domingo, 6 de novembro de 2016

Promessa cumprida comboio apitou em Lichinga!

INFRA-ESTRUTURA: 

O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, procedeu na passada quinta-feira à reinauguração da via-férrea Cuamba-Lichinga com uma extensão de 262 quilómetros, orçada em cerca de cem milhões de dólares, cumprindo, desta forma, a promessa feita no dia 3 de Junho de 2014, durante a campanha eleitoral para suceder a Armando Guebuza na chefia do Estado.
A cidade de Lichinga parou literalmente e todos os caminhos foram dar ao bairro Chiuaula onde a população e dirigentes do Estado a vários níveis foram testemunhar “in loco” o retorno daquele meio de transporte após a última paralisação de seis anos devido ao mau estado da ferrovia.
Porque a chegada do comboio era aguardada com enorme expectativa dos munícipes da cidade de Lichinga bem como dos residentes de alguns distritos, como Marrupa, Mecanhelas, Ngauma, Chimbunila e outras regiões do Niassa, a população escalou em massa a estacão ferroviária ávida em ver o retorno do comboio à província.
Aliás, os residentes nas bermas do traçado da via-férrea saíram à rua para saudar o gesto ao mesmo tempo que gritavam o nome do Presidente, o que, de certa forma, contagiou o Chefe de Estado que no regresso da viagem inaugural feita até Chibumnila, cerca de 14Km, saiu da carruagem na qual viajava e percorreu cerca de 200 metros a pé até chegar na locomotiva, o que emocionou mais a população.
Nesse instante, passageiros que o acompanhavam fizeram vários comentários, entre eles, “ter um Chefe de Estado jovem dá nisso de mandar parar o comboio, descer e andar a pé” e outros referiam que por conhecer bem o sector ferroviário Filipe Nyusi pretendia perceber muito bem o estado da via.
Já na estação, Filipe Nyusi descerrou a lápide da reinauguração da ferrovia para depois dirigir um comício popular bastante concorrido, apesar do sol ardente que se fazia sentir associado a nuvens de poeiras que a população levantava devido à euforia que aquele gesto comportava.
Com a reabertura do tráfego ferroviário entre as cidades de Lichinga e Cuamba, a viagem passa a ser de sete horas contra duas a três semanas que se levava, sobretudo, no tempo chuvoso antes da sua interrupção no ano de 2010 devido ao seu estado avançado de degradação.
Ontem um comboio partiu de Lichinga a Cuamba transportando passageiros ao preço de 100 a 150 meticais e para hoje (domingo) está previsto o seu regresso à capital provincial. A partir do mês de Dezembro, segundo a concessionária da linha do Norte, a CDN (Corredor de Desenvolvimento do Norte), está programada a circulação de quatro comboios mensais, sendo dois de passageiros e igual número de carga que se estima que atinja dois milhões de toneladas por ano. 
DINAMIZAR A REGIÃO
Dirigindo-se à população, o Chefe de Estado afirmou que aquele gesto expressava o comprometimento do Governo na criação do bem-estar da população, ao mesmo tempo que visava a dinamização do desenvolvimento integrado e socioeconómico da província do Niassa e do Norte de Moçambique.
Sublinhou que, para além do regresso do comboio à cidade de Lichinga, o Governo está a envidar esforços no sentido de atrair investidores para a construção de uma fábrica de cimento no Niassa, bem assim da estrada Cuamba-Lichinga, cujo projecto poderá arrancar dentro de dias porque já existe financiamento.
Debruçando-se sobre a reabilitação da via-férrea e o consequente regresso do comboio ligando os distritos de Cuamba e Lichinga, o Presidente da República afirmou que o retorno deste tipo de transporte vai melhorar a vida da população.
“O comboio apitou, é ou não é? As populações de Cuamba, Mandimba, Ngauma e Mecanhelas saíram à rua para saudar. É ou não? O apito está a ser também ouvido em Mavago, Lago, Sanga, Muembe, Mecula, Marrupa, Maúa, Metarica, Nipepe, Majune e outros pontos do país”,disse o Chefe de Estado, sublinhando que a reinauguração daquela infra-estrutura demonstrava que a província está a merecer uma atenção especial do Governo central.
Acrescentou que brevemente será lançada a estrada Cuamba-Lichinga em três troços, nomeadamente, Cuamba-Muita, Muita-Massangulo e Massangulo- Lichinga, numa extensão de cerca de 300 quilómetros.
