO, DEZEMBRO 20, 2008

Daqui não saio, daqui ninguém me tira!

Dá para nos lembrar, mas não dá para compararmos. Num comício popular, se a memória não trai, em 1980, (ou alguém que me ajude) Machel disse “ Daqui não saio, daqui ninguém me tira...”, o que acabara de ser composto numa música, produzida por que grupo? O discurso era contra os ataques do regime do apartheid ao nosso país e teve um apoio incondicional do povo moçambicano. Nada de confundir estes ataques com a guerra civil.

Agora é Robert Mugabe a copiar o discurso, mas sem de facto apoio dos zimbabweanos, razão pela qual acho incomparável ao que Samora Machel dissera naquele ano. Porque se sabe que mesmo que composto, o discurso de Mugabe ninguém poucos o vão cantar, julgo-o de incomparável do discurso de Machel.

Mugabe disse que Zimbabwe lhe pertencia, o que constitue um discurso falacioso, pois Zimbabwe é de todos os zimbabweanos, incluindo Tsvangirai, Muthambara, Moyo, farmeiro sem cor de pele. Roberto Mugabe devia deixar de conotar seus opositores ao colonialismo britânico, esse discurso que poucos escustam. É um discurso falacioso.

Pelo que me parece, em África em geral, e no Zimbabwe em particular, já há paradigma quanto à atitude de Roberto Mugabe. Os apoiantes de Mugabe vir-se-ão vencidos, nos próximos meses ou anos. Robert Mugabe que perdeu a grande oportunidade de manter-se presidente nos proximos cincos anos, pode estar agora a sujeitar-se ao Tribunal Internacional contrariando ao que pensou que ninguém lhe tiraria do poder.

Leia também aqui

TERÇA-FEIRA, DEZEMBRO 16, 2008

Orlando da Graça, mais uma vítima?

Foi publicado no Meu Ser Original que a Renamo indicou Isabel Rupia para substituir Orlando da Graça no Conselho Constitucional. Foi muito surpreendente para mim, pois que a notícia resumiu-se apenas num título. Não se diz mais nada que o título.

O Conselho Constitucional é, segundo a Constituição da República, o órgão de soberania, ao qual competente especialmente administrar a justiça, em matérias de natureza jurídico-constitucional.

Conselho Constitucional é composto por sete juizes conselheiros, sendo o seu presidente nomeado pelo Presidente da República, cinco designados pela Assembleia da República segundo o critério da representação proporcional e um juiz designado pelo Conselho Superior da Magistratura Judicial.

Conforme este critério de representação proporcional pela AR, a Frelimo tem três e a Renamo dois juizes conselheiros respectivamente. Orlando da Graça é um dos designados pela bancada parlamentar da Renamo, sendo Manuel Franque o segundo. De acordo com a natureza da função pública em Moçambique, há poucas ou mesmo não restam dúvidas que a Frelimo tem um total de cinco juizes conselheiros no Conselho Constitucional.

Porém, apesar da composição deste órgão de soberania ser bipolarizada e maioritariamente da Frelimo, durante os cinco anos do seu funcionamento, demonstrou um alto espírito de Estado de Direito atravez da sua alta imparcialidade na tomada de decisões vitais. O Conselho Constitucional funcionou conforme o definido na Constituição da República, isto é, não em cumprimento de ordens partidárias. O Conselho Constitucional ganhou assim uma confiança do cidadão amante do Estado de Direito, constituindo assim um grande orgulho dos moçambicanos.

Segundo a Constituição da República, os juizes conselheiros do CC são designados para um mandato de cinco anos, renovável e gozam de garantia de independência, inamovilidade, imparcialidade e irresponsabilidade. Com certeza, deve ser por gozo do direito a independência consagrado na Constituição da República que os membros do Conselho Constitucional operaram imparcialmente a ponto de devolver aos moçambicanos o orgulho por este órgão da soberania.

De acordo com a CR, o primeiro mandato destes juízes conselheiros terminou em Novembro findo, e, os próximos momentos são de cessão ou renovação. Assim, o anúncio da Renamo sobre a substituição de Orlando da Graça por Isabel Rupia, está dentro do estabelecido nesta lei-mãe. A Renamo está também a usar o seu pleno direito constitucional. Porém, embora a Constituição da República não obrigue nem vise que os partidos designem apenas seus membros para juizes conselheiros, urge perguntar se Isabel Rupia é membro da Renamo. Podemos nos interrogar ainda, sem pôr em causa Isabel Rupia cujas qualidades não é o que está em questão, se seria o gesto generoso da Renamo, o tipo de generosidade de alguns líderes dos países menos desenvolvidos que recebendo doações acabam-os devolvendo para países doadores? Portanto, estaria esta Renamo com menos espaço para manobras a devolver à Frelimo que lhe deu (?) a única chance para dar empregos e altas posições no Estado a seus membros? Seria apenas por generosidade?

Parece que não é isso. Provavelmente, um ou e outro/s juiz/es conselheiro/s poder(á)ão ser obrigados a cessar por terem sido íntegros, idóneos e independentes durante o mandato findo. Entretanto, o caso de Orlando da Graça é pioneiro e prova de uma conspiração de um grupo de deputados da Assembleia da República e alguns membros do Secretariado-Geral (as bases da Renamo na Assembleia da República) bem identificados. Em altura própria os seus nomes serão divulgados neste espaço. Sabe-se nos círculos de Maputo, que o grupo de conspiração foi dizer ao Presidente da Renamo, Afonso Dhlakama ,que tal igual ele prometeu a não renovação de mandato a deputado que não votasse a favor da sua decisão ou da liderança do partido, Orlando da Graça não devia também renovar o mandato. Desta feita, Orlando da Graça é a próxima vítima.

SEGUNDA-FEIRA, DEZEMBRO 15, 2008

DECAPITAR A LIDERANÇA DA RENAMO PODE SER SUICÍDIO POLÍTICO

Por ter achado esta opinião interessante trouxe-a para este espaço, convidando aos leitores para reflectirem comigo.

Retirado do blog de Manuel Araújo

Por Noé Nhantumbo

Importa aproveitar o capital histórico de um partido com história...