Para o Chefe de Estado era com grande emoção que reinaugurava aquela linha que muito bem conhece porque quando desempenhava as funções de director executivo dos Caminhos de Ferro do Norte palmilhou-a  travessa-a-travessa, com a urgência de fazer chegar a mercadoria a Lichinga antes da sua deterioração.
“Toda a engenharia era feita para garantir o carregamento de sal, gasóleo, gasolina, do Jet para o reabastecimento dos aviões, do sabão que embarcava na estacão do Monapo e um pouco do concorrido cimento. Nesta linha hoje totalmente reconstruída, narra-se o dia-a-dia dos maquinistas, condutores, acertadores de vias, revisores e outros que trabalhavam para trazer o comboio a Lichinga que, às vezes, nunca mais chegava e perdia-se no espaço”, disse Nyusi, acrescentando tratar-se de uma grande obra que vai impulsionar o desenvolvimento socioeconómico do Niassa e da região Norte de Moçambique.
Num outro momento, o Presidente da República afirmou que a história daquela via-férrea confunde-se com a da própria província devido à sua natureza e constrangimentos havidos, tais como os operários que saíam para trabalhar e nunca mais regressavam às suas residências durante a sua construção para servir os colonos em 1972.
“Infelizmente, há quem quer que se repita a crueldade do sofrimento. De tantos outros que foram feridos, o seu sofrimento não permitiu que a vida da população inocente parasse. O que digo, disse em muitas ocasiões, é que os CFM, hoje CDN a operar a mesma linha com toda a responsabilidade, não são apenas uma base para o transporte de carga e a mobilidade de pessoas e bens, constituem um património de valores na história dos moçambicanos, onde está registado o sacrifício da população do Niassa que sempre esperou por este comboio”, explicou Filipe Nyusi para quem a dimensão social da linha é extraordinária e os investimentos em infra-estruturas tem em vista a promoção da produção e produtividade bem como a dinamização e escoamento de maior volume de carga.
Para o Chefe de Estado, a reinauguração da linha é mais uma razão para o Niassa deixar de ser desconhecido e esquecido. “Aqui está vincada a ideia de que a caminhada faz-se caminhando. Está patente a ideia de que o desenvolvimento é um processo que nos vai batendo à porta paulatinamente quando trabalhamos. Com o comboio na estacão terminal de Lichinga, Moçambique orgulha-se dos passos que está a dar, o país vai-se alimentar de feijão sem igual que o Niassa produz”.
“O país vai desfrutar da melhor batata-reno que brota do Niassa e não encontra concorrência. Com o comboio no Niassa, os investidores vão projectar com ambição competitiva a exploração do carvão de Maniamba, o calcário de Sanga, a soja, tabaco, gergelim e mais outros produtos. Com o comboio na estacão de Lichinga, a província deve receber produtos que não são do seu fabrico, como por exemplo material de construção, o camarão e peixe fresco do mar”, disse Nyusi reiterando que a reinauguração da linha removia o maior entrave do desenvolvimento da maior província de Moçambique.
Num outro desenvolvimento, o Chefe de Estado partilhou o seu sonho de instalar no Niassa uma central de geração de energia para provocar o surgimento da indústria, como a de fabrico de cimento.
“Ainda não temos os fundos, mas estamos todos envolvidos na mobilização de investimentos para que esse sonho se torne realidade. O grande entrave tem sido até agora a energia que não é suficiente”,disse o Presidente da República reiterando que vinha transmitir dois sinais: o primeiro é a concretização das promessas, sendo o segundo a cultura de prestação de contas como procedimento básico de um gestor público.
Refira-se que ainda no Niassa, o Chefe de Estado procedeu igualmente à reinauguração do Instituto Industrial e Comercial Ngungunhane, localizado em Lichinga com a capacidade de 1600 alunos, bem como ao lançamento da Campanha Global de distribuição de redes mosquiteiras para o combate à malária, que anualmente dizima milhares de moçambicanos com destaque para as províncias de Nampula e Zambézia que registaram mais casos.
Sobre a escola, o Chefe de Estado referiu que se enquadra nos esforços do Governo de munir os jovens do saber fazer tendo em vista a criação de novos postos de emprego no âmbito do desenvolvimento do capital humano.
Relativamente à campanha de distribuição de redes mosquiteiras que prevê distribuir 16 milhões de redes durante 12 meses, Filipe Nyusi  afirmou que tem em vista reduzir as mortes devido à malária ao mesmo tempo que desafiou os profissionais da Saúde a fazerem  diagnósticos com precisão e com tratamento adequado e uso racional dos recursos.
À população recomendou o uso correcto das redes mosquiteiras tendo exortado a não as usarem para a pesca. “Também exortamos a todos os cidadãos, políticos, sociedade civil a participarem de forma activa nesta campanha pela vida, para que a malária deixe de tirar vidas preciosas de milhares de compatriotas”.
Na ocasião, quatro famílias receberam de forma simbólica redes, com destaque para a família de Manuel Mahazula, constituída por um agregado de 11 membros que recebeu do Presidente da República seis redes mosquiteiras. 
Comboio deve beneficiar
o empresariado do Niassa
– José Manuel Gaisse, empresário
O presidente do Conselho Empresarial do Niassa, José Manuel Gaisse, diz que depois da reinauguração da via-férrea falta criar mais oportunidades para que o empresariado local possa singrar no mercado.
É que, segundo defendeu, com a linha-férrea os empresários de Lichinga poderão ser engolidos pelas grandes multinacionais que se vão deslocar ao Niassa para explorar as potencialidades económicas disponíveis se não tiverem os apoios necessários.
“A via-férrea traz um grande desafio para os agentes económicos que devem trabalhar no sentido de haver inclusão das suas empresas para a exploração das oportunidades que vão ser criadas com a reabertura dos comboios”,disse Manuel Gaisse, apelando ao diálogo Governo-sector privado.
Acrescentou que um dos sectores que necessita de maior apoio no seio dos associados é o da agricultura para que os empresários possam produzir com maior qualidade e competitividade.
Texto de Domingos Nhaúle, nosso enviado

SAÚDE: HCM revê tarifas da Clínica Especial


A direcção do Hospital Central de Maputo (HCM) decidiu há dias rever em alta o preçário dos serviços prestados na Clínica Especial daquela unidade sanitária tendo em vista angariar fundos para a manutenção dos equipamentos recentemente adquiridos, das infra-estruturas e manter o padrão de qualidade no atendimento.
A actualização em causa foi ponderada por representantes de todas as unidades funcionais do HCM tendo em conta a presente conjuntura económica, uma vez que quase todos os consumíveis e equipamentos usados são importados.
Dados em nosso poder indicam que a direcção daquele hospital acredita que será possível incrementar a receita entre 30 e 40 por cento, tendo como ponto de partida os actuais 25 milhões de meticais que factura, hoje, por mês.
Segundo fonte bem colocada no HCM, dos 25 milhões mensais, quase 22 milhões são aplicados no pagamento de salários, aquisição de medicamentos, consumíveis, manutenção e parte considerável é usada para o pagamento de salários de provedores de serviço que são contratados ou que estão em processo de absorção pelo Aparelho do Estado.
Temos cerca de 320 provedores que estão a ser pagos pela clínica. Por outro lado, os proveitos da Clínica Especial também são usados para o arrendamento, ao preço do mercado, de 50 residências para o pessoal médico estrangeiro”, sublinha.
Neste contexto, apurámos que nas condições actuais, a Clínica Especial funciona sem margens para realizar qualquer investimento e perdeu a capacidade de servir de fonte alternativa de renda para o suporte de despesas do hospital-mãe, que é o HCM.
A nossa fonte apontou que o cerne da revisão tarifária é angariar recursos para garantir a manutenção dos grandes investimentos que foram feitos nos últimos quatro anos através do Orçamento do Estado e poder adquirir os consumíveis e as refeições dos doentes internados na Clínica.
Entre os tais investimentos consta a aquisição de equipamento de última geração para os serviços de Estomatologia, Otorrino (onde já são feitas cirurgias a laser), Oftalmologia, Radiologia e na Sala de Operações da Maternidade.
O HCM também beneficiou de investimentos nos laboratórios, nos serviços de Anatomia Patológica e na Esterilização onde hoje temos um padrão de categoria internacional. Mas, para garantirmos o pleno funcionamento de todos estes meios precisamos de ter e manter a capacidade de fazer a manutenção que tem os seus custos”, referiu a fonte.
A questão central é que os acessórios para estes meios novos devem ser importados e, feitas as contas, chegou-se à conclusão de que contando apenas com os fundos do Orçamento do Estado seria impossível manter os meios activos.