Após o descalabro eleitoral reente algumas vozes se levantam e pedem cabeça de Afonso Dlakama. É óbvio que quando se perde alguém deve assumir as responsabilidades e é fácil atribuir isso a todos mesmos a nós próprios. Digo isso a respeito da posição daqueles que são membros dessa formação política.
Se havia ou existem divergências quanto ao modo como o partido é dirigido e quando aos métodos de liderança houve tempo ao longo dos anos para os membros se manifestarem e exigirem as mudanças pertinentes. Não se pode atribuir a derrota unicamente a um Dlakama que os outros membros da liderança deixaram adormecer na capital e no comodismo da mesma. Quem não trabalhou durante estes anos todos foram todos os membros que compõem a liderança deste partido. Quem se dedicou a tudo menos estudar e tentar compreender os dossiers nacionais foram os membros que compõem a Renamo, foram os seus deputados parlamentares, foram as diversas delegações políticas provinciais.
Transformaram a política virtualmente em exercício de fim de semana e agora querem fugir com o rabo à seringa deitando todas as culpas para o timoneiro. Isso é uma atitude que em si revela a classe de políticos que temos. É fácil abandonar o barco quando o naufrágio se anuncia. E depois o que acontecerá?
Não será exactamente isso que o partido no poder pretende? Não será essa a estratégia de corrosão posta em prática já há alguns anos que está minando os alicerces da oposição e provocando cisões quando a atitude a tomar seria de cerrar fileiras e ajudar um líder enfraquecido pela conjuntura.
Há que olhar para o cenário político nacional com todo o realismo e pragmatismo necessários. A derrocada da oposição é o que o partido no poder pretende ver concretizado e para isso continuará a semear tempestades nos copos dos membros da oposição.
Para Moçambique, a construção de uma sociedade equilibrada guiada pelos princípios democráticos passa pela existência de uma oposição forte e coesa.
As lutas intestinas e a autêntica fuzilaria de intrigas usadas como arma política, servem para destruir um partido que cumpriu uma missão histórica de combater a ditadura de inspiração comunista que governou o país desde a independência. A aparente abertura de espaço para o multipatidarismo é um dos frutos do combate consequente de homens como Afonso Dlakama.
Negar a sua autocracia ou outros procedimentos julgados contraproducentes para a gestão do partido não deve ser sinónimo de se alinhar como uma autêntica cabala que pretende ver a sua figura eliminada do baralho.
Em termos práticos o desaparecimento da Renamo como oposição seria uma pesada derrota para as aspirações democráticas dos moçambicanos no seu todo.
É preciso prestar atenção as proclamações veiculadas por certa imprensa. Alguns dos que avançam pela via da destruição da liderança da Renamo são os mesmos que sempre estiveram na mesa dos baquentes do partido no poder. Algum do posicionamento contrário aos detentores do poder de hoje é fruto da marginalização que algumas destas pessoas sofreram ao longo dos tempos. Há muito jogo duplo e espionagem política nos dias de hoje. As manifestações de baixeza política, de ausência de princípios observam-se nas situacões de membros que mudam de partido conforme as conveniências materiais oferecidas. As deserções e mudanças de camisola mostram perfeitamente que os partidos políticos da oposição ainda tem muito caminho para percorrer no sentido se fortalecerem e resistir as manobras de subversão que seus opositores políticos jamais deixaram de exercer.
Vivemos num país com uma história complexa muitas vezes contada ao belo prazer dos protagonistas. Todos procuram apresentar-se como libertadores e figuras comprometidas com o povo moçambicano. Na verdade na maioria dos casos, trata-se de exercícios demagógicos iguais aos dos praticam certos governantes.
Há muita febre por protagonismos no país. Não só na classe política mas também no seio dos comunicação social e confissões religiosas.
A multiplicação de dissidências nos órgãos de comunicação social e o surgimento de jornais novos quase que permanentemente mostram bem com que linhas se cozem os editores e directores dos órgãos de comunicação social independente.
Agora que surge a vitória de Davis Simango como independente na Beira muitos vão colar-se a esta personalidade e procurar vender a sua imagem e conceitos de organização política e governativa.
Não concordar com a metodologia de Dlakama não deve ser sdonónimo de alinhar com a sua liquidação política.
O esforço deve ser no sentido de procurar dar uma nova vida a um partido que possui o seu capital e importância no contexto nacional.
As constradições e desavenças existem sempre que se juntem algumas pessoas e dentro das organizações políticas isso é perfeitamente normal. Nem todos estão de acordo com a maneira como Dlakama dirige a Renamo. Nem todos estão de acordo com a prestação dos deputados que a Renamo possui no Parlamento. Nem todos concordam com actuação de Mazanga entanto que p[orta-voz da Renamo. Mas é possível lavar toda a roupa suja em lugar próprio e quando as pessoas se mostram pouco disponíveis a proceder desse modo, há sempre a possibilidade de criar consensos, primeiro mínimos entre algus membros e aumentar a esfera de pessoas interessadas em ver mudanças num partido.
Todos estamos de acordo que Moçambique precisa de uma oposição cada vez mais forte e credível. As guerras internas distraem todos dos objectivos estratégicos e quem ganha com isso é o partido no poder que assim pode continuar a dispor do país como se fosse seu feudo ou quintal.
A questão não é salvar Dlakama mas salvar e fortalecer a Renamo entanto que partido da oposição e nisso os intelectuais patriotas tem a obrigação de olhar para além de seus egos e estomâgos.
O momento é de cerrar fileiras e demonstrar que se ama esta pátria chamada Moçambique. Isso deve ser feito através de trabalho político consequente.
Educar os moçambicanos a saberem escolher entre o trigo e capim, entre o que é a Renamo como partido e o que são simples figuras que existem e que passam.
A democratização de um país com um capital humano largamente analfabetizado e pobre é uma tarefa árdua e de longo prazo em que os que se entregam a ela devemn entender que existem sinuosidades complexas.
O objectivo é melhorar o desemepenho de um partido e não contribuir para a sua desagregação. E são os membros e seus simpatizantes que devem fazer isso. A ganhar estará o país e os moçambicanos.
Há que fazer escolhas muito acertadas num momento grave como este. Ou fortalecer a oposição e continuar a sonhar com um país participado e de todfos ou permitir que a oposição real a Frelimo desapareça e todos se transformem em empregados menores nos impérios empresariais da nomenclatura com o aparelho do estado transformado em células do partido no poder.
Só existem estes dois caminhos e não nos iludamos com a lata e demagogia as vezes exibida nas televisões nacionais.

DOMINGO, DEZEMBRO 14, 2008

Não há fumo sem fogo

Quando o Canal de Moçambique escreveu sobre detenção e depois uma investigação do ex-Ministro dos Transportes e Comunicação, António Munguambe, em conexão com o caso dos Aeroportos de Moçambique, a imprensa pública, incluindo o allafrica desmentiu. Não só essa imprensa desmentiu a notícia, mas também chamou-a de uma calúnia do Canal de Moçambique. Munguambe para demonstrar que a notícia era uma simples calúnia, foi exibir-se na TV como um homem livre.

Passadas alguma semanas eis que se confirma que a Procuradoria-Geral da República (PGR) acusou o antigo ministro dos Transportes e Comunicações. Não há fumo sem fogo – o adágio popular está confirmado. E agora, António Munguambe voltará a TV para dizer que foi acusado pela PGR?

Há um outro provérbio muito útil para este caso e para os que sempre negaram a existência de corrupção e desvios de fundos dos cofres do Estado Moçambicano e eis: "Não declares que as estrelas estão mortas só porque o céu está nublado." Provérbio Árabe

O que ficou para me interrogar é a diferença entre Almirino Manhenje e companhia que foram primeiro detidos e depois acusados (se não estou em erro) e António Munguambe que é acusado em liberdade;

Também me interrogo da diferença entre António Munguambe ou seja, o caso dos Aeroportos que é relativamente mais recente, mas já foi acusado pela PGR e o da Direcção Provincial dos Antigos Combatentes de Maputo, denunciado e até publicamente e cujo dossier foi entregue ao Presidente da República pela Zauria Adamo.

QUINTA-FEIRA, DEZEMBRO 11, 2008

Bases da RENAMO em Maputo vão apoiar Daviz Simango

Representantes das chamadas bases da RENAMO, na cidade de Maputo, dizem que vão aliar-se ao Movimento que apoiou Daviz Simango, na cidade da Beira.

Segundo o porta-voz do grupo, o nível de desorganização existente no partido é muito grande. Apontou alegada falta de transparência na selecção de candidaturas e marginalização de quadros como motivos desta desintegração.

As chamadas bases da RENAMO na Cidade de Maputo convocaram a conferência de Imprensa para demostrar o seu apoio e declararem-se parte integrante do movimento que apoiou Daviz Simango na cidade da Beira, durante a campanha eleitoral.

Agostinho Macuácua explicou o motivo que levou as chamadas bases a integrarem-se no movimento que apoiou Daviz Simango na Cidade da Beira, antes e durante a campanha das eleições municipais de 19 de Novembro último.

Agostinho Macuacua disse que é importante que haja um congresso imediato da Renamo ou mesmo uma reunião de urgência do partido, visto que faltam cerca de dez meses para eleições gerais de 2009.

Até ao fecho da redacção desta edição, não conseguimos ouvir a reacção do porta-voz da RENAMO, Fernando Mazanga. O seu telemóvel dava sinal de estar fora da rede.

Fonte: Televisão de Moçambique (TVM) (11.12.2008)

TERÇA-FEIRA, DEZEMBRO 09, 2008

Mozambique Political Process Bulletin


2008 Local Election Issue 21 – 9 December 2008

Turnout 46%

The turnout overall was 46% of registered voters, compared to 28% in 2003 municipal elections and 43% in 2004 national elections. As always, turnout was highest in Mocimboa da Praia, a highly politicised town, at 71%. Next was one of the new municipalities, UlonguIé, at 68%. Lowest were Mocuba, at 31%, and Cuamba and Alto Molócuè, at 33%.

In the hard-fought cities of Beira and Nacala, turnout was 57% and 56%. In two large cities with little contest, turnout was below average: Nampula (38%) and Matola (41%). Maputo was just above average, at 47%.

Frelimo dominance increased …

Frelimo will dominate the municipalities, with 41 mayors (with Nacala still to be decided) and majorities in 42 of the 43 assemblies. Renamo was pushed back. There are now 9 municipalities with no Renamo assembly member and 8 in which it has only one. In Gaza, Renamo has a single seat in Xai-Xai and none in the other four municipalities.

In the ballot for mayor (presidente), Frelimo had more than two-thirds of the votes in 33 of the 43 cities.

… but there is still an opposition

But Frelimo lost in Beira, and races were close in Nacala, Gurué, Quelimane and Marromeu – indicating the presence of an active opposition, largely without involvement of the Renamo central office.

Small groups lost ground

Four small parties and three citizens’ lists won assembly seats, but in general the small players lost ground everywhere except in Beira.

The two parties with some national presence, PIMO which had single seats in three assemblies and PDD which (as IPADE) had single seats in two assemblies, were reduced to a single seat each in Beira. Except in Beira and Angoche, PIMO failed to win more than 1% of the vote in any municipality. Where it stood, PDD generally gained between 1% and 2%, and reached 4% in Milange and 5.4% in Gorongosa.

Two other small parties won single seats –Monamo (Cuamba) and Unamo (Milange).

Three citizen’s lists won seats. A new group, GDB, won 7 seats in Beira. Juntos Pela Cidade (JPC) is the only group to have won seats in all three municipal elections, but it has been reduced to a marginal position – from 15 seats in 1999 to 5 seats in 2003 to only 2 this year. Naturma, which won 5 seats in Manhiça in 1999 and did not stand in 2003, won a single seat this year.

Four citizen’s lists won seats in 2003, but of those, two did not stand again and one did not win a seat.

Protest in Maputo?

Normally the number of voters in a city for mayor and assembly is virtually identical. It is possible to vote for one and not both, but this is rarely seen. Therefore the difference in the number of votes in Maputo city is odd – 308,323 for mayor but 314,758 for assembly – which means that more than 6000 people did not vote for mayor.

Frelimo’s decision not to select the present and highly successful mayor, Eneas Comiche, and instead choose someone seen as more closely aligned to the party, was not popular in some parts of the city. Did some people decide not to vote for mayor as a protest?

The importance of nulos

This Bulletin may seem obsessed with invalid votes (nulos), but this year they determined the result in Gúruè and in 2003 they determined the outcome in Marromeu. And we also know that nulos are often involved in fraudulent activity, and that those actions can show up as unusual numbers in the final statistics.

Nationally, 2.7% of ballot papers for mayor (presidente) were left blank and another 3.2% were considered by polling stations to be invalid, usually because they appeared to have marks for more than one candidate. In all, 41,071 invalid ballot papers for mayor (and a similar number for assembly) were sent to the CNE in Maputo for reconsideration. Of those, 18% (roughly one in six) were considered valid by the CNE – “requalified” – and included in the final totals.

Of course, the quality of the polling station staff varies. Catandica, for example had an average set of nulos but only 1% of those was considered valid by the CNE, whereas in Massinga 30% of mayoral nulos were considered valid by the CNE – suggesting that the Catandica staff were much better trained than those in Massinga. But not all discrepancies are so easily explained. Articles below are based on a close study of the final results.

Nulos push Aniceto over the line in Gúruè

A second round in Gúruè was avoided by just 6 requalified nulos. As in Nacala, the race between Frelimo and Renamo was very close, and the few votes for two minor candidates meant that the Frelimo candidate seemed unlikely to gain more than half the votes – requiring a second round between the two candidates with most votes.

In Gúruè, Frelimo candidate José Aniceto had 4934 votes (48.84%) and Renamo candidate Latino Ligonha had 4686 (47.34%). But when the nulos were reconsidered by the CNE, one-third were considered valid, and nearly all of those went to Aniceto – 66 compared to 28 for Ligonha. The final tally gave Aniceto exactly 5000 (50.03%) and Ligonha 4714 (47.17%).

But it was very close. If Aniceto had received only 60 instead of 66 requalified nulos, a second round would have been necessary in Gúruè as well as Nacala.

This is the second time requalified nulos have made the difference. In 2003 the Frelimo candidate in Marromeu had a tiny majority, 1942, compared to 1938 for his Renamo opponent. But when the nulos were requalified, the CNE gave only 14 to the Frelimo candidate and 19 to the Renamo candidate, meaning he won by a single vote.

Half of nulos accepted in Beira and Nacala

In Beira for assembly and Nacala for mayor, more than half of nulos were considered valid. These are high percentages which hint a more than poorly trained polling station staff.

In Nacala, for mayor, there were 2613 nulos – at 5.3% this is double the national average. Of those, 1410 (54%) were considered valid, and of those, roughly two-thirds went to Frelimo. The Bulletin watched the requalification process at the CNE and what was odd about those nulos was that no normal polling station staff would have considered the ballot papers invalid – they were clearly and correctly marked for Frelimo. How did they get into the nulos pile?

By contrast, for Nacala municipal assembly, there were only 2318 nulos (4.7%), of which 36% were considered valid – more for Frelimo but not as many.

The number of votes for the Frelimo candidate and assembly list and the Renamo candidate and assembly list were all very similar and close to 21,500 before requalification. Yet there seem to have been 400 extra Frelimo votes in the mayor nulos pile. Where did they come from? One hint is that there were 450 fewer blank ballot papers for mayor than for assembly. Did someone during the count secretly take blank votes, mark them for Frelimo, and throw them in the nulos pile knowing they would be validated by the CNE?

Beira shows a similar disturbing pattern for municipal assembly. For mayor, 26% of nulos were accepted as valid – within the range of possibility. Of those nulos, 750 went to Daviz Simango, 134 to the Frelimo candidate Lourenço Bulha, 50 to the Renamo candidate Manuel Pereira, and 25 to others. But for assembly, an incredible 59% of nulos were accepted as valid, and of those 1400 went to Frelimo, only 88 to Renamo, and 84 to others. That 1400 ballot papers were accepted by the CNE seems very strange indeed.

Four muncipalities with high numbers of nulos

Nulos exceeded 5.5% with low levels of requalification in only 4 municipalities: Ilha de Moçambique (8.6% mayor and 7.7% assembly), Monapo (8.8% and 8.7%) and Angoche (6.0% and 6.5%), all in Nampula, and Ulongue (5.6% and 6.5%) in Tete. We have already raised questions about the high level of nulos in the Ilha and in the requalification of the nulos by the CNE the Bulletin saw clear examples of ballots for Renamo which had been improperly invalidated by a second ink mark. It seems likely that something similar happened in Monapo, at least, and perhaps in the other two.

Lost bags?

Finally, we note that Quelimane had 14% of its mayor nulos requalified but none of its assembly nulos. Similarly, Mueda had 8% of its assembly nulos accepted as valid but none of its presidential nulos. We wonder if this means two plastic bags of nulos were lost in transit.

Table corrections

The final results tables distributed Sunday contained a few minor typing errors. Send us a note if you spot any more. (j.hanlon@open.ac.uk) These, and any others which we find, will be corrected in the version of the tables posted on our websites:
In English: http://www.cip.org.mz/pub2008/index_en.asp
Em Portugues: http://www.cip.org.mz/pub2008/

Detidos suspeitos de assassínio de António Siba-Siba?

Segundo a Rádio Moçambique (RM), na sua edição das 10:00 horas, foram detidos ontem, três indivíduos indiciados no assassínio de António Siba-Siba Macuácua.


Será verdade?

DOMINGO, DEZEMBRO 07, 2008

Anibalzinho fugiu ou foi solto?

Alguma vez Anibalzinho fugiu?

Ele não terá dito a verdade sobre as suas ditas fugas numa acareação pela PGR?

Tomando a liberdade de dizer o que penso, não será que Anibalzinho entrou de férias depois das eleições municipais em que um dos sacrificados é Almerinho Manhenje?
Anibalzinho não voltará a juntar-se a Manhenje ou uns outros sacrificados para a campanha das eleicões provinciais, gerais e presidenciais?

Uma série de suposições minhas, mas que quero mostrar o que é muito estranho para mim.

SÁBADO, DEZEMBRO 06, 2008

O Poder das Abstenções em Moçambique

O Prof. e economista António Francisco do Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE) escreveu um artigo muito importante, reflectindo sobre as abstenções eleitorais em Moçambique cujo título é: Sem Surpresas: Abstenção Continua Maior Força Política na Reserva em Moçambique… Até Quando?, o qual se pode ler aqui.

Para além deste artigo, aconselho aos leitores de irem ao homepage do IESE para ler mais artigos e conhecer a equipa de investigadores, indo para aqui ou para os meus links no grupo Política e Sociedade.

Nota: O Reflectindo sobre Moçambique agradece o grande gesto do IESE e em particular do Prof. Dr. António Francisco em enviá-lo seu artigo o qual pode ser compartilhado pelo leitores deste blog.

SEXTA-FEIRA, DEZEMBRO 05, 2008

POLITICO DO ANO: ENG. DAVIS MBEPO SIMANGO

Por Manuel de Araújo

Com a divulgacao do resultado das eleicoes autarquicas, dissiparam-se de uma vez por todas as duvidas e o suspence. Ficou claro como a luz do dia, que o grande vencedor destas eleicoes foi o jovem Eng. Davis Simango, que com humildade e sabedoria soube, pela primeira vez na historia de Mocambique vencer as duas poderosas maquinas militares- a Renamo e a Frelimo juntas. E mais Davis simango nao venceu apenas a maquina do partido Frelimo, Davis venceu o Estado que vestido de Frelimo usou todas as suas influencias para derrotar o jovem engenheiro, sem sucesso. sim o Estado, porque vimos elementos do STAE, da TVM, RM, do SISE, da PRM usando subtilmente meios do estado para ilegitimamente combaterem um simples jovem, que nada tinha senao a sua sabedoria, humildade e peciencia.