Aliás, a pior coisa seria chegarmos a uma fase em que gradualmente um e outro equipamento começasse a falhar. Isso iria prejudicar de alguma a qualidade de serviço do hospital como um todo e da Clínica em particular”, disse.
Apesar de a actividade da Clínica ser de pequena monta e situar-se entre 10 e 15 por cento do volume de atendimento de todo o HCM, esta unidade consegue gerar rendimentos que permitem suportar parte significativa do défice financeiro que o maior hospital do país enfrenta.
A presente actualização está abaixo do que se pratica nas outras clínicas porque beneficiamos do facto de termos instalações próprias. A partir de agora vamos passar a ter uma melhor distribuição da renda produzida através da Clínica, pois antes havia situações em que duas unidades que prestavam o mesmo serviço praticavam preços diferentes. Por isso tentámos equilibrar”, afirma. 
CONSULTAS NO ESTRANGEIRO
No quadro da busca de explicações sobre a actualização tarifária na Clínica Especial do HCM apurámos que a nova tabela indica que para o atendimento com médico privado os doentes deverão passar a desembolsar 10 mil meticais.
A fonte que ouvimos refere que os médicos que fazem as urgências na clínica são pagos por cada doente que atendem, mas a condição para que estes médicos possam atender a doentes na Clínica é que também atendam no serviço normal. “Quem não trabalha no serviço normal não pode ir à Clínica”.
Entretanto, devido a alguns desvios comportamentais de alguns funcionários, alguns médicos só eram chamados para prestar serviços na Clínica nas noites ou em horários difíceis. “Verificámos que durante o período da manhã alguns não eram chamados porque outros eram favorecidos para atender no período diurno. Já tomámos medidas tarifárias que vão desencorajar estas práticas”.
Mais adiante, a nossa fonte aludiu que os investimentos feitos no HCM e naquela clínica vão ajudar a reduzir a saída de divisas do país para o pagamento de despesas médicas, mas reconhece que ainda há serviços que não estão disponíveis no país.
Há alguns recursos que não temos aqui. Um exemplo claro é o transplante que ainda não fazemos por motivos técnicos e também por motivos legais. A Lei de Transplante ainda não foi aprovada. Também temos o caso de doentes que devem ser atendidos na área de Oncologia, sobretudo quando devem passar pela Radioterapia”, sublinha.
Porém, refere que nos casos de Oncologia, há investimentos em curso no HCM, nomeadamente a conclusão da montagem do equipamento que poderá terminar nos próximos três meses. “A partir daí vamos começar a tratar os primeiros doentes aqui. Isso vai reduzir muito a necessidade de transferir doentes para fora”.
Aliás, aquando da recente visita do Primeiro-ministro da Índia, alguns membros do Governo que o acompanhavam visitaram o Hospital Central de Maputo e, no final, sentenciaram que “este hospital é funcional, pode não ter a comodidade e luxo como alguns hospitais de topo, mas como hospital funciona”.
ENFERMEIROS PRECISAM-SE
Num outro momento, procurámos ouvir o director do HCM, João Fumane, que se limitou a confirmar os dados a que tivemos acesso e a sublinhar que a grande necessidade que esta unidade sanitária tem relaciona-se com os recursos humanos, particularmente no ramo da enfermagem.
Temos um défice de 50 por cento de enfermeiros. Só temos 700 quando devíamos ter pelo menos 1400. Para colmatar essa falta, estamos a promover a formação orientada para a ocupação destas vagas e a criar uma série de incentivos não monetários para os enfermeiros visando garantir entradas e reduzir as saídas por falta de motivação”, disse João Fumane.
Entre os incentivos não monetários consta a possibilidade de os enfermeiros no activo beneficiarem de formação média na área de enfermagem e progredirem para a licenciatura e especialização.
Apesar do défice, João Fumane afirma que tem estado a concentrar os poucos enfermeiros existentes em áreas críticas, nomeadamente nos Cuidados Intensivos, Banco de Socorros (que é o local de maior pressão – atende até 1100 pacientes por dia), Serviços de Urgência, Pediatria, Medicina e por aí em diante. No que se refere aos médicos, João Fumane referiu que, “em geral, o número é satisfatório e responde àquilo que é o padrão”.
Por Jorge Rungo
jorge.rungo@snoticicas.co.mz

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