Vi, com estes olhos que um dia o chao vai comer, o jovem engenheiro a caminhar quilometros e quilometros a pe, cacando o voto popular. Senti na Beira, ha dois dias das eleicoes, a empatia e simpatia que o povo do Chivive nutria pelo seu filho! vi e senti, depois da vitoria, no Restaurante Miramar, a simplicidade e humildade de um vencedor!

Nao e por acaso que apesar de ter vencido em 41 Municipios, a maquina da frelimo festeja em surdina! E que a vitoria tem o sabor amargo da DERROTA! Uma derrota limpa, e humilhante!!

Com esta vitoria, cai assim a mito da invencibilidade dos movimentos armados em Mocambique. Davis, abre uma nova pagina na nossa historia. Uma historia baseada na humildade, trabalho, abnegacao e sobretudo humildade. E nao numa historia de guerra, de mortes ou de derramamneto de sangue!.

Davis mostrou, ao contrario do propagado por alguns generais, que ha jovens serios no nosso pais. Que nem todos os jovens passam a vida etilizados! Que ha jovens que foram formados neste pais, e que acreditam que e possivel mudar Mocambique, sem a necessidade de lamber as botas de ninguem e muito menos de viver estendendo as maos quer aos patroes internos quer aos patroes externos! Sim ha JOVENS neste pais, que se alimentam e alimentam suas familias com o suor do seu trabalho arduo. Jovens que nao tem medo de envergar o fato macaco e avancar para a labuta diaria. Jovens que acreditam no trabalho arduo, na abnegacao e no espirito de sacrificio. Jovens que tem as suas casas como fruto de seu sacrificio, e nao como uma benesse em retribuicao lambebotesca. Jovens que compraram suas viaturas com o seu soldo acumulado, debaixo de sacrificios e privacoes.

Jovens humildes mas destemidos! Destemidos porque nao vergam perante dificuldades ou ameacas de morte. Jovens capazes de dar aulas de democracia tanto aos pais como aos padrastos da democracia! Jovens que quando a vila, o municipio, a cidade, ou a patria lhes chama, nao sabem dizer NAO! Respondem pronta, convicta e expeditamente: SIM! Jovens que nao esperam que seja o seu pais a fazer algo por eles, mas sim que sejam eles a fazer algo pelo seu pais!

Davis Simango soube encarnar nao so o sonho e o espirito da Geracao de 25 de Setembro mas tambem o sonho e o espirito da Geracao da Democracia, para destila-los e criar o estrume que ira fertilizar a Geracao da Paz e Desenvolvimento!

Por estas e mais razoes, nao tenho duvidas em proclamar HOJE E AGORA o Eng. Davis Mbepo Simango, como o POLITICO DO ANO!

Tenho a certeza absoluta, que nas matas de M'telela onde repousam os restos mortais de seus progenitores barbaramente assassinados por agentes do Estado que ajudaram a criar, um sorriso solene rasgou os ceus clareando e abencoando a jornada do jovem Engenheiro, ajudando-o a materializar o slogan Obamiano nestas indicas terras e gritando bem alto - YES WE (also) CAN!

'Das saias da rainha', receba os meus PARABENS ENGENHEIRO DAVIS! DEVOLVESTE-NOS A DIGNIDADE, O ORGULHO E O CARINHO DE SERMOS MOCAMBICANOS COM PENSAMENTO DIFERENTE!

Manuel de Araujo
Nota do Reflectindo: Excelente artigo!

Escola Secundária da Manga promove política

Por Edwin Hounnou
O director da Escola Secundária da Manga, Domingos Chimarizene, no dia 10 de Outubro findo, faltando, só, uma semana para o fim do ano lectivo, expulsou dois alunos da 10ª classe — Vieira Moda e Taibo Luís — alegando que aquela escola não é um centro depromoção política, pelo facto de terem colado, na parede da sala de aulas, um panfleto de Daviz Simango.

Chimarizene é um falsário que não respeita a diferença. É um mentiroso. No quadro da sala de professores está patente e com letras garrafais: Partido Frelimo – CONVOCATÓRIA. Vi isso, com os meus próprios olhos, entre os dias 18/19 de Novembro, quando passei da escola, na cobertura das eleições autárquicas. Fotografei a imagem. É inegável e guardo a fotografia para quem quiser certificar o facto vergonhoso, do que se pretende que seja um centro de difusão do saber.

Quando o problema despoletou, o director pedagógica do 2° nível, Lucas Chaúa, confirmou que naquela escola tem havido encontros da célula do partido Frelimo. Então, a Escola Secundária da Manga é ou não um centro de promoção política? Esta pergunta é dirigida a Chimarizene e aos que o apoiaram na sua insensata decisão de abafar e amedrontar outras sensibilidades políticas.

Para Chimarizene, a história está parada, no tempo. Vive, ainda, nos tempos do sistema monopartidário em que ser indiferente ao partido ou emitir uma opinião diferente era uma prisão garantida. Aos indivíduos com tal pensamento, vale recordar-lhes que o tempo não volta para trás, como diz uma velha canção. Em Moçambique, jamais haverá lugar para partido único, apesar das debilidades e trapalhices da Renamo de Afonso Dhlakama. O povo já experimentou o sabor da liberdade, por nada aceitará o retorno ao sistema monopartidário.

Quando uma actividade política se considera promoção política? Quando a célula do partido Frelimo se reúne nas instalações da Escola e escreve o seu aviso, no quadro, estará ou não a fazer promoção política, aquilo que fez enfurecer Chimarizene, ao ponto de expulsar miúdos, a escassos dias do fim do ano lectivo?

Chimarizene é livre de pertencer ao partido que mexe o seu coração, pois, a Constituição lhe garante tal direito, mas, está, terminantemente, proibido, por lei, de impedir ou molestar os demais que manifestam sua simpatia por outro partido, diferente do seu. Os miúdos não teriam sido vítimas de Chimarizene se tivessem exibido ou colado o panfleto de Lourenço Bulha, candidato do partido do director em part time, mas, comissário político full time.

Há, em toda a extensão do território nacional, milhares de chimarizenesactivistas políticos que não sabem separar a função que desempenham, no Estado, da sua actividade partidária. Uns são directores de escola, outros dirigem empresas, direcções nacionais, provinciais, etc. Outros são administradores, presidentes de conselhos de administração de empresas.

Fonte: A TribunaFax, N° 856, de 04 de Dezembro de 2008

Nota do Reflectindo:

Está ou não a Procuradoria Geral da República a investigar o caso Domingos Chimarizene? Está ou não a PGR a investigar sobre as violações à lei eleitoral quanto aos locais interditos à campanha eleitoral bem registadas, sobretudo em Maputo e Beira, por exemplo a a campanha realizada por David Simango na EDM e a reunião de campanha de Lourenço Bulha com os directores e directores-adjuntos de escolas?

QUARTA-FEIRA, DEZEMBRO 03, 2008

IMBECILIDADE, DESESPERO OU LOUCURA?

As loucuras que nos chegam da Cidade Beira, so nos lembram o diabo! Apesar do povo da Beira ter falado claro e sem equivocos, parece que existem pessoas que querem tapar o sol com a peneira! Nao se perceberam ainda que o comboio da moderniade ja partiu! E que eles ficaram orfaos! orfaos da sua teimosia, imbecilidade e arrogancia!

Avisos nao faltaram, mas quem tem a cabeca so para por chapeu e ouvidos para enfeitar nao deve chorar depois do leite derramadao!

Avisamos neste e noutros espacos sobre as consequencias de certos actos! Mas quando alguem tem a coragem, (sim e preciso ter muita coragem) para dizer ao mundo que se aconselha sozinho, ja pouco emabresta fazer!

Mas porque a duvida metodica e um instrumento impotante de analise permita-me fazer alguns perguntas metodicas, so para ingles ver!

Sera que aqueles que deram a sua juventude, seus membros, e quica suas vidas para que Mocambique tivesse a paz e democracia merecem este espetaculo barato vindo do Chiveve e protagonizado pela 'gang dos quatro'? E as estruturas do partido permitem que este espetaculo barato continue?

Afinal de que lado esta a direccao da Renamo? Do lado dos 'tachistas' ou dos membros na base? Cada minuto que passa vai ficando claro qem esta de que lado! O silencio cumplice comecara a fazer-se ouvir estrondosamente, e ai ja ninguem segurara a barra!

Politica de avestruz ja nao funciona: chegou a altura de cada membro da Renamo mostrar de que lado esta: se dos 'tachistas[, se daqueles que deram a sua vida, seus membros e sua juventude pela causa nobre - A DEMOCRACIA!

A HISTORIA nos julgara: A TODOS! E NAO DIGAM QUE NAO AVISEI! O QUE ME PREOCUPA NAO E O BARULHO DOS MAUS, MAS SIM O SILENCO DOS BONS!

Manuel de Araujo

Oslo, Noruega

Nota: Leia também aqui em inglês.

TERÇA-FEIRA, DEZEMBRO 02, 2008

Daviz Simango é felicitado hoje em Maputo

Beira (O Autarca) – Amigos e naturais da Cidade da Beira residindo em Maputo, a capital do país, organizam esta tarde um evento no Hotel Polana destinado a felicitar o jovem Engenheiro Daviz Simango, pela sua reeleição para o cargo de Presidente do conselho Municipal da Beira.

Neste evento que se espera bastante concorrido, algumas individualidades embora tenham confirmado ao nosso jornal o desejo de participar, lamentaram o facto de não poder devido as posições que ocupam no Governo da Frelimo, para evitar perseguições.

No último fim-de-semana, milhares de autarcas manifestaram-se nas ruas da Cidade da Beira, felicitando a vitória de Daviz Simango, tida como um caso inédito no contexto politico moçambicano.
Beira é o único dos 43 municípios até aqui instituídos no País onde a Frelimo não conseguiu vitória para o seu candidato presidencial nas últimas eleições autárquicas, tidas lugar no passado dia 19 de Novembro.

Daviz Simango tornou-se no primeiro cidadão independente deste país a vencer a Frelimo, partido que ainda goza de forte hegemonia política a escala nacional, incluindo na Beira onde conseguiu reverter a seu favor a maioria relativa na Assembleia Municipal.

A candidatura independente de Daviz Simango resultou da rejeição pelo seu partido, contra o desejo das suas bases e dos munícipes em geral que o consideram ter executado com perfeição, empenho, dedicação e vontade o seu programa de governação autárquica.

A decisão da Renamo de afastar Daviz Simango criou o que uns apelidam de traumatismo craniano àqueles verdadeiros nacionalistas e patriotas que querem ver a nação desenvolver-se e ocupar os patamares cimeiros não só no contexto Africano, mas do mundo em geral.

A candidatura independente da Daviz Simango acabou obtendo apoio incondicional de vários segmentos da sociedade, que consideraram importante para a sobrevivência da democracia em Moçambique.

A opinião comum considera sobrevivência a palavra correcta, justificando que dirigentes que se entregam de forma abnegada ao seu trabalho, são abruptamente “trucidados” pelas suas máquinas partidárias, apenas porque não satisfizeram alguns interesses par particulares das suas elites e parasitas associados, com elucidações aos casos de Daviz Simango (Beira/ Renamo) e Eneas Comiche (Maputo/ Frelimo).

Daviz Simango já é considerado um fenómeno político que as poderosas máquinas partidárias não conseguem controlar, cuja vitória nas últimas autárquicas em que concorreu sem apoio partidário também tem sido considerada o início de uma nova era. (Falume Chabane)


Fonte: O Autarca Edição Nº 1660, Terça-feira, 02 de Dezembro de 2008

Daviz Simango não vai criar novo partido político

O recém eleito edil da Beira, Daviz Simango, afastou, esta terça-feira, em Maputo, a possibilidade de criar um novo partido político, como era especulado por alguns órgãos de informação nacionais, na sequência do seu afastamento da Renamo.

Daviz Simango deslocou-se esta terça-feira à cidade de Maputo para participar num encontro que tinha como objectivos congratulá-lo pela vitória nas eleições autárquicas de 19 de Novembro último. A mesma foi organizada por cidadãos nativos da Beira, mas residentes na cidade de Maputo, bem como amigos e membros do partido Renamo que juntaram-se para congratular o histórico Daviz Simango que concorreu como independente e ganhou as eleições com uma margem de diferença considerável.

Em termos de presenças no encontro, o destaque vai para a figura da chefe da bancada parlamentar da Renamo, Maria Moreno, que, na ocasião, disse acreditar na reconciliação entre Daviz Simango e a Renamo.

Escrito por Atanásio Marcos

Fonte: País online Terça, 02 Dezembro 2008 18:03

Prefiro contrair o HIV na relação desprotegida do que através do preservativo

Por Cremildo Antique

Celebrou-se ontem o primeiro de Dezembro, Dia Internacional da Luta contra o HIV-SIDA. Desde que se implantou esta luta, passam já vinte anos e com esta, esperavam-se bons resultados após um perído de sensibilização.

O HIV-SIDA mata a cada dia milhares de pessoas no mundo e no nosso país, em particular, apesar de adoptadas diversas formas para o combate.

Primeiro houve a necessidade de fidelidade e abstinência como forma de reduzí-lo e, por pensar-se nas pessoas que iriam se sentir castigadas, introduziu-se o uso de preservativos, mas apesar disso considera-se um esforço fútil. Existem assim ainda pessoas que quando sensibilizadas para o uso da camisinha durante o acto sexual se sentem desacatadas, preferindo envolverem-se sem proteccão por alegadamente existir virus que causa o SIDA no interior do preservativo.

Um dia, estava eu curioso em saber donde surgia esta tese que tanta barreira causava no combate ao SIDA. Fui saber que eram activistas que se diziam trabalhar na luta contra esta doença que semeiavam nas mentes das pessoas estas ideias bastante perigosas, dizendo que dentro da caixa de preservativos, alguns estão infectados e neles não estão sinalizados.

E, quem pode arriscar a sua vida atravez do preservativo tendo em conta que havia a “probabilidade” de não contrair o HIV caso fizesse acto sexual sem preservativo com alguém que não esteja infectado pelo virus? Daí surge a ideia de arruinar a campanha de uso de preservativos enquanto esperava-se tornar algo para a redução dos indíces de contaminacão do HIV.

Se os activistas não usam a camisinha, como vão convencer a população para usá-la; como provar a abstinência e fidelidade às pessoas se eles não se abstem do sexo ou mostram traições à camada alva e quando perguntados alegam não se seguir o que fazem, mas sim o que dizem?

Assim fica o SIDA considerado um monstro trazido pelo governo para derrubar vidas, pelo mau trabalho dos activistas da área.

O importante para saber é que enquanto houver preservativos à venda e outros gratuitos e supostamente infectados, aguardemos maior número de infectados no país porque as pessoas irão preferir contrair o HIV-SIDA numa relação desprotegida do que pelo preservativo.

02 de Dezembro de 2008

Membros da Renamo voltaram a questionar futuro do partido

No encerramento do seu «ano político» que findou este domingo 

Maputo (Canal de Moçambique) – Membros do partido Renamo na cidade de Maputo, que estiveram reunidos no último domingo aqui na capital do país, voltaram a pôr em causa a atitude, estratégia e legitimidade de algumas decisões da liderança desta formação política nos últimos tempos, que resultaram em desorganização e divisões, que precipitaram esta formação política para a mais estrondosa derrota da sua história, ocorrida nas eleições autárquicas havidas a 19 de Novembro, em 43 municípios em todo o país.

Os membros insistiram em querer saber o futuro que espera o partido, perante a crise que se diz estar a passar nos últimos tempos, e o que pensam os líderes sobre a situação que se instalou na Beira, onde segundo os membros a Renamo perdeu as bases de apoio como o provou o que dizem ter visto. “Durante a campanha eleitoral, vimos o nosso candidato Manuel Pereira, a caminhar sozinho, como alguém que estivesse a vender amendoim torado”, registamos de um militante que participou no debate do último domingo.

Apesar de tentativas de excluir da agenda do encontro o balanço sobre as recentes eleições municipais, tentativas essas empreendidas pela Comissão Política da Renamo ao nível da Cidade, dirigida por Jeremias Pondeca, com o pretexto de que o encontro era simplesmente para analisar as actividades políticas do partido durante o «ano político» que começou em Fevereiro de 2008 e terminou no domingo, assistiu-se à subida dos ânimos dos membros que ansiosos, queriam saber os motivos da desorganização e desentendimentos que estão a afundar esta formação política, e que ficaram mais patentes durante o período eleitoral. Acabaram por conseguir com a pressão que se desviassem dos propósitos da agenda, e acabaram por colocar algumas perguntas sobre o descalabro registado no último pleito.

No encontro havido no Delegação Política do Distrito Municipal Nº 2, no bairro do Xipamanine, os membros denunciaram supostas desorganizações, perseguições políticas, compadrios na selecção dos candidatos a deputados municipais, falta de apoios da liderança ao nível central durante as campanhas eleitorais destas eleições, falta de materiais de campanha, desaparecimento e falta de justificação de fundos, ditadura e arrogância por parte dos dirigentes na tomada de decisões, falta de auscultação e consideração das opiniões das bases, ausência de conferências de bairros e distritos, tudo dentro da Renamo, como sendo as principais causas que concorreram para a pior derrota de sempre, averbada pelo partido liderado por Afonso Dhlakama.
“As estruturas dos distritos e bairros não tem fundos para o funcionamento. Os poucos fundos que são canalizados aos distritos, param nas mãos dos delegados distritais, que os usam indevidamente sem justificar aos respectivos sectores das finanças”, denunciaram os membros.

Segundo estes, na maioria das delegações distritais da cidade de Maputo, os fundos são geridos indevidamente pelos respectivos delegados, no lugar dos chefes das Finanças, que são meras figuras de estilo.

Outro aspecto negativo que continua a irritar os membros e que ainda não tem resposta, é a falta de reuniões nos distritos, e a ausência de prestação de contas sobre as finanças do partido a todos os níveis. Outrossim, a maioria dos membros denunciou que na Renamo houve desvio de processos de candidatura dos seus membros que tinham sido propostos pelas bases, para concorrerem a Assembleia Municipal de Maputo, tendo os seus nomes sido substituídos sem explicações, por elementos familiares e conhecidos dos dirigentes, que segundo se disse “não têm nada a ver com o partido”.

Membros há que dizem terem sido suspensos ou afastados dos seus cargos em alguns órgãos quer do partido quer públicos em que a Renamo está representada, incluindo nas Comissões Eleitorais Distritais (CDE), Secretariados Técnicos de Administração Eleitoral (STAE), porque alegadamente “falamos muito ou pedimos contas de como funciona o partido”.

“Muitos dos que estão na Renamo, são sanguessugas vindos da Frelimo, para virem fazer dinheiro, mas também empenhados em destruírem os propósitos do nosso partido. Os senhores são ditadores, arrogantes, e nada têm a ver com os membros. Já fizeram as vossas vidas, são empresários, por isso agora estão a afundar o partido. Queremos que nos digam qual será o nosso futuro, com um partido que nunca ganha, e que parece estar cada vez mais em desespero e a afundar”, questionou em jeito de lamentação um dos membros, durante a reunião que durou perto de 6 horas.

Devido ao tom elevado dos ânimos, os membros quiseram ainda saber como o partido estaria a tratar a situação da cidade da Beira e de Daviz Simango, que segundo disseram, consideram-no como tendo sido provado que ele tem popularidade junto dos munícipes, incluindo da quase a totalidade dos apoiantes da Renamo, no que até agora é considerado bastião desta formação política, até aqui a maior da oposição. Apesar da insistência os membros que levantaram a questão não tiveram nenhuma resposta.
Contudo o delegado político da cidade de Maputo, Jeremias Pondeca, acabou limitando os questionamentos ao afirmar que a reunião não era para avaliar as eleições dado que ainda não se têm os resultado definitivos, tendo por outro lado dito, que podiam apenas serem tratados assuntos da cidade de Maputo, e não da Renamo no seu todo, pese embora a intenção dos membros, como presenciámos, era de mandar recados à liderança do partido ao nível central, sobre a situação por que este passa actualmente, caracterizada por divisões e clivagens, incluindo de opiniões díspares.
Na sua intervenção, Jeremias Pondeca acabou por reconhecer que houve falhas dentro da Renamo, que teriam provocado a derrota deste partido e dos seus candidatos na maioria das 43 autarquias, segundo os resultados até agora veiculados. Não entrou, contudo, em muitos pormenores.

“Não tivemos material de campanha eleitoral suficiente. Tivemos problemas em termos de formação e quantidade dos delegados às mesas de votos. Não tivemos apoios dos dirigentes ao nível central durante a campanha. Falhou a estratégia ao nível central, mas também falhou a táctica a partir das bases”, disse Pondeca, apontando esses como os grandes constrangimentos.

Para conter os ânimos, o delegado da Renamo na cidade de Maputo, apelou para a calma e serenidade aos membros, advertindo que deve-se deixar de atacar a figura do presidente do partido, Afonso Dhlakama.

“Devo deixar claro que, aqui na cidade de Maputo, não há espaço para alguém que seja da Renamo, continue a pôr em causa e a atacar a figura do presidente Dhlakama, quer por causa dos resultados destas eleições que foram municipais e não gerais, quer pela desorganização do partido. Se há alguém a quem questionar, temos que começar pelos delegados dos bairros, distritos e eu próprio, sobre o que fizemos para que o partido tivesse sucesso”, avisou aquele dirigente partidário, acrescentando que “se nada fizemos para o sucesso do partido, então temos que ser nós primeiros a sermos sacrificados e não o presidente”.

Participaram na reunião, membros, delegados dos bairros, distritos, membros da Comissão Política da Cidade, dirigentes da Liga Feminina, da Juventude, chefes de serviços, deputados da Assembleia da República, entre outros convidados.

(Bernardo Álvaro)

FonteCanal de Moçambique

DOMINGO, NOVEMBRO 30, 2008

Educaçao retoma Unidade Nacional

No próximo ano, o Ministério da Educação e Cultura vai retomar o programa de Unidade Nacional, visando a movimentação para todas as províncias do país de candidatos aos cursos de formação de professores.
Segundo o director-adjunto do Instituto do Magistério Primário de Angónia, em Tete, os cabdidatos aprovados nos exames de admissão aos cursos de professores na província de oriegm, serão encaminhados para outras.
Paulo Chijua disse que com a retomada daquele programa, os Institutos de Formação de Professores passarão a ter 40 por cento de candidatos locais e os restantes das outras províncias do país.

Fonte: Rádio Moçambique ( 25/11/08)

Eis aqui uma acção muito interessante do Ministério de Educação e Cultura que podia criar um debate se não estivessemos numa sociedade conformista ou de que "eu sei o que vou fazer“ para contrariar as decisões do governo.

Umas perguntas surgem:

Imaginando que é o MEC que pagará as passagens dos estudantes duma província para outra, quanto custará este programa? Não seria melhor alocar esse dinheiro para o apetrechamento das escolas ou institutos de formação de professores?

Atendendo que há férias entre dois semestres, pelo menos, será que o MEC pagará as passagens dos estudantes à sua terra natal?

Qual será o ambiente de vida nos institutos de formação de professores para se concretizar essa unidade nacional? Directamente indo, vai se libertar os formandos aos bairros vizinhos para fabricarem filhos de todo Moçambique? Serão livre as relações entre os estudantes/formandos ? E depois do curso, como se resolverão as questões?

E a questão de colocação depois da formação?

O MEC já pensou que estudos em Mocambique constituem, em geral, um investimento familiar?
Eu podia colocar aqui mil e uma perguntas, ainda que conheço ao que se deu neste tipo de programa nos primeiros cursos de formação de professores. Como professor formando do terceiro curso e alguns anos professor metodólogo para além de eu ter sido um dos fornecedores de cursandos ao professorado, acho este programa de contra os direitos elementar do homem.

Que a Liga dos Direitos Humanos fique de olho!

QUARTA-FEIRA, NOVEMBRO 26, 2008

Medo dar más notícias ao patrão?

Por Joseph Hanlon

Quadros superiores da Frelimo têm cantado vitória, na corrida eleitoral, quer para a presidência de Nacala quer para a assembleia municipal da Beira, desde a semana passada, apesar de as contagens paralelas mostrarem que isso era pouco provável. Em Nacala a CEC ainda não afixou o resultado final, conforme exigido por lei, mas parece ter encontrado 1000 votos adicionais para o candidato da Frelimo. Na Beira, a contagem provisória do STAE parou antes que de atingir 100% e, agora, a CEC anunciou um resultado que muitos não acham credível.

Em ambos os casos, a Comissão Nacional de Eleições será obrigada a considerar os dados dos editais das assembleias de voto digitalizados nos sistemas de computadores pelas Comissões Provinciais de Eleições, e utilizá-los no caso de eles não concordarem com os resultados intermediários das CEC. E se os resultados finais não forem exactos, então a Renamo e Daviz Simango simplesmente irão apresentar as suas cópias dos editais ao Conselho Constitucional e recorrer.

Começa a parecer pânico o elevado número de votos para a Frelimo que não correspondem às contagens paralelas, nestas duas corridas. Terão os quadros superiores da Frelimo, na Beira e em Nacala, medo de a informar que aí ela perdeu, e assim inflaccionaram um pouco os números, sabendo que a CNE irá retirar os votos a mais? Talvez sintam que o melhor é atirar as culpas para a CNE.
Joseph Hanlon

Fonte: AWEPA, Boletim Eleitoral Número 18 – 27 de Novembro de 2008

Exigida a realização de um Congresso Extraordinário da Renamo

Somam-se os membros proeminentes do Partido Renamo que exigem a realização urgente de um congresso para debater a actual crise do Partido. Depois do ex-deputado da Assembleia da República e actualmente assessor para área de Transportes e Comunicação, Dionísio Guelhas, foi segundo o Magazine Independente, a vez de deputado e assessor para relações exteriores no círculo da Europa, Manuel de Araújo.

Ainda hoje, o jornal digital Notícias Lusófonas publica que os outros quadros proeminentes e deputados Ismael Mussá, João Colaço e Agostinho Ussore, também exigem um congresso extraordinário. Porém, o deputado António Muchanga acha que um Conselho Nacional resolve a actual crise da Renamo.

Eis o artigo do
 Notícias Lusófonas na sua íntegra:

Notáveis» da RENAMO exigem congresso e questionam liderança de Dhlakama


"Notáveis" da RENAMO exigem a convocação "urgente" de um congresso do principal partido da oposição moçambicana para analisar a pesada derrota nas eleições autárquicas e eleger um novo líder.


Em declarações à Lusa, ex-assessor do líder da RENAMO para os assuntos parlamentares, Ismael Mussá, considerou necessário uma "rápida" convocação do congresso do partido e "salutar" a demissão de Afonso Dhlakama, para salvaguardar a imagem do partido.

"Em algumas partes do mundo, em casos desta natureza, o líder do partido pede a demissão", disse, Mussá, a propósito do "desaire" eleitoral da RENAMO nas municipais de 19 de Novembro cuja responsabilidade, considerou, "é do Presidente Dhlakama".

Nas eleições de 19 de Novembro, a RENAMO não apenas perdeu todos os cinco municípios conquistados nas autárquicas de 2003 - num escrutínio em que iam a votos 43 autarquias, mais 10 do que há cinco anos -, além de ter visto Daviz Simango, o candidato preterido pela actual direcção do partido na segunda cidade do país, a Beira (centro), ser reeleito, como independente, de forma esmagadora.

Apesar destes resultados, a hipótese de demissão da liderança já foi afastada na segunda-feira pelo líder da RENAMO: "Demitir-me, porquê?", indagou Dhlakama, quando interpelado em conferência de imprensa sobre o seu futuro político.

Ismael Mussá, que é igualmente deputado da bancada parlamentar da RENAMO à Assembleia da República, assinalou que, para Afonso Dhlakama, "o mais salutar seria pedir demissão e deixar que o congresso decida o seu futuro".

Também o antigo assessor do presidente da RENAMO para a Administração Pública, João Colaço, defendeu a realização "urgente e antepada" de um congresso, atribuindo a responsabilidade à liderança pela "desorganização" do partido.

Contudo, Colaço ressalva "algumas situações não muito claras" que aconteceram desde o início do processo eleitoral, nomeadamente a aprovação de "um pacote eleitoral, que acomodava interesses da FRELIMO".

"Há aspectos da lei eleitoral que constituem um absurdo, designadamente a lei sobre a votação", disse Colaço.

O deputado da RENAMO à Assembleia da República António Muchanga contesta, por seu turno, a atribuição de responsabilidades ao líder do principal partido da oposição, defendendo, no entretanto, a realização do "conselho nacional e não do congresso".

"Quem prepara as eleições não é o presidente do partido, são os órgãos de base. O presidente dá o seu apoio, mas os candidatos locais é que fazem a campanha", disse.

"Todos nós devemos assumir que não conseguimos corresponder à táctica do nosso adversário", frisou.

Para Muchanga, "houve estratégia inimiga dentro da RENAMO", que ditou a derrota do partido.

"Alguns colegas foram comprados" pela FRELIMO, acusou o deputado.

Muchanga justificou a acusação com base num vídeo recentemente divulgado por uma televisão privada, onde supostos membros da RENAMO confessavam terem recebido dinheiro do partido no poder para "chumbar" a candidatura de Daviz Simango, o então edil da Beira, que em 2003 concorreu pela oposição.

Analistas ouvidos pela Lusa atribuíram "o descalabro" da RENAMO, nas eleições municipais de 19 de Novembro, "a graves falhas de estratégia" de Afonso Dhlakama e defenderam "uma reflexão profunda" neste partido.

A RENAMO tem sido palco nas últimas semanas de uma sucessão de demissões de alguns dos seus principais quadros, em ruptura com o líder do partido, Afonso Dhlakama, designadamente Ismael Mussa, João Colaço e Agostinho Ussore, assessor político de Dhlakama.

TERÇA-FEIRA, NOVEMBRO 25, 2008

Mensagem de agradecimento de Daviz Simango

Aos Munícipes da Beira


Passada a Campanha Eleitoral, Apuramento dos Resultados, queremos fazer um agradecimento público a todos que confiaram no nosso trabalho, bem como aqueles que por qualquer motivo não o tenham feito, mas pelo facto de terem exercido o seu direito de voto. Fazemos questão de dividir essa Vitória com todos vocês.

Acreditaram que era possível fazer política como Candidato Independente, fizemos campanha agradável e inteligente, sempre na busca dum mandato político. Foi o que aconteceu. E agradecemos pelos que apoiaram a ideia.

Estendemos estes agradecimentos a todos que directa ou indirectamente apoiaram e participaram na campanha eleitoral. Sem o vosso carinho, o que seria de nós.

A nossa equipa não venceu sozinha. Nós vencemos. Tudo o que a equipa conseguiu, não conseguiu, conseguimos. Como vínhamos dizendo vamos colocar em pratica o que propusemos no nosso programa de governação para o mandato 2009 à 2013, para tornar a nossa cidade o Orgulho Beirense.

Além de agradecer, queremos nessa hora, fazer outro pedido: nos ajudem. Estejam ao nosso lado sempre, para que juntos possamos desenvolver a Beira, pensando nas futuras gerações.

Muito foi feito, mas muito há ainda por fazer. Rogamos a Deus que a todos nos ilumine para que sigamos firmes e coesos na busca permanente de soluções e recursos, bem como na consolidação da democracia no nosso País.

Terminamos dizendo que aprendemos muito nesta etapa. Saímos mais fortalecidos, graças ao apoio de vocês. Certamente continuaremos a disposição de todos, como homens de política.


Obrigado por tudo, Parabéns Beira, até a próxima.

Daviz Mbepo Simango
Foto do Diário de um Sociólogo

SEGUNDA-FEIRA, NOVEMBRO 24, 2008

Quelhas apela para Congresso extraordinário na Renamo

Na sequência da estrondosa derrota eleitoral

Maputo (Canal de Moçambique) – Dionásio Quelhas ex-deputado à Assembleia da República e um dos actuais assessores presidenciais da Renamo, defendeu ontem a realização de um congresso extraordinário, como possível solução para se ultrapassar a alegada crise de liderança, em que este partido supostamente esta mergulhado, bem como para o reencontro dos membros da até agora considerada maior formação politica da oposição nacional.

Contudo, Quelhas deixou subjacente que para si o problema da Renamo não se trata exactamente de Afonso Dhlakama, quando disse que dentro deste partido existem muitas figuras brilhantes entre os seus membros que podem candidatar-se à liderança da organização, tendo destacado que um deles se trata do actual líder.

Consideram analistas que a estrondosa derrota da Renamo, como partido politico que inspirava alternativa de governação para os cidadãos moçambicanos, se deve em grande medida, ao actual momento de divisão que se vive dentro de si própria, mas também por não haver estratégias visando fazer face ao principal adversário politico, o partido Frelimo no poder desde a independência.

De acordo com Quelhas, em declarações pouco depois da conferência de imprensa dada ontem por Afonso Dhlakama no seu escritório em Maputo, em reacção aos resultados das eleições municipais que se realizaram em 43 autarquias no passado dia 19 de Novembro que descreveu como tendo sido caracterizadas por certas irregularidades, "tudo passa por um congresso extraordinário, para escolher uma nova liderança do partido".

O líder da Renamo reconheceu ontem em conferência de imprensa a derrota do seu partido, mas disse que houve algumas irregularidades que se caracterizaram pelo transporte de populares de zonas fora das autarquias, a fim de irem votar a favor de certos candidatos e partidos nos municípios onde houve eleições (43), numa alusão clara à Frelimo e seus concorrentes que saíram esmagadoramente vencedores no plebiscito do dia 19 do corrente.

Quelhas pôs de lado a possibilidade de vir a afastar-se do partido, defendendo antes um congresso “para a legitimação da liderança da Renamo”.

"A grande questão é termos uma liderança estratégica. Até pode ser o presidente Dhlakama a continuar, desde que tenha coragem de ir às bases fazer o resgate para uma nova coesão e pacificação", disse um outro membro da Renamo este a coberto de anonimato.

Da cidade de Quelimane, um outro importante membro deste partido, afirmou que vai ser necessário compreender que o que está em falta é a coesão.

"Pensamos que se provou que tanto o PDD criado por Raul Domingos, como a eventual força política a criar por Daviz Simango, não serão alternativas para a Frelimo no poder desde a independência. É preciso ganhar coragem de modo que estes líderes voltem ao convívio dentro do partido para cativar mais o eleitorado", afirmou uma outra fonte da RENAMO, também a coberto do anonimato, uma forma de se fazer política naquela formação e que caracteriza bem o grau de democracia interna que nele actualmente vigora.

Há no entanto alguns indícios de que se Dhlakama não se retirar da direcção executiva do partido para uma posição que lhe assegure o prestigio como o homem que liderou a fase da luta armada e da implantação da democracia no País, uma cisão definitiva poderá vir a suceder o que se vaticina já como o fim da Renamo como partido ou a sua redução à mais insignificante escala de popularidade. Popularidade que aliás está já nos mais baixos níveis de sempre.

A forma como Afonso Dhlakama tem vindo a gerir o partido mas sobretudo a forma como ele tem tratado os quadros do partido vem criando um avolumar de descontentes que facilmente poderão dar pernas a um novo projecto político com capacidade para finalmente o país ter uma outra formação política que possa abalar os actual «status quo». A revolta interna na Renamo está a ganhar ritmo em todo o país e o posicionamento de Dionísio Quelhas é já visto como uma derradeira tentativa de salvar Afonso Dhlakama do pior.

(Bernardo Álvaro)

Fonte: Canal de Moçambique

Ntelela: campo de extermínio

As missões em directo
MOÇAMBIQUE


Ntelela é um nome topográfico que evoca, no subconsciente colectivo de quem viveu em Moçambique os anos do apertado regime marxista, ressonâncias sinistras semelhantes àquelas que suscitam nomes como Sibéria, Gulag, Auschwitz … porque se trata de um campo de extermínio, do qual dificilmente se saía vivo.

Uma sensação que se tornava sempre aguda para mim cada vez que, com o padre Fernando Rocha, missionário da Consolada, passava na área de floresta que encerrava o segredo de Ntelela. Era então espontâneo falar do padre Estevão Mirassi, de Joana Semeão, fundadora de um partido de oposição, de Ché Mussa, chefe islâmico de Lichinga, todos desaparecidos no nada após a deportação para Ntelela.

Um grande desejo era o de alcançar o referido campo de reeducação política, mas à volta dele reinava o segredo mais absoluto. Até que um dia, uma pessoa, sabendo que queriam apenas ir celebrar uma santa Missa, revelou o segredo indicando a pista existente além de um bocado de floresta.

Superado o medo de transitar numa estrada minada, com o padre Rocha e três cristãos, pusemo-nos a caminho para Ntelela. Após uma vintena de quilómetros encontramos a estrada, mas uma ponte destruída nos obrigou a prosseguir a pé. Apenas passado pouco mais de um quarto de hora surgem os primeiros sinais de presença humana: pareceu-nos vislumbrar sinais de valas comuns em terras que pareciam cultivadas.

Estávamos certamente na área dos trabalhos forçados dos detidos que não eram importantes. Avançamos e encontramo-nos num descampado: uma pista de aterragem para pequenos aviões e, ao longe, edifícios degradados.

Ntelela: era um pequeno posto avançado militar português transformado em lager pela Frelimo. Um dos mais terríveis campos de reeducação criados para arrasar a resistência dos opositores políticos.

Um aperto de coração se apoderou de nós, ninguém falava. Tinha-se a impressão de calcar um terreno sagrado, impregnado de sangue. Cedo tropeçamos no arame farpado cujos suportes de madeira, apodrecidos, caíam um atrás de outro. A área parecia tecida como uma teia de aranha daquele maldito arame.

Um acompanhante nos revelou como decorreu um dia no campo quando esteve ao serviço de um comandante militar que, um dia, pernoitou no campo enquanto viajava para Lichinga. Foi ele a explicar-nos que, no fim do campo, devia estar qualquer coisa porque tinha observado que os guardas acompanhavam detidos que saíam debaixo, para talvez irem aos serviços higiénicos. Dirigimo-nos para lá e vimos uma escadinha que conduzia a uma fossa cimentada: um bunker - prisão?

O homem olhou empedernido e questionava-se como daquele buraco podiam sair e entrar toda aquela gente que tinha visto. Noutro edifício estavam as celas de rigor onde os prisioneiros eram amassados como animais. As construções estavam vazias, depredadas do mobiliário, se existia, das portas e janelas e do teto de lâminas de zinco, algumas das quais estavam ainda espalhadas no vasto espaço defronte.

Aqui e acolá, nos pátios, bidões enferrujados que devem ter sido utilizados como panelas, cacos, pedaços de ferro. Experimentei recolher alguma preciosidade, ma senti-o como ferro incandescente na mão. Ficamos calados.

Cada um de nós pensava nas notícias de tortura e eliminações sumárias filtradas naqueles anos e a quanto tinha revelado um semanário moçambicano pouco tempo antes:
Com engano foram carregados sobre um camião um considerável grupo de prisioneiros dizendo-lhes que se ia para a liberdade e em vez disso foram queimados vivos numa vala comum escavada num dos tantos trajectos secretos que conduziam ao campo.

Será verdade? A noticia não foi desmentida pelo governo, aliás o presidente Chissano, mesmo nesses dias, convidava a não exumar “os esqueletos” para não desencadear violência e vinganças.

À saída do campo olhei o céu: era um dia esplêndido. Também o local, sobre um planalto, podia ser um paraíso mas em vez disso tinha sido um inferno.
Enquanto avançava através do caminho, o olhar caiu sobre uma moita florida: flores maravilhosas, nunca vistas. Parei. Recolhi-as. Senti pulsar a vida. Tanta dor não será em vão: então, só então, consegui rezar.

11 Dezembro 1995. Não pude participar na santa Missa em Ntelela., concelebrada pelo bispo Dom Luís Gonzaga e por vários sacerdotes missionários, porque, alguns dias antes, partia para a Itália. No entanto entrei em contacto com soror Giuseppina Teresa Buzzella e através dela tive notícias sobre o evento.

Naquele dia estavam também presentes a mãe e os irmãos do padre Estevão Mirassi, uma das vítimas, detido e levado embora sem processo: não se soube mais nada dele, nem sequer a comunicação oficial da sua morte. Os familiares, como centenas de outras famílias, esperaram em vão durante anos. Entre os presentes estava também um ex-guarda carcerário, não cristão, que testemunhou e confirmou as muitas crueldades da tortura e as eliminações à traição. Não queria participar nas celebrações para não arriscar. No poder de facto ainda estão os mesmos homens, e o famigerado director do campo, que se vangloriava das suas atrocidades, ainda está no activo. Mas na noite tinha sonhado com uma mulher vestida de branco que lhe disse para não ter medo…

Um momento eucarístico comovente foi o do Pai Nosso. “Perdoai-os como nós perdoamos…”. Perdoar, mas não esquecer a lição da história para que jamais o homem se manchará de tanta criminalidade.

Por muitos anos, o regime obrigou crianças e adultos a desprezar pessoas como Joana Simeão, Uria Simango, Cavandame, como se quase fossem criminosos e não vítimas de uma ideologia de estado que não hesitou eliminar, torturar e deportar inocentes nos campos de extermínio. Como esquecer as duas levas de gente, em meados dos anos 70, nas quais milhares de mulheres, incluindo mães de família e rapariguinhas, foram deportadas, acusadas injustamente de prostituição? Ou então a Operação Produção de 82 quando 70.000 pessoas do sul foram aviadas na Sibéria verde do norte onde mais de metade morreu de miséria? Muitos dos sobreviventes regressaram a casa, por obra especialmente da Caritas, mas muitíssimos vivem ainda no Niassa, desenraizados e mal tolerados.

Ora no País regressou a paz. O povo está seriamente empenhado na reconstrução, mas as feridas são tão difíceis de cicatrizar.

Queira o Céu que este povo não seja esquecido e encontre uma autêntica solidariedade, não aquela fingida que faz regressar à origem os bens, como várias vezes foi denunciado por missionários e por sérias organizações humanitárias. Mas aquela autêntica que ajuda o povo a ser protagonista do seu desenvolvimento, em plena harmonia e respeito pela própria cultura e tradições.

soror Dalmazia Colombo
Revista “andare”, de 03.03.1996

Retirado Mocambique para todos.

